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8. Uma casa sem pátria


Fic: O resgate do Soldado Malfoy


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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"Mesmo que você me abrace até que isso se torne sufocante nós jamais nos tornaremos um só. Frias estrelas de antes do amanhecer, por favor ilumine o caminho que é apenas nosso."
Hikida Kaori – Michiyuki



O nariz de Ginevra começou a funcionar assim que ela despertou. Em meio ao cheiro da guerra, das mortes, das feridas dos soldados, dos corpos podres dos mortos e dos detritos dos vivos, seu olfato filtrava apenas um aroma. Era exatamente aquele que subia em ondas do peito no qual ela descansava, que provinha exatamente daquele homem que deveria odiar. Foi então que seus pensamentos se voltaram para Harry. Abriu os olhos para visualizar os cabelos loiros e a pele pálida sobre a qual descansava. A culpa invadiu seu peito e fez com que se levantasse de repente. O que diabos estava fazendo ali? Era noiva, tinha uma honra pela qual zelar, um homem para o qual deveria voltar! Mas não podia deixar de se perguntar onde é que estaria seu futuro marido que ainda não a viera salvar?

Atento, Draco percebeu imediatamente a movimentação da enfermeira e segurou-lhe o pulso com firmeza, pousando sobre ela os seus olhos de tempestade.

- Onde vai, Ginny? Ainda está cedo para cuidar dos doentes...

- Como você sabe que é dia ou noite? Como sabe que é cedo ou tarde se estamos presos nesse buraco? Draco... o que nós fizemos? – ela se deixou desabar novamente sobre o peito do amante, enquanto o soldado lhe afagava os cabelos, fazendo com que mais uma vez seus dedos se enroscassem pelos fios vermelhos. Era impossível resistir. Estava entregue àquela cor desde que havia abandonado seu lar para lutar ao lado de um monstro.

- Nós fizemos apenas o que tínhamos que fazer. Ninguém é perfeito, Ginny. Não tente ser como o Potter.

- Eu vou me casar com ele, Draco! – ela disse, num tom que beirava o desespero e a fatalidade, enquanto movia o rosto de forma a fixar seus olhos castanhos nos cinzentos dele.

- Não se case – falou o soldado com simplicidade. – Quando conseguirmos sair daqui, diga a ele que vai para a Alemanha comigo.

Ginevra riu. Riu tanto que deixou Draco irritado. Afinal, o que poderia ser tão engraçado em meio àquela situação em que se encontravam? Então, ela se tornou séria novamente, e suspirou antes de prosseguir:

- Draco... meu soldado Malfoy... mesmo que você me abrace até que isso se torne sufocante, nós jamais nos tornaremos um só.

- Por que você diz isso, Ginny? – ele falou surpreso. - Eu abandonaria o que sou por você, eu deixaria para trás aquilo que sempre fui condicionado a ser apenas para estar ao seu lado. Você não faria o mesmo por mim?

Ela sorriu, entristecida, quase como se soubesse o que os aguardava por meio de algum poder especial, talvez uma intuição ou sexto sentido restrito apenas às mulheres. Então, murmurou antes de se levantar:

- Que Deus ilumine o nosso caminho, Draco, porque vamos precisar Dele.

O soldado não respondeu. Viu a enfermeira se afastar, os longos cabelos balançando-lhe nas costas enquanto ela caminhava para fora de seu campo de visão. Então, fechou os olhos e tentou relembrar os cheiros, os toques e os sons da noite anterior. Queria-a para si, muito mais do que quisera honra e glória na guerra. Sabia que o maior resgate de sua vida não havia sido aquele que o tirara do avião em chamas após a queda, e tão pouco seria aquele que o retiraria daquele abrigo antiaéreo. A verdadeira responsável pelo resgate do soldado Malfoy seria sempre Ginevra Weasley, e nada nem ninguém mudaria aquele fato. O inverno dentro dele se ia para dar espaço a um novo sentimento, que seria o responsável por determinar sua redenção. Não era um monstro, afinal.

Draco prometeu para si mesmo que faria de tudo para ter o amor da única mulher que valia a pena: a impura enfermeira britânica, que havia se tornado o seu eterno e abençoado anjo vermelho. A promessa o fez esboçar um pequeno sorriso, que brincou por seus lábios finos e ressecados pela prolongada falta de alimentação.

Levantou-se de um salto, animado, e foi procurá-la. Ela estava próxima aos escombros, local onde os soldados haviam voltado a trabalhar naquela manhã. Sem se importar com o que diriam, Draco rumou determinado para ela, abraçando-a e se deixando envolver pelos cabelos vermelhos, sorrindo de felicidade. Girou-a para si e viu que ela também sorria. Porém, em uma fração de segundo, um estrondo produzido por uma arma se fez ouvir e a expressão de Ginevra passou da mais doce felicidade a mais profunda dor.

Draco sentiu o sangue lhe empapar a roupa quando o corpo da jovem enfermeira amoleceu em seus braços. De repente, a dor lhe invadiu por completo, e não sabia precisar se era por conta do que estava por vir ou se da ferida que também se havia produzido nele. O tiro havia atravessado o peito de Ginevra e a bala se alojara na barriga de Draco. O soldado britânico que os atingira estava a poucos metros de distância, e o alemão fez menção de caminhar até ele. Queria matá-lo, estrangulá-lo se preciso fosse, infringir a ele a dor que sentia lhe tomar os sentidos. Não podia perdê-la. Não naquele momento no qual julgava que nunca mais haveria inverno em sua vida.

Mas um forte tremor de terra fez com que Draco se desequilibrasse. A última coisa que conseguiu visualizar foi que o teto do abrigo antiaéreo se cobria de rachaduras, prestes a ceder. O primeiro a ser engolido pelos entulhos foi o soldado que o tinha atingido. No instante seguinte, a escuridão desceu sobre sua visão e as trevas tomaram conta de sua vida.


******



A dor era demais. Não podia ser assim, não deveria ser assim. Não havia motivo, razão, causa, explicação. E, mesmo assim, doía tanto que dava a impressão de que jamais cessaria. A promessa não cumprida, jogada ao vento. O resgate pleno que nunca viria. Uma promessa de vida enterrada para sempre com ela.

Ginevra estava morta.

Seus cabelos ainda conservavam o vermelho vivo enquanto ela jazia naquele caixão, quase como se zombassem de Draco, quase como se quisessem fazê-lo acreditar que ela ainda poderia ser sua. Ele se aproximou com dificuldades, a faixa cobrindo a região na qual fora atingido pelo tiro. Passou os dedos pelos fios de cabelo vermelhos, segurando-os com firmeza. Não podia ser verdade, mas a força do fato se apresentava diante de seus olhos, mostrando-lhe que ela jamais seria sua. Que eles jamais poderiam compartilhar uma vida, um lar juntos.

O comandante Potter estava a um canto, sem entender exatamente as manifestações de desespero do soldado alemão. Mesmo assim, sabia que tinha ganhado um aliado. Após um novo combate aéreo sobre os escombros do hospital, a Royal Air Force, sob o comando de Harry, expulsou de vez os alemães do território inglês. Em 17 de setembro de 1940, Hitler decidiu adiar indefinidamente a Operação Leão Marinho, que pretendia dominar o território da Grã-Bretanha e expandir o Império alemão por toda a Europa. Em 12 de outubro a invasão foi formalmente adiada para a primavera seguinte. Mas o reino britânico não voltaria a ser atingido pela força aérea da Alemanha durante toda a guerra.

Durante as operações de resgate para libertar os prisioneiros do hospital, a estrutura do prédio, abalada pelos bombardeios, havia cedido, enterrando a maior parte dos que ali estavam. Poucos foram resgatados pelas forças do comandante Potter. Ao descobrir que sua noiva estava entre os mortos, passou a se corroer em remorsos. Não soube como cuidar dela, e então a tinha perdido para sempre. Em meio ao desespero provocado por sua morte, Harry sequer percebeu que ela havia sido ferida a bala. Um tiro que era destinado ao soldado Malfoy, um dos poucos sobreviventes do hospital de guerra.

Harry se aproximou do caixão da noiva e observou a atitude do alemão, que trazia os olhos molhados, embora não chorasse. Ao ver que o comandante britânico estava parado ao seu lado, Draco largou os cabelos de Ginevra e voltou seus olhos de tempestade para aquele que julgava seu inimigo.

- Lute ao nosso lado, soldado – disse o comandante Potter de repente. – Ajude-nos a acabar com essa guerra.

Draco poderia ignorar o pedido. Poderia dizer que, por causa de um soldado britânico, havia perdido a única mulher que amou na vida. Mesmo assim, acenou a cabeça e respondeu:

- Dê-me um uniforme e um avião, Potter. E talvez eu possa lhe contar alguns segredos sobre a força aérea alemã.

Já que não poderia cumprir a promessa de lutar para viver ao lado da mulher que amava, Draco fez a única coisa que lhe pareceu sensata: aliou-se aos britânicos. O soldado não era burro. Se voltasse para a Alemanha depois de tanto tempo, seria visto como desertor. E, de qualquer forma, não poderia voltar para aquela que um dia chamou de sua pátria, porque já não compartilhava mais das mesmas idéias que o monstro que um dia ousou chamar de mestre. A Grã-Bretanha era mais segura. E estar ao lado do inimigo talvez o fizesse ficar mais próximo daquela que um dia ousou amar.

O comandante Potter nunca soube o que se passou entre as quatro paredes do hospital de guerra. Certas coisas não precisam ser mencionadas. A ele sobrou apenas uma lembrança, e a carta não lida encontrada no bolso da farda usada pela enfermeira. Nela, Harry jurava amor eterno e prometia se casar com ela assim que a guerra terminasse.

Draco não recebeu o avião, mas se tornou um dos principais informantes das estratégias alemãs durante o restante da guerra. Seria até mesmo o responsável por alertar os Estados Unidos de que Pearl Harbor era uma base muito exposta e que poderia vir a sofrer um ataque por parte da Luftwaffe. Mais tarde ele provaria que não estava enganado.

Ao fim da guerra, Draco recebeu uma medalha por serviços prestados aos aliados. Ao chegar ao apartamento alugado no centro de Londres, tirou-a da farda e a jogou no lixo. Não merecia nenhuma medalha. Não queria ser homenageado por nada.

Ambos, comandante Potter e soldado Malfoy, tinham amado a mesma mulher. Ambos juraram protegê-la e falharam miseravelmente. Porque uma guerra nunca é feita de promessas. Uma guerra é sempre feita de mudanças e perdas...


For what I’ve done I’ll start again
And what everything may come
Today this ends, I’m forgiving
What I’ve done
Forgiving what I’ve done

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