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44. Asas vorazes


Fic: AVENTURAS EM HOGWARTS- Rony e Mione- Cap 59 e 60 ATUALIZADA!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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44
Asas vorazes

Snape andava lentamente pela calçada de uma rua no centro de Londres. Bem próximo ao apartamento que alugara. Desde que optara por afastar-se do mundo bruxo que voltara aquele antigo apartamento. Fora ali que sua mãe trouxa o criara até os onze anos quando recebera a carta chamando-o para estudar em Hogwarts. Desde aquele dia não lembrava-se de Ter retornado. Mesmo nas férias costumava permanecer na escola, uma vez que seus pais não queriam sua companhia e nem ele a deles.
Com o sobretudo longo e negro como as demais vestes, ele andava indiferente ao frio da noite. Uma pequena neblina erguia-se do chão e ar gelado escapava de seu nariz a cada respiração.
Sentia falta de suas aulas. Mesmo não querendo dar o braço a torcer e admitir, era feliz como professor. Mesmo que desejasse lecionar Arte das Trevas, ainda assim sentia falta dos alunos.
Mas depois da discussão com o diretor não poderia retornar. Talvez o motivo não tenha sido forte o bastante para tamanha amargura, mas as palavras trocadas e as acusações sim, machucaram demais em sua alma.
Snape dobrou uma esquina e avistou um gato sentado sobre a cerca do prédio. Parou a observar a postura rígida. Conhecia muito bem aquele tenso animal. Prof.Minerva. mas o que estaria fazendo ali?
Ouviu passos logo atrás de si e segurou firme a varinha sob as vestes. Não eram passos fortes o bastante para intimidar, porém no mundo bruxo a força física nada tinha a ver com a força de uma potente varinha nas mãos de um eximo bruxo.
Prova disso era a petulante Hermione Granger, secretamente sua aluna mais dedicada. Pequena, porém letal. Assim como o patético Harry Potter.
-O que você quer? – disse em alto e bom tom.
Era importante que seu opositor soubesse que não estava na ignorância. E quem o conhecia sabia muito bem como seria duelar com ele.
-Precisamos conversar, professor.
Aquela voz. Sorriu irônico. Grande oponente! Virou-se cínico e fitou a figura miúda por de trás da voz arrogante. Harry Potter. Chamando-o de professor? Até onde sabia ele sempre se referia a ele como Snape, numa clara demonstração de desrespeito.
-Sr.Potter. surpreende-me vê-lo aqui. O que você quer?
Harry poderia mata-lo. Poderia mesmo. Era sua vontade desde o primeiro dia que o vira na vida, mas não era o momento para antigas rinchas.
-Precisamos do senhor em Hogwarts. Precisa voltar.
Snape sorriu. Típica arrogância dos Potters.
-O que o faz pensar que pode me ordenar o que fazer, Potter?
-Não estou ordenando. Estou aqui para...pedir que volte.
Snape analisou o garoto a sua frente. Vestia-se como qualquer trouxa comum. Jeans, pulôver e um jaqueta de malha grossa. Tênis e um cachecol. Não parecia em nada o bruxinho desagradável e metido sempre pronto a alfineta-lo por qualquer motivo.
Snape sentiu o frio da noite perturbar seus pés e decidiu que não ficaria a noite toda ali parado. Afinal, Potter não era um inimigo, ao menos, não declarado. Muito menos um oponente.
Sem dizer nada virou-se seguiu para dentro do prédio. Sentia falta das suas roupas de aula que sempre esvoaçavam a seu redor impondo medo e respeito aos alunos. Artifício que nunca funcionara com Potter e seus amigos.
Harry o seguiu, e parou no meio do corredor enquanto ele movia a varinha e destrancava a fechadura. Quem precisava de chaves afinal, pensou irônico? Pobre do ladrão que se topasse com Snape.
Seguiu- o para dentro do apartamento pequeno e confortável e observou-o despir o sobretudo e medi-lo dos pés a cabeça.
-Está muito longo de Hogwarts, Potter. O que veio fazer aqui?
-Eu já disse. Vim pedir que volte. – aquelas palavras doíam em sua boca.
-A mando de quem? Dumbledore? – sugeriu, na verdade desejando que ele houvesse dado o braço a torcer. Uma vez que abrira mão de seu posto por orgulho o diretor jurara não traze-lo de volta a menos que ele voltasse por livre e espontânea vontade. Mas seu orgulho jamais permitiria tal coisa. Jamais.
-Ninguém me mandou. – olhou para o sofá e imaginou que Snape não conhecesse nada de boas maneiras afinal – Posso? – apontou o estofado.
Apenas um aceno com a cabeça e Harry sentou-se enquanto snape acendia a lareira com um mover da varinha. Feitiços sem voz ao que parecia.
-Minerva o trouxe até aqui?
-Sim. Prof.Minerva me trouxe usando um portal. Não queria que me aventurasse sozinho. – observou-o andar pela sala com desenvoltura. Por baixo do sobretudo ele usava uma camisa cinza escuro, trouxa e uma calça social negra. Seus sapatos reluziam lustrosos assim como seus cabelos. – Dumbledore não está em Hogwarts. Ele partiu em uma viagem secreta há algumas semanas. Seu irmão mais novo, Heldor, também partiu com o mesmo objetivo. Você o conhece?
-Heldor? Sim, o conheço. – respondeu amargo – Duelamos uma vez, no passado.
-Duelaram? – Harry surpreendeu-se e desejou saber quem vencera. Heldor era fascinante porém não poderia ignorar o conhecimento de Snape. Com certeza, uma bela briga.
-Não se surpreenda. Muitos foram os que me desafiaram a um duela. Poucos os que venceram.
Harry tremeu imagino que no passado esse homem fora um comensal. Embora muitos confiassem nele agora, ainda assim, ele servira a Voldemort.
-Heldor o venceu? – pergunto corajosamente.
-Impossível responder, Potter, uma vez que ambos passaram um mês na enfermaria. – disse com a sombra de um sorriso – Tínhamos doze anos, Potter. Não foi o acontecimento que imagina.
-Ah. – disse sem querer.
-Porque Minerva o trouxe? Porque ela mesma não me abordou?
-O assunto que me trás aqui é do meu interesse. Ela sabe que você se negara a...a...ajudar. – outra palavra que doeu em sua boca.
-Ajuda-lo, Potter? Veio até aqui pedir ajuda? – perguntou estreitando os olhos surpreso. Como Harry parecia Ter perdido a voz enquanto tentava engolir o próprio orgulho, algo dolorosamente difícil para ele, Snape aproximou-se de uma mesinha ao canto da sala e serviu-se de um copo com um liquido claríssimo. A seguir serviu outro e aproximou-se de Harry entregando diretamente de suas mãos as dele.
Harry pegou o copo e o olhou como se tivesse duas cabeças.
-É licor de sangue de dragão. – acrescentou bebendo um gole da própria bebida - Não está envenenado. Embora seu sabor se acentue com algumas espécies de venenos de lacraias.
-Isso não é...forte?
-É bebida de homem, Harry Potter. Se veio até aqui pedir-me ajuda com certeza precisa de um gole disso. – ironizou.
Harry fechou os olhos. Ele estava saboreando aquele momento. Provavelmente o colocaria em uma penseira para nunca mais esquecer. Snape sentou-se no sofá a frente a Harry sem desviar os olhos dele.
Corajosamente Harry bebeu um gole. Era forte. Sua garganta ardeu e sentiu lagrimas subirem aos olhos mas as conteve e lutou para não fazer careta para o gosto amargo. Estranhamente era bom. Muito bom na verdade. Desceu quente e revigoraste. Com mais calma bebeu outro gole.
-Não é ruim... – deu de ombros fingindo indiferença.
-Continue, Potter. Sinto que tem uma historia para contar. Ou não estaria aqui.
-É uma longa historia, professor. Há um monstro de tor em Hogwarts.
Os olhos de Snape estreitaram-se ainda mais. Ele pensava.
-Ouvi dizer que o único bruxo capaz de derrota-lo está morto a muitos anos. – comentou afinal.
-Sim. Mas a alguns meses, Behl torn, Draco Malfoy e Rony foram atacados por ele.
-Devo dizer que sinto pelo seu amigo? – ironizou.
-Não – Harry teve ganas de esgana-lo – Estão todos vivos. Há uma pessoa em Hogwarts capaz de expulsar o monstro de qualquer pessoa contaminada.
Snape pareceu realmente mais interessado. Seus olhos ficaram brilhantes como se essa possibilidade o encantasse.
-Não é possível que seja um aluno. Heldor, talvez?
-Não, não. É um aluno. Na verdade, uma aluna. – o rosto de Harry transbordava o orgulho que sentia em dizer isso.
-Quem?
-Você é capaz de imaginar quem seja? – provocou.
-Se fosse uma aluno eu poderia arriscar um palpite. Mas uma ‘aluna’...são todas tão tolas e fúteis, que não posso imaginar nenhum capaz de tanto...a não ser... – seus olhos mudaram drasticamente de um brilho pensativo para um chocado – a única aluna capaz de realizar um feitiço a altura das minhas aulas é...não, não seria possível uma sang-...- parou a tempo.
-Mas é possível sim. Hermione Granger. – disse tentando não se ofender com o que ele quase disse. – Ela salvou os três. Da ultima vez, com Rony, conseguiram prender o monstro. Mas Draco Malfoy o roubou e soltou-o no quarto de Hermione. Ela está na enfermaria e não sabemos como traze-la de volta. Sem Heldor e sem o poder dela, não sabemos o que fazer. Mas prof.Minerva acha que o senhor poderá ajuda-la.
-Porque?
-Porque ela acha que tem esse poder. Esse conhecimento – Harry juntou todas as suas forças e disse – E eu concordo com ela. Entenda, se não quer fazer isso, por causa de Hermione, por que sei que nunca a suportou, por ser minha amiga, faça por Hogwarts. Esse monstro vai mata-la e procurar outro abrigo, outro aluno. E não poderemos detê-lo.
Snape manteve-se em silêncio. Harry gostaria de ser capaz de entrar em sua mente e saber o que pensava. Sua frase porém o surpreendeu a ponto de quase derrubar o copo que segurava.
-Eu sempre soube que Granger era boa. No começo achei ser uma trouxa com mais vontade do que capacidade, mas depois percebi que sua sede de conhecimento apenas reforçava seu poder. Uma grande bruxa desde o primeiro ano. – Olhou para Harry – Por favor, não faça essa cara! Sempre a aprovei em minhas aulas e como professor tenho o dever de admitir quando um aluno é bom.
-Então você ajudará?- perguntou ansioso.
-Porque Malfoy fez isso? – desconversou.
-Toda a escola descobriu que ele queria namorar com ela e ela preferiu o Rony.
Harry queria Ter tirado uma foto da cara dele e emoldurado. Choque e humor. Veja, bem, humor. Seu queixo caiu quando o viu largar a cabeça para trás e gargalhar.
-Tal pai, tal filho!- disse.
-Porque diz isso? – perguntou se recuperando de vê-lo sorrir.
-Lucius Malfoy correu atrás de uma trouxa por anos. Isabelle Terrer. Francesa. Estudou pouco tempo conosco. Era um aborto. Até onde eu sei casou-se com um trouxa e vive em Paris. Até hoje Lucius corre atrás dela. Ele casou-se com a mãe de Draco para que seu pai não o deserdasse.
-Bem, Hermione não merece pagar pelos pecados de ninguém. Malfoy é terrível com ela. E com todos a nossa volta. Porque ela iria quere-lo? E além disso, sempre gostou do Rony. E ele dela.
-O amor é algo interessante, quando bem explorado pode ser algo útil, mas quando mal interpretado, pode ser uma arma.
-O senhor...já amou? – deveria ganhar o premio por coragem perguntar algo assim a um homem perigoso como ele era um risco.
-Foi a muito tempo, Potter. Não iria querer ouvir sobre isso. – disse sorrindo de leve.
-Bem, estou aqui pedindo um favor. Tenho todo tempo do mundo. – disse curioso.
-Você não gostaria de saber quem foi. Tive dois grandes amores. Duas mulheres fascinantes. Ambas com o mesmo fim. Uma, chamou-se Sabira. Nos casamos dois anos depois de nos formarmos. Voldemort a aprisionou e a fez sua comensal. Eu não a vi por um ano até juntar-me a ele. Eu fui seu fiel servidor. Fiz tudo que ele quis. Você sabe disso melhor que ninguém. Porem, ele a matou mesmo assim. Na mesma noite em que eu entreguei o nome do fiel do segredo dos seus pais. Na noite em que Rabicho deletou seus pais, Potter.
Harry não foi capaz de dizer nada. Ele falava disso com uma naturalidade cansada, como se já houvesse pensado tanto nisso ao ponto de tornar algo tão remoto que a dor se perdeu.
-Por isso abandonou o domínio dele?
-Sim. Mas não foi o único motivo. Antes de conhecer Sabira, eu fui apaixonado por Lílian. Sua mãe. – sorriu sombrio – Ela me defendia das covardias do seu pai e seus capangas. Me salvou vários feitiços. Era natural que a idolatrasse.
Harry quis morrer.
-Nunca houve nada entre nos. E nunca foi amor verdadeiro. Mas acho que conhece esse sentimento, Potter. Ou não teria vindo buscar minha ajuda.entende?
-Acho que sim. – aquele sentimento que o fazia amar Hermione como uma irmã. Um sentido muito forte.
-Estava cego pela possibilidade de perder Sabira. Não sei o que achei ou pensei. Apenas fiz. E perdi.
Harry quis gritar. Já sabia que ele ajudara Voldemort a perseguir seus pais, mas não sabia as razoes. Não conseguia digerir aquela conversa tão estranha.
-Você me odeia, Potter. E eu o desprezo por ser filho de alguém que me machucou tanto quanto teve a chance para isso. Acho que estamos empatados.
-Sim... – quis defender seu pai ,mas não podia. Sabia bem o que era ser alvo de alguém que o odeia. A covardia de Malfoy era prova disso.
-Irei fazer o que eu puder por Hermione Granger. Mas terá um preço.
Harry empalideceu.
-Irá manuscrever todos os meus feitiços. – levantou-se e conjurou um feitiço. Sobre a mesa de centro surgiu uma pilha incontável de papeis rabiscados e frases soltas. – quero tudo organizado. Por ordem alfabética. A punho. E sem magia.
-Professor...?
-Na escola conversaremos sobre isso. – a pilha desapareceu – Preciso de uma secretario para minhas aulas.

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