FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

7. Os Novos Marotos


Fic: Harry Potter e o Segredo de Corvinal


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

O nome “Ministério da Magia” causa impacto em quem passou a vida toda como trouxa. Grande parte da humanidade é criada para acreditar que magia é invencionice, fantasia, coisa do imaginário popular. Portanto, ligar o termo “magia” a uma palavra tão “vida real” quanto “Ministério” é no mínimo estranho.

Incompatível, para usarmos de completa franqueza.

Ana entendia perfeitamente isso. Quando tivera conhecimento dos livros, ainda na ignorância de que “havia mais entre o céu e a terra”, também ela curvara os lábios em um riso reprimido diante da idéia de um Ministério da Magia – conceito realmente engraçado para ela. Para alguns trouxas, é absurdo; para outros, como Valter Dursley, revoltante. Mas, para ela, era simplesmente engraçado.

Se soubesse, na época, que tinha nas mãos a chave de seu passado e de seu futuro! Jamais teria rido.

Ainda se lembrava da primeira informação a respeito do governo bruxo. Fora dita por Hagrid naquela manhã mágica (desculpem os trocadilhos) em que ele fora “resgatar” Harry Potter dos Dursleys. Imagine, Hagrid apresentou ao mundo a grande Instituição a qual os bruxos confiam seus destinos! E fez isso após uma rápida olhada nas notícias do Profeta Diário, quando declarou:

“O Ministério da Magia anda aprontando as trapalhadas de sempre”.

Resumo perfeito de Hagrid sobre as atividades do Ministério, diga-se de passagem. Com um certo “quê” de profético para os fãs do menino-bruxo. E é com profundo pesar que informo a estes mesmos fãs que o tempo não deixou o Ministério menos atrapalhado, e tão pouco mais sábio. Nos oito anos seguintes à derrota de Voldemort, a história veio a comprovar que, quanto mais o Ministério devia a Harry Potter, mais problemas ele trazia ao ex-grifinório.

Já ouviram falar em uma tal de Dolores Umbridge? Claro, que pergunta idiota, desculpem. É claro que já, quem esqueceria a sapa velha da Umbridge, a “Grande TORTURADORA de Hogwarts”? A mulher desperta gana assassina até no mais insensível dos leitores. Merlim a proteja de cair nas mãos de um fã do menino-bruxo, porque não sobrará uma única fitinha de veludo para contar a história.

Estou sendo cansativa? Ó céus, desculpem. Ultrapassei todos os limites de parcialidade autoral. Vou direto aos fatos, prometo.

O ponto é que, embora eu tenha vontade de inventar que Umbridge teve um fim ao qual tranqüilamente merecia (como ter sido pisoteada por centauros durante a Batalha Final, ou então devorada por dragões peruanos) devo dizer que ela está vivíssima e ainda ocupa um alto cargo junto ao governo bruxo.

Soa como piada aquela mulher ainda estar lá, eu sei. As mentes mais brilhantes do Mundo Bruxo naquele lugar, e ninguém nota que a criatura é perturbada! O Ministério da Magia é “engraçado” de uma forma que não ocorrera a Ana no primeiro momento. E, como ela descobrira mais tarde, nem todos riam de suas “gracinhas”.

O mais novo “gracejo” de Umbridge, por exemplo, era culpar Harry Potter pelas fugas em Azkaban, e exigir um processo disciplinar contra o Auror. * Muitos bruxos ainda não entendiam como Harry havia conseguido vencer Voldemort, achavam que ele era uma bomba pronta a explodir, tamanho era o poder que carregava. Outros, que tanto poder iria corrompê-lo, se já não o tivesse feito. Finalmente, havia os que estavam há tempos querendo ver Harry e sua conduta politicamente correta para fora do Ministério (leia-se: alguns dos “honestos comerciantes” do Beco Diagonal).

Se Potter não se cuidasse, em breve seria a nova versão de João Batista, que se dispusera a proclamar a verdade no deserto, para em seguida ter sua cabeça em uma bandeja de prata.

Gárgulas galopantes, aqui estou eu dando voltas novamente!

Bem, voltando à terceira pessoa do singular: contou-se tudo isso só para chegar a Ana, que refletia exatamente sobre estas coisas enquanto caminhava pelos corredores do Ministério, se dirigindo para mais um dia de trabalho naquela sexta-feira. Ah! Lá está a nossa mais nova Auror pegando uma daquelas gaiolinhas nada confiáveis que os bruxos têm a ousadia de chamar de “elevador”. Humpft! Elevador, pois sim...

Além de mais três pessoas, vários aviõezinhos de papel lilás entraram no mesmo elevador que Ana. Ficaram voando acima das cabeças das pessoas, próximos ao teto e às esferas brilhantes que iluminavam o interior do cubículo. Ana fitou os “aviões-memorandos” torcendo para que nenhum deles fosse para ela. A última coisa que precisava naquele dia era mais problemas.

O Ministério da Magia ficava no subsolo de Londres, de forma que, em vez dos números dos andares aumentarem à medida que se subia, eles diminuíam, como em uma escala termométrica onde os andares eram os números negativos. ** A voz feminina que anunciava os andares foi dizendo:

- Sétimo andar... Sexto... Quinto...

Quando chegaram ao quarto andar, Ana se virou para um jovem estagiário do Comitê de Desculpas Dignas de Trouxas e disse, bem-humorada:

- Quatro, três, dois, um... Zero! Lançar!

O rapaz não lhe devolveu o sorriso. Péssimo jeito de descobrir que bruxos não entendiam piadas sobre a Conquista Espacial.

Finalmente ela desceu no segundo andar, onde ficava o quartel dos Aurores, percebendo que a grande maioria dos memorandos deixou o elevador com ela, indo pousar justamente em sua mesa. Definitivamente, o dia não estava começando bem.

- Houston, estamos com problemas... – murmurou com um suspiro desolado.

Harry e Tonks ainda estavam em casa recuperando-se, de forma que o trabalho que antes dividia com a metamorfaga havia se acumulado em sua mesa. Respirando fundo, tratou de abri-los e responder os que precisavam ser respondidos. Sinceramente, achava que a burocracia bruxa era estafante. E olha que ela tinha trabalhado no governo brasileiro!

A maioria dos memorandos se tratava de denúncias anônimas a respeito do paradeiro dos fugitivos de Azkaban. Ultimamente estava “chovendo” gente que achava ter visto algum Comensal da Morte. Nenhuma delas se mostrava consistente, o que indicava o quanto a população bruxa estava histérica, como nos tempos da Guerra.

O dia passou, o fim do expediente chegara e o humor de Ana não melhorou muito. Sabia perfeitamente a razão disso: o jantar. Nunca acreditara em pressentimentos, mesmo depois que “se tornara” bruxa, mas aquele evento a estava deixando com os nervos à flor da pele, como se uma energia negativa rondasse aquela loirazinha atirada. Torceu o nariz. Que pressentimento que nada: era a lógica. A garota não tinha tido pudores em demonstrar que estava interessada em seu marido – mesmo sabendo que ele era casado – e o senso comum lhe dizia que gente assim não era confiável. Na hipótese dela precisar de mais subsídios para não confiar em Felícia Althorp, além do fato dela estar dando em cima de “seu” marido, é claro.

- Ana – a cabeça de um dos jovens estagiários apareceu na porta, salvando-a dos seus pensamentos sombrios.

Seus colegas de trabalho logo se acostumaram a chamá-la pelo primeiro nome, uma vez que “Weasley” era como Rony era conhecido. Sendo brasileira, isso não a incomodou nem um pouco, pelo contrário: deixava-a mais à vontade. Ser chamada pelo sobrenome era muito... Frio.

- Sim?

- O livro que você queria, e que estava no Departamento de Mistérios. – Ele lhe estendeu um volume encadernado em couro, com páginas tão amareladas pelo tempo que pareciam poder se desmanchar a qualquer momento. O rapaz abriu um sorriso zombeteiro e disse: - Levei um tempão para achar, estava em um canto tão escuro e empoeirado... Melhor ler antes que desapareça novamente.

- Obrigada, Thomas. – Só então ela balançou a cabeça rapidamente, dando-se conta do que o rapaz dissera: - Novamente?

- Sim, ele não estava lá, apareceu do nada. Em um instante não havia coisa nenhuma e, no seguinte... “Puf”, lá estava. Deve estar encantado. Acho que não queriam que ele fosse visto. – Ele deu de ombros, não dando muita importância ao livro “sumidor”.

- Sei... – Ana franziu o cenho. Em certos momentos, ainda tinha a impressão de que havia entrado na Casa do Chapeleiro Maluco. – Obrigada mais uma vez, Thomas. – Sorriu naturalmente, tentando não parecer tão “recém chegada do mundo não-mágico”.

Assim que o jovem saiu, ela voltou o olhar para a verdadeira antiguidade em suas mãos. Thomas tinha razão em temer que ele desaparecesse, mas não por causa de magia. Com um sorriso de desdém, pensou que os bruxos aplicariam muito bem o seu tempo se aprendessem técnicas de conservação de livros, ao invés de só se preocuparem em enfeitiçá-los. Aquele, por exemplo, estava começando a virar pó.

Tratava-se de um item do Departamento de Mistérios que descobrira ao pesquisar sobre Rowena Ravenclaw e o Mito de Aradia, bem como o de Fausto. Sabia que Hermione e Gina estavam obtendo melhores resultados do que ela nesse campo, e também sabia que estava desobedecendo a divisão de tarefas dadas por Harry sobre aquele assunto, mas não resistiu a aquele pequeno mistério. “Estou parecendo a Mel”, pensou, com um sorriso nos lábios.

Não que o livro de Heinrich Cornelius Agripa tivesse trazido grande luz ao assunto. Pegara-o mais por curiosidade – era um livro sobre plantas - mas... Ora, até bem pouco tempo acreditava piamente que era naquele homem em quem Goethe tinha se inspirado para escrever a “obra de ficção” chamada “Fausto”. Então, encontrar algo escrito por ele entre os itens do Departamento de Mistério era... Muito suspeito!

Como todas as obras cultas da época (século XVI), estava escrita em latim. Ana suspirou, impaciente. Ter o Português como primeira língua não iria ajudar muito neste caso, embora a visualização das frases escritas naquele nobre idioma trouxesse vagas lembranças de seus tempos de faculdade de Direito.

Desanimada, fechou o livro e deixou que a cabeça caísse pesadamente sobre o objeto pousado em cima da mesa.

- Ai! – Exclamou um segundo depois, enquanto levantava a cabeça e massageava a testa, justo no momento em que Rony entrava na sala.

- Puxa, Ana, eu sempre soube que você tinha a cabeça-dura! – O ruivo riu, colocando uma enorme pilha de relatórios em cima da mesa: - Isso é para você.

- Humpft! – bufou em desdém, tanto pela pilha de papéis quanto pela piadinha. – Eu não tenho... Ah, vocês bruxos bem que poderiam usar e-mails para se corresponderem! É um meio mais rápido, racional e ecologicamente correto!

- Como assim, “vocês” bruxos? – Ele perguntou, confuso. – E o que são “e-mails”?

- Er... – Ela enrubesceu. – Desculpe, força do hábito. Por mais que tenha recebido conhecimentos bruxos do bracelete de Helga Hufflepuff, ainda não saí totalmente do “módulo trouxa”.

- Nós percebemos – Rony respondeu distraidamente, o que provocou uma ruga desconfiada na testa de Ana.

Testa. A dorzinha remanescente naquela sensível área (mesmo Rony afirmando de forma enfática que era justamente a parte mais dura do corpo de Ana) lembrou-lhe o livro. Havia sentido algo maciço na capa quando batera a cabeça contra ela.

Passando os dedos delicadamente por sobre a superfície do couro gasto e velho, descobriu uma saliência insuspeita bem no meio da face do livro. Ela teria passado despercebida graças à maciez do couro se Ana não tivesse literalmente se “chocado” contra o objeto, seja lá o que fosse.

E ele estava dentro da capa, costurado com ela.

- Rony, você consegue guardar um segredo? – disse displicentemente para o ruivo.

- Que segr... ANA!

- Difindo! – Ela apontou a varinha para o livro, fazendo com que a capa se abrisse. Retirou o objeto metálico, que mais parecia uma moeda de uns cinco ou seis centímetros de diâmetro. – Reparo! – E a capa voltou a seu lugar, como se nunca tivesse se aberto.

Ana segurou o objeto entre os dedos, erguendo-o para a luz, fazendo o metal reluzir. Parecia ser feito de bronze, e possuía relevos em toda a sua superfície. Percebendo que o cunhado ainda a olhava boquiaberto, defendeu-se:

- Ora, Rony, não me olhe desse jeito! O Harry e você ficam dando mau exemplo para as criancinhas do mundo todo. Depois não podem reclamar. – Vendo que o ruivo não tinha “captado” o significado de suas palavras, foi mais explícita: - Estou falando de uma troca de capas de um certo livro de Poções, no sexto ano de vocês. – Abriu o sorriso, divertida – Advinha com quem eu aprendi isso?

Rony revirou os olhos, recuperando-se do choque:
- Pelo que eu sei, você não era mais nenhuma criancinha quando leu isso. – Ana fez uma careta diante do “sutil” lembrete sobre sua idade. – Bem – ele continuou com uma expressão de falsa cesura – Suponho que não pretende informar ao chefe?

Ana olhou para a “medalha” em sua mão, refletindo sobre o assunto. Confiava totalmente em Kingsley Shacklebolt. Mas queria deixar isso em segredo, pelo menos por enquanto.

- Me deixe investigar primeiro – respondeu – Depois que tiver algo de concreto eu mesma conto ao Quim. Pode não ser nada.

- Tudo bem – Rony deu de ombros - Já que é tarde demais mesmo... Mas, que livro é esse?

Ana explicou como o livro chegara até ali, de sua curiosidade sobre o autor que supostamente inspirou Fausto. À medida que a narrativa fora avançando, Rony cerrou os olhos em sinal de concentração. Era algo da personalidade de Ronald Weasley que só ficara evidente depois que ele amadurecera: ao contrário do que se imaginava quando ele era estudante em Hogwarts, ele não era displicente com os estudos. Apenas tinha outra maneira de selecionar as coisas em que iria fixar sua atenção. Preferia gastar suas energias quando acreditava que o assunto merecia seu interesse, e então ia a fundo, até o fim. E aquele lhe interessava. Afinal, era a vida de sua irmã e a de seu sobrinho que nem nascera ainda que estavam em jogo. *

- Não pode estar certo – Rony comentou, olhando para a moeda – Este desenho não faz sentido nenhum em um livro de um bruxo alemão do século XVI.

- Eu sei – Ana respondeu, levantando novamente o objeto e olhando para o desenho, linhas que se cruzavam de forma peculiar – Isto é um nó celta, representando a Garça. – Uma enxurrada de informações lhe veio à mente, como sempre ocorria quando invocava conhecimentos vindos do bracelete de Hufflepuff. - Um animal sagrado, mas para as culturas celtas.

- Não – ele negou fazendo um movimento com a cabeça – Estou falando do desenho do outro lado – e girou o medalhão de forma que a outra face ficasse de frente para Ana: - O emblema de Ravenclaw, “o corvo”. O mesmo que fica na bandeira da Casa de Corvinal.

***

As prioridades das pessoas mudam constantemente. Por exemplo, não que Ana tivesse esquecido o objeto que trazia uma estranha relação com Rowena Ravenclaw. Mas já estava à uma hora no famigerado jantar dos Althorp e nem um único minuto se sentira bem nele.

O senhor Althorp parecia ser um homem bom, apesar de muito condescendente com a filha. A mimava demasiado, o que explicava muitas coisas sobre a personalidade de Felícia. Claro, Ana já intuía algo deste tipo a respeito da moça.

O que a estava incomodando não era o que estava evidente, mas o que “não estava entendendo”. Diversas vezes pegara a loira sorrindo, triunfante, como se Ana tivesse feito algo que a deixara imensamente feliz. E deixar Felícia feliz era a última coisa que ela desejava, como se pode imaginar. Carlinhos também parecia estranho nestas ocasiões, tenso. Por isso, ficara intrigada, perdida em seus pensamentos tentando descobrir o que estava havendo.

Foi quando uma frase, dita com escárnio por um tal de Winterbring (apresentado por Felícia como um grande especialista em Animais Mágicos), chamou sua atenção:

-... Daí eu disse: “Isso é mais absurdo que a classificação dos trouxas para animais!” – Winterbring riu do próprio comentário, sendo seguido por várias pessoas.

Ana sabia que devia controlar a língua. Mas o comentário jocoso lhe trouxe um desconforto demasiadamente pesado. Desde os tempos de adolescente, não conseguia ficar sem emitir sua opinião, mesmo que fosse de forma sutil.

- Por quê? – Ouviu-se perguntando, para sua própria consternação.

- Por que o quê, minha querida? – Winterbring voltou-se para ela, despreocupado, ainda com um sorriso nos cantos dos lábios.

- Por que acha que a classificação dos trouxas é absurda? – Ela completou ingenuamente.

- Ora... – Olhou rapidamente para os demais, um tanto surpreso, como se a resposta fosse óbvia. – Um monte de divisões e subdivisões, com critérios inúteis... – Com uma risadinha e um dar de ombros, deu por encerrado o assunto.

- Não são inúteis. – Mal pronunciara estas palavras, já estava se amaldiçoando por não conseguir simplesmente ignorar. Bem, já que começara, então que fosse até o fim. Continuou com o tom mais humilde que conseguiu: - Certamente eu não pretendo terminar aqui uma discussão que é travada há... Seis séculos entre os bruxos. Só estou dizendo que a classificação trouxa é muito apropriada para o fim a que se destina: estudar a vida. Quando Lineu propôs a atual nomenclatura trouxa dos seres vivos, não estava pensando em governos, direitos e responsabilidades. Muito menos na periculosidade dos animais. Ele só queria entender a biodiversidade que há na Terra.

- A senhora Weasley parece conhecer bastante os trouxas. – O senhor Althorp comentou, visivelmente interessado.

Carlinhos sorriu, e respondeu:

- Minha esposa teve sua manifestação de magia já na idade adulta. Sua formação foi trouxa.

Pela primeira vez, Ana entendeu o incômodo de tia Bianca com o termo “trouxa”. Não da mesma forma de quando tinha descoberto o Mundo Mágico, época na qual encarava o fato até com certo humor; mas agora via o assunto com indisposição, frente ao preconceito contido na origem palavra.

- Então, talvez a senhora pudesse nos explicar... – O tom de armadilha velado na voz de Felícia a deixou alerta no mesmo instante.

- Sim. – Winterbring apoiou. - Nos dê um exemplo desta... “Utilidade”, senhora Weasley. Qual seria a classificação trouxa para um dragão, e em que isso iria ajudar diante do perigo? Suponho que um trouxa também ache útil ficar vivo!

Ótimo. Estava entre o orgulho e a cautela. Escolha difícil, especialmente diante daquela necessidade premente de defender todo o estilo de vida no qual fora criada. Principalmente, porque queria tirar aquele sorriso que começava a se formar nos cantos dos lábios de Felícia. E, finalmente, porque nunca em sua vida gostou de perder uma batalha verbal.

O orgulho venceu. Respirando fundo, respondeu ao desafio:

- Animal, vertebrado, ovíparo... Um elo perdido entre os répteis e as aves. Acompanhando a hipótese dele se enquadrar na classe dos répteis, ouso afirmar que a melhor hora para investir contra um dragão é pela manhã, quando sua temperatura estiver mais baixa, como acontece com todos os répteis. Isso se a capacidade de gerar fogo não interferir nesta peculiaridade, é claro. Nenhum animal exotérmico que eu conheça tem esta habilidade... “Pirotécnica”, digamos assim. De forma que só estou conjeturando. Sua capacidade de vôo indica uma caixa torácica semelhante aos dos pássaros, o que chamamos de “ossos pneumáticos”, além de sacos aéreos. Se em um confronto não houver meios de lançar um feitiço conjutictus, mas existir a seu alcance algo capaz de atravessar a couraça de um dragão, então aconselho a atingi-lo nas costelas, próximo ao pulmão, onde irá impedi-lo tanto de cuspir fogo quanto de voar. Isso se não quiser matá-lo, é claro.

- Perfeito! – O senhor Althorp exclamou, positivamente impressionado. Era o único. Os demais pareciam desconfortáveis e Winterbring estava com cara de quem tinha acabado de cair do pedestal (e não estava nem um pouco satisfeito com isso). – Weasley, andou conversando sobre nosso ramo com sua esposa?

- Não senhor – Carlinhos forçou um sorriso – Ela deduziu tudo isso sozinha.

- Incrível! É preciso um nível avançado no estudo de dragões para isso. – Althorp estava animado, alheio ao clima ao seu redor.

Ana pousou rapidamente o olhar em Felícia e pelo ar de felicidade dela soube que, apesar de ter ganho a discussão, não saíra vencedora. Tinha acabado de fazer um grande nome entre as pessoas naquela mesa passar por ignorante, alguém de quem dependiam profissionalmente. Nem queria pensar no que isso poderia significar para a carreira do marido.

Como ela estava se odiando agora!

***

- Eu fui provocada! – Ana se defendia mais tarde, já em casa, visivelmente chateada. - É o que eu sou, quer dizer... Dá para tirar uma pessoa do Mundo Trouxa, mas não o Mundo trouxa de uma pessoa.

- Você podia ter pego mais leve... – Carlinhos retrucou em tom que pretendia ser neutro.

- Pegar mais leve? Felícia estava em tal estado de alegria que eu tive vontade de passa-lhe um guardanapo para pudesse enxugar o veneno que estava escorrendo da boca dela! É realmente uma pena que a cobra Nagini tenha morrido, porque iria achar o par perfeito na senhorita Althorp!

Carlinhos não conteve o riso diante das palavras da esposa:

- Merlim, devo agradecer por você não ter usado a força total de sua língua ferina esta noite, porque então eu já estaria despedido a esta hora!

O sorriso desapareceu no rosto de Carlinhos tão logo se deu conta do efeito que suas palavras haviam causado na esposa. Ana ficara pálida, suspensa por alguns segundos diante do choque:

- Eu te prejudiquei, não foi? – Ela finalmente conseguiu dizer. – Eu simplesmente não sabia como agir...

Ele avançou alguns passos, segurando o rosto dela entre as mãos:

- Não... É só uma questão de tempo até que você aprenda certos detalhes... Menores, sobre o comportamento bruxo. Etiqueta nunca foi importante entre os Weasley, você sabe. – Ele sorriu.

- Etiqueta? – Ana arregalou os olhos, dando alguns passos para trás ao perceber que eles estavam falando de coisas diferentes. – Quer dizer que... Oh, Meu Deus, nestes últimos meses eu estive fazendo coisas que no Mundo Mágico correspondem a... Arrotar ou assuar o nariz de forma espalhafatosa?

- Bem... – Era evidente que sim, mas o marido não sabia como dizer aquilo.

- E todos estavam escondendo isso de mim? Os Wealeys, Harry e Gina, Lupin e Tonks... Quim? Preferindo ignorar a me magoar avisando que eu havia cometido uma gafe? – O olhar culpado de Carlinhos dizia tudo. – Meu Deus! – Ana se virou, passando a mão na testa em uma mistura de vergonha e exasperação. Então, voltando-se para ele, questionou, com voz firme: - O que? Como o quê, por exemplo? – Agora tinha uma necessidade mórbida de saber quantas vezes tinha feito papel de idiota.

- Er... – Era evidente que o ruivo preferia enfrentar um dragão a estar ali, respondendo as perguntas de Ana, mas Carlinhos não era de fugir dos problemas, então resolveu ir direto ao assunto: - Lembra quando chegamos no restaurante? Ainda estávamos com as varinhas nas mãos, porque tínhamos acabado de aparatar. Bem... Geralmente se espera alguns momentos antes de se apertar a mão de alguém com a mão que acabou de usar a varinha para se fazer mágica. A magia deixa vestígios, uma “corrente” muito pessoal, que permanece por alguns segundos...

Ana fechou os olhos: ela estendera a mão imediatamente após ter sido apresentada. Lembrava disso muito bem, porque houve um momento constrangedor – que ela não entendera, é claro – seguido do primeiro sorriso radiante de Felícia naquela noite.

- Ana... Não há razão para ficar assim. São detalhes sem importância. É só uma questão de tempo para você se acostumar. Aposto que eu também cometi vários erros enquanto estava sendo apresentado aos seus parentes e amigos.

Ela iria retrucar quando a lembrança do seu primo Eduardo se desculpando por um espirro, seguida de um Carlinhos confuso respondendo “Não se preocupe, não me atrapalhou”, fez surgir um princípio de sorriso em seus lábios.

Carlinhos percebeu também e, de consolador, passou a “preocupado”:

- O quê? Como? Eu fiz algo? O que eu fiz?

- Calma, amor... – Ana conseguiu abrir um pequeno sorriso. – Vamos fazer um acordo: de agora em diante, vamos ser sinceros um com o outro, certo? – Diante de um balançar afirmativo de cabeça dele, ela continuou – Agora vou subir e ir para cama. O dia não foi fácil hoje.

O sorriso de Ana sumiu tão logo deu as costas para o ruivo. Não tinha se convencido da justiça no acordo. Afinal, as oportunidades sociais onde as habilidades de Carlinhos iriam ser necessárias eram mínimas. Estavam na Inglaterra, longe da família e dos amigos de Ana. Não viviam entre os trouxas, mas no mundo paralelo dos bruxos – ela mesma optara por isso. De forma que cabia a ela aprender a “corrigir-se” e aprender a transitar naquele mundo. O sucesso de seu casamento dependia disso. Mas, será que a animação de Felícia tinha fundamento? Se ela não conseguisse se adaptar, isso significaria que Carlinhos estaria melhor com outra esposa?

Carlinhos tinha razão, devia ter se controlado no jantar. Pelo menos o arrogante do Winterbring nem iria se lembrar dela. Diante dos acontecimentos, isso seria melhor.

Estava deitada, rezando para que aquela angústia que sentia passasse, que tudo desse certo. Foi então que sentiu o marido deitando-se ao seu lado na cama, passando um braço ao redor de sua cintura:

- Eu te amo – ele murmurou.

- Eu também.

***

Trecho perturbador esse aí de cima, não? Detesto contar coisas deste tipo. A realidade é uma droga.

Por isso que os contos de fadas fazem mais sucesso. Depois dos problemas resolvidos, o narrador simplesmente diz que “eles viveram felizes para sempre”, livrando o leitor das minúcias a respeito do restante dos dias da vida dos personagens. É como sempre digo: Monteiro Lobato, Irmãos Grim e Disney – esses foram gênios de verdade!

Já sei, já sei! Terceira pessoa do singular...

Em Hogwarts, a primeira semana de aula transcorrera normalmente. Ao menos, dentro da normalidade de uma escola de magia e bruxaria. Embora as coisas não transcorressem às mil maravilhas para Mel, ela estava se adaptando bem à rotina – até mesmo as escadas tinham deixado de ser um problema. Os alunos aprendem a “intuir” os caprichos daqueles degraus encantados depois de alguns dias.

Na quinta-feira, tivera a primeira aula de vôo com Madame Hooch. Estava animada, embora soubesse que não se descobriria um talento oculto para o quadribol. Nunca havia sido um sucesso nos esportes, não seria agora que isso iria mudar. Mas, como meio de transporte entre os bruxos ocidentais, voar seria bem útil... Além de emocionante!

Após se certificar que os olhos amarelos como os de um falcão e os cabelos cinzentos da professora condiziam com a descrição feita nos livros, apressou-se a ficar ao lado de sua vassoura, sorrindo para o objeto como se fosse um cãozinho ao invés de um artefato enfeitiçado.

Ah, como a imaginação nos leva a desligar do mundo ao redor! Imediatamente, a garota lembrou-se de outro grupo de garotos primeiro-anistas, há anos atrás. Entre eles, um garoto moreno e magricela, usando óculos de aro redondo. Conhecia a cena com tal riqueza de detalhes, que lhe pareceu ouvir a voz de Madame Hooch ordenando se colocarem ao lado das vassouras. E ela estava lá, com Harry, Hermione e Rony. E foi por estar perdida em sua fantasia que não titubeou ao ordenar à sua vassoura:

- EM PÉ!

Entusiasmada, viu sua vassoura obedecer-lhe imediatamente e ir parar em sua mão.

- Muito bem, senhorita Warmlling. – a voz de Madame Hooch tirou Mel de seus devaneios. – Mas eu estava justamente dizendo como é importante prestarem atenção no que eu digo... – A garota não saberia dizer se era satisfação ou ironia nas palavras da professora, tamanho era o brilho divertido em seus olhos. – Bem... Agora que a senhorita Warmlling lhes mostrou como se faz, o que estão esperando? Rápido, rápido!

Assim que todos conseguiram “dominar” suas vassouras, Madame Hooch lhes ensinou como montar e segura-las adequadamente, de forma que não escorregassem pelo outro lado.

- Quando eu apitar, dêem um impulso com os pés, mantenham-se firmes nas vassouras e voando por alguns segundos. Depois retornem ao chão inclinando um pouco o corpo para frente.

Assim que ouviu o apito, Mel impulsionou os pés. A vassoura subiu tão rápido que, assustada, segurou-se com mais força do que o necessário no cabo, o corpo inclinando-se para trás. Resultado: a vassoura deu uma pirueta no ar e ela acabou caindo de costas no chão.

Não feriu nada, exceto o orgulho. Olhando para os demais colegas, percebeu que não tinha sido a única a não se sair bem na primeira tentativa. Um garoto da Lufa-lufa tinha dado um impulso tão forte que ele subiu mais alto do que pretendia. Ao tentar voltar ao chão tão rápido quanto tinha subido, acabara estatelando-se nele, o cabo da vassoura cravado na grama com o impacto. Elisa Coffman, companheira de quarto de Mel, junto com outro menino da Corvinal e mais duas garotas da Lufa-Lufa, nem sequer tinham saído do chão.

No final das contas, saiu da primeira aula com algumas escoriações, mas satisfeita. Tinha sido a décima quinta pessoa a conseguir se manter na vassoura. O que importava se a classe tinha vinte alunos? Não tinha planos de jogar no “Canhões de Chudley” mesmo. Ela tinha conseguido. Era o que bastava.

Na segunda-feira, finalmente encontrara o filho de Remo Lupin e Nimphadora Tonks. E não podia dizer que havia sido um prazer. O garoto era a criatura mais arrogante que havia conhecido! *

Hector Lupin era um aluno do segundo ano da Grifinória e, longe de ter a gentileza do pai e a simpatia da mãe, apresentava uma postura cheia de si e reagira negativamente só porque ela tinha... Er... Bem... Ouvido uma conversa entre ele e mais dois amigos. Ora, eles estavam falando sobre Harry Potter o que poderia ter feito? Impossível não ouvir!

Tudo bem que a curiosidade a tinha feito ir um pouquinho longe. Mas ela estava quieta em seu canto na Sala de Estudos quando eles chegaram. Se não queriam que ninguém ouvisse, então que não se sentassem tão próximos! Lembrava que eles quase acertaram Danna e ela com as mochilas, praticamente atirando-as por cima das meninas. Sim, ela e Danna costumavam sentar próximas, embora não conversassem. “As duas excluídas de Hogwarts”. Era quase como estarem mais seguras se ficassem juntas. E então chega aquele grosso e...

Incapaz de se controlar com o que tinha ouvido (lembrando que “eles” estavam falando de uma forma que simplesmente não dava para não ouvir), ela se intrometeu e fez uma pergunta. Uma perguntinha, só. E o tal do Hector fez um comentário nada lisonjeiro sobre o tom de sua pele, imagine, só porque estava “ligeiramente” mais pálido que a média na população brasileira. Que grosso! Recordando-se disso, deu uma olhadela para a pele de sua mão. É... Talvez precisasse pegar um solzinho.

E agora o garoto não podia passar por ela sem fazer uma careta, murmurar algo que evidentemente era um comentário depreciativo sobre ela para os amigos dele ou ter que ser “levado” para outro lugar por estes mesmos amigos – um outro grifinório e um lufa-lufa que Mel havia descoberto que era filho de Kingsley Shacklebolt.

Ela não ligava. Simplesmente ignorava o garoto. A única coisa que a incomodava é que talvez Lupin não gostasse mais dela se o Hector contasse do que o tinha chamado. Mel ficava vermelha de vergonha só de lembrar. Não quisera dizer exatamente aquilo, mas ficou parecendo... Bem, irritada por ele a ter chamado de “branquela” ela comentou que ele só podia ser adotado, pois um filho de Remo Lupin jamais seria tão mal-educado. E ela sabia que realmente ele não poderia ser filho biológico deles, por causa da idade do garoto. Que mancada! Aquilo tinha sido cruel, mesmo que não tivesse sido sua intenção.

De qualquer forma, tinha coisas mais importantes para se preocupar do que o garoto arrogante da Grifinória. Como por exemplo, aquele símbolo no retrato de Rowena Ravenclaw.

Insatisfeita com o que tinha encontrado na biblioteca, acabara se decidindo por entrar em contato com o irmão. Ele tinha acesso a ferramentas das quais não dispunha ali. Então, quando Dumbledore aparecera na quinta-feira, ainda na primeira semana, aproveitou para mandar uma carta para o irmão. Ainda bem que a harpia tinha aparecido depois das aulas e encontrou a menina no pátio, de forma de não houve confusão desta vez. Bem, não “tanta” confusão...

A correspondência entre os irmãos foi intensa nos dias seguintes, sendo que a eficiência das harpias frente às corujas em viagens longas foi comprovada.

“Mel, Cara-de-Pastel:
Pesquisei na Internet o que você me pediu. Está tudo imprimidinho e bem guardado aqui comigo.
Agora me diz: o que há de errado com a biblioteca de Hogwarts? Será que finalmente a Madame Pince surtou com as zilhões de regras que ela mesma criou e o lugar foi fechado?
Você está aprontando, não está?
Vamos fazer uma troca: você me conta qual é o mistério de Hogwarts que está resolvendo, que eu te mando o que eu achei. É um bom negócio, se eu fosse você eu aceitaria...
Saudades,
Lipe.”

“Lipe, Mais-Chato-Que-Bipe:
Corta essa, garoto! Tá pensando que é quem?
Mesmo que você estivesse com essa bola toda e eu fosse obrigada a contar para você, eu não saberia o que contar.
É isso mesmo: eu só vou ter idéia se há realmente um mistério depois de ver o que você pesquisou. Talvez não seja nada. Tudo o que eu posso dizer é que há um símbolo celta no retrato de Rowena Ravenclaw (sim: há retratos dos Fundadores aqui, não é o máximo? Assim que eu conseguir uma câmera bruxa – daquelas que o Colin Creevey tinha – eu tiro uma foto e te mando).
As coisas que encontrei na biblioteca de Hogwarts não me esclareceram muita coisa. E, por mais que ela seja enoooooooorme e uma das mais completas do mundo bruxo, ninguém me convence que ela possui mais informações do que a Internet. Além do que, estou sentindo que vai ser necessária uma visão trouxa sobre este assunto...
Portanto, tire o cavalinho da chuva e manda logo o que você achou se realmente quer saber de alguma coisa!
Saudades também,
Mel.”

“Mel, Branca-Que-Nem-Papel:
Sei não, isso tá com cara de enrolação sua para cima de mim. Mas eu aceito trocar a pesquisa por uma foto do retrato de Ravenclaw.
Ele se meche? Digo, o retrato? Nesse caso, não seria mais fácil perguntar direto para o quadro dela, ó cérebro da família!?!
Ah, antes que eu me esqueça: da próxima vez, vou querer um autógrafo do Firenze como pagamento.
Seu irmão que te adora,
Lipe.”

“Lipe, Feio-Como-Celulite:
Seu mercenáriozinho de uma figa!
É lógico que, se o retrato falasse, eu teria perguntado para ele (digo, ela... Ah, sei lá!).
Mas o retrato é trouxa. Totalmente imóvel.
Os livros da biblioteca de Hogwarts dizem que os Fundadores decidiram que não haveria nenhuma parte deles sobrevivendo após a sua morte, além das idéias que eles ensinaram na escola. Segundo os livros, eles concordaram que Hogwarts deveria sobreviver sem eles, se quisesse durar mais que alguns anos.
Deviam ter razão, porque ela está aqui há mil anos!
É... Eu também te adoro (ainda).
Mel.”

Nenhum dos livros que Mel pesquisara explicava porque Rowena Ravenclaw tinha um símbolo celta no seu retrato. Quer dizer, nenhum, exceto pelo fato de que a tradição bruxa na Grã-Bretanha vinha em grande parte deste povo, e que na época de Rowena o conhecimento mágico ainda não estava totalmente separado do misticismo. Mais ou menos como a religião e a ciência para os trouxas. Mas, nenhum livro sequer sugeria que Ravenclaw tenha sido uma mulher “religiosa”, muito pelo contrário: parecia ter sido cética, embora tolerante com aqueles que pensavam diferente.

Quando Mel se deu conta, mais uma sexta-feira havia chegado. Estava ali a exatos onze dias. Se não fosse a solidão que estava sentindo – e isso era tão difícil de enfrentar – até diria que estava sendo feliz em Hogwarts.

Então, algo surpreendente aconteceu naquela sexta-feira. * Vira Danna cercada por um grupinho de sonserinas (mau sinal, logo pensou) que faziam troças da grifinória. Bem, não sabia que era Danna, a princípio, mas ficou ainda mais furiosa quando percebeu que era a garota com quem simpatizara tanto. A líder do grupo, como podem imaginar, era Caroline Bothwell, ou como Mel gostava de chamá-la mentalmente, “a versão feminina da doninha do Draco Malfoy”.

Mel disse umas poucas e boas para a garota e chegou até a encostar a varinha no rosto da sonserina para realçar a validade de suas palavras: iria azará-la se incomodasse Danna novamente.

O que aconteceu em seguida sempre iria ficar meio confuso nas lembranças de Mel. O Professor Widenprince, de Transfiguração, chegara neste momento. Ele era um bom professor, embora meio atrapalhado e com uma séria falta de confiança em sua autoridade didática. Ele quis saber o que tinha acontecido, e Caroline se apressou a contar uma mentira absurda onde Mel era a culpada, óbvio.

Então, Andrew aparecera do nada e a defendera. Andrew era o garoto moreno e de pequenos olhos azuis que era amigo de Hector Lupin. Joshua Shacklebolt o imitou. E, para a absoluta perplexidade de Mel, Lupin fez o mesmo.

Embora nem a Sonserina nem a Corvinal tenham saído ilesas em suas pontuações deste episódio, após este dia, os cinco estudantes de Hogwarts se tornaram inseparáveis: Hector McLellan Lupin, Andrew Willian Bennet, Dana Éowin O’Brian, Joshua Kingsley Shacklebolt e Mel Anhanguera Warmlling. Um dia, o grupo seria conhecido como “Os Novos Marotos”.

----------
NOTAS
----------

* Ler Harry Potter e o Retorno das Trevas, da Sally Owens.
** Harry Potter e a Ordem da Fênix, Capítulo 7.

---

(N/A): Foi um capítulo “idílico”. Pelo menos para mim. Espero que não tenha sido justamente o pesadelo de vocês, hehehehehe! Peço desculpas adiantadas se me deixei levar pela empolgação.

Agora, mais do que nunca, para ter uma idéia completa deste capítulo é necessário ler a fic da Sally Owens. O encontro da turminha, mais detalhado, está lá. Claro que eu vou escrever mais aventuras deles, mas eu precisava de uma “virgula” agora para dar novo fôlego e dar impulso a esse “grupinho de cinco liderado por Hector Lupin”, como diz a Madame Pomfrey.

Aos comentários:

BERNARDO: Tem problema pela demora, não. Eu demorei para postar também, hehehe! Obrigada por estar acompanhando e eu já li o capítulo novo viu? Só ainda não comentei, mas vou corrigir isso logo-logo (aliás, na sua fic e muitas outras... estou devendo muitos comentários). Mas já vou adiantando que estou louca para ver os bruxos dentro daquele avião!

TRINITY SKYWALKER: Você me deixou com um sorriso enorme no rosto com o tamanho do comentário! Agora eu quero ver como é que ele vai sair daqui! Prende a mão no forno, não! Além de eu estar supercontente com o seu comentário, sou membro da FALE! Hehehe! Você está melhorzinha da gripe? Espero que sim, se cuida, heim, menina? Nem sei o que dizer diante do seu comentário. Ou melhor, sei: sendo sensível como é, e observadora também, você captou as sutilezas de cada personagem. É incrível como faz isso. Adorei o “ingenuidades típicas de homem!”. Ih, menina, não é que é? A Felícia lembra mesmo a Baby Jane do Bernardo! Só que até fiquei com um pouquinho de pena da Jane, agora... Sim, os problemas de adaptação da Mel, não vão desaparecer de uma hora para a outra, é claro, mas agora que ela tem amigos, isso vai ficar mais fácil, né? A Danna é o máximo, né? Mas confesso que os méritos da personalidade da menina vão todos para a Sally, que teve um “vislumbre” de uma menina estranha, espiando todos com um olhar místico, de bruxa, em meio a cabelos negros e face pálida. A gente estava conversando quando ela surgiu e eu me lembro muito bem quando a Sally me disse isso. Assim nasceu a Danna. Os retratos dos fundadores: estão lá no Espaço MSN também. Quem quiser pode ir lá dar uma olhada. O símbolo celta: ah-há! É a chave de tudo, mas ao mesmo tempo aposto que vai se surpreender quando souber onde tudo isso vai dar (até eu me assusto quando penso!). Obrigada pelo comentário Groupe, e retribuo “ao cubo” todos os elogios.

ANA CAROLINA GUIMARÃES: Atualizado! Eu vi o seu comentário no Segredo de Sonserina, obrigada! É sempre bom ver gente nova comentando, obrigada. Você está se divertindo lendo? Porque é o que eu espero quando escrevo: que as pessoas se sintam bem lendo, tanto quanto eu me sinto ao dar vida aos personagens. Às vezes eles falam comigo, em horas mais impróprias, dizendo diálogos inteiros entre si... *Belzinha surtou*. Valeu pelo carinho, Ana! (Até o seu nome é legal!).

CAROLZINHA: Gente, pelo amor de Deus, parem de se desculpar pela demora nos comentários! Assim eu vou ficar ainda mais culpada pelos comentários que eu mesma estou devendo ao pessoal... *ficando vermelha de vergonha* É... Não se enganem com os “fofismos” da Ana. Ela pode ser bem rápida nas respostas (quem leu o Segredo de Sonserina já tá prevenido, né?). Teve mais do Lipe agora, viu? O menino é danadinho! Rampell está chateado porque não tem nada para fazer e ninguém para servir em Smith House: tia Agatha e Moody andam viajando muito ultimamente. Foi a alegria dele ir cuidar da Ana, hehehe! Naquele “round” a Ana acertou uma direita e derrubou a Felícia, hehehe! Sim as escadas são muito desobedientes! Claro, mas um mistério! Gostei que o pessoal está me chamando de “dona Bel” ou “dona Belzinha” – é como meus melhores amigos me chamam quando querem pegar no meu pé, sabia? Bem naquele tom de censura brincalhona: “Pois é, dona Bel, só a gente que telefona para você? Não quer mais saber da gente não, é?”. A Sally é maravilhosa, sempre paciente, sempre lendo os capítulos e me dando conselhos (ela me manda os dela também, mas sempre estão perfeitos, para quê eu vou meter o dedo na perfeição, não é mesmo?). Beijos, e não tem do quê ser desculpada!

ARICIA DUARTE: Obrigada, Aricia. “A Força do Amor”? Ah, não tente uma romântica incurável como eu com um título desses! Estou falando sério, sou um caso perdido! (A Bruxicca sabe que eu me derreto com romance de banca, somos sócias do mesmo clube de leitoras, hehehe). Ih, viajei na maionese de novo! *a mente voa* Vou lá sim, pode deixar.

BRUNAA: A leitura e um prazer. Leia o que te dá prazer.

BRUXICCA: Bom “espetacular”, também não está, hehehe! Mas dá para o gasto. Tem notícias da universidade que é a “rival” da minha antiga? Ouvi dizer que eles andaram ganhando bastante jogos, inclusive no handboll feminino... (droga, este era o nosso forte...). Frustrações de torcedora à parte... Hehehehe! Beijos, e obrigada pelo comentário!

CHARLOTTE RAVENCLAW: Você disse uma grande verdade agora. Os hospitais deveriam vender flores e cartões românticos na entrada, hehehe. Tem alguém que não odeia a Felícia? (Inclusive eu?). Grissom, corvinal? É, pode ser. Mas ele é complexo, é teimoso como um lufa-lufa, e gosta de causas perdidas, como um grifinório... Agora você me deu o que pensar com esse assunto. Mais detalhes sobre o Segredo de Ravenclaw no próximo capítulo! E, como romântica que sou, estou louca para suspirar mais com os casais super-românticos da sua fic!

MARIA LUÍZA: É isso aí! Abaixo às atiradas! Morte à Felícia! Heheheeh! Sim, de agora em diante vamos descobrir cada vez mais pistas de um segredo de Rowena Ravenclaw (os fundadores eram gente misteriosa, hehehe). Pois é, por mais que tente, vire e meche a Ana se pega tratando eles como crianças... Coisa de fã que os conhece desde crianças, sabe como é. Bem, concordo com a Sally quando ela diz que é lamentável os bruxos não assistirem desenho. E acrescento com as série de TV e os filmes. Que bom que gostou das dolls. Umas fui eu, outras a Sally. A gente fez de todos, depois escolhemos aquelas que ficaram melhores. Deixa eu ver se lembro: a do Hector, da Danna, Mel e Caroline fui eu, e a do Josh, Andrew e Rupert foi a Sally. Beijos para você também e obrigada pelo comentário.

MORGANA BLACK: Eu tenho que tomar cuidado ao falar com vc no MSN! Estes dias quase que você me fez falar qual é o segredo de Rowena. Garota perigosa! Hehehehe! Morri de rir com o seu comentário. A animação com o “Ana 1, Felícia 0” foi demais! “Talzinha” é um bom apelido, embora a Ana já tenha criado alguns também: “Ave de rapina” e “Cascavel”. Ana é do tipo que adora ter criança por perto, por isso que os sobrinhos a adoram. Agora, sendo tia de quatro Weasleys e tendo mais chegando por aí (quem leu a fic da Sally sabe o Cabeça-Rachada Potter não perdeu tempo mesmo, não é? A novidade que li estes dias por lá...). Fofoyla? Morgana, você é o máximo! As escadas: bem, se os estudantes já se perdem quando estão tentando chegar juntos, imagine uma menininha sozinha, aquela que todos deixam para trás? Ah, então acho que você vai ficar ainda mais fascinada com a Rowena nesta fic. Beijos!

GRAZY DSM: Ah, recomendo ler a fic da Sally, vai esclarecer muita coisa! Eu me aproveito da trama dela, tadinha. Pego “carona”. Juro que aquela cena sobre a Fuga em Azkaban já tinha sido escrita pela Sally há meses, e eu fiz a cena de como a Ana se sentiu com toda aquela tristeza bem antes dos acontecimentos em SP. Foi uma coincidência triste. Torturar vc? Logo vc? Magina! Beijos, obrigada pelo comentário. Ah, comentei lá na sua fic!

SALLY OWENS: Ultimamente, com cinco horas de vantagem, vc é a primeira sempre, hehehe! É, a antiga empolgação em escrever está voltando. Ela essencial para sair algo bom, como aqueles que escrevem bem sabem. “Enumerações Morganianas”? Meu Deus, você e a Morgana estão muito criativas no vocabulário! E eu que pensei que tinha me superado com termos tipo “capítulo groupe”, hehehe. Bem, eu gosto de fazer estas inserções do mundo real. Ah, como eu gostaria de apresentar as coisas trouxas aos bruxos! Como não dá, eu deixo a minha imaginação correr e faço isso através da Ana e da Mel. Me coloquei no lugar da Ana, todo aquele tempo preocupada com a “talzinha” como diz a Morgana, e “soltei” a Ana, deixei a “fera interior” dela ir à forra. Mas, como deve ter percebido, a Felícia ainda não se deu por vencida. Sim, ela é amiga e até parente deles, mas ao mesmo tempo ainda tem aquela reverência e até mesmo o senso de proteção que os fãs tem em relação a eles, a admiração também. Claro, não é só chegar e fazer um “vingardium leviosa” em Hogwarts. E se eu não gostar de suco de abóbora, por exemplo? Vou ter que ficar com cerveja amanteigada (eles servem isso para os estudantes?) ou então água? *Belzinha filosofando sobre as bebidas no mundo bruxo* Heheheh! Obrigada por me agüentar e estou, mais do que ninguém ansiosa para ler seu próximo capítulo (ah, gente, fiquem com ciúmes não, vocês sabem que, além de ser fã da Sally, também tenho motivos para ficar ainda mais ansiosa para ler a fic dela). Beijinhos!

BRUNA PERAZOLO: Erro corrigido, Bruna! Assim que atualizei, corrigi. Ah, a rebelião eu já expliquei ali no comentário da Grazy DSM. Ainda bem que você não foi com a cara da Felícia! (não era para ir com a cara dela mesmo, hehehe). Ó céus, mais uma fã me implorando pelo amor da Ana e do Carlinhos. Bruninha, as coisas acontecerem entre os adultos e... Bem, não posso contar mais nada. Senão estrago a surpresa. A resposta do porque eles não se mechem foi dada neste capítulo agora. Valeu pelo comentário! Beijos!

KIKA: A Morgana deu um apelido bem interessante para as colegas da Corvinal da Mel, Kika: “Corvichatas” – a Morgana está demais, hilária e criativa, hehehe (mais do que o normal, porque ela já é naturalmente assim). Hahahahahahaha! “Por que a Skeeter ainda está viva?” A indignação contida nesta pergunta me fez chorar de rir! Heheheehe. De novo: ninguém gostou da Felícia (que ótimo!). *sorriso satisfeito*. Hum.... “surra ao modo trouxa”... Você me deu uma idéia. Heheehehe! Os quadros dos fundadores estão “expostos” lá no espaço MSN das fics. O endereço está na página principal. Que desculpa, que nada! Eu amei seu comentário. Beijos!


Obrigada pelos comentários. Agradeço até mesmo aos que lêem em “silêncio”.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2022
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.