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18. Um Coração Partido ao Meio


Fic: A Força de um Destino


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Já era sete e meia da noite de domingo e nada de Harry chegar. Eu e Hermione o esperávamos impacientemente na pequena rodoviária de Stoneville, mas até o momento nenhum sinal dele.
— O que será que está acontecendo, Mione? Por que o Harry está demorando tanto? Será que aconteceu alguma? — perguntei com nervosismo.
— Calma, Gina... É normal o ônibus se atrasar. Daqui a pouco ele vai estar aqui e... — Hermione tentou me tranqüilizar, mas parou a sua frase ao meio no instante em que ouviu o barulho do ônibus chegando. — Olha lá! É o ônibus do Harry!
Era verdade. Ele estava chegando. E eu não sabia se ficava feliz por reencontra-lo, ou preocupada por ter que me confrontar com ele. Um misto de sentimentos tomava conta de mim naquele momento.
O ônibus parou e alguns passageiros começaram a descer. Harry foi um dos primeiros a sair, e quando me viu, correu em minha direção.
— Gina! — Disse ele enquanto me abraçava fortemente. — Quantas saudades eu estava de você! — Declarou Harry parecendo bastante animado.
Depois que ele me soltou, pude perceber que Harry estava um pouco diferente. Não tanto pelo aspecto físico, mas sim pela atitude dele. Harry não gostava muito do que ele chamava de Demonstrações Públicas de Afeto. Eu até entendia isso pois Harry sempre fora muito tímido e introvertido. Porém agora ele fazia exatamente o contrário do que ele sempre fez. Será que essa mudança de comportamento era só pela saudade de dois meses de separação ou havia algo a mais nisso?
— Harry! Que bom que você está aqui! Estou tão feliz! — Tentei ser o mais sincera possível, mas minhas palavras pareciam pura ironia. Não que eu quisesse magoá-lo, mas eu não me sentia nada bem com ele aqui e isso transparecia facilmente.
— Você está bem, Gina? Parece meio pálida... E também está suando frio... — Comentou Harry preocupado.
— É que ela está meio resfriada... — Interveio Hermione para me salvar. — E está fazendo bastante frio esta noite. Eu disse para ela ficar na cabana, que eu poderia muito bem busca-lo na rodoviária, mas ela insistiu que queria lhe ver assim que chegasse. — Mentiu ela descaradamente. Não havia necessidade para isso, mas Mione parecia se divertir com a situação.
— Não precisava, Gina... A sua saúde é mais importante que qualquer outra coisa. — Declarou Harry com carinho. — Mas já que está aqui, é melhor nos adiantarmos. Vou só esperar minha bagagem ser liberada para irmos.
— De qualquer modo, Harry, acho melhor você não chegar muito perto dela. Afinal, já basta um doente por aqui. — Disse Hermione.
Alguns minutos depois saímos da rodoviária. Harry estava muito animado com tudo e parecia acreditar piamente que todo o meu desentusiasmo era devido única e exclusivamente a tal gripe que eu adquirira.
— Para que lado fica o acampamento? — Perguntou Harry, assim que chegamos a praça principal de Stoneville.
— Depois nós vamos para lá. Primeiro precisamos encontrar um hotel para você. — Expliquei de forma paciente.
— Para que um hotel? Eu não posso ficar no acampamento junto com vocês? — Perguntou ele de maneira ingênua.
— Não, Harry, infelizmente não... — Interveio novamente Hermione. — Sabe como é, né? Fica meio chato isso de você dormir lá. Os administradores não iam gostar nada, nada disso. Ainda mais pelo fato de um garoto dormir na mesma cabana que duas garotas.
— Eu entendo... — Disse Harry parecendo meio decepcionado. — Então tudo bem. Eu vou para um hotel. Deve ter algum aqui em Stoneville. Ou pelo menos uma pensão, ou algo assim.
Depois de Harry se estabelecer em um hotel, que ficava ali perto da praça mesmo, fomos para o acampamento. Mais cedo, eu havia conversado com Draco. O adverti para que ele evitasse sair da cabana naquela noite, pois Harry provavelmente iria querer conhecer o acampamento. Só que eu não sabia se ele iria mesmo cumprir o que me prometera. Mesmo assim, eu rezava internamente para que nada de ruim acontecesse.
O meu maior medo era que Harry encontrasse Draco. Preferia nem pensar no que aconteceria. Por isso, eu tentava a todo custo fazer com que Harry desistisse de visitar o acampamento. Pelo menos por aquela noite.
— Harry... — O chamei enquanto caminhávamos para o acampamento.
— Sim? — Respondeu ele prontamente.
— Você se importa se hoje você não for no acampamento? — Perguntei — É que eu não estou me sentindo muito bem...
— Está com algum problema, Gina? — Harry parecia preocupado.
Hermione, que até aquele momento estava um pouco a frente de nós dois, interveio pela terceira vez naquela noite.
— É por causa da gripe ainda, Harry... — Explicou — Ela deveria agora estar deitada, repousando, mas quando soube que você ia chegar hoje, veio correndo para te esperar.
Harry se virou na minha direção e me encarou nos olhos com ternura.
— Gina, se não está se sentindo bem, então é melhor mesmo ir descansar. — Explicou ele.
— Tudo bem, então... Eu e Mione vamos voltar para o acampamento.
Ele continuava ainda bem preocupado.
— Não é melhor você procurar algum médico, por aqui mesmo? Pode ser grave, Gina...
— Que isso, Harry... É apenas um resfriadinho de nada. — Tentei desconversar. — Amanhã estarei melhor. É só repousar um pouco. E você também deve estar cansado por causa da viagem, então vá descansar também.
— Tudo bem, Gina... Se você quer assim... — Harry parecia decepcionado. Mas mesmo assim, ele deu meia-volta e marchou de volta até a cidade.
Eu e Hermione continuávamos andando.
— Achei que o Harry está um pouco chateado com você... — Comentou Mione ao entrarmos na cabana. — Não sei se ele acreditou naquela história de resfriado.
— Mas também, né, Mione? O que você queria? Você exagerou muito!
— Como assim? — Perguntou Mione se fazendo de desentendida.
— Talvez tenha sido algo como... “Mas ela insistiu que queria lhe ver assim que chegasse...” — Ironizei.
Hermione não segurou o riso. Ela estava se divertindo muito com aquilo.
— Me desculpa, Gina! Eu não estou acostumada a mentir! — Replicou ela em tom divertido.
— Agora já passou... — Resmunguei — Mas acho que o que eu preciso mesmo é dormir. Quem sabe depois de uma boa noite de sono meus pensamentos não fiquem em ordem?


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Não tive exatamente o que se pode chamar de uma boa noite de sono. Para falar a verdade, quase não dormir. Eu já deveria ter previsto isso. Afinal, eu tinha alguns problemas pendentes.
Mesmo assim, por mais que eu pensasse no assunto, não chegava a nenhuma conclusão. E ainda me sentia mal, pois estava de certa forma enganando o Harry.
E talvez até por me sentir culpada, assim que terminei o meu café matinal na segunda-feira, parti para a cidade. Queria encontra-lo, porque, por pior que fosse a situação, ele ainda era o meu namorado.
Bem que eu tentei falar com ele, mas a recepcionista do pequeno e único hotel de Stoneville não permitiu. Segundo ela, eu não poderia incomodar os hóspedes, exceto se fosse uma emergência.
— Mas é uma emergência! Preciso falar com ele agora!
— Me perdoe, Senhorita....
— Weasley, Virgínia Weasley.
— Mas qual a emergência?... — A recepcionista me olhava com desconfiança. Mas eu não era fácil. Seria mais prático se eu voltasse mais tarde, só que para mim era bem mais divertido fantasiar uma história do que simplesmente esperar algum tempo para voltar.
— A mãe do Harry... Ela está preocupada com o filho... O Harry não avisou para ela que iria vir para cá. Então, como ele é meu namorado, ela ligou para mim perguntando onde ele se encontrava. — Menti descaradamente.
— E por que a Srta. não disse para ela que ele estava bem? — A recepcionista era realmente dura na queda! Enganar ela iria ser mais difícil do que eu podia imaginar.
— Sabe como são essas sogras, né? A Sra. Potter nunca gostou muito de mim. E cá entre nós, eu também não sou fã dela. Mas o fato é que ela não confia no que eu falo. Disse que precisa urgentemente conversar com o filho para ter certeza de que ele está aqui. — Continuei a mentira, rindo internamente da situação. Eu me perguntava se a recepcionista seria idiota o suficiente para acreditar naquela história ridícula.
— Tudo bem... Vou chama-lo pelo telefone... — Isso! Parece que funcionou... Ela caiu como um pato! Gina Weasley um, Recepcionista Gorda zero!


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Pouco tempo depois Harry apareceu. Estava com uma cara de sono péssima, os óculos tortos colocados de qualquer jeito, e parecia ter pego a primeira roupa que viu na mala.
— Apareceu cedo, Gina! — Comentou ele enquanto me dava um beijo estalado. — Madrugou, é?
— Quase isso... — Comentei rapidamente. — Mas não podemos demorar muito. Temos uma emergência.
— Uma emergência?! — Perguntou Harry confuso. — De que tipo?
— Sua mãe está preocupada com você! — Expliquei sem pressa.
A recepcionista estava impassível, sentada atrás de seu balcão, apenas como observadora da cena.
— Minha mãe?! Como assim, Gina?! — Harry não estava entendendo nada.
Dei para ele um olhar bastante divertido e significativo, que seria irreal naquela situação, exceto se aquilo tudo fosse uma mentira. Parecendo captar rapidamente o meu gesto, Harry disse:
— Ah, sim! A minha mãe! — Ele fingia se lembrar só agora que tinha mãe. — O que aconteceu com ela? — Perguntou simulando um ar de preocupação excessivo.
— Nada... Por enquanto... É que ela me ligou, preocupada com você. — A recepcionista nos observava indiscretamente. Parecia que ainda não havia se decidido se a tal história era verdade ou mentira.
— Eu esqueci de ligar para ela ontem! — Disse Harry batendo com a palma da mão na testa em um gesto teatral. — Vou ligar para ela urgentemente.
— Claro. É melhor você telefonar lá do acampamento. — Falei e eu ele fomos embora do hotel.


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— Então quer dizer que você fez isso só para se divertir com a pobre recepcionista? — Perguntou Harry não contendo o riso perante a situação.
— Assim que eu a vi, achei que poderia engana-la facilmente. Queria testar um pouquinho a minha capacidade de discernimento. — Respondi, também rindo.
Eu e Harry estávamos no caminho para o acampamento. Demorou um pouco, mas ele finalmente entendeu o que aconteceu.
— E foi aprovada, Gina.
— Com certeza, mas por pouco... Ela não era uma mulher muito fácil de se enganar.
Harry ficou em silêncio por um instante. Parecia pensar em algo. Depois, repentinamente, falou:
— Você parece ter uma grande habilidade em mentir para as pessoas... — Falou Harry em um tom um pouco triste, que na hora eu não notei.
— É... — Concordei. — Digamos que não é um dos talentos mais apreciados pela humanidade, mas tem lá suas utilidades.
Novamente Harry fez uma pausa. Agora sim eu percebi que ele estava mais sério. Havia parado de sorrir e no instante seguinte me olhou com uma cara bastante infeliz.
— Você mentira para mim? — Perguntou ele, me surpreendendo.
— Se eu mentiria para você? — Repeti, sem saber o que responder.
— É... — Harry não falava muito. Sua voz era fraca, quase um sussurro. Ele não parecia preocupado ou chateado, apenas triste.
Aquele assunto não me agradava nem um pouco. Se eu dissesse que não, eu estaria mentindo novamente. E se eu me calasse, ele perceberia que algo estava errado.
— Mas que idéia, Harry! É lógico que eu não mentiria para você! — Como eu não tinha outra alternativa, tive que novamente mentir.
— Vamos falar sério agora, Gina. Eu sei que você está me escondendo algo desde ontem. — Harry agora já falava em um tom de voz normal.
Agora fui eu que fiz uma pausa. Harry estava bastante estranho.
— Eu não esconderia nada de você, Harry... Como pode pensar uma coisa dessas?
— Me desculpe, Gina... Mas é que ontem...
— A Mione já te explicou sobre ontem, Harry! Eu estava resfriada! Era só isso...
— Tudo bem, tudo bem! Não vamos mais discutir. Eu acredito em você.


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Se o Harry acreditava mesmo em mim, eu não sabia. Mas tinha certeza de que se ele encontrasse o Draco, aí sim, ele nunca mais acreditaria em uma só palavra minha.
Por isso, assim que chegamos ao acampamento, fomos direto para a administração. Avisei para o Joey, o chefe dos monitores, sobre Harry e depois fomos até a cabana.
Na hora em que chegamos, Hermione estava bastante entretida na leitura de um livro. Mesmo assim, parou o que estava fazendo e veio nos cumprimentar.
— Oi, Harry! — Disse ela o abraçando. — A Gina te acordou, né? Eu disse para ela esperar um pouco, que ainda é cedo demais, mas você sabe como é a sua namorada...
— Mas assim é melhor. Acordando cedo dá para se aproveitar melhor o dia. — Respondeu Harry educadamente.
— Com certeza! — Concordou Hermione.
Depois disso, Harry e Mione engataram uma animada conversa sobre o acampamento. Eu fiquei de fora do assunto, mas assim era até melhor. Não estava com muita vontade de ficar conversando. Não depois do que Harry me dissera.
— Ei, pessoal! — Disse para eles, tentando chamar a atenção. — Eu vou ter que deixar vocês dois aqui. Preciso preparar minha aula de artes para hoje à tarde.
— Ah, que pena, Gina! — Harry parecia decepcionado. — Mas tudo bem, meu amor, depois nós nos falamos. — Ele me deu um beijo estalado e eu fui embora.

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— Gina? Não esperava te encontrar aqui!
Eu estava em frente a cabana de Draco. Havia acabado de bater na porta e ele veio me atender. De pijama e com um sorriso torto na cara.
— Eu conseguiu ter uma folga lá com o Harry. — Contei.
— Então o seu namorado já chegou? — Perguntou Draco dando uma ênfase a palavra “namorado”.
— Já chegou sim. — Confirmei. — Por quê? Quer conversar com ele? — Perguntei com ironia.
Draco deu uma risada seca e olhou para mim descontraídamente.
— Por enquanto não. — Respondeu ele à altura. — Mas entre, por favor. — Convidou.
Entrei e, sem fazer cerimônias, me sentei em uma poltrona.
— O que à traz até a minha humilde cabana? — Perguntou ele em tom de gozação.
— Sem brincadeiras, Draco. Preciso falar sério com você.
— Sobre?...
— Sobre o que mais seria? Só pode ser algo haver com você, eu e o Harry.
— Claro. — Concordou Draco.
— Eu tomei uma decisão. Vou contar ao Harry sobre você.
Em um primeiro momento, Draco parecia não ter captado o que eu havia ditado. Demorou algum tempo, mas depois caiu a ficha.
— Você enlouqueceu, garota? Se esqueceu que você já começou a mentir para ele sobre mim desde que chegou aqui? — Draco parecia bastante nervoso. Só a possibilidade daquilo acontecer já o atormentava.
— É por isso mesmo eu vou contar sobre você. — Declarei solenemente. — Eu não agüento mais, Draco... Não agüento mentir para o Harry... Você não sabe o quanto é difícil para mim... — Desabafei em tom de lamúrias.
— E o que você acha que vai acontecer? Se espera que ele vá aceitar isso numa boa, e que vai querer sentar e conversar sobre isso, pode esquecer. A primeira reação do Potter vai ser a de surrar a minha cara. — Disse Draco.
— Então o que você quer que eu faça? — Perguntei, já um pouco revoltada com a oposição de Draco. — Que eu espere que ele te descubra aqui? Porque mais cedo ou mais tarde, é isso que vai acontecer. E é melhor ele saber a verdade da minha boca, do que ver você andando por aí.
— Ah, quer saber, Gina? Faça o que quiser! Pouco me importa! Sei que eu já te perdi para esse idiota mesmo! Então, qual vai ser a diferença se eu brigar com ele? De qualquer modo você vai correndo para os braços do Potter! — Draco falou, enquanto sua fúria transbordava.
— Mas ele é o meu namorado, apesar de tudo! E se ele não aceitar a situação, então que se dane. Pois aí eu perceberei que ele não me ama... Porque terminar comigo sendo que eu não dei motivos para isso não é exatamente uma prova de amor!
Draco riu divertidamente, me assustando.
— Não deu motivos, Gina? Ou você já se esqueceu do nosso beijo?
— Não, eu não esqueci... Mas o Harry vai entender. Ele tem que entender que foi só um impulso de momento.
— Então tá! Vá correndo contar para o Potter, fale que você beijou o Draco Malfoy. Espere e verá a reação dele. E eu já o estarei esperando aqui, no caso dele querer briga. E depois ele vai terminar tudo com você. E aí então você será só minha, Gina.
— Eu não permitirei que vocês briguem! — Falei em um tom de voz mandão. — E vai dar tudo certo no final, você vai ver. — Depois de dizer isso eu saí da cabana, e bati fortemente a porta na cara de Draco.


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Eu estava tensa. Tinha tomado a decisão de contar a Harry sobre Draco, mas a cada minuto que se passava, eu me convencia mais e mais de que poderia estar fazendo uma grande besteira. Ao voltar para a cabana, Mione e Harry ainda conversavam. E pareciam estar bastante felizes.
— Pensei que ia demorar mais, Gina. — Comentou Harry ao me ver.
— Ah, não! Já estava quase tudo pronto... — Respondi. — Mas, sobre o que vocês estão falando? — Perguntei, fingindo demonstrar interesse.
— Sobre o pessoal daqui... — Disse Mione.
— Como assim? — Perguntei.
— Você sabe, sobre os administradores, os campistas, os monitores... — Hermione falou a palavra “monitores” de um jeito diferente, por isso logo notei o que ela quis insinuar.
— Sobre alguém em especial? — Questionei, temerosa de que Mione tivesse aberto a boca para falar sobre Draco.
— Não, ninguém... — Respondeu Harry. — Mas eu quero conhecer todos no acampamento. Pelo que a Mione disse, aqui as pessoas devem ser bem interessantes... — Harry pronunciou a palavra “interessantes” de tal forma que até desconfiei que ele soubesse de algo.
— Com certeza que são. — Concordei, sem dar maior importância aos fatos.

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Depois de muito pensar, acabei me decidindo por não contar ao Harry nada sobre Draco. Pelo menos por enquanto, até eu ter certeza de que ele aceitaria a idéia de que eu menti para ele.
Eu, Mione e Harry ficamos durante o resto da manhã na cachoeira. Ele queria conhecer o lugar, e parecia muito interessado na natureza.
Na hora do almoço, fomos os três para a cidade. Fizemos nossa refeição em um restaurante perto da praça, e depois de comermos, eu e Mione fomos dar nossas aulas e Harry ficou no hotel.
Depois, aproveitei o resto do dia ao lado de Harry e Mione ficou descansando na cabana.
E assim foi se passando a semana. Sem grandes surpresas. Parecia que tudo estava funcionando bem, pois até o momento Harry nem imaginava que Draco estava lá. Mesmo assim, eu sentia que deveria contar para ele, pois mais dia, menos dia ele saberia o que estava acontecendo.
Mas essa não era a minha única preocupação. Eu teria que preparar a festa de encerramento do próximo final de semana. O pior era que eu não estava com a mínima vontade de fazer isso. Mas não havia remédio. Pelo menos eu poderia contar com a ajuda de Joey, que iria me auxiliar na preparação da festa.
— Você está bem, Gina? Parece meio aérea... — Comentou Joey.
Já era sexta-feira de tarde. Todos estavam reunidos no acampamento central para preparem as festas. Inclusive Draco. Eu dera um jeito de Harry não aparecer por lá, dizendo que eu iria trabalhar muito e que não poderia ser interrompida por ninguém. Assim pelo menos eu tinha a tranqüilidade de que Harry não fosse aparecer.
De qualquer modo eu estava ficando cada vez mais nervosa. Faltavam três dias para irmos para casa. Segunda-feira de manhã todos estariam partindo. E não havia mais como deixar de contar a Harry sobre Draco. Sem falar que, de qualquer jeito, no sábado a noite eles se encontrariam na festa de encerramento.
Na noite de sexta-feira, mesmo cansada de trabalhar na festa, eu tomei coragem e decidi ir contar tudo a Harry. Fui até a cidade e nós nos encontramos para jantarmos no restaurante.
— Então, Harry, você está gostando do acampamento? — Perguntei a ele enquanto comíamos.
Harry, que nem desconfiava do que eu fosse falar para ele, apenas respondeu sorrindo:
— É um lugar fascinante, Gina! Quem sabe ano que vem eu não consiga tirar umas férias maiores e possa ficar aqui durante o verão inteiro? — Disse Harry, parecendo realmente entusiasmado.
Apesar de Harry parecer bem contente com o acampamento, eu me assustei com aquilo. Talvez fosse pelo fato de que eu considerava a possibilidade de ele acabar o namoro comigo. Se isso acontecesse, com certeza ele não iria querer voltar para o acampamento no ano que vem.
— Seria maravilhoso, Harry... — Apenas me limitei a concordar com o que ele falava.
Continuamos conversando sobre todos as qualidades de Stonevalley. Ele ficava sempre ressaltando as belezas do lugar, o contato com a natureza, entre outras coisas. Sinceramente, aquilo já estava me dando sono. Foi então que eu decidi começar a preparar o terreno para contar a Harry sobre Draco.
— Harry, você se lembra de quando a gente conversou sobre eu mentir bem? — Perguntei, tentando introduzir aquele assunto da maneira mais delicada possível.
Harry, que comia um imenso prato de macarronada, virou-se para mim e disse:
— É claro que me lembro... Foi muito engraçado mesmo... O pior era que a recepcionista realmente acreditou na sua mentira.
— É... Foi mesmo engraçado... — Concordei, não me sentindo muito confortável. — Mas, você se lembra o que aconteceu depois?
— Depois quando? — Harry perguntou, com o seu sorriso já se desfazendo.
— Quando a gente começou a conversar sobre você mentir para mim...
— Sei... — Disse Harry em tom sério, o mesmo que ele usou quando conversamos sobre isso na primeira vez. — O que você está querendo dizer com isso, Gina?
— E se eu tivesse mentido para você, Harry? Você me perdoaria? — Perguntei, temerosa com a resposta, mas não havia como voltar atrás.
Harry parou por um segundo. Ele me encarou com seus olhos verdes, da cor de uma esmeralda, e naquele momento eu senti medo do que viria a seguir.
— Há algo que você queira me contar, Gina? — Perguntou ele, com uma calma surpreendente para mim.
— Tem sim, Harry... Eu menti para você sobre uma coisa... — Com a calmaria de Harry, eu também me senti mais relaxada.
— Tudo bem, Gina... Pode me contar o que quiser... Eu prometo que irei te ouvir.
Apesar de tudo estar bem tranqüilo e Harry não demonstrar sinais de raiva, eu comecei a ficar nervosa. Já não agüentava mais aquilo. Alguma lágrimas começaram a brotar em meus olhos, mas eu me segurei para não chorar.
— Você não sabe o quanto é difícil para mim... Mas é que... Eu... Queria ter te contado antes, mas eu não tive coragem... — Falei com uma voz chorosa.
— Não tem problema... É melhor me contar agora, do que nunca...
— Está bem... Está bem... — Eu tentava me recompor. — No acampamento... Tem um monitor lá...
— Draco Malfoy... — Disse Harry entediado.
— É! Como você sabe? — Perguntei, sem acreditar no que ouvia.
Harry parou por um instante e me olhou carinhosamente. Ele não parecia nada surpreso.
— Pra falar a verdade, Gina, eu já sabia disso a um bom tempo... — Confessou Harry.
— Você sabia?! Mas como?! — Quem estava surpresa era eu. Achei que ele não desconfiasse de nada. — Como você descobriu?
— Mione me contou. Há mais ou menos um mês ele me enviou uma carta, dizendo tudo o que havia acontecido, que ele estava aqui... — Harry revelou, sem fazer maior suspense.
Eu estava chocada. Por essa eu não esperava. Hermione contou sobre o Draco para Harry. E o que mais me impressionava era do Harry ainda não ter ido brigar com ele.
— Mas... Mas como? Quero dizer... Por que... Por que você ainda não foi tirar satisfações com ele? — Perguntei, ainda meio atordoada com os últimos acontecimentos. — Pensei que você fosse ficar neurótico quando descobrisse que ele estava aqui.
— É verdade... Assim que soube eu fiquei meio com receio do que ele pudesse estar fazendo aqui. Planejei até vir para cá, na época. Mas depois, pensando melhor, vi que não havia motivos para tanto pânico. Malfoy sempre foi muito de ameaçar, mas não passa de um covarde na verdade. Porém eu deixei Mione alerta, para que qualquer coisa que acontecesse ela me contasse.
— Mas se você recebeu a carta a um mês... Então você não sabe de tudo... — Falei, pensativa.
Harry me olhou com estranhamento. Senti que eu havia falado demais.
— Tem mais alguma coisa além do fato do Malfoy estar aqui que eu deva saber? — Perguntou Harry.
Pensei por um minuto no meu beijo com Draco. Duvidava que ele ou Mione fossem contar para Harry sobre isso. Mesmo assim, se eu não contasse, minha consciência pesaria depois. Então, como já era a hora das revelações, o melhor que eu tinha a fazer era esclarecer tudo.
— Não é só isso... — Falei baixinho.
O olhar de Harry era de desconfiança.
— O Malfoy te fez alguma coisa? — Perguntou ele.
— Não, não exatamente... — Respondi. — Na verdade, faz quase duas semanas que aconteceu.
— Aconteceu o que, Gina? — Harry perguntou, ele ainda estava calmo, mas provavelmente quando eu contasse a verdade ele ficaria bastante nervoso.
— Eu e o Draco nos beijamos... — Falei de uma vez, antes que eu não tivesse coragem depois.
Harry pareceu não entender direito o que eu havia falado. Em um primeiro momento, ele me olhou atônito. Depois de alguns segundos, já mais recomposto, Harry começou a me encarar com raiva.
— Gina, me diz que isso não é verdade... — Falou ele com a voz falha.
— Eu queria que não fosse, mas é. — Minha voz também estava bastante fraca. Comecei a chorar silenciosamente novamente.
— Ele te obrigou? — Perguntou Harry, com uma clara raiva contida.
— Não... — Respondi, cabisbaixa.
— Então por que diabos você ficou com ele? — Harry nesse momento explodiu. Obviamente ele não gritava, afinal estávamos em um restaurante, mas dava para perceber que mais cedo ou mais tarde ele faria isso.
Me senti mais disposta depois de dizer toda a verdade para ele. Agora estava mais preparada para retrucar qualquer coisa que Harry falasse.
— Eu sei que parece uma loucura... Afinal ele é Draco Malfoy... Mas foi uma coisa de momento, eu nunca quis te trair!
— Mas traiu! — Respondeu ele nervoso.
— Agora que eu já te contei tudo, acho melhor você se decidir sozinho...
— Decidir o quê?
— Se quer ou não continuar comigo.
— E você acha que eu vou aceitar isso fácil? — Harry perguntou com ódio.
— Isso é você quem decide... Depois que estiver mais calmo, pense sobre isso e venha falar comigo.
Me levantei da mesa e saí do restaurante a passos longos. Não queria terminar com o Harry, mas do jeito que as coisas estavam indo...


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— Está tudo bem, Gina? — Perguntou Hermione.
Assim que fui embora do restaurante, caminhei diretamente até o acampamento. Entrei apressada na cabana e Mione pareceu sentir logo de cara que alguma coisa estava errada.
— Não acredito no que você fez, Mione... — Falei, enquanto me jogava pesadamente em uma poltrona.
— Como assim? — Hermione não estava entendendo do que eu falava. Depois, ela pareceu se lembrar de algo, e completou. — Ah não, Gina! Você não fez o que estou pensando que fez, não é?
Soltei um suspiro de impaciência.
— Se você acha que eu contei para o Harry sobre o Draco então você está certa... E o Harry me fez o favor de contar que já sabia de tudo! — Eu estava bastante irritada com Mione por ela ter mentido para mim sobre isso durante todo o tempo.
Ela me olhou com calma, o que me deu mais raiva.
— Me desculpa, Gina... Mas eu estava preocupada! Você e o Malfoy andavam cada vez mais juntos e... Nem sei o que dizer. — Ela tentou se justificar. — Mas espera um minuto... O Harry já sabia sobre o Malfoy, e até onde eu percebi, ele pareceu, depois de algum tempo, aceitar isso. Exceto se você contou para ele algo a mais!
Cansada de toda aquela situação, eu contei a Mione tudo o que acontecera no restaurante aos mínimos detalhes. Ela parecia atenta a cada palavra, ainda mais quando eu contei a ela que Harry sabia que eu havia beijado o Draco.
— Mas que besteira, Gina! Para que você tinha que desenterrar esse assunto? — Perguntou Hermione sem paciência.
— Por que eu preciso saber se o Harry me ama mesmo... Se ele me perdoar, ao menos eu poderei ter certeza de que quero ficar com ele. — Respondi.
— Você ainda pensa em ficar com o Malfoy? Depois de tudo o que aconteceu?
Parei por um minuto e pensei. Realmente eu ainda não sabia o que queria. E com a vinda de Harry, tudo se complicou ainda mais.
— Não sei quem eu quero... Por isso estou lavando as minhas mãos. E agora seja o que for!
— Então está querendo me dizer que vai deixar o Malfoy na reserva. Caso o Harry não te perdoe, você vai ficar com ele? — Perguntou Mione preocupada.
— O que eu estou querendo dizer é que eu não vou mais me preocupar com isso... A partir de agora, vou deixar o destino seguir o curso dele.
— Tem certeza do que você está falando, Gina?
— Agora que o Harry já sabe de toda a verdade, a responsabilidade é toda dele... O que ele decidir, eu vou ter que aceitar...

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Não consegui dormir naquela noite. Me revirava de um lado para o outro da cama, mas não descansei por um minuto sequer. Mione, que também não dormiu, me fez companhia. Não ficamos falando muito. Nada mais precisava ser dito.
Depois de uma eternidade, finalmente o dia raiou. Eu, que já não agüentava mais ficar presa naquele quarto, saí para dar um passeio em volta do lago.
Mesmo com a linda vista daquele início de manhã, minha cabeça não parava de pensar em Harry. Eu não tinha a menor idéia se ele iria me perdoar ou se eu o perderia para sempre. A última possibilidade me assustava muito. Não sei como eu viveria sem ele. Mesmo não o tendo como namorado, eu o queria ao menos como amigo. Mas isso seria impossível se ele não me perdoasse.
Fiquei sentada no píer, relembrando todo o verão que tive aqui em Stonevalley. No começo, eu relutava a idéia de vir para cá... E então depois o Draco apareceu... E o medo tomou conta de mim e Mione. Depois o medo se transformou em afeto. Comecei a gostar dele, talvez ainda não como namorado, mas como amigo... Eu ainda não tinha certeza disso, mas era o que parecia. Minha relação com Draco estava muito mais para uma amizade do que para uma paixão.
Mas eu estava decidida. Se Harry não quisesse continuar comigo, eu tentaria com o Draco, mesmo que eu soubesse que provavelmente não daria muito certo.
Voltei a me lembrar dos meus melhores dias no acampamento. As aulas para as crianças, as festas de fim de semana, a natureza e todo esse clima de felicidade... Não pude deixar que uma lágrima rolasse pelo meu rosto. Eu com certeza sentiria muita falta disso tudo.
Permaneci por mais algum tempo por lá, até que Mione veio ao meu encontro.
— Passou tão rápido... — Comentei bem vagamente.
Apesar de eu não ter sido clara sobre o que eu falava, ela respondeu:
— Mais do que eu esperava. Mas mesmo com todos os problemas que tivemos por aqui, eu não posso deixar de ter uma doce lembrança desse verão.
Eu sorri sem jeito. Me levantei de onde estava sentada e enxuguei meu rosto.
— Mas agora vamos tomar o café da manhã, Mione... Não quero continuar nesse clima de depressão.


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Ao tomar meu café da manhã, percebi que não era só eu e Mione que sentiríamos saudades daquele lugar. Todos os monitores e campistas que estavam lá na hora também não pareciam muito felizes.
Depois de comer, fui direto para o acampamento central. Os preparativos para as festas de hoje e de amanhã ainda me esperavam.
Mesmo trabalhando sem parar, eu não conseguia parar de pensar em Harry. Eu havia dito para mim mesma que não iria mais me preocupar com aquilo, que a decisão não estava mais em minha mão, mas era impossível não sentir uma aflição naquela altura dos acontecimentos.
Quando já eram quase nove e meia da manhã, os outros monitores começaram a chegar para terminar a arrumação. Entre eles estava Draco, que chegou com uma cara de urgência e logo pediu para conversar em particular comigo.
Eu e ele fomos para um canto afastado, em frente ao lago, enquanto os outros monitores trabalhavam.
— O quê foi? — Perguntei, estranhando o fato dele querer conversar sozinho comigo.
— Você contou para o Harry que nos beijamos. — Não era uma pergunta. Ele estava afirmando isso.
— Como você sabe? — Me sentia confusa, pois as únicas pessoas que sabiam disso era eu, Mione e Harry. Duvidava que Hermione fosse falar qualquer coisa com Draco, então só restava...
— O Harry veio falar comigo... Ontem à noite. — Declarou Draco sem nenhum mistério.
Comecei a ficar preocupada. Isso não podia ser de jeito nenhum uma boa coisa. Ao menos parecia que eles não haviam brigado, senão Draco já teria contado algo sobre isso.
— E o que aconteceu? — Perguntei impaciente. — Vocês brigaram?
Draco arregalou seus olhos.
— Longe disso! Ele estava bastante calmo, parecia até muito frio... Mas não transpareceu raiva nenhuma. — Comentou. — Nós então nos sentamos e ele então me contou o que havia acontecido no restaurante. Conversávamos civilizadamente, parecendo que estávamos em um bar falando sobre quadribol.
Draco parou de falar, e eu fiz um gesto, indicando para que ele concluísse.
— Bom, o mais importante disso tudo é que ele me perguntou por que eu havia ficado com você. Eu então disse que gostava de você. O Harry me fez mais umas perguntas sobre como havia acontecido e então foi embora, de uma hora para a outra, sem se despedir. Saiu pela porta e não o vi mais.
— É lógico que ele iria te procurar... Só que eu não esperava um comportamento desses. — Comentei enquanto levava uma mão ao rosto, em um gesto de desespero.
— Só te contei isso porque achei que precisava saber... Mas você bem que podia ter me contado que ele já sabia sobre nós dois. Ao menos, se a reação fosse outra, eu teria tempo para me preparar.
— Me desculpe... É que eu estava tão transtornada com tudo o que aconteceu que nem tive tempo para pensar nisso. — Falei sinceramente. — Menos mal. Afinal, vocês dois não brigaram.


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Eram quatro horas da tarde. Havia acabado de dar minha última aula naquele ano em Stonevalley. Me sentia muito triste em ter que deixar ensinar artes para as crianças. No começo, eu tenho que ser sincera, não gostava muito daquilo. Mas depois de um tempo, minha alegria era poder conviver com os campistas. Tivemos uma última aula bem alegre, mas no final, eu fiquei triste. Com certeza eu sentiria bastante saudade de poder ser útil para as crianças.
Mesmo com todo o clima triste que pairava sobre o acampamento, ainda teríamos uma festa a noite. Ao menos ela já estava toda pronta. Acabamos todos os preparativos pela manhã, o que me deu tempo a tarde para ir para a cabana conversar com Mione.
— Não acredito nisso! — Exclamou ela. Eu havia acabado de contar sobre o encontro entre Draco e Harry.
— Realmente é difícil de crer nesse comportamento por parte do Harry... — Completei.
Hermione fez uma pausa, analisando toda a situação.
— Mas você tem que me agradecer, Gina... Eu que preparei o Harry para isso. Se ele soubesse tudo de uma vez, a reação teria sido bem diferente.
— Mesmo assim acho que não vai adiantar muito. — Comentei, com receio do que eu havia acabado de dizer fosse verdade. — O Harry é muito orgulhoso. Não vai aceitar nunca o fato de eu ter ficado com Draco Malfoy enquanto namorava com ele.
Mione soltou um suspiro. Ela então deu sorriso bem fraco.
— O Harry pode até ser muito orgulhoso, mas ele te ama. — Mione disse pensativa. — E mesmo que demore algum tempo, ele irá te perdoar.
— Tomara que você esteja certa, amiga... Tomara.


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Foi anoitecendo e eu comecei a me aprontar para a festa. Não estava com clima nenhum para comemorações, mas não tinha como eu não ir. Joey e eu havíamos nos esforçado tanto para que tudo desse certo naquela festa, eu não podia decepcionar. Hoje seria um dia feliz, mas amanhã todos já estariam mais tristes, pois seria o último dia em Stonevalley.
Eu tinha minhas próprias preocupações. Ou melhor, uma preocupação apenas, mais que me consumia como um todo. Harry... Ele ainda não havia me dado uma resposta, e eu não havia me decidido ainda se aquilo era um bom ou um mal sinal.
— Não se preocupe tanto, Gina... Tente curtir um pouco a festa. — Aconselhou Mione enquanto nos arrumávamos.
Para ela era fácil dizer aquilo, já que não estava no meu lugar. Minha situação não era nada fácil. Mas em um ponto ela tinha razão, eu não devia me preocupar tanto... Não ia mudar nada a essa altura dos acontecimentos.
Eram quase sete e meia da noite quando chegamos ao acampamento central. Muito já haviam vindo para a festa, mas Draco Malfoy ainda não chegara.
Uma gélida noite de verão. Era assim que estava aquele último sábado em Stonevalley. Todos usavam bastante roupa, tentando se proteger daquele frio noturno.
Apesar do céu ter poucas estrelas, a noite era linda. Com uma lua cheia que estava bem amarelada, proporcionando um cenário romântico.
A decoração da festa era um caso à parte. Tudo havia ficado perfeito, apesar de não termos tido um tema fixo para ela. Então resolvemos fazer um mistura de todas as outras festas, aproveitando um pouco da decoração de cada uma, e fazendo uma espécie de túnel do tempo.
Não pude deixar de me sentir meio nostálgica ao olhar para tudo aquilo e me lembrar das festas anteriores. Aqueles momentos especiais que eu vivera iriam ficar eternizados em minhas lembranças.
Hermione percebeu que eu estava um pouco desligada e pensativa.
— Vai dar tudo certo. — Ela me incentivou. “Ah! Como eu queria ter essa certeza!” pensei.
Quando eram mais ou menos oito horas, Draco apareceu. Ele não veio falar comigo, e eu agradeci por isso. Naquele momento eu não queria ter que ficar conversando com ninguém.
Tentei dançar um pouco, comer e beber alguma coisa, mas nada tirava da minha cabeça as preocupações. Ninguém estranhou eu não estar me divertindo. Afinal, todos estavam cabisbaixos por ser essa a última festa em Stonevalley.
— Se você continuar desse jeito, as coisas só tendem a piorar, Gina... — Disse Hermione tentando me animar. — Não vai adiantar nada você ficar assim.
Bufei, me sentindo irritada. Não com Mione, mas com a vida no geral.
— Eu ainda tenho esperança de que Harry me perdoe. — Falei, infeliz.
— Bom, já são quase meia-noite. Hoje ele não vem mais falar com você. — Disse ela, tentando me confortar. — O que a gente tem que fazer agora é dormir e esperar até amanhã.
— É... — Concordei. — Isso é o que tenho feito mais... Esperar e esperar...


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Os primeiros raios de sol iluminaram a cabana. Eu acordei. Me levantei da cama e me espreguicei.
Mione ainda dormia pesadamente. Preferi não acorda-la. Vesti uma roupa qualquer e saí da cabana.
O dia lá fora prometia ser bastante quente. Algo não tão raro naquele verão... Noites frias... Dias quentes...
Os únicos poucos sons que se ouviam naquela hora vinham todos da natureza. Poucas pessoas acordavam tão cedo. Eu era uma delas.
Apesar disso, não tinha rumo algum. Acordei por acordar. Só sabia que a única coisa que eu queria naquele momento era que as horas passassem tão rápido como os minutos.
Sem nem ter idéia do que fazia, me deixei ir até a cidade. Então cheguei na praça de Stoneville. Há uma semana atrás eu havia estado lá... Chorando... Me lamentando. E mesmo depois do tempo ter se passado, a situação não mudara muito. Lá estava eu novamente, lamuriando sobre a minha vida, tentando colocar meus pensamentos em ordem...
Sentei em um banco qualquer e uma lágrima escorreu pelo meu rosto... Eu havia decidido que não choraria mais pelo Harry, pelo Draco ou por qualquer coisa relacionada a eles, mas era impossível.
Já não agüentava mais. Não tinha um segundo que eu conseguisse esquecer aquilo. Era uma tortura ficar pensando em meus problemas enquanto o tempo não passava.
Poderia até soar bastante dramático, mas a situação não tinha nada de nova. O problema atual já me atormentava a tempos... Nem me lembrava qual fora a última vez em que sorrira.
As primeiras pessoas começaram a chegar até a praça. Crianças, mães, velhos... Caras felizes! Se divertindo? Talvez... Aquilo sim parecia uma vida perfeita. Longe de preocupações. Será que aquelas pessoas não tinham problemas?
Uma pequena cidade, com moradores pacatos e felizes. Todo mundo na rua se conhecia. Eu nunca havia pensado muito sobre isso, mas não sei porque me deu uma vontade de morar em um cidade como Stoneville.
Longe das grande metrópoles trouxas, a vida em Stonevalley parecia ser bastante tranqüila. Talvez até bucólica a uma primeira vista. Mas há pessoas que sabem apreciar a paz das cidades interioranas.
Mesmo com aquele clima tão agradável, minhas preocupações voltaram. Ah, como eu queria falar logo com o Harry e por um ponto final de vez nessa história. Mas eu tinha medo... Medo de ouvir um “não”... Medo de que as coisas não pudessem voltar a ser como eram antes.
Meus olhos focalizaram o pequeno hotel de Stoneville. Harry estava lá agora. Provavelmente dormindo. Se eu tivesse coragem o suficiente, talvez eu pudesse ir até lá... Mas não... Ele com certeza acharia que eu o estava pressionado e ficaria muito irritado comigo.
Estava tão imersa em meus pensamentos que nem notei que uma pessoa havia acabado de se sentar ao meu lado no banco. Tomei um susto ao me virar e ver quem era.
— Harry? — Perguntei, não acreditando no que meus olhos viam.
Ele tinha uma cara bastante impassível. Apesar disso, não parecia muito irritado.
— Oi, Gina. — Cumprimentou ele amigavelmente. Seus olhos verdes focalizados em mim. — Não esperava te encontrar por aqui.
— Não consegui dormir muito bem essa noite. Estava muito preocupada. — Desabafei.
— Preocupada conosco? — Aquilo não era bem uma pergunta, já era uma quase-afirmação.
Balancei a cabeça positivamente.
— Eu não agüento mas essa situação, Harry... — Confessei. — Estou muito aflita com tudo isso. Eu sei que não posso te cobrar muita coisa depois do que eu te fiz, mas eu quero uma definição. Não posso continuar vivendo assim, sem rumo... sem futuro...
Nessa hora Harry abriu uma expressão mais serena em seu rosto.
— Já tenho uma definição pra você... — Ele disse, em um tom de voz um pouco mais frio do que o de costume. Harry ficou olhando para o chão.
— E então?... — Estava bastante aliviada em saber que aquela situação se resolveria logo, mas mesmo assim preocupada com o que viria a seguir.
— Você me ama, Gina? — Perguntou ele subitamente, se virando e me encarando nos olhos.
Eu, com uma calma muito anormal, segurei suas mãos entre as minhas.
— Amo muito... — Falei, quase em um sussurro.
Ele se calou por um momento.
— Então não há motivos para não continuarmos juntos... Porque eu te amo também, Gina.
Harry soltou suas mãos das minhas e me abraçou fortemente. Lágrimas começaram a rolar na mesma hora pelo meu rosto.
Fazia tempo que eu não o sentia perto de mim. Não sentia todo o calor do seu corpo. Era muito reconfortante poder abraça-lo. Principalmente porque eu sabia que ele havia me perdoado.
Ficamos mais alguns minutos assim e depois ele sussurrou ao meu ouvido:
— Pode acontecer o que for, mas eu sempre vou estar ao seu lado.
Eu e ele sorrimos enquanto olhávamos as pessoas contentes em volta da praça... Afinal, agora eu não precisava mais ter inveja delas.


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E assim foi como aconteceu o verão mais agitado da minha vida. Em que todo dia era uma novidade para mim. Uma excitante e extraordinária descoberta. Mas, no final de tudo, as coisas voltaram a ser como eram antes. E eu fico feliz que tenha acabado assim.
Inclusive, eu não tenho mais do que me queixar. Realizei os meus sonhos. Me casei com o Harry um ano depois do verão que passei em Stonevalley. E nós dois fomos morar em Stoneville, “a capital mundial da beterraba”. Foi difícil convence-lo a se mudar para a América, e ainda por cima morar em uma cidade no interior, mas por fim consegui. Agora eu poderia dizer que estava levando a vida que eu sempre quis.
Hermione, como sempre, continuava morando em Nova York, com o meu irmão. De vez em quando eles vem até Stoneville visitar a gente. Acabou acontecendo, que no verão seguinte, nós quatro passamos as férias no Havaí. Um lugar sugerido por Rony.
O acampamento continuou lindo como sempre. Ás vezes, eu ia até lá, ficava olhando o lago, e imaginando o que teria acontecido se eu tivesse preferido o Draco ao em vez do Harry. Não que eu quisesse ficar me prendendo ao passado. Mas sempre ficou na minha cabeça esse questionamento.
Falando nele, nunca mais tive notícias suas. O que era uma pena, pois eu guardava um carinho muito especial por ele. Mesmo assim, nunca vou me esquecer dos bons momentos que tive ao seu lado.
Sabem como é... Uma decisão pode mudar nossa vida... E eu fiz a minha escolha. Mas não sem uma ajudinha da força do destino.

FIM

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