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A chegada
Harry passou pelo portal. Depois dele, a pequena Gina, ainda mais pequena enfiada num pesado casado de inverno.
Todos vestiam-se de negro, fato indiferente a Snape, que já era habituado a essa cor.
Todos permaneceram de pé enquanto Snape camuflava o portal com um simples feitiço de desfiguração de imagem.
-Vocês dois – apontou Luna e Neville – Ficaram aqui, junto ao portal. Nessa região não é comuns Nauts terrestres. Mas podem aparecer. Fiquem de olhos abertos e alternassem turnos para dormirem, pois não sabemos quando estaremos de volta. Como já disse Nauts são péssimos em magia, porem muito fortes. Sejam rápidos com a varinha e usem feitiços de proteção e ataque. – olhou de maneira assustadora para os dois – dois dias. Não esperem um minuto além. Se não estivermos aqui antes do por do sol do segundo dia, atravessem o portal e o destruam tão logo cheguem ao outro lado.
-Mas professor – a voz de Luna era apenas um sussurro – Como podemos deixa-los para trás?
-Se não estivermos aqui, é porque não sobrou nada de nos para serem deixados para trás. – disse sério e deu as costas partindo em direção a caminhada que teriam.
Não houve tempo para despedidas,
Seguiram em direção ao destino.
Andaram por quase duas horas por uma floresta fechada e escura. Mas foram recompensados ao chegarem as margens do rio do inferno.
-Ow, nossa! Que cheiro horrível! – reclamou Gina cobrindo o nariz.
Era uma espécie de margem de mar, Harry notou. Não conseguia enxergar a outra margem. As águas pareciam estranhamente paradas e sua cor era vermelho e seu cheiro lembrava enxofre.
Uma espécie de rugido vindo da floresta os fez empalidecer.
-É melhor nos apresarmos – disse Artur, tirando uma mochila das costas e pegando a poção que Snape lhe entregaram pouco antes da viagem – Beba isso, Gina.
Sua voz era decidida, porém sua mão tremia levemente ao entregar-lhe a poção. Seus olhos se encontraram e Gina sorriu como se pedisse que seu pai tivesse coragem e a ajudasse a tê-la também. Com um único e longo gole bebeu todo seu conteúdo gosmento. Em questão se segundos seus olhos perderam a cor e ficaram totalmente brancos. Uma espécie de clarão começou a escapar de sua pele como sua leve fumaça azulada.
Snape sacou a varinha e a moveu em sua direção. Lentamente a fumaça dirigiu-se para a ponta de sua varinha. Terminado o corpo da menina escorregou para o chão sem vida alguma.
-Em dois dias ela terá sua força vital de volta –disse Snape apontando a varinha para si e para Harry – E nós dois a perderemos, estando lá dento ou não . –sua voz era calma, porem era obviamente apenas o costume de esconder seus sentimentos.
Sua varinha criou uma espécie de esfera ao redor de ambos centenas de micro pontos brilhantes penetraram pela pele de ambos por alguns segundos. Então tudo acalmou-se e voltou ao normal.
-Estamos prontos.
Artur, passou Gina para os braços de Fred e aproximou-se de Harry. Segurou-o pelos ombros e disse olhando em seus olhos.
-Você pode fazer isso, Harry. Se existe um bruxo no mundo capaz, esse alguém é você. Tenha coragem e não esqueça de que há muitos que o amam aqui fora, esperando que volte vivo.
-Eu sei, sr.Wesley...eu farei tudo que puder. – disse com voz embargada.
Um rápido abraço e ambos se aproximaram da margem do revoltante lago. Snape foi andando lentamente até estar totalmente coberto pelas águas. Harry o seguiu. Fechou fortemente os olhos amedrontado. Nada parecia diferente. Na verdade, não sentia mais a água. Sentiu alguém pegar seu braço.
Abriu os olhos e viu um feixe de luz vindo de uma varinha. E a face ainda mais fúnebre de Snape encarando-º ele tinha os olhos abertos e gesticulava. Para sua surpresa, ele segurou ainda mais forte seu braço puxando- o para mais fundo nas águas escuras. Foi quando ouviu uma voz em sua mente:
“Sua varinha, Potter!”
alarmado olhou para a própria mão. Ainda a segurava. Ficou aliviado. Snape o olhava de lado. Ele havia falado em sua mente. Olhou para a varinha dele e entendeu.
Tentou falar mas água ameaçou entrar em sua boca, tinha um gosto horrível!
‘sua mente, Potter. Use-a!”
poderia facilmente ouvir sue tom indignado. Resolveu tentar e ver se podia fazer o mesmo:
“Acendio varinha”
a luz piscou e então acendeu. Um feixe forte o suficiente para iluminar o caminho a frente dos dois. Cada vez mais rápido e mais fundo. Harry quis olhar para trás e tentar ver a margem por onde vieram.
“Não pense, apenas não pense.”
Snape continuava falando com ele. Porém sua voz possuía um tom quase desesperado, como se ele também precisasse ouvir essas palavras.
Imaginou se poderia falar com ele dessa forma também.
“você esta sentindo isso? – arriscou.
“É horrível”
“Eu estou perdido, professor” o uso da palavra professor parecia-lhe cada vez mais freqüente, porém de uma forma benéfica. Realmente o via assim nos últimos dias.
“Estamos os dois” sua mão agitou-se, soltando o braço de Harry e apontando em uma direção. “Para lá”
“Como sabe?!”
“Já estive aqui antes”
“Como???” surpreso quase entreabriu a boca novamente mas a fechou rapidamente, pois a água batia em sua face a cada centímetro que avançavam velozes.
“Faz muitos anos”
“Mas como???”
“Uma aposta idiota de adolescência durante o Natal, eu e outro idiota capaz de pensar em algo terrível como isso!” havia uma sombra de arrependimento em sua voz.
“Que tipo de aposta?”
“Encontrar um naut, vence-lo e trazer para a superfície um pedaço de sua juba, que dizem ser curativa.”
“O que ganharia o vencedor?”
silencio. Harry não conseguia ver muito, mas era possível ver a expressão dura de Snape.
“Professor?”
“Lílian.”
“Que???? Minha mãe???”
“Sim. O perdedor nunca mais se aproximaria dela”
“Você apostou isso com...meu pai?
“E quem mais seria louco a ponto de sugerir isso?”
“Você disse que nunca tiveram nada...”
“Seu pai não sabia disso” havia um meio sorriso na face dele “Lílian era muito independente para lhe dar satisfações de sua vida”
“Vocês dois...conseguiram?”
“Sim. Voltamos a escola com pedaços da juba...teoricamente empatados”
“Mas então, quem venceu?”
“Nos dois ganhamos. Um mês de suspensão das aulas e sua mãe não falou com nenhum de nos por meses”
harry teria sorrido se não tivesse receio de engolir mais daquela estranha águam mal cheirosa.
“Professor?”
“Fale, Potter”
“Porque me chama de Potter a todo momento? Eu tenho um primeiro nome.”
“Sempre chamei seu pai assim”
“Mas e daí?”
“Vocês dois são igualzinhos.”
“Por isso me odeia?” perguntou corajosamente.
“Nunca o odiei. Apenas não nos suportávamos”
“Como eu e Malfoy.” Concluiu.
“Não. Malfoy o odeia, Potter. Não o subestime. Não o odeie, porém jamais o perdoe. É melhor manter inimigos a distancia”
“É um conselho?”
“Não. Um aviso.”
Harry teria estremecido, caso pudesse sentir seus membros, agora pesados pela pressão e peso da água sobre seu corpo. Deveria estar atravessando dezenas e dezenas de quilômetros a dentro. Uma velocidade que Harry nunca seria capaz de fazer caso não estivesse enfeitiçado.
Foi um baque. Como se batessem em uma densa parede. As águas escuras deram lugar a um clarão absurdo. Harry afastou-se de Snape sem querer assustado ao sentir uma pressão insuportável nos ouvidos. Quando o som diminuiu, olhou em volta e viu snape cobrindo os ouvidos assim como ele curvado no próprio corpo.
Foram momentos terríveis e Harry achou que fosse desmaiar.
Mas não aconteceu e o som sumiu tão de repente como veio.
“O-O que foi isso?”
“O canto da besta”
“O que é-é isso?”
“Não lhe falei?”
“Sabe que não!”
“É um ser dessas águas. Temos que mata-lo para atravessarmos essa parede. É o guardião da cidade dos Naturs”
“E onde ele está?” harry empunhou a varinha olhando para os lados.
“Aqui a sua frente”
harry ficou confuso. A sua frente havia uma espécie de parede coberta de musgos entre toda aquela luz clara. Viu snape se aproximar e apontar a varinha. Não ouviu o que disse, pois obviamente disse um comando a sua própria varinha.
Um feixe vermelho saiu em direção a parede e algo começou a mover-se.
Harry afastou-se surpreso. A parede moveu-se e logo sua forma mudou. Uma espécie de ameba gigantesca flutuou naquelas águas tão límpidas que poderia ver cada microorganismo vivo na sua composição.
“O que é isso???” teria gritado.
“Não importa. Use sua varinha!”
incerto Harry apontou-a na direção do ser que se aproximava.
Snape lançava fagulhas na direção dele mas nada parecia adiantar.
“estupefaça!” disse a própria varinha.
Nada.
“Morrea!”
Nada
“Esxpectro patrono!”
outra vez nada.
Snape também não tinha sorte. Alarmado Harry meditou se o professor mais eficaz do mundo bruxo não conseguia um feitiço eficaz, como ele conseguiria???
Aquela coisa aproximou-se mais parecendo inchar e crescer a cada jato de energia. Harry mergulhou nas águas veloz quando uma espécie de tentáculo surgiu da barriga do ser tentando alcançar-lhe. E não era único. Vários tentáculos começaram a persegui-lo.
Em mergulhos estratégicos ditados pelo desespero, Harry conseguiu esquivar-se. Arfante viu Snape ser preso por um deles. Os demais tentáculos, mais de vinte ao que podia contar, apressaram-se a sondar a vitima aprisionada.
Uma espécie de boca gigantesca abriu-se entre as camadas gosmentas do corpo molengo, e Harry arfou apavorado. Precisava fazer alguma coisa:
“Protego!”
é claro que não funcionaria. Era um feitiço de proteção! Não, não , não! Pouco a pouco o corpo de Snape era aproximando daquela coisa. A varinha dele presa em sua mão, porem seu braço imobilizado contra o próprio corpo. Mesmo assim, feixes de luz ainda se argüiam. Aquela coisa apertou ainda mais forte e Harry viu snape contorcer-se e ouviu em sua mente seu grito de dor. Assim como ouvira dezenas de vezes os gritos de sua mãe em seus pesadelos.
Sem pensar Harry ergueu a varinha, e gritou a primeira coisa que lhe veio a mente:
“Incendiari!”
houve um suave “ploc”. Aquela coisa pareceu tremer e diante dos olhos arregalados de Harry labaredas de fogo surgiram sobre toda a superfície de sua pele gosmenta. Seus tentáculos esparramaram-se em sua própria volta. Soltando Snape, mas quase acertando Harry.
A criatura soltou uma espécie de grito assustador e diante de seus olhos transformou-se em uma bola de fogo.
Estava estupefado.
Sentiu uma mão agarrar seu cotovelo e arrasta-lo dali rapidamente.
Minutos depois, Harry ouviu em sua mente uma voz aflita:
“Como fez aquilo?”
“O que?”
“O fogo. Na água.”
“Eu não sei.”
“Que feitiço você usou!” não era uma pergunta mas sim uma ordem.
“Um que Mione criou para usar no Rony quando iam duelar”
snape calou-se. Parecia ter perdido a voz. Harry estava prestes a perguntar o que havia de mais quando a voz dele voltou a sua cabeça:
“Fogo sobre ou sob a água é algo nunca antes realizado, mesmo no mundo bruxo, Potter. Sua amiga criou um dos sonhos mais desejados de muitos bruxos importantes” cada palavra parecia doer profundamente nele.
“É.” Começou bastante orgulhoso “ ela estava com muita raiva do rony” brincou.
Poderia ter jurado que havia um sorriso no olhar que Snape lhe lançou, mas claro, era apenas um reflexo das águas brilhantes e claras que se revelavam a cada metro que avançavam. Snape não acharia graça de uma brincadeira sua. Jamais. Inconcebível. Incalculável.
Harry notou que ele não lhe agradeceu.
Bem, ninguém muda apenas por estar a quilômetros de distancia água adentro indo diretamente para a morte, muda? Obviamente que não, pensou amargo.
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