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4. Sun Palace


Fic: Um pequeno detalhe


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A segunda-feira chegou trazendo consigo uma saudade do fim de semana que Hermione tivera. Foram dois dias apenas com seus amigos, sem preocupações. Agora, ela teria que enfrentar os perigos de uma missão ao lado de Harry Potter. Ainda era pouco mais que seis da manhã e ela estava terminando de se arrumar. Dali seguiria para uma reunião na sede da Ordem da Fênix, que voltara a ser no Largo Grimmauld 12 e depois diretamente para o Ministério da Magia.

“Hoje vai ser um dia e tanto!”, pensava enquanto colocava os brincos em frente ao espelho.

O café fora tomado bem cedo para que não se atrasasse muito, as malas arrumadas no dia anterior e a varinha preparada jazia no bolso interno de seu sobretudo. Um bilhete havia sido deixado preso por um ímã na geladeira para Sandy, que ainda não chegara.

Definitivamente, estava tudo pronto. Analisou as vestes e conferiu se não havia esquecido de nenhum detalhe. “Acho que não...”, pensou. Pegou as malas e dirigiu-se à porta. O seu celular tocou.

- Oi, mãe! – cumprimentou.

- Te acordei, querida? – perguntou sua mãe do outro lado da linha.

- Não, mamãe. Eu já estava de saída. Ainda tenho que passar na sede da Ordem e passar no Ministério. – Hermione fechou a porta de seu apartamento e chamou o elevador.

- Desculpe ligar tão cedo. É que eu queria falar com você antes que viajasse e não sabia a que horas iria para a Escócia. – explicou a mãe.

- Não se preocupe, estou acordada desde muito cedo! Viajarei apenas depois às dez, mas há muitas coisas para resolver antes de pegar o vôo.

- E quando vocês voltam?

- Daqui a umas três semanas. – Hermione apoiou o celular no ombro, abriu a porta do elevador, empurrando a mala para dentro.

- Tudo bem, então, filha! Quando chegar lá, me liga, ok? – pediu a mãe. – Ah, e seu pai está mandando um beijo.

- Mande outro para ele. – disse Hermione sorrindo. – Deixa eu desligar, mãe.

- Ok. Um beijo, querida. – despediu-se.

- Outro! Tchau! – Hermione desligou o telefone antes mesmo de entrar no elevador, balançando a cabeça negativamente e sorrindo. – Minha mãe não muda! – murmurou.

A porta do elevador se fechou e ela desceu. Chegando ao térreo, desceu a escadaria de mármore ainda puxando a sua mala. Pegou o celular dentro da bolsa e discou um número que não utilizava há muito.

- Harry?

- Aguarde só um instante, Srta. Granger. Vou chamá-lo. – disse a voz de uma senhora. Hermione tinha certeza de que era Betty, uma das serviçais de Harry. Era uma senhora amável, simpática e que conhecia Hermione como ninguém. Depois de alguns segundos, a voz que invadiu o fone foi a de Harry. – Hermione?

- Harry, tenho que ser rápida. Estou indo para o Largo Grimmauld, tenho que pegar algumas coisas com a Tonks... Será que poderia me pegar para irmos ao Ministério juntos?

- Claro! É bom que aproveito para conversar com o Lupin e ver a Jamie Lynn. – concordou Harry. – Devo chegar a que horas?

- Quando pretende sair de casa? – perguntou a mulher.

- Estou terminando de tomar café. Pretendo sair dentro de cinco a dez minutos. – respondeu o homem.

- Ok. Nos encontramos lá, então. – concluiu Hermione.

- Ok. Tchau!

Hermione desligou o celular e colocou-o dentro de sua bolsa. Entrou em um pequeno beco ao lado de sua casa e aparatou. Subiu os três degraus de escada e bateu à porta do número 12, já materializado entre os números 11 e 13. Quem abriu a porta foi Tonks com uma garotinha de mais ou menos três anos, pele clara e cabelos rosa chicle como os da mãe.

- Hermione! Que surpresa! – disse a moça. – Venha, entre. Pensei que viria mais tarde...

- Bom dia, Tonks. – disse Hermione sorrindo. – E como está você? – perguntou dirigindo-se a garotinha.

- Oi, Mione. – cumprimentou a garota timidamente.

- Jamie Lynn acordou a pouco. – explicou Tonks colocando-a no chão.

- Pai! – chamou a menina. – Mione está aqui!

Lupin desceu as escadas sendo seguido por Moody.

- Eu sei, pequena! – disse o homem dando um beijo na garota. – Como vai, Hermione?

- Olá, Remus. – cumprimentou. – Moody! – acenou com a cabeça para o homem parado no último degrau da escada.

- Lynn, vai brincar lá no seu quarto, sim? – fez Tonks.

- Ah, mamãe! – choramingou a garota.

- Filha, vá que a mamãe tem que resolver algumas coisas agora. E eu prometo que te dou um chocolate. – insistiu a metamorfomaga.

- ‘Tá bem! – e Jamie Lynn subiu as escadas.

- Aconteceu alguma coisa, Mione? – perguntou Lupin.

- Não, apenas vim pegar alguns materiais com a Tonks. – respondeu Hermione. – Hoje eu e o Harry estamos entrando em uma missão e sua mulher disse que era para eu vir aqui e pegar umas coisas que aprontou para nós.

- Eu só não esperava que viesse tão cedo. – disse Tonks. – Quase todos estão dormindo ainda, menos nós, que temos uma criança pequena para cuidar – disse referindo-se a si mesma e a Lupin. –, e o Moody, que como sabe, sempre teve o hábito de levantar cedo.

- Sei perfeitamente. – riu Hermione. Seu sorriso desmanchou-se quando analisou a casa. – Dumbledore sempre estava aqui bem cedo para as reuniões da Ordem. – deu um sorriso triste. – Lembro-me como se fosse hoje, quando éramos obrigados a ficar de fora de tudo... Tudo mudou tanto depois que ele se foi, não?

- Sim, Mione. – concordou Tonks, também sorrindo tristemente.

- Hem hem – fez Lupin. – Acho melhor se adiantarem. Tenho certeza de que Rufo Scrimgeor não tolera atrasos.

- Ok, ok. – fez Tonks. – Venha comigo, Mione.

E Hermione seguiu Tonks até a sala de visitas.

- O material está todo aqui. Peço que estejam sempre armados e bem preparados, não deixando escapar nenhum detalhe, ok? Harry já foi informado de tudo pouco depois de seu retorno. Sabe perfeitamente tudo o que deverão fazer. – informou Tonks.

“Então ele sabia de tudo?”, perguntou-se Hermione em silêncio. “Ah, ele me paga!”

- Ok. – concordou e escutou a campanhia tocar. – Ele acabou de chegar...

- Quem? O Harry? – perguntou Tonks. – Ele não morre mais! O que ele veio fazer aqui?

- Marcamos de ele vir me pegar... – explicou Hermione.

As duas desceram as escadas apressadamente.

- Cadê meu chocolate, mamãe? – perguntou a menininha do alto da escada.

- Depois, filha... Depois! – disse Tonks apressada.

Hermione riu. Harry conversava com Lupin e Moody à um canto quando chegaram lá embaixo. Aproximaram-se e Hermione puxou Harry pelo braço.

- Com licença um minutinho só. – pediu e levou o moreno a um canto afastado. – Como é que você sabia da missão e me fez de boba contando a você?

- Eu sabia apenas do disfarce e onde iríamos. Rufo Scrimgeor disse que havia encarregado você de me explicar o resto. Estaremos trabalhando juntos, então eu tinha que saber alguma coisa, também. – explicou-se.

Hermione olhou-o no fundo dos olhos, perfurando aqueles olhos verdes encantadores. Com um olhar fuzilante, se afastou do homem.

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Após uma reunião de quase uma hora com Rufo Scrimgeor, Harry e Hermione finalmente foram liberados para deixar a Inglaterra e seguir para a missão. Eram quase dez horas da manhã quando deixaram o Ministério. No carro de Harry, os dois seguiram para o aeroporto internacional, onde pegariam um vôo diretamente para a Escócia. Os dois, ainda vestidos formalmente, se trocariam no aeroporto. No momento, Hermione vestia uma saia até o joelho preta e justa, um blazer feminino, também preto, com uma blusa branca de mangas compridas por baixo, meias calças e sapato social preto. Harry usava um terno preto, calça e sapatos sociais pretos, uma blusa de manga comprida branca pot baixo. Equipados com varinha e pistolas, os dois pareciam agentes do governo disfarçados.

- Não vou me trocar no aeroporto! Que tipo de pessoa se troca num banheiro público? Principalmente de aeroporto! – resmungou Hermione, ao que Harry riu.

- E onde se trocará? – fez Harry erguendo as sobrancelhas.

Hermione não respondeu. Tirou a varinha do bolso de seu sobretudo, dobrado sobre seu colo, e acenou. Suas roupas imediatamente mudaram para uma blusa rosa bem clara justa de mangas até o cotovelo, uma calça comprida jeans risca giz cinza escura e um tênis rosa, também claro, com listras prateadas. A roupa que vestia segundos atrás, jazia dobrada em seu colo.

- Que achou? – ela perguntou sorrindo marotamente.

- Gostei da idéia! – murmurou ele.

- Hum... – ela acenou com a varinha e as roupas dele também mudaram. – Encoste o carro!

- Como é?

- Já disse: encoste o carro! – repetiu ela.

Ele obedeceu.

- Sem os óculos! – disse retirando a armação do rosto do homem. – Um feitiço... – Acenou com a varinha novamente. – E pronto!

- Como fez isso?

- Um simples aceno de varinha. Agora... – ela conjurou uma mochila grande e colocou as roupas e os óculos do homem dentro. – Acho que é só. Estamos prontos!

O homem voltou à pista e seguiu para o aeroporto. Não demoraram a chegar. Fizeram o check-in, despacharam as malas e embarcaram. Cerca de cinqüenta minutos depois, estavam ‘resgatando’ suas malas. Do aeroporto, foram a um restaurante, onde almoçaram e depois seguiram para o Hotel Sun Palace.

- Harry, eu já disse: não vou deixar de ser sua amiga porque gosta de uma mulher como a Lizzie. – disse Hermione pela milésima vez.

- E eu já disse que não gosto dela! Eu nem a conheço, Hermione!

- Tudo bem. Você pode não gostar, mas dá pra perceber que algo você sente...

- Você quer dizer o quê com isso?

- Quero dizer que está apaixonado pela Lizzie. Não é preciso conhecer para se gostar de alguém. – insistiu Hermione. – O que ela fez? Deu um beijo em você no sábado, foi isso?

- Não é nada dis... Como sabe? – perguntou Harry confuso.

Hermione se calou. Falara demais, definitivamente. Precisava mudar de assunto rapidamente. Tudo o que ela não queria era ver o seu melhor amigo sofrer, principalmente por causa de Lizzie Mackenzie. No entanto, não fora preciso. O rapaz que se encarregara de trazer as malas para o quarto adentrou o corredor e notara os dois brigando. Hermione apenas entrelaçou sua mão na de Harry e deu-lhe um selinho. Aquela discussão tinha ido longe demais. De início, Hermione sabia que o que estavam fazendo era errado e que poderia comprometer a missão. Mas parecia que Harry pouco se importava com aquilo e estava mais preocupado em negar tudo o que a mulher dizia.

O rapaz abriu o quarto e deixou as malas próximas ao armário. Voltou à porta e Hermione lhe estendeu dois euros.

- Obrigada! – agradeceu.

- Hermione, eu... – começou Harry quando a mulher deu um encontrão nele ao se virar.

Os dois estavam muito próximos, os narizes quase se tocando. Um turbilhão de pensamentos passou pela cabeça de Hermione e ela não sabia como reagir. Como se a sua confusão se espelhasse em Harry, ele a beijou com voracidade. Ela se sentia estranha beijando aquele homem, seu melhor amigo. Tentou interromper, mas a razão já lhe faltava. Os dois corpos pareciam necessitar um do outro, trabalhando em perfeita sintonia.

Harry já havia puxado Hermione para si pela cintura, ao que ela entrelaçou o pescoço do moreno. “O que estou fazendo?”, perguntou-se Hermione. Por mais que soubesse que aquilo era errado, não conseguia se afastar. Era como se surgisse uma pontinha de sentimento para com ele, além da singela amizade que mantiveram durante todos aqueles anos.

Aquele beijo estava se transformando. A cada segundo, se tornava mais urgente. Como que por instinto, Harry deitou-a na cama. Os dois já não sabiam mais o que estavam fazendo, apenas obedeciam seus corpos. Hermione já parara de tentar chamar sua razão de volta e lutar contra consciência. Deixou-se levar por aquele homem maravilhoso que conhecera num trem há nove anos, aquele amigo de infância, aquele homem que todas as mulheres sonhavam...

Por um segundo, interromperam o beijo e tentaram recuperar o fôlego, mas eles pareciam não querer se separar. Hermione puxou-o de volta para si. “Agora que começou, você termina!”, pensava enquanto entregava-se a mais um beijo. Comaçou a desabotoar a camisa que o homem vestia e ele próprio a arrancou e jogou-a para um canto qualquer do quarto, sem desgrudar os lábios dos de Hermione. Hermione nunca tinha feito aquilo, mas tinha certeza de que o rumo que tudo tomaria seria o que mais temia...

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Hermione acordou sentindo-se estranha e ao mesmo tempo contente. Não sabia de onde vinham aquelas sensações. Para ela, parecia que algo que não deveria acontecer, acontecera. Levantou-se e olhou para o lado, onde seu melhor amigo dormia tranqüilamente, parecendo exausto. Sentiu um arrepio e um frio tomou conta de seu corpo. Só então notara que estava completamente despida. Com as mãos, abafou um grito de horror.

“Então aconteceu?”, perguntou-se horrorizada.

Ela então se lembrou... Tudo o que acontecera naquela tarde parecia vir em sua mente como um flash. Aquilo definitivamente fora um erro, uma coisa que não poderia ter acontecido.

“Mas aconteceu! E foi mágico...”, pensou.

Ela se levantou e enrolou-se em um lençol, indo ao banheiro.

“Eu estava completamente fora de mim, perdi a razão...”, tentava tirar aquela sensação de culpa. “Aposto como ele também não sabia o que estava fazendo... Agimos por impulso!”

Entrou na banheira e ligou o chuveiro. Durante o banho, tentava tirar aquele peso das costas, convencer-se de que não havia feito nada de errado. Para ela, aquilo era novo. Nunca fizera aquilo antes, mas sempre sonhara com uma experiência mágica, com um alguém especial... E quem melhor do que Harry Potter?

Saiu do banheiro mais calma e completamente vestida. Harry ainda dormia. Espiou pela janela e notou que já era noite. Silenciosamente, deixou o quarto. Enquanto tomava o elevador, uma moça loira de cabelos encaracolados se pôs ao seu lado.

- Aconteceu alguma coisa, querida? – perguntou educadamente, deixando Hermione sem graça.

- Não, não aconteceu nada. Obrigada! – mentiu Hermione.

- Não se arrependa do que fez... Arrependa-se apenas do que não fez... – murmurou a mulher, enquanto observava a porta do elevador se abrir.

Hermione não entendeu, mas ficou agradecida pela mensagem que a mulher tinha deixado. Entraram juntas no elevador e desceram para a recepção. Separaram-se à porta do hotel, quando Hermione seguiu para os jardins e a mulher para o balcão da recepção.

Sentando-se num banco mais afastado do jardim, Hermione observava o céu enquanto a mensagem que a mulher deixara martelava em sua cabeça.

- Eu não tive culpa. – sussurrou.

- Nem eu, nem você... – murmurou uma voz atrás de si.

Harry estava parado atrás dela com as mãos nos bolsos. Ele sentou-se ao lado de Hermione, que apoiou sua cabeça no ombro do amigo, sentindo o perfume que ele emanava. Aquele perfume que embrenhara-se em seu corpo, aquele perfume que ela sempre gostara.

- Desculpe pelo que aconteceu. – ele disse virando-se para encará-la, depois de vários minutos silenciosos.

- Não foi nossa culpa, você sabe. Aconteceu! E nós não podemos mudar isso... – ela disse, tentando convencer a si mesma.

- Mas poderia não ter acontecido...

- Se aconteceu, foi porque o destino quis... Quando um não quer, o outro não insiste, sabe disso! A razão nos faltou e agora não podemos desfazer... Não adianta chorar o leite derramado...

Harry olhou-a serenamente, beijou-lhe a testa e encarou o céu.

Hermione fechou os olhos, ainda deitada no ombro do amigo.

“Eu só queria poder acreditar nas minhas próprias palavras...”

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