Capítulo
4
- O quê?
- Eu não vou repetir, você não é surdo.
- Unh... – fingi estar pensativo, sério – Não sei. Vou pensar.
Harry ficou cabisbaixo, e como eu, ficou olhando a lareira.
- Pensei. – disse, sorrindo.
- O quê, então – ele perguntou, preocupado.
- Claro! Mas a gente vai ter que fazer isso escondido.
- Mas a gente não vai contar a Hermione? – perguntou, já sorrindo
- Não, vou te contar por que. Hermione gosta de você, Harry. Ela me contou
isso outro dia, e pediu pra ficar comigo, pra saber como é. E eu fiquei, mas
quando ela me contou o sentimento que ela zelava por você, não deixei de ter
um pouco de ciúmes, mas não me entendi e nem interpretei aquilo como ciúmes.
- Nossa! Então... nem ela pode saber, nós vamos magoá-la!
- Harry, acho que ela devia saber antes dela se declarar pra você, vai ser mais
doloroso ela chegar e dizer “Harry, eu realmente gosto de você” e você
responder “Desculpe, Hermione, eu tô com o Rony.”
- Problema.
O assunto não acabou por aí, mas começou a passar, vagarosamente, a
banalidades. E depois, lá por volta das 2 da madrugada, resolveram dormir, mas
não antes um beijo apaixonado. “Hermione não pode saber!”, pensava
a minha mente inquieta. Ele não conseguia dormir, ao contrário de um certo
moreno ao seu lado. Ela era a melhor amiga dos dois, mas não daria pra sair
contando a ela o segredo que eles guardavam. “Mas ela tem que saber logo...”,
pensei, antes de, inesperadamente, cair no sono.
*-*
Uma nova manhã começava a surgir em Hogwarts. Os corredores começaram a ficar
movimentados, o colégio, agitado. Era sábado, ou melhor, sábado de Hogsmeade.
Enquanto os mais novos suspiravam nos cantos do castelo, os mais velhos
esbanjavam de alegria; era muito bom sair dali pra variar.
- Vamos pra Hogsmeade?
- Claro! A gente sempre vai!
- Não, bobinho... Eu digo, sozinhos...
- Lá vem você com suas idéias, Rony.
- Ué, de que adianta ser seu namo... – Harry tapou minha boca. Como eu era
tapado! Simas e Neville estavam lá.
- Vamos com Hermione e damos um jeito de nos separar dela, ok?
- Certo...
Nos arrumamos, trocando olhares significativos e avaliando um ao corpo do outro.
Então fomos para o Salão Comunal, esperar Hermione. Ela demorou uns 10 minutos
antes de aparecer. Juntos, os três foram seguindo a trilha para Hogsmeade.
Chegaram na cidade, indo em direção ao Três Vassouras. Hermione sentou-se
antes e pediu ao garçom três Cervejas Amanteigadas.
- E aí, gente? Engraçado. Esse ano tá correndo tão normalmente! Nós estamos
no terceiro dia e ainda não aconteceu nada de Pedra Filosofal, câmara
escondida, preso fugitivo, torneio tribruxo, ida ao Ministério ou um Príncipe
Meio-Sangue. Simplesmente nada acontecendo. Nem com a... profecia. – Hermione
proferiu a última palavra com cuidado, não queria deixar Harry irritado ou
preocupado. Ainda mais em um dia daqueles. Ainda MAIS com o sentimento que
guardava por ele.
- É mesmo. Que continue assim – começou Harry –, quanto mais tempo demore
praquele psicopata me encher o saco melhor.
- Isso aí, Harry – eu disse, terminando a minha cerveja. –. Harry, vamos na
Zonko’s? – perguntei, piscando – Vamos, Hermione?
- Podem ir, eu odeio a Zonko’s.
- Tudo bem, eu vou, Rony. Tem certeza de que não quer ir, Mione?
- Tenho. Podem ir.. – ela disse, sorrindo.
- Ok. Tchau!
- Tchau.
Depois de caminhar um pouco na direção da Zonko’s, os dois pararam.
- Onde?
- Caverna do Sirius – Harry não se dirigia mais ao seu padrinho com tristeza.
Pensava que uma onda de nostalgia fosse atingir o meu recente namorado naquela
caverna, mas me enganei; parecia que não lembrava que já estivera ali com o
amado padrinho. Quando nos sentamos lá dentro, começamos a nos beijar. Mais
uma vez aquela língua quente a me confortar, enquanto eu fazia o mesmo. O
gostinho de Harry Potter era melhor que qualquer outro, e não estava disposto a
larga-lo por nada. Inconscientemente, fui descendo minha mão pelo corpo de
Harry, até o seu membro. E comecei a “massagear” a região. Primeiro,
parecia que ele ia ceder, mas interrompeu o beijo, para dizer:
- Você quer mesmo que nossa primeira vez seja numa caverna?
- Não, só acho que você está enrolando demais. – eu disse, emburrado. Mas
nada melhor que outro beijo confortante para esquecer da minha raiva boba.
- Ora ora ora... Tinha suspeitas, agora, certeza. – disse uma voz, nas
sombras.
- Quem é?
- Quem você menos desejaria ter visto o romance de vocês, Potter e Weasley.
– Draco Malfoy surgia das sombras, com um sorriso desdenhoso e um ar de
triunfo estampado no rosto.
- Tem razão. – Harry estava desafiador, eu, porém, assustado com o que ele
podia fazer com aquilo. – Vai espalhar?
- Talvez, mas não com uma condição. Se vocês me ajudarem, nosso segredo fica
aqui.
- E o que você quer?
- Me arranja a Granger, a sangue-ruim.
- Mas você odeia ela por ela não ser pura!
- Isso não anula o fato dela ser bem gostosa, Potter. Esta é a condição,
caso contrário, casa por casa saberá do segredo de vocês dois, começando
pela SONSERINA.
Eu e Harry nos entreolhamos; agora, ela precisaria saber para que os outros não
soubessem. Aquilo gerava tantos desafios! Por quê não poderíamos ser
simplesmente... normais?
- Tudo bem – disse Harry, suspirando –, mas nada mais que isso, certo,
Malfoy?
- Não.
- Fechado. – Harry apertou as mãos de Draco, com desgosto. Por quê tinha que
ser justo Draco Malfoy naquela caverna? A cada minuto eu acreditava mais um
pouco na lei de Murphy.