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13. Que Venha 1941!


Fic: Desencontros


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Capítulo 13 - Que venha 1941!

Harry quase não acreditava no que estava acontecendo. Todos os seus sonhos mais recentes estavam sendo realizados. Certo, nem todos, mas isso era apenas um detalhe. O que importava mesmo era sentir o toque dos lábios de Gina nos seus, o perfume dela o envolvendo. O importante é que estava novamente junto dela. Não é que o pedido para o osso da sorte tinha funcionado!!!

Mas havia algo que não podia ser esquecido, mesmo após tantos beijos. Ron tinha razão. A cidade inteira ia comentar se ficassem juntos enquanto ele estivesse morando na Toca. Afastou-se relutante e apesar da confusão brilhante dos olhos castanhos incitá-lo a deixar tudo para lá, Harry forçou-se a encarar o chão e dizer:

- Me desculpe Gin. Nós não... Eu não...

- Você não vai dizer que a gente não pode ficar juntos, não é? – Os olhos dela se arregalaram quando o rapaz corou e não conseguiu encará-la. – O que? Por que não?

Harry arriscou-se a olhar novamente na direção dela, mas em seguida deu dois passos para trás pondo uma distância segura para que suas mãos não o traíssem e agarrassem-na outra vez, e começou timidamente.

- A cidade inteira vai falar...

- E quem liga para o que esse povo vai dizer? – Ela interrompeu olhando fixamente para os próprios pés por alguns momentos antes de encará-lo de novo com os olhos úmidos e perguntar angustiada. – É... É por causa do que aconteceu com Zabini?

- É! – Respondeu, aliviado por ela ter compreendido tão facilmente.

- Por causa do que ele fez você não quer... – A voz de Ginny não passava de um sussurro ao por em palavras o seu receio.

- Não! Por causa dele a cidade vai falar. – Harry se apressou em retificar. Não se conteve e aproximou-se novamente pegando as mãos dela entre as suas. – Eu quero... É só que eu... Bem, eu me preocupo com você...

Ele limpou a lágrima que escapou dos olhos castanhos com a ponta dos dedos, num carinho suave e a abraçou, provocando em si mesmo uma lamúria de rendição. Como podia se afastar dela? Como poderia deixar de envolvê-la em seus braços? Ele já sabia exatamente como se sentiria se tivesse que fazer isso. Abraçou-a com vontade e descansou seu queixo sobre os cabelos vermelhos, sentindo seus corações ainda batendo no mesmo ritmo.

- E agora? – Ginny perguntou baixinho.

- Agora vamos sair da neve, depois a gente vê como fica.

Harry puxou a ruiva pela mão até ficarem sob a faia onde sentaram lado a lado. Imediatamente ela aconchegou seu corpo junto ao dele fazendo com que ele sentisse sua pulsação se acelerar um pouco mais. Procurou conter seus pensamentos que exigiam saber o porquê de suas mãos ainda não estarem procurando por sua pele e seus lábios estarem distantes dos lábios doces. Tentou colocar uma distância mínima para impedir-se de cometer uma loucura, mas Ginny segurou em seu braço e apoiou-o em seu corpo, enquanto invadia sua alma com os olhos castanhos.

- Não tem ninguém da cidade aqui, agora.

Mesmo que tentasse, sua sanidade – que gritava que Ron e Hermione estavam a apenas alguns metros de distância – foi vencida totalmente por aquelas palavras. Num instante a vontade de embrenhar seus dedos nos cabelos ruivos, provar novamente da boca macia, descobrir quanto tempo conseguiam ficar sem respirar, surgiu avassaladora e tudo mais foi esquecido.

---~~~---

Ron estava achando um pouco estranho o fato de Harry e Ginny estarem quase do mesmo jeito de antes da “pequena conversa” que tivera com o moreno no galpão. Talvez os dois tivessem superado o que quer que fosse que os havia deixado amuados, pois conversavam e brincavam um com o outro, mas sempre mantendo uma distância aceitável. Nada de mãos dadas ou abraços apertados. E nada também dos olhares melosos de Ginny. Agora o que via nos olhos da irmã era aquele brilho especial que aparecia sempre que ela pregava uma peça em alguém. Harry também estava com um humor melhor e já não olhava para ele e seus irmãos como se o tivessem condenado à forca.

Agora que sua mãe não trabalhava mais para os Dursley, os jovens tiveram mais tempo para ficar à toa durante o recesso de fim de ano, mas com a neve que não parara desde que começara a cair há dois dias, passear era quase impossível. Mas Harry e Ginny não pareceram realmente incomodados de ter que colocar casacos extras e o acompanhar até a casa de Hermione naquela tarde como temera. Na verdade eles pareceram até felizes em enfrentar a neve.
Até que pedalar através do caminho esbranquiçado ajudava a espantar um pouco o frio. Mas nada servia melhor para aquecê-lo do que estar com Hermione. Assim que entraram a esperança de alguns momentos a sós com a namorada ruiu ao ver os pais dela sentados na sala.

- Olá garotos. – Disse Philippe Granger abaixando um pouco o jornal que lia para cumprimentá-los.

- Olá senhor e senhora Granger. – Responderam os recém chegados quase em uníssono.

- Oh Harry que bom que você veio também. – A mãe de Hermione falou com um sorriso. – Sua mãe conseguiu nos ligar hoje pela manhã.

- Sério?! – O rapaz abriu um leve sorriso ao ver a confirmação de sua professora. – E... Bem... O que ela disse?

- Pode comemorar, pois no máximo dentro de um mês sua mãe virá para a cidade trabalhar comigo. – Interrompeu o homem, satisfeito.

- Legal! – Disse Harry feliz.

- Que bom, Harry! – Disse Ron dando-lhe um tapinha nas costas

- Que bom nada, Ron. Isso é ótimo! – Exclamou Ginny feliz.

A jovem ruiva não se conteve com a notícia. A vinda da mãe de Harry significava muito mais que o término de boa parte das preocupações do moreno, era também sinônimo de que eles poderiam ficar juntos sem que ela ficasse mal falada na cidade, como ele insistia em dizer. O sorriso que exibia só não era maior que o do próprio Harry que tinha seus olhos brilhantemente verdes presos nos dela, provavelmente chegando às mesmas conclusões.

Hermione encarou os amigos que se olhavam alegres demais, cúmplices demais. Com um sorriso de compreensão aproximou-se de Ginny e pediu:

- Ginny você pode ir até o meu quarto comigo um momento?

- Por que Mione? – Perguntou Ron ressabiado.

- Por nada. Eu só quero a opinião de uma garota sobre uma coisinha, a gente não demora.

- Ahm...

As garotas subiram a escada e tão logo entraram no quarto da morena, esta fechou a porta atrás de si e perguntou de forma decidida para Ginny que esperava no meio do quarto:

- Por que é ótimo a mãe do Harry vir morar na cidade? - A ruiva pensou por um momento antes de responder enquanto se aproximava da janela.

- Ora Hermione, você prefere que ela fique em Londres, longe dele? Que grande amiga você é, hein!

- Não tente me enganar Ginevra Molly Weasley! - Hermione exigiu com a sobrancelha levantada, vendo a amiga morder o lábio antes de recomeçar a falar.

- Mas o que você quer que eu diga? Que se Lílian Potter vier morar em Bourghill, Harry vai ter a própria casa e então ninguém poderá falar qualquer coisa se ver nós dois juntos?

- Então é isso! - Exclamou fazendo Ginny arregalar os olhos e pedir silêncio.

- Shshshsh

- Ele falou alguma coisa? Conta!

- Ele falou... Mas antes ele me beijou.

- ELE FEZ O QUE? - Hermione gritou se aproximando da cunhada com um sorriso nos lábios.

- Por que você não grita mais alto pra assim o Ron escutar de uma vez?

- Desculpe. Mas... quando foi?

- No natal.

- Lá no lago! - Concluiu antes de completar mais para si mesma: - Eu notei que vocês estavam alegres demais para quem ficou esperando no frio enquanto...

- Enquanto você ficava se agarrando com o meu irmão! - interrompeu a ruiva

- Ginny!

- Mas é verdade não é?

- É, mas nós não estamos falando de mim. - Segurou nas mãos da amiga e perguntou. - Como foi?

- Foi tão... perfeito!

- Você está parecendo uma garotinha apaixonada.

- É o que eu sou.

- Eu sei! Mas e aí?

- Aí o que, Hermione?

- Ninguém mais está sabendo?

- Não. Se meus irmãos souberem... Eles já implicavam antes, quando não tinha acontecido nada, imagina agora...

- Mas pelo que eu saiba nenhum deles é cego, Ginny.

- Como assim?

- Se vocês , continuarem se olhando do mesmo jeito que fizeram lá embaixo vai ser fácil pra eles descobrirem.

A tarde passou tranqüila. Os quatro jovens fizeram uma pequena guerra de bolas de neve no quintal durante algum tempo até que Ronald não agüentou mais e arrastou Hermione para a lateral da casa, com a desculpa de procurarem mais neve para fazerem bolas.

Hermione podia jurar que os flocos que caiam do céu nem chegavam a tocá-los, devido ao calor que emanavam. Mesmo com todos os agasalhos que vestia, Ron conseguira achar uma brecha e tocar a sua cintura com uma das mãos. A outra segurava seu corpo firmemente por cima dos casacos, os dedos roçando levemente a lateral de seus seios enquanto seus lábios tiravam todo o ar de seus pulmões. Suas mãos tinham vida própria ao se embrenhar nos cabelos vermelhos, incapaz de se afastarem. Foi inevitável arfar quando sentiu o contato da boca quente em seu pescoço, provocando sensações cada vez mais conhecidas. Arqueou seu corpo contra o de Ron, num movimento sensual e instintivo, enterrando os dedos em sua nuca, gemendo em seu ouvido. O rapaz pareceu levar um choque, reprimiu um gemido e se afastou rapidamente, deixando-a confusa.

- O que houve?

- Na-nada...

- Eu fiz algo... errado?

- Não! É só que eu... eu não esperava... e... - Ele deu um passo atrás quando a garota fez menção de se aproximar e pediu levemente desesperado. - Não! E-eu não sei se consigo me controlar... agora.

Ron tingia-se cada vez mais de vermelho a cada palavra, evitando o olhar de Hermione que ao observá-lo mais atentamente pensou entender o que quase tinha acontecido.

- Oh! Certo... Talvez seja melhor nós voltarmos...

- Ok. Você pode ir na frente, eu... vou ficar mais um pouco.

Ele viu Hermione se afastar, voltando para a parte visível do quintal e sentindo-se miserável, ouviu-a tropeçar fazendo um barulho enorme. Eu sou um estúpido. Acabei assustando-a com minha 'empolgação'...

---~~~---

Harry e Ginny se afastaram rapidamente ao ouvirem o barulho de alguém tropeçando. Sabiam que não deviam se agarrar assim que ficavam sozinhos, pois podiam ser surpreendidos, mas como conseguiriam isso? No instante em que eram deixados a sós um impulso incontrolável os unia, parecendo pólos opostos de um imã e eles imediatamente se perdiam num beijo ávido. Tinham tido muita sorte na noite anterior de não terem sido flagrados quando ela fora deixar as roupas limpas no quarto de Ron e encontrara Harry sozinho lendo um livro da escola. Saíram de trás do carvalho, para onde o último resquício de bom senso fez com que eles se ocultassem, e dirigiram-se para a mesa ali perto, onde em seguida Hermione os encontrou.

- Ué, cadê o Ronald?

- Ele...bem...ele já vem. - Ela respondeu corada. - Ginny, você me ajuda a trazer chocolate quente?

- Claro.

Tão logo as garotas entraram, Harry viu Ron se aproximar com uma expressão difícil de decifrar: um misto de vergonha, arrependimento e êxtase.

- O que aconteceu? - Perguntou Harry sem conter a curiosidade.

- Nada que te interesse. - A resposta veio acompanhada de uma carranca que indicava que o humor do ruivo não estava dos melhores.

- Ok, não está mais aqui quem perguntou.

Passado alguns poucos instantes Ron perguntou ainda bastante sério:

- Onde está Hermione?

- Foi na cozinha buscar chocolate quente com Ginny. - Harry observou as orelhas do amigo ficarem um pouco mais vermelhas e após pensar um pouco ele falou:

- É melhor a gente entrar.


---~~~---

- O que aconteceu, Mione?

- Seu irmão. - A morena respondeu com um sorriso fraco, completando mais para si mesma. - Eu não imaginava que seria capaz de fazer algo desse tipo.

- Fazer o que?

- Ah, Ginny!

- Agora que começou, fale!

- Digamos que eu não sabia que...

Mas Hermione parou de falar quando Ron e Harry entraram na cozinha. O ruivo não conseguia encará-la e quando falou dirigiu-se mais ao chão que à namorada.

- Resolvemos entrar, está muito frio lá fora.

- Hum, certo. A gente toma o chocolate lá na sala então.

- Ok. - Ron levantou os olhos, mas baixou-os assim que encontrou as irís castanhas presas nele. - Eu e Harry vamos esperar lá.

Hermione nem ao menos teve tempo para responder, pois quando abriu a boca para fazê-lo os rapazes já tinham saído da cozinha. Ginny que notara o jeito do irmão, não demorou a perguntar:

- O que houve afinal?

- Nada. A gente estava...hum...namorando e então eu acho que me empolguei e ele meio que...

- Meio que o que?

- Ah, Ginny... Você sabe! - A ruiva percebeu pelo tom da amiga, juntamente com os olhos arregalados e os gestos que fazia sobre o que ela falava e não conseguiu evitar um gracejo.

- Oh entendi! Então você descobriu o ponto fraco do meu irmão, hein.

- Pelo visto... Mas eu acredito que tenha sido um conjunto de coisas. - Respondeu pensativa, mas percebeu que a outra estava distraída. - O que você está pensando?

A ruiva olhou-a com um sorriso maroto nos lábios, os olhos brilhantes e a sobrancelha levantada e respondeu:

- Qual será o ponto fraco do Harry?

- Acho que você vai ter que ir testando até descobrir.

- Nossa, realmente acho que isso vai ser um tremendo sacrifício!!

As duas se encararam e apesar de tentarem, não conseguiram conter as gargalhadas que perduraram ainda longos minutos até que conseguiram se controlar e levar a bandeja com as canecas de chocolate até a sala. Ginny deu a Harry um sorriso que o deixou desconcertado devido à presença dos amigos, mas como Ron estava prestando mais atenção à espuma em sua bebida do que em qualquer outra coisa, não percebeu. Porém antes que iniciassem uma conversa, a senhora Granger entrou na sala e falou, dirigindo-se ao moreno.

- Já estava esquecendo, Harry. Sua mãe vai tentar ligar no próximo sábado à tarde, então por que vocês não vem logo depois do almoço para aguardar?

- Muito obrigado, professora.

- Não tem porquê. Agora, acho melhor vocês não demorarem pois a neve está ficando mais forte.

- Mamãe! - Guinchou Hermione.

- Nós já vamos, senhora Granger. - Ron disse num tom que não deixava margens a discussão.

- Hermione, você vai querer que eles fiquem doentes?

- Não, é claro que não!

- Nós já estávamos mesmo de saída Hermione. - Ron declarou, bebendo em seguida todo o conteúdo de sua caneca em um grande gole e apoiando-a na mesinha.

Contra sua real vontade, minutos depois Hermione acompanhou os amigos e o namorado até o portão. Ronald continuava com as orelhas vermelhas e sem conseguir olhar diretamente para ela. Antes que ele alcançasse a bicicleta, ela segurou em seu braço fazendo com que os olhos cobalto encontrassem os seus. Deu um sorriso tímido e virando-se para Harry, que já montava na bicicleta que estava usando, e Ginny que aguardava junto com o rapaz e disse:

- Vocês se importariam de ir na frente? Eu queria falar uma coisa com o Ron em particular.

- Tudo bem Mione. A gente espera por você perto da ponte irmãozinho. - A jovem ruiva respondeu tentando conter a vontade de agradecer à cunhada por dar a ela a oportunidade de passear à sós com Harry sem o irmão desconfiar.

- Tá.

Foi a resposta monossilábica do rapaz que não sabia ao certo o que pensar. Olhou para a namorada sentindo o coração bater acelerado de tanto nervoso. Era agora que ela ia dizer que ele tinha extrapolado, que não podiam continuar com aquilo. Afinal ela era uma garota decente e não ia querer ficar com alguém que não conseguisse controlar as próprias calças. Ela provavelmente estava achando que ele era algum tipo de tarado juvenil, como o crápula do Zabini.

Hermione notou a palidez de Ron, que juntamente com a expressão engraçada em seu rosto fazia-o parecer enjoado. Tentou acalmá-lo com um sorriso terno, mas ele nem percebeu. Arrastou-o para uma parte mais abrigada da entrada e pegou em sua mão. Notou que ele a olhou corajosamente e respirou fundo antes de falar:

- Hermione eu gostaria que você me desculpasse.

- Shshshshs. - Ela sorriu. As vezes ele era encantador mesmo sem perceber. - Você não fez nada para se desculpar.

- Não?

- Claro que não.

- Você não vai terminar comigo por causa do que aconteceu?

- Mas não aconteceu nada... - Ela respondeu, completando após pensar por um instante. - Bom, nada demais na verdade.

- Eu pensei que você tivesse ficado chateada.

A garota respirou fundo, enlaçou-o pelo pescoço e com toda a audácia que conseguiu reunir falou baixinho, olhando-o nos olhos e corando.

- Foi interessante saber os efeitos que eu causo em você, e como conseguí-los...

Ron surpreendeu-se com a resposta e sua mente trabalhou rápido até processá-la. Então ela não tinha se chateado... Talvez Harry e Ginny não se importassem de ficar um pouco mais de tempo esperando-o perto da ponte... Segurou Hermione pela cintura, trazendo-a para junto de si. A confiança em seus atos retornando rapidamente. Tomou os lábios dela nos seus, envolvendo-a num turbilhão de emoções que deixava claro os efeitos dela sobre ele.


---xxx---

Harry estava particularmente animado. Na tarde do dia anterior conseguira falar brevemente com sua mãe, que lhe garantira que no máximo ao final de janeiro já teria conseguido resolver todas as pendências que lhe prendia em Londres e então viria para Bourghill. Nem mesmo o fato de ter sabido que seu pai somente iria encontrá-los em meados de fevereiro – notícia que obviamente lhe chateou - foi suficiente para acabar com seu entusiasmo.

Abotoou sua camisa, enfiou por cima o suéter que havia ganhado da senhora Weasley no Natal e foi para frente do espelho tentar domar os cabelos.

- Por que você não desiste logo e libera o espelho? – Ron disse cheio de enfado, colocando-se atrás do amigo. – Não sei pra que tanto esmero.

- Quem sabe eu não vou encontrar a garota dos meus sonhos hoje à noite? – Harry falou com um sorriso torto. Na verdade eu vou encontrá-la assim que descermos.

- Se essa coitada existir tem que aceitar os seus defeitos, começando por esse seu cabelo desgrenhado. Agora sai.

Harry ia responder, mas um berro da senhora Weasley ordenando que descessem imediatamente o impediu. Os dois rapazes precipitaram-se escada abaixo correndo e Harry quase caiu ao pisar em falso num dos últimos degraus quando se distraiu com a visão de Ginny parada à janela, conversando com os gêmeos.

Ele não sabia se aquele era o mesmo vestido da revista que ela mencionara quando abrira o presente que sua mãe enviara, mas era perfeito para ela e a única coisa em que conseguia pensar era que o paraíso era alvo, com cabelos vermelhos e estava envolto em tecido verde.

Com dificuldade desviou os olhos dela antes que alguém percebesse e se pôs em frente à senhora Weasley para ser inspecionado, do mesmo modo que ela fizera com os próprios filhos. Após ser liberado (Molly ainda tentara, ela mesma, pentear os cabelos dele, provocando risadinhas em todos) foi encontrar-se com Ron e Ginny que já estavam ao lado do Ford para irem à cidade participar do baile de Réveillon.

O salão da igreja estava delicadamente decorado, várias mesas estavam postas lado a lado, contornando as paredes, com alguns vãos entre elas para as pessoas passarem e deixando o centro livre para que todos que desejassem, dançassem ao som da mesma banda que tocara no baile da quermesse.
Assim que chegaram, avistaram Bill e Charlie, cuja despensa para as festas terminaria dali a dois dias, conversando animadamente com Fleur e Nymphadora no canto oposto. Logo todos os ruivos e Harry estavam acomodados e imediatamente após os Granger entrarem no salão, Ron foi encontrar-se com a namorada.

Ginny olhou seu irmão e Hermione, não contendo um sorriso genuíno pela felicidade deles. Contudo não conseguiu evitar sentir uma pontinha de inveja, corroendo-lhe a alma, por saber que não podia ficar da mesma forma com Harry. Baixou os olhos para a mesa, tentando se distrair com outros pensamentos, porém não deve ter tido tanto sucesso em disfarçar, pois em seguida ouviu sua mãe perguntar preocupada:

- O que houve, querida?

- Nada mãe. - Forçou um sorriso e continuou. - Por quê?

- Achei que você tão desanimadinha, de repente.

- Impressão sua, mãe.

- Por que você não mostra a todos como você ficou linda nesse vestido, dando umas voltas pelo salão?

- Mãe!

- O que foi? É verdade. Não é, Harry?

- O que senhora Weasley? - O moreno sobressaltou-se ao ser incluído na conversa. Estava tentando não olhar em direção à ruiva, com medo de se entregar, mas não havia perdido nenhuma palavra que ela dissera desde que entraram no salão.

- A Ginny não está linda hoje?

- Está sim senhora.

Ela sabia que tinha corado antes mesmo que qualquer um falasse alguma coisa. A intensidade dos olhos verdes sobre si fizeram seu coração acelerar. Em algum lugar de sua mente ela ouviu sua mãe sugerindo que fosse falar com Luna sentada algumas mesas depois e assentiu. Aguardou alguns instantes até que suas pernas parassem de tremer antes de levantar-se e ir até a amiga.

Harry evitou olhar na direção onde a ruiva estava, apesar de estar se roendo de vontade de ir até ela e estrangular Dean Thomas que acabara de convidá-la para dançar. É só uma música, pensou olhando propositadamente para o lado de fora do salão. Em menos de cinco minutos ele vai tirar as mãos de cima dela. Resolveu caminhar um pouco e quem sabe se servir de uma caneca de ponche. O que será que eles estão conversando? Seus olhos traidores perseguiam a ruiva pelo salão. Por que diabos ela 'tá rindo do que ele falou?

- Olá Harry.

O moreno girou sobre os calcanhares e observou Parvati logo atrás de si, sorrindo largamente.

- Ah, olá Parvati.

- Por que você está aqui parado? Não vai dançar? - A jovem perguntou esperançosa.

- Er... Eu 'tô só... olhando.

- Se você quiser companhia... - Parvati disse tentando parecer sedutora.

Quando os últimos acordes da música soaram pelo salão, Harry respirou aliviado, vendo Ginny e Dean se separarem do outro lado do recinto. Contudo novos acordes foram iniciados e Colin Creevey tomou o lugar deixado por Dean, fazendo Harry praguejar baixinho. Relanceou os olhos verdes pelos casais que agora praticamente lotavam o espaço vendo Ron e Hermione sorridentes próximos de onde Neville e Luna não deixavam um momento sequer de se olharem enquanto se movimentavam ao som da música. No outro lado a professora Fleur parecia encantada em dançar com o irmão mais velho de Ginny, Bill. Numa decisão rápida olhou para a garota ao seu lado e convidou.

- Quer dançar?

- Claro Harry!

Imediatamente ele se viu rodeado pelos braços de Parvati que parecia exultante. Balançaram ao ritmo da música enquanto Harry tentava discretamente se aproximar de Ginny, mas sem muito sucesso pois a cada movimento que fazia naquela direção Parvati parecia fazer dois para o lado oposto.

Ginny estava procurando se divertir. Por mais que quisesse ficar o tempo todo ao lado de Harry, mesmo que não da forma que desejava, sabia que isso iria despertar muitas suspeitas, principalmente em seus familiares que a conheciam muito bem. Pelo menos Colin não era tão insistente quanto Dean, pensou enquanto rodopiava esperando parar novamente em frente ao amigo.

Porém não foi o toque gentil do colega de classe que sentiu. Mãos duras seguraram sua cintura e sua mão quando parou e antes que conseguisse se dar conta do que tinha acontecido, Blaise Zabini falou numa voz baixa e ríspida.

- Olá ruivinha, sentiu minha falta?

Ela estancou, sentindo a raiva emanada pelo rapaz. Procurou em volta por Colin e notou o modo constrangido que ele a olhava enquanto era afastado por uma alegre Pansy Parkinson, uma garota esnobe que era da turma de Ronald. Os olhos de Blaise, cravados nela, pareciam em brasas. Brasas de ódio e vingança.

- Me solte.

- Acho que não. - Ele agarrou ainda mais forte em seu braço e começou a arrastá-la para a saída dos fundos. - Você me deve uma por eu ter saído às pressas da cidade. Pensei que essa noite seria uma oportunidade perfeita para cobrar.

- Eu não devo nada a você! - Disse tentando soltar-se.

- Isso é uma questão de opinião. - Passou pela porta que Draco e Dudley passaram a montar guarda.


---~~~---

Que mania era essa que as meninas tinham de rodopiar enquanto dançavam? Dependendo da velocidade podia até provocar tontura! Harry pensou enquanto imprimia um sorriso fraco nos lábios e tentava localizar novamente Ginny no salão. Pareceu tomar um banho de água gelada ao ver Zabini, a quem nem em sonhos imagina por de novo os olhos, arrastando-a para fora do salão. Como fôra parar tão distante dela em tão pouco tempo?

Soltou Parvati num rompante, e rapidamente atravessou o salão para alcançá-la. Tinha que salvar Ginny. Uma angústia tomou conta de seus pensamentos e o fato de encontrar o primo e Draco Malfoy guardando a saída dos fundos do salão com um sorriso cínico no rosto, somente fez piorar. Merda.

- Sai da frente. - Grunhiu com raiva para eles.

- Isso é uma ordem? - O loiro falou de modo arrastado, coçando o queixo como se estivesse pensando, e Dudley apenas olhava-o com despeito.

- Anda Malfoy, me deixa passar.

- Acho que não. - Imediatamente qualquer traço de sorriso, mesmo que forçado, sumiu do rosto anguloso que parecia esculpido em gelo. Os olhos cinza faiscaram e se estreitaram enquanto ele se aproximava, numa atitude ameaçadora. Esse cara tinha que aprender umas lições...Nunca mais ele ia se atrever a enfrentá-lo. - Se fosse você saia daqui antes que eu me irritasse.

Ronald estava tentando a alguns bons minutos convencer Hermione a sumir com ele um pouquinho da festa. Nem era muito, só o suficiente para matar a saudade que sentia dos lábios dela, mas a morena parecia relutante. Resolveu desistir, por hora, para evitar que ela se chateasse com sua insistência e acabasse brigando com ele. Foi por isso que percebeu Harry passando por eles como uma flecha, pois de outra forma estaria com todas as suas atenções voltadas para a namorada, ou em tentar beijar-lhe o mais rápido possível.

- Mas o que...

- O que foi Ron? - Hermione perguntou ao notar sua agitação.

- O Harry passou por aqui como um foguete, e com uma cara de dar medo.

- Vamos atrás dele!

- Eu vou, você fica aqui. - O ruivo falou deixando-a sozinha e indo na direção por onde o amigo sumira.

- Francamente, não mesmo que eu vou ficar aqui sozinha sem saber o que está acontecendo.

Hermione seguiu o namorado, chegando praticamente junto com ele nos fundos do salão em tempo de verem Draco e Dudley ameaçando Harry.

- Que merda é essa? - Ron rosnou.

- Olha quem chegou para brincar. - Dudley finalmente parecia ter encontrado a voz.

- O Zabini levou a Gin lá pra fora e eles não querem me deixar passar! - Harry explicou com raiva, dando um passo à frente e encarando o loiro nos olhos.

- O QUE?!

Impulsionado pela certeza do que aquelas palavras significavam Ron pareceu explodir e empurrou o primo de Harry com tanta força contra a parede que o grandalhão soltou um gemido de dor. Aproveitando a momentânea distração que a atitude do amigo surtiu em Draco, Harry acertou-o com murro no estômago que o desequilibrou o suficiente para que o trio passasse por eles apressadamente.

- E agora? Para onde ele a levou? - Lamuriou-se Hermione, preocupada assim que chegaram ao lado de fora do salão.

- Eu vou por aqui... - Harry indicou o lado esquerdo que dava para o cemitério. - Vocês podem ir por ali. - Apontou à direita onde ao fundo se via o rio Bourghill.

Ele nem esperou uma resposta, saiu correndo, perscrutando todos os escuros espaços onde seus olhos alcançavam. Pedia aos céus que encontrasse Ginny o mais rápido possível e notou que tinha sido atendido quando ouviu não muito longe uma imprecação de Zabini. Num instante apressou-se, quase caindo quando a ruiva veio correndo em sua direção.

- Graças a Deus. - Murmurou envolvendo-a com seus braços. - O que foi...

- Volta aqui sua vadia! - Blaise Zabini apareceu de repente, parecendo não esperar encontrá-lo junto com Ginny. - O que você está fazendo aqui?

- Eu que lhe pergunto, seu cretino. Como você se atreve a chegar perto dela novamente?

- Vamos embora Harry.

Ginny puxou-o pela mão para voltarem ao salão, não querendo arrumar, nem deixar que Harry arrumasse, nenhuma confusão com Blaise.

- Vocês ainda vão me pagar por tudo. - Zabini ameaçou fazendo o moreno parar de se afastar e em apenas dois passos agarrá-lo pelo casaco e grunhir.

- Nunca mais encoste um dedo sequer nela, entendeu?

- Ou então?

- Ou então você vai ver que nem se esconder na Irlanda será o suficiente.


~~~---

Ronald e Hermione já estavam contornando novamente a lateral da igreja, voltando para próximo à saída dos fundos quando avistaram Harry e Ginny se aproximando. O moreno abraçava-a protetoramente enquanto andavam e ainda tinha uma expressão preocupada no rosto.

- Você está bem? - Ron perguntou assim que alcançou a irmã, puxando-a para si e beijando seus cabelos vermelhos com carinho.

- Estou Ron.

- Ele a levou para perto do cemitério, mas ela conseguiu escapar. - Explicou Harry.

- Aquele filho da p...

- Ronald! - Guinchou Hermione, rolando os olhos. - Como você conseguiu, Ginny?

A jovem ruiva soltou-se dos braços do irmão e passou a admirar o chão enquanto falava.

- Ele estava me puxando, mas como eu estava resistindo ele se virou provavelmente para me ameaçar, ou algo assim, então eu aproveitei e chutei -o com toda a força que pude... - Ela sorriu fracamente e continuou. - Foi ai que ele me soltou, eu corri e encontrei o Harry.

- Então ele não conseguiu... - Ron sentiu sua face corar enquanto escolhia as palavras antes de falar. - ...fazer nada com você?

- Não.

- Eu vou matar ele. - O ruivo rosnou fazendo menção de sair para procurar Zabini e sendo impedido pela irmã que apoiou as mãos em seu peito.

- Não Ron, vamos esquecer, está bem?

- Mas Ginny!

- Não vamos estragar a nossa noite por causa dele.

- Você vai falar com o papai? - Inquiriu seriamente, vendo-a concordar com um aceno de cabeça. - Ok então.

- Vamos entrar? Já é quase meia noite. - Hermione disse discretamente.
Ginny olhou para o irmão e a cunhada constrangida. Voltou a olhar para os próprios pés ao falar.

- Eu queria ficar mais um pouco longe do tumulto que está lá dentro...

- Mas aqui está frio demais e eu estou louco por um copo de ponche!

- Por favor, Ron.

- Mas...

- Eu faço companhia a ela, Ron. - Harry falou de forma resoluta aproximando-se de Ginny novamente.

- Mas...

- Eu já vou entrar, Ron, pode ficar tranquilo. - Ginny ficou na ponta dos pés e beijou o rosto do irmão. - Só quero ficar um pouco por aqui...

- Eu tomo conta dela Ron, pode deixar.

- Ótimo Harry. - Hermione exclamou, lançando um sorriso maroto para a amiga. - Vamos Ron, eu também estou com vontade de tomar um ponche.

Ron hesitou por um momento antes de assentir e acompanhar Hermione de volta ao salão onde beberam o ponche e se abraçaram, aliviados por nada de mal ter acontecido com Ginny. Uma melodia suave e romântica os envolveu e decididos a aproveitar o restante da festa recomeçaram a dançar, no mesmo ritmo lento que a música, esquecidos de todos ao redor.

---~~~---

Harry e Ginny se olharam assim que ficaram novamente sozinhos. Incapaz de se conter ele a abraçou mais uma vez, aliviado. Não sabia o que seria capaz de fazer se Blaise tivesse conseguido machucá-la. Talvez tivesse cometido uma loucura. Mas agora não era mais hora de se preocupar com aquilo, Ginny tinha sido corajosa e guerreira e conseguira salvar a si mesma.

- Eu tive tanto medo... - Murmurou de encontro aos cabelos vermelhos.

- Eu não.

- Como não? - Ele perguntou olhando diretamente para os olhos cor de âmbar.

- Eu tinha a certeza que você ia aparecer pra me salvar. - Ginny falou com um sorriso meigo.

- Mas eu não fiz nada!

- Isso é só um detalhe, mais um pouco você nos alcançaria e teria me salvado novamente.

Esquecidos de que estavam à vista de qualquer um que saísse pelos fundos do salão, estreitaram o abraço e se beijaram. Um barulho ao longe os fez irem, aos beijos, na direção da parte mais próxima ao rio, onde a iluminação mais fraca junto com a leve neblina os envolvia tal como uma capa de invisibilidade.

Beijos ávidos foram substituídos por beijos envolventes, a saudade misturada à adrenalina que ainda corria por suas veias, impedindo que agissem com calma, até que foram surpreendidos por gritos, saudações e pelos brilhantes fogos de artifício que anunciavam a chegada do ano novo.

- Feliz 1941, Harry Potter. - Ela sussurrou de encontro aos lábios dele.

- É Gin. Que venha 1941!

---~~--

Uma semana após o Reveillon, após ouvir as lamúrias de sua mãe sobre preferir que Percy tivesse ficado trabalhando na estação e não ter aceitado a oferta para trabalhar para um daqueles nobres com quem sua tia-avó Muriel se relacionava, Ginny entrou na sala e viu Ronald e Harry largados no sofá, ocupados em terminar de responder o extenso questionário de ciências que haviam recebido como tarefa de casa aquele dia. Ao menos seu irmão estava, pois o material do moreno estava largado sobre a mesa enquanto ele folheava algumas revistas que Bill e Charlie haviam trazido quando vieram e deixaram para trás quando retornaram ao front alguns dias antes. Perfeito, pensou com um sorriso matreiro brincando em seus lábios e um brilho no olhar.

- Mamãe pediu para eu pegar alguns ovos, você vai me ajudar.

- Isso foi uma pergunta? – Falou Ron sem se dar o trabalho de tirar os olhos do livro que estava em suas mãos.

- Humm... Não.

- Mesmo que fosse a resposta seria: nem pensar.

- Puxa Ron, o que é que custa me ajudar?

- Por que você não pede aos gêmeos?

- Porque eles aprontaram novamente e mamãe mandou-os limpar o porão.

- Certo. – Ele levantou os olhos o suficiente para encontrar os da irmã e continuou. – A resposta continua sendo não. Eu tenho que terminar esse questionário, e mesmo copiando as respostas do Harry ainda vai demorar.

- Ah Ron...

- Se você quiser, eu te ajudo, Ginny. – Harry interrompeu, largando a revista que estava folheando no sofá e decidindo que já bastava daquela encenação.

- Obrigada Harry. Eu prometo que não vamos demorar.

- Espero que não, ainda tenho que fazer o trabalho do Snape.

Harry e Ginny caminharam lado a lado até chegarem ao galinheiro. Tinham expressões ansiosas no rosto, mas não queriam correr o risco de se tocarem, nem mesmo de trocarem uma palavra até chegarem ali, com medo de se traírem. Ginny deixou a cesta no chão e imediatamente Harry a puxou para o lado do local, onde ficavam fora das vistas de quem porventura aparecesse. Após um beijo rápido e intenso ele perguntou:

- E se Ron tivesse aceitado vir com você?

- Eu sabia que ele não vinha, conheço meu irmão.

- Acho melhor a gente pegar logo esses ovos. – O rapaz declarou com os olhos verdes brilhando em expectativa.

- Agora?

- É. Assim depois que a gente acabar, poderemos aproveitar.

- Aproveitar o que, senhor Potter?

- Para ficarmos juntos.

O beijo que trocaram era saudoso. Como o anterior havia sido e como provavelmente o próximo também seria. O fato de não deverem – e saberem disso – os deixava ainda mais ansiosos e desejosos desses beijos roubados, escondidos... Tentavam, obviamente sem muito empenho, resistir, mas cada vez que os olhos se encontravam, que as mãos se tocavam, mesmo que sem intenção, a lembrança dos beijos trocados quando estavam juntos atiçava a vontade por outros mais.

Com muito custo se soltaram e foram realizar a tarefa que lhes fora pedida. Por sorte as galinhas pareciam ter querido colaborar e não criaram o caso que normalmente faziam quando Ginny estava ali sozinha, o que rendeu uma cesta quase cheia e a decisão de que poderiam dar o trabalho por encerrado.

Assim que sairam do cercado, Harry se encostou numa árvore próxima e trouxe Ginny para junto de si. Por mais tempo do que seria aconselhável eles mantiveram suas bocas e seus corpos colados. As mãos dele passeavam preguiçosas pelas costas da garota que por sua vez segurava displicente os óculos dele enquanto enlaçava-o pelo pescoço quando ouviram o som de alguém se aproximando e tentaram se afastar um do outro o mais rápido possível. Mas de tão enlevados que estavam já era tarde demais e apesar de todos os esforços não houve tempo suficiente para que Harry se esquivasse do murro certeiro com que Ronald lhe acertou o rosto.

- SEU MALDITO MENTIROSO! – O ruivo vociferou, partindo para cima do amigo. – Traidor!

- Ron, pare. – Pediu Ginny, assustada.

- Traidor de uma figa!

- Ron, não é nada disso. – Harry tentou se explicar, desvencilhando-se enquanto massageava o rosto dolorido.

- O que? Vai vir com aquela conversa fiada sobre irmão de novo? – A fúria de Ron era palpável em cada palavra que dizia.

- Não...

Harry não conseguiu terminar pois Ronald se aproximou e pegou-o pelo colarinho imprensando-o contra a árvore às suas costas. Ginny tentou impedir que o irmão e Harry partissem novamente para uma luta corpo a corpo e segurou no braço de Ron enquanto implorava.

- Ron, por favor.

- Fica quieta, Ginevra.

- A gente se gosta, Ron. – Harry tentou argumentar, mas o que conseguiu foi que o ruivo o encarasse com os olhos flamejantes de raiva.

- Oh jura! Isso é realmente reconfortante. Cretino... - Rosnou tentando libertar o braço das mãos de Ginny e acertar Harry novamente.

- Ron!

- Me larga, Ginny.

Numa atitude desesperada a jovem ruiva se pôs entre Harry e o irmão, espalmando suas mãos no corpo dele, numa demonstração de querer separá-los. Ron olhou para ela e desistiu de agredir o moreno, ao menos por hora. Podia ver os sentimentos confusos nos olhos de Ginny, e não seria capaz de magoá-la ainda mais. Harry aproveitando que o amigo pareceu se acalmar, resolveu tentar novamente se explicar.

- Ron, você tem que entender...

- Guarde seu fôlego. Quem vai ter que entender são meus pais... - Girou nos calcanhares e começou a andar em direção à Toca, puxando a irmã consigo. - Venha Ginny.

- Nós não queríamos enganar ninguém , Ron. - Harry disse de uma vez.

O ruivo parou e olhando diretamente para ele por sobre o ombro falou.

- Mas enganaram. Principalmente você. Eu pensei que a gente já tivesse conversado sobre isso.

- Eu não sabia direito o que estava sentindo...

Ron balançou a cabeça, incrédulo e virou-se definitivamente para encarar Harry. Quando falou, foi com sarcasmo.

- E depois, num passe de mágica, descobriu que não podia sobreviver sem o ar que minha irmã respira e resolveu sugar direto na fonte?

- Eu gosto da Ginny e ela de mim, ok! - Harry falou com raiva.

- Se gostasse mesmo se preocuparia com o que vão falar dela.

- Eu me preocupo!

- Agarrando-a no meio do mato, longe da vista de todos... 'Tô vendo o modo como você se preocupa.

- Parem por favor! - Ginny exclamou ao ver Ron e Harry cada vez mais próximos de se engalfinharem novamente.

- Vamos embora, Ginny. - Pegou a cesta com os ovos, largada ali perto e puxou-a mais uma vez. - Mamãe está esperando.

Ginny ainda olhou para Harry com os olhos úmidos, de raiva e apreensão, sem saber o que esperar e nem mesmo o que fazer. Ele estava sério e com um movimento de cabeça assentiu e indicou que seguisse Ronald. Ela tomou a trilha que levava de volta à casa junto com o irmão, sentindo um grande peso no coração. Olhou de relance para ele e viu que estava imerso em pensamentos. Sabia que ele estava decidindo o que fazer. Tomou coragem e falou:

- Você vai contar para a mamãe?

- É claro.

- Ah, Ron. Por favor. O Harry não teve culpa, ninguém teve. Aconteceu. - Ele estancou e olhou sério para sua irmã.

- Você ainda defende ele.

- Por favor.

- Eu...vou pensar.

Molly percebeu a cara fechada com que seu filho Ronald passou por ela na cozinha e subiu as escadas, com passos largos até seu quarto. Ficou intrigada quando logo em seguida Ginny, ao depositar na mesa a cesta com os ovos que fora pegar, a olhou com olhos tristes antes de também se retirar, mas deixou seus pensamentos para lá quando os gêmeos entraram com a algazarra usual, pedindo algo para comer. Contudo a preocupação surgiu quando, após servir seus filhos de bolo, ouviu-os perguntar a Harry que acabava de entrar.

- Cara, o que aconteceu?

- Nada.

- Como nada? Seu rosto...

- Eu...cai e bati com o rosto numa árvore.

- Sei... - Disse Fred olhando cúmplice para George. - Essa árvore tem uma direita poderosa.

- O Ron já chegou, senhora Weasley?

-Já sim querido. Ele entrou e subiu em seguida.

- Eu vou lá falar com ele, com licença.

Um vislumbre do que poderia ter acontecido perpassou a mente de Molly, que decidiu quer seria melhor ficar mais atenta àqueles três.

--~~--

Harry entrou cauteloso no quarto que dividia com Ronald e encontrou-o com uma expressão séria sentado na cama. Todo discurso que formulara em sua mente para se defender sumiu ao olhar o amigo nos olhos e ver a decepção evidente. Aquilo doeu mais do que o soco que levara no rosto e que ainda latejava. Ficaram um tempo incontável se encarando, imóveis, sem pronunciarem nenhuma palavra, até que finalmente Harry soltou o ar pela boca, sentou-se ao lado do amigo e falou.

- Eu pensei que você fosse contar pra sua mãe.

- Eu ia.

- Então por que não...

- Não foi por sua causa, pode estar certo. - Ron cortou-o ríspido.

- Eu sei.

- Eu pensei que fosse o que fosse que você sentia pela Ginny, tivesse passado.

- Você percebeu...

- Você tem que admitir que era meio óbvio, com todos aqueles abraços e atenções que você dava a ela. Todo mundo percebeu, ou meus irmãos me pressionariam para ter aquela conversa com você do nada?

- Eu não tinha certeza de que eu... Só depois daquele dia foi que realmente percebi...

- Em suma, você é mais lerdo do que eu.

- Provavelmente. - Harry olhou de relance para o amigo a tempo de ver um leve sorriso nos lábios do ruivo. - Eu tentei evitar...me afastar...mas não consegui.

- Eu notei.

- Eu não quero prejudicar a Ginny.

- Mas vai se alguém descobrir.

- Assim que minha mãe chegasse na cidade e eu me mudasse, ai eu...

- Viria falar com meus pais e tudo ficaria nos conformes. - Completou o ruivo, revirando os olhos.

- É. - Harry afundou o rosto nas mãos e perguntou com a voz abafada. - O que mais eu deveria fazer?

- E eu que sei? - Ron se levantou e olhou para o amigo. - Bom, eu vou descer que já deve estar na hora do jantar. Você vem?

- Não... De alguma desculpa para sua mãe, acho que vou deitar cedo hoje.

- Ok cara. - Abriu a porta e completou virando-se ligeiramente na direção de Harry. - E desculpe pelo soco.

- Tudo bem...

- Não que você não tenha merecido.

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N/B (Pam): Ah esse capítulo foi tão, tão! Agora no finalzinho do ano, quero tanto passar a virada igual ao Harry e a Gina...aos beijos! *.* Quer forma melhor de começar o ano??? rsrs Sabia que mais cedo ou mais tarde o Ron ia acabar pegando os dois, só não esperava um soco daqueles. Mas o Rony, apaixonado como esta, vai entender direitinho como o Harry nã consegue ficar longe da Gin, mesmo ela sendo irmã dele! rs Pri, capítulo maravilho para o final do ano! Parabéns amiga! TE AMOOOOO beijo,beijo

N/B (Paty): O que eu posso falar desse capítulo? Além de que fiquei completamente derretida? rsrs... as partes H/G foram lindas, ele "salvando-a" do Zabini mais ainda e a cena do ano novo foi completamente cute!!! Ainda falta falar é claro, do nosso legume insensível que está sensível até demais (sorriso maldoso) hauahuaha... o namoro R/H tá evoluindo (sorriso malicioso) será que teremos em breve um NC? (olhos brilhando) Aguardo ansiosamente o próximo capítulo morram de inveja de mim que vou ler antes (mostra a língua) rsrs... beijos amores, Te amo Pri um abraço bem forte!

N/A: AMORES!!!!!!!!!!! Mais um capítulo postado. Eu tentei terminá-lo antes do dia 20 mas foi impossível. Final de ano é uma loucura... Espero que todos tenham passado um Natal maravilhoso e que 2008 seja explêndido!!! Obrigada a todos que acompanham a fic, infelizmente eu não consegui responder aos comentários individuais. Se tentasse só postaria o capítulo ano que vem... E quem se arrisca a dizer qual será a atitude do Harry agora??? hihihihi Milhões de bjks em todos e "Que venha 2008!"


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