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3. Capitulo 3


Fic: Receita de amor


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CAPÍTULO III

“Uma moça deve estar sempre impecável, asseada e bem-arrumada. Deve ser feminina, nunca comportar-se como um moleque.— Diário de Megan Madacy, Primavera de 1923”


Hermione releu as duas últimas frases, franzindo a testa. Estava cansada, já deveria estar dormindo há horas, mas não conseguia parar de ler. A bisavó falava sobre os conselhos da mãe dela de vestir-se de maneira feminina em vez de adotar as calças compridas que começavam a ser lançadas pela moda.

“Mamãe fica chocada com as moças que vão à cidade usando calça comprida. Eu acho chique calça comprida, mas mamãe nunca vai me deixar usar. Preciso fazer alguma coisa para atrair a atenção de Frederick. Acho que vou mandar fazer dois vestidos novos. Com muitas rendas e babados, bem femininos. Já que não posso estar na última moda, pelo menos vou ficar bem feminina. Talvez isso faça com que Frederick sinta a sua masculinidade despertada.”

Hermione riu baixinho e fechou o diário. Estava curiosa para saber se a feminilidade de Megan despertara a masculinidade de Frederick, mas isto teria de ficar para o dia seguinte. As palavras começavam a embaralhar diante de seus olhos.

Ela ajeitou a cabeça entre os travesseiros e apagou a luz. Como as coisas eram diferentes na época de sua bisavó! As pessoas ficavam chocadas ao ver uma mulher usar calça comprida. Ela passava semanas sem usar saia ou vestido! O que diria sua tataravó...

Logo antes de adormecer, no entanto, Hermione perguntou-se se as roupas mais femininas de fato não criariam um impacto maior sobre os homens.

Na manhã seguinte, enquanto tomava café, Hermione decidiu que sairia para fazer algumas compras. Estava de férias, era verão, e ela queria comprar mais algumas roupas leves. Seguiria o conselho de Megan e compraria algumas peças bem femininas. Escolheria algo especialmente para sair com Cari.

Se bem que não era em Cari que ela estava pensando... Droga. Não conseguia esquecer aquele beijo!

Depois de folhear o jornal, Hermione subiu para vestir-se, dizendo a si mesma que era inútil continuar pensando em Harry. Ele era um sonho impossível. Mas não faria mal algum pensar no que poderia agradá-lo, quando estivesse escolhendo suas roupas. Afinal, ele era um homem. Se comprasse algo de que ele provavelmente gostaria, outros também poderiam aprovar.

Quando Cari tocou a campainha, naquela noite, Hermione já trocara incontáveis vezes de roupa. De manhã, pedira a Gina que a acompanhasse para fazer compras. Quando contara à prima o que tinha em mente, esta rira, mas ajudara-a a escolher as roupas com entusiasmo.

Voltou para casa com dois novos vestidos, duas saias e três blusas, além de cosméticos e maquiagem, e um novo corte de cabelo.

Agora, ao atravessar o hall para abrir a porta para Cari Penning, ela não tinha certeza se fizera a coisa certa. Quando arrumasse emprego e voltasse à rotina, aquelas roupas ficariam no fundo do guarda-roupa.

De qualquer forma, Hermione estava se sentindo bem com o vestido de gola alta, que lhe deixava os ombros à mostra. Naqueles poucos dias ela já adquirira um tom bronzeado e uma aparência mais saudável. O corte justo da parte superior realçava sua silhueta esguia, e a saia tinha um caimento gracioso, fazendo-a sentir-se incrivelmente feminina. Além disso o tom rosa contrastava de maneira perfeita com a pele bronzeada, O corte levemente repicado, com as pontas aparadas, suavizava-lhe as feições, e ela seguira o conselho de Gina e aplicara uma maquiagem leve nos olhos.

— Olá, Cari — cumprimentou, ao abrir a porta.

Ele era alto, tinha ombros largos e cabelos loiros. O sorriso simpático, no entanto, não fazia o coração de Hermione bater mais rápido. Ela sorriu e saiu, fechando a porta atrás de si. Por que não se sentia atraída por Cari, em vez de Harry? Conhecia-o desde que eram adolescentes. Encontrava-o todas as vezes que vinha passar férias na casa da tia, no entanto nunca haviam explodido faíscas entre eles. Eram muito amigos, mas nada além disso.

Não que houvessem explodido faíscas entre Hermione e os rapazes com quem ela saíra em Nova York, tampouco. O único homem que a abalava era inatingível. Já era hora de esquecer Harry Potter e olhar para outros homens com outros olhos.

— Que bom ver você, Cari — disse Harry, parado na calçada, ao lado do carro de Cari. O olhar dele fixou-se em Hermione enquanto os dois desciam os degraus largos até a calçada, e ela notou que ele franzia ligeiramente a testa enquanto a observava da cabeça aos pés. — Como vai, Hermione?

— Bem, obrigada, Harry.

Ela enrubesceu, sentindo-se culpada como uma criança flagrada com um chocolate depois de ter sido advertida para não comer. Depois engoliu em seco e respirou fundo. Não tinha que se sentir culpada. Era livre para sair com quem bem entendesse. E, segundo os conselhos que lera no diário da bisavó, talvez causasse efeito Harry vê-la sair com outro rapaz. Só porque ele nunca se interessara por ela, não significava que outros não se interessassem. Mesmo assim, ela se sentia estranha e pouco à vontade.

— Como vão as coisas, Harry? — Cari estendeu a mão para ele.

— Não posso me queixar. E com você?

— Também. Estamos pensando em expandir a loja.

Cari e o pai eram sócios numa loja especializada em computadores, que começara, anos atrás, vendendo videogames e jogos. Harry costumava passar horas lá, quando era adolescente.

— Que maravilha! — ele exclamou, com um sorriso largo. — Parabéns.

— Obrigado.

— Vão sair? — Harry olhou para Hermione, ao fazer a pergunta. Ela assentiu com um movimento da cabeça, porém foi Cari quem respondeu.

— Encontramo-nos no clube de campo, no almoço, um dia desses. Vamos experimentar o restaurante novo, hoje à noite, o Tarheel Tavern.

— Divirtam-se — Harry murmurou, afastando-se do carro, para que Cari abrisse a porta.

Hermione sentiu o olhar de Harry em cima de si o tempo todo, enquanto entrava no carro, até Cari dar partida, engatar a marcha e arrancar. Assim que o carro fez a curva e desapareceu de vista, ela suspirou e virou-se para Cari. Precisava livrar-se o quanto antes daquela obsessão por Harry. Cari era um rapaz simpático e atencioso, e convidara-a para jantar. Ela lhe dedicaria toda a atenção, naquela noite.

Hermione estava exausta quando foi se deitar, horas mais tarde. Pegou o diário e abriu-o, duvidando que conseguisse . manter os olhos abertos. Leria umas duas páginas antes de dormir, só para relaxar.

A noite lhe parecera interminável. Cari falara o tempo inteiro sobre a loja e sobre o que fizera desde a última vez que Hermione estivera em West Bend. Não que ela não estivesse interessada, mas ele poderia ter resumido a narrativa em cerca de noventa por cento.

A camaradagem que haviam compartilhado quando eram estudantes e jogavam tênis juntos parecia não existir mais. O tempo custara a passar, e Hermione não via a hora de voltar para casa.

O toque do telefone interrompeu o devaneio de Hermione, e ela sentou-se na cama, sobressaltada. Telefonemas tarde da noite geralmente significavam más notícias. Ela afastou as cobertas e saltou para fora da cama, esquecendo o cansaço. Esperava que não tivesse acontecido nada com seus país. Talvez eles tivessem apenas se esquecido da diferença de fuso horário...

— Alô? — ela atendeu, sem fôlego.

— Gostou do jantar?

Durante um segundo Hermione ficou paralisada.

— Harry? — ela murmurou, incrédula, e ao mesmo tempo aliviada. Encostou-se à parede e escorregou lentamente até sentar-se no carpete. — Sabia que já é quase meia-noite?

— Sim. Você acabou de chegar. Vocês demoraram... Quanto tempo levaram para jantar?

— Como você sabe que eu acabei de chegar? Está me espionando?

— Claro que não. Vi o carro de Cari, só isso.

— Mas você estava espiando pela janela?

— Ouvi um carro chegando e, como vizinho consciencioso que sou, fui checar para ver quem era.

— Hum... Vizinhança solidária em West Bend...

— Divertiu-se?

— Muito — Hermione declarou, desafiadora. Jamais admitiria para Harry que a noite lhe parecera nunca mais acabar.

— Gostei muito do seu vestido. Acho que nunca tinha visto você usando vestido, antes.

Hermione sorriu, maravilhada. Não imaginara que Harry tivesse notado. Ele parecera mais interessado em conversar com Cari do que com ela.

— É claro que você já me viu usando vestido.

— Talvez há muito tempo... mas não tão bonito como o que você estava usando hoje.

Hermione ia dizer que havia comprado o vestido naquele dia, porém mudou de idéia.

— Gosto de roupas bem femininas — falou, agradecendo intimamente por ter lido aquela parte do diário da avó.

— Eu também, querida.

Querida? Hermione prendeu a respiração, Harry nunca a chamara de "querida" antes! O que estava acontecendo?

— Mudou de idéia sobre sair comigo amanhã? — ele perguntou.

“Deixe-o pensar que você está ocupada e que vai tentar arrumar tempo para vê-lo...” Hermione lembrou-se do conselho da avó. Mas ela queria sair com Harry. Até que ponto valia a pena fazer tanto sacrifício? A avó também aconselhava a não se fazer de difícil demais...

— Eu... preciso ver.

— O quê?

— Tenho coisas para fazer.

— Por exemplo?

— Não estou no banco das testemunhas, Harry. Pare de me interrogar.

Ele riu baixinho.

— Eu paro se você disser que vai sair comigo amanhã. Podemos passear no rio, depois jantar no clube. O bufe aos domingos é maravilhoso, e eles têm música ao vivo, para dançar.

— Hum... Está bem, você me convenceu. Se eu conseguir desfazer meus planos, irei com você.

— Ufa! Até que enfim! — Harry brincou. — Está pronta para ir para a cama?

— Estou.

— Posso imaginar o que você está usando para dormir, depois do vestido que usou hoje.

Hermione olhou para a calça de moletom surrada e a camiseta velha, três números acima do seu tamanho. Quanto tempo fazia que não usava algo feminino e sensual para dormir? Ela não se lembrava.

— Hermione?

— O que estou usando para dormir é um assunto pessoal demais para discutir com você, não acha? Afinal, não somos tão íntimos assim. Boa noite, Harry.

Ela desligou e recostou a cabeça na parede, refletindo em tudo que desejava ter e não tinha. Durante anos desejara Harry, e também que ele se interessasse por ela. Desejava ter um corpo escultural, que deixasse os homens enlouquecidos, queria ter incentivo para usar lingeries sensuais e um emprego gratificante... Mas não tinha nada disso.

O telefone tocou novamente, porém ela ignorou. Levantou-se, apagou a luz e voltou para o quarto. Continuaria a ler o diário no dia seguinte. Naquele momento, tudo o que queria era dormir e afastar Harry do pensamento. Gostaria que fosse possível acabar com a atração que sentia por ele simplesmente desligando um botão.

O silêncio que reinou na casa quando o telefone parou de tocar trouxe um grande alívio. Porém um longo tempo se passou antes que Hermione conseguisse adormecer.


— Droga — Harry praguejou baixinho e bateu o fone no gancho.

Não acreditava que Hermione o tivesse dispensado daquela forma. Primeiro, desligava o telefone na cara dele, depois não atendia. Ele caminhou até a janela e olhou para a casa vizinha. A luz no quarto dela estava apagada. O que estava acontecendo com aquela garota? Hermione, que sempre fora apaixonada por ele, sempre fizera o possível e o impossível para chamar sua atenção, agora o evitava o quanto podia.

Harry esfregou a nuca. Tudo indicava que a paixão dela por ele acabara. E, se fosse honesto consigo mesmo, admitiria que isso o incomodava. No fundo, sentia falta da perseguição de Hermione, dos olhares deslumbrados, da empolgação que percebia nela toda vez que o via.

No dia seguinte, ele daria um jeito para que ela cumprisse a promessa e saísse com ele. Se arrumara tempo para sair com Cari, tinha de arrumar para sair com ele também.

Pelo menos, ela e Cari não haviam se demorado nas despedidas. Embora tivessem ficado fora tempo demais, só para jantar. Teria acontecido algo mais? Ele não achava que Hermione fosse o tipo de garota que iria para a cama com um homem no primeiro encontro. Mas, afinal, até que ponto a conhecia? Nunca trocara mais do que algumas palavras com Hermione, e agora ela era uma mulher adulta e independente.

Harry sentiu um desconforto inexplicável ao imaginar que Cari e Hermione poderiam ter se beijado. Lembrava-se da doçura do beijo que trocara com ela no jardim e não queria que nenhum outro homem a tocasse daquela forma. Por quê, ele não sabia.


— Como foi, ontem, com Cari? — quis saber Gina, quando Hermione entrou no carro para irem à igreja.

— Foi bom. Vamos jogar tênis no clube, na próxima semana. — Hermione tentou demonstrar entusiasmo.

— Bem, Cari é fanático por tênis. Aliás, vocês sempre jogavam juntos.

— Isso foi há muito tempo. Não jogo desde que fui para Nova York. Devo estar bem fora de forma.

— Esse vestido ficou ótimo em você — Gina elogiou.

— Acha adequado para ir à igreja?

— Por que não? É adequado para qualquer ocasião.

O vestido era fresco e confortável. O corpete azul justo com alças largas amoldava-se ao corpo com perfeição, e a saia estampada em azul e creme movia-se graciosamente conforme ela andava. Com Hermione sentada no carro, ela cobria-lhe os joelhos, parecendo uma nuvem a sua volta.

— E combinou perfeitamente com essas sandálias — Gina observou. — E então, está se sentindo mais feminina, agora? O que mais você leu no diário?

— Ontem à noite eu estava cansada demais para ler. Cheguei tarde em casa.

Hermione achou desnecessário contar à prima sobre o telefonema de Harry. Não era importante.

Quando Gina estacionou em frente à ampla construção de tijolo marrom, Hermione olhou ao redor. Reconheceu várias pessoas nos grupos que conversavam no jardim, antes de o culto começar.

— Olhe, ali está Draco — disse Gina, pegando a bolsa no banco de trás. — Conversando com Harry! Que interessante, fazia tempo que Harry não vinha à igreja. Por que será que ele veio, hoje?

O coração de Hermione disparou, apesar de seus esforços para permanecer calma e parecer indiferente. Era só o que lhe faltava, encontrar-se com Harry depois do telefonema da véspera. Se Harry comentasse alguma coisa, Gina acharia estranho ela não ter lhe contado.

Relutante, ela seguiu a prima até onde os dois homens conversavam. Ambos estavam elegantemente vestidos, de terno e gravata. O sol lançava reflexos luminosos nos cabelos escuros de Harry. Ao lado dele, Draco parecia mais insignificante do que no dia em que haviam saído para jantar. Os dois olharam na direção delas, quando Gina os cumprimentou a distância.

— Bom dia, Hermione — Harry falou, em tom de voz baixo e grave, quando ela se aproximou. Embora ele não sorriso, os olhos continham um brilho de divertimento. — Dormiu bem?

Hermione inclinou ligeiramente a cabeça e virou-se para Draco.

– Como vai, Draco?

— Tudo certo, para hoje à tarde? — perguntou Harry.

— O que vocês vão fazer hoje à tarde? — quis saber Gina, olhando de um para outro.

— Vamos passear no rio, depois vamos jantar no clube de campo — Hermione respondeu, tentando aparentar naturalidade.

Gina virou-se para a prima e estreitou ligeiramente os olhos.

— Você não me disse nada.

Hermione sentia-se terrivelmente perturbada pela proximidade de Harry. Era como se ele emanasse uma corrente elétrica que a envolvia por inteiro, roubando-lhe a capacidade de raciocínio. Ela deu de ombros.

— Não está nada certo, ainda.

— Ontem à noite, no telefone, você disse que iria.

— Mas depois do que você...

— Acho que já podemos entrar — sugeriu Gina, estudando atentamente o rosto da prima.

— Ótima idéia. — Harry segurou o braço de Hermione para conduzi-la para dentro da igreja.

— Não preciso que segure meu braço — disse ela baixinho, desvencilhando-se do toque dele.

Onze anos atrás, sete, até mesmo cinco, ela teria dado pulos de alegria por receber alguma atenção de Harry. Agora, entretanto, sabia que aquilo nada significava. Não se deixaria levar mais uma vez por sonhos românticos. A vida ensinava lições a uma pessoa, e cabia a ela aprender.

Nada de sonhos românticos?, uma vozinha interior perguntou. E os ingredientes de vovó Megan para capturar o homem perfeito? O fato de testar um ou dois deles com Harry não significava que estivesse tramando conquistar seu amor e devoção para toda a vida. Ela poderia aproveitar e praticar, para quando encontrasse realmente o homem com quem construiria uma vida e um futuro. Se desse certo com Harry, daria certo com o homem de seus sonhos.

— Levarei Hermione para casa — Harry anunciou, quando o culto terminou e eles saíram da igreja. — Assim, você não precisa se desviar do seu caminho.

— Obrigada, Harry. É muita gentileza sua.

Hermione olhou para a prima com uma ruga na testa. O que significava aquilo? Ela poderia ter ido com seu próprio carro para a igreja. Fora Gina quem insistira para ir buscá-la!

— Cuide bem dela, ouviu? — Gina recomendou, enquanto se afastava de braço dado com Draco.

— Ela vai sufocá-lo, se não tomar cuidado — Harry observou, enquanto conduzia Hermione em direção a seu carro.

— Gina gosta dele — defendeu Hermione.

— E eu diria que Draco gosta dela... Mas Gina pressiona demais. E você conhece sua prima tão bem quanto eu. Gosto muito dela, mas ela é volúvel. As paixões dela não duram muito. Logo estará saturada de Draco e interessada em outro.

— Talvez desta vez seja para valer — retrucou Hermione, só para contrariá-lo. Concordava com Harry, mas não daria o braço a torcer.

Harry limitou-se a sorrir e abriu a porta do carro para ela.

Hermione sentou-se, tentando pensar em argumentos contra as alegações de Harry. Era difícil, pois Gina se apaixonava com a mesma freqüência com que cortava o cabelo.

Mas ela não podia calar-se. Quando Harry sentou-se ao volante, ela virou-se para ele.

— Você não está sendo justo com Gina — acusou. — Ela é uma pessoa maravilhosa e um dia será uma ótima esposa e mãe.

— Por quanto tempo? — Harry indagou, dando partida e manobrando o carro para o meio do trânsito. — Os namoros dela não duram mais que seis meses...

— Só porque sua mãe se separou de seu pai não significa que todas as mulheres um dia vão fazer a mesma coisa.

— A maioria faz. — O tom de voz dele tornou-se sombrio.

— Imagino que, como advogado, você presencie vários casos de divórcio.

— Não, porque não é a minha área. Mas, tenho colegas que comentam a respeito.

— E a culpa é sempre das mulheres?

— Não, claro que não. Mas o casamento é uma instituição arruinada.

— O quê? Não acredito no que estou ouvindo! O casamento é uma instituição maravilhosa! É o esteio da sociedade.

Harry lançou-lhe um olhar cínico.

— Se é tão bom assim, por que não se casou ainda?

Hermione apertou os lábios e olhou para fora. Não podia confessar a Harry que sua antiga paixão por ele a influenciara, impedindo-a de interessar-se por outros rapazes. Nenhum homem parecia chegar à altura de Harry, para ela. E ela não conseguia deixar de fazer comparações. Mas claro que ele não podia saber disso.

— Até agora tenho me dedicado a minha carreira — explicou, depois de uma breve hesitação.

— Quer dizer que pretende ser conquistada?

— Talvez. Se eu encontrar a pessoa certa.

— E como se encontra a pessoa certa?

— Encontrar não é a palavra adequada. Sintonizar... talvez. Não sei.

— Apaixonar-se? — sugeriu ele, com ironia.

— Você é cínico, Harry.

— E você é idealista.

— Prefiro ser idealista do que cínica.

— Já eu prefiro ser realista.

— Nem todos os casamentos se desfazem. Meus pais, por exemplo. E meus tios. São casais equilibrados e felizes.

— Por enquanto.

— Você é impossível!

Harry manobrou o carro e parou, na entrada de sua casa.

— Eu já volto. Vai trocar de roupa?

— Acha melhor?

— Por mim, você está ótima. — Ele passou um dedo pelo ombro nu de Hermione.

Ela moveu-se para escapar ao toque, sentindo um princípio de pânico tomar conta. Devia ter perdido o juízo para imaginar que poderia passar a tarde com Harry sem maiores conseqüências. O simples contato de pele produzia nela uma espécie de choque elétrico. E ele dissera que haveria música ao vivo, no clube. Isso significava que provavelmente dançariam... Como ela suportaria ficar nos braços de Harry, dançando lentamente ao som de uma melodia romântica, sem demonstrar o que sentia?

— Volto num minuto.

Sentada dentro do carro de Harry, esperando por ele, Hermione tentou acalmar-se, pensando nos conselhos contidos no diário. Seria a mesma igreja aonde tinham ido naquela manhã que sua bisavó freqüentara, e onde flertará com Frederick? Talvez Gina soubesse. Tia Molly com certeza sabia, mas ela teria de esperar que ela voltasse, para perguntar-lhe. Teria Megan testado suas idéias com outro rapaz, antes de Frederick, ou ele fora o inspirador?

Hermione perguntou-se se deveria fazer isso, praticar um pouco antes de tentar com alguém que seria definitivo. Ela poderia praticar com Harry. Sabia que ele nunca encararia com seriedade a idéia de casar-se. Poderia experimentar as sugestões do diário e ver o que funcionava e o que não funcionava. Assim, estaria preparada para atrair seu futuro marido quando ele aparecesse em sua vida.

Hermione lembrou-se que precisava empenhar-se seriamente em procurar um novo emprego. Os três primeiros dias de férias haviam sido suficientes para restabelecer seu equilíbrio físico e emocional. A sensação de cansaço e letargia havia desaparecido. Ela sentia que recuperara as energias. O único problema era que estavam totalmente concentradas em Harry.

Não pela primeira vez, ocorreu-lhe que seria uma possibilidade procurar alguma coisa em Charlotte. Seria bom ficar perto de tia Molly e de Gina. Nova York, embora fascinante, ficava longe do único lar que ela conhecera e amara. A casa onde vivera com os pais fora vendida, e os móveis haviam sido mandados para um depósito, quando o dois decidiram passar uma temporada fora, sem saber o que fariam depois disso.

Harry saiu da casa, usando a mesma camisa com a qual fora à igreja, mas trocara o terno por uma calça esporte cinza. Ele trazia um blazer azul-marinho no braço e jogou-o no banco de trás antes de sentar-se novamente ao volante.

— Pensei em almoçarmos no Dairy Freeze, depois iremos até o rio — disse ele, ligando o motor. — Faz tempo que você não vai lá, não é?

— Sim, mas tia Molly me disse que está maravilhoso.

— Sim, eles construíram um centro recreativo, um pouco acima da área de natação. Mantiveram a reserva natural e colocaram passarelas, nas duas margens, com tabuletas, explicando tudo sobre a flora e a fauna, em cada ponto. Se você quiser, podemos nadar.

— Eu não trouxe maio.

— Então está resolvido. — Harry sorriu. — Vamos?

Hermione assentiu. Ela se lembraria de tudo que lera no diário e aplicaria cada item, naquela tarde, disse para si mesma.

Hermione divertiu-se, porém não tinha tanta certeza quanto a Harry. Depois de um almoço rápido, foram para o rio, e parecia que metade da população da cidade tivera a mesma idéia. As passarelas e os gramados estavam lotados de gente, crianças corriam para um lado e para outro, em algazarra; os bancos localizados estrategicamente a cada poucos metros estavam ocupados pelos visitantes mais idosos, que se sentavam para descansar, e mesmo nas áreas mais reclusas viam-se grupos de adolescentes, rindo e ouvindo música.

Harry segurou a mão de Hermione, quando saíram do carro, e conduziu-a até a passarela. Em alguns trechos tinham de caminhar um à frente do outro, devido ao fluxo de pessoas que vinha em sentido contrário, mas em nenhum momento Harry a soltou, conduzindo-a com uma mão em seu ombro. Depois de algum tempo, Hermione começou a relaxar e nem a incomodava mais o silêncio entre ambos, que só faziam um ou outro comentário ocasional. Estava contente com o que a prefeitura fizera na área ribeirinha, transformando-a em ponto turístico e valorizando a cidade.

No fim da tarde, Harry levou-a à área de natação, onde crianças brincavam na parte rasa, e garotos mais velhos se penduravam em cordas amarradas aos galhos que se projetavam sobre a água, para balançar e deixar-se cair. Os adultos observavam da praia, sentados em espreguiçadeiras.

Lembranças de verões passados vieram à mente de Hermione. Ela, Gina e as amigas haviam nadado e brincado ali, quando crianças e adolescentes.

— Era tão cheio assim, quando costumávamos vir aqui? — ela perguntou a Harry.

— Às vezes. É que naquela época nós é que estávamos dentro da água, por isso não notávamos. Devíamos ter ido a outro lugar, hoje.

“Deixe que ele a persiga, mas não corra tanto que ele não possa alcançá-la.”

Hermione aproximou-se mais de Harry e apoiou uma mão em seu ombro, sentindo o calor do corpo dele sob a camisa.

— Não sei por quê — retrucou, baixinho. — Gostei de vir aqui, de ver as mudanças, relembrar a infância. Foi uma tarde agradável.

Harry não deixou passar a oportunidade. Enlaçando-a pela cintura, puxou-a para si.

— Se não estivéssemos rodeados por esta multidão, eu continuaria a partir do ponto onde paramos, no outro dia.

Uma onda de calor tomou conta de todo o corpo de Hermione, colorindo-lhe as faces. Valentemente, ela sustentou o olhar de Harry, embora baixasse ligeiramente o rosto, mordendo o lábio inferior.

Ele sorriu e estreitou os olhos, antes de passar a mão pelos cabelos sedosos e pousá-la no ombro de Hermione, apertando-o gentilmente.

Hermione prendeu a respiração. O brilho nos olhos verdes de Harry denotavam interesse. Atração, pelo menos... Ou ela estaria interpretando tudo errado? Até que ponto estava certa e até que ponto estava se deixando influenciar pelo que lera no diário de Megan?




Obs:Oiiii pessoal!!!!Como uma forma de agradecer a paciência de vocês, estou postando hoje dois capitulos de cada fic!!!!Espero que tenham curtido e ate quinta eu atualizo todas elas novamente!!!Também estou postando no meu site a capa de "Receita de amor", por favor passem por lá e me digam se gostaram!!!Bjux!!!Adoro vocês!!!!Ah, para quem não sabe o meu site é http://jugrangerpotter.spaces.live.com/default.aspx

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