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2. Reencontro


Fic: Lembrança de Casamento


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Reencontro


Sirius esperava calmamente, sentado no sofá da casa dos Tonks, conversando com Ted, enquanto a pequena Nimphadora corria pela sala, seus cabelos agora castanhos e ondulados, como Andromeda preferia. Os homens falavam sobre banalidades, evitando a qualquer custo falar sobre o casamento. Ambos estavam visivelmente insatisfeitos com o acontecimento.

A menina, parecendo perceber o clima tenso, não parava de perguntar o que estava acontecendo e irritava-se com as respostas que o pai e o primo lhe davam. A cada “nada” recebido, seus cabelos ameaçavam mudar, alcançando diferentes colorações e texturas, que o pai, num gesto mecânico de varinha, fazia retornar ao castanho ondulado.

_ Sua mãe logo vai sair daquele quarto e não vai querer ver você assim, Dora... – falou o pai, parecendo cansado da brincadeira, depois da quinta mudança consecutiva.

_ Por que ela está demorando tanto? – choramingou a menina, correndo em direção ao quarto, mas trombando desastradamente com a mesa de centro da sala.

_ Nimphadora!! – acorreu o pai, abaixando-se para pegar a filha no colo, evitando, assim, que a menina abrisse um berreiro e chamasse a atenção da mãe – está tudo bem, papai vai dar um jeito nesse machucado...

Vendo que nada de grave havia acontecido com a criança, Sirius olhou no relógio, num gesto pouco preocupado, rezando internamente para que Andromeda não conseguisse ficar pronta a tempo; talvez, assim, ele não precisasse enfrentar o martírio que ele sabia que o esperava caso fosse ao casamento. Mas Merlin provavelmente deveria estar com um humor alterado, achando graça na agonia do moreno, porque logo Andromeda saiu do quarto, impecavelmente bela.

A beleza era algo até de certa forma comum entre os Black. Cada um, a sua maneira, tinha feições marcantes e encantadoras, rostos bonitos e corpos bem feitos, além de um ar nobre e enigmático que os parecia distinguir do restante dos mortais. Andromeda não era diferente: embora estivesse longe de ostentar o glamour das irmãs, era encantadoramente graciosa mesmo quando vestia suas roupas de muggle ou estava suja de comida de bebê. Mas, naquela, noite ela estava acima do “normal”. Aprontara-se com esmero e o resultado estava fantástico.

Ela trajava um leve vestido perolado, acinturado, mas que abria durante a descida até pouco abaixo do joelho, com um decote simples, que deixava de fora o pescoço alvo e delicado, enfeitado com um colar de pérolas levemente rosadas. Os cabelos, ajeitados num coque simples, porém bem feito, dava ainda mais destaque ao rosto alegre e sorridente, ressaltado com uma maquiagem leve, mas elegante.

_ Acho que não posso deixar você sair assim... – brincou Ted, levantando-se para beijar a esposa – você está maravilhosa, meu bem...

_ Obrigada, querido... – agradeceu – fazia tanto tempo que eu não me arrumava assim... – comentou, passando a mão pelo vestido.

_ Você está perfeita, Andy! – elogiou Sirius, também se levantando do sofá.

_ Obrigada! Você também está muito bem, Six... – falou, piscando para primo.

E era igualmente verdade. Sirius, que também possuía o charme e a beleza característicos da família, estava vestido de maneira simples, mas elegante. Calça social preta de um corte menos tradicional, uma linda camisa negra de caimento perfeito e um blazer charmoso aberto. O cabelo que parecia, intencionalmente, negar-se a entrar na linha, continuava a cair-lhe de forma casual e sexy sobre os olhos. Um lindo sorriso completava o visual que fazia de Sirius um dos homens mais bonitos de toda a parte bruxa da Inglaterra.

_ Eu tinha esperanças de que você não ficasse pronta a tempo... – confessou – mas agora acho que seria um desperdício se os Black não a vissem assim, tão linda...

_ Chega de elogios, Sirius... – pediu, parecendo ligeiramente encabulada – é melhor irmos logo ou realmente não chegaremos a tempo...

_ Que outro jeito... – suspirou, resignado.

_ Divirtam-se! – desejou Ted, com Nimphadora no colo, ambos dando mais um beijo na morena.

_ Duvido muito... – reclamou Sirius, mas Andromeda deu-lhe um cutucão nas costelas – vamos acabar logo com isso... – pediu, oferecendo o braço à prima.

_ Vamos... – concordou, apoiando-se no braço estendido de Sirius – Até mais! – despediu-se do marido e da filha novamente e ambos desaparataram.


***



Os dois deserdados da família Black tinham bom senso suficiente para não aparatarem dentro dos terrenos da mansão. Sabiam bem que deveriam chegar da maneira menos chamativa possível. Assim, eles usaram um pequeno beco localizado próximo ao Grimmauld Place e foram caminhando até o portão, apresentaram o convite e entraram pela porta principal sem serem formalmente anunciados, como vinha acontecendo com todos os outros convidados que chegavam.

_ “Sirius Black e Andromeda Black Tonks, os mais recentes pontos chamuscados da tapeçaria Black” – falou Sirius, somente para a prima ouvir, imitando o tom formal que a hostess estava usando para anunciar a chegada dos convidados mais importantes.

_ Não comece, Sirius... – pediu, ainda que rindo da brincadeira do primo.

Quando os dois entraram, a mansão Black já estava lotada com a mais alta sociedade bruxa britânica. A sala de festas, já ampla e imponente, havia sido transformada num luxuoso salão de festa decorado com seda e veludo nas cores preta, verde e prata e tendo ao lado um belíssimo altar com os brasões das famílias Black e Malfoy ao alto.

_ As mesas têm os lugares marcados... – observou Andromeda, ao passar por algumas vazias, constatando que estavam todas nomeadas para convidados que ainda não haviam chegado.

_ Então, a nossa deve ser na lavanderia... – zombou o moreno – porque, na mesa dos Black, com certeza nós não vamos ficar... – falou, apontando para uma enorme mesa retangular próxima ao altar, com os lugares ocupados por membros da família Black e seus relativos cônjuges.

Obviamente, Andromeda não era ingênua a ponto de achar que eles poderiam juntar-se ao restante da família, mas confirmar isso a entristeceu, pois ainda havia dentro dela uma esperança de que as coisas pudessem ser diferentes. Com um fio de desapontamento, ela começou a procurar a mesa na qual ela e Sirius deveriam ficar.

Depois de alguns poucos minutos de busca, pois eram poucas as mesas desocupadas, Sirius encontrou uma que supôs ser a deles. Era pequena, para, no máximo, três ou quatro pessoas, enquanto as outras mesas comportavam, no mínimo, de seis a oito convidados. Localizava-se diametralmente oposta à mesa dos Black e tinha a seguinte inscrição feita na fina e delicada caligrafia inclinada que Andromeda reconheceu pertencer à irmã caçula: “Andy B.”

_ Eles realmente não nos querem na festa... – observou Sirius, ao constatar que a mesa não tinha talheres e pratos que indicassem a permanência dos convidados para o banquete após a cerimônia.

_ Isso não importa, não íamos ficar de qualquer jeito... – ela tentou conciliar, sentando-se ansiosa.

A sensação de estar de volta àquela casa era diferente para os dois primos. Andromeda via ali toda a sua família, pais, irmãs, tios e primos. Sabia que tinha feito a coisa certa em fugir para casar-se com Ted, mas, ainda sim, sonhava com o dia em que ela, o marido e a filha poderiam ser aceitos pela família. Para Sirius, a sensação era a oposta: ele desprezava aquela casa e todos que a habitavam. Não sentia falta daquele lugar nem daquela gente. Teria dado tudo para não estar ali e, com certeza, não estaria se não fosse por causa do pedido da prima.

Andromeda olhava ansiosa para todos os lados, admirando a decoração e os convidados. Fazia esporadicamente algum comentário a que o primo respondia de maneira pouco atenciosa. Sirius começava a sentir um leve mal-estar. Aquelas paredes pareciam voltar a sufocá-lo, trazendo a sensação de prisão e impotência que o dominara por tantos anos, e saber que todos aqueles que odiava estavam ali, metros de distância a sua frente, não ajudava em nada.

_ Oh, meu Merlin! Bella está tão linda! – suspirou Andromeda, ao ver a irmã chegar com o marido.

Ao comentário da prima, Sirius mecanicamente levantou os olhos em direção à porta e, odiando-se por isso, acompanhou a entrada lenta e triunfal de Bellatrix Lestrange no salão, assim como todos os presentes. Todas as conversas pareceram cessar, tornando-se murmúrios de exaltação e admiração dirigidos à figura que desfilava imponente e sedutora pelo piso de mármore do salão de festas. E não era sem razão.

Bellatrix estava simplesmente maravilhosa, trajando um esplêndido tomara-que-caia negro, feito de um tecido fino e reluzente que descia marcando suavemente todas as curvas até chegar-lhe os pés. Ostentava jóias caras: no pescoço, um colar de diamantes, nas orelhas, longos pingentes da mais pura prata e um grande bracelete, também de prata lavrada, que cobria praticamente todo o antebraço esquerdo.

Era uma visão, ao mesmo tempo, assustadora e hipnotizante, de que mesmo aqueles que a odiavam profundamente não conseguiam desgrudar os olhos. Com total consciência de ser o centro de todas as atenções, ela sorria satisfeita e seus olhos brilhavam de orgulho e vaidade.

A chegada de Bellatrix provocou em Sirius um impacto maior do que ele poderia supor. Mais de cinco anos já haviam se passado desde a última vez em que ele a vira, desde que ele saíra de casa, coincidentemente na noite de noivado entre a prima e Lestrange. Uma série de lembranças incômodas invadiu a mente do moreno; imagens que voltavam à tona sem serem convidadas e traziam de volta um passado que ele preferia esquecer, apagar da memória.

Como em flashes, ele reviveu cenas em que uma jovem, mas já exuberante, Bellatrix exibia-se em mínimos trajes de verão para um Sirius ainda garoto que espiava atrás da porta; os provocantes desfiles noturnos pelos corredores da mansão enquanto sabia ser observada; os tantos sonhos proibidos com a prima mais velha que inquietavam suas noites adolescentes...

Foram pensamentos e lembranças que deixaram Sirius inquieto e desconfortável. Tantos anos haviam se passado, tantas coisas aconteceram, mas ele ainda sentia aquele estranho assomo de desejo a percorrer-lhe o corpo ao olhar para ela. Quando teve consciência disso, irritou-se profundamente, por sentir-se novamente como um garotinho abismado frente à maravilhosa mulher que era a prima. Irritou-se por tê-la desejado tão intensamente anos atrás e por saber que, apesar de odiá-la tanto, ela ainda era capaz de incutir neles tais sentimentos.

Se Sirius achava sufocante a sensação de estar de volta à mansão dos Black, ela não era nada comparada à sensação de impotência frente ao domínio que Bellatrix parecia exercer sobre ele. Como se a mulher fosse um imã eletrizado, Sirius não conseguia desviar sua atenção de cada mínimo detalhe relacionado a ela. Seguiu-a, com o olhar vidrado, por todo o salão, enquanto ela se dirigia à mesa reservada à família da noiva. Somente quando outras figuras menos agradáveis invadiram seu campo de visão, foi que Sirius conseguiu libertar-se do fascínio causado pela chegada da prima, desviando o olhar quando ela sentou-se entre Walburga e o marido.

Como se a chegada de Bellatrix fosse a permissão que faltava para o início do casamento, assim que a elegante irmã da noiva acomodou-se à mesa dos Black, a característica introdução da marcha nupcial invadiu o salão, dissipando qualquer vestígio de conversas paralelas. Todos os olhos voltaram-se mais uma vez para a porta principal para acompanhar mais uma entrada triunfal. Na frente do cortejo, vinham Lucius e o padrinho, Rabastan Lestrange, seguidos pelos pais do Malfoy e, fechando a fila de maneira imponente, vinham Cygnus e Druella, escoltando a magnífica noiva.

Narcissa estava vestida de forma a fazer inveja a qualquer noiva do mundo. Seu vestido branco tinha o busto inteiramente cravejado de pérolas e brilhantes e descia com linhas um pouco mais espaçadas até a barra. Um colar de pérolas de três voltas enfeitava-lhe o lânguido pescoço e o cabelo vinha preso num complexo penteado que também era enfeitado com uma luxuosa presilha de marfim e pérolas. A maquiagem completa ainda que não apagasse a ansiedade do rosto da loira, destacava ainda mais seus traços finos e elegantes.

Apesar de todas as atenções do salão estarem concentradas nos passos lentos da noiva, Sirius sentia sobre si um olhar pesado e estranho, dando-lhe a incômoda sensação de estar sendo atentamente observado. Ele não desviou os olhos da entrada e acompanhou a chegada do cortejo ao altar, sempre sentindo esta misteriosa presença, que parecia cercá-lo por todos os lados. Num movimento rápido de cabeça, encontrou o pesado e sufocante olhar de Bellatrix, fixo nele.

Desde que adentrara no salão, depois de um rápido olhar ao redor, ela havia percebido a presença inesperada de Sirius no recinto. Percebera também que, assim como todos os outros presentes, ele acompanhara de maneira vidrada sua entrada triunfal. Isto a fez sorrir satisfeita por saber que, mesmo tanto anos passados, ele ainda não conseguia ignorar sua presença.

Porém, mais rápido do que ela esperava, ele havia desviado sua atenção para a chegada de Narcissa, deixando-a levemente desapontada. Enquanto todos admiravam a beleza da noiva, Bellatrix concentrou-se na figura distante do primo e, com interesse, notou as mudanças do moreno, observando atentamente como ele estava diferente do moleque atrevido que ela adorava provocar anos antes. Apesar de ter abandonado a família, a beleza dos Black permanecia fielmente impregnada em Sirius. Em cinco anos, ele deixara de ser apenas um menino bem desenvolvido e transformara-se num homem realmente encantador.

Esta constatação levou Bellatrix a iniciar seu jogo favorito: tentar adivinhar como seria o corpo do homem que olhava, ainda que não tivesse a intenção de conferir pessoalmente. Esta era sua distração mais comum durante as entediantes festas e reuniões sociais a que era obrigada a ir: ela escolhia um homem entre os presentes (muitas vezes um desconhecido, mas sempre o mais bonito entre todos) e punha-se a observá-lo atentamente por toda a noite, tentando decifrar os segredos que as muitas camadas de roupas tentavam esconder, e, quando o escolhido tinha a sorte de corresponder às suas altas expectativas, não era raro ele ser muito bem recompensado por isso.

Bellatrix começou pelo tronco do rapaz, já que as pernas, sua parte favorita, estavam escondidas sob a toalha da mesa. O corte perfeito do blazer entreaberto dava destaque aos seus ombros largos e deixava supor um tronco bem definido, provavelmente um peito largo e trabalhado... Pelo que Bellatrix se lembrava, Sirius sempre fora atlético; será que ainda teria o abdômen “tanquinho” que ela certa vez vislumbrara por uma camisa entreaberta anos antes?

Impossibilitada de ver a parte de baixo, que era o que realmente interessava ao jogo, ela foi forçada pela curiosidade a subir o olhar. Deu pouca atenção ao pescoço alvo e fixou sua atenção no rosto do rapaz, que ganhara, com os anos, uma definição máscula, mas sem perder o toque maroto que sempre lhe fora característico...

Tarde demais, Bellatrix percebeu que talvez estivesse sendo pouco discreta em sua “avaliação”. Antes que ela pudesse disfarçar, Sirius desviou sua atenção do cortejo que levava os noivos até o altar e surpreendeu o olhar da prima sobre si. Um calafrio estranho percorreu a espinha de Bellatrix e, mesmo se quisesse, ela não conseguiria interromper o contato visual estabelecido.

Sirius a encarava desafiador, sustentando o olhar da prima e retribuindo-o com ainda mais profundidade. Parecia haver se estabelecido uma estranha ligação entre o enigmático negro dos olhos de Bellatrix e o cinza prateado dos de Sirius. Uma ligação que eliminava os demais presentes, como se os dois fossem as únicas criaturas vivas do salão. Nada mais parecia importar, a não ser manter fixo o contato visual, e havia uma sensação extremamente incômoda e inadmissível na simples intenção de rompê-lo.

Enquanto isso, a cerimônia parecia prestes a começar. De fato, algumas palavras pareciam estar sendo ditas, mas isso também não importava. Sirius e Bellatrix travavam uma batalha silenciosa e nenhum dos dois parecia estar propenso a desistir dela, como se romper o fio imaginário que os unia fosse a mais impensada das atitudes. Após recuperar-se da sensação de incômodo devido ao flagra, Bellatrix fitava Sirius com tanta intensidade que parecia nunca tê-lo visto antes.

Sirius retribuía em profundidade o olhar. Rebelde e desafiador como só ele era capaz de fazê-lo, demorou a reconhecer o brilho estranho e enigmático presente nas íris negras da prima. Ele precisou de mais alguns instantes para, enfim, desvendar seu significado. Há tempos já se acostumara a receber olhares como aqueles; desde seus anos de adolescente, sempre tivera fervorosas admiradoras, mas nunca imaginou encontrar um calor como aquele dentro de olhos sempre tão frios como os de Bellatrix.

Uma monótona voz chegava indistintamente aos ouvidos de ambos, mas eles continuavam a ignorar tudo que os cercava. Bellatrix ainda examinava cada centímetro de Sirius que seus olhos conseguiam alcançar, sem nem ao mesmo importar-se com a presença do marido e da tia logo ao lado. Sirius, consciente do significado de tal olhar, sentiu-se inundado por uma onda de antigos sentimentos relacionados à prima. Voltavam à tona, mais uma vez, o desejo irracional por aquela figura tão presente em sua memória anos antes, mas agora o brilho nos olhos de Bellatrix denunciava que tais sentimentos eram recíprocos.

O tempo parecia ter parado em volta deles e, somente quando todos os convidados do salão se levantaram, Sirius e Bellatrix perceberam que a cerimônia estava chegando ao fim. Um silêncio solene indicava o auge da celebração: a união sanguínea que selava não apenas o casamento de duas pessoas que se amavam, mas a união de dois dos sangues-puros.

Bellatrix foi a primeira a romper o contato visual, passando a fitar atentamente o altar. Sirius continuou olhando para ela, confuso e sem entender como ela conseguira fazer aquilo. Num momento, olhava-o com tanta intensidade que ele fora capaz de sentir seu olhar, aquele brilho estranho presente em olhos que ele nunca pensou serem capazes de possuir tamanha profundidade e, um segundo depois, era como se nada tivesse acontecido. O que teria sido aquilo? Por que ela teria passado tanto tempo a fitá-lo, quando, aparentemente, não se importava com sua existência?

A voz do celebrante, que parecera a Sirius monótona e distante durante toda a cerimônia, ecoou forte pelo salão, conclamando todos os presentes a tornarem-se testemunhas da união entre Lucius e Narcissa. Em uma de suas mãos, havia um punhal prateado e, na outra, um cálice dourado, objetos que brilhavam emitindo uma intensa onda de luz e magia.

Ainda sob o silêncio de todos no salão, o celebrante ofereceu punhal a Lucius e o cálice a Narcissa. Ambos aceitaram prontamente. Lucius tomou o punhal em uma das mãos e o pressionou levemente contra a ponta de um dos dedos de Narcissa, deixando escorrer duas gotas do sangue da loira para dentro do cálice que ela segurava. Um instante depois, o cálice se iluminou ainda mais, emitindo uma intensa luz verde, como confirmação da pureza do sangue ali derramado, levando a uma breve comemoração de todos os presentes.

_ Eu adoraria ver o cálice do Malfoy ficar vermelho... – murmurou Andromeda ao pé do ouvido de Sirius, tirando-o finalmente do estado de semi-transe em que ele permanecera durante toda a cerimônia.

_ Ia ser um verdadeiro escândalo... – respondeu Sirius, também num sussurro, tentando abandonar de vez os pensamentos sobre Bellatrix.

_ Oh, que pena! Não foi dessa vez que um mud-blood entrou para a árvore genealógica dos Black – completou ela, com um leve suspiro irônico, quando Narcissa perfurou o dedo de Lucius e o cálice emitiu novamente sua luz verde, atestando a pureza do sangue de Malfoy.

_ E depois eu é que sou sarcástico... – alfinetou, com um leve sorriso para a prima.

_ Acho que é a convivência com você... – retrucou Andrômeda, com outro sorriso.

Novamente a voz do celebrante ecoou forte pelo salão, com mais algumas palavras de exaltação da pureza das duas famílias e, então, estava terminado. Lucius e Narcissa estavam indissoluvelmente unidos, não pelo amor ou qualquer outro sentimento que pudesse levar duas pessoas a se casarem, mas sim por um pacto que garantiria a pureza do sangue de suas famílias por, pelo menos, mais uma geração.

Com um gesto de varinha, o imponente altar se dissolveu e, em seu lugar, apareceram duas imensas e magníficas fontes cristalinas. De uma delas vertia um líquido dourado, com certeza a mais cara champagne oferecida pelos Malfoy, enquanto da outra jorrava o mais doce e rubro vinho, marca registrada dos Black.

_ Toujours Pur!! – finalizou o celebrante, entregando a Narcissa uma taça de champagne e a Lucius uma de vinho, para marcar a união das duas famílias, dando, assim, início a festa.

_ Toujours Pur! - bradaram os convidados, em resposta ao brinde proposto, e, entre todos os presentes, as vozes das famílias dos noivos ecoaram ainda mais fortes.

_ Uma baboseira sem tamanho... – resmungou Sirius irritado, ao ver como a exaltação à pureza, da parte da família, havia afetado Andromeda – vamos embora agora? – perguntou, querendo sair da mansão o mais rápido possível.

_ Eu gostaria de falar com a Cissy antes de ir... – falou Andromeda, praticamente suplicando – podemos esperar mais um pouco?

Sirius soltou um suspiro irritado, mas acabou assentindo. Todos os convidados agora tornaram a sentar em seus lugares para esperar a passagem dos noivos por suas mesas para receber os cumprimentos. A julgar pelo caminho traçado pelos noivos, que começaram pela mesa dos Malfoy e depois seguiram para mesa dos Black, Lucius e Narcissa não chegariam tão cedo à mesa deles.

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