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36. Anna


Fic: Severus - A partir de Agora (Snape/OC) NC17!! - Indicada para o Multifaceted na categoria Dark


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________







J




 


J.K.
é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.


Por
favor, não me processe, eu não tenho nada.


Agradeço
a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.


E
como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.


 


*****



 


Capítulo
36     Anna


                       
 Enquanto eu
viver...
          


 


Do
capítulo anterior...


 


*.*.*



Cinco
dias.



Fechou
os olhos um instante, abrindo-os logo depois.



Não
tinha sobrado muito tempo para descansar. Embora não tivesse acontecido mais
nenhum problema e a recuperação estivesse indo bem, ainda poderia haver
perigo. Mas Pomfrey achou que podiam parar de lhe dar a poção do sono e
diminuir as outras. Sem verbalizar sua preocupação em arriscar ainda mais o frágil
bebê.



Virou
a cabeça um pouco para ver o rosto diante dele.



Os
pensamentos voando à reunião da Ordem esta noite. E à ausência da resposta
à coruja que enviara a Lucius na noite do chamado.



Era
isso.



Tinha
acabado.



Sua
vida não valia mais nada.



Respirou,
tornando a fechar os olhos.   Imóvel.



 


*-*..*..*-*


Cinco
dias.


Fechou
os olhos um instante, abrindo-os logo depois.


Não
tinha sobrado muito tempo para descansar. Embora não tivesse acontecido mais
nenhum problema e a recuperação estivesse indo bem, ainda poderia haver
perigo. Mas Pomfrey achou que podiam parar de lhe dar a poção do sono e
diminuir as outras. Sem verbalizar sua preocupação em arriscar ainda mais o frágil
bebê.


Virou
a cabeça um pouco para ver o rosto diante dele.


Os
pensamentos voando à reunião da Ordem esta noite. E à ausência da resposta
à coruja que enviara a Lucius na noite do chamado.


Era
isso.


Tinha
acabado.


Sua
vida não valia mais nada.


Respirou,
tornando a fechar os olhos.   Imóvel.


*.*-.*


Acordou
algum tempo depois com uma mão em seu rosto.


Abriu
os olhos, encontrando castanhos.  Levantou a cabeça. Mergulhando neles.


Perdendo
a noção do tempo. E de quanto dele tinha passado.


Nina
respirou. Havia a pele morna sob sua mão. Sua filha em sua barriga, mexendo-se
sem parar.


O
ar morno. O sol. E ela estava viva. Perdida em pretos.


Não
importou o cansaço. O peso em seu corpo. A pequena cólica que a incomodava.


Ou
olhos azuis que tinham estado em seus pesadelos.


Acariciou
o cabelo preto. Sentindo a textura em seus dedos.  
   Tudo estava certo.


-
Você está bem?


A
voz dele estava estranha.     
Lembrou de uma outra vez, há muito tempo.  A mesma pergunta.


-
Sim. – mas o tom era baixo, cansado.


Não
tirou os olhos dela.


Nada
mais importava.


Enquanto
se perdiam. Encontrando-se.


 


*-*.-*..*..*-.*-*


 


Eles
tinham conversado. O tom dele tornando-se duro. Exigente.


Perguntando
o que tinha acontecido. Não satisfeito com as respostas.


O
estado dela impedindo-o de usar magia.


Frustrando-o.
Fazendo com que respirasse para se acalmar.


Enquanto
percebia que ela estava preocupada. Assustada.


Inspirou.


Não
era hora.


Não
ainda.


Foi
quando Pomfrey chegou com Minerva.


Ambas
que manifestaram sua felicidade em vê-la bem. Enquanto ele se afastava.


Finalmente
indo para seus quartos. Para pensar. Planejar.


Antes
de ir até Albus. Enfrentar a Ordem.


E
a tempestade.


 


-*.-*..*..*-.*-



 


-
E agora estamos cegos e surdos! – completou levantando-se da cadeira.


-
Moody...


O
olho girava para todos os lados, mostrando a irritação de seu possuidor.


-
Não, Albus! – inclinou-se para frente, apoiando as mãos na mesa da cozinha
da sede da Ordem – Quer que acreditemos... – engoliu, controlando a fúria
– Sabemos a verdade: tudo isso foi só uma desculpa!


Os
outros não se manifestaram. Suas expressões eram diferentes. Lupin já tinha
tentado argumentar, depois de controlar a raiva ao descobrir o que tinha
acontecido a Nina. O que aquele... seboso tinha deixado acontecer. 
Minerva não estava. Ainda cuidava de Nina.


-
O que vocês têm que entender é que...


-
Que Severus, o Seboso, sonserino, ex-comensal. – pontuou cada palavra com um
acento irônico – O mesmo Severus que conhecemos, fez tudo isso... por uma
trouxa
??!!? – riu com deboche, mas a expressão continuava séria,
furiosa.


Albus
suspirou. Era uma sorte que Severus ainda não tinha chegado. A discussão já
se estendia.


-
Não, Moody. – disse levantando-se, definitivo – Quero que confie em minha
palavra quando digo que uma outra escolha não foi... possível diante das
circunstâncias. – concluiu sério, olhando por sobre os óculos.


Eles
se calaram. Severus estava chegando. O diretor olhou-os, advertindo-os
silenciosamente.


-
Ah! Severus. Muito bem. Nós o estávamos esperando. – Albus cumprimentou-o.


Não
perguntou por Nina.


Snape
olhou à sua volta. Percebendo o silêncio. Imaginando sobre o que falavam.


Vendo
em algumas expressões o que pensavam. A face do mestre em poções tornou-se
mais dura.


Lendo
a raiva. E outras emoções. A desconfiança. E o desprezo.           
Como sempre.


Deu
um sorriso sarcástico. Apoiou as costas em um canto nas sombras. Os braços
cruzados.


Desafiando-os
silenciosamente a questionarem-no. Atento. Pronto.


Albus
recomeçou a falar antes que qualquer um o fizesse.


Nada
tinha mudado.


Como
sempre.


.-*-.


Mesmo
odiando-o, eles ainda precisavam do pouco de informações que tinha.


Então
tiveram que engoli-lo, enquanto os ignorava. Dirigindo-se apenas ao diretor.


Explicando
por entre os dentes às vezes, o que podiam ou não fazer a partir dali.


Deixando
que Albus completasse seus monossílabos. Sobre Lucius. E sobre o que poderia
acontecer à hierarquia, agora. Ignorando o fato de sua cabeça estar à prêmio;
fazendo com que fossem advertidos de que ainda precisavam encontrar o
esconderijo dos novos comensais entre os trouxas. E das poções que fizera para
o Senhor Escuro. Fingiu não ouvir os murmúrios, entregando os antídotos ao
diretor, que os distribuiu, enquanto resmungava para lembrá-lo sobre os feitiços
redescobertos de pergaminhos antigos. Feitiços que estavam sendo modificados e
testados em trouxas. Não deixando de dar apartes curtos e ácidos. Apartes
importantes, mas cínicos. O diretor tinha começado a falar sobre os novos
planos que o Ministério estava pensando em seguir quando uma mensagem apareceu
sobre a mesa, junto com uma pena de Fowkes. Ele descruzou os braços ficando
alerta. Albus a pegou, lendo-a. A expressão séria ao voltar-se.


-
Severus. – estendeu-a para ele.


Aproximou-se
da mesa num segundo, pegando-a com rapidez. Saindo em disparada ao ler as
primeiras linhas. Ignorando completamente as expressões e murmúrios raivosos
dos outros membros ao verem o que pretendia. Indo até a lareira e jogando flú
que tirou de um bolso chamando Hogwarts.


Não
estava lá quando o diretor explicou o porquê de suas ações; e o quê o fez
arriscar a segurança da Mansão Black e da Ordem usando flú. Ou quando as
expressões começaram a mudar.


Várias
ainda incrédulas. Enquanto o Lupin era advertido pela voz baixa de Dumbledore
para ficar e terminar a reunião. Pensando se ainda havia dúvida nos membros da
Ordem, sobre quem tinha prioridade no momento para o mestre de poções.
Enquanto se preparava para seguir seu professor, preocupado.


 


*-.*-.*-.*


 


Ele
chegou. A porta estava fechada.


-
Pomfrey! – chamou, mas já estava trabalhando com a vara.


Colocando
as proteções abaixo. Ouvindo a voz de Nina. Ignorando Pomfrey e Minerva
brigando com ele quando entrou. Só os gritos de Nina incomodaram-no, fazendo
com que parasse no meio do caminho.


Havia
alvoroço na enfermaria de novo.


Um
pensamento gélido cruzou sua mente.   Ela podia estar em trabalho de parto.  


Antes
da hora.   


-
Maldição! O que houve agora? – rosnou, mas não se moveu mais.


-
Saia! – Minerva disse de perto da cama – Você está perturbando-a!


-
Traga mais poções, Severus! Rápido! – Pomfrey exigiu, sem se desviar do que
fazia.


Ele
a olhou tentando entender. Até que viu os vidros na bandeja perto da cama.


Ficou
mais pálido. Saindo dali para chamar as poções com Accio. Correndo o risco
que se quebrassem pelo caminho. Só para não sair dali. Enquanto Nina gritava
de novo. Quase sem forças.


‘Maldição!
Será que você não a deixará em paz?’


Perguntou
ao nada.


‘Eu 
não deixarei que a leve!’


Concentrou-se
mais. A respiração rápida.


-
Morda isso, Nina. Eu não posso dar-lhe mais poção para dor. – ouviu a voz
de Pomfrey, Nina gritou, o grito saiu estrangulado através da “mordaça”,
terminando num choro triste – Agüente, querida. Vai dar tudo certo!


Esperou
que fosse verdade.


Esperou
sinceramente que fosse verdade.


 


Algumas
das poções haviam realmente se quebrado.


Ele
havia buscado mais. Agradecendo aos céus por pensar que um ataque poderia ser
iminente.


Ou
não haveria tantas à disposição.  Poção revitalizadora. Para dor. Repositora de sangue. E
outras.


Várias
que simplesmente não podiam ser usadas. Outras que tinham sido usadas além da
conta.


Quando
voltou o diretor já estava lá. Falando baixo com Pomfrey. Minerva parecia
perturbada.


Como
se tivesse acabado de descobrir algo. Estreitou os olhos. Desconfiado.


 


Albus
mantinha Snape do lado de fora.


Refletindo.
Pomfrey tinha confirmado silenciosamente que era o mesmo problema de antes; a poção,
ou o feitiço que tinham usado nela e ainda agia em seu corpo. Havia um
encantamento... Mas ia...


Levantou-se.        
Talvez. 


Sim.
Talvez, fosse a única solução. Ela não agüentaria muito mais.


Voltou-se
para Severus ao ouvir seus passos. Ele não tinha recebido bem o pedido de
Pomfrey, permanecendo, ignorando-a silenciosamente. Até que ela ameaçou deixar
que cuidasse de Nina sozinho. Foi quando ele resolveu atender Albus, e sair.


Snape
parou. Levantando a cabeça. Os olhos negros pregados na porta da enfermaria. Imóvel.


Percebeu
de repente que Albus tinha desaparecido.


Viu-o
surgindo no corredor logo depois, passando por ele e entrando no quarto.
Acalmando as vozes de Pomfrey e Minerva. Fechando a porta em sua cara com um
meneio da mão.


Enquanto
ele encarava a madeira antiga, furioso. Havia silêncio. Até que o diretor
saiu, pouco depois.


Ignorando
seus resmungos e rosnados. Tentando acalmá-lo por ter colocado, falando que era
para o bem de Nina.


Respirou.   
Mesmo que não lhe dissessem, ele sabia.


Lutavam
por Nina. 


Mas
também por sua criança.


Sua
filha.


Que
podia ou não sobreviver.


Fechou
os olhos.


Outro
grito estrangulado veio do quarto.


 +*.+*


Ele
tinha exigido que não fosse colocado nenhum feitiço de silêncio.


Podia
ouvi-las. O que diziam. O que faziam. A voz de Nina. Cada vez mais fraca.


E
os gritos de dor. Em intervalos.    Gritos.  
Intensos. Terríveis. Abafados.


Mas
agora, eles tinham parado. E todo o som que podia ouvir era de alvoroço.


Aproximou-se
da porta.


Albus
o segurou.


-
Elas chamarão, Severus.


Percebeu
que respirava mais rápido. Tenso. Esperando.


Até
que um som diferente se fez ouvir.


Não
entendeu. Não acreditou. Atônito. Voltando-se para Albus, que tinha exclamado
algo.


E
vendo seu sorriso.


-
Parabéns, Severus. – ele lhe deu um pequeno tapa nas costas, o rosto
prazeroso, onde os olhos cintilavam – Você é pai!


Sentiu
os joelhos bambearem. Ficou difícil respirar. Firmou-se.


O
som continuou.


Mais
alto.


 


*-+*-+*-+*-


 


Nina
respirou. A testa suando. O gosto amargo da última poção que Pomfrey lhe
dera, quando a dor tinha sido forte demais e quase desmaiara, ainda em sua boca. 
Forçou-se a manter os olhos abertos.


Percebendo
pela primeira vez, os semblantes cansados mas prazerosos, de Pomfrey e Minerva.


Respirou
de novo. Ainda em dor.    Os
olhos nublados.


Recebendo
de Minerva, que murmurava, e o pequeno ser que se remexia, nos braços da bruxa.


Sentindo
o coração derreter. Esquecendo tudo. O cansaço. A dor. Diante daquela
coisinha pequena.


Que
pareceu se acalmar de encontro ao calor de seu corpo, quando o pegou.


Soltou
uma exclamação. Sem perceber que a porta tinha se aberto.


E
que alguns pares de olhos a olhavam murmurar para Anna.


Antes
de se afastarem discretamente.


Deixando
só um par de olhos escuros. Num rosto pálido. Imóvel.


Enquanto
ela tocava sua filha. Ainda trêmula. Rindo e chorando ao mesmo tempo.


Uma
sensação diferente em todo seu ser. 


Severus
as olhava.


Emoção
que o percorre inteiro.


Fazendo-o
tragar duro. Sem saber como lidar com isso. Mantendo o rosto quase impassível.


Inconscientemente.
Usando os anos de prática. Os olhos nelas. 



Anna
resmungou mais alto. Nina levou a mão até a camisola. Trazendo-a para perto de
seu seio.


Completamente
envolvida naquele universo. Onde só existia ela e Anna.


Snape
deu mais um passo. Sem perceber. Como se quisesse entrar naquele mundo.                                 



Vendo
quando Nina afastou a camisola. E aquele... ser pequenino moveu o pequeno rosto.



Buscando
o bico de seu peito. Sugando. Barulhenta. Sem entender porque sentiu-se de
repente, solene.


Escutando
o som do riso de Nina. Que segurou a pequena mão com seus dedos.


E
como ela franziu a testa de repente. A mão afastando a manta. Como se
procurasse algo. Ansiosa.


Até
que ele percebeu que ela conferia. Contando todos os dedinhos. 



Não
conseguiu suprimir um pequeno e rápido sorriso.


Percebendo
de repente, com estranheza, que tremia.           



Respirou.


Saindo
dali.           
Incapaz de lidar com tudo que estava sentindo.


Com
tudo que estava acontecendo.


*-*.-*..*..*-.*-*


Foi
muito tempo antes que se moveu. Apoiado na lareira com as mãos.


Os
olhos ora fechados. Ora perdidos nas chamas.


Emoções
desconhecidas percorrendo-o por inteiro. Dominando-o.


A
lembrança do que tinha visto gravada em sua mente.


Fazendo-o
insensível a tudo o mais.


O
coração mais rápido.


*-*.-*..*..*-.*-*


Era
noite alta quando voltou à enfermaria.


Vendo
Pomfrey ressonando em uma das camas.


E
Nina. Meio adormecida. Com um pequeno embrulho nos braços. Protetora.


Tentou
afastar tudo o que estava acontecendo fora de Hogwarts da mente. O perigo.


Sua
inutilidade.              
Fechou os olhos.


Respirou.
Observando-as por um bom tempo.


Uma
sombra rápida de ressentimento passando por pretos.


Antes
de ir.


 


**



era de tarde no outro dia.


Ele
chegou rápido. Quase correndo pelo castelo vazio.


Dobby
tinha ido até ele. Com um recado para ir até a enfermaria.


Viu
Minerva com o pequeno embrulho nos braços. E Nina que dormia.


Reprimiu
um suspiro exasperado.  Vendo a bruxa vir até ele.



Eu preciso ir. – murmurou para ele – Não vou demorar. Fique aqui.



Mas como inferno você...



Severus! – sibilou baixo – Nina precisa descansar para se recuperar. Pomfrey
estava exausta. Ela voltará em duas horas. – fingiu estar brava – E eu
preciso ir. É urgente. Não há mais ninguém. – desviou os olhos para a
menina em seus braços – Ela vai acordar daqui a pouco querendo se alimentar.
Nina cuidará dela até que eu volte. Você só precisa ficar aqui para o caso
de algo acontecer. – olhou-o séria.


Não
citou a palavra responsabilidade. Achou que não seria necessário.


Ele
bufou.


Ela
evitou um sorriso. Colocando Anna no pequeno berço alto que tinha transfigurado
para ela.


Voltou.



Você não será de muita ajuda parado aí. – ignorou como ele brilhou nela
– Sente-se naquela cadeira.


E
saiu. Sem lhe dar tempo de retrucar.


Ainda
não tinha certeza se aquilo tinha sido algum tipo de ardil. E odiava ser
manipulado.


Ele
a faria pagar se confirmasse isso, jurou.            
Respirou.


Mas
resignou-se. Movendo-se. Sem querer pensar se tinha aceitado isso rápido
demais.


Aproximou-se
devagar. Para não perturbá-las.


Não
sentou-se de imediato. Olhando para a mulher que dormia. O rosto cansado. Pálido.


Sombras
escuras sob seus olhos.          
Suprimiu o impulso de tocar seu rosto.


Desviando
pretos para... sua filha.


Seu
coração disparou no pensamento. Algo percorrendo seu corpo.


Ela
era... sua filha.


Estremeceu.
Buscando a cadeira. E sentando-se. As pernas estranhas. Tragando ar.


Sem
conseguir desviar os olhos. Observando-a. Sem sentir o tempo passar.


Era
tão... pequena. Tão frágil.    Viu-a dar um pequeno suspiro.


Parou
de respirar.                           
Não pensou.   Foi mais forte que ele.


Levou
a mão. Hesitante. Percebendo como estava trêmula ao tocar no rosto minúsculo.


A
pele morna e suave sob seus dedos.


Sentiu-se
quase derreter, quando ela se moveu de encontro a sua mão.


Nina
abriu os olhos. Ainda sentindo-se cansada. Então paralisou. Com a cena diante
de si.


Fechou-os
logo depois. Fingindo dormir. Para não interferir no que acontecia. O coração
disparado.


Tentando
disfarçar a respiração rápida.                  
Até que ouviu Anna acordar.


E
seu resmungo se tornou impossível de ser ignorado.


E
ela voltou a abrir os olhos. Vendo que ele já tinha afastado a mão.


Olhando-a.
Em silêncio. Como se não confiasse em sua voz.


Viu
sua filha. O som que fazia aumentando. Sabendo que devia estar com fome. De
novo.


Moveu-se
devagar. Em direção ao berço ao lado da cama. Um pensamento que cruza sua
mente.


Fingiu
não conseguir alcançar Anna. Olhou para ele.


Vendo-o
respirar pesado. Os olhos em choque ao perceber o que ela esperava.


Não!


-
Minerva avisou que não demorará. – a voz estava rouca.


Quase
teve pena dele.  Vendo-o se levantar, como se quisesse se afastar.       
Respirou olhando-o.



Ela não vai conseguir esperar. E eu estou dolorida demais. – justificou, a
voz cansada.


A
respiração dele continuava rápida. Levou a mão à vara.



Você não vai usar magia nela!


Ele
a olhou. Teria rido da expressão que cruzou rápido por seu rosto em outras
circunstâncias.



Eu só vou levitá-la até você.



Não! – moveu-se.


Mordeu
o lábio exagerando sua reação no pequeno movimento. Parou.


Viu
que ele continuava rígido. Observando-a, preocupado. Os sons vindos de Anna que
aumentam o volume.


Tentou
de novo.


- 
Você só precisa colocá-la em meus braços. – falou baixo.


Ele
as olhava. Tenso.  E respirou.
Tentando controlar-se.


- 
Ela pode cair. – murmurou.


Sentiu
seu coração se enternecer.


- 
Não cairá.


Ele
ainda ficou imóvel. Parecia necessitar de todo seu controle. Viu as narinas
dilatadas. A respiração intensa. Imaginou por um momento se ele simplesmente
iria fugir dali.     Não. 
Era Severus Snape.


Impediu-se
de sorrir, quando ele se moveu muito lentamente, em direção ao berço.


Ainda
parecia hesitar. Os gritos de Anna cada vez mais intensos.


- 
Ela está bem enrolada. Não haverá nenhum risco. – controlou a
vontade de consolá-lo.


Observou
a luta no homem à sua frente. Admirando seu autocontrole.


Pensando
que eram tolos os que diziam que sonserinos não eram corajosos.


Ele
finalmente levou as mãos ao pequeno embrulho. Segurando-o com cuidado.
Movendo-se devagar.


Até
que ele a depositou em seus braços.  E se endireitou. Como se precisasse se recuperar.


Tragou
ar. Olhando a mulher que segurava o pequeno embrulho gritante.


E
o modo como ela abriu a camisola revelando seu seio.


Quase
gemeu; irritado na reação imediata de seu corpo na visão.


Enquanto
ele era prontamente sugado. E os gritos paravam de repente.


Levantou
os olhos. Surpresa dele não ter ido imediatamente. Encontrando pretos. 
Semicerrados.


Sentindo
o rubor subir ao perceber onde eles tinham estado.


Antes
que ele se voltasse saindo dali.


Sem
ter certeza se tinham brilhado, quando viram seu rubor.


 


*-*.-*..*..*-.*-*


Estava
encarando as chamas novamente.


Sentindo
que precisava se afastar.


Pensar.


Absorver.


*-*.-*..*..*-.*-*


 


Apesar
do recado de Albus, tinha faltado às refeições no dia seguinte.


Mas
não conseguiu evitar de “encontrar” Dumbledore pelos corredores.


Que
o convidou a andar ao seu lado. Conversando.


O
assunto desviado habilmente para o que acontecia na enfermaria.


Enquanto
discorria sobre ele, sem esperar resposta. Até que chegaram ao escritório.


E
o assunto mudou.


Para
a Ordem. A guerra.


Apesar
de não comentarem no chamado a que ele havia faltado.


Mudando
tudo.


 


*****


 


Suspirou,
olhando a porta.


Ele
não tinha vindo.


Fechou
os olhos. Tinha que descansar. Não tinha muito tempo. Era amamentar, fraldas,
banho...


E
em meio a tudo isso, havia a lassidão, estranha. Que Minerva tinha dito fora
pela perda de sangue.


Pomfrey
a havia advertido. Ainda não estava bem. Mesmo que sua recuperação fosse
excelente.


Do
ponto de vista “trouxa”, é claro. Evitou um resmungo a isso.


Desviando
os olhos rapidamente para Anna que ressonava no berço improvisado por Minerva.
Precisava aproveitar todos os momentos que ela lhe dava para dormir. Mas não
estava conseguindo. Agora que a agitação que Anna causava tinha abrandado, não
podia desviar seus pensamentos. Percebendo de repente, que ele não aparecia há
dois dias.


Hagrid
tinha vindo, trazendo flores enormes e estranhas para ela, naquele seu jeito, e
chorado ao ver Anna. Mesmo Filch tinha aparecido por alguns minutos, meio sem
graça.


Anna
suspirou. Pensou em tudo que acontecia e em seu choro pequeno a cada momento.
Duvidou que tivesse conseguido sem Minerva e Pomfrey.   Ou Winky.


Que
tinha chegado timidamente, junto com Dobby,  oferecendo seus serviços por
pedido do diretor.


Tinha
ficado excitada quando soubera do novo bebê em Hogwarts. Mas se recusara a
subir. E Dobby tinha ido a Dumbledore. Esta tinha sido a história que Dobby
cochichara quando Winky não estava prestando a atenção à eles.


E
amanhã ela iria para o quarto. Minerva tinha dito que havia preparado tudo. O
berço seria transportado.


Haviam
comprado mais roupas para Anna, alegando que aquelas que tinha comprado em
Londres não eram “adequadas”. Tinha entendido. Eram muito... trouxas.


Suspirou.
Talvez Anna fosse uma daquelas crianças abençoadas e fosse tranqüila. Depois
de tudo o que acontecera em sua gravidez seria uma bênção.


Virou
a cabeça, olhando o teto.


Ele
não tinha vindo.


Não
tinha vindo vê-las.


Mordeu
o lábio. Fechou os olhos.


Não
ia pensar. Não mais. Anna logo acordaria querendo mamar.


Agradeceu
silenciosamente que já tivesse tomado banho. Mesmo que tivesse sido com Pomfrey
do lado de fora da porta falando com ela todo o tempo para ter certeza de que não
tinha desmaiado.


Suspirou
de novo.


Ele
as estava ignorando.


Sentiu
a raiva surgir de repente.


Respirou.
Estava cansada demais para sentir raiva.


Não
era verdade. Estava magoada.


Mordeu
o lábio. Mas isso não impediu uma lágrima de rolar.  Virou a cabeça
para a parede.


 ‘Voltei
a chorar. Eu tenho que parar de me importar. Parar de chorar.’


Mas
não conseguiu. Olhos negros que queimam em sua memória.


‘Ou
vou acabar odiando você.’


Fechou
os olhos.


+*+*+*


O
quarto estava perfeito. Evitou as lembranças.


Era
o mesmo. E não era.


Ela
tinha mudado.


Olhou
em volta. Parecia maior. Mas a porta que não estivera lá antes mostrava que
tinham usado mágica para arranjar um espaço para o guarda-roupa com as coisas
de Anna e para o berço.


Suspirou.
Não tinha dormido muito. Anna tinha tido dor de barriga. Graças por poções
milagrosas.


Tinha
conseguido amamentá-la até que dormisse. Fora então que percebera que não
tinha pensado nele.


Até
agora.


Decidiu.


Não
ia ficar parada.


Ele
podia ignora-la.


Mas
não ia fazer o mesmo com sua filha.


Não
ia deixar.


 


*****


 


Ela
foi procurá-lo.


Os
mesmos corredores. Lembranças demais. Respirou, tentando se controlar.


Não
tinha certeza se ele tinha reorganizado as proteções.



Me deixe entrar.


A
porta se abriu.


Viu
a mesma sala. Entrou.


A
escrivaninha. A porta do laboratório à direita. Meio escondida. A do quarto,
à esquerda.


Suspirou.
Empurrou a porta do quarto, devagar.



O que quer aqui? – ouviu a voz seca.


Ele
estava sentado no sofá.


Ela
se aproximou. Não havia sentido em preâmbulos. Não com ele.



Tem quatro dias que você não sai daqui. Que não vai às refeições. Ou ver
Anna.


‘Nem
a mim.’



O que eu faço não é da sua conta. – sibilou sem olhá-la.


Mas
ela percebeu o tom estranho. Cansado.



Sua visita acabou. Vá embora. – ele mandou.



Eu não vim fazer uma ... – avançou.



Vá embora! – ele gritou.


Ela
parou. Assustada. Ele nunca gritara com ela dessa forma.


Hesitou.
Viu-o se abaixar. Foi até ele. Apesar do medo. O coração disparado.



Severus. – sussurrou


Ele
não estava sentado. Estava ajoelhado. Em frente ao sofá. Dobrado sobre si
mesmo.


Seu
coração se apertou. Doendo. Em preocupação. Aproximou-se.



Por favor fale comigo. – pediu suavemente, ansiosa – O que está
acontecendo?



Eu mandei que saísse. – ele murmurou rouco – Obedeça.


Mordeu
o lábio. Ele não a queria. Mas ela podia perceber que havia dor. Chegou mais
perto.



Eu não posso. – seu coração estava pequeno – Quer que chame Pomfrey? –
a voz quebrando – Ou alguém?


Não
conseguiu ver nada diferente. Só que ele parecia apertar a barriga.



Não. – parecia estar piorando – Não adiantará. – o tom estava baixo,
rouco.


Controlou
a vontade de chorar. Sentindo a agonia tomar seu coração.



Quer algum de seus vidros? – tentou de novo.


Olhou-a.



‘Como
se eu já não tivesse tomado de todos eles!’


Não
respondeu.  Trincando os dentes.


Tentando
resistir ao chamado. Tendo certeza do resultado se o fizesse.


‘Oh,
Deus.’


- 
Por favor, – implorou – fale comigo.


Ajoelhou-se
perto dele. Ele não se mexeu. A respiração ruidosa.


Tocou
seu cabelo. Ele moveu a cabeça. Mas não evitou o toque.


- 
O que você tem? – Não conseguiu impedir as lágrimas – Me diga o
que eu posso fazer?


Ouviu
um gemido. Abraçou-o. Doente de preocupação.


Ele
olhou para ela. Os olhos em dor. A testa suada. Não parecia ter dormido. A
fisionomia exausta.


- 
Só... Vá... Embora!


- 
Não posso! – as lágrimas desciam – Eu não posso.


Raiva
pareceu crescer nele.  Com a dor. 
Ele se moveu.


- 
Veja!


Mostrou
o braço esquerdo. Trêmulo.


Na
parte interna. A marca.  Horrível. 
Negra. Vermelha.  Parecendo...
Pulsar!


Ele
recolheu, apertando-o de novo.


- 
O gado está sendo chamado. – ele murmurou com dificuldade – Para a
matança!


Ela
gemeu, angustiada.


- 
Curiosidade satisfeita. – ele buscou ar – Agora... vá!


Ela
estava horrorizada. E apavorada.


- 
Ah, Severus. – murmurou antes de abraçá-lo, soluçando.


Ignorando
a resistência dele,ainda dobrado sobre si mesmo. Puxando-o. Ajeitando-o.


Fazendo-o
deitar-se no chão com ela. E apoiar a cabeça em seu peito.


Enrodilhando-se
à volta dele. A dor em seu coração insuportável. Começou a falar baixinho.


Vendo
a dificuldade com que ele respirava. Em como resistia a ela ainda.


Parecendo
se conter para não gemer. Ela beijou sua cabeça.


Sussurrando,todo
o tempo, a prece que sempre a ajudara.


Imaginando
se ele ouvia as palavras.


Enquanto
ela murmurava. A voz dolorida. E limpava as lágrimas. Que insistiam em descer.


Deus,
nosso Pai.  Que sois todo poder e
bondade.


Daí
a força àquele que passa pela provação.


Daí
a luz àquele que procura a verdade.”


Escutou-o
gemer. Apertou-o mais.



Ponde no coração do homem, Senhor, a compaixão e a caridade.


Deus,
dai ao viajante a estrela-guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.


Pai,
dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao
órfão o pai.”


Beijou
sua cabeça de novo. Acariciando seus cabelos.


“Senhor,
que a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores, derramarem por toda
parte,


a
Paz, a Esperança e a Fé.


Deus,
um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a terra. Deixai-nos beber na
fonte dessa bondade fecunda e infinita. E todas as lágrimas se secarão, todas
as dores se acalmarão.”


Percebeu
que a respiração dele já não era tão difícil. Que ele estava se acalmando.
Devagar.


“Um
só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de
reconhecimento e de amor.


Assim
como...”


Foi
acabando bem baixinho. Deixando que ele se tranqüilizasse. Percebeu que ainda
sentia dor.


Ele
recomeçou a ficar tenso. A respiração mudando.


Ela
recomeçou a sussurrar.


 


Acordou
com um peso em seu ombro. Dolorida. Abriu os olhos.


Ouviu
a respiração suave. Perto de seu rosto. Ficou imóvel.


Mas
a dor foi piorando. Até que ela não agüentou. Tentou se mover bem devagar.
Mudar a posição.


Ele
acordou. Ela lamentou.  Olhou-a.      
Desvencilhou-se dela. Como que arrependido.


Ela
suspirou quando o viu se erguer. Esperava pelo menos um abraço de
agradecimento.


Ajuda
para levantar já estava bom.


Sentou-se,
esfregando a perna que estava dormente. O corpo dolorido. Ficou em pé.


Ele
estava fazendo alguma coisa na mesa ao lado da porta. Provavelmente chá.


Ela
andou até ele. Devagar. Viu-o parar, se apoiar na mesa.


- 
Você está bem?


Ele
não respondeu. Movendo-se. Mesmo de perfil, parecia cansado.


- 
Por que suas... poções não funcionaram? – tentou de novo.


Silêncio.


- 
Por que as estou tomando há dois dias. – foi a resposta baixa,
enquanto ele pegava um vidro.


Não
completou que estavam demorando cada vez mais a fazer efeito.


Que
mesmo entorpecer-se não pararia o Senhor Escuro de buscá-lo. De provocar dor.
Propositalmente.


Um
mestre que não tolerava que sua intimação não fosse prontamente atendida.
Apertou os lábios.


Ela
se aproximou mais. Ele estava falando. Era uma mudança. Franziu a testa.


- 
Dois dias?


Ele
moveu a varinha. Havia duas xícaras.


‘Maldição.
Fale comigo!’


- 
Porquê?


Demorou.
Vendo as sombras que já não deixavam os olhos dele.


- 
Isso não é da sua conta. – voz dura.


Ela
sentiu a raiva subir.


- 
Uma maldição que não é! – disse irritada; furiosa – Seu... idiota
arrogante! Eu quero saber porquê!


Ele
bateu a xícara na mesa. Quebrando-a.


-
Muito bem! – ele se virou, furioso, chegando muito perto – 
Por sua causa! – gritou nela, como se estivesse se controlando para não
tocá-la, a respiração morna em seu rosto.


Ficou
pálida. Muda.  Ele olhou-a
agressivo.  Sentiu-se encolher por
dentro. Controlou-se.


- 
Porque eu não desempenhei bem minhas... “funções”.
continuou num rosnado – Faltei ao último “chamado” enquanto você estava
na enfermaria. – aproximou-se mais, encarando-a, vendo a palidez dela –
Porque agora ele já deve saber sobre você. E o bebê.


Seu
estômago se contorceu. Ficou difícil respirar. 
Demorou. A raiva em pretos foi dominada.


Mas
a expressão continuou de pedra.      Ele se afastou.



Elizabeth... – murmurou, ainda sem acreditar.


Não
sabia que tinha pensado alto. Até que viu o olhar dele, irônico.



Sim. Elizabeth.


Ela
sentiu o chão tragá-la. Olhou-o.



Ela sabe sobre... você... e Dumbledore?


Ele
devolveu. Uma vontade insana de magoá-la.



Talvez.


Seu
coração perdeu uma batida.


A
compreensão abatendo-se sobre ela de repente.  Estendeu a mão e segurou
na mesa. Tonta. 


- 
Deus!


Ele
a olhava. Olhos brilhantes. Vendo a consternação. O desespero. Quase com 
curiosidade.



Não precisa se preocupar.  – disse sardônico –  Não vai
acontecer nada a vocês enquanto estiverem em Hogwarts.


Ela
riu, sem alegria.



Não estava pensando em nós. – murmurou, olhando-o.


Ele
hesitou.   E então deu-lhe as costas tirando a vara.



Reparo!


Viu
os cacos se juntarem de novo. Outra vez uma xícara. Indo em direção à sua mão
ao “Accio”.


- 
Você ainda acha que há alguma chance de... voltar?


Havia
o barulho de lenha na lareira. Porque essa estúpida não ficava calada?



Não. – foi a resposta seca.


Sentiu
como se tivesse levado um soco no estômago. Ela tinha realmente estragado tudo
dessa vez. 


Ele
estava em perigo. Voltando ou não. Haveria dor. Muita dor. Firmou-se. Fechou os
olhos.


Absorvendo. 
Imaginando. Se ele estava melhor. Que antes. Enquanto servia ao Lord Escuro.


Abriu-os,
sentindo-os arderam mais.


Trêmula.
Tentando ignorar a aflição por tudo o que causara a ele.


Pelo
que ele dissera dela. Tentando ignorar, que ele estava em perigo. Por sua causa.



-
Sinto muito. – falou baixinho, a voz embargada.


Ele
deixou a xícara. Imóvel. Tragou ar. Ruidoso.


Sentindo
a raiva se levantar de novo. Dominando-o. Insana. Voltou-se outra vez, os olhos
luzindo ao aproximar-se dela num átimo, a raiva transformando-se em fúria
muito rápido, enquanto ele apoiava uma mão de cada lado de seu rosto,
apoiando-as na parede.


- 
Você sente muito? – falou em seu rosto, irado, buscando-a quando ela
tentou afastar o rosto dele – VOCÊ sente?! Porquê? – avançou nela, o
corpo tocando-a, empurrando-a. 


Ela
não se moveu.  Calada.    
Ia enfrentar. Era culpa dela. Olhou em pretos. Um lágrima desceu.


- 
Exatamente pelo quê você sente muito? – rosnou – Por
aparecer aqui e me infernizar durante todo o último ano? Por me fazer passar
por tolo? – ela viu a frustração nos olhos duros – Por interferir em
coisas que você não entendia? – segurou-a pelos ombros, encarando-a, insano
– Ou por me roubar? – acusou, de repente frio.


Soltou-a,
afastando-se um pouco. Os olhos brilhantes. A respiração rápida. 
Buscando controle.


‘Roubar?’


- 
Agora que já concordamos. – ironizou – É melhor você ir. –
ordenou baixo, com desprezo.


Doeu.


- 
Eu nunca te roubei. – aquilo era verdade.


Ele
ignorou, encarando-a enquanto mantinha os punhos cerrados, dominando-se.


Ela
viu como ele estava longe. Como se não a conhecesse mais. Indiferente.


Ficou
ali, parada, tentando entender.  ‘Roubar?’


-
Não. – sussurrou.


Ele
pareceu se perder. As juntas dos dedos brancas da força com que fechava as mãos.


-
Vá embora! – vociferou baixo, perigoso, avançando para ela – AGORA!!


Outra
lágrima desceu. Secou-a, de qualquer jeito. Respirando.


A
dor por ela toda. E angústia.


‘Não.’


Sentia
se coração bater pesadamente em seu peito, disparado.


Sacudiu
a cabeça. Não ia sair assim.  Ele podia ter razão no resto. Mas ela nunca o tinha roubado.


Não
ia deixar que ele juntasse uma acusação falsa a tudo de ruim que ele pensava
sobre ela.


Tentou
ignorar a dor que causara a ele. E a dor que sentia, pelo que ele dissera dela.


Mordeu
o lábio, em desespero. Tentando ignorar, que ele estava em perigo. Por sua
causa.


Sem
conseguir aceitar, que se afastava dela. De forma definitiva.


Seu
coração estava apertado demais. Dolorido demais. 
Não podia deixar que isso acontecesse.


Se
ela se fosse. Estremeceu no mero pensamento. Talvez nunca mais conseguisse
voltar.


E
ela não roubara nada dele. Ele não podia escorraçá-la. Ia fazer com que
explicasse porquê dissera isso. Não depois do que tinha acontecido hoje. Do
que tinham dividido.


Sim.  
Qualquer coisa. Para não ir. Sem ter como voltar. 



Tentou
arranjar mais argumentos...   Simplesmente não podia ir.


Sacudiu
a cabeça. Juntou coragem. Levantando os olhos para pretos. Enfrentando-o.


‘Não
vai me machucar.’ – 
tentou
dizer a si mesma, diante da expressão dele.


-
Só depois. – continuou parada, trêmula – Que você me explicar porque
disse isso.


Ele
olhou-a, depois de respirar ruidosamente. E ela viu o desprezo. Sentiu-se
encolher por dentro.


Negros
em fúria. Face talhada em pedra. Longe dela.      
Não mais seu Severus. Só Snape.


Demorou. 
Pensou que ele a machucaria desta vez. Que ele a jogaria para fora.


Mas
a raiva em pretos foi controlada.


-
Muito bem. – ele rugiu baixo, enquanto se aproximava mais


Viu-a
parar de recuar o corpo. A expressão continuou de pedra. Aproximou a face.


Ela
molhou os lábios, tremendo, tentando não fugir. Viu a palidez e o suor no
rosto dele.


- 
Porque – falou entre os dentes, intensamente – você me faz ter
vontade de fazer coisas terríveis.


Ela
sentiu a agressão. Dura.    E
viu o desprezo.  A respiração se
acelerou, não ia chorar.


Ele
viu a ansiedade. A aflição. Chegou mais perto, os olhos estreitos.


- 
E porquê você me traiu. – acusou duro.


Viu
a incredulidade. A quase revolta. Pela acusação que ela achava injusta.


- 
Isso não é verdade! – tentou controlar o tremor na voz – 
Eu nunca... – moveu a cabeça em negativa, implorando compreensão –
Nunca...


- 
SIM! – ele gritou.


Ela
o viu mudar. A expressão insana. Inclinando-se para ela.


 A
raiva. Transformando-se em fúria. Junto com algo mais.


-
E você me roubou. – rosnou, avançando para ela, transtornado.


Ela
foi se afastando. Assustada com a força do que via em seu rosto. E com as
palavras. Loucas. Enquanto ele avançava. A porta estava às suas costas. Ela
tentou desviar. Escapar. Ele a cercou, rápido.


Colocou
os dois braços à volta dela, impedindo-a de fugir. Acusação em toda a sua
face.


- 
Você me deixou sem nada! – vociferou bem perto.


Sentiu
novamente a respiração dele em seu rosto. A expressão fechada. Em tumulto.


Molhou
os lábios. Ele desviou os olhos para eles.


- 
Eu nunca...


- 
Mentira! – ele a apertou com o corpo, avançando mais – E eu te odeio
por isso. – sussurrou em seu ouvido, antes de afastar o rosto para conhecer
castanhos.


Não
conseguiu acreditar. Mesmo vendo nos olhos dele, o que ele dizia. Misturados à
dor. E à revolta.


Sentiu
uma pontada no peito. Os olhos se enchendo de lágrimas de novo. Em dor.


Seus
lábios tremeram, percebendo, que não havia como convencê-lo, de que ela não
fizera.


O
que quer que ele pensasse que ela tinha feito.


Olhou-a.
Viu a consternação. A dor, a impotência. Ficou contente, que ela sentisse,
como ele.


- 
Eu juro. Eu nunca faria... nada que... – tentou, as lágrimas descendo.


Ele
a ignorou. Os olhos em seu rosto.


E
havia castanhos.  Pasmos. Com o
tormento. A revolta. Que viu em pretos.


- 
Mas fez! – rugiu – Você me tirou tudo! – rosnou devagar – E não
posso perdoá-la por isso. – murmurou sombrio – Porque não pode me devolver
o que me tirou. – continuou, a respiração morna em seu rosto – Não pode
mais me devolver...


Pretos.
Atormentados. Desesperados.


- 
Minha vida.  – não
reconheceu a voz dele – Minha antiga vida!!


Castanhos.


E
compreensão.     Lenta.



‘Oh,
Deus.’


Entendeu. 
A extensão.     
De tudo. 


Não
teria mais utilidade como um espião. Para Dumbledore, ou para a Ordem.


Mesmo
o respeito, de seus alunos...  Um sonserino. Com uma trouxa!  Quase gemeu. E uma filha.


E
Voldmort... Ele não seria mais um deles.  Estremeceu. 
Haveria vingança.   Segurou
outro gemido.


E
ele estava em perigo. Firmou-se. Fechou os olhos. Abriu-os.


Carvão.
Em tumulto.    E dor.


Não
conseguiu mais enxergá-lo direito.


- 
Eu sinto muito. – murmurou, engoliu em seco, as lágrimas descendo –
Não sei o que... – piscou, mordeu os lábios trêmulos com força, sem saber
o que dizer.


Um
soluço. Dolorido.  Arfou. 



]E
havia desespero. Em castanhos. Brilhantes. Nublados.         
E em pretos.


Ele
viu os lábios tremerem mais. Ouviu o gemido. Que ela não pôde reprimir.       
E então...


Lábios
sobre lábios.   Duros.
Intensos. Molhados.


Dividindo.
O tumulto. As emoções. Ansiosos. A respiração ruidosa.


E
havia braços. Que apertavam. E mãos. Que agarravam. Seus cabelos. Qualquer
coisa. Com força.


Pressionando-a.
A ele. Enquanto eles se afogavam. Um no outro. Em desespero.


Até
que ele interrompeu. De repente.  Respirando alto.


Separando-se
dela.  Largando-a. 
De qualquer jeito.  De novo.
Como se sentisse nojo.


Afastando-a
da porta. E saindo.


Deixando-a
lá. Enquanto batia a outra porta, atrás de si, com violência.


Ela
rugiu.


O
corpo descendo.


Enquanto
se ajoelhava.


 


*************


 


Watson
e Caleiach - Obrigada por me citar na entrevista. Valeu mesmo. Não imaginam
minha emoção quando li. Vou ver se consigo publicar lá de novo.


Sett
- Obrigada por sua paciência.


Joyce
- Seja bem vinda!


Amanda
Dumbledore - Você é ótima.E excelente tradutora.


Granger
- Orkut! E agora... o mundo! Obrigada.


Harue
Chan - Você escreve muito bem.


Lessa - Obrigada por tudo.


M@ki - Meus meninos continuam
amando seus desenhos. E você vai ganhar o troféu assiduidade do grupo!


Mariana, e tantas outras - eu me inclino diante de vocês.
Obrigada.


Eu sempre vou responder a vocês pelo menos via
e-mail. 


É uma pena, mas se responder todo mundo pessoalmente não
vou conseguir colocar um capítulo a cada 15 dias no máximo. 


Que tal terminar antes de junho?


Mas por favor, não esqueçam de me alimentar. 


Reviews.


Estou com fome.


Reviews!


 


Desulpe
a demora pessoal. Vida real, sabem como é.


Agradeço
imensamente todas as reviews. E me desculpo por não respondê-las uma a uma.
Vocês sabem o que eu sinto. Eu as amo.


Sem
elas eu já teria parado de escrever há tempos.


Um
forte abraço em todos (não se esqueça de que agora temos homens lendo!).


 


Ananinasnape@yahoo.com.br



Verifiquem também no grupo: http://br.groups.yahoo.com/group/Severus_a_partir_de_agora

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