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3. O passado presente


Fic: Coisas do Destino


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ainda silenciosamente, todas andaram por Hogsmeade, deixando Hermione aproveitar a visita e se preparar para tudo o que viria a seguir. Para cada loja, cada cantinho que olhava naquele povoado, ela se lembrava de sua adolescência, suas aventuras, os passeios com Harry e Ron. E agora tudo parecia tão distante...

Depois pegaram o pedaço de estrada que ligava Hogsmeade a Hogwarts, sua casa por sete longos anos. Ao andarem pelos jardins, as amigas de Hermione viram uma única e solitária lágrima escorrer pelo seu rosto. Ela ainda permanecia com os óculos escuros, escondendo seu olhar.

Andando por ali, ela olhou para o lago. A árvore em que estavam quando tudo aconteceu... Separou-se do grupo e andou até lá. Lembrou-se do dia que ela e Harry, passeando pelos jardins, encontraram uma silga gravada ali.

Flashback
Tinham retornado a Hogwarts a apenas alguns dias para seu sétimo e último ano. Todos os Horcruxes já haviam sido encontrados e estavam sob a segurança da Ordem. Muitos morreram naquele período e a mais triste das mortes fora a de Dumbledore. A guerra estourara de vez e não havia um lugar em que estivessem completamente seguros. Estavam em janeiro. Perderam quatro meses de aula enquanto estiveram fora procurando os Hocruxes.

Muita coisa havia mudado, realmente. Poucos pais tiveram coragem para enviar seus filhos à escola, que estava vazia. Se muitos alunos haviam ali, eram, no máximo, setenta.

Todos foram colocados em uma torre só, não existia mais as quatro casas de Hogwarts. Agora todos estavam misturados e juntos numa só. Não houve o Campeonato de Quadribol, os N.I.E.M.’s seriam feitos no Ministério da Magia quando terminassem de cursar a escola e os professores, principalmente Minerva McGonagall, pareciam abalados com tudo que acontecera no ano anterior.

Hermione havia brigado feio com Ron mais cedo e chamara Harry para conversar. Não queria e nem gostava de ficar sozinha. Eles estavam ali, sentados sob a árvore, quando Hermione viu algo gravado ao seu pé.

- Harry? – chamou.

- Sim?

- Veja isso! – ela apontou para um ponto no fim do caule da árvore.

- Parece ser uma sigla. – ela disse afastando a grama para enxergar direito.

- J.P. & L.E. O que poderia significar isso? – perguntou Hermione.

- Há um coração em volta da sigla, Mione. Talvez algum casal tenha deixado isso gravado aqui. – sugeriu.

- Não parece recente, Harry. Veja que a sigla está falha. – mostrou.

- Então não sei o que pensar... – ele deu de ombros.

- Você já pensou que seu pai poderia ter feito isso como prova de amor para sua mãe? – a garota perguntou franzindo o cenho. – As letras são as mesmas das iniciais. James Potter & Lily Evans.

Flashback

Seus olhos foram parar na segunda sigla gravada ali. Um pouco abaixo da primeira estava uma outra, mas ela não gostava de lembrar daquilo. Tudo levava a uma história incompleta, inacabada, mas que, para ela, acabara há muito.

Flashback
Fora no final daquele mesmo ano, o último em Hogwarts. Harry e Hermione começaram a namorar quando faltava apenas um mês para acabar o ano letivo. Apenas os amigos mais próximos sabiam do romance dos dois, que se aprofundava a cada dia.

Um dia, de manhã bem cedo, Harry chamou Hermione para passear pelos jardins. Agora faltavam apenas alguns dias para deixarem a escola. Seria doloroso deixar o lugar em que aprenderam a viver, onde conquistaram sua liberdade, o lugar que virara uma segunda casa, o verdadeiro lar.

- Vem comigo. Tenho uma coisa para te mostrar. – foi o que ele disse antes de arrastá-la para os jardins.

Novamente estavam embaixo da árvore próxima ao lago, onde tinham visto a sigla T.P. & L.E. Ele tirou a grama que encobria a barra da árvore e mostrou que havia uma outra sigla ali.

“H.P. & H.G.”

Hermione o encarou surpresa e um sorriso se fez em seus lábios.

- Ah, Harry! Que lindo... – ela disse beijando-o.

Flashback


Aquela era uma das muitas lembranças que tinha de sua adolescência. Mas todas as lembranças daquele ‘romance’ levavam a que ela menos gostava de lembrar. A uma lembrança triste, exatamente onde a história, para ela, acabava, dando início a uma outra, exatamente a que ela vivia agora.

Flashback
Concluídos os estudos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts há mais ou menos quatro meses, eles estavam se preparando para o que seria a batalha final entre Harry e Voldemort. Ainda não seria agora, mas estavam em treinamento, todos confinados na sede da Ordem da Fênix, o Grimmauld Place 12.

- Hermione, nós precisamos conversar. – disse um Harry preocupado.

- Harry, o que aconteceu? – ela perguntou, não gostando nada da expressão que ele tinha.

- Vem comigo. – ele a puxou para o quarto onde Bicuço ficava.

Harry fechou a porta e a beijou. Era um beijo desesperado, Hermione sentira isso. Ela se afastou lentamente e o olhou nos olhos.

- Harry, me conta o que está acontecendo, por favor. – pediu.

- Mione, nós precisamos acabar tudo. – ele disse baixando os olhos.

- Por quê? – ela perguntou, buscando os olhos dele.

- Voldemort, Mione. Tenho medo que ele descubra e possa fazer alguma coisa com você para me afetar. – explicou e viu Hermione fraquejar, seus olhos cheios d’água.

- Harry, Ginny pode ter aceitado, mas eu não. Eu não sou ela e você sabe disso! Você sabe que eu nunca desistiria de você, de estar ao seu lado por esta causa. – ela disse abraçando-o. – Eu vou lutar com você até o último minuto, mesmo que isso custe a minha vida. Por favor, fica comigo...

- Tente entender, Mione. Eu te amo muito para te perder! Não me perdoaria nunca se acontecesse algo a você e soubesse que tudo foi por minha culpa. O que eu diria aos seus pais?

- Você diria que eu morri por amor, que eu morri por você. – ela disse fitando-o. – Essa é uma escolha, uma opção que só eu posso decidir estar disposta ou não a fazer.

- Hermione, você sabe que eu moveria céus e terras, faria qualquer coisa por você, mas isso, não! – ele finalizou, beijando-a. – Eu prometo que quando isso tudo acabar, eu vou ficar com você para sempre. Eu prometo!

Flashback

Uma promessa jamais realizada. Depois que a guerra acabou, com Voldemort derrotado e quase todos os Comensais da Morte presos em Azkaban, ele nunca a procurou, nunca tocara naquele assunto. Ela, desistindo daquele sonho, se mudou para a França sem comunicar a ninguém. De lá, ligou para os seus pais e avisou-os sobre a sua decisão. O principal propósito era esquecê-lo, mas ela nunca conseguira. Ainda o amava muito, talvez até mais do que antes.

Ela limpou as lágrimas que banhavam pelo seu rosto e voltou a se juntar às amigas, que a observavam de longe.

- Vamos? – perguntou esboçando um triste sorriso.

Nicole veio até ela, pegou suas duas mãos e apertou-as, tentando passar força e confiança para a amiga. Sorriu docemente para ela, que retribuiu o sorriso da mesma forma. Nicole era como uma irmã para ela e vice-versa.

Voltaram a andar em direção ao castelo. Hermione pôde notar que nada mudara. Estava tudo exatamente do mesmo jeito que deixara a escola. Assim que se aproximaram das escadas que davam para o saguão de entrada, ela viu Hagrid ao longe, sentado à porta de sua cabana.

Hermione sorriu ao ver o amigo meio-gigante.

- Hagrid! – chamou e ele levantou os olhos para ver quem o chamara.

Ficou claro para ela que ele não a reconhecera, no entanto, se levantara e estava andando em diração ao grupo de mulheres. Quando ele se aproximou, tentou descobrir quem eram as moças, mas não manifestou conhecimento.

- Boa tarde, senhoritas. Algo em que eu possa ajudar? – ele disse cordialmente.

- Sim. Pode me dar um abraço? – pediu Hermione tirando os óculos escuros.

Ele parou de chofre ao encará-la. Fitou-a atentamente dos pés a cabeça e quase não acreditou que era ela realmente. Hermione sorriu para ele, que abriu um largo sorriso.

- Hermione, menina! Como você está linda! – disse abraçando-a de leve.

Hermione agradeceu mentalmente por ele ter aprendido a reconhecer a sua própria força.

- Obrigada, Hagrid! – ela agradeceu. – Que saudades...

- Onde você se meteu, Mione? Todos vivem perguntando por você. Sentimos muito a sua falta! – disse o meio-gigante encarando-a.

- Eu também sinto falta de todos, mas sinto dizer que não voltarei. Estou em Londres a trabalho, então aproveitei para visitar a escola, nada mais. – disse ela séria.

- É uma pena. Você não imagina como você faz falta, realmente faz. – disse Hagrid, as lágrimas sumindo em meio ao emaranhado de barbas negras. – A aluna mais inteligente da escola cresceu...

Hermione concordou com um aceno.

- Viu o Harry e os Weasley? – ele perguntou.

Ela baixou os olhos e balançou a cabeça negativamente.

- Apenas o Harry, mas foi só de passagem. – disse, erguendo a cabeça novamente. – A propósito, Hagrid, essas são minhas amigas e companheiras de trabalho. Karen, Nicole, Keyla, Melissa, Grendha e Jessica. – apresentou, mudando de assunto bruscamente.

- Olá! – cumprimentou o meio-gigante apenas com um aceno breve. – Então, você quer ver McGonagall?

- Claro! – Hermione fechou os olhos e sorriu serenamente, seguindo o amigo com as outras e entrando no castelo.

As amigas dela murmuravam encantadas com o tamanho e beleza do castelo.

- Creio que nunca viram um gigante, estou certo? – perguntou Hagrid as olhando por cima do ombro.

- Não. – responderam todas em uníssono.

- Sim?! – arriscou Hermione, fazendo as outras arregalarem os olhos.

- Como é? – perguntou Melissa.

- É, Mel. O irmão do Hagrid é um gigante de mais ou menos seis metros. – contou e o homem confirmou.

- Eu não acredito... – fizeram as outras em murmúrios.

Quando Hagrid bateu à porta da sala de Minerva McGonagall, elas puderam ouvir que ela interrompeu uma conversa.

- Entre! – ouviram-na dizer.

Abriram a porta e viram as duas únicas pessoas da sala virarem-se para encarar a pessoa que entrava. Hermione e as outras seis mulheres que a acompanhavam adentraram a sala sem cerimônia.

- Professora, será que eu poderia conversar com você? – Hermione ainda estava sem os óculos.

A professora a olhou perplexa, e como Hagrid, a fitou dos pés a cabeça.

- Hermione? – Minerva se perguntou.

- Sim, professora, sou eu. – confirmou.

A professora se levantou e caminhou até ela.

- Você está linda! – murmurou segurando sua mão. – E está bem, é evidente.

- Sim, e espero o mesmo de você.

- Obrigada, querida. Estou bem. – a professora confirmou. – Quanto tempo! Por que sumiu desse jeito?

- Problemas pessoais, professora.

- Eu juro que não imaginava que você fosse estar tão diferente. Te imaginava como uma auror excelente!

- Infelizmente as coisas não saíram como eu planejava.

- Quando Harry me contou que estava aqui, eu quase não acreditei! Principalmente quando me contou como estava bonita. Não imaginava que fosse tanto.

Finalmente Hermione tomou coragem para encarar a pessoa que estava sentada em frente a escrivaninha da professora. Era Harry. Ela novamente encarou a professora e indagou:

- Contou, foi? – perguntou.

A professora simplesmente confirmou com a cabeça. Mais uma vez Hermione mudou de assunto.

- Professora, estas são minhas amigas e colegas de trabalho. – citou todos os nomes e depois voltou a encarar a mestra da transfiguração. – Estudaram em Beauxbatons. As trouxe para conhecer a escola onde estudei.

- Ótimo, ótimo. É sempre muito bom receber as alunas de Olivia Maxime. – disse cumprimentando-as. – Bom, Hagrid, se não se incomodar, leve-as para conhecer todo o castelo. E Hermione, seja bem vinda de volta. Muitos professores ficarão felizes em revê-la.

- Desculpe, senhora. Não estou de volta. Vim para Londres apenas a trabalho.

- Uma pena. Mesmo assim, não deixe de vir aqui. Todos sentimos sua falta.

Hermione sorriu e se retirou com Hagrid e as amigas.

- Ela está bastante mudada. – escutou a professora comentar quando fechou a porta. – Mas continua a pessoa maravilhosa de sempre.

- Eu disse. Mas o que você acha?

Hermione fechou os olhos e saiu dali. Não queria escutar mais nada.

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