Estamos em agosto do ano 2001. No centro de Londres, em um prédio antigo e muito luxuoso trabalhavam dois antigos amigos de infância.
De um lado, um homem elegante e muito charmoso. Um homem bonito, sedutor... Cabelos muito negros, seus olhos, um mar verde vivo onde todas as mulheres se embrenhavam e se afogavam, um metro e noventa centímetros de altura, corpo atlético e musculoso, graças ao Quadribol, que praticava quando mais novo. Era o foco das atenções femininas. Não apenas por ser um homem maravilhoso com todas as qualidades que possam ser sonhadas, mas também por ser rico e famoso. Chamava atenção em todos os lugares onde pisava; estivesse só, estivesse acompanhado. Ele era o melhor auror de todos os tempos, trabalhava no Ministério da Magia como chefe do Departamento de Aurores e vivia na antiga casa de seus pais.
De outro lado, uma mulher atraente, tanto por sua inestimável inteligência quanto pela sua beleza. Um metro e setenta e dois centímetros de altura, cabelos castanhos claros e olhos cor de mel, rosto angelical... Uma mulher linda, inteligente e decidida, lutava pelos seus ideais e sempre estava ao lado de seus amigos. Era leal a todos aqueles por quem tinha carinho e ao seu trabalho, do qual vivia, o qual gostava e apreciava como ninguém. Ela nunca tivera muitos amigos, mas tinha aqueles que um dia a salvaram e disto nasceu uma forte amizade e duradoura, que era viva até hoje. Ela era chefe do Departamento de Mistérios e trabalhava como uma Inominável. Seu trabalho era totalmente secreto, agia em silêncio e de forma impenetrável. Morava num pequeno apartamento próximo à casa dos Potter.
Ele estava em seu escritório, organizando pilhas de papéis de casos e contratos. Faltavam poucos minutos para o horário de expediente acabar e ele ainda tinha que rever no mínimo trinta ocorrências e fichas. Sentou-se à sua mesa e passou a ler cada um dos pergaminhos, depois anexando-os à uma nova pasta.
Ela, que já havia adiantado os papéis e documentos dos próximos dois dias, terminou de se organizar, colocou o seu sobretudo e agora saía de seu escritório, que ficava ao lado da porta onde havia enfrentado grandes perigos anteriormente, numa pequena ‘fuga’ da escola entre amigos para um suposto salvamento. Lembrava-se como se fosse ontem.Trancou as portas do Departamento onde trabalhava e deixou o corredor escuro, parando na ante-sala do corredor.
- Megan, estou saindo. – avisou para uma mulher loira de olhos azuis arroxeados, que estava sentada à uma mesa redonda, rodeada de pilhas de pastas e arquivos. Era sua assistente e grande amiga.
- Tudo bem, Ny. – respondeu a mulher, se levantando e levando consigo as pastas para dentro de uma sala, onde na porta se lia: ‘Arquivo Confidencial. Sessão restrita.’. Megan rapidamente saiu do local, selando a porta com um feitiço.
- Megan, meus relatórios já chegaram? – perguntou à loira.
- Oh, sim. – respondeu ela, remexendo em uma das gavetas e retirando um fichário. – Aqui estão.
- Obrigada. Ah, não esqueça de aparecer lá em casa hoje à noite, ok? Vai ser um pequeno jantar só para comemorar mesmo os meus dois anos aqui com vocês. – ela falava um pouco rápido. – Já adiantei boa parte dos documentos e devo dizer que a missão já pode transcorrer. Hoje mesmo procurarei o chefe do Departamento de Aurores e poderemos colocá-la em andamento. – disse.
- Mas vocês vão começar quando? – perguntou Megan curiosa.
- Rufo Scrimgeor já deu autorização para que quando tudo estivesse pronto, que eu apenas comunicasse e iniciasse todo o processo. Acredito que talvez eu não venha trabalhar na segunda-feira, por conta deste pequeno trabalho.
- E você acha que talvez seja uma missão longa, Ny?
- Na verdade, não. Não acho que isso passe do tempo programado para que tudo seja resolvido. O auror com quem vou trabalhar é muito competente e...
- Posso te fazer uma pergunta? – a loira interrompeu.
- Até duas, se quiser.
- Hum... Você sabe que somos amigas há quase dois anos e... Bem, eu quero saber se... Como vou dizer... – Megan parecia vacilante. – Você tem mesmo certeza de que não sente nada por ele?
- Megan! Você sabe que não... – respondeu a mulher rindo e depois retomando o assunto anterior. – Mas como eu ia dizendo... Ele é muito competente e sabe o que faz. Já vi resolver missões ainda mais complicadas e difíceis em apenas uma semana. – ela concluiu. – Em todo caso, esta também não é das mais fáceis.
- Sem dúvida! Mesmo que V-Voldemort tenha sido derrotado, é muito perigoso se embrenhar no meio dos Comensais da Morte. – opinou Megan.
- Não foi à toa que me formei em auror, Meg. Estou aqui, mas não vou deixar de atuar na área em que escolhi.
- Bom, se assim você diz...
- Meg, deixe-me ir. Ainda tenho que acertar isso e arrumar o jantar. Já está ficando tarde. Até mais... – despediu-se.
- Até mais tarde. – Megan acenou para a amiga, um belo sorriso no rosto. – Ela é tão bonita e tão sozinha... Muito me admira que seja tão feliz. – falava ela para si, vendo a ‘chefe’ se afastar, deixando o corredor.
Como era chefe de um departamento muito sigiloso, era uma das mulheres mais respeitadas em todo o mundo bruxo. Sempre fora. Andava pelos corredores de todo o Ministério da Magia de forma decidida, espelhando seu orgulho e a serenidade que sempre a acompanhavam, onde quer que fosse. Foi na sala do ministro, Rufo Scrimgeor, para confirmar a missão e receber alta para iniciá-la. De lá, seguiu direto para o sétimo andar, onde ficava o Departamento de Aurores. A sala já era sua conhecida há muito, mesmo que não a visitasse já há algum tempo, assim como as duas mulheres que ficavam postadas numa mesa semelhante à de Megan.
- Boa tarde. – cumprimentou ao entrar.
Uma mulher ruiva de olhos acinzentados se virou para ela, assim como a de cabelos pretos e compridos. As duas a lançaram um olhar penetrante. Ela nunca se dera bem com as duas mulheres. Aparentemente, tinham ciúmes dela, já que sempre estava ali para falar com o famoso auror, seu chefe.
- Boa tarde. – elas responderam em uníssono, formalmente.
- Susan, o seu chefe se encontra? – ela perguntou.
- Sim, está lá dentro. – respondeu a morena de má vontade.
- Jana, pode chamar, por favor, a Srta. Chang? – pediu à ruiva.
- Sim. Aguarde um instante e logo ela estará vindo. – e dizendo isto, a ruiva pegou um telefone e entrou em contato com a outra auror.
- Não vai entrar? – perguntou Susan.
- Oh, sim. Mas antes eu quero falar com a Srta. Chang. – respondeu.
- Aqui estou, Ny. – disse uma voz vinda de um corredor ao lado. – Queira me acompanhar, por favor.
- Com licença. – pediu e se retirou, juntamente com a colega de trabalho.
- Sente-se. – disse Cho. – E então, Ny? Como vai?
- Tudo bem, graças a Merlin. – respondeu. – Espero o mesmo de você, mas não vou poder falar muito. Não posso me demorar.
Cho assentiu com a cabeça.
- Bom, vou ser bem direta. O que acontece, é que nós estamos atrás de alguns antigos Comensais da Morte, como você própria sabe, por isso, vim pedir para que entre com um processo pedindo a resguarda de Narcisa Malfoy. – disse calmamente. – Andei pesquisando e ficou evidente que ela não tinha nada a ver com o fato de Lucio Malfoy estar entre os Comensais. Ela está desaparecida à cinco anos, desde quando Lucio foi preso, por medo de ser atacada.
- Como quiser. Estarei entrando com o processo ainda hoje. Devo dizer que a conclusão dele estará sendo feita até terça-feira. – informou a morena.
- Ótimo. Obrigada, Cho.
- Não foi nada. – respondeu a outra. – Trabalhamos em equipe, e é assim que vai ser.
- Realmente muito bom saber disto. A propósito, não esqueça do jantar. Estarei te esperando! – ela piscou para Cho.
- Pode deixar. – Cho a abraçou e ela se retirou.
Andou pelo corredor até a última porta, o gabinete do chefe do departamento. Nem precisou bater, já foi entrando.
- Muito bom saber que o senhor, Sr. Potter, fica sentado aí, de pernas para o ar enquanto nós estamos trabalhando duro para que os processos entrem o mais rápido possível, não acha? – ela disse, pegando-o de surpresa, o que fez ele jogar todos os pergaminhos que segurava para cima e imediatamente tirar os pés de cima da mesa.
- Por acaso quer me matar? – ele perguntou se levantando e dirigindo-se até ela.
- Talvez depois. – brincou ela, recebendo um beijo na bochecha.
- Hermione Jane Granger! – ele a repreendeu, entrando na brincadeira.
- Ok. Eu não quero te matar. – ela sorriu e o abraçou. – Que saudades, Harry!
- Também estava com saudades, Mione. – ele correspondeu ao abraço. – Ou deveria dizer... Ny?
- Não brinca! Ny é apenas um apelido que a Meg me colocou para me abusar quando eu a chamar de Megan ou quando estiver sendo formal demais. Em todo caso, elas não me chamam sempre assim e o senhor sabe perfeitamente disso! – Hermione já o soltara e agora o encarava, apontando seu dedo para o peitoral do homem.
- Tudo bem, madame. Já entendi o recado, ok?
- Acho bom que tenha entendido mesmo. – disse ela com um meio sorriso. – E então? Como você está?
- Estou bem. Só com saudades dos meus amigos que não via há quase três meses. – respondeu ele.
- Bem, eu não o vejo por conta de suas missões. Já o Ron... – ela parou para pensar. – Ele eu não vejo desde aquela reunião que fizemos, nós três.
- Já tem três meses. Foi antes da minha missão começar, não foi? – recordou Harry.
- Missão esta que terminou há exatamente quatro dias e o você não moveu uma palha para me visitar. – disse ela, acusando-o.
- Desculpe. É que quando voltei eu tinha uma pilha de contratos e documentos dos... Os documentos! Espera só um instante que vou catar... – ele se virou para a mesa.
- Pode deixar. Eu provoquei, eu arrumo! – disse Hermione, e com um aceno de varinha colocou tudo em seus devidos lugares. – Mas não se acostume. Foi só hoje!
- Tudo bem. – respondeu Harry maroto.
- Bem, Harry... Como não o vejo há muito tempo, vim aqui para te convidar para um jantar que vai ter hoje à noite lá em casa. Vai ser realmente muito legal te ter por lá. – disse Hermione. – O Ron vai também, mas chegará um pouco mais tarde, já que ele estava numa temporada de Quadribol e só volta hoje. Deve estar chegando daqui há umas duas horas. Acho que ele vai passar em casa e pegar a Luna. – comentou.
- Como vai a Luna? Não a vejo há muito mais tempo...
- Está bem e acho que até demais! Não sei se sabe, mas ela está grávida de quatro meses. – informou a mulher.
- Quatro? Mas eu estava aqui, então! Por que não me contaram?
- Ah, Harry! Ela só veio descobrir quando o bebê já estava com cinco semanas.
- É. Pelo visto estou mais desatualizado do que pareço! – ele riu. – Que tal um sorvete para me contar todas as novidades?
- Não vejo idéia melhor! – ela também sorriu para o amigo. Passou as mãos nos cabelos, para arrumá-los. Seus cabelos agora eram diferentes. Não eram lanzudos como antes; adquiriram um aspecto suave, estavam compridos e lisos quase que por completo, exceto nas pontas, onde existiam pequenos cachos bem definidos.
- Não precisa se arrumar. Está linda! – disse o moreno, enquanto vestia sua capa.
- Hum... Er... Obrigada! – disse ela corando com o comentário do amigo.
- Disponha. Vamos?
- Claro! – e os dois deixaram a sala. Como Hermione havia feito, Harry trancou o escritório.
Ao passarem pelo balcão onde as secretárias ficavam, Harry parou.
- Meninas, eu já vou. – avisou. – Susan, quero todos os papéis arquivados. Os projetos, relatórios e documentos podem ser enviados para minha residência. – ele dizia tudo com firmeza, expressando superioridade. – Jana, quero que providencie uma reunião com Rufo Scrimgeor para a segunda-feira pela manhã. Mande-me uma resposta ainda hoje, estarei aguardando.
- Sim, Sr. Potter. – confirmaram as duas juntas.
- Até logo. – e dizendo isto, ele se retirou, segurando Hermione pela mão.
Hermione às vezes se perguntava se ele sabia do atrito que Jana e Susan tinham para com ela. Eles saíram do local e só então, Hermione entrou no assunto mais importante no momento.
- Harry, temos uma missão para a próxima semana. Enquanto você esteve fora, eu fiquei encarregada de organizar toda ela. Antes de ir falar com você, fui até a sala do ministro e ele confirmou tudo e disse que podemos iniciá-la o mais breve possível. Marquei tudo para segunda-feira. Estaremos saindo daqui às dez da manhã. – informou rapidamente, para que pudesse dizer tudo sem ser interrompida.
- Tudo bem. E que tipo de missão é?
- Desta vez é mais simples do que imaginávamos. O disfarce foi todo programado por Tonks e já está tudo pronto. Seremos um casal que estará passando férias na Escócia, onde foram descobertos grande parte dos Comensais procurados. Eles estão instalados numa pequena pensão, ao lado de um hotel muito famoso. Acho que já ouviu falar... Sun Palace.
- Sim, já me instalei lá quando participei de um treinamento. – confirmou o homem. Agora os dois saíam do Ministério.
- Bem, vamos ficar hospedados lá. Soube que vão haver festas esta semana, durante todas as noites e acredito que boa parte deles vai estar presente. Durante a festa, poderemos prender alguns deles sem que os outros percebam. Não acho que vá ser algo difícil. – Hermione falava séria, informando o seu amigo. – Teremos uma semana para realizar esta missão e concluí-la.
- Sem problemas! – concluiu Harry, entrando no carro, sendo acompanhado pela mulher.
- É, eu sei. O problema é a segunda parte desta missão. – disse Hermione naturalmente, com pequeno sorriso no canto dos lábios.
- Então teremos uma segunda parte, é? – perguntou Harry. – Não é algo que se deva estranhar vindo de uma pessoa como você, Mione. O que você preparou desta vez?
- Nada demais! Teremos de passar duas semanas em um cruzeiro de navio pela América do Sul. – respondeu Hermione como se fosse a coisa mais simples do mundo.
- E o que seremos?
- Você ainda pergunta? Oras, Harry! Esperava mais de você...
- É exatamente isto que me preocupa. – disse Harry maroto.
- Tudo bem! Seremos um casal em lua-de-mel. Mas o problema é só um: as exigências! Teremos de parecer realmente um casal apaixonado. – comentou Hermione.
- Acho melhor mudarmos de assunto. Teremos o fim de semana inteiro para conversar sobre isto. Aliás, você mora tão longe, não é? – brincou o homem.
E os dois seguiram para uma sorveteria no centro da cidade. Passaram o resto da tarde juntos, voltando para casa antes das seis. Harry estacionou o carro na garagem de sua casa e levou Hermione até a portaria de seu prédio. Despediram-se e ele ficou a observar a mulher subir as escadarias de mármore e só depois que ela entrou, ele retornou a pé para casa.
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Nos últimos dois anos, muita coisa mudara em suas vidas. Ron, agora goleiro do Chudley Cannons, se casara com Luna, uma das melhores medibruxas do St. Mungus. Quase não se viam, o que era muito estranho, pois passaram grande parte de sua vida juntos, separando-se apenas nas férias, quando cada um tinha que ir para seu canto. Harry vivia em missões e já enchera mais da metade das celas de Azkaban com Comensais da Morte. Raramente tinha um tempo livre para compartilhar com os amigos. Ron também tinha a agenda constantemente cheia, já que passava metade do seu ano fora, jogando nos campeonatos de Quadribol. Tornara-se um famoso jogador e ajudou a reerguer o time dos Chudley Cannons. Hermione era a única que sobrara nesta história. Embora fosse uma Inominável, trabalhava como auror também, porém suas missões eram poucas e sempre desenvolvidas com Harry, por ordem do ministro.
Os outros, também mudaram bastante de vida. Cho estava noiva há alguns meses e iria se casar em breve com Lucca Stang, um homem importante para a sociedade bruxa, sendo um dos sócios do banco Gringotes. Era um homem alto e esbelto, cabelos louro escuros e muito lisos, olhos castanhos e muito bonito. Ginny também se transformara em uma auror excelente, já era casada e tinha um casal de gêmeos de apenas oito meses: Sarah e Jason Malfoy. Sim, ela casara-se com Draco Malfoy, que também era um auror. Isso gerou um grande problema e a rejeição de sua família para com ela, mas de uns tempos para cá, tudo voltara ao normal e ela vivia feliz e em paz. Fred e Jorge continuavam trabalhando em sua loja de logros, a famosa Gemialidades Weasley e também já haviam se casado. Fred casara-se com Angelina e Jorge com Katie. Angelina trabalhava no Departamento de Cooperação Internacional em Magia, no Ministério e Katie trabalhava com Hermione no Departamento de Mistérios, sendo uma Inominável. Gui e Fleur haviam se casado no início do sétimo ano dos garotos e hoje já tinham uma família. Moravam na França e tinham dois filhos; Milena era a mais velha, tinha dois anos e Drake, o mais novo, que ainda tinha três meses. Como que por tradição da família Delacour, neste os filhos dos dois carregavam o sobrenome Delacour ao invés do Weasley. Carlinhos ainda não se casara, mas já estava 'enrolado' com uma garota chamada Allison McGuire e ainda morava na Romênia. O Sr. e a Sra. Weasley ainda viviam n'A Toca, que havia sido reformada algum tempo atrás, quando todos os filhos deixaram a casa.
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