Cabeça Cheia e Expressões Vazias
Harry passou o resto da noite andando de um lado para o outro em seu quarto e quando o sol já estava entrando pelas altas janelas do seu quarto ele decidiu ir tomar café.
Seu coração deu um pulo e seu estômago se contorceu ao cruzar com Gina, mas ela pareceu nem notá-lo.
- Então? Dormiu bem? — Perguntou Hermione quando Harry se sentou ao seu lado a mesa.
- Mais ou menos. — Respondeu Harry dando mais uma olhada a Gina.
- E quando nos vamos... Você sabe.. Dar um sumiço naquilo? — Perguntou Hermione num sussurro.
- Ahn? Ah! O Medalhão? Faça bom proveito. —Disse Harry tirando a corrente prateada do pescoço. — Agora só faltam à cobra e algo de Gryffindor ou Ravenclaw. Estive pensando na espada.
- Não poderia ser. — Falou Hermione enquanto observava o medalhão.
- Por quê?
- Bem, você não disse que Dumbledore havia dito que só um verdadeiro Grinfinório poderia retirar a espada do chapéu? Tom era da Sonserina.
- Que tal o chapéu?
- Não poderia ser, o Chapéu Seletor tem uma proteção, nenhuma magia, ainda mais que pudesse afetar os alunos, pode ser lançada nele. Hogwarts: Uma História. — Acrescentou ao ver Harry erguer uma das sobrancelhas.
- Então não faço a mínima idéia do que possa ser. — Disse Harry por fim se apoiando sobre os cotovelos sobre a mesa.
- Eu tenho essa manhã vaga, vou procurar algo na biblioteca.
- Boa sorte. — Desejou Harry desanimado quando a garota se levantou. — Ah, não use magia, o veneno está no meu quarto, pode buscar lá.
Alguns professores que ouviram olharam para Harry desconfiados.
- Ela está me ajudando a preparar a próxima aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. — Falou Harry constrangido pelos olhares desconfiados dos colegas de trabalho.
- Espero que você tenha um estoque de Benzoar Harry. — Brincou Slughorn despreocupado.
- Tenho alguns, não se preocupe. — Mentiu Harry voltando desanimado para o seu café.
Harry brincou um pouco com o bacon, mas não conseguiu comer nada, então se levantou e foi para suas aulas. O único horário que teria vago, seria na sesta e estava em um labirinto de espelhos sem saber para que lado seguir.
- Ótimo, sétimo ano da Lufa-Lufa, será que meu dia vai ser tão ruim?
- Potter, foi uma surpresa saber que teria você como professor, tinha esperança de ganhar do seu time no quadribol esse ano. — Falou o primeiro aluno que entrou em sala.
- A esperança é a ultima que morre, tenho certeza que a Srta. Weasley fará um ótimo trabalho no jogo contra a Lufa-lufa, só espero que ela não se esqueça de frear, Sr. Smith.
A aula não foi das melhores, os alunos não estavam respeitando muito Harry como professor, já que alguns deles ali eram mais velhos do que ele.
Harry não se importou com as críticas e ensinou o que melhor sabia de duelos.
Derrotou Smith em uma demonstração “amistosa” para a turma e esperou por algum outro desafio, mas este não veio.
- Sr. Smith. — Chamou Harry ao final da aula. — Gostaria de dar uma palavrinha com o senhor.
- Me desculpe pela falta de respeito durante a aula professor, é que é difícil assimilar, o senhor era nosso colega e agora é nosso professor.
- Tudo bem Sr. Smith, eu gostaria de perguntar uma coisa que não tem nada a ver com a aula. —Zacarias Smith olhou desconfiado para Harry. — Eu gostaria de saber se a sua família tem alguma relíquia de Helga Hufflepuff?
- Por que o senhor quer saber sobre isso, professor? — Perguntou desconfiado.
- Não é nada demais não, é só que... Bem, eu estava querendo convencer a diretora a fazer uma festa em homenagem aos fundadores e gostaria de alguns objetos pessoais deles para fazer uma exposição. Só emprestado é claro.
- Bem, eu não me lembro de nada agora, mas minha mãe me disse que uma tia avó minha, tinha a Taça da Helga Hufflepuff, mas a taça nunca foi encontrada após a morte dela. Como o senhor soube que eu era descendente dela?
- Quando eu estava conversando com a diretora ela me falou, ela tem as fichas dos alunos e a sua continha essa informação. — Mentiu Harry que fez uma nota mental para encontrar Minerva o mais rápido possível e falar sobre tal festa.
- Bem, eu vou escrever a minha mãe e perguntar, se tiver algo eu aviso professor.
- Obrigado Sr. Smith, até a próxima aula.
Harry conversou com Minerva para falar sobre tal festa que ele havia dado como desculpa e a diretora até gostou da idéia e falou que iria até pensar no assunto realmente.
Harry se juntou a Rony e Hermione em todos os horários livres na biblioteca, procurando relíquias dos fundadores ou algum vestígio de Voldemort.
Harry passou a sexta-feira inteira sozinho na biblioteca, mas perdeu o tempo que não tinha. A cada dia que passava mais gente era encontrada morta, o paradeiro da mãe de Malfoy ainda era desconhecido e Gina ainda fingia que ele não era mais que o vento quando passava por ela.
Durante as aulas de Duelo que Harry estava dando, as pessoas estavam começando a ficar com medo de Gina, pois as duas últimas pessoas que duelaram com ela ficaram nocauteadas durante o restante da aula.
Harry evitava falar com Gina, toda vez que olhava nos olhos dela ele via uma sombra transpassar nos olhos dela e a lembrança do brilho desaparecendo dos olhos dela ainda estavam gravadas a fogo na sua memória.
Harry passou todo o fim de semana preso na biblioteca, parte sozinho e parte com Hermione e Rony.
Segunda-feira chegou e Rony tinha aula o dia inteiro. E como a parte da manhã de Harry e Hermione eram vagas eles resolveram ir lá para ver como ele se saia.
- Muito bem, pirralhos... Quer dizer, alunos do primeiro ano. — Corrigiu-se Rony ao receber o olhar inquisidor de Hermione. — Postem-se, cada um, ao lado de uma vassoura, ergam a mão da varinha sobre ela e digam: “Suba’.
A vassoura de Rony pulou obedientemente para a mão dele.
Alguns dos alunos tentaram fazer, mas nenhum conseguiu fazer a vassoura nem se mexer na primeira tentativa. Rony parecia estar se divertindo, mas Harry via aquilo tudo com saudades do tempo que a maior preocupação que ele tinha era agarrar o pomo.
Após as aulas da parte da manhã de Rony eles foram até a cabana de Hagrid fazer uma visita a ele, afinal eles ainda não haviam feito nenhuma e Harry também queria esfriar a cabeça.
- Bom dia Hagrid. — Cumprimentou Harry.
- Bom dia Harry, e, por favor, só Rúbeo, somos colegas de trabalho agora. — Falou Hagrid sorridente por baixo do emaranhado de barba.
Eles passaram ali conversando amenidades até dar a hora do almoço e os quatro seguiram para os portões de Hogwarts.
No momento em que entraram no salão principal o olhar de Harry sem querer procurou pelo o de Gina e quando seus olhares se cruzaram, Harry não se sentiu bem ao ver que ela o encarava com um olhar desafiador.
- Eu não estou com muita fome, acho que vou preparar minhas aulas. — Falou Harry dando meia volta para sair do salão.
- Você sempre deixa as coisas para a última hora, hein Harry! — Ralhou Hermione, mas ele não lhe deu ouvidos.
Harry rumou para a sua sala e foi direto ao seu malão.
Lá, no fundo do malão ele encontrou o que procurava, sua Firebolt. Harry pegou sua vassoura e rumou para fora do castelo e quando chegou ao gramado não esperou muito para montá-la e cortar o ar a toda velocidade.
Harry sobrevoou algumas torres, passeou pelo campo de quadribol e depois ficou parado sobre o lago roçando as pontas dos pés na superfície lisa da água e se vendo no reflexo.
- O que eu faço? O que eu tenho que fazer agora? — Se perguntou.
Harry ficou ali por alguns minutos repetindo a mesma pergunta a si mesmo, até que se tocou que já estava atrasado para sua aula.
Quando Harry chegou a sala, os alunos já estavam à porta e pareciam irritados.
- Desculpem o meu atraso. — Falou Harry após abrir a porta e dar passagem aos alunos. — Bem, para aula de hoje eu estive pensando em algo mais interessante. — Continuou ele quando todos já estavam sentados e ele atrás de sua escrivaninha. — Vamos estudar as Criaturas das Trevas usadas por Voldemort e como enfrentá-las.
Muitos arrepios percorreram a sala ao pronunciamento do nome de Voldemort, mas Gina olhou Harry, pela primeira vez em dias, com interesse.
- Vocês já estão dominando o patrono, mas eu aposto que ninguém aqui já enfrentou um Inferi ou um Lobisomem pessoalmente.
- Tivemos aula com um. — Falou um aluno no fundo.
- É, eu também tive, e sabe, talvez eu peça ajuda a ele para uma prova prática. — Os alunos se assustaram, mas Harry sorriu. — Claro que ele irá tomar a poção do Mata-Cão, assim ele terá total controle sobre suas ações e por precaução eu estarei pronto para usar o Homorfo, um feitiço que fará com que ele volte a sua forma real, funciona com todo tipo de transformação, animagia, poção Polissuco e tudo mais que vocês conseguirem pensar, eu por hora não me lembro de mais nada.
Harry deu uma pausa para registrar que todos estavam prestando muita atenção, como não haviam feito em nenhuma aula.
- Bem, voltando ao que eu dizia, vou ensiná-los a combater acromântulas, que também, creio eu, nenhum de vocês já deve ter enfrentado, dragões, eu já sei maneiras mais eficientes de atacá-los. Temos também os gigantes, mas eu nunca enfrentei um.
- Temos aula com um.
- Sim, mas o Prof. Hagrid é só meio-gigante, mas eu conheço um gigante, só não sei se ele seria uma boa idéia para treinos, ele não tem muita noção de sua força e arrancar pinheiros é sua diversão favorita. —
Alguns alunos ficaram amedrontados. — Bem, temos outras criaturas a estudar, mas por hora. — Disse Harry dando as costas à turma para escrever no quadro. - Quero que pesquisem somente sobre esses seres e para próxima aula o feitiço Homorfo, mas nessa aula vou ensinar um feitiço que afugenta os Inferis...
- O Prof. Snape nos falou deles, mas não nos ensinou a combatê-los. — Interrompeu o aluno do fundo da classe.
- Talvez porque ele não quer perder a batalha ensinando o inimigo. — Soltou Harry se virando para a turma com um olhar assustador, ele teve que se controlar muito para não gritar com o aluno. — Página 35, feitiço Incendiari. — Falou Harry seco.
Harry deu as costas à turma e saiu pela porta aos fundos da sala de aula que dava para seu escritório, bateu a porta ao passar e ao tentar acender a lareira a explodiu com chamas do seu feitiço incêndio. Sem se preocupar com as chamas sentou-se a mesa e apoiou-se sobre os cotovelos nela, tentando se acalmar.
O fogo crepitava alto, parecia estar tomando conta da sala, então Harry ergueu a mão da varinha e sem dizer nada jorrou muita água dela, apagando todo o fogo e encharcando o chão.
- O quê que eu tô fazendo?? — Lamentou-se voltando a se acalmar.
- Toc-toc.
Soou seca as batidas a porta.
- Entre. — Disse com mais calma.
- Está tudo bem, professor? — Era Luna.
- Sim Luna, e quando não estiver em sala de aula pode me chamar de Harry, somos amigos. — Disse com bondade.
- A turma já saiu, você chegou quase na metade da aula, tem andado preocupado? Você está com as expressões mais vazias. — Luna se sentou na cadeira enfrente a escrivaninha, aparentemente sem notar que o chão estava coberto de água.
- Um pouco Luna, um pouco. — Respondeu Harry descansando a cabeça sobre a mesa.
- Gina tem me feito pesquisar coisas na biblioteca, disse que era pra te ajudar, mas sem muitos detalhes, ela só me disse para procurar qualquer coisa que diz respeito aos fundadores...
- Gina esta procurando coisas para me ajudar? —Interrompeu Harry levantando a cabeça.
- Está, mas ela não me diz o que procurar e quase tudo na biblioteca diz respeito aos fundadores, então eu vim falar com você pra saber se você confiaria em mim para ajudar melhor.
- Pensei que Gina estivesse com raiva de mim. —Disse Harry distraído sem dar atenção ao que Luna disse.
- Ela não está com raiva de você, está magoada, você esconde muitas coisas dela, de todo mundo, eu disse a ela, mas ela gostaria de não ser tratada como todo mundo por você.
- Eu escondo muitas coisas Luna, mas pro bem das próprias pessoas, mas eu confio em você, mas por promessa não posso te dizer tudo, mas já que você quer me ajudar vou dizer o necessário: Procure por objetos, relíquias, heranças dos fundadores, algo que possa ser enfeitiçado...
- Tipo o Chapéu Seletor? — Interrompeu Luna.
- Bom palpite, mas não é ele que eu procuro, ele tem muitas defesas...
- Hogwarts inteira e tudo que esta dentro dela: armaduras, brasões, escudos, mesas quadros e até candelabros foram deixados pelos Fundadores.
- Sim, mas eu procuro algo pessoal, algo que tenha sido significativo para um deles ou todos eles...
- Hogwarts...?
- Também tem muita proteção mágica, mas é um começo, se achar alguma coisa me mostre, ou melhor, mostre a Hermione, ela que é a cabeça do grupo.
- Tudo bem, Harry. Eu irei ajudar. — Luna se levantou e foi até a porta, parando e se virando com um dramático olhar amalucado. — Não sei se o senhor notou professor, mas sua sala está molhada, ou o senhor fez isso para melhorar a umidade do ar?
- Só pra refrescar a cabeça, Srta. Lovegood. —Respondeu Harry rindo das maluquices de Luna.
Harry ficou um tempo olhando para a porta que Luna acabara de sair, e antes de sair para dar sua próxima aula ele disse:
- Cada dia que passa, mais pessoas sabem do segredo, seria melhor que Dumbledore tivesse anunciado no Profeta Diário, assim pelo menos eu não teria que dar tantas explicações.
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