J
J.K. é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.
Por favor, não me processe, eu não tenho nada.
Agradeço a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.
E como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.
N/A:
A partir deste capítulo poderá haver
"R" em algumas partes.
Mas não nesse.
(Só para o caso de eu esquecer de avisar).
Capítulo 17 Seboso.
Você é a razão pela qual acredito no amor
Ela não foi jantar. O coração dolorido.
Secou as lágrimas. Não deixaria que ele a ferisse de novo. Não mais.
Também não ia mais chorar.
Ouviu uma batida à porta. Hesitou só um segundo.
Lupin estava lá.
-
Você está bem?
Os mesmos olhos doces. Preocupados.
Sacudiu a cabeça.
-
Está com fome? Posso...
-
Não. Tudo bem.
-
Quer andar um pouco?
Ela hesitou. Pensou numa desculpa.
-
Por favor. - ele falou baixo.
Ela o olhou. Ele a tratava bem. Não ia feri-la. Não era justo...
-
Está bem. Uma volta.
Entrou para se agasalhar e pegar a capa. Ele a esperou.
Eles andavam devagar. Num silêncio calmo. Havia vento. Eles evitaram os corredores mais frios.
-
Quer me contar o que houve?
Suspirou.
-
Não. Vai ficar tudo bem.
Estava dizendo isso para ele ou para ela?
Ele parou. Ela o olhou.
-
Nina, sabe que pode falar comigo. Posso ser seu amigo.
-
Eu sei. - tentou sorrir - E agradeço. Mas não quero falar nisso.
Ele ficou olhando-a. Indeciso. Não queria forçar. Mas algo dentro dele o impeliu.
-
É o Snape?
Ela desviou os olhos. Voltou a andar. A dor ainda pungente.
-
E isso faria diferença? - voz rouca.
-
Faria! - ele a acompanhou - É ele?
Ela suspirou. Não era uma solução. Só mais problemas.
-
Se quer ser meu amigo. Não faça mais perguntas. Por favor. - falou baixo.
Ele pareceu não gostar da resposta. Mas se calou. Respeitando a vontade dela.
Se estivesse melhor ela teria sorrido. Eles eram tão diferentes. Severus teria...
Sacudiu a cabeça. Não ia pensar nele. Ele só a tinha usado. Provavelmente não tinha acreditado nela.
E não confiaria nela nunca. Como ela agora não confiava nele.
Ele andava em silêncio ao lado dela. Parecia contrariado. Quase triste. Ela o estava deixando de fora.
-
Todos irão à Hogsmeade sábado? - ela tentou desviar o assunto.
Ele hesitou. Pouco tempo.
-
Harry e os outros querem ir lá para as compras de Natal.
Ela quase parou. Tinha esquecido!
-
Os professores vão começar a decorar amanhã. Meio tarde este ano. Dumbledore quer que este seja um ano normal. Na medida do possível.
-
Ele tem razão. Não adianta deixá-los mais tensos.
-
Mas parece que o que ele quer realmente, é desviar a atenção das novas aulas de Preparação.
-
Aulas de Preparação?
-
Sim. Alguns professores vão se revezar. Depois dos feriados. Ensinar tudo o que puderem. - ele hesitou - Para que eles possam se defender, se necessário.
Ela sabia o que ele não tinha dito. Voldmort.
-
Está conversando com o Ministro da Magia. - ele continuou - Os alunos precisam saber que devem viver suas vidas. Sem esquecer que pode haver uma guerra. E que devem estar preparados.
Ela estava surpresa.
-
E o ministro vai deixar?
-
Fudge não está gostando. Mas Dumbledore vai conseguir a permissão. - sorriu - Ele tem seus meios.
Ela concordou. Dumbledore era excepcional. Bruxo ou não. Era um sábio.
Aulas de Preparação. Feitiços. Percebeu o quanto sabia pouco de tudo aquilo.
Artes das Trevas. Decidiu que não seria mais assim. Havia tanto... Seres mágicos. Plantas mágicas. Poções.
Não. Não ia pensar. Não ia sentir.
Eles continuaram conversando.
Chegaram ao corredor para o quarto dela.
Quando chegaram perto da porta ela se virou.
-
Obrigada pelo passeio. - estava mais leve - Me fez bem. - quase sorriu.
Ele ficou contente. Ela não estava mais tão pálida. Sorriu. Pensou se deveria... Não. Ainda não.
-
Então boa noite.
O sorriso dele lhe pareceu triste. Ela pensou em dizer algo.
-
Boa noite.
E entrou.
Lupin ainda ficou ali vendo a porta se fechar. Suspirou.
Nenhum dos dois viu a luz de carvão que brilha.
Ela tinha tirado a capa e o agasalho. Ouviu baterem de novo.
Talvez Lupin...
-
O que você está fazendo aqui?
Ele não respondeu. Entrou. Fechou a porta.
Ela ficou furiosa. Abriu-a de novo.
-
Talvez você não saiba, mas isto aqui não faz parte das suas preciosas masmorras. Então vá embora! Agora!
Ele a ignorou.
-
Feche-a ou fecho por você. - a voz
perigosamente suave.
Ela pensou que ele podia cumprir a ameaça. Mas ela não ia dar o braço a torcer.
-
Este é o MEU quarto - falou entre dentes - e eu quero que você saia..
-
Feche-a-porta! - ele estava tentando se controlar - Você não estava assim tão preocupada com seu amigo lobo.
Ela ficou pasma.
-
Você estava me vigiando?
-
Não é preciso que ninguém a vigie. - ele estreitou os olhos - Você está sempre com ele.
-
Então agora, depois de você, eu estou com ele?
- estava horrorizada, ferida - Você não tem limites?
Ele estava perdendo a paciência.
-
Feche a maldita porta! - sibilou.
Ela quase ficou com medo. Quase.
-
Você não me assusta. E se não vai sair, saio eu.
Fez um movimento para pegar a capa.
Escutou a porta bater e trancar com um estrondo.
Virou-se para ele.
-
Você não pode me trancar aqui!
-
Agora cale-se! Eu não vou tocá-la. Se é isso que a preocupa.
'Só se você quiser.'
Ela não disse nada. Olhando-o furiosa. Os olhos dele cintilaram.
Pensou em ignorá-lo. Ele não podia trancá-la para sempre.
Não. Ali era o seu quarto. Ele não ia intimidá-la assim.
Tinha prometido a si mesma não deixar que ele a magoasse de novo.
Pegou a capa e continuou a colocá-la. Ela gritaria. Colocaria o Castelo abaixo se fosse preciso.
Ele pareceu perceber as intenções dela. Segurou-a pelos braços. A mão queimando sobre o tecido.
-
Agora pare com isso! E deixe de agir como uma criança birrenta.
Aquilo merecia uma resposta à altura. Mas ela não encontrou nenhuma. Só doeu. Olhou-o.
-
Você está meio confuso. Precisa se decidir se eu sou uma meretriz ou uma criança idiota.
Ele suspirou.
-
Não vamos chegar a lugar nenhum assim.
Soltou-a.
-
Se você quer tanto assim. Eu saio.
Olhou-a. Perto demais.
'Mas antes...'
-
Quando você foi me entregar os registros, Malfoy estava me dizendo que Goyle a tinha visto entrar em minha sala no dia em que foi atacada. E não a tinha visto sair.
Ela titubeou. Só por um instante. Malfoy? Goyle?
-
Se você já acabou...
Ele a segurou pelos ombros, furioso.
-
Você não entendeu nada, não é? Pensa que é muito esperta. - ele a apertava, as mãos como garras - Aqui todo cuidado é pouco. - ia fazê-la entender - Uma palavra. Um boato. Pode significar a diferença entre a vida e a morte. O que pensa que ia acontecer se isso chegasse aos ouvidos de Lucius?
Ela ficou pálida. Voldmort podia saber.
Podiam usá-la para atingí-lo.
Verdade ou não. Ou pior, poderiam...
Ele pareceu satisfeito com a expressão dela. Soltou-a.
Dirigiu-se à porta.
-
Severus. - sussurrou.
Ele parou. Não se voltou.
-
Nunca mais fale comigo de novo daquele jeito. - disse baixo - Nunca mais me trate daquela forma.
Ele hesitou. Percebeu o quanto a tinha magoado. Estendeu a mão para a maçaneta.
-
Não posso prometer isso. Eu farei o que for preciso para... - parou - O que for necessário. - voz firme.
Ela olhou as costas eretas. A cabeça erguida.
-
Qualquer coisa?
Ele não hesitou.
-
Qualquer coisa. - disse duro.
Ela sentiu o coração apertar. Ele virou a maçaneta.
-
Severus?
Ele não respondeu. Esperou.
-
Eu confio em você.
Viu quando os ombros dele se moveram. Foi até ele.
Ele se virou. Tão perto... Quase se tocando.
Ela levantou a cabeça para olhá-lo. Ele era tão alto. Tão... Real. Como aquele maldito mundo.
-
Mas eu não consigo viver assim. - falou suavemente, podia sentir a respiração dele em seu rosto.
Carvão que brilha. Castanhos embaçados. Molhados. Ele não disse nada.
'Merlin, preciso sair daqui. Ou...'
-
Posso tentar entender, tentar aceitar... - continuou suave - o que teve que fazer. - engoliu em seco - Que já tenha... matado. - cada palavra custando a sair, a voz baixa - Talvez... Estuprado. Ferido. Torturado.
Um aperto ao perceber que ele não rebatera nenhuma das palavras fortes. Nem seu significado.
-
Eu posso tentar... - estava difícil respirar - não me assustar com o que você já fez. Eu não te deixaria por isso. - não conseguia enxergá-lo mais.
Levou a mão ao rosto dele. Sem tocá-lo. Ele não se moveu. A respiração forte. Ela fechou a mão.
-
Mas eu não consigo ver você assim. Sem... É como... - não encontrava as palavras - se você estivesse esperando sua vida terminar junto com essa guerra estúpida. - a voz dolorida - Não há lugar para mais nada. - uma lágrima desceu, ele acompanhou - Como se nada mais importasse.
'Ou ninguém.'
Ela aguardou. Ele apertava as mãos. Com força. A expressão rígida.
-
Nada mais importa. - os olhos quase fechados - Não enquanto... não terminar.
Ele viu outra lágrima rolar. O modo como ela respirou. Como fechou os olhos.
Levantou a mão. Desceu-a.
Ele se virou. Ela abriu os olhos. A porta aberta.
-
Mais uma coisa... - a voz baixa, rouca.
Ele esperou.
-
Deixe o Lupin em paz. Ele não tem culpa.
Ele quase se virou de novo.
Saiu.
Ela pensou que estar com ele não trazia nenhuma alegria.
'Não é verdade.'
Outra lágrima desceu.
Mas havia escuridão demais.
*******
N/A:
"
Alguns amam com restrições,
como que propensos ao ódio,
mas nosso ódio é suave, gentil,
como se propenso ao amor...
"
(Linda Goodman)
Colaboração de Sett, nossa beta leitora.
*******
Lupin estava indo para a sala dos professores. Havia um sol pálido lá fora.
-
Snape!
'Maldição!'
Virou-se. Lupin veio até ele. Encarando-o. Decidido.
-
Eu quero falar com você. - o tom não admitia réplicas.
-
Eu não vou brigar com você. - disse frio.
-
Você está ouvindo mal. Eu disse falar não brigar.
Ele se controlou.
Lupin olhou o homem à sua frente. Viu a raiva contida. E... algo mais.
-
Alguém me disse para... - levantou uma sobrancelha satisfeito - deixá-lo em paz.
-
Alguém?
-
Nina. - usou seu primeiro nome - Ontem à noite.
Sentiu um prazer perverso ao ver a expressão do outro.
Lupin não se intimidou.
-
Ela estava comigo ontem à noite.
-
Eu sei. - não conteve o meio sorriso debochado - Ela me disse. - virou-se para ir embora - Depois que você a deixou.
Ele não queria que houvesse dúvidas. Seguiu pelo corredor.
Lupin ficou olhando-o.
O lobo rugindo em seu peito.
*****
Ela estava com a cabeça apoiada na mão. Tinha sido uma noite difícil. Suspirou.
Um dia de cada vez.
-
Parece que finalmente sua reputação está correndo risco.
'Oh, Deus, não de novo.'
Olhou por entre os dedos. Lupin tinha perdido o jeito doce. Abaixou a mão.
-
Do que você está falando?
'Pergunta idiota.'
Pareceu atiçá-lo ainda mais.
-
Você sabe do que estou falando. Snape deixou bem claro: você lhe pediu para me deixar em paz. Depois que eu a deixei.
'Eu vou matá-lo!'
Mas primeiro...
Suspirou.
-
Ele foi tentar... esclarecer um pequeno problema que tivemos com o Sr. Malfoy.
-
Depois das dez da noite?
Suspirou de novo.
-
Sim, depois das dez da noite. - falou cansada - Mas ele não ficou muito tempo. E não foi nada agradável. - disse baixinho - Satisfeito? - olhou-o.
De repente ele percebeu o absurdo da situação. Viu a palidez dela. As olheiras. A voz desanimada.
Sacudiu a cabeça. Suspirou.
-
Desculpe.
-
Tudo bem. Sei como ele pode ser um bastardo arrogante. Um irritante... - mordeu os lábios e fechou a
mão como se o esmagasse.
Lupin quase riu.
-
É eu sei.
-
Como é que você o agüentou quando estudavam? - relaxou - O seboso... - ela se sentia má.
Agora Lupin riu.
-
De onde você tirou isso?
Ela levantou a cabeça percebendo o que tinha dito. Riu sem alegria.
-
Sei lá. - desconversou - Devo ter ouvido por aí.
-
Ele a matará se ouvi-la chamando disso.
-
Eu já ouvi!
'
Oh, Deus, não, não...'
Ela abaixou a cabeça sem forças.
Levantou-a de novo. Lupin estava se segurando para não rir.
-
Depois conversamos Lupin. - falou desanimada.
-
No almoço. - ele não ia perder a oportunidade.
Ela suspirou.
-
Está bem. No almoço. - ela concedeu.
Ele saiu feliz.
Ela olhou para pretos furiosos.
-
Bem. Onde estávamos?
-
Seboso
!
Ela fechou os olhos. O tom dele era desanimador.
-
O que quer que eu diga? Desculpe? - ela não parecia arrependida.
-
Podia começar não repetindo. E também o "bastardo arrogante".
Ela estava em maus lençóis.
-
E você podia parar de ficar ouvindo as conversas dos outros.
Ele estava realmente furioso.
-
Eu não fiquei ouvindo as conversas dos outros! Vocês estavam falando alto o suficiente para quem estivesse perto ouvir. E este não é o comportamento para uma funcionária de Hogwarts!
-
Como se o seu fosse... - ela murmurou lembrando da invasão dele ao seu quarto.
Levantou-se.
-
Onde você pensa que vai? - ele se aproximou.
-
Sair daqui.
Ela estava cansada. Dele. Daquela vida. De Hogwarts. De tudo.
Ele ficou na frente da porta. Ela tentou o outro lado. Ele a impediu também.
Ela se virou e foi para o arquivo. Quase tropeçou na cadeira perto da porta. Empurrou-a para a parede.
Ele foi atrás. Lembrou-se que não podia fechar a porta sem ficar presa. Parou. Sentiu-se acuada.
-
Me deixe em paz. - suspirou.
Deu-lhe as costas, esperando que se cansasse.
Pegou um livro com raiva e o colocou de lado.
Ia pegar outro. Ouviu a porta.
Não agüentou mais. Os olhos ardendo.
Encostou-se na mesa. A mão no rosto. Estava muito difícil. Queria ir para casa. Queria sua vida de volta.
Sentiu duas mãos em seus ombros. Soluçou. Sem conseguir se controlar.
Ele a virou devagar. Segurou-lhe os cabelos, puxando sua cabeça para o peito dele.
Deixou que ela chorasse. Molhando sua roupa.
Cada lágrima afastando todo o vestígio de raiva que ele tinha usado para se proteger.
Beijou seus cabelos. Violetas. Lembrou-se que Lupin tinha feito o mesmo. Sentiu a raiva ressurgir.
E esmorecer com a mesma rapidez, a cada soluço.
Apertou-a mais forte. Relaxou o abraço ao sentir o desejo se insinuar.
Ela foi parando devagar. Estendeu-lhe um lenço. Ela o pegou sem dizer nada.
Continuou lá. No círculo dos braços dele. Por um bom tempo. Viu a porta fechada.
Lembrou-se de um outro dia. Quando ele a tinha ameaçado. Exigindo que fosse até ele.
Não tinha importado se ela era uma trouxa. Nada tinha importado. Ele tinha querido seu corpo.
Como agora. Suspirou. Tentou desvencilhar-se.
-
Não. - pensou tê-lo ouvido murmurar.
Eles só iam se machucar mais.
Afastou-se.
Ele a olhou. Foi até a porta. Levantou a varinha. Murmurou algo. Ela se abriu.
Ele se aproximou de novo. Sem tocá-la. O cabelo no rosto. Ele parecia... tão cansado.
Os olhos... Desviou os seus.
Ela teria que passar por ele. Avançou. Ele não a impediu.
Foi até a porta. Ele não se moveu. De costas para ela. As mãos apertadas. Como se fosse socar alguma coisa.
Sentiu uma dor no peito. Empurrou a porta.
Silenciosamente, voltou até ele.
Viu os olhos fechados. Ele os abriu quando ela passou o dedo no vinco da testa. Puxou-a de volta.
Deitou sua cabeça no pescoço dela.
Os braços à sua volta.
Apertando-a a ele.
Ela fechou os olhos.
Estava perdida.
******
Sábado chegou. Ela voltou à Hogsmeade com Hermione e os outros.
Dessa vez ela não viu Lupin.
Conseguiu escolher os presentes em paz. Encantada com a decoração.
O difícil foi comprar o de Hermione sem que ela visse. Mas ela conseguiu.
Não queria deixar para comprar nada na última hora. Mas ainda havia um que...
******
Foram dias calmos.
A lareira crepitava. Tentando espantar o frio.
Eles estavam no sofá. Num muito raro momento de calma.
Ela estava recostada. Ele sentado no chão. A cabeça para trás no sofá. A mão dela no cabelo dele.
Ela pensou que eles realmente só ficavam juntos quando estavam brigando.
Ou fazendo amor.
Tinha ficado surpresa e orgulhosa ao ver o quanto ele a procurava.
Mas percebeu que ele parecia ressentido às vezes.
Por desejá-la.
Talvez ele tivesse ficado muito tempo sozinho.
Não. Ele não tinha nenhuma queda para o celibato.
Lembrou-se de Rosmerta perguntando por ele ao Lupin em Hogsmeade. Sentiu uma pontada de ciúme.
Não quis pensar nele com Malfoy e os outros comensais. Podia imaginar. Com o que já sabia.
Mulheres. Vítimas. Álcool. Poções. Varinhas. Sabe-se lá mais o quê....
Estremeceu.
Não era mais criança. Mesmo assim sacudiu a cabeça. Inquieta.
Tentou pensar em outras coisas. Aproveitar a sensação de sua mão nos cabelos pretos.
De repente ele levantou a cabeça. A mão no braço esquerdo. Esfregando.
-
Severus?
Ele não respondeu. A mão se movendo no braço.
-
Está tudo bem? - ela estava preocupada.
Ele parou a mão.
-
Está.
-
Tem certeza? - viu a expressão dele, rígida - Vol... Ele está te chamando?
-
Não. - a voz ríspida - Ainda não. - completou menos duro.
Ela ficou calada. O coração se apertando. Lembrou-se do pesadelo dele na noite anterior.
De seus murmúrios. Tinha ido até o sofá para acordá-lo. Mas ele se levantou de repente. Alerta.
A realidade de tudo aquilo começando a se abater sobre ela. Do que podia significar.
-
Você acha que...
-
Eu não acho nada. - ele se levantou, indo para a porta.
-
Severus?
Ele não respondeu. Passou pela porta e a fechou.
Deixando-a de fora.
Ela deitou a cabeça no braço do sofá.
****
Um manto de neve branca e fofa cobria Hogwarts.
A lista dos alunos que ficariam no feriado foi passada.
Hermione e o Rony iam para a casa dos pais. Como a maioria.
Eles pareciam perceber a importância de alguns dias junto da família.
Estavam agitados. Ansiosos. Felizes.
Mesmo alguns professores iam aproveitar os feriados. Longe de Hogwarts.
Só o Harry ia ficar. Mas o Lupin prometeu a ele que iriam a Londres nos feriados.
Pelo Caldeirão Furado, via flú. Eles tinham convidado-a.
Ficou tentada a ir com eles. Desconversou. Ia pensar e os avisaria.
O Castelo ficou vazio de repente. Ela sentiu falta do barulho.
Ao mesmo tempo, pensou no que faria com seu tempo livre.
Um sorriso se desenhando em seu rosto.
****
-
Severus, eu queria te pedir uma coisa. - largou o livro.
Um resmungo. Enquanto ele se deitava.
-
Eu quero que você me leve na vassoura.
-
O quê? - ele se virou para ela.
-
Você me entendeu. - sabia que ele não gostava de vassouras.
Ele não parecia animado com a idéia. Um canto da boca levantado em desgosto.
-
Ou é claro, eu posso pedir ao Lupin. Tenho certeza de que ele não se importaria. - segurou um sorriso.
Ele se apoiou no braço. Olhando-a. Decidindo se ela estava falando sério.
-
Vamos amanhã. - não parecia muito contrariado - Se você conseguir acordar antes de amanhecer. - então ela entendeu porquê.
Ele sabia que estaria muito frio. E que ela sempre preferia ficar na cama até mais tarde.
E começar a véspera de Natal voando no meio da madrugada não era bem o que ela tinha pensado.
Mas não ia deixar que ele a fizesse desistir.
E não quis forçar mais ameaçando pedir ao Lupin que a levasse mais tarde.
-
Você me chama. - deu as costas para ele ajeitando o travesseiro.
Algumas vezes ela dormira ali por causa do frio.
Seu quarto não tinha lareira. E se tivesse, não poderia acender como eles. Só com uma palavra.
Ele nunca dormia com ela. Ficavam juntos. E só.
Sorriu ao pensar que ele ficaria no sofá.
E principalmente, que estaria frustrado agora que ela fingia dormir.
Ouviu-o bufar ao se levantar. O sorriso se alargou.
*****
Angela Oliveira - Obrigada. Show, estão ficando os reviews!
Ju Oliveira - Se eu fosse responder aqui tudo o que eu gostei do seu review ia escrever quase um capítulo!
Mas lá vai:
Ju: "...é possível vivenciar tudo o que lemos."
Nina: Sabe eu penso nele como alguém que precisa ser salvo da escuridão em que vive. Em que ele mesmo se coloca às vezes. Quando não aceita o seu passado e não se perdoa.
Ju: "Sempre pensei que se o Snape se apaixonasse ele mudaria em alguns pontos e revelaria um lado mais humano (talvez sensível), escondido pelas atitudes contidas e pelo olhar desdenhoso."
Nina: Um pouco. Mas acho que se ele mudasse muito, não seria o "Snape" que conhecemos.
Ju: "E que essa mulher deveria ser especial: primeiro por despertar algum sentimento em um personagem dito "sem coração","
Nina: Ninguém resiste a carinho. Ninguém...
Ju: "depois, por conseguir ultrapassar as barreiras atrás das quais ele provavelmente se esconde"
Nina: Provavelmente?!!
Ju: " e finalmente, por aceitar o desafio de procurar qualidades num homem tão difícil."
Nina: Sabe, no fundo, eu não achei difícil ver as qualidades dele.
Pelo menos não as que eu imaginei para ele.
Ju: "Ah, sim... também sou apaixonada por Remo "Lobo" Lupin e adoraria que ele me fizesse algum mal^^ ."
Nina: Eu também! Eu também! Sabe, eu estou pensando em escrever a próxima fic sobre ele.
Ju: "... tomar um banho frio (rsrsrsrsrsrsrs) ..."
(Nina se abanando). Nem me fale. Nem me fale!
AnaNinaSnape@yahoo.com.br