FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

3. Descoberta


Fic: Lembrança de Casamento


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Descoberta


_ Eu gostaria de falar com a Cissy antes de ir... – falou Andromeda, praticamente suplicando – podemos esperar mais um pouco?

Sirius soltou um suspiro irritado, mas acabou assentindo. Todos os convidados agora tornaram a sentar em seus lugares para esperar a passagem dos noivos por suas mesas para receber os cumprimentos. A julgar pelo caminho traçado pelos noivos, que começaram pela mesa dos Malfoy e depois seguiram para mesa dos Black, Lucius e Narcissa não chegariam tão cedo à mesa deles.

Sirius e Andrômeda continuaram sentados em sua mesa isolada. Ela parecia cada vez mais ansiosa a observar a irmã caminhar pelo salão com o marido, parando por longos minutos nas mesas das famílias mais nobres e ricas de toda a Grã-Bretanha. Sirius estava estranhamente inquieto: a noite estava sendo realmente esquisita e tudo o que ele gostaria era pegar Andromeda pelo braço e sair com ela dali o mais rápido possível.

Quanto mais o tempo passava, mais ansiosa Andromeda ficava. Com um rápido e cada vez mais irritado olhar no salão, Sirius considerou que a chance de Narcissa chegar à mesa deles antes do final da noite parecia ser a mesma de ele ser convidado a juntar-se à mesa dos Black. Minutos depois, Narcissa estava tão distante que ele precisou se corrigir: agora, seria necessário que Orion e Walburga pedissem, pessoalmente, para que ele se sentasse entre eles. E, então, receber dos pais amados um carinhoso cafuné.

Seu cérebro ainda parecia não conseguir raciocinar direito sobre tudo o que havia acontecido e, antes que ele terminasse de calcular o quão surreal tudo parecia, novamente aquela estranha presença o cercou. Que raios poderia ser aquilo? Por que é que ela estava fazendo aquilo? Não houve dúvida: mais um rápido olhar pelo salão e lá estava Bellatrix, com seus olhos negros e enigmáticos fixados nele. O que ela pretendia com aquilo? Deixá-lo louco, provavelmente! Primeiro, olhava-o como se quisesse devorá-lo, mas, segundos depois, importava-se menos com a sua presença do que com a de um simples inseto inoportuno. E agora punha-se novamente a admirá-lo?

Sirius levantou-se irritado e, sem nem se dar ao trabalho de explicar coisa alguma a Andromeda, rumou a passos firmes em direção às fontes de bebidas. Se existia alguém ali que ainda não tinha notado sua inusitada presença, certamente agora o tinha feito, fato com o qual ele não se importou nenhum pouco. Seus passos firmes e irritados foram observados por muitos olhares, alguns curiosos, outros reprovadores, mas nenhum deles incomodava mais o moreno do que a consciência da sufocante pressão feita pelo pesado olhar de Bellatrix, que ele sabia estar acompanhando cada um dos seus movimentos.

Cada vez mais confuso com todo o desenrolar da noite, Sirius permaneceu parado entre as duas fontes, hesitando ao pegar uma das taças de cristal que estavam cuidadosamente empilhadas, e irritou-se mais uma vez. Desde que saíra da casa dos pais para viver com os Potter, ele nunca mais provara um vinho tão bom quanto o guardado na adega dos Black. Chegou a estar prestes a servir-se, mas, de alguma maneira, aquele vinho pareceu relembrá-lo de tudo que aquela maldita família representava. Servir-se dele pareceu tão despropositado que ele não chegou a mergulhar a taça no líquido rubro que vertia da fonte. Já bastava de lembranças inconvenientes por uma noite...

A champagne dos Malfoy não parecia tão saborosa, mas Sirius cogitou servir-se dela só para ter algo para beber. Se ao menos servissem logo o firewhisky, ele não precisaria se preocupar em ir embora tão cedo, mas não havia sequer um maldito garçom por perto... A tentativa de se decidir por qual bebida tomar foi rapidamente abandonada quando Sirius sentiu aumentar ainda mais, se é que isso era possível, a sensação sufocante gerada pela presença de Bellatrix.

Sem precisar olhar para ela, Sirius soube que a prima estava vindo em sua direção. Como se alguém tivesse lançado um feitiço de isolamento acústico no salão, tudo o que ele conseguia ouvir era o barulho ritmado dos saltos de Bellatrix, se aproximando lentamente pelo salão, até parar à sua frente. Ele havia percebido sua aproximação, mas não chegou a encará-la, apenas sentia sua presença, agora verdadeiramente próxima. Ele sabia que ela ainda o olhava daquela maneira estranha e irritante que conseguia, ao mesmo tempo, deixá-lo louco de ódio e de desejo.

Em poucos segundos, eles estavam separados apenas pela fonte de vinho. Sirius, por algum motivo que ele simplesmente desconhecia, não foi capaz de encará-la. Ele não conseguia entender. Não sabia por que não saía dali, levando consigo Andromeda. Tudo o que mais queria não era exatamente ir para fora daquela maldita casa, para longe daquela maldita família o mais rápido possível?

Ela estava ali, à sua frente. Ele poderia dizer todos os desaforos que pretendia, tirar satisfações sobre toda aquela loucura, mas era como se ele soubesse que deveria esperar. Se ela tinha vindo até ali, era porque ela tinha algo a dizer. Então ele apenas esperou, parado, confuso e irritado, fitando minúsculas bolhas de vinho que se formavam na parte debaixo da fonte.

_ Como ousa de pisar novamente nesta casa? – começou Bellatrix, medindo, com olhos brilhantes de cobiça, cada centímetro do moreno à sua frente, enquanto fingia estar experimentando uma taça de vinho, que não chegou penetrar-lhe os lábios.

Enfim, ele estava certo, ela tinha mesmo algo a dizer, mas não era isso que Sirius esperava ouvir. Porém, ao perceber que a prima o encarava tão intensamente por trás da cascata de líquido bordô que os separava, Sirius sentiu um arroubo de desejo perpassar fortemente pelo seu corpo quando a viu levando aos lábios também vermelhos duas gotas do vinho rubro que escorreram da taça em direção à sua mão alva. Sirius emudeceu ao contemplar a morena diante de si, lembrando-se, involuntária e irritantemente, das muitas vezes em que ela o provocara, anos atrás.

_ Andy me obrigou a vir. Ela ainda acredita que Narcissa tenha “salvação”, o que, visto o homem com quem se casou, é bem pouco provável... – ele respondeu, de maneira seca e sarcástica, pela primeira vez erguendo os olhos em direção à prima e tentando fortemente ignorar todo o fluxo de sentimentos que o invadia.

Bellatrix sentiu uma onda de satisfação inundar-lhe o corpo, ao constatar os efeitos que seus poucos gestos causaram no homem à sua frente. Para ela, não havia nada mais saboroso que este doce momento de sedução e a sensação da conquista. A consciência de ser desejada por praticamente todos os homens daquela festa e, possivelmente, por todos os que a conheciam dava a ela uma imponência e sensualidade ainda maior.

_ Mas, certamente, você não precisaria ter ficado para a festa... – continuou provocante, tirando, subitamente, Sirius do “transe” em que o moreno se encontrava.

Depois de um segundo para recuperação dos pensamentos, enquanto Sirius desviava seus olhos do decote que Bellatrix circundava de maneira casual, passando levemente os dedos pelo tecido, ele deixou escapar dos lábios um som indefinido, uma inusitada mistura de gargalhada e latido, por entre o sorriso ladino e irônico.

_ Minha presença te incomoda tanto assim? É por isso que não consegue parar de olhar para mim, Bellatrix? – perguntou o moreno, ampliando ainda mais o sorriso, o que, por um momento, chegou a desconcertá-la.

Os lábios do moreno sorriam com aparente deboche, mas os olhos brilhavam com um sentimento diferente. Embora não visse Sirius há muito tempo, Bellatrix tinha experiência suficiente com homens para reconhecer aquele brilho. Era assim que todos a olhavam, num misto de desejo e cobiça, às vezes acompanhado de admiração, às vezes de condenação. Jovens e velhos, casados ou solteiros, parentes ou desconhecidos, ela estava acostumada a ter todos a seus pés.

Bellatrix sorriu satisfeita ao ver que como o primo não era diferente. Ele podia se considerar diferente, rebelde ou qualquer outra bobagem que quisesse, mas ela via, dentro daqueles olhos prateados, o mesmo brilho luxurioso que ela sabia ser reservado somente para si. Fora assim quando ela desfilava pelo corredor da mansão dos Black, a certeza de que ele a observava, durante os muitos verões que passou lá. E era assim agora. Ela sabia que ele a desejava.

A despeito do que transparecia pelos olhos, Sirius ainda sorria de maneira casual e interrogativa, podendo-se até supor que o fazia com certa indiferença, caso não tivesse Bellatrix diante de si. Antes que a mulher pudesse responder a pergunta feita, uma movimentação inquieta ao longe se fez notar. Desviando os olhos de Sirius, ela percebeu a aproximação do marido, que vinha em sua direção a passos largos e decididos, fazendo retinir o barulho dos duros saltos do sapato caro pelo salão.

_ Acho que já se serviu o suficiente deste vinho, querida... - falou Rodolphus, parecendo muito irritado, tocando-lhe o braço com certa rispidez, na intenção de conduzi-la de volta pelo salão e ignorando completamente a presença de Sirius ali.

Com um movimento curto, porém brusco, Bellatrix libertou braço do aperto que o marido tentava lhe dar. Olhou desafiante para ele, como se o avisasse para não se atrever a tocá-la novamente, recusando-se a mover qualquer outro centímetro na direção que ele pretendia levá-la.

_ Sua tia a espera em nossa mesa, diz que quer falar-lhe sobre algo importante... – insistiu, de maneira ainda mais visivelmente irritada, provavelmente por ter que dizer isso na frente de Sirius, e indicando ao longe uma mesa em que a distinta senhora Black os olhava severamente.

_ Então vou levar uma taça de vinho para titia Walburga... – falou, num inconfundível tom de deboche, virando-se para olhar diretamente para Sirius com o triunfo estampado no rosto – certamente ela quer me falar sobre a herança, agora que Regulus está morto... Afinal, ela não tem mais filhos... – completou, com a voz carregada de sarcasmo, sem demonstrar nenhum incômodo com a situação.

Sem pressa alguma, ela encheu mais uma taça na cascata de vinho tinto, enquanto sentia Sirius e o marido travarem uma silenciosa batalha de olhares furiosos que lançavam um ao outro. Com toda a sua graça e delicadeza, ela se virou sem olhar para nenhum dos dois, distanciando-se da fonte e cruzando o salão de maneira imponente, as taças seguras nas mãos, em direção à mesa na qual a mãe de Sirius a esperava.

Rodolphus a seguiu rapidamente. Parecia estar prestes a lhe dizer algo, mas limitou-se a acompanhá-la pelo salão. Sirius permaneceu imóvel por um instante; até então, não sabia da morte do irmão, mas a notícia não o atingira em nada e, muito menos, o fato de saber que a mãe não o considerava mais como filho. Aliás, isso era para ele um grande alívio. Há muito tempo o que acontecia naquela família não lhe dizia respeito e nem lhe interessava.

Com exceção de Andy, é claro! Ao pensar na outra prima, como se um balde de água fria caísse em sua cabeça, ele se deu conta de sua demora. Andromeda deveria estar sozinha à mesa, olhando, deprimida, os demais membros da família Black a ignorarem, como sempre faziam desde que ela havia saído de casa para casar-se com Ted Tonks.

Com rapidez e até um pouco de rispidez, Sirius encheu uma taça de vinho, na tentativa de justificar sua ausência, e seguiu de volta para a mesa em que a prima esperava. Mas ela não estava sozinha nem deprimida. Narcissa, ainda trajando seu glamouroso vestido de noiva, fazia companhia a ela e as duas riam, cúmplices. Com carinho, Andromeda ajeitava uma mecha loira que escorregara do complexo penteado da irmã caçula, enquanto a noiva lhe segurava a outra mão entre a suas de maneira terna.

_ Fico muito feliz que você tenha vindo... – falou a loira, num tom de voz fraco, como se dissesse um segredo que mais ninguém devesse escutar – Ter você e Bella hoje aqui... nós três juntas... apesar de tudo que aconteceu... – suspirou, sem precisar continuar a frase.

_ “Juntas”? - desdenhou Sirius, ao se jogar displicentemente em uma cadeira ao lado de Andromeda, colocando os pés na cadeira ao lado e quase sujando o vestido de Narcissa com as solas dos sapatos - Não sei bem se Lucius arrastar você como um troféu caro para fazer inveja aos amigos pelo salão... – falou, indicando a loira com um gesto – Bellatrix discutir com Walburga sobre como as duas vão gastar a minha parte da herança... – continuou, apontando agora para a mesa na qual a mãe e outra prima conversavam, no lado oposto do salão – enquanto Andy fica aqui, isolada nesta mesa, como se tivesse uma doença contagiosa, signifique propriamente “juntas”...

_ Sirius, por favor... – censurou Andromeda.

_ Muito bem... – falou Narcissa, levantando-se graciosamente e ajeitando uma das dobras do vestido – Acho que, agora que sua companhia voltou, eu posso continuar a “ser arrastada como um troféu caro” pelo meu marido... – falou sem muito entusiasmo, dando um leve beijo na irmã e se afastando.

_ “Um troféu caro” foi o jeito que você achou para dizer o quanto ela está linda? – perguntou Andromeda, irônica.

_ Não... – respondeu simplesmente colocando a taça com o vinho intocado sobre a mesa – é apenas um fato. Você é a única que se casou por amor, Andy, suas irmãs se casaram por poder ou dinheiro...

_ Toujours Pur... – ela murmurou simplesmente, com um suspiro, voltando seu olhar para a mesa dos parentes e vendo Bellatrix se afastar com o marido – O que foi que Bella lhe disse quando vocês se encontraram na fonte? – perguntou, subitamente.

_ Bellatrix?! Por que você acha que ela se daria ao trabalho de falar comigo? – ele mentiu de maneira debochada, fazendo a prima solta uma pequena risada triste.

_ Certo... acho que sonhei, então... – cedeu, começando a parecer deprimida - Acho que já podemos ir embora, Sirius... – falou, olhando saudosa para o majestoso salão.

_ Não posso acreditar que você sente mesmo saudades desse lugar! – protestou, notando a nostalgia que fazia os olhos da prima brilharem.

_ Eles são a nossa família, Sirius... – suspirou, sabendo o que viria em resposta.

_ Não, Andy... eles são os Black, um monte de gente com o mesmo sobrenome! “Família” é o que você e Ted têm, principalmente agora com a Nimphadora...

_ Eu sei... – concordou, cabisbaixa – e é neles que eu tenho que pensar agora... vamos?

_ Vamos. Eu não agüento mais esse lugar! – ele apressou-se em tomar o braço da prima e conduzi-la para fora do salão.

Embora muitas famílias presentes na festa estivessem aproveitando a oportunidade para mostrar e ostentar o máximo de riqueza e poder possível, chegando em carruagens mais e mais luxuosas, como numa disputa velada e indireta pelo status, ainda sim, havia uma pequena área reservada para aparatação, já que alguns poucos convidados tinham chegado dessa forma. Sirius e Andromeda caminharam lentamente até lá e se prepararam para partir.

_ Você vai para casa? – perguntou Andromeda.

_ Prefiro ir direto para meu apartamento... – respondeu – quero dormir e acordar achando que nunca estive aqui, que foi só mais um pesadelo terrível...

_ Não foi tão ruim assim... – censurou a morena.

_ É claro que foi... – retrucou – você me deve anos e anos de favores prestados por esta noite!

_ Certo, eu concordo! – ela cedeu, brincando - venha almoçar com a gente amanhã, aposto que desde que você saiu da casa dos Potter só tem comido porcarias por ai...

_ Aceito seu convite, senhora Tonks... – ele sorriu maroto – nos vemos amanhã, então... – despediu-se, beijando a bochecha da prima.

Andromeda deu mais alguns passos dentro da área de aparatação, concentrou-se por alguns segundos e sumiu com um leve estalido. Sirius se preparou para fazer o mesmo, mas som de vozes discutindo veementemente perto dali chamou sua atenção. Dando a volta, pela lateral mais afastada da casa e prestes a curvar a esquina, ele pôde distinguir quem eram os donos das vozes furiosas.

_ Estou lhe avisando, Bellatrix... – Rodolphus parecia rugir – não se atreva a me insultar desta maneira...

_ Não cabe a você escolher a maneira com que devo lhe insultar, meu querido marido... – vociferou, sarcástica.

_ Eu sei de seus casos, dos brinquedinhos que você encontra por aí... – rosnava o marido entre os dentes – mas não admito que você se aproxime daquele moleque traidor!

_ Como você mesmo diz, meu bem, eles são meus brinquedinhos, portanto eu os escolho... – retrucou – mas quanto a isso não se preocupe... meu adorável priminho não está nos meus planos... – enfatizou a morena rudemente, dando as costas ao marido e voltando para dentro do salão.

Rodolphus acompanhou com um olhar furioso o andar da esposa, bufou irritado, deu um soco no parapeito da varanda onde estava e também entrou no salão. O silêncio onde antes havia gritos incomodou Sirius, deixando-o impaciente. As palavras ditas entraram-lhe pelos ouvidos, mas pareciam demorar ainda alguns segundos para fazer sentido. “Bellatrix trai Lestrange? E ele sabe?” Se não fosse tão estranho, talvez ele até tivesse rido da situação, mas outro pensamento o acometeu. “Lestrange não admite que ela o traia comigo! Ele a proibiu de fazer isso!"

Sirius conhecia Bellatrix havia tempo suficiente para saber que o marido da prima cometera um grande erro. Era óbvio que ela havia demonstrado um certo “interesse” nele, e o tinha deixado bem claro por conta dos longos olhares durante a cerimônia e da provocação ao pé da fonte, mas o fato de Rodolphus tê-la proibido certamente faria com que ela levasse as coisas para um outro nível. Um sentimento estranho preencheu o moreno. Algo dentro dele dizia-lhe que, depois disso, ele decididamente passara a estar nos planos dela.

Era a chance que ele secretamente esperou por anos, tão secretamente não ousava admitir nem para os amigos. Quantos verões James o convidara para passar na mansão dos Potter e ele recusara na simples esperança de ver Bellatrix em seus desfiles pela casa ou observá-la furtivamente pela fechadura ou pela porta entreaberta? Agora tinha chegado o seu momento, sua vez de saciar um dos desejos mais antigos de sua adolescência.

Ele não era mais o “pivete” que ela tantas vezes enxotara quarto afora quando se cansava de provocá-lo. Sirius agora era um homem quase tão desejado quanto a própria Bellatrix e sabia do seu potencial. Com a estratégia certa, ele também poderia jogar o jogo que Bellatrix propunha. E o melhor de tudo era que certamente poderia vencê-lo. Como prêmio, o sabor da vingança sobre aquela que lhe atormentou os sonhos na puberdade, somado ao da humilhação imposta ao homem que ousou proibir algo a Bellatrix Black.

Discretamente, Sirius voltou ao salão. O momento não poderia ser mais perfeito, pois todos os convidados estavam acompanhando a valsa dos noivos. Mas como encontrar Bellatrix ali? Como mostrar-se a ela sem que os demais convidados o vissem? Como... Antes que ele pudesse pensar mais a respeito, sentiu como se uma flecha lhe tivesse perfurado a nuca. Sentiu novamente aquela presença crescente que o cercava por todos os lados e sorriu, internamente satisfeito, ao constatar que não havia mais necessidade de procurá-la.

Como passos lentos, ele esgueirou-se pelas laterais do salão, de maneira a realmente não ser visto por mais ninguém. Ainda sentindo sobre si o peso do olhar de Bellatrix, começou a subir as escadas que levavam ao andar superior da mansão dos Black. Galgou rapidamente os degraus existentes, parando apenas no patamar do meio para um rápido olhar panorâmico do salão. Ninguém parecia interessado em observar nada além dos recém-casados, que deslizavam suavemente pelo mármore caro. Ninguém exceto Bellatrix, que acompanhava, incrédula, cada movimento do moreno, escada acima.

O que ele ainda estaria fazendo ali? Por que havia voltado depois de todos terem visto que ele deixou a Mansão na companhia de Andromeda? Ainda não acreditando em tamanha ousadia, ela o viu parar calmamente no patamar do meio e virar-se. Por um momento, Bellatrix achou que ele havia percebido que ela o observava e esperou que ele retrocedesse, acuado e constrangido por ter sido flagrado num tão ato impróprio. Mas ele continuou a subida, sem nem ao menos demonstrar ter notado Bellatrix. Parecia apenas querer se certificar de que ninguém o seguia, antes de finalmente desaparecer no topo da escada.

Por que, diabos, ninguém o impedia de subir?! Indignada, Bellatrix constatou que os demais presentes no salão continuavam alheios ao estranho acontecimento. Narcissa agora dançava com o sogro, enquanto Lucius chamava Druella para a valsa. Outros casais já haviam se formado e muitos valsavam glamourosamente pelo salão. Vendo que mais ninguém tinha conhecimento da permanência do indesejável parente na casa, ela decidiu que era seu dever ir averiguar o que ele poderia estar tramando no andar de cima da mansão.

Ao chegar ao patamar superior, ainda com o olhar de Bellatrix sobre si, Sirius rumou diretamente para seu antigo quarto. Ele não tinha certeza de como nem por que, mas sabia que seria ali o primeiro lugar que a prima o procuraria. Ao entrar, mais uma onda nostálgica o preencheu. A luz prateada do luar entrava pelas janelas entreabertas e deixava ver que o recinto encontrava-se exatamente da maneira como ele o havia deixado.

As paredes ainda estavam decoradas de carmim e dourado, ao contrário do restante da casa, onde o preto, o verde e o prata imperavam. Nas paredes, além das diversas fotos de modelos muggle de biquíni, permanecia o antigo retrato no qual os quatro Marauders acenavam alegres. A visão fez Sirius se orgulhar de seu feitiço adesivo permanente, pois certamente Walburga deveria ter tentado “redecorar” o ambiente, na intenção de apagar todo o qualquer vestígio de sua antiga existência ali.

O moreno rumou diretamente para a janela entreaberta, pela qual a lua invadia seu antigo quarto. Ele não podia negar que, embora detestasse a casa dos pais mais do que tudo, sempre adorara a vista da janela de seu quarto. De fato, aquele cômodo era a única parte da casa na qual ele tinha algum sossego e, nos anos de aflição, fora aquela janela que lhe mostrara que havia um mundo diferente lá fora, sempre lhe dando esperanças de que, por pior que fosse tudo o que ele passava ali, ainda havia uma saída...

Os devaneios nostálgicos de Sirius foram interrompidos por uma respiração forte e entrecortada vinda da porta. Pelo reflexo no vidro escurecido, ele viu Bellatrix parada, estática, debaixo do umbral de madeira de lei e, mais uma vez, um assomo de desejo percorreu seu corpo. Ele estava certo: ela viera.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2022
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.