Disclaimer: As personagens pertencem a JK Rowling.
**********************************************************************
-Pode me explicar o que está a fazer? – perguntou Snape entre dentes.
Tinha esperado uma pergunta daquele género. Teria de fazer Snape aceitar o seu plano independentemente do que sentiam um pelo outro. Não ia ser nada fácil mas era a única maneira de evitar que os seus pais sofressem uma depressão ao saber o que estava a acontecer. Eles não compreenderiam o que significava ela estar unida a Snape e que a única maneira de se separarem era um deles morrer. Apesar de tudo o que costumava explicar sobre o seu mundo era normal que a maioria das coisas fosse demasiado abstracta para que as pudessem entender. Se contasse a verdade aos seus pais o mais provável seria eles chamarem a polícia por muito que ela dissesse que não adiantaria para nada.
Por outro lado, se ela e Snape fingissem estar muito apaixonados um pelo outro, não diria que eles aceitassem mas, pelo menos a apoiariam…
Hermione não respondeu logo, tinha de encontrar um bom argumento que justificasse a sua acção sem que antes Snape a enfeitiçasse.
-Professor… antes de mais nada tente compreender o meu ponto de vista.
-Está a duvidar da minha inteligência?
-Não é isso… apenas seja compreensivo.
Snape assentiu ligeiramente permitindo que Hermione explicasse o que tinha em mente. Talvez fosse a curiosidade pelo motivo que tinha levado a sabe-tudo irritante a entrelaçar a mão com a sua ou o facto de estar demasiado surpreendido com isso, a verdade é que continuavam de mãos dadas e ele não fazia qualquer intenção de soltar a mão dela ou de planear um castigo severo num futuro próximo devido ao seu atrevimento.
-Sei que pode ser pedir demasiado mas… - “vá lá Hermione tu consegues” pensou ao mesmo tempo que reunia coragem. - … diante dos meus pais poderíamos fingir que nos vamos casar por amor e não que estamos casados por uma obrigação. Eles não precisam de saber o que nos aconteceu…
-Está a planear mentir aos seus pais, não acha que é uma atitude demasiado negativa para uma Gryffindor? Hum, talvez não…
-Quando se trata de uma mentira que evitará um mal maior, julgo que vale a pena. As vezes só podemos ser felizes com uma mentira.
Apesar de querer saber sempre mais, de ter uma grande paixão pelo conhecimento, costumava pensar, às vezes, se a sua vida não seria melhor se se limitasse a divertir e ter como maior preocupação fazer os deveres e passar nos exames. Sim, isso também a preocupava mas, mais do que as suas obrigações escolares, a guerra que se aproximava com passos silenciosos tinha uma maior importância. Observava como a maioria dos alunos de Hogwarts ignoravam completamente o que acontecia fora das paredes do castelo, dos movimentos de Voldemort, das mortes abafadas pelo Ministério, da dor de ver um dos seus melhores amigos entrar numa depressão sem poder fazer quase nada para impedir isso. Eles riam, combinavam encontros em Hogsmeade, falavam sobre o que receberiam o no próximo Natal… tudo sem terem de carregar o medo do que na realidade estava a acontecer. Viviam numa espécie de bolha ilusória mas não viveriam eles melhor?
-Ah, então prefere viver na mentira do que enfrentar a verdade. Tem a certeza que está na casa certa? Não deveria pertencer aos Hufflepuff? – perguntou Snape num tom irónico.
-Estamos a desviar-nos do assunto. – disse Hermione ignorando o que o seu professor tinha dito. Não convinha dar uma resposta “torta” se o queria convencer a entrar no seu “teatro”.
-Não sei por haveria de fingir estar… apaixonado por você. – declarou como se as últimas três palavras fosse a coisa mas asquerosa que tinha pronunciado em toda a sua vida.
-Por favor professor, o que perde o senhor em me ajudar?
-A questão não é o que eu perco em lhe ajudar mas sim o que ganho eu com isso.
Hermione deu um suspiro e mordeu o lábio inferior em concentração. Devia ter desconfiado que o seu professor pediria algo em troca, afinal ele era um Slytherin até à ponta dos cabelos. O que poderia ela dar a Snape?
-O que quer? – inquiriu passado uns segundos.
Snape deu um sorriso enigmático. Ela era obstinada, outra no seu lugar já teria desistido da ideia. Nesse momento não se lembrava de nada o suficiente mau para lhe pedir teria de pensar em alguma coisa com calma e com tempo.
-Depois digo-lhe.
-Tem de dizer agora para eu poder pensar se concordo ou não.
-Depois lhe informarei sobre o meu pedido, não agora. Ou aceita isto ou nada feito.
-Mas isso não é justo! – exclamou.
-Oh, já deveria saber que a palavra Justiça não faz parte do meu vocabulário.
-Está bem eu aceito. – disse por fim. Sabia que iria se arrepender mas não tinha outra hipótese. E Snape também não lhe pediria nada assim muito mau… ou sim?
-Óptimo então. – proferiu Snape. – Vamos fazer um Juramento inquebrável.
Hermione ficou a olhar para o seu professor enquanto este tirava a varinha das vestes. Ele estava mesmo a pensar fazer um Juramento inquebrável por causa daquilo?
-Acha que eu não vou cumprir a minha parte do trato? Eu sou uma mulher de palavra!
-Independentemente se é ou não uma mulher de palavra, como posso eu ter a certeza de que mais tarde irá fazer o que lhe peço?
Hermione cerrou os dentes e ia tirar a sua varinha quando se lembrou do lugar onde estavam.
-Não acho muito prudente fazer magia aqui. E se alguém nos vê?
-Sou muito mais experiente do que você, sei perfeitamente bem que não se pode fazer magia em frente aos estúpidos muggles. Por isso se eu não tivesse certeza de que ninguém nos verá, acha que, em primeiro lugar, tiraria em a varinha à luz do dia numa rua muggle? – indagou Snape com uma voz perigosamente baixa.
-Não… desculpe.
-Como não temos uma terceira pessoa para servir de Testemunha teremos de utilizar as nossas varinhas para fazer o encantamento.
-Sim.
Hermione largou a mão de Snape para ambos poderem dar as respectivas mãos direitas, o que era necessário para o Juramento. Depois com as mãos esquerdas cada um colocou a ponta da varinha sobre as suas mãos unidas e Snape declarou:
-Hermione, comprometes-te a a realizar aquilo que te irei pedir em troca de seguir a tua mentira aos teus pais?
-Sim. – jurou Hermione num sussurro.
Ouvir Snape a dizer o seu nome tinha-lhe provocado umas sensações esquisitas. Além de Dumbledore, Snape não tratava ninguém pelo seu primeiro nome e agora tinha dito o seu, apesar de ser apenas devido ao encantamento, tinha o dito…
Depois que a corda mágica ligou ambas as mãos e desapareceu, Snape e Hermione voltaram a guardar as varinhas como se nunca as tivessem utilizado naquele dia.
Hermione avançou até à porta da vivenda branca. Era uma casa não muito grande mas sim muito alegre. Por baixo de uma das janelas estava desenhado um gato com traços simples e infantis. O tinha desenhado quando era pequena, numa fase em que se julgava artista. Sorriu. Os seus pais nunca voltaram a pintar aquela parede, diziam que o desenho do gato fazia parte das suas recordações e que sempre que o viam lembravam-se do tanto que a sua filha tinha crescido desde então.
Nesse dia iriam ver que ela tinha crescido ainda mais do que eles pensavam…
Bateu à porta e esperou. Snape estava mesmo atrás dela e só o facto de que seria muito humilhante, fazia com que ela não se escondesse atrás dele.
Uma mulher alta com um avental castanho e o cabelo da mesma cor, preso num coque alto cujo alguns cabelos rebeldes se tinham desprendido, abriu a porta.
-Filha? – perguntou com um sorriso.
-Olá mãe!
-Oh, querida que surpresa tão… inesperada? – disse a mulher e abraçou Hermione com carinho.
-Pois… bem… tenho algumas novidades para contar…
-Ai é? Deve ser novidades muito importantes se em vez de estares em Hogwarts estás aq… - a mulher deu pela presença do homem de negro pela primeira vez. – Bom dia?
-Ah, queria apresentar-te… - começou Hermione.
-Muito prazer Severus Snape. – interrompeu o homem.
-Jane Granger, o prazer é todo meu. – cumprimentou. – Entrem.
A sala era muito arejada com janelas largas de cortinas brancas e paredes de um azul pálido. No centro havia sofás brancos em redor de uma mesa baixa em cima da qual várias molduras exibiam fotografias de um casal e uma criança que sorriam felizes.
-Querem comer qualquer coisa? Acabei de fazer um delicioso bolo de morangos e menta, é logo o teu bolo preferido querida, que sorte!
-Só por causa disso fiquei cheia de fome. – disse Hermione sentando-se no sofá. – Onde está o pai?
-Está lá em cima no escritório, sabes como ele é, quando não está no consultório a matar cáries só pensa no computador. Depois de lhes trazer o bolo vou chamá-lo. – respondeu Jane e saiu da sala deixando Hermione com Snape.
Snape na sua sala! Era hilário! O ambiente da sua casa e o seu sinistro professor realmente não combinavam. Estava completamente deslocado.
Snape não via a hora de poder sair dali. Tinha coisas mais importantes para fazer do que tomar chá com os pais da sabe-tudo insuportável. Como se tudo aquilo não bastasse, teria de fingir gostar daquela Gryffindor a ponto de se casar com ela por iniciativa própria. Quem, com uma ponta de senso comum, faria uma coisa dessas? Krum, mas esse idiota não contava, se era estúpido ao ponto de escolher por livre vontade pertencer à equipa dos leões então não era de admirar que gostasse de uma arrogante irritante e exibicionista.
Deu um suspiro de impaciência e sentou-se ao lado de Hermione. Ele numa casa de muggles… O que aconteceria a seguir? Começaria a distribuir caramelos de limão durante as suas aulas?
Depois de deixar o bolo em cima da mesa, Jane subiu as escadas até ao primeiro andar, para chamar o marido, deixando Snape e Hermione em companhia um do outro, de novo.
-Teremos de ser convincentes. – afirmou Hermione para si mesma.
-Tem dúvidas da sua capacidade? Já não poderá voltar atrás.
-Claro que não. – mentiu.
A verdade é que sim, tinha medo de não conseguir convencer os seus pais de que amava o homem ao seu lado. Eles a conheciam demasiado bem, desconfiariam se ela se mostrasse muito nervosa…
Depois de uns poucos minutos Jane apareceu na sala com um homem de cabelos cor de palha e olhos castanhos claros por trás de uns óculos quadrados e modernos. Vestia um pullover vermelho escuro e umas calças de algodão azul escuras.
-Olá princesa! Uma visita a meio do ano, isso sim é que é um bom acontecimento.
Hermione abraçou o seu pai. Ele costumava chamar-lhe de princesa apesar desta lhe dizer inúmeras vezes que já não era a sua filha pequenina, que lhe pedia para ler histórias antes de dormir, mas, mesmo assim, ele continuava a tratá-la por esse nome. Não importava que tivesse quase dezassete anos para o seu pai seria sempre uma criança.
-Ah, deve ser o senhor Snape, a minha mulher disse que a nossa filha vinha acompanhada. – declarou o homem. – Bem, eu sou Declan Granger e julgo que está aqui por algum motivo, estou enganado?
-Não, eu estou aqui para lhes informar de uma coisa importante que envolve a sua filha e eu.
Declan e Jane sentaram-se no sofá em frente a Snape e Hermione com uma expressão séria.
-Aconteceu alguma coisa à minha filha? – perguntou Jane assustada. – Estás bem querida? Esse feiticeiro das Trevas fez-te alguma coisa? É por isso que estás aqui com o senhor Snape?
-Querida é melhor deixá-los contar antes de fazer perguntas. – sugeriu Declan.
Snape agradeceu-lhe mentalmente.
-Vai ser um bocado difícil para vocês compreenderem mas o motivo por que Severus e eu estamos aqui é para dizer que nos vamos casar.
Os instantes a seguir de Hermione ter revelado que se ia casar foram de um silêncio mórbido. Parecia que tinha anunciado a morte de alguém ou a pior catástrofe jamais vista.
-O-o QUÊ? – a primeira a raciocinar foi Jane Granger que se levantou do sofá.
-Acalma-te querida.- pediu Declan puxando Jane suavemente até que esta se voltasse a sentar. – O que tem a dizer sobre o que a minha filha acabou de dizer, senhor Snape?
-Tenho plena consciência de que a minha relação com a vossa filha não lhes agrade pois além de ser vinte anos mais velho do que ela sou seu professor de Poções em Hogwarts. No entanto Hermione vai fazer dezassete anos muito brevemente, ou seja, vai ser maior de idade no nosso mundo, eu a amo como nunca pensei que fosse possível conseguir amar. Não sou um homem romântico nem carinhoso mas quando entrego-me a alguém sou capaz de dar tudo por essa pessoa, incluindo a minha própria vida. Não quero, de maneira nenhuma, aproveitar-me de Hermione. Isso nunca passaria pela minha cabeça. Amo-a verdadeiramente e se quero me casar com ela é para a proteger.
Hermione escutou tudo o que Snape tinha dito e por uma milésima de segundo desejou que fosse verdade. Se Snape era mesmo capaz de dar tudo por aqueles que amava então essas pessoas teriam imensa sorte por terem o seu amor. O problema é que mais provavelmente Snape não era capaz de amar alguém...
-Mas a minha filha é demasiado jovem para tomar uma decisão como essa! Amor, não és obrigada a aceitar nada que não queiras. – disse Jane que era abraçada por Declan.
Hermione baixou o olhar. Se a sua mãe soubesse a verdade...
-Eu o amo mãe, ao princípio possuía apenas respeito por Severus mas aos poucos se foi convertendo em amor. Estou completamente apaixonada por ele, por aquilo que ele foi e por aquilo que ele é. Sei que tem os seus defeitos mas quem não tem? Sinto-me segura quando ele está ao meu lado e quero partilhar a minha vida com ele. Quero me casar com ele.
Dessa vez foi Snape quem desejou que fosse verdade. Nunca ninguém, além da sua mãe, o tinha amado. Houve um tempo em que tinha esperança que um dia encontraria o amor mas à medida que os anos iam avançado essa esperança foi diminuindo até se converter em cinzas. Cinzas levadas pelo vento gélido e cortante que com risos diabólicos lhe mostraram o caminho escuro das Trevas. Talvez estivesse condenado a uma vida sem saber o que significava o amor, a uma vida só de escuridão e sangue. Se alguém fizesse o sacrifício de o amar faria tudo por essa pessoa. O problema é que não era possível que alguém o amasse...
-Se é isso mesmo o que queres então tanto eu como a tua mãe estaremos do teu lado, certo Jane? – indagou Declan com uma expressão séria, a mesma que Hermione tinha tantas vezes.
-Cert... certo.
-Por favor senhor Snape, trate bem da minha princesa e não a afaste de nós, ela é tudo o que temos.
-Claro. – declarou Snape.
{*~*~*~*~*~*~*~*~*}
Já tinham passado algumas horas desde que ela e Snape anunciaram o seu casamento aos seus pais. Tinha corrido melhor do que esperara. O pior foi quando Snape revelou que iriam casar-se nesse mesmo dia. A sua mãe opôs-se redondamente afirmando que era demasiado cedo e precipitado mas acabou por aceitar devido ao seu pai.
O seu pai era uma das pessoas mais compreensivas que conhecia. Apoiava-a em tudo. Confiava totalmente nela e desde que ela quisesse ele sempre estaria de acordo com tudo. Devido a isso, sentia-se mal por lhe ter mentido mas não poderia mesmo voltar atrás, se ele soubesse a verdade faria tudo para não a deixar ir o que originaria medidas drásticas por parte do seu professor. E ela não queria que isso acontecesse. Amava demasiado os seus pais para permitir que saíssem afectados de tudo aquilo.
Agora encontrava-se na cozinha com a sua mãe enquanto a ouvia falar sobre o vestido de noiva, a cerimónia, o que representava o casamento enquanto que Snape continuava na sala provavelmente a falar com o seu pai. Gostava de poder ser uma mosca para descobrir o que falavam eles.
-Hum, filha?
-Sim mãe?
-Bem, não sei como começar mas agora que te vais casar e isso tudo... pois...
-Passasse alguma coisa? - Perguntou Hermione. A sua mãe estava muito embaraçada.
-Devíamos ter tido esta... conversa à alguns anos atrás mas... o que eu estou a tentar dizer é que... alguma vez tiveste relações?
-Claro. – afirmou Hermione.
-Respondes com essa facilidade toda?
-Não devia?
Hermione estava a começar a ficar confundida. O que tinha de mal?
-Desde quando?
-Comecei no quarto ano. – respondeu.
-Quarto ano?! – exclamou Jane. – Esta juventude cada vez começa mais cedo...
-O Harry começou no quinto ano.
-Vocês falam sobre isso uns com os outros?
-Sim, não vejo o problema. – disse Hermione.
-Espero que tenhas feito com segurança.
-Como assim com segurança? – perguntou Hermione ainda mais confundida.
-Hermione! Filha, tu és muito inteligente, não me digas que mantiveste relações sem qualquer protecção!
-A que é que te refer...
Hermione sentiu as suas bochechas a ficarem quentes. A sua mãe e ela acabavam de ter uma conversa cruzada.
-Mãe eu estava a referir-me a uma relação amorosa não a uma relação sexual.
-Ah. – Jane respirou aliviada.
-Eu... eu nunca... pois eu... eu nunca tive uma relação sexual com alguém. – confessou Hermione completamente vermelha.
-Podes contar-me as tuas dúvidas a respeito e tens de conversar com o teu futuro esposo sobre isso.
Hermione ficou ainda mais vermelha ao imaginar aquele tipo de conversa com Snape.
**********************************************************************
Antes de mais nada quero pedir imensas desculpas pela GRANDE demora!! A culpa não é minha a sério, parece que os meus professores andaram a ler Harry Potter e gostaram dos métodos de Snape para mandar imensos trabalhos de casa!!! Além disso tive apresentações orais e estou em altura de testes, o que não me deixa com muito tempo disponível para escrever ToT. E a pior parte é que vou continuar a demorar para postar…
Bem, eu tinha dito que a Segunda fase do casamento seria neste capítulo mas como assim ele ficaria eeennnooorrrmmmeee decidi que era melhor ficar para o próximo.
Beijinhos e fico muito contente pelos comentários!!! É bom saber que estão a gostar da fic, aliás, é ÓPTIMO!!
|