Harry e Hermione seguiram para casa depois do café da manhã, encontrando os outros já na segunda parte do treinamento. Então seguiram para seus quartos, onde tomaram um banho, e depois para cozinha para preparar o almoço.
Cerca de meia hora depois, todos já estavam à mesa começando a almoçar. Harry e Hermione observavam a todos que pareciam esperar algum tipo de bronca ou castigo pela armação que fizeram.
-Então, com quem estão nossas varinhas? –Harry pergunta causando uma paralisação momentânea em todos.
-Comigo. –Thiago fala corajosamente.
-Então estavam mesmo todos nisso, não é? –Harry pergunta encarando-os.
-Eu só soube disso ontem a noite. –Lupin se defende, querendo se manter de fora da discussão.
-Então saiba que esses aí, nos deixaram praticamente sem roupa no meio de uma tempestade?! Morremos de frio e ainda sem as varinhas. –Harry rosna olhando duramente para todos, claro que não era de todo sincero, tivera o melhor dia de sua vida, mas ainda não justificava o que eles haviam feito.
-Isso não é verdade, havia um cobertor bem grosso e bastante lenha pra lareira. –Lílian tenta se defender, mas Hermione a olha duramente.
-Você não estava lá para saber, sem falar nas janelas que vocês não concertaram. –Hermione fala em tom frio e irritado.
-Mas se vocês ficassem abraçados e juntinhos se aqueceriam. –Sally arrisca um tom malicioso.
-Você não quer que eu te dê uma resposta, não é? –Hermione fala no tom mais mortal que consegue, fazendo Sally gelar e se encolher na cadeira.
-Então, vocês não estão juntos? –Anne arrisca perguntar e os dois apenas negam com um aceno.
-Não acredito que tivemos aquele trabalho todo à toa! –Sírius resmunga tomando um grande gole de suco.
-Claro que não foi à toa. –Hermione fala segurando o riso e trocando um olhar cúmplice com Harry.
-Como assim? O que vão fazer? –Rony que estava quietinho, como se não quisesse ser notado, pergunta com expressão assustada.
-Nada. –Harry fala sorrindo animado –Nós já fizemos. –Ao falar isso, todos começam a sentir dor pelo corpo, onde grandes bolhas se formam e depois explodem revelando chifres de dez a vinte centímetros.
-O antídoto para você Lupin, vai fazer efeito em breve. –Hermione fala dando um frasco com um líquido incolor para o amigo que rapidamente bebe o conteúdo.
-E pra nós? –Lílian pergunta para Harry, que desvia o olhar, ao ver a pele deles começar a ganhar um tom esverdeado.
-Só quando acharmos que o castigo foi suficiente. –Hermione fala se levantando e recolhendo sua louça.
-Mais vamos ficar verdes com bolinhas roxas? –Sally pergunta fazendo uma careta, olhando seu corpo todo colorido.
-Fiquem felizes por não ser pior, afinal vocês também têm que treinar. –Harry fala também se levantando e apontando o relógio.
Ao chegar à cozinha, Harry e Hermione começam a rir descontroladamente. Depois de alguns minutos, Harry abraça a namorada, ainda sem fôlego e com os olhos cheios de lágrimas.
-Você é o máximo, sabia? –Harry fala beijando-lhe a face.
-Então devo merecer uma recompensa melhor, não? –Pergunta com um sorriso maroto.
-Adoro correr riscos. –Sussurra sedutor, beijando-a logo depois.
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No início da noite, todo o grupo estava reunido na biblioteca, sendo que apenas Harry, Lupin e Hermione estavam sentados, já que os chifres impediam os outros de fazer o mesmo.
-Boa noite, meus jovens... o que houve? –Dumbledore chegava sorridente, mas para na porta ao notar o estado da maioria.
-Digamos que eles estejam recebendo um castigo por uma marotice. –Hermione fala em tom cúmplice, recebendo um sorriso de Harry.
-No entanto, pelo que vejo os treinos estão fluindo normalmente, não? –Dumbledore pergunta aos dois que assentem.
-A propósito, o senhor veio fiscalizar a casa? –Lílian pergunta meio sem jeito.
-Não, isso eu já fiz aproveitando o silêncio, aliás, devo parabenizá-los, a casa está muito bem arrumada, além de dizer que fico aliviado por ver que cada um tem seu quarto, não quero arranjar problemas com os pais de ninguém. –Fala olhando-os de modo significativo.
-Que isso Dumbledore, nós todos estamos muito comportados, até porque com esses carrascos, não sobra nem disposição pro contrário. –Sírius fala apontando Harry e Hermione.
-Pelo visto então, só Hermione e o Harry escaparam, já que os pais dela não estão por aqui e nós, seus pais, não fazemos qualquer objeção a atividades noturnas. –Thiago fala de modo sério, fazendo os dois jovens corar e os demais rirem.
-Então, vocês decidiram tornar o fingimento algo real? –Dumbledore pergunta com um sorriso maroto.
-Não! –Respondem juntos e corados.
-É bobagem deles, nós somos só amigos. –Harry se apressa em corrigir, ao que Dumbledore sorri de modo enigmático.
-E aconselho vocês a pararem as gracinhas ou não receberão o antídoto tão cedo. –Hermione avisa de modo firme e todos ficam sérios imediatamente.
-Desculpe atrapalhar seu castigo, Hermione, mas creio que o antídoto tenha que ser dado agora. –Dumbledore fala e imediatamente sorrisos aliviados se espalham pela biblioteca.
-Mas porque Dumbledore? –Hermione pergunta incerta.
-Vamos fazer um pequeno treinamento especial e para isso preciso que eles estejam em condições normais. Mas não tenho nada contra brincadeiras se estas não atrapalharem os treinos. –Dumbledore responde e acrescenta o fim para alívio de Hermione.
-Ok, eu vou pegar os antídotos no quarto. –Ela fala e se retira.
-Já foram a floresta daqui? –Pergunta curioso.
-Não, quer dizer, só andamos pela orla, perto da cabana. –Harry responde.
-Hum... nesse caso eu aconselho que deixem pra ir apenas depois da lua cheia, há animais muito perigosos lá e, portanto, só devem ir quando todos estiverem bem-dispostos. –Fala olhando para Lupin, que entende.
-Então esse treinamento de hoje não será na floresta? Hermione disse que iríamos lá com o senhor. –Anne pergunta curiosa sobre o treino daquela noite.
-E irão, mas num momento mais apropriado como disse, o que também não impede que vocês a visitem sem mim. Hoje nós iremos “caçar” por assim dizer. –Fala observando as expressões de todos, que pareciam tentar desvendar a charada.
Alguns minutos depois, Hermione retornou com as poções e entregou aos amigos, que em poucos instantes começaram a voltar ao normal. Após esperar que todos estivessem em condições normais, Dumbledore retirou um livro velho da capa e mostrou-lhes como sendo uma chave de portal que usariam para ir e para retornar.
Ao tocarem, sentiram o já habitual puxão e ao cair, dessa vez em pé, notaram estar na savana africana. Era uma noite quente, apesar de ser inverno, estavam em um campo aberto, com umas duas árvores em cerca de um quilômetro quadrado, não havia animais por perto, mas rugidos e sons semelhantes eram ouvidos a uma distância que eles diriam ser muito próxima.
-Usem o Lumus. –Dumbledore ordena enquanto acende a ponta de sua varinha. Logo as demais varinhas também estavam acesas. –Estão vendo aquele animal ali? –Dumbledore aponta um animal semelhante a um javali, mas com o couro acinzentado.
-É um Tebo professor? –Anne pergunta admirada, adorava animais mágicos.
-Brilhante observação, te daria trinta pontos se estivéssemos em Hogwarts. –Dumbledore comenta e vê as bochechas da garota ganharem um tom rubro.
-Eles não são perigosos demais? –Hermione pergunta se lembrando de algo que lera em um livro.
-Bom, vocês são nove e eu ficarei observando para qualquer emergência. –Dumbledore responde confiante.
-E o que nós temos que fazer afinal? –Sírius pergunta querendo sair dali, estava irritado com os mosquitos.
-Terão que caçá-lo. –Fala simplesmente.
-Quando o senhor diz caçar, está falando em... matar? –Sally pergunta não gostando da ideia.
-Consegui uma excelente receita pro jantar dessa noite. Além do que, a pele e o sangue deste animal nos serão muito úteis. –Responde de forma descontraída.
-Não parece muito difícil, pelo menos não vejo nada demais nele. –Rony fala observando o animal.
-Não é tão simples, assim que ele for ameaçado ficará invisível e portanto impossível de capturar ou matar. –Anne fala surpreendendo os rapazes.
-Também devo acrescentar que o animal é mais forte que um touro e pode ser muito agressivo, ou seja, se nós não o pegarmos ele nos pegará. –Hermione acrescenta.
-Então vamos ter só uma chance e não podemos errar. –Thiago fala espreitando a presa com olhos de caçador.
-Podemos lançar um feitiço estuporante e alguns imobilizadores, estando todos juntos e sincronizados deve funcionar. –Rony fala pensativo.
-A pele dele rebate a maioria dos feitiços, por isso é muito usada pra fazer roupas e escudos protetores. –Anne observa olhando para Dumbledore, que sorri ao ver que ela havia entendido a “caça”.
-Mais alguma coisa que devamos saber? –Thiago pergunta irritado com aquelas informações picadas.
-Não, a não ser que ele é carnívoro e não vive em grupo, ou seja, não tem outro por perto. –Anne fala não gostando do jeito de Thiago olhá-la.
-Então podemos usar isso. –Lílian que ouvia tudo atenta se manifesta atraindo a atenção de todos –Ele está caçando, portanto podemos fazer uma armadilha pra ele. –Ela completa e todos sorriem.
-Podemos conjurar uma gaiola presa a uma corrente, os garotos a seguram no alto usando aquele galho. –Hermione fala apontando uma árvore a dois metros deles, com galhos fortes e altos.
-Mas como vamos saber se o bicho vai estar atrás da isca ou ainda quando ele estará em baixo da gaiola, se provavelmente ele estará invisível? –Sírius pergunta e todos parecem pensar no mesmo.
-Um sino! –Hermione exclama e todos a olham –Vai ser só uma chance, mas posso tentar prender um sino no rabo dele. Sabe, é um pouco complicado dar banho no Bichento, então estou acostumada a ter que laçá-lo sem que ele perceba. –Hermione expõe a ideia dela e se justifica, fazendo Harry e Rony abafarem risos, apesar dos outros não entenderem muito bem o porquê.
-Parece uma boa ideia, quem vai conjurar a jaula? –Rony pergunta e Lílian se prontifica.
Os nove se encaminham para a árvore e Lílian conjura a jaula, a qual Anne e Sally levitam. Acharam melhor usar magia ao invés das correntes, assim os garotos poderiam fazer algo, caso algum imprevisto ocorresse.
-Quem vai conjurar a isca, aliás, que animal será? –Sírius pergunta e Hermione e Lílian se entreolham.
-Se conjurássemos algum animal ninguém garante que ele viria pra cá, e também não poderia ser um patrono porque eles brilham e não tem cheiro de animal. –Hermione fala olhando de Lílian para Harry.
-O que vocês estão pensando? –Thiago pergunta não gostando do clima.
-Bom, meu amor, o ideal é que você ou o Sírius usassem suas formas animagas. –Lílian fala com cuidado e os dois arregalam os olhos.
-Eu voto a favor do Thiago, quer dizer, estamos na África e aqui é comum se ver vea... digo cervos. –Hermione tenta se justificar.
-Isso! Não há muitos cães negros por aqui. –Sírius apoia, querendo se ver livre daquela.
-Não olha assim pra ele Thiago, Hermione tem razão, é o mais lógico. –Harry fala e Rony o apoia.
-Tudo bem, mas se eu morrer a culpa vai ser de vocês! –Fala não gostando de ser a isca.
-Certo, então eu e Lílian vamos ficar em cima desse galho, aí se Thiago tiver algum problema podemos levitá-lo. –Hermione fala e os outros assentem.
-Mas e nós, fazemos o que? –Rony pergunta as duas.
-Bom, o Sírius fica na forma animaga, pra qualquer emergência tentar atacar o Tebo, e vocês dois ficam atrás da árvore, para tentar feitiços fortes que possam afastar o Tebo do Thiago, caso ele o alcance. –Lílian coordena e todos parecem concordar.
-Ok, então eu vou para onde e faço o que? –Thiago pergunta.
-Depois de se transformar, você vai pastar naquele arbusto. – Hermione fala apontando o arbusto cerca de dois metros a frente do Tebo. –Fica de olho nele, que assim que o Tebo ficar invisível você começa a correr.
-E quando Sírius uivar, a jaula será solta e cairá em cima do Tebo. Se o Sírius uivar uma segunda vez, você para de correr, porque teremos pegado à caça. –Lílian completa e todos confirmam o plano.
A seguir, Hermione conjura uma corrente fina com um sininho na ponta, a fazendo flutuar até o animal que parecia farejar uma toca de coelho. Com precisão e cuidado, a faz laçar o rabo do Tebo, enquanto o cervo galopa ruidosamente, chamando a atenção do animal, que parecia faminto. O cervo para com se fosse pastar, o Tebo, ignorando o sino, fica a espreita e se torna invisível. Nesse momento o cervo corre em disparada para a árvore, o barulho do sino indicava que o animal estava correndo atrás dele e o pior, parecia bem mais rápido. A vantagem parecia sumir rapidamente, quando estava a um metro da árvore, seus instintos animais diziam que o Tebo estava bem junto dele e a qualquer hora daria o bote, começou a correr em zigue-zague tentando obter vantagem, mas o animal estava praticamente junto a si, quando um cão negro abocanhou o lugar de onde vinha o sino e o Tebo guinchou de dor, o cervo parou e viu que o cão negro estava sendo arrastado pelo animal. Deu meia volta e correu em direção de onde achava que o animal estaria, baixou a cabeça e tentou acertar com tudo o ar a sua frente, sentindo uma forte dor, quando os cornos atingiram algo muito duro.
Nesse instante, a julgar pela posição de Sírius, o animal havia ficado ao menos tonto. Hermione e Lílian fizeram os animagos voarem longe e, ao mesmo tempo, Harry e Rony atiraram rajadas alaranjadas que ao tocar o solo causaram duas grandes explosões, dando tempo para Sally e Anne, que haviam movimentado a jaula, deixá-la cair sobre onde imaginavam, estava o corpo do animal.
Dumbledore, que observou tudo do lugar em que havia ficado ao chegar, se aproxima e lança um feitiço dentro da jaula, tornando visível, o animal com o sino no rabo.
-Conseguimos! –Rony e Harry comemoraram batendo as palmas da mão no ar.
-Essa deu trabalho. –Hermione fala ofegante, já que assim como Sally, havia dado um grande pique da árvore até a jaula.
-Parece que os dois valentes estão bem. –Sally comenta recobrando o fôlego e apontando Lílian e Anne penduradas aos pescoços dos namorados.
-Espero que ainda fiquem bem depois delas. –Rony comenta divertido abraçando a namorada.
-O que fazemos agora, Dumbledore? –Harry pergunta olhando o animal que ainda estava zonzo, Hermione o olhava com muita pena.
-Agora te ensinarei um feitiço que vai matá-lo. Se vocês não quiserem ficar, entenderei. –Dumbledore responde a Harry e depois acrescenta olhando para as meninas.
-Acho que seria bom irmos socorrer aqueles dois. –Sally comenta e Hermione apenas faz um gesto afirmativo com a cabeça.
-Por isso que antigamente os homens caçavam e elas ficavam em casa cuidando dos filhos. –Rony comenta num tom bem machista, olhando-as se afastar.
-Pronto, Harry? –O mago pergunta e o garoto assente, Rony apenas observa. –As palavras são Ruhiger Tod.
Dumbledore faz um gesto suave de cima para baixo e depois um curvilíneo côncavo da direita para esquerda, ao qual Harry repete duas vezes.
- Ruhiger Tod -Harry lança o feitiço que produz uma névoa rosada em torno do animal, fazendo o cair como se houvesse adormecido.
-Ele está morto ou só dormindo? –Rony pergunta observando o animal.
-Está morto. –Dumbledore responde simplesmente e vê Harry engolir em seco. O mago faz um gesto com a varinha e tanto a jaula quanto o sino desaparecem.
-Já acabou? –Anne pergunta receosa ao chegarem.
-Sim, mas não se preocupem, ele não sentiu dor alguma. A tradução do feitiço é “Morte Serena”. –As palavras parecem consolar os jovens, que se deixam ficar orgulhosos pelo feito.
Ao chegarem ao sítio, Dumbledore se encarrega de separar a pele do sangue do animal, dando a receita para o preparo da carne para Harry, Hermione e Lílian, que começariam a seguir os passos e juntar os ingredientes, enquanto os demais foram tomar banho e depois poriam a mesa.
O jantar transcorreu muito bem, a receita realmente era ótima e a conversa girou em torno de amenidades, haviam combinado de deixar a conversa séria para depois.
Na sala, falaram sobre o treinamento e Dumbledore comunicou que em breve repetiriam a caçada, mas observou que apesar de boa, a estratégia precisava de melhoramentos. Deixou um livro que explicava como fazer luvas e roupas com a pele, levando o sangue consigo, dizendo que este teria outra finalidade.
Assim que o mago foi embora, todos resolveram se deitar, estavam muito cansados e o dia seguinte prometia, já que faltaria apenas uma semana para a Lua Cheia.
Harry acordou bem cedo, atravessou silenciosamente o corredor até o quarto de Hermione, mas ao entrar encontrou a cama vazia e, pelo silêncio, presumiu que a namorada já estivesse fazendo o café da manhã. Saiu nas pontas dos pés, atravessando como um gato o corredor até a escada, a qual desceu pelo corrimão, para se certificar de que ninguém o ouviria, correu o mais rápido que pôde até a cozinha, passando pela porta aberta e se agarrando a cintura da morena, que fazia café.
-Harry! –Ela fala entre risos, numa tentativa fracassada de repreendê-lo, enquanto este distribuía beijos por todo rosto e pescoço de Hermione.
-Estava morrendo de saudades, meu amor. –Sussurra pertinho do rosto dela, unindo suas testas e a abraçando bem junto a si.
-Eu também, meu amor. –Fala dando-lhe um selinho.
-O que houve? Você não parece muito bem, foi por isso que acordou cedo? –Pergunta preocupado, se afastando de Hermione para olhá-la melhor.
-Tive pesadelos com o que houve com o Tebo. –Fala sem jeito e olhando para baixo, recostando-se na pia.
-Sei como se sente, mas não fica assim, quer dizer, não o matamos por matar, ele nos foi muito útil e poderá nos ajudar a salvar muitas vidas. –Fala tentando conforta-la.
-Eu sei. Mas e você, porque acordou cedo? –Pergunta tentando mudar o assunto.
-Porque queria te acordar e te encher de beijinhos! –Fala com um sorriso maroto, se aproximando enquanto ela ria.
-Bom dia! –Lílian fala ao entrar na cozinha.
-Bom dia. –Hermione fala tentando parar de rir.
-Dia. –Harry responde irritado, havia acordado bem mais cedo, e pelo visto à toa.
-Harry, não fica assim. Eu sei que agi mal, mas você não pode me perdoar? Por favor, meu filho, não quero me afastar de você. –Lílian pede parecendo sinceramente arrependida.
-Que isso mamãe, eu também não quero me afastar de você, está tudo bem. –Fala a abraçando forte, mas dando um olhar desesperado a Hermione que dá de ombros, olhando como quem diz, “Não tem jeito”.
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Depois do treino físico, se reuniram na frente da casa como sempre faziam, Harry e Rony foram os últimos a se juntar ao grupo, que se silenciou com a chegada dos dois.
-Antes que vocês comecem a falar sobre a aula de hoje, proponho uma mudança de cronograma. –Thiago começa e os três se entreolham antes de se voltarem de novo para ele. –É que ontem não vimos como você fez o feitiço e achamos que como vamos entrar numa guerra, seria bom que aprendêssemos. –Ele fala e os demais parecem apoiá-lo.
-Eles tem razão, é um feitiço útil e não é uma maldição imperdoável. –Rony fala dando de ombros.
-Mas não sabemos se funciona contra bruxos, se pode ser defendido, aliás, não sabemos nada sobre ele, portanto acho que devemos aproveitar essa noite pra procurar algo a respeito dele, uma pesquisa bem abrangente incluindo a punição em caso de uso. Se não acharmos nenhum problema, eu o ensino pra vocês amanhã. –Harry fala para todos que começam a reclamar juntos.
-Não adianta reclamar, Harry está certo, afinal é um feitiço mortal e não pode ser ensinado de qualquer jeito. –Hermione fala pondo um ponto final na discussão.
-Então se levantem para começarmos a aula de hoje, que será sobre feitiços desestabilizadores, como os que eu e Rony usamos ontem. Estes feitiços são úteis para confundir o inimigo quando se está encurralado, quando se está em desvantagem numérica, podendo separá-los, ou ainda no caso de ontem, onde destruiu o terreno em torno do alvo. –Harry fala conjurando um quadro negro com os nomes dos feitiços, eram quase vinte. –Só pararemos de treinar, quando todos estiverem lançando e defendendo todos estes feitiços. –Fala em tom autoritário e faz um gesto para Rony.
-Bom, vamos começar com o feitiço explosivo que usamos ontem, ele tem que ser usado com cuidado, porque pode causar queimaduras e até fazer alguém perder uma perna ou um braço. –Rony os alerta e eles ficam compenetrados.
O treino começa com o lançamento de feitiços em objetos e depois em pares, na tentativa de testar a capacidade de ataque e defesa, além da precisão do grupo. Vários acidentes ocorrem nas quase quatro horas de treino, fazendo todos terem algum ferimento a ser tratado.
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Harry atravessa o corredor na ponta dos pés, entrando sorrateiramente no quarto de Hermione. Tranca a porta após entrar e se dirige a porta do banheiro, abrindo-a com cuidado e fechando-a silenciosamente após entrar. Por alguns minutos, observou-a deixar a água descer-lhe as costas, sentindo um pouco de culpa ao olhar uma queimadura feia que começava na linha da cintura e pegava boa parte do lado direito inferior das costas.
Resolvendo se mexer, pois em cima da pia uma toalha que trazia no ombro e depois retirou a bermuda, única peça de roupa que usava. Entrou no boxe sem fazer barulho, se aproximando da namorada e beijando-lhe o ombro.
-O que você está fazendo aqui? Ficou louco? –Hermione pergunta assustada, virando-se para encará-lo.
-Não se preocupe, estão todos praticamente desmaiados com o treino, não levantarão nas próximas duas horas, que foi a hora para qual marquei o lanche. –Harry fala a abraçando e depois lhe beijando rapidamente os lábios.
-Não me diga que aquele treino particularmente duro foi por isso? –Hermione pergunta abismada com sua hipótese.
-Mas é claro que foi! Eles não nos deixam em paz. –Harry fala indignado, como se tivesse milhares de motivos. –Ah, me desculpe pelo feitiço, eu jamais iria querer te machucar. –Fala sinceramente, estava ainda mais preocupado depois que vira o ferimento.
-Tudo bem, eu que me distrai vendo o treino do Sírius e do Thiago e me atrasei para me defender. –Fala tentando tirar a culpa dele.
-Então está tudo bem mesmo? –Pergunta dando beijinhos, no rosto dela.
-Agora que você está aqui... está tudo ótimo. –Sussurra a segunda parte no ouvido dele de forma maliciosa, dando sinal verde, para que ele fizesse o que planejara.
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Algumas horas depois, estavam todos em silêncio, comendo na sala de jantar, onde alguns gemidos ora ou outra escapavam de um ou de outro durante a refeição.
-Vamos acelerar, que já estamos atrasados para o próximo treino. –Hermione os apressa, já terminando de comer.
-O que? Vocês estão brincando? –Lupin pergunta parecendo acabado.
-Eu não estou conseguindo ouvir direito, aquele feitiço do ruído ensurdecedor, realmente pode deixar alguém surdo! –Lílian fala num tom mais alto de voz.
-E eu ainda mal enxergo as coisas, está tudo embaçado. –Thiago fala se referindo ao feitiço de grande claridade que o atingiu.
-E eu que estou com a perna toda queimada? –Sírius fala pondo a mão na perna esquerda, que estava enfaixada.
-E eu dei um mal jeito no músculo da coxa, não consigo subir ou descer a escada, foi o Rony quem me carregou. –Sally protestou fazendo careta de dor.
-Estamos cheios de dor, não temos a mínima condição de treinar. –Anne fala baixo, a mão na cabeça que parecia doer, ela nem ao menos abaixava a cabeça para olhar o prato.
-Estamos todos cansados e machucados, eu mesma estou com uma queimadura, mas temos que treinar. –Hermione responde a reclamação, sem dar brecha para argumentações.
-Mas fiquem descansados, que o treino de agora vai ser de transfiguração, mais precisamente sobre disfarces, onde estaremos todos sentados em frente a espelhos. –Harry fala deixando todos mais aliviados.
-Mas esses feitiços nós não sabemos, ou você sabe, Mione? –Rony pergunta parecendo confuso.
-Não sei, mas os livros estão aqui para nós aprendermos, é uma questão de tentar. –Ao ouvirem Hermione falar, eles já imaginam as bizarrices que veriam e começam a rir, mesmo deixando escapar alguns gemidos por isso.
Seguem o cronograma do dia com feitiços que provocaram boas gargalhadas em todos, fazendo-os esquecer a dor que ainda sentiam. Depois vão à biblioteca onde fazem uma pesquisa completa sobre o feitiço ensinado por Dumbledore, deixando para começar a fabricação do colete e das luvas, itens pedidos por Dumbledore, no dia seguinte.
Hermione estava lendo, já pronta para dormir, quando Harry entra no seu quarto, também de pijama.
-Oi, queria aproveitar a tranqüilidade do momento, para discutir a aula de amanhã. –Fala se aproximando e se sentando de frente para ela na cama.
-A aula de amanhã? Por quê? –Hermione pergunta sem entender onde ele queria chegar.
-Não sei se devo ensinar o feitiço pra eles, o que você acha? –Harry parecia inseguro com aquilo.
-Acho que apesar de ser um feitiço mortal, você deveria ensinar. Eles sabem que não é algo para ser usado sem mais nem menos, além de ser um feitiço perfeitamente defensável e não ser ilegal se usado para se defender. –Hermione pondera, também não gostava de ter uma arma destas nas mãos, mas numa guerra poderia ser necessário.
-Ok, então eu ensino para eles, mas só depois que eles aprenderem muito bem a usar o feitiço escudo do mesmo, talvez algum comensal saiba ou resolva aprender com eles, então é melhor que estejam preparados. Sabe, me preocupa eles ainda terem muita dificuldade pra fazer feitiços não verbais, inclusive o Rony, com feitiços mais complexos. –Fala preocupado e Hermione faz sinal para ele se aproximar, abraçando-o por trás quando ele se recostou nela.
-Isso também me preocupa, até porque o normal é que seja matéria de sétimo ano, portanto, de se esperar que eles tenham dificuldades reais. Não sei o que Dumbledore está planejando, mas duvido que possam entrar em combate antes de seis meses. –Hermione fala um pouco preocupada, enquanto fazia cafuné em Harry.
-Talvez devamos conversar com Dumbledore a esse respeito. –Fala brevemente.
-Vamos esperar até a lua cheia passar, tenho certeza que na semana seguinte ele nos levará a floresta daqui e até lá também teremos mais dados para poder analisar até onde cada um vai poder ir. –Hermione fala de modo sensato e Harry parece concordar.
-Acho que meu pai vai ser o único além de nós dois a conseguir concluir o cronograma direito. –Harry fala após algum tempo de silêncio.
-Eu também acho isso, mas não vamos nos preocupar, Dumbledore conhece cada um de nós e não nos daria um fardo mais pesado do que pudéssemos carregar. –Hermione fala de modo tranquilizador.
-Eu queria poder acreditar tanto assim nele. –Harry fala com as lembranças do seu quinto ano ainda bem vivas em sua mente. –De toda forma, vamos deixar isso pra lá e descansar, amanhã será um dia longo. – Fala deitando no travesseiro ao lado do dela.
-Nem pensar senhor Potter, pro seu quarto, agora. –Ele tenta argumentar, mas Hermione faz um gesto firme que não –Já teve moleza demais hoje. –Fala se deitando e apontando a porta. –Boa noite, meu amor.
-Boa noite. –Responde contrariado antes de sair.