_Boa tarde! – Hermione cumprimentou.
_Boa tarde, sra Weasley. Há quanto tempo!
_Pois é! – ela respondeu. – Estive fora fazendo um curso.
_Ah é! A sra é médica, não é? – a zeladora perguntou, interessada.
_É... – ela respondeu insegura. – Sou sim...
_Que bom! A senhora conhece algum bom cirurgião plástico, e que não seja muito caro! É que eu estava pensando em diminuir o nariz. O que a senhora acha?
_Desculpe, sra Carlton, mas essa não é minha especialidade. Seria até antiético dar alguma opinião. A senhora já deve ter ouvido falar de Ernesto Michiggan, ele é cirurgião e sei que atende numa clínica do centro, mas não sei lhe explicar onde é ou se ele é careiro. – ela falou educada.
_Bom, o importante é que ele seja bom, porque e não quero ficar deformada, não é mesmo? – a mulher falou animada. - Eu vou chamar os meninos para a senhora! – ela completou.
_Obrigada... – Hermione respondeu com um sorriso amarelo, encostando-se no muro da escola.
– Ah! Olha eles aí! – a sra Carlton exclamou. – A sra está bem, sra Weasley? – ela apoiou uma das mãos no ombro de Hermione, que estava um pouco pálida.
_Estou sim! Não se preocupe... É que eu tive um dia cheio! Comi pouco...
_Entendo... – a mulher ainda a observava. – Vida de médico não é fácil, não é?
_Não... – Hermione respondeu. – Nem um pouco.
_Oi mãe! – gritaram os gêmeos ao mesmo tempo.
_Oi, meninos! – ela os cumprimentou com um beijo em cada.
_Tchau, sra Carlton!
_Tchau, sra Weasley! Tchau, meninos!
_Tchau! – eles responderam.
Quando se dirigiam para o carro, entretanto, estancaram no meio do caminho e fizeram cara feia para Draco que estava encostado no automóvel, com os braços cruzados e a tentativa de um sorriso simpático no rosto.
_O que você está fazendo aqui?! – ambos perguntaram ao mesmo tempo.
_Hei! – Hermione falou. – Eu não criei vocês para serem mal-educados desse jeito! – ela ralhou. – O que você está fazendo aqui, Draco? – ela perguntou curiosa. – Ou melhor, como você nos achou aqui?
_Perguntei para Gina. – ele respondeu calmamente.
_Gina? – Hermione perguntou debochada.
_É... Mais fácil que chamar de Weasley e menos penoso que chamar de Potter!
_Hum... – ela fez careta.
_Oh, sra Weasley! – uma mulher chamou. – Que bom encontrá-la!
_Como vai, professora Campbell? – Hermione sorriu e apertou a mão da mulher.
_Bem... Ah! – ela viu Draco. – Como vai? – sorriu marotamente.
_Ah... – Hermione ficou constrangida. – Esse é Draco Malfoy, um amigo...
_Hum... – ela sorriu, mais ainda depois de ver a tromba dos gêmeos. – Eu gostaria de falar com a sra sobre os meninos... Eles estão agindo meio estranhamente, sabe...
_Estranho como, professora? – Hermione esqueceu o constrangimento e ficou preocupada.
_Bem... – ela olhou para Draco com um olhar compreensivo. – Eles têm falado muito do pai deles...
_E o que há de estranho nisso? – Hermione cruzou os braços, séria.
_É que eles falam... – ela baixou um pouco o tom. - ...como se ele estivesse vivo! Algumas crianças têm ficado assustadas, entende?
_Hum... – Hermione olhou para os filhos, preocupada.
_Além disso, eles têm trazido uns brinquedos estranhos. Veja! – ela tirou da bolsa um saquinho cor de vinho com um GW dourado estampado.
Hermione sabia bem o que era aquilo: um saco do infinito. Poderia-se tirar dali balas, mini brinquedos, ou ouro de duende à vontade.
_Hum... - ela fez. – É uma das invenções dos tios deles... – ela sorriu constrangida. – Um truque simples que eles ensinaram... Nada de mais.
_Bem... – a professora entregou o brinquedo. – Algumas crianças realmente acham que seus filhos podem fazer magia. – ela sorriu. – Vê se pode!
_Não se preocupe, professora. Eu vou ter uma conversinha com eles e resolver tudo isso. – ela estendeu a mão para se despedir.
_Sabia que poderia contar com a senhora. – ela apertou a mão de Hermione, simpática. – Não deve ser fácil criar dois meninos sem um companheiro, não é? – ela sorriu para Draco, depois para os meninos, que continuavam emburrados.
Quando a professora se afastou Hermione se virou para os filhos, que se empertigaram e substituíram a tromba por um olhar levemente apreensivo.
_O que eu disse sobre trazer Gemialidades Weasley para a escola? – ela perguntou sacudindo o saquinho infinito.
_Que não podíamos... – disseram juntos, sem emoção.
_E sobre essa história de que conversam com o seu pai?
_Mas nós conversamos! – disseram com sinceridade.
_Certo... – Hermione suspirou, Draco observou a atitude dos gêmeos. – Isso está ficando preocupante, ok? Eu já pedi para vocês pararem com isso! Vocês sabem que eu não gosto quando vocês brincam desse jeito.
_Mas mãe... – Mark tentou.
_Não vamos fazer mais! – Andrew respondeu antes que o irmão pudesse continuar.
_Ótimo... – ela suspirou e passou a mão na cabeça deles. – Vamos embora, então...
Mas nenhum dos dois se mexeu, então Hermione se lembrou que Draco ainda estava ali. – Desculpe por tudo isso, Draco... – ela sorriu. – Você queria falar comigo?
_Na verdade eu pensei em levar você e os meninos para comerem fora! – ele sorriu e olhou para os meninos, esperando alguma reação favorável, mas ela não veio. Ambos ainda o olhavam, desconfiados. – Pensei naquele Mc Donnut’s, Mc Dourad’s...
_Mc Donnald’s! – os dois disseram com impaciência, mas mais empolgados com a idéia.
_Hum... Não sei, Draco... Ainda é meio de semana e eles não estão merecendo, não é? – ela olhou para eles, que ficaram desapontados, mas se mantiveram firmes quando Draco os olhou também.
_Bom... É uma pena... – Draco também ficou desapontado. – Quem sabe outro dia então? – ele sorriu para Hermione com cara de menino que perdeu o pirulito.
_É... – ela respondeu penalizada. – Quem sabe...
_Hum... Então tchau... – ele se aproximou de Hermione para lhe dar um beijo no rosto.
_Tchau! – os dois meninos responderam imediatamente, quebrando o clima que havia se formado ali.
_Tchau! – Draco respondeu, impaciente, e começou a se afastar devagar.
Hermione destrancou o carro, abriu a porta de trás para os filhos entrarem e se dirigiu ao lado do motorista, muito lentamente. Antes de entrar olhou para Draco que, surpreendentemente, havia se deslocado muito pouco também.
_ “O que está fazendo? Entre logo no carro!” – a voz irritante dizia, mas ela não se mexia.
_Vamos mãe! – um deles gritou.
_Estamos com fome!
_Certo... – ela falou colocando uma perna dentro do carro, mas parou de novo. – “Entre de uma vez! A idéia é essa, não é? Que ele desista?!” Draco! – ela chamou. Draco se virou curioso. – Você... “Não faça isso!” ...poderia jantar lá em casa, se quiser... “Burra!”
Draco abriu um sorriso radiante: - Claro que eu quero!
_Então vem! – Hermione ignorou a voz que continuava a xingá-la.
_De carro? – ele ficou sério. – Eu acho que prefiro aparatar...
_Anda logo, Draco! – Hermione sorriu. – Meus filhos estão no carro, você acha que eu vou fazer alguma loucura?
_Não é que...
_Você está com medo?! – os gêmeos perguntaram sorridentes.
_Claro que não! – Draco se aproximou do carro resoluto. Abriu a porta com certa dificuldade, sentou-se, apreensivo, no banco do passageiro e não conseguiu por o cinto sem a ajuda de Hermione.
A tudo isso os gêmeos assistiram rindo, mas logo que o carro partiu, ambos ficaram muito calados, escutando com atenção a tímida conversa que os adultos travavam e olhando feio para Draco de vez em quando.
O jantar seria muito simples, afinal Hermione não tinha elfos domésticos e nem saco para cozinhar coisas complicadas, muito menos no meio da semana, mas Draco não reclamou de nada.
_Eles estão demorando, não? – Draco perguntou enquanto Hermione colocava os pratos na mesa.
_Estão enrolando para fazer birra. Não se preocupe! – ela falou calmamente.
Draco espiou escada acima, mas não havia nem sinal de que os gêmeos desceriam logo. Na verdade, Draco teve a impressão de ouvir vozes e risadas, sinal de que eles poderiam estar de mais bom humor.
Quando Hermione fechou a porta da geladeira Draco estava parado atrás da porta, sorrindo, muito próximo dela. Ela congelou, meio perdida naquele olhar, mas despertou quando sentiu os dedos dele tocarem sua mão e segurarem a jarra de suco. Draco aproximou os lábios dos dela, mas Hermione recuou.
_Por favor, Draco...
_Só um beijo, Hermione... – ele suplicou.
_Não, Draco... Você está aqui porque quer. Eu não te prometi nada!
_Mas...
Ela se afastou logo que ouviu os passos apressados dos gêmeos que se aproximavam da cozinha.
_Finalmente! – Hermione desconversou. – Achei que tinham desistido de jantar!
_Não mesmo! – Mark tomou um lugar à mesa.
_Estamos morrendo de fome! – Andrew respondeu sentando-se ao lado do irmão, ambos com um sorriso arteiro nos lábios.
Hermione serviu macarrão com queijo nos pratos dos filhos, depois serviu Draco, imaginando que ele nunca deve ter se servido sozinho, em seguida se serviu. O jantar ia silencioso e calmo, até Mark iniciar uma conversa:
_O senhor também é medi-bruxo, sr Malfoy?
Hermione se assustou com toda aquela cordialidade, mas achou que poderia ser um bom começo.
_Não... – Draco respondeu, igualmente surpreso. – Eu sou boticário. Vocês sabem o que é isso?
Os dois balançaram negativamente as cabeças.
_Eu faço poções, invento algumas, e vendo.
_Hum... – eles fizeram, interessados.
_Mamãe disse que o professor de poções da escola era muito chato! – Andrew contou.
_Eu não achava! – Draco defendeu.
_Claro! – Hermione entrou na conversa. – Ele era diretor da Sonserina, então defendia seus alunos! Eles nunca reprovavam nessa matéria.
_Mas isso não é justo! – Andrew protestou.
_Ele não era uma pessoa justa... – Hermione concluiu. – Ele não gostava do Harry. Tinha uma birra incrível com ele! Ele vivia tirando zero nas poções que fazia.
_Ele não prestava muita atenção às aulas, Hermione... – Draco falou, cautelosamente.
_Tinha algum professor que não gostava do senhor, sr Malfoy?
_Hum... – Draco pensou. – Não...
_Mentira! – os gêmeos gritaram sorridentes, Hermione olhou para eles, apreensiva.
_Teve um professor... – Mark começou a rir desesperadamente. – Te... ve... um... – e ria.
_Transformou... – Andrew tentou continuar, mas também caiu na gargalhada. – Trans... Transformou... O senhor...
_Numa doninha! – Mark chorava de tanto rir.
_Branca! – Andrew concluiu, também engasgando com a risada.
_Como eles sabem disso?! – Draco perguntou entredentes. As bochechas rosadas de vergonha.
_Não... – Hermione tentava segurar o riso. – Não sei... – mas não conseguiu por muito tempo.
Draco teve que se segurar para não dizer alguma coisa muito feia, daquelas que ele costumava dizer, bem ofensivas, quando alguém o importunava. Usando de todo seu autocontrole, ele forçou uma risadinha, como se tal lembrança fosse até engraçada.
_O professor Moody não era muito bom da cabeça, não é? – ele tentou. Hermione se forçou a concordar para não deixá-lo pior.
_Quando eu for para lá vou ser o melhor da turma, como minha mãe! – Andrew se gabou quando conseguiu parar de rir.
_Eu não faço questão de ser o melhor da turma... – Mark falou, também mais calmo. – Quero ser o melhor em quadribol! – e abriu um sorrisão melado de molho de macarrão.
_Verdade que você nunca conseguiu pegar o pomo antes do nosso padrinho, sr Malfoy? – Andrew perguntou de repente.
Draco engasgou um pouco: - A vassoura dele era mais rápida que a minha. – se defendeu, muito calmamente.
_Mas e antes dele ganhar a vassoura boa?! – Mark se interessou.
_Ele tinha sorte! – ele ficou incomodado.
_Verdade que foi você que fez nosso padrinho virar apanhador?
_O apanhador mais novo do século! – Mark completou.
_Foi você que contou essas coisas para eles? – Draco perguntou carrancudo, se arrependendo de ter ido jantar ali.
_Eu nem me lembrava mais disso... – Hermione disfarçou o sorriso limpando a boca num guardanapo.
_Não é verdade? – Andrew insistiu.
_É! – ele respondeu sério. Os gêmeos se entreolharam sorrindo. – Sabiam que o pai de vocês tentou me enfeitiçar e acabou vomitando lesmas? – Draco não se controlou. – E que o padrinho de vocês desmaiava quando via um dementador?
Os gêmeos ficaram sérios, Draco sorriu debochado.
_Isso é verdade, mãe? – perguntaram, preocupados.
_Hum... É... Mas o caso dos dementadores não tem graça nenhuma, Draco! – ela ficou séria. – O Harry sofria muito com eles.
_Mas desmaiava! – Draco completou. – Quem mais desmaia na frente de um dementador? E o pai de vocês não era lá muito bom em magia, não é?
_Ele era muito bom em magia, ta! – Andrew defendeu.
_Falar mal do Rony não vai ajudar, Draco... – Hermione avisou.
_Ok, ok... Desculpem-me... – Draco falou satisfeito por ter conseguido desviar o assunto de si mesmo. – Mas ele era desastrado... E se auto-enfeitiçou. – não conseguiu não rir com a lembrança.
_E por que ele quis enfeitiçar o senhor?! – Mark perguntou.
Draco ficou constrangido com a pergunta, sem saber o que responder, ou como responder.
_Já faz tempo! – Hermione interrompeu. – Acho que o Draco nem se lembra mais, não é?
_Não... – ele respondeu envergonhado. – Não me lembro...
_Bom... Pelo menos ele nunca apanhou da minha mãe! – Mark alfinetou.
Hermione se engasgou com o suco que tomava e Draco perdeu o sorriso na mesma hora, enquanto os gêmeos caiam na gargalhada novamente.
_Como vocês sabem disso? – Hermione perguntou em meio a um sorriso mal disfarçado. – Nem eu me lembrava mais desse fato!
_Foi o pai...
_...drinho! Foi o padrinho que contou!
_Ah... – Hermione os olhou, desconfiada.
_Tinha que ser o Potter! – Draco falou enfezado. – Sempre o Santo Potter! – ele parecia bem aborrecido. – E eu não apanhei! – se defendeu. – Foi só um tapa e eu estava desprevenido!
_Mas você bem que mereceu! – Hermione cutucou.
_O que foi que ele fez?! – os gêmeos perguntaram, interessados.
_Hum... – Hermione pensou em como contar o assunto. – Ele se machucou durante uma aula do Hagrid, lembram do Hagrid, não é? Então, aí exagerou um pouco os fatos, não foi?
_Aquele bicho podia mesmo ter me matado, Hermione! – ele se defendeu.
_Não se você tivesse prestado atenção ao que o Hagrid dizia! – ela bebeu mais um pouco de suco. – Era um hipogrifo e o Harry tinha acabado de voar nele. – ela contou aos filhos.
_Que legal! – eles exclamaram.
_Ainda vai ter hipogrifo quando formos para lá, mãe? – Andrew perguntou excitado.
_Espero que não e, se tiver, nenhum de vocês vai voar nele! – falou resoluta. Depois riu da lembrança, embora ela fosse mais uma prova do caráter duvidoso de Draco.
_Está tarde, Hermione! – ele afastou a cadeira. – Eu vou indo...
_Tchau! – os gêmeos responderam sorrindo.
Hermione olhou feio para eles, mas se levantou também para acompanhar Draco até a porta.
_Draco... – ela chamou. – Eu disse que não seria fácil...
Ele parou já com a mão na maçaneta da porta. – É, eu sei! – falou carrancudo. – Mas eles são um pouco pior do que eu imaginei... E você não está ajudando!
_Eles nunca se comportaram assim antes... E me desculpe por não te defender, mas... É que foi engraçado! – ela riu.
_Muito! – ele falou bravo. - Tchau!
_Tchau... – ela falou simplesmente e ficou observando-o se afastar. – “Foi melhor ele ir sem tentar te beijar!” – a voz respondeu ao seu desapontamento mudo. Draco aparatou e Hermione entrou para terminar o jantar.
Quando chegou a cozinha os gêmeos ainda estavam comendo, aparentemente com muito apetite. Nem olharam para ela quando ela voltou ao seu lugar na mesa. Hermione não sabia se brigava, ou se deixava por isso mesmo, afinal, era o que ela queria, que Draco desistisse de ficar com ela, que ele a deixasse em paz para que ela não ficasse tentada a quebrar a promessa que fez a Rony.
_ “Não! Não é isso o que você quer, mas é o certo! Conforme-se!” – a voz falou em sua cabeça. – Por quê? – ela perguntou baixinho, os gêmeos olharam para ela, confusos.
_...não Hermione...
_Você ouviu isso, mãe? – os gêmeos perguntaram olhando para todos os lados.
_O quê?! – Hermione perguntou, branca como cera, um bolo se formando no seu estômago. – Eu não ouvi nada! – respondeu. – Nada! E vocês estão de castigo por terem me desobedecido no caso das Gemialidades, ouviram?
_Mas...
_Mas nada! – ela falou impaciente, tentando não olhar para o ambiente ao redor com medo de vê-lo por ali.
_Onde você estava Draco? Não veio jantar... – a mãe perguntou quando ele entrou em casa, tentando não fazer barulho.
_Estava com a Hermione... – ele respondeu sem emoção, largando-se na poltrona do saguão de entrada. – E com os filhos dela...
_Hum... – Narcisa sentou-se na poltrona do lado, o nariz empinado. – Os mesticinhos?
_Por favor, mãe! – ele pediu. – A senhora sabe que o Ministério criou leis contra o preconceito, não sabe? Numa tentativa de não criar novos Você-Sabe-Quem!
_Não há ninguém aqui do Ministério para nos ouvir, e eu não vou deixar de lado os meus princípios por causa da ignorância de alguns! É assim que começa! Os Weasley, apesar de serem traidores do sangue, pelo menos eram sangues puros! Se você estivesse tendo um caso com a filha mais nova deles, mas uma sangue-ruim!
_Eu não vou discutir com a senhora, mãe... – Draco levantou-se. – Não vale a pena!
_Eu digo isso para o seu bem, Draco! – ela se levantou e ficou observando-o subir as escadas em direção ao dormitório. – As chances de ter um filho abortado se casar com essa sangue-ruim são enormes, e você tem que concordar que isso seria uma vergonha enorme para um Malfoy!
_Os filhos da Hermione são bruxos, mãe! Os dois! – ele parou na escada.
_Ela deu sorte! – Narcisa respondeu. – Ela e os filhos dela com aquele traidor do sangue, que foi tarde, pois não faz falta a ninguém! – Draco fungou impaciente. – Esqueça essa mulher e essas crianças, Draco! Procure uma moça desimpedida, sem filhos!
_Esqueça, mãe! – Draco falou mais alto do que pretendia. – Eu amo a Hermione e não vou desistir dela por causa daqueles dois pestinhas! – falou resoluto. – Eu não quero ter que me casar um dia só para satisfazer a sua vontade, ou porque eu preciso dar descendentes a essa família! Eu vou me casar porque quero, com a mulher que eu quiser, e não para preservar o sangue puro da família e ser infeliz o resto da vida, como a senhora foi com meu pai!
_Eu nunca fui infeliz com seu pai, Draco! – ela falou, nervosa.
_Mas também não o amava! – Draco respondeu. – Eu não quero isso para mim! Boa noite, mãe! – e subiu as escadas, emburrado, dividido entre a raiva que estava sentindo dos pequenos Weasley e a vontade de romper com tudo que os Malfoy, principalmente seu pai, achavam que era certo.
_O caso é grave, sra Malfoy... – uma mulher saiu das sombras em direção a Narcisa.
_Não tão grave que não possa ser mudado, querida. – ela se virou para a visitante. – E você vai me ajudar nisso!
_Desculpe-me a franqueza, mas não consigo encontrar um bom motivo para ajudá-la... – ela falou com um sorriso falso nos lábios.
_Compreendo. – Narcisa fez sinal para que a moça a acompanhasse. – Talvez se tornar a futura dona dessa casa, detentora de um nome que ainda tem influência e herdeira universal de uma fortuna que nem mesmo Draco imagina que tem seja um bom motivo... – ela sorriu para a moça, enquanto se sentava elegantemente na sala de visitas.
_Agora a situação me parece interessante! – ela completou sorridente, sentando-se também.
_Então vai me ajudar?
_E se, mesmo depois de separá-los, Draco não quiser se casar comigo?
_Ora, por favor, Emília! Você é uma mulher, e é inteligente... – Narcisa deu um tapinha simpático no joelho da cúmplice. – Sei que conhece modos de forçar um casamento! Toda mulher conhece!
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