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17. Degrau Oito – Dela


Fic: ESCADA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Escada
Autora - Ubiquirk
Tradução - Clau Snape
Beta reader – Fer Porcel

Degrau Oito – Dela

30 de Junho, 07:35 da noite

Parada num canto da sala de desenho decorada, e por isso marginalmente menos triste, do Largo Grimmauld, eu observo Rony.

Ele e Gina animam um grupo com façanhas audaciosas de Quadribol. O final da anedota atual causa uma onda de risos. Ele está em seu elemento.

Embora lembre a festa do ano passado, é um contraste marcante a de dois anos atrás.

Na primeira Celebração da Vitória, Rony deu um brinde simples, contudo sincero, a Harry que o deixou soluçando baixinho. Com o meu próprio coração doendo, eu o abracei e afaguei seu cabelo antes de lhe conduzir para fora no jardim da Toca para sentar quieto por um tempo. Nós choramos e falamos e eventualmente até rimos enquanto recordamos algumas de nossas palhaçadas mais bobas como um trio.

Eu me deleitei no conforto de segurar um corpo quente – um corpo que pertencia a alguém que eu me importava, alguém que compreendia.

Quando finalmente me desloquei em preparação para me levantar, os braços de Rony se apertaram em torno de mim em protesto.

– Mione.

– Venha – eu respondi. Levantando, peguei a mão dele e nos aparatei para a entrada do meu apartamento.

Na hora que entramos e chegamos ao quarto, nós estávamos despidos. Deixando o quarto fracamente iluminado pela luz do luar, nós fizemos amor um pouco desajeitadamente, contudo ternamente.

Ele chorou um pouco depois e sussurrou:

– Eu sinto tanto a falta dele. Ele era meu melhor amigo, e…

– Eu sei. Ele era meu melhor amigo, também. Mas nós ainda temos um ao outro.

A mão dele levantou e limpou as lágrimas que eu mesma não tinha notado que banhavam minha face.

– Sim. Sim, nós temos.

Nós éramos inseparáveis no primeiro verão do nosso relacionamento. Parecia que se nós dois estivéssemos juntos, poderíamos manter Harry vivo de algum modo. Eu pegaria um vislumbre de Rony com o canto do olho e automaticamente assumia que Harry estaria próximo. Ficar juntos dava a sensação de que a possibilidade de Harry ainda existia.

Isso ajudou a cada um de nós.

Mas não é o bastante para ir adiante.

Eu suspiro.

Mesmo se não houvesse a complicação do Severo.

Recolhendo minha lendária coragem grifinória, eu vou até ele.

– Rony, poderia vê-lo a sós por um momento?

Ele se vira para mim com um sorriso grande.

– Claro, Mione. Meu quarto ou o seu?

Os assobios nos seguem enquanto saímos da sala, e alguém, talvez Dino, grita:
– Rony, seu idiota sortudo. Ela não pode nem esperar algumas horas para por as mãos em você.

Eu ranjo meus dentes para não fazer uma careta enquanto Rony gira para acenar em reconhecimento à admiração deles.

Eu estou conduzindo de modo que eu não tenha que olhar para ele enquanto nós andamos corredor abaixo para entrar no que costumava ser o meu quarto. Por toda sua bravata na sala de desenho, eu não posso sujeitar Rony às memórias do quarto que ele compartilhou com o Harry.

Sentando-se na cama, Rony sorri de soslaio e pergunta:

– Então, Mione, o que é que você quer?

Circe – o que o George colocou no ponche este ano?

Só espero que não torne as coisas ainda piores.


Lançando um Abafiato rápido e uma proteção na porta, eu guardo minha varinha e sento-me também, mas com alguma distância entre nós. Evitando o olhar dele, eu foco minhas mãos fechadas em punhos onde elas descansam no meu colo.

– Rony, eu tenho pensado. – Minha voz falseia. Eu limpo minha garganta e continuo baixinho. – Eu tenho pensado que as coisas entre nós não estão tão boas quanto deveriam estar para um casamento.

Ele está silencioso, e minha visão periférica mostra que ele está completamente parado.

– Eu sei que é duro falar sobre isso, mas você deve ter sentido também. – Com a parte mais difícil terminada, minha voz volta quase ao normal. – Todas aquelas conversas desconfortáveis, as brigas sobre nada, as vezes quando não parecermos capazes até mesmo de começar uma conversa, o…

Deuses, eu não posso trazer o sexo para a conversa – isso seria cruel.

Ele não diz nada, e eu não consigo aturar o silêncio, então continuo:

– Eu venho me sentido assim por um tempo, e...

– Quanto tempo? – A voz dele é tão baixa que eu não tenho certeza se o ouvi corretamente.

– O quê?

– Quanto tempo? – Isto é mais alto, porém tenso.

– Desde Cornwall.

Nenhuma reação.

– Sinto muito, Rony. – Eu alcanço para tocar a mão dele, mas ele a puxa para longe e pula da cama tão forçosamente que toda a estrutura treme.

Agora ele está gritando e marchando.

– Eu poderia dar um doce foda-se tudo se você sente muito, Hermione. Como você pode fazer isso comigo? – A mão dele corre pelo cabelo.

É a minha vez de permanecer silenciosa.

– O quê? – Ele dá um golpe pegajoso da mão após cada frase. - Você não pode ser canalha de dizer ao cara com quem você está transando, ao cara com quem você está noiva, ao cara que você diz que ama que você não quer realmente estar com ele? – As gesticulações selvagens, geralmente usadas para expressar excitação feliz, servem igualmente bem para pontuar a raiva.

– Eu amo você, Rony. Eu amo. É só que…

– É só que o que, Hermione?

Eu não sei o que dizer que não vá feri-lo ainda mais. Seria horrível lhe dizer toda a verdade, dizer-lhe sobre o tédio.

– Como você pôde dizer que casaria comigo se você se sentia assim?

Este pedaço me deixa irritada, e eu me levanto para ficar diretamente na frente dele.

– Como eu não poderia? Não é como se você me deixasse muita escolha, não é mesmo, Ronald? Você ostentou o seu pedido na frente de quase todo mundo que nós conhecemos! Sim, eu tive dúvidas então, mas me senti obrigada a aceitar. Você nunca sequer tinha falado sobre casamento comigo; eu não tinha idéia do que você estava planejando.

– Ah, que maravilha! – Ele bufa e acena com a mão de forma displicente para mim. – Mamãe tem comprado revistas para você e lhe mostrado vestidos e todas as coisas de casamento por meses.

– Sim, Ronald. Molly realmente fez tudo isso. Mas você não fez, e era de você que precisava ouvir isso. – Eu tento manter as mãos ao meu lado, mas me encontro apontando para ele; eu deixo meu braço direito cair e agarro a bainha da minha saia. – Eu achei que nós pensávamos a mesma coisa; faça a vontade dos pais e mantenha as coisas num patamar calmo. Eu pensei que tinha tempo para descobrir as coisas, para nos descobrir.

Ele correu a mão pelo cabelo.

– E diretamente em seguida? Por que você não disse algo então?

– Eu estava oprimida, certo. Oprimida! – Minhas mãos escapam novamente do meu controle e voam pelo ar. – Eu estava apenas começando em Hogwarts, era a primeira vez que eu tinha carga horária completa de aulas, e eu estava tentando fazer alguma pesquisa publicável. Quando eu vim à tona para tomar fôlego, Molly tinha tantos planos para o casamento que eu me senti mais presa do que nunca. Quanto mais tempo passava, mais difícil era de dizer qualquer coisa. Até… – Minhas mãos caem, e eu me viro ligeiramente para longe dele.

– Até o que, Hermione? – A voz dele queima de raiva. – É um outro cara?

Girando para encará-lo, eu grito:

– Outro cara? Você não ouviu nada do que eu acabei de dizer? Quando eu teria tempo para outro cara?

A voz dele torna-se lamentosa quando suas mãos me alcançam.

– Bom então, o que é? Eu não consigo fazer a minha cabeça entender isso. Você diz que me ama. O que é que nós não podemos resolver?

Toda a raiva escoa da minha voz, deixando-a tão oca quanto me sinto.

– Eu amo você, Rony. Mas não o suficiente.

– Não o suficiente! Não o suficiente para quê? Que diabos você quer dizer? – Ele está irritado outra vez.

Eu encaro seus olhos. – Suficiente para mim, Rony. - Minha voz diminui para um sussurro. – Eu não amo você o suficiente para mim.

Ele gira rapidamente para longe de modo que eu não posso ver o seu rosto, mas seus ombros tremem.

Eu ando para frente desajeitadamente, uma mão esticada em direção a ele, querendo dar-lhe conforto. Tão logo eu toco as costas dele, seus tremores se transformam em arrepios e seus soluços se tornam audíveis.

Sem girar, ele põe para fora:

– Vá, apenas vá.

Meus braços caem, e minha visão escurece.

– Rony...

– Droga, Hermione! Saia.

Eu forço minha mão a manter a varinha firme o bastante para lançar Finito Incantatem na porta. A porta que se fechou com uma batida atrás de mim.
Agradecidamente, o corredor e as escadas estão escuros mesmo com a iluminação adicional da festa, e eu consigo sair porta a fora sem ver ninguém.
Uma névoa fina e molhada escurece a noite já nublada e reveste meu rosto com um alívio frio enquanto desço os degraus da frente e movo-me para encostar na grade em frente ao número onze.

Eu consegui. Eu estou livre.

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