_Onde você foi ontem com o Weasley? - Draco chegou de repente fazendo com que Hermione se assustasse.
_O que? Ah! Eu achei que você estivesse dormindo... - desconversou.
_Eu acordei a hora que você abriu a porta para sair. A luz do corredor bateu no meu rosto. - falou mal-humorado. - Onde vocês foram?
_Fomos falar com o Gui. Acho que descobri o enigma dos cacos e do colar. Quer dizer... Parte dele. - falou sem perder a atenção pelo livro que folheava.
_O que você está lendo de tão importante?
_Hum?
_Que livro é esse, Granger?!
Ela finalmente deu a atenção que ele queria. - Granger?!
_Bom dia, Hermione! Lembra de mim? Draco Malfoy!
_Ai Draco... Eu estou muito ocupada aqui. Desculpe, mas eu não posso me distrair. Mais tarde nos falamos, pode ser?
_Mione... Vamos? - Rony apareceu já uniformizado e com uma mochila nas costas.
_Ah! Claro! - Hermione se levantou prontamente. Pegou a mochila que estava ao seu lado e saiu com Rony dando um tchauzinho discreto para Draco.
Ele sentiu vontade de estuporar Rony no momento em que os dois se afastavam, mas se segurou. Respirou fundo e resolveu descobrir sozinho qual o livro que prendia tanto a tenção de Hermione: Há Vida Após a Morte? - Como trouxas e bruxos encaram essa etapa da existência. - Que estranho... - pensou.
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_Horcruxes?!
_Exatamente. O que é isso?
_Não interessa! - ele pareceu preocupado. - Continue nos mantendo informados. Isso é tudo... - ele se preparou para aparatar, mas foi impedido.
_Até quando vou continuar trabalhando para vocês? Estou começando a me cansar!
_Até acabarmos com a Ordem! O que você esperava?!
_Eu não confio em vocês!
_Nós temos um trato!
_Quem me garante que será cumprido?
_Eu garanto! Cofie em mim!
_Aquela pessoa...
_Não se preocupe! Teremos o maior prazer em tirá-la do seu caminho... - com seu sorriso cínico ele aparatou.
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_Sejam bem vindos de volta a Hogwarts! É uma pena que as circunstancias que os trazem aqui não sejam melhores. - Profa. Sprout, nova diretora da escola depois da morte de Dumbledore e do afastamento da Profa. McGonnagal para se juntar a Ordem, cumprimentava os ex-alunos enquanto os levava para a diretoria.
Hermione e Rony olhavam para as paredes antigas da ex-escola com saudades. Guiados pela diretora através do Salão Principal eles relembraram vários momentos vividos ali. A seleção, as refeições, o berrador que Rony recebeu, as discussões com Malfoy as vésperas de um jogo, o baile de inverno. Uma melancolia tomou conta dos dois a cada passo que davam. Até mesmo o sofrido caminho até a sala da diretora na época em que ela era Umbridge lhes deu saudade, já que naquele tempo sua preocupação mais imediata era escapar do grupinho sonserino que os caçava em todo lugar. As lembranças foram deixadas de lado quando Gina veio em direção aos dois.
_Rony! Mione! - ela correu em direção aos dois e abraçou ternamente o irmão. Com certeza jamais sentira tanta falta dos irmãos como naquele último ano. Hermione também recebeu um abraço carinhoso da amiga. - O que vocês estão fazendo aqui? Vocês encontraram o Harry?!
_Senhorita Weasley! Por favor. Eles estão aqui a trabalho!
_E eu estou perguntando sobre o trabalho deles! Vocês sabem do Harry? - ela perguntou desesperada caminhando de costas para não perder de vista as expressões dos dois que se recusaram a parar para conversar.
_Gina, nós não podemos te falar o que viemos fazer aqui. É confidencial, por enquanto. - Rony falou calmo, com as mãos no ombro da irmã tentando fazê-la caminhar de frente.
_Ah! Não me enrola, Rony! Essa visita tem a ver com o Harry não tem? - ela se virou desesperada para a amiga. - Hermione, por favor!
_Gina, nós não sabemos nada sobre o Harry, ainda e, aliás, nem você deveria saber! - falou não conseguindo fazer cara feia diante da angústia da amiga.
_Vocês achavam mesmo que eu ia agüentar aqui sem nenhuma notícia? Vocês iam mesmo me deixar alheia ao que está acontecendo com o meu namorado?
_Foi perigoso, Gina. As cartas da Luna poderiam ter sido interceptadas por comensais e isso poria tudo a perder. - Rony falou sem perder a calma.
_Rony! Todos já sabem da verdade! Tanto na Ordem quanto fora dela! Tem gente aqui que tem parentes na Ordem e que souberam de tudo antes de mim! Eu só quero saber como ele está! - seus olhos ficaram marejados.
Rony ficou penalizado com o sofrimento da irmã e quase contou a que foram ali, mas Hermione interveio: - Pronto! Chegamos! Gina, nós falamos com você depois. Quanto mais demorarmos aqui mais tarde teremos notícias do Harry para te dar. Não perca as esperanças, amiga. - ela empurrou Rony para a abertura feita pela estátua antes que ele não resistisse.
Ali na sala do diretor uma série de lembranças reapareceram em sua mente. Um Dumbledore miniatura sorriu amavelmente para os dois de dentro de sua moldura. Hermione sentiu os olhos marejarem, dessa vez foi Rony quem a empurrou para longe dali. Os dois começaram a busca. Profa. Sprout os ajudou revelando todos os esconderijos que haviam naquela sala. E eram muitos! Depois de muitos livros, velas e retratos tirados do lugar, muitas portas e portinholas descobertas, muitos falsos quadros, eles finalmente acharam os frascos com a característica nuvem prateada, mas haviam muitos deles.
_Como vamos saber qual é, Hermione? - Rony falou olhando desesperado para todos os frascos na estante.
_Não sei. Acho que teremos que levar todos... - disse analisando os frascos a procura de alguma dica, mas eram todos absolutamente iguais.
_Vamos assistir a todos?!
_Não tem outro jeito... - ela olhou ao redor a procura de mais alguma coisa que pudesse ajudá-los. Numa prateleira muito alta logo na entrada da sala ela avistou o chapéu seletor tirando um cochilo e, a seu lado, a espada de Godric Griffindor que Harry usou para matar o basilisco. - Hum... Profa será que poderíamos ficar um pouco a sós?
_Oh! Claro! Fiquem a vontade. Se precisarem é só pedir para algum dos quadros me chamar. Estarei na Lufa-Lufa.
_Ok. Obrigada. - ela agradeceu.
_Ok! Qual foi a grande sacada da vez? - Rony perguntou enquanto guardava alguns frascos em sua mochila. - Acho que eu deveria ter trazido uma mochila maior... - lamentou.
_Rony! É só enfeitiça-la! - Hermione falou dirigindo-se a estante e tirando de lá a espada.
_Ah é... - Rony respondeu sem graça. - O que você vai fazer afinal?
_Você se lembra quais objetos Dumbledore achava que eram horcruxes?
_Hum... Mais ou menos. Lembro que ele achava que eram sete. - falou pensativo.
_Me ajude a lembrar quais seriam. Vejamos: esta espada.
_O diário que Harry destruiu, aquele anel de pedra preta, que também foi destruído...
_Certo. São três! Ele falou algo sobre objetos de cada um dos fundadores, se lembra?
_Sim: o cálice de Helga e o anel que era de Slytherin, não?
_Sim! Ainda assim são quatro. Temos ainda o colar que o Harry foi procurar naquele dia.
_Cinco. Faltam duas.
_Ele falou algo sobre aquela cobra, não?
_Sim, mas e a última?
_Deve ser o objeto da Corvinal...
_E o que seria?
_Quem sabe... Bom, esses nós sabemos que Dumbledore também não sabia onde estavam, mas acho bom levarmos esta espada, não?
_Você é o gênio! Se você acha... Agora me ajuda a guardar esses frascos, ok?
Os dois guardaram tudo como podiam, fazendo uso de alguns feitiços encolhedores ou que aumentassem o volume das mochilas. Eles pensaram em sair sem serem notados, mas Gina os esperava do lado de fora.
_Onde você vai com essa mochila?! - Rony perguntou incrédulo.
_Eu vou com vocês!
_Tá louca?! Nem pensar!
_Eu não vou ficar aqui, Ronald! Quero participar! E quero estar junto quando vocês forem buscar o Harry, porque eu sei que vocês vão achá-lo. - ela não conseguiu conter as lágrimas.
_É claro que vamos, Gina. - Hermione a abraçou. - Mas estamos inseguros lá. Aqui você está mais protegida. Mais alguém lá, sem treinamento ainda por cima só atrapalharia. E como poderíamos levá-la? Teríamos que dispor de alguém para te proteger na busca, quando esta pessoa poderia ajudar mais procurando também... - Gina soluçava. - Nós prometemos que te informaremos de tudo, ok? - ela beijou a amiga e deu espaço para Rony se despedir.
Ele não sabia o que dizer para consolar a irmã, então apenas depositou-lhe um beijo na testa e partiu, sem olhar para trás. Gina ficou no meio do corredor chorando. Sentia-se sozinha, queria muito ir, mas sabia que seria mais um empecilho que uma ajuda. Ficou...
Já na Ordem Hermione e Rony partiram em busca de uma penseira que pudessem utilizar para assistir aos pensamentos de Voldemort. Seria muito difícil ali sem Dumbledore para explicar certas coisas, mas eles tinham que tentar. Passaram a tarde toda ali mergulhados na penseira. De vez em quando Hermione fazia uma anotação ou outra. Estavam exaustos quando terminaram, já na hora do jantar.
_O que você acha? - Rony perguntou confuso enquanto os dois desciam para comer.
_Hum... Não sei não! Não consigo entender porque o Harry queria que assistíssemos tudo aquilo. No final ficamos com as mesmas dúvidas de antes... - falou decepcionada.
_Nem tanto!
_Como assim? - perguntou interessada.
_Pelo menos agora sabemos como chegar na tal caverna... Quem sabe não há mais pistas lá?
_É claro! - Hermione exclamou. - Rony você é incrível. - ela pulou no pescoço do amigo.
_É... é claro o que Hermione?! - ele estava espantado, mas gostou do abraço, mesmo sem entender o que estava acontecendo.
_Hum, hum... Finalmente você apareceu, Rony! - Lilá apareceu na porta do refeitório fazendo a pior cara possível.
Hermione soltou-se dos braços de Rony. Todo seu entusiasmo havia desaparecido com o aparecimento daquela garota. Draco que passava por ali no mesmo instante lançou um olhar fulminante a Hermione, mas não parou. Se dirigiu à mesa mais afastada e ficou lá, comendo sozinho. Ela ficou com pena dele, mas não podia ir até lá. Ela desviou sua atenção novamente para Rony.
_Rony, dessa vez vê se não conta nada para a sua namorada, ok? - falou dirigindo-se até a mesa em que estavam os seus amigos.
_Escuta aqui, Granger! Você não manda no meu namorado, ouviu?! Se ele quiser comentar comigo como foi o dia dele ele fala, ok? Você não tem nada a ver com isso! - Lilá gritou aos quatro ventos, chamando a atenção de todo refeitório.
Draco assistia a tudo impaciente. Hermione não lhe dava atenção, fazendo-a gritar cada vez mais. Rony não sabia o que pensar daquela cena. Hermione sentia ou não ciúme dele com Lilá? Essa era a mesma pergunta que Draco e, aparentemente, todo refeitório faziam.
No dia seguinte, logo cedo, Hermione acorda Rony e o leva até a sala de Gui. Lá ela conta suas suspeitas aos dois.
_Então você acha que Harry está escondido nesta caverna? - Gui perguntava andando de um lado para o outro na sala. - Vocês sabem como chegar até lá?
_Eu precisaria assistir àquela lembrança novamente, mas tenho quase certeza de que conseguiria ir ate lá. - Hermione respondeu ansiosa.
_Vocês vão precisar de ajuda, certo?
_Com certeza. Harry nos contou mais ou menos como foi chegar lá, e não foi nada fácil. Parece que tem até mortos-vivos guardando a caverna! - Rony falava sentindo calafrios só de pensar no que teriam que enfrentar.
_Sei... Isso quer dizer que ele deve estar bem... Se estivesse ferido não conseguiria chegar lá sozinho...
_Ou então ele foi ajudado por alguém! - Hermione concluiu.
_Mas por quem? - Rony perguntou.
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_Então quer dizer que vocês já sabem onde ele está?
_Ainda não temos certeza, mas temos uma idéia...
_Quando vamos atrás dele?
_Você não vai Draco. Poucas pessoas vão. Na verdade acho que apenas quatro de nós.
_E onde vocês vão?
_Draco... Eu não posso dizer... - falou tentando não ofendê-lo.
_Tudo bem...
_Agora eu preciso ir...
_Eu sei...
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Hermione, Rony, Luna e Neville foram os escolhidos para ir até a caverna. Foi um percurso difícil e perigoso, mas eles conseguiram chegar. Depois de passar pelos guardiões da caverna, depois de deixar um pouco de sangue em uma das paredes e atravessar o lago eles chegaram a uma gruta muito escura. Andando cautelosamente por ali, com apenas uma das varinhas clareando o caminho, eles ouviram uma voz muito conhecida:
_Que bom! Vocês chegaram antes mesmo do que eu esperava. Parece que todas as aventuras que vocês enfrentaram com o Sr. Potter serviu para algo...
_Não pode ser! - Neville exclamou, ficando branco como cera.
_Deve ser algum truque! Fiquem todos juntos! - Rony ordenou. Logo todos estavam com as varinhas apontadas para a surpreendente figura a sua frente, exceto Hermione.
_Acalme-se Weasley! Tudo aqui tem uma boa explicação! - outra voz foi ouvida vindo de trás da primeira.
Neville empalideceu mais ainda. Se é que isso era possível. Nenhum deles estava entendendo nada do que estava acontecendo ali. Será que era tudo uma armadilha?
_Severo ajude os jovens amigos do Sr. Potter a atravessar a ponte. Eu vou na frente desfazendo os feitiços de proteção. Não queremos mais ninguém machucado aqui.
_Pois não, professor. Vocês quatro! Andem logo! Não temos tempo a perder! Potter não está bem! - o homem girou sobre os calcanhares e seguiu com passos largos sem esperar o grupo.
_O que faremos agora? Simplesmente vamos acatar as ordes de um morto e de seu assassino?- Rony perguntou perplexo.
_Rony tem razão! Pode ser uma armadilha! Todos nós vimos Dumbledore morto! - afirmou Neville.
_Mas é ele! Só pode ser ele! - Luna gritou.
_Luna tem razão! Eu já estava desconfiada. - Hermione se adiantou fazendo com que todos a olhassem boquiabertos. - Ei! Prof. Snape! Espere um pouco!
_O que é, Granger! Não temos tempo para suas perguntas imbecis!
_Bom... Este sem dúvida é o mesmo Snape de sempre... - Rony comentou baixinho.
_Como saberemos que isto não é uma armadilha? Todos sabemos que Dumbledore está morto, e foi você quem o matou! - ela não se intimidou.
_Tudo será explicado no seu devido tempo, Srta. Granger. Agora nós realmente precisamos seguir em frente. O amigo de vocês precisa ser ajudado, o quanto antes.
As palavras do velho senhor foram suficientes para convencer o grupo. Apreensivos os quatro acompanharam Dumbledore e Snape caverna adentro. Eles passaram por um corredor que se tornava cada vez mais baixo e mais estreito. Eles tinham que caminhar em fila indiana e curvados para não baterem as cabeças. Quase não havia luz. Eles se guiavam mais pelo som dos passos dos dois homens que os levavam do que pelo caminho em si. Depois de caminharem quase cinco minutos naquela postura desconfortável eles finalmente chegaram a uma outra caverna. Esta sim mais bem iluminada e arejada. Ao fundo, numa cama de solteiro improvisada jazia um corpo. Ao seu lado, sentada na cama, uma mulher jovem e magra fazia compressas na testa do rapaz desacordado. Os quatro correram em direção aquela cena. Eles mal podiam acreditar. Era Harry. Pálido, magro. Estava inconsciente, embora se mexendo muito. Hermione ajoelhou-se a seu lado. Levou uma das mãos à sua testa.
_Ele está queimando em febre! - falou aflita.
_Faz dias que ele está assim. Nós conseguimos baixar a febre durante alguns minutos, mas depois ela volta mais forte ainda. - a mulher falou trocando pela enésima vez o pano.
Só então eles deram atenção à mulher. Todos se surpreenderam, mas não tanto quanto Hermione. - Você não é a...
_Narcisa Malfoy... Sou eu mesma...
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