Tonks não podia acreditar.
Havia ficado surpresa e muito feliz, quando Harry telefonara dizendo que ele e Hermione estavam apaixonados e que iriam casar-se.
E mal chegara a Grangerwinds, soubera que Harry estava pronto para ir embora e encontrava Hermione nos braços de outro homem!
— Não é o que você está pensando — Hermione garantiu, ao desvencilhar-se dele.
Tonks fitou o homem, cética. Era um camarada muito atraente e sensual, apesar de aparentar bem mais de quarenta.
— Não sou amante de Hermione, Sra. Tonks — o estranho afirmou.
— Ah... sei. — Tonks não saberia dizer se estava lisonjeada ou aborrecida, por ele tê-la reconhecido.
— Não é não — Hermione insistiu, com o rosto tão vermelho quanto os olhos. — Ele é meu pai.
Tonks não engasgava com facilidade. Dessa vez, ela perdeu o fôlego.
— Eu soube... hoje. — Hermione estava muito agitada. — Remus chegou à semana passada, para ajudar-nos com Goldplated. Ele e mamãe... Bem, mas isso é uma longa história.
— Então não conte agora. Harry está partindo, conforme você lhe ordenou. Tem certeza de que é esse mesmo seu desejo? Ou então corra para impedi-lo.
— E o que adiantaria? Ele ama Cho.
— Isso é um absurdo. Ele me disse que ama você.
— É a história que combinamos para contar ao mundo.
Tonks teve vontade de dar-lhe umas boas palmadas.
— E você acha que não sei distinguir entre a verdade e uma lorota inventada? O homem está louco por você. Nos últimos dias, fui arrastada de loja em loja, enquanto ele comprava tudo o que havia de melhor. Anéis. Vestidos. Sapatos. Lingerie. Perfumes. Nenhum homem teria tanto trabalho por uma mulher, se não a amasse. Ele afirmou que tudo teria de ser perfeito para você.
— Isso é muito romântico, mas não muda nada. Harry está fazendo um jogo. E fantasiado de noivo perfeito. Mas na noite passada, ele estava na cama com ela!
— Não é verdade. Ele me contou que Cho apareceu na casa dele e insistiu em falar-lhe. Ele a escutou e mandou-a embora. Ele jura que nem mesmo tocou nela e que não a ama mais.
— Bem, ele tinha de dizer isso. Ele quer nosso casamento.
— E por que iria querer se ainda amasse Cho?
— Por causa do bebê!
— O bebê? — Tonks e Remus gritaram ao mesmo tempo.
— Você está grávida de Harry? — Remus fitou a filha.
— Não sei. Pode ser. Mas isso também faz parte do jogo.
— E você o está mandando embora? — Os olhos escuros de Remus fuzilaram.
— Ele... não me ama, pai — Hermione gritou. — E eu não posso suportar.
— Oh, filha, não faça o que sua mãe fez. Não deixe que ele se vá, sem antes conversarem. Você nunca saberá se ele a ama, se não lhe der a oportunidade de demonstrá-lo. Você me disse que sua mãe me amava, mas ela nunca me disse nada. Talvez tivesse medo de dizê-lo. Ou... talvez ela pensasse, como acontece com você e Harry, que eu não lhe correspondia. Se ela fosse honesta comigo, poderíamos ter-nos casado. Ou pelo menos, ter chegado a algum tipo de entendimento. E eu não teria ficado todos esses anos sem você. Mesmo que seja só pela criança, vá falar com Harry. E diga-lhe o quanto o ama.
— Eu... eu não posso...
— Não pode? Você, Hermione Granger, a jovem mais destemida que já conheci? Nunca ouvi tamanha asneira em minha vida! Agora, trate de correr, antes que seu homem vá embora. Vamos, vamos.
Tonks admirou-se da força de Remus. Sem ser muito alto e nem gordo, ele pôs a filha em cima do cavalo, como se ela fosse uma pena.
Mãos grandes. Olhos bonitos. Atraente.
Se ele precisasse de um emprego...
Hermione cavalgou em direção a casa, com a cabeça girando. O coração batia forte, no compasso dos cascos do cavalo. As emoções e os pensamentos mostravam-se contraditórios.
Harry não a amava.
Tonks tinha certeza do contrário...
O pai a comparava à mãe.
Ela espicaçou a montaria, galopou mais rápido e fez a última curva. A tempo de ver Harry sentar-se atrás do volante do carro.
— Harry, espere! — ela gritou.
Sem escutá-la, pois já dera a partida, Harry acelerou o carro, deixando uma pequena nuvem de cascalho atrás de si.
Ela tentou segui-lo, mas o veículo era mais rápido de que o cavalo.
Sabia que não o alcançaria se não fosse pelos cercados.
O medo de perder o filho de Harry, sem nem mesmo saber se o carregava, fez com que desistisse de uma corrida louca e perigosa por cima das cercas.
Permaneceu no lugar, observando-o afastar-se, até não ver mais nenhum ponto vermelho na estrada e nenhuma poeira. Nenhum vestígio dele. A não ser, talvez uma criança...
Ela entrou na casa, subiu a escada devagar e foi até seu quarto, onde encontrou várias caixas e sacolas jogadas por cima da cama.
Abriu-as, uma por uma. Depois levou tudo para o quarto de hóspedes e espalhou os conteúdos sobre a colcha de veludo. Um lindo vestido branco de renda. O chapéu combinando. Sapatos de salto alto. A roupa íntima luxuosa e sensual. Um frasco de perfume. A pequena caixa de veludo, com as alianças. E o maravilhoso anel de noivado, de rubi e diamantes.
Ela deixou-se cair, no chão ao lado da cama, agarrando o anel junto ao peito. Nem conseguiu chorar.
Ouviu os passos de Agnes na escada. Não queria vê-la. Mas foi Harry quem entrou no quarto e ergueu-a nos braços.
— Agora, escute. — Ele a fitou, bem dentro dos olhos. — Eu a amo, Hermione Granger. E sei que você me ama. E por isso não vai mais me mandar embora, por que eu não irei. Nós nos casaremos e teremos filhos. E seremos felizes para sempre.
Harry envolveu-a nos braços e apertou-a contra o peito largo, com os lábios nos cabelos castanhos.
— Agora, diga que me ama — ele pediu.
— Eu o amo, Harry — ela confirmou, ainda com o anel apertado de encontro ao coração. |