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7. Um pequeno detalhe


Fic: Um pequeno detalhe


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Como se tudo tivesse sido planejado, a prisão dos quatro Comensais restantes só aconteceu na semana seguinte, no dia anterior ao de desembarque. Aos quarenta e seis do segundo tempo, como Harry costumava dizer.

Estavam no meado de setembro, faltavam poucos dias para o seu aniversário e Hermione estava sentada em seu gabinete trabalhando com algumas pesquisas. Por mais absorta que estivesse em seu trabalho, a preocupação tomava conta dela e aumentava a cada instante.

Olhou pela vidraça da janela. Lá fora a chuva caía pesada e incessantemente. O que estaria acontecendo com ela? Levantou-se rapidamente, pegou o sobretudo que jazia pendurado em uma cadeira na sala e colocando-o, saiu do seu apartamento, as chaves do carro seguros em sua mão, enquanto a outra carregava uma bolsa.

Entrou no carro e arrancou, deixando o prédio para trás. Sabia perfeitamente onde ir e o faria sem que ninguém soubesse. Todos os sinais dados, tudo era muito óbvio, agora precisava de uma resposta concreta, resposta que teria em três dias.

Feito o que pretendia, pegou a estrada e seguiu para a casa de seus pais. Se existia alguém melhor para entendê-la sem julgá-la, para conversar e confortar, esse alguém, com toda certeza, era a sua mãe. Não lhe contaria nada ainda, mesmo sabendo que era importante lhe falar de sua decisão. Comemoraria o seu aniversário; um fim de semana na casa de férias com os amigos e seus pais seria perfeito.

No caminho, pensava em uma maneira de reunir todos, sem exceção. Sabia perfeitamente que Harry estava em uma missão desde que retornaram da última e só retornaria dali a três dias; Ginny, Cho e Draco, estavam trabalhando na Polônia e deveriam retornar no dia seguinte; Ron estava de férias e o restante da família Weasley estaria toda reunida na semana seguinte, segundo a Sra. Weasley, com quem falara no dia anterior. Se tudo corresse como planejara, seria no dia dezenove mesmo.

Seu rosto agora estava banhado em lágrimas. Tomara uma decisão difícil...

“Mas necessária”, pensava.

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- Srta. Granger, eu acho que está se precipitando. – dizia Rufo Scrimgeor.

- Infelizmente tenho que fazer isso, Sr. Ministro, eu realmente não queria. – ela replicou.

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Pronto! Tudo estava resolvido.

Estava na casa de férias, acabara de chegar. Apenas seus pais estavam lá. Aquele era o momento de conversar com eles, contar o que estava acontecendo e de sua decisão. Em apenas uma semana, conseguira organizar tudo e esperava que o mundo não desmoronasse em sua cabeça agora.

- Oi, filha! – disse a mãe de Hermione indo recebê-la na porta.

- Oi, mãe. – ela abraçou a mãe e dirigiu-se para o pai. – Pai... – deu-lhe um beijo na bochecha.

- Como está, querida?

- Estou bem. – ela respondeu tristemente.

- Pude captar uma nota de tristeza em sua voz, filha. – observou o Sr. Granger. – Aconteceu alguma coisa?

Hermione olhou da mãe para o pai e dele novamente para a mãe.

- Acho que precisamos conversar. – disse decidida, a voz firme.

Contou a eles absolutamente tudo o que estava se passando, ao que os pais ouviram silenciosos, sem contestar uma vírgula sequer.

- ... E eu estou me mudando para a Dinamarca. – ela disse por fim.

- Mas, princesa, você poderia resolver tudo isso sem se precipitar. – afirmou o pai. – Aliás, não vejo motivo para tudo isso. Está fazendo uma tempestade em copo d’água!

- Filha, seu pai está certo. Pense melhor antes de tomar qualquer atitude. – concordou a Sra. Granger.

- Mais do que já pensei? Mãe, estou em uma cama de gato, uma teia que nem eu consigo desfazer...

- Mas ele tem direito de saber.

- Algum dia, talvez. Por enquanto vou seguir com a minha vida. – concluiu Hermione. – Só peço que não comente nada com ninguém.

- Não se preocupe, querida. – disse a mãe abraçando-a.

---


A casa cheia, todos estavam ali, mas ninguém imaginava que talvez fosse a última vez que se reuniriam com a presença dela. Durante o jantar, logo após todos terem parabenizado Hermione, que completava vinte e dois anos aquele dia, Harry a chamou.

- Com licença. – pediu para chamar a atenção da amiga, que conversava com algumas amigas. – Hermione, será que poderia vir comigo?

- Claro, Harry. – respondeu. – Só um minuto, eu já volto.

Foi com Harry até o lado de fora da casa. O céu estava nublado e o tempo, há alguns dias, não permanecia firme.

- O que houve? – ela perguntou virando-se para ele.

- Acho que eu era quem deveria estar fazendo esta pergunta. – ele disse sério. – O que está acontecendo com você, Hermione? Sempre foi uma mulher tão alegre, que gostava de conversar e, de uns tempos para cá, está tão diferente... Tão mudada!

- Não é nada, Harry. Apenas algumas preocupações, nada demais. – ela respondeu com convicção.

- Tem certeza? – ele insistiu.

- Tenho. – ela o olhou nos olhos, os olhos verdes que nunca mais veria. Abraçou-o, abraçou-o com força e o moreno, mesmo tendo sido pego de surpresa, correspondeu ao abraço, sem entender muita coisa.

Segura, era como ela se sentia naqueles braços. Talves Lizzie estivesse mesmo certa. Ela vivia para os outros e acabava se esquecendo de viver para si mesma, se esquecendo de enxergar seus sentimentos, esquecendo como era bom ser uma adolescente e viver as aventuras mais icomuns ao lado de seus amigos... Talvez ela o amasse mais do que a si mesma, talvez a amizade tivesse camuflado aquilo por todos aqueles anos, talvez ela fosse tão ingênua do que era anos atrás.

Afastou-se lentamente do amigo, com um leve sorriso nos lábios e os olhos fechados, a fim de guardar aquele momento consigo para sempre. Sentiu os lábios quentes de Harry tocarem os seus, transformando-se num beijo profundo. Naquele momento a chuva começara a cair, primeiro lenta e depois fortemente. Depois de algum tempo, ela se afastou dele, que observou seu rosto angelical sorrir uma última vez para si e lentamente se afastar.

Encharcada, passou rapidamente por suas amigas, se despediu de todos de uma maneira um tanto diferente, o que não deixaram de notar, e subiu, alegando estar cansada. Já era tarde, passavam das onze. Foi diretamente ao banheiro, trocou de roupa, colocando o pijama costumeiro; calça comprida, camiseta baby-look, meias nos pés e o rabo de cavalo alto e frouxo. Deitou-se em sua cama e pegou o pergaminho que deixara dobrado e lacrado sobre o criado-mudo. Escrevera aquela carta para ele e a deixaria em seu quarto antes de sair. Leu-a novamente e uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Nunca chorara tanto em sua vida! Sentia-se sensível, vulnerável.

Dormiu tranqüilamente, sabendo que no dia seguinte, aquela hora, ela estaria saindo dali.


Levantou cedo, como de costume e desceu para tomar o seu café da manhã. Algumas pessoas já estavam espalhadas pela sala, dentre elas Lizzie que tomava seu café, Ron e Luna que estavam sentados no sofá conversando com Draco e Ginny, cada um com uma criança nos braços.

- Bom dia! – ela cumprimentou sentando-se à mesa.

- Bom dia! – cumprimentaram todos.

- Já tomaram café? – ela perguntou.

- Tomamos bem cedo, quando acordamos por causa desses dois pestinhas aqui. – disse Draco brincando com o menino.

- Ron? Luna?

- Já tomamos, Mione. Obrigada! – agradeceu Luna.

- Adoro ter a casa cheia! – disse a mãe de Hermione saindo da cozinha com uma bandeja nas mãos, depois dirigindo-se a filha e dando-lhe um beijo na bochecha.

- Sra. Granger, a sua casa é maravilhosa! – disse Lizzie.

- E a comida também! – disse Ron divertido.

Todos riram do comentário do ruivo.

- Obrigada, querido! – agradeceu a Sra. Granger. – Todos os outros ainda dormem?

- Parece que sim, mamãe. – respondeu Hermione.

- Se demorarem muito não vão aproveitar o dia maravilhoso que está fazendo lá na fonte. – ela avisou. – Sabem que o tempo não está ajudando muito nos últimos dias.

- Todos têm o hábito de levantar cedo, Sra. Granger. – disse Ginny. – Mas não passa das sete e ontem todos dormiram tarde.

“Meu último dia com eles...”, pensava Hermione enquanto lutava contra a tristeza.

Hermione curtiu ao máximo o tempo que tinha com os amigos. Era como se todos tivessem voltado à adolescência, como se estivessem todos no sétimo ano de Hogwarts, quando tudo começara a mudar... O casamento de Gui e Fleur... Harry, Hermione e Ron saíram a procura dos Horcruxes, o que afastou o moreno de Ginny, que acabou alimentando uma nova paixão... Quando voltaram Ron e Hermione terminaram o pequeno namoro que tiveram de forma civilizada e ele logo começou a namorar Luna... O casamento dos dois, a reconciliação de Ginny com a família, a ruiva descobrindo que estava grávida... O último encontro do trio no Mirabelle, a chegada de Lizzie Mackenzie, o jantar em sua casa, Mirabelle, missão, os beijos de Harry, sinais, segredos, descobertas, a noite anterior... Vinte e dois anos! Tudo passava como um flash pela cabeça de Hermione.

Aquela noite, eles resolveram fazer uma espécie de luau, aproveitando que o tempo se firmara e o céu estava límpido e estrelado, a lua cheia e branca. Quando todos se distraíram, Hermione entrou em casa e encontrou os pais sentados assistindo TV.

- Mãe, chegou a hora. – ela disse. – Vou subir e deixar a carta no quarto dele, depois vou levar o restante das minhas coisas para o quarto e devo estar saindo daqui a umas duas horas.

- Filha, não faça isso! – pediu a mãe. – Eu compreendo a sua decisão, mas ainda acho que deveria dar tempo ao tempo. Tudo se resolve!

- É preciso, mãe. Você sabe disso!

Ela deixou a sala olhando, cúmplice, para seus pais, a tristeza tomando conta de si. Foi a seu quarto, pegou a carta e seguiu para o quarto dele, deixando-a no criado-mudo. Feito tudo o que planejara, voltou para a festa e tentou se divertir.

- Harry? – chamou Lizzie. – Vem aqui.

Harry disse algo a Ron que Lizzie não pôde escutar e foi até ela.

- Daqui há mais ou menos vinte minutos, vá a seu quarto. – foi tudo o que Lizzie disse, depois se afastando. Harry fitou o lugar onde a mulher estava instantes atrás, confuso.

Onze horas. Hermione abraçou a todos como se fosse a última vez que os veria.

- Gente, eu vou entrar. Não estou me sentindo muito bem. – foi o que disse antes de se retirar. Mas ela não entrou em casa. Primeiro foi até a pedra que ficava em frente ao imóvel e sentou-se abraçando as pernas e observando a paisagem montanhosa.

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Harry fez exatamente o que Lizzie dissera. Foi ao seu quarto e observou tudo, até os mínimos detalhes. Viu um envelope sobre o criado-mudo e se aproximou. A caligrafia, conhecida há muito, o lacre e o pergaminho lhe eram familiares. “Só pode ter sido...”, pensou. Ele pegou a carta e a abriu. Ali jazia a escrita caprichosa de Hermione Granger, sua melhor amiga.

Harry,

É com muita tristeza que hoje deixo esta carta para você. Eu sei que poderia ter dito tudo o que está aqui pessoalmente, mas quando você a ler, já estarei longe. Só quero que saiba que nunca me esquecerei de você, haja o que houver. Você sempre será aquele amigo de todas as horas, o menino-que-sobreviveu, o auror mais corajoso que conheci, o meu companheiro de trabalho, meu porto seguro, meu cúmplice e, o mais importante, o homem que eu amo. Talvez não sinta o mesmo por mim, talvez eu seja apenas uma amiga... O que for... Eu o amo! Posso ter demorado a enxergar, posso ser uma mulher ingênua, mas eu descobri que você é a pessoa mais importante para mim.
Obrigada por tudo o que você fez por mim, todos os momentos que me proporcionou, por sempre estar ali, do meu lado quando eu precisei. Você foi aquele amigo que compartilhou de tudo comigo. Nos momentos de vitória, você estava lá para comemorar comigo, nos momentos de perda, você estava lá para me consolar, nos momentos de alegria, você estava lá para sorrir comigo, nos momentos de tristeza, você estava lá para chorar comigo... Quando precisei de um ombro amigo, você estava lá para se oferecer, me ouvir. E é por isso que só tenho que agradecer a você. Foram tantas as aventuras e enrascadas em que nos metemos, tantas coisas vivemos juntos... Você me ofereceu a vida que nenhum outro alguém poderia me dar.
Hoje paro e penso em como nós mudamos, em como nossa relação mudou. Desde aquela tarde no
Sun Palace, muita coisa mudou, mesmo sem que percebêcemos. E foi tudo tão rápido! Às vezes me perguntou se não estou fazendo tudo errado, se devo ou não cumprir com a minha decisão, mas vejo que é preciso. Penso que não sou a pessoa certa para você, que você nunca vai me olhar como mulher...
Por isso, estou deixando o país ainda esta madrugada. Algum dia, poderemos nos encontrar, quem sabe, e eu então estarei vivendo a minha vida. Talvez eu tenha mudado, esteja diferente e com filhos nos braços, casada e feliz, não sei. Espero que seja feliz com o alguém que você escolher e que possa me entender. Se um dia fomos mais que simples amigos, esse dia estará guardado comigo para sempre, porque eu sempre te amarei.
Um grande beijo,

Hermione Jane Granger


Harry terminou de ler e desceu as escadas o mais rápido que pôde. Precisava encontrar Hermione. Olhou em todos os cômodos da casa... Nada. Lá fora ela não estava, com toda certeza. Vira quando ela deixara a festa. Correu para os fundos. Lá estava ela. Sentada na ponta de uma pedra. Correu para lá.

- Hermione, você não pode fazer isso! – ele disse pegando-a de surpresa.

Hermione se pôs de pé. Tudo dera errado! Ele descobrira antes...

- Harry, eu preciso... – ela disse se levantando e correndo dali.

- Hermione, não! – ele berrou e todos da festa olharam na direção para onde ela corria. Ele foi atrás dela e a puxou para si, beijando-a.

Hermione se entregou àquele beijo, velado e iluminado pela lua e aplaudido pelos amigos. Quando se afastaram, ela sorriu para ele, pegou sua mão e aproximou de sua barriga, ao que ele também sorriu e os dois beijaram-se novamente.

Daquele dia em diante, eles não eram apenas amigos e cúmplices, mas também amantes.

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