Naquela noite todos demoraram a pegar no sono. Alguns, como Seth e Pop, estavam nervosos com o jogo, afinal, Seth era goleiro da Lufa-Lufa e Pop sonhava em jogar pela Grifinória algum dia. Outros estavam com a cabeça na lua, pensando em seus amores. Este era o caso de Rafa e Dul, que aproveitavam a magia do namoro ainda recente, envolvidos no romance e na paixão. Any, apreensiva, arquitetava novos planos para conquistar Simas, ou melhor, Profº Finnigan, enquanto Adri mal parava de chorar pensando em Zudo e em todos os momentos que tinham tido, e em Luna... "Maldita Luna!". Zudo também não conseguia dormir, e os bons momentos à beira do lago também dominavam sua mente, mas despertavam raiva e irritação, pois simplesmente não compreendia a atitude infantil de Adri.
Enfim a manhã chegou e os amigos da A.R. ficaram de se encontrar na saída pros jardins para então seguirem juntos para o campo de quadribol. Dul e Any chegaram usando roupas de trouxa em tons de cinza e verde, Adri em suas vestes da Sonserina e todas carregando bandeiras com um brasão meio Grifinória, meio Sonserina. Rafa, que já as esperava, olhou para as bandeiras antes de mais nada e já ficou surpreso.
- Que bandeiras são essas?! E que roupas são essas, hein Dul?!
- Legais, né? A Adri que fez hoje de manhã com umas bandeiras velhas das nossas casas usando uns feitiços diferentes aí, tudo pra convecer a Any e eu a irmos ao jogo torcendo pela Sonserina.
- Poxa, e eu ser seu namorado e ser lufano não conta nada pra você!?
- Ai, desculpa, Rafa! Juro que nem pensei que você ficaria chateado...
- A Adri tá muito mal, ainda mais porque tinha combinado com Zudo de ir nos jogo com ele e tals, isso antes deles terminarem. E hoje de manhã ela se deu cona de que ia acabar ficando de vela pro Guy e pra Tali, então sobrou pra gente! - disse Any, num tom de voz mais baixo para que Adri não ouvisse
- Assim Rafa, prometo que de corpo serei sonserina por um dia, mas de alma serei lufa, lufana, o que for! - Dul falou para o namorado
- Tá bom, só não fico bravo porque gosto muito de você! - respondeu
Guy chegou com Talita e Pop com Hilary logo depois, todos enfeitados com chapéus e rosetas de seus times, e Carioca chegou em seguida. Seth já estava se concentrando no campo desde mais cedo.
- Bem, a gente já tá meio atrasado, tá todo mundo aqui, então a gente podia ir indo, né?! - sugeriu Pop
- Umm... er... falta o Zudo ainda - disse Cari, pela primeira vez percebendo como a separaçao de um casal de dentro da turma poderia ser desconfortável para o grupo como um todo.
- Ah não, olha ele aí! - exclamou Guy
Zudo se aproximava sem muita empolgação e era a única pessoa presente no jardim, talvez em Hogwarts, que não estava parecendo uma torcida organizada ambulante. Usava simples vestes trouxas como se fosse um domingo qualquer.
- Ué Zudo, que roupa é essa?! - disse Rafa, novamente com a mesma surpresa que tivera quando viu Dul - Nem parece que você está indo ver seu primeiro jogo de quadribol! Afinal, pra que time você vai torcer?
O garoto, em resposta, disse um feitiço convocatório qualquer e logo uma bandeira saiu voando, cortando os ares desde a janela de seu dormitório até a mão do garoto. Era uma bandeira com o brasão da Lufa-Lufa.
- Lufa-Lufa, oras bolas! A sonserina não tem nada que seja de valor... E aí, vamos? - disse, já indo em direção ao campo e sendo seguido por Talita, Hilary e Pop. Mas logo depois, Guy disse, todo bravo com o comentário e Zudo
- Ei, como assim na sonserina não t... - mas foi interrompido por uma pedalada que levou de Rafa, que explicou em tom baixo para o amigo
- Cala a boca, Guy, você sabe que isso foi uma indireta pra Dri, não pra sonserina toda!
Guy olhou para Adri e viu a garota chorando silenciosamente no ombro de Any.
- Ah tá... Nossa, mas indireta bem direta, hein?!
- Bem, não o suficiente, digo, você não entendeu!
- Nossa, quanta agressividade com o Guy! - disse Adri, segurando o choro e sorrindo - É a vingança de Rafa!
- Acho que a Dul me deixa mais valente, sei lá - respondeu, e olhou para a namorada como se fosse a primeira ou a última vez que a veria.
- Ai ai, traumei, obrigada! - disse Any, levando todos a rirem...
Assim, o resto dos amigos saiu atrás de Zudo e os demais, que já estavam mais à frente.
Chegando ao campo, se dividiram: para o lado da Sonserina foram Adri, Any, Dul, Talita e Guy.; para o lado da Lufa-Lufa foram Pop, Hilary, Rafa, Carioca e Zudo. Em meio a animação da torcida, até a Adri mais deprimida se animou, pelo menos até a Profª McGonaggal anunciar a narradora do jogo: Luna Lovegood. Cada palavra de Luna lembrava Zudo, independente do que a garota estivesse dizendo. Talvez a loira não tivesse culpa de nada, e sim Zudo, mas mesmo assim bastava para abalar cada nervo de seu corpo.
Pra completar, ao longo do jogo Seth provou ser um um excelente goleiro, o que para os sonserinos era uma má notícia. Enfim conseguiram fazer alguns gols e o ânimo de Adri e do resto da torcida verde e prata melhorou. Ainda estavam bem atrás da Lufa-Lufa no placar e Luna fazia questão de deixar claro isso:
- “Então gente, eu gosto de ser uma narradora bem neutra, afinal sou da Corvinal, não teria razão pra torcer pra um ou pra outro time, a não ser que a minha casa estivesse envolvi... ai meu deus, cuidado baixinho da Lufa-Lufa, olha o balaço vindo!! aiii, essa deve ter doído! Esses sonserinos não têm muita noção, são todos uns cavalos, pelo menos não tem mais Crabbe e Goyle aí no meio, por que quando tinha, nossa, era um sai da frente que só Harry Potter resolvia. Mas são outros tempos e Sonserina tá aí né, perdendo da Lufa-Lufa, quem diria, se deram mal!”
Tais comentários não irritavam somente Adri, como boa parte da torcida sonserina. Mas ainda tinham chance de vencer, caso Steve Burrows, o apanhador, alcançasse o pomo antes de Patricia Dressler, apanhadora da Lufa-Lufa. No final, Steve teve a melhor e levou seu time à vitória. A torcida foi a loucura, todos se abraçando, gritando e pulando. Dul logo percebeu que estava comemorando, agindo como uma sonserina, e parou de pular e berrar pensando no que Rafa diria. De repente, ela, Any e Adri foram cumprimentar Guy e Talita, mas os dois estavam ocupados demais para dar atenção às garotas: estavam se beijando! Quando se largaram, ficaram sem graça com as caras surpresas das três. Guy se explicou então, envergonhado:
- Ah, é a empolgação, sabe, o jogo, a vitória... Ah, você sabe, né?
- É, fazer o quê?! - disse Mahatma, também tentando se explicar, com um riso nervoso.
- Ah, não imagina, continuem, vocês tão mais é certos! - disse Any - Fiquem a vontade, aproveitem! - e as garotas deixaram o casal finalmente assumido e foram seguindo a multidão para fora do campo, de volta ao castelo. Mo meio da bagunça, encontraram Seth e o parabenizaram pelo jogo, mas ele, chateado com o resultado final, quis ficar sozinho ou com o time, mas não com sonserinos, embora insistisse que não era "nada pessoal, só que não tô no clima, sabe...". Quase na porta do castelo, Any avistou o profº Simas e ficou o olhando pelas costa. Adri e Dul tinham quase certeza de que vê-lo a deixaria no mínimo chateada após o fora que levara, então se surpreenderam ao verem um sorriso misterioso e até mesmo meio maléfico no rosto de Any, mas decidiram ignorar.
- Ah olha, o Rafa e todo mundo ali na escada, vamos lá - disse Dulce
Adri ohou e viu que Luna, profº Harry e Gina estavam lá convesando com ele, Carioca, Zudo, Pop e Hilary. Sentiu a sensação de nó no estômago que tinha toda vez que avistava Zudo, especialmente na companhia de Luna.
- Bem, er, eu vou indo pra festa na sala comunal, ah sabe, dizem que é bem legal e tal. Dêem a todos saudações sonserinas, eles vão amar!
Adri então seguiu seu caminho para as masmorras e Dul e Any se aproximaram do grupo.
- Oi! E aí, gostaram do jogo? - perguntou Any, enquanto Dul abraçava o namorado como se não o visse a séculos.
- É, fazer o quê?! - disse Pop
- O próximo sim vai ser um jogo de verdade, Corvinal contra Grifinória! - avisou Gina Weasley, toda empolgada.
- É, é, veremos... - disse Luna, com o olhar distante, meio avoada como sempre - Escuta, onde a Adriana foi, eu vi ela com vocês agora há pouco, ou foi alucinação minha? Sabe, eu vejo umas coisas bizarras às vezes... - depois de alguns segundos de silêncio, Dul respondeu:
- Foi pra festa da sonserina, acho, por que?
- Ah nada... Quer saber, já volto...! - Luna disse enquanto já saía correndo com seu jeito desengonçado, deixando todos confusos e com grandes pontos de interrogação sobre suas cabeças, mas logo prosseguindo com a conversa entusiasmada sobre o jogo.
- Adriana, espera aí! - berrou Luna, tentando alcançar Adri
- Oi?
- Ufa, você anda mais rápido do que os Leopardos Alados da Nova Guiné.
- Ahn?!
- Você me odeia?
- Calma Luna, começa de novo porque eu não tô entendendo nada!
- Sabe, eu tô acostumada a ser caçoada, ridicularizada, ignorada, mas não sei como lidar com alguém que me odeia. Tenho que odiar você também?
- Ai Luna... Não, eu não te odeio é só que... er, que vergonha! Acho que é só ciúmes sabe, você o Zudo tão sempre juntos, no almoço, nas aulas, no baile, em Hogsmeade... Ele passa mais tempo com você do que comigo, sua própria namorada! Quer dizer... ex.... - Adri deixou algumas lágrimas escorrerem em seu rosto, mas tentava as enxugar assim que caiam, querendo se mostrar forte.
- Mas é que ele é meu único amigo em Hogwarts, fora a Gina, e é legal ter amigos, sabe, eu gosto. E ele fica falando o tempo todo de você só, pedindo conselhos, ajuda, favores. Ele realmente te ama, sabia? Por que você tá chorando? - Adriana tentava fingir que não estava abalada emocionalmente, mas após essa última frase desabou.
- é por que eu sou uma trouxa e estraguei tudo! Me desculpa por ter sido injusta com você, por favor!?!
- Ah, sei lá... tá?! Não sei o que dizer... - Adri soltou uma risadinha - que foi?
- Ai, é que você é uma fofa, sabia? Por que diabos você não tem namorado, hein!?
- Nunca parei pra pensar nisso...
- Bem, você deveria pensar, afinal, você merece! Que tal o profº Longbottom? Nos livros que li sobre a A.D. eu sempre imaginei vocês juntos...
As duas riram, mas Luna fez uma cara pensativa como se talvez até tivesse gostado da idéia. Voltou para o Planeta Terra logo depois e disse:
- Você vai pra festa da sonserina, enão?
- Hum, vou ficar um pouco, mas acho que quero ficar sozinha, sabe... Até outro dia, Luna, obrigada por tudo!
- Até mais, e cuidado com os Narguilés, gostam de atacar quem está andando sozinha!
No café-da-manhã do dia seguinte, Guy e Talita conversavam com Adriana sobre como tinham aproveitado a festa da noite anterior e rindo da ressaca de Tali devido às várias doses de Uísque de Fogo que bebera. Pop se aproximou da mesa da Sonserina, todo empolgado. Quase ao mesmo tempo umas amigas de Talita a chamaram e ela se levantou da mesa e se despediu de Guy com um beijo para então ir se juntar a elas.
- Oieee! Não falei com vocês ontem. Vocês não sabem o que me aconteceu!
- O que houve? vai, conta!
- Ah Adri, você viu, né, que a Luna tava com a Gina e o Harry, os três ficaram conversando com a gente...
- É, vi sim, e daí?
- E daí que a Gina é capitã do tima da Grifinória e disse que me viu voando outro dia com minha vassoura nova e se supreendeu, disse que não via nenhum primeiranista voando assim desde que o Harry entrou pro time.
- Uau, Pop, que legal!
- E mais, ela disse que dar uns toques pra que seja lá quem for ficar com o posto de capitã ano que vem me coloque no time!
- Ai que lindo, Pop!!! Embora não seja tão bom assim, - disse Guy, franzindo a testa - digo, a Lufa-Lufa tem o Seth, a Grifinória vai ter você. Assim a Sonserina vai estar perdida!
- Fala isso pros lufanos que perderam ontem! Ai, como é bom ganhar! - riu Adri
- Você tá bem mais animada hoje, hein, Dri, comparado a ontem...
- É, acho que sim. Mas diga-me você, sr. todo-animadinho-com-talita!! Tá dando certo entre vocês, né! Ela parece ser legal...
- É, ela é demais, além de ser gatinha! E ela quer mesmo ser da turma, sabe, diz sempre que adora vocês, pergunta coisas, tals... - concluiu Guy
- Verdade? Ai que fofa!
E então Guy começou a falar sobre as intermináveis qualidades de Talita e só parou por que iam se atrasar para as aulas.
-×-
Apesar dos dias lindos que se seguiram, pouco mudou para a A.R., exceto elo fato de que os exames se aproximavam e, logo, suas rotinas tinham sido adaptadas às suas horas de estudo. Dul, muito aplicada, ajudava Rafa a estudar também. Adri tentava a todo custo se reaproximar de Zudo para admitir que estava errada e que a culpa havia sido de sua fértil imaginação apenas, mas o ex-namorado apenas a ignorava, ou, na melhor das hipóteses, era um grosso, o que a deixava com raiva e acabando por se afogar nos estudos. Any também não largava dos livros, principalmente os de poções.
Guy e Pop demoraram a se tocar que talvez precisassem estudar mais do que namorar, então tentaram conciliar as duas "atividades", mas não tinham tanto sucesso quanto Rafa e Dul. Seth, por outro lado, sequer tentava estudar e era visto sempre com alguma garota nova pelo castelo. Assim, todos os dias eles se encontravam na biblioteca ou nos jardins para estudar e em um desses dias Any e Dul por pouco não perderam a hora e se atrasaram para a aula de poções.
- Nossa, e hoje vamos ter matéria que cai nos testes, só faltava a gente perder a aula! - disse Any, assim que chegaram na classe, ofegantes.
- Não acho que é a matéria o que mais te interessa, mas nem comento! - comentou Dul, enquanto se dirigia a um caldeirão desocupado.
A aula transcorreu como de costume, o professor contando alguma história sobre uma poção para então deixar os alunos fazendo a dita cuja, seguindo as instruções do livro. Dessa vez tinham que fazer uma poção conhecida como a dose fraca da famosa e complicada Felix Felicis. Era a Felicitá, que funcionava apenas como um calmante e que muitos diziam trazer felicidade momentânea. Any, querendo impressionar o professor, estava cada vez melhor na matéria e conseguiu seguir as instruções sem problema algum. Logo Simas anunciou que o tempo estava esgotado e começou a passar pelos caldeirões dando nota. Era um professor bondoso, então analisava bem cada resultado obtido pelos alunos para não dar notar injustas como Snape ficou conhecido por dar. O professor dava um gole daquelas que aparentemente estavam corretas, com o tom de cor e textura almejado.
- Se for merecedora de uma nota dez, eu sentirei gosto do pão doce da minha avó, minha comida preferida. - explicou à classe. Any sabia que sua poção estava certa e que o professor daria ao menos um pequeno gole nela. Antes que ele se aproximasse dela, tateou seus bolso e achou um pequeno frasco com um líquido de brilho aperolado.
- Any, não! - sussurrou Dul à amiga, sabendo do que se tratava e o que Any estava pretendendo - Eu te dei a poção do amor de brincadeira, não é pra você realmente usá-la!! Imagina só se ele descobre! Ai, amiga, não faz isso!
- Eu sou a melhor aluna de poções, ele me adora, não vou me dar mal, confie em mim! - respondeu, já abrindo o frasco e despejando o conteúdo discretamente antes que qualquer um notasse e pensasse que ela estivesse apenas querendo melhorar sua nota. Simas já dera dez a alguns alunos, e zero a outros. Passou por Dul, que ganhou um 9,0 apenas, pois Simas disse ter sentido gosto da comida da mãe, e não da avó, o que fez a garota ficar bem insatisfeita e irritada.
- Pra encerrar, Any... Outro dez pra coleção, será? - disse o professor ao se aproximar da garota, que tinha um sorriso safado e nervoso em seu rosto.
- Você que me diga, professor... Prove e me diga quanto acha que mereço...
- Tenho uma idéia melhor. Confio tanto em você e em sua poção que darei a um aluno, aproveitando e provando os efeitos dela em outra pessoa senão em mim.
- Professor, acho que... - Any ficou nervosa; isso não estava em seus planos
- Que foi? Acha que não posso confiar em você ou você que não confia em mim? - Any não soube o que responder, ficou em silêncio - Pois bem, então. Que tal... José Fernando, sim, você, venha aqui, prove isso.
Um garoto tão indiferente que Any sequer lembrava de ter visto alguma vez na vida se aproximou do professor, que tirou uma pouco da poção do caldeirão e estendeu ao aluno.
- Então, o que sente?
- Humm... uma vontade de comer batata frita do McDonald's. Sabe, comida de trouxa, eu amava. - A classe ficou animada vendo o efeito em um colega, por mais que muitos também aparentavam nunca ter visto o menino antes. Simas pareceu desapontado com o resultado, mas disse:
- Bem Any, estava certo de confiar em você, então... Outro dez, para... - e José Fernando o interrompeu
- Lógico que está certo em confiar na Any, ela é perfeita! Ela é divina, é uma... uma... miss!
Olhares confusos foram trocados pela sala, e o professor esboçou um sorriso, antes de concluir a aula.
- Er, então é isso, limpem suas bancadas e caldeirões e estão liberados... Sem dever essa semana, aproveitem para estudar para os exames que se aproximam!
Any ficou parada, meio em choque, sem saber o que fazer. José Fernando se oferecia para limpar suas coisas, entusiasmado, sob o claro efeito da poção.
- Posso falar com a Any um segundo, José, a sós? Você também, Dul?- Perguntou-o professor quando a maior parte dos alunos já fora embora exceto os dois. Dul saiu sem pensar, até meio irritada com a amiga e com um olhar de "Eu te avisei...".
- Depende, o que você quer com ela? - disse José
- Comentar sobre sua poção, nada de mais. Relação aluno/professor só, lhe garanto. Nos deixe a sós, por favor... - e o menino obedeceu, meio relutante.
- Isso, vai pra biblioteca e fica me esperando lá, José.
A garota normalmente aproveitaria um momento como este, mas na hora ela não sabia onde esconder sua cara. O professor não era burro e no mínimo agora sabia da poção do amor. Os dois se sentaram em bancos lado a lado e ela perguntou, olhando para o chão, com vergonha.
- Como você soube...?
- Notei o vapor espiralado característico dessa poção. E um pouco de cheiro de chuva de verão, que sempre me agradou...
- Ah... não pensei nisso...
- ... e também notei seu sorriso. Já te conheço bem o suficiente pra saber quando está escondendo alguma coisa. Que isso não se repita, já disse que nossa relação é somente como professor e aluna, desista. Agora vá, creio que o Sr. Fernando te aguarda na biblioteca. Boa sorte com ele.
Any passou o dia fugindo de José, mas ele sempre a encontrava. As amigas se divertiam com as investidas do garoto, mas logo começaram a se irritar também, procurando ficar em lugares menos frequentados dos jardins e do castelo. Os garotos da A.R. se irritaram tanto que desistiram de andar com elas.
Certo momento do dia, estavam sentadas perto do campo de quadribol, estudando.
- Pense pelo lado bom: ele só tomou uns goles, então ainda hoje o efeito passa. - lembrou Carioca, animando todas.
- Nossa, ainda bem! Mas sabe, o que mais me irrita é o cinismo do Simas. Ele fez de propósito, e pra me fazer sentir pior ainda escolheu justo o cara mais mala da classe, esse zé-ninguém aí. Tinha tanto ser melhor pra ele escolher, mas não, "são bons demais pra Any", ele deve ter achado. Por que não escolheu o Charles, ou o Felipe? Ou... ou.... - Any ficou sem palavras momentaneamente. Seus olhos brilharam e seu queixo caiu.
Curiosas, todas voltaram seus olhares para onde Any olhava e tiveram as mesmas reações. Elas estavam observando um aluno, que aparentava ser do terceiro ou quarto ano, e que se exercitava a alguns metros de distância delas, usando apenas uma regata branca e shorts. Ele era loiro e atlético, com o queixo um pouco avantajado e uma barbicha loira que era um charme só, seus cabelos eram meio lisos e caía pelo rosto, seus olhos castanhos e muito expressivos, além de ser dono do sorriso mais bonito e encantador já visto antes.
- Bem, eu tenho o Rafa e estou feliz com ele!
- E eu tenho o Guy, e digo o mesmo!
- Sabe, apesar de tudo, ele não é o Zudo...
- Eu não tenho ninguém, mas sei que é areia demais pro meu caminhãozinho...
Ele seguiu se exercitando, e todas continuaram estudando ou conversando, exceto Any que não conseguia tirar os olhos do rapaz, deu um ultimo suspiro e deu um sorriso, pensando "Simas?! Ai ai, a fila anda!!" |