_Que aconteceu? Você está tão calada hoje?
_Hum... Nada... – ela ajeitou melhor o lençol em que estava enrolada e puxou um livro para mais perto.
_Como nada? O que você fez esse final de semana? – Draco perguntou deixando de lado a anotação que fazia.
_Fui para casa... – ela respondeu simplesmente. Estava se arrependendo de ter sido convencida a levar o material para o quarto. A cama não era muito propícia na hora de estudar.
_Ah, ta... – ele falou entediado, voltando a fazer anotações.
_Ah, ta, o quê? – ela olhou para ele, confusa.
_Você foi para casa, casa te lembra o Weasley e lembrar dele te deixa triste... – ele respondeu como se fosse a coisa mais óbvia e normal do mundo.
Hermione o encarou como se ele fosse um quadro abstrato, daqueles que não se entende logo de cara.
_Falei alguma mentira? – ele parou por um instante.
_Não, de fato... – ela voltou às suas anotações.
_Por que você volta tanto para casa? Quem você vai ver lá? – ele perguntou um pouco mais sério que o habitual.
_Oras! – ela pensou um instante. – Meus pais!
_Seus pais? – ele a olhou, incrédulo.
_É!
_Você não consegue ficar três meses longe dos seus pais? – ele pareceu mais dúbio ainda.
_É! – ela começou a se incomodar. – Você consegue?
Ele não respondeu. Desistiu do projeto colocando todo o material de lado. – Eu achava que você tinha alguém, lá, sabe? A sua relutância em sair com o Solomons, em sair comigo... Se você não tivesse me falado que o Potter estava casado com a Weasley...
_O Harry?! – ela riu. – Não há a menor chance! Mesmo que não houvesse a Gina!
_Entendo... Aquela cicatriz é nojenta, não é? – ele fez uma careta.
_Não é isso, Malfoy! – ela protestou deixando completamente de lado o projeto, também. – O Harry sempre foi como um irmão para mim!
_E o Weasley não?! – ele perguntou rindo.
_Não! – ela respondeu logo. – O Rony sempre foi como... Como um amigo! – ela ficou pensativa. – Agora que você falou... Eu nunca tinha me dado conta, mas é isso mesmo: eu sempre vi o Harry como um irmão e o Rony como um amigo, sabe?
_Hum... – ele pareceu duvidar.
_É sério! – ela recostou-se na cama. – Minha relação com o Harry sempre foi completamente diferente da minha relação com o Rony. Com o Harry eu podia conversar, sabe? Com o Rony não!
_Por que não?
_Por que? – ela pensou. – Porque o Rony tinha o dom de me irritar! – ela começou a rir. - Caramba! Como ele me irritava, às vezes!
_E mesmo assim você gostava dele?
_É... Mesmo assim... – os dois se encararam por um tempo. Draco sorriu e Hermione achou melhor voltar a escrever.
_Hermione?
Ela olhou para Draco, mas ele estava lendo.
_Hermione?
_É a sua bolsa. – Draco falou.
Hermione se esticou para pegar a própria bolsa. Já estava pronta para dar uma bronca em Billy, mas quando abriu o espelho:
_Harry?! – ela se assustou. Lembrou-se imediatamente que estava coberta apenas por lençóis.
_Mione? Onde você está?
_Harry! O que... O que houve? – ela tentou se afastar ao máximo de Draco que agora ria dela.
_Mione você está... – ele ficou levemente vermelho. – Onde é que você está?
_Hum... Harry eu... Eu posso explicar... – ela ficou completamente confusa. – É que...
_Você não tem que me explicar nada! – ele falou pouco convincente. – Eu estou te chamando porque a Gina viu que você esqueceu um pulôver. Queria saber se você vai precisar dele?
_Hum... Não...
_Ok, então! Tchau!
_Tch... – mas ele já tinha desaparecido antes dela terminar a palavra.
_Eu queria ver a cara dele se me visse aqui! – Draco ria.
_Ai, droga! Nem brinca, Malfoy! Se ele contar para a Gina eu to perdida!
_Hum... Hermione?
Hermione desviou a atenção de seu livro para fitar os olhos entristecidos de Chelsie. – “Ah, não...” Oi Chelsie.
_Será que eu poderia falar com você? Prometo que não demora! – ela pediu.
_Tudo bem... Sente-se! – ela falou por educação.
_Sabe... Você tem ficado um bom tempo com o Draco... – Hermione sentiu as bochechas esquentarem. – Você acha que ele tem outra?
_Outra?
_É... Você acha que ele está me traindo? – ela perguntou insegura.
Hermione sentiu o coração perder um compasso: - Mas Chelsie... – ela pensou bem nas palavras que ia usar. – Eu nem sabia que você e o Malfoy namoravam...
_Não sabia? – ela pareceu realmente espantada, Hermione sentiu-se a mulher mais idiota da face da Terra. – Bom... Ele nunca oficializou nada, não é, mas...
Hermione respirou parcialmente aliviada: - Chelsie, se vocês não namoram de verdade, então não tem razão para ele dizer que ele está te traindo, mesmo que ele esteja saindo com outra pessoa...
_Então ele está? Você sabe quem é?!
_Ai... – ela olhou o relógio. – Olha, Chelsie, eu realmente preciso ir, ok? – ela começou a juntar suas coisas. – Outra hora nós conversamos, tá?
Hermione aparatou da faculdade diretamente para a casa de Draco. Era mais cedo que o habitual, mas ela iria mesmo assim. Mesmo que atrapalhasse uma das importantíssimas reuniões dele.
_ “Quem ele pensa que é? Eu avisei, não avisei? Não tenho vocação para passar a perna nos outros!” – ela bufava enquanto ia até a grande porta de entrada.
_Boa tarde, srta Granger! O sr Malfoy a aguarda no...
_Peça para o seu patrão descer aqui, Sammy!
_Mas ele sempre a esp...
_Hoje não! Peça para ele descer, por favor! – ela pediu enérgica. Estava se sentindo a pior pessoa do mundo.
_Pois não, srta! – o elfo respondeu meio confuso, mas aparatou logo depois de uma reverência breve.
_O que houve? – Draco perguntou, minutos depois, impaciente. Sammy vinha em seus calcanhares, um pouco trêmulo.
_Assim não dá, Malfoy! A Chelsie veio me perguntar hoje se eu sabia com quem você a estava traindo!
Draco a encarou achando certa graça, o que a deixou extremamente irritada. Ele olhou para o elfo, que ainda os observava. Depois de um leve sobressalto o serviçal os deixou a sós.
_Que isso, Granger? Ciúmes? – ele riu.
_Lógico que não! – ela protestou um pouco ruborizada. – Mas é que eu fiquei me sentindo mal! Acho melhor você esclarecer logo tudo com ela, Malfoy!
_Eu já te falei que eu e a Chelsie não temos nada, Granger... – ele a puxou pela cintura.
_Não é a mim que você tem que falar! É para ela! – Hermione o afastou com as mãos em seu peito.
_Você quer que eu escolha entre vocês? – ele cruzou os braços e a encarou, sorridente.
_Malfoy! A Chelsie gosta de você, e eu estou me sentindo a outra nessa situação! E eu não gosto nem um pouco disso! – ela fechou mais ainda a cara.
_Você quer ser a matriz e não a filial? – ele voltou a enlaçá-la pela cintura.
_Ah! Vamos fazer o seguinte? Quando você resolver me levar a sério e resolver o seu assunto com ela eu volto, ok? – ela se afastou dele novamente. – Até lá você me procure na biblioteca da faculdade! – e se virou para sair.
_Você não manda em mim, Granger!
_E nem você em mim! – ela se virou de volta. – Esclareça tudo e aí eu volto! Se não, esqueça!
Hermione estava resoluta: não voltaria na casa de Draco enquanto ele não resolvesse o assunto com Chelsie. O problema é que ela sabia que ele também não a procuraria, afinal, ele era Draco Malfoy. Já fazia quase 24 horas, desde a discussão, que ela não o via. O pior é que ela estava sentindo falta dele, mesmo que não admitisse.
Para tentar se livrar dessa falta irritante ela decidiu mergulhar de cabeça no projeto, que decidiu terminar mesmo sem ele, afinal, jamais precisou de ajuda para terminar qualquer coisa, por que precisaria agora? Mas não estava conseguindo se concentrar também. Mais irritada do que jamais esteve, ela juntou seu material e saiu da biblioteca, bufando.
Estava perto da cantina quando achou que estivesse tendo alucinações. Quase deixou os livros despencarem de seus braços quando avistou a inconfundível cabeleira ruiva passeando pelo campus e chamando atenção de alguns.
_Mione?
_Gina? – ela re-equilibrou os livros com dificuldade. – O que você esta fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou realmente preocupada com a visita.
_Não aconteceu nada! – Gina sorriu, pegando metade dos livros que Hermione carregava. Está tudo bem em casa, com todos!
Hermione ficou ainda mais confusa, mas de repente se lembrou do pequeno incidente de dias atrás: - Ah... – e teve dificuldades para esconder o rubor e o nervosismo que a acometeu.
_Quem era? – Gina perguntou aproveitando a deixa.
_Ah, droga! Olha, eu posso explicar, ok? – ela voltou a andar guiando Gina até o dormitório.
_Ótimo! Foi para isso mesmo que eu vim! – ela riu. – Quem é?
_Hum... Ninguém em especial... – Hermione falou. – Vocês não contaram para mais ninguém, né?
_Claro que não! – ela girou os olhos. – Qual o nome dele? É bonito?
_Na verdade já acabou... – ela falou triste. – “Acabou o que? Nem tinha começado nada!” – ela se corrigiu.
_Como assim acabou? – Gina estava desapontada.
_Nós tivemos uma pequena discussão... Ontem...
_E ele não te procurou ainda?
_E nem vai!
_E nem você a ele, lógico! – Gina falou, incrédula.
_Ele é que estava errado!
_Sei...
_Oh! Hermione! Que bom que eu te encontrei! – Chelsie corria até ela. – Ah! Olá! – ela cumprimentou Gina.
_Oi... – Gina falou achando graça de Chelsie.
_Olha, Chelsie, eu tenho que resolver umas coisinhas, sabe? Não é a melhor hora... – ela começou a ficar desesperada.
_Eu só queria saber se você percebeu alguma coisa?
_Ele ainda não foi falar com você?! – Hermione ficou vermelha de raiva. – Cretino!
_Quem? – Gina perguntou curiosíssima.
_Olha, Chelsie, mais tarde conversamos, ok? – ela ignorou a cunhada.
Chelsie fez cara de cachorro pidão, mas Hermione não viu, porque estava procurando a pessoa a quem Gina acabara de cumprimentar, mas preferia não ter visto.
_Como vai, Weasley? – Draco veio sorridente até o trio. Olhou Gina de cima a baixo, mas não olhou para Hermione.
_É Potter, Malfoy! – Gina respondeu. – Vou bem, e você?
_Hum... Mais ou menos! – ele espiou Hermione. – Quero falar com você! – ele puxou Chelsie pelo braço. – Vamos logo antes que a Granger fique soterrada sob esses livros todos! – e riu da irritação dela.
_Ah, não! – Gina exclamou de repente. – É ele?
_Que?! – Hermione tentou rir debochada. – Não!
_Mione! O Harry disse que era um quarto luxuoso! – ela se apressou para seguir Hermione, que recomeçara a andar.
_E ele é o único com um quarto luxuoso?!
_O único que você iria querer esconder!
_Bobagem!
_Não precisa mentir, Hermione...
_Gina... – ela suspirou. – Ok... Mas não é nada sério...
_Hum... Você falou dos meninos?
_Você ouviu o que eu disse? Não é nada sério!
_Tão pouco sério que vocês até já brigaram!
_Ai, Gina... É complicado...
_Imagino...
_Não conta para o Harry.
_Claro que não... – ela sorriu compreensiva. – Você mesma vai contar quando for a hora...
_Não vai ter hora nenhuma, Gina! – ela destrancou a porta com dificuldade.
_Você gosta dele?
_Não! – ela respondeu jogando os livros sobre a cama.
_Não?
_Não! E eu agradeceria se mudássemos de assunto! Você mesma disse que a vida é minha! Eu não entendi o que você veio fazer aqui!
_Vim te dizer que estamos todos do seu lado... Bom... Se bem que agora a coisa ficou bem diferente, mas... Ninguém vai achar ruim se você se envolver com outra pessoa, Mione...
_Sua mãe já me falou isso, e eu já expliquei o meu ponto de vista! Sinto muito, mas eu estou muito bem do jeito que estou, ok? Chega de vocês se meterem na minha vida! – ela desabafou. Os olhos lacrimejantes da raiva acumulada.
_Nós só queremos o seu bem, Mione...
_E eu agradeço, mas não preciso de conselhos e nem nada disso, ok?
_Bom... Eu não vou insistir... – ela ficou muda por um tempo. – Pequeno esse quarto, hein?
_Humpf! Você não viu o dos solteiros! – ela foi para a cozinha. – Quer um chá?
_Quero... – ela seguiu a amiga. – Onde vocês estavam, então? Na casa dele?
Hermione bufou.
_Nós sempre conversamos sobre isso! - Gina justificou. – Eu só estou curiosa, afinal, é o Malfoy!
_Certo, certo, Ginevra Potter! Você não vai me deixar em paz, não é?
_Não mesmo! – Gina sorriu mais à vontade. – Desde que nos casamos eu não tenho mais com quem conversar sobre homens, só sobre fraldas!
As duas riram. Hermione se soltou e decidiu contar de uma vez o que aconteceu nos últimos dias entre ela e Draco, desde que com a promessa de que ela não contasse a ninguém. Quando Gina foi embora ela já se sentia bem melhor.
_E eu perdi essa! A primeira briga de vocês! Que romântico!
_Eu não estou brincando, Ben! A Chelsie realmente acreditava que era a namorada dele! E eu?! – Hermione dizia.
_Você queria ser a namorada?
_Não! – ela gritou de repente. – Eu queria que ele tivesse me contado! Não me feito de idiota!
_Você está com ciúme, minha fofa!
_Não estou, não! Só não gosto de enganar os outros!
_Hum... Você está nervosa... Faz quantos dias que você prensou o bofe, hein?
_Dois dias!
_É... Eu também estaria nervosa...
Toc, toc, toc!
_Ah, não! Atende para mim? Se for o Billy ou a Chelsie fala que eu morri, ta legal?! – ela correu, enfezada, para o banheiro.
Ben foi atender a porta, rindo-se de Hermione: - Hum... – ele fez depois de abrir a porta. – E se for o Malfoy? Eu digo o quê?
Draco ficou olhando para ele sem entender. Ben foi se afastando da porta e ouviu Hermione sair do banheiro. Quando viu Draco parado na porta, com cara de poucos amigos, cruzou os braços e, o encarando tão carrancuda quanto ele, perguntou:
_O que você quer, aqui?
_Falar com ele é que não é! – ele respondeu simplesmente, achando estranha a intimidade de Ben ajoelhado na cama de Hermione.
_Eu volto amanhã, Mione! – ele falou sorridente. – Foi um prazer, Malfoy!
_Hum... – ele respondeu. – Desde quando você recebe homens no seu alojamento? – Draco entrou olhando de nariz torcido para tudo.
_Ele é gay, Malfoy! E mesmo que não fosse isso não seria da sua conta!
_Ele pode ser bi, sabia? – ele continuou examinando tudo.
_O que você quer, hein? – Hermione enrijeceu quando o viu aproximando-se da cama, do quadro de fotos.
_Falar com você! – ele estava olhando o quadro. Hermione se aproximou pensando na desculpa que daria. – Fica difícil não lembrar do Weasley quando você espalha fotos dele por todo o canto!
_Isso... Isso... – mas ela notou que não tinha nenhuma foto dos gêmeos. – Apenas Rony fazendo gestos feios para Draco. – Isso não é da sua conta! Fala logo!
_Eu já falei com a Chelsie... – ele se virou para ela, com as mãos no bolso e cara de quem espera um agradecimento.
_Como eu posso ter certeza de que você não contornou os fatos novamente?
_Amanhã, quando ela não olhar para sua cara e o Solomons quiser me estuporar, você vai ter certeza.
_Você contou?! – Hermione estava estarrecida.
_Contei! – ele sacudiu os ombros. – Não devemos nada para ninguém, Granger! Somos adultos! – ele se aproximou dela. – Eu fiz minha parte! Você vai fazer a sua?
_Hum... Para falar a verdade eu acho que já terminei o nosso projeto. Só preciso passar a limpo e isso eu posso fazer sozinha... – ela falou orgulhosa. – Não vou mais precisar voltar a sua casa...
_Não era a toa que o Weasley vivia te irritando, Granger! – ele falou. – Você pede para ser irritada! Pede para que a provoquemos, não é? – ele se aproximou tão rápido que ela mal pode se preparar. – Para de ser orgulhosa! Eu senti sua falta... Tenho certeza que você sentiu a minha!
Ela ficou sem palavras. Abriu a boca algumas vezes para tentar responder alguma coisa, mas diante de uma afirmação dessas, vinda de quem veio, não havia o que dizer. Draco sorriu da confusão dela e a puxou pela nuca, aproximando seus lábios lentamente.
_Teimosa! – ele sussurrou antes de beijá-la.
Os vários Ronys das fotos começaram a protestar veementemente. Alguns arremessavam partes do cenário, outros fingiam vomitar e outros sacavam a varinha. Draco extinguiu completamente à distância entre seus corpos e tentava deitá-la, mas ela não permitiu.
_Aqui não, Malfoy!
_Ok! – ele sacou a varinha e conjurou um pano preto sobre o quadro de fotos. – Que diferença faz o lugar? – ele a atirou na cama de uma vez. – Pare de fingir que não quer, Granger. Não cola mais! – ele sorriu e voltou a beijá-la. Que mais ela poderia fazer senão corresponder ao apelo dele?
Draco estranhou um pouco a cama, mas não reclamou. Não havia por que reclamar, não havia tempo para reclamar, não quando a tinha nos braços novamente, e isso era algo que o confundia. Desde quando levar uma bronca de uma mulher o afetava tanto? Desde quando ir a forra nos braços de outra não fazia efeito? Desde quando fazer as pazes era tão bom? Ele simplesmente desistiu de obter essas respostas quando seus corpos se encaixaram novamente, e nem se lembrava mais desses questionamentos quando a sentiu relaxar sob seu corpo, e notou a expressão satisfeita dela. Sorriu sem saber por que, e a beijou, mais ternamente que de costume, sem entender por que.
_Você não vai mesmo voltar lá para casa? – ele perguntou, ao lado dela, quando suas respirações voltaram ao normal.
Hermione pensou um pouco antes de responder: - Hum... Não para fazer o trabalho! – ela riu da própria resposta.
_Você já terminou mesmo? – ele riu também. Virou-se de lado para poder observá-la.
_Terminei! – ela respondeu orgulhosa. – Só precisamos passar a limpo, mas se você quiser checar antes...
_Confio em você... – ele respondeu enrolando um cacho do cabelo dela nos dedos. – Você não conseguiu a nota máxima em todos os N.I.E.M.s a toa, não é?
_Como você sabe que eu tirei nota máxima? – ela perguntou encarando-o, curiosa.
_Tá brincado? – ele sorriu. – Tem um troféu para você em Hogwarts!
_Sério? Como você sabe? – ela ficou mais empolgada ainda.
_Longa história... – ele mudou de assunto. – O que a Weasley estava fazendo aqui?
_Hum... – ela decidiu não insistir. – Veio conversar, ué! Uma mulher precisa de alguém com quem conversar, sabia?
_Hum... Está dizendo que eu só sirvo para transar? – ele perguntou fingindo-se de ofendido.
_Nós não temos muito assunto em comum, não é? – ela sorriu.
_Hum... – ele desistiu dos cabelos dela e começou a acariciar o colo, fazendo movimentos circulares que desciam e subiam, fazendo Hermione sentir cócegas. – O Potter ficou muito bravo?
_Ficou... – ela respondeu mais séria.
_Tem certeza que ele não casou com ela só porque você casou com o Weasley?
_Certeza absoluta! – ela falou indignada. – Eu já disse, não tem nada a ver!
_Ok, ok! – ele continuava a passear os dedos por ela, cada vez mais para baixo, passando pelo vale entre os seios. – Posso perguntar uma coisa?
_Pode... – ela abriu os olhos, surpresa com a interrupção súbita do movimento que ela achou que continuaria sempre mais para baixo.
_O que é essa marca que você tem aqui? – ele ficou passando o dedo por uma marca muito fraca, mas que lembrava um raio.
_Hum... – ela virou-se de costas para ele, interrompendo o contato. – Lembranças da guerra... – ela respondeu grave.
_Hum... – ele fez, meio perdido. Percebendo que havia pisado em terreno delicado, enlaçou-a pela cintura e depositou-lhe um beijo no ombro. – Desculpe...
_Tudo bem... – ela respondeu surpresa por ser abraçada daquele jeito. Acomodou-se melhor ao corpo dele. – Onde você esteve durante a guerra? – ela perguntou curiosa. Esse parecia o único assunto em comum entre eles, além do curso.
_Eu vim para cá, com a Pansy... – ele respondeu firme. – Ficamos escondidos...
_Você... – ela hesitou. – Você tem a marca? – ela se afastou levemente dele, como se tivesse acabado de se lembrar que ele tinha uma doença contagiosa.
_Não... – ele respondeu incomodado. – Eu era muito novo... O Lorde não confiava em mim. Eu era apenas uma isca contra o meu pai.
_Você nunca mais voltou para Inglaterra? – ela tentou desanuviar um pouco o clima.
_Voltei para o enterro de Pansy, – e ela não conseguiu. - , mas disfarçado. – ele a aproximou novamente, para provar que o assunto não o incomodava, pelo menos não tanto quanto a ela. – Depois voltei quando a guerra acabou, só para pegar um dinheiro. Aí voltei para cá e montei minha empresa. Só fui para lá mais uma vez, porque minha mãe ficou doente. Voltei no domingo antes das aulas começarem.
_Sério? Eu vim no mesmo dia! – Hermione se virou para ele. – Você veio pelo Ministério? Com chave de portal?
_Eu perdi a minha. Sairia às 16h.
_Ha! – ela riu. – Foi a chave em que eu vim! – ele riu também. – Se você tivesse chegado a tempo teria conhecido...
_Quem?
_Hum... Não, é que o sr e a sra Weasley me acompanharam aquele dia... – ela respondeu rápido, ficando de costas novamente.
_Você não perdeu o contato com eles?
_Não... – ela respondeu temendo que a conversa se tornasse reveladora demais. – Eu... Eu guardo algumas lembranças do Rony, sabe...
_Quais, por ex...
_Você está com fome? – ela se levantou de repente. – Eu estou!
_Hum... Pode ser... – ele falou percebendo que falara demais novamente.
Hermione pegou o roupão e foi para cozinha preparar um lanche. Draco vestiu-se, tirou o pano preto das fotos de Rony e respondeu à altura os gestos mal-educados que eles lhe faziam, achando-se ridículo depois. Então foi até a cozinha minúscula do alojamento.
_Não sei como você agüenta viver aqui! – ele perguntou. – Amanhã você vai para minha casa! E não adianta fazer cara feia, Granger!
_Eu não vou fazer cara feia! – ela respondeu fazendo cara feia. – Essa cama pode ser até razoável para dormir, mas... – ela se calou, rindo.
_Ok, ok... – ele riu também. – Que tal você almoçar comigo amanhã?
Ela se sentou e o olhou admirada: - Achei que você nunca me convidaria para comer na sua casa, Malfoy! – ela o encarou.
_É só por educação! – ele respondeu. – Você mesma disse que nunca aceitaria nada que eu oferecesse! – riu.
_Posso mudar de idéia! – ela serviu suco e sanduíches aos dois.
_Ótimo! – ele sorriu satisfeito. – E depois vamos passear um pouco. Faz um mês e meio que você está aqui e ainda não conheceu nada, não é?
_Você vai me levar para passear?! – ela perguntou incrédula. – Não se preocupe, eu não vou tirar o seu nome do trabalho! – ela brincou.
_Ai de você se tirar! – ele a puxou pela mão e a sentou em seu colo. Algo realmente inusitado começava a surgir ali.
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