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12. Um Feliz Natal


Fic: Desencontros


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Capítulo 12 – Um Feliz Natal

O vermelho das folhas de outono foram escurecendo até tornarem-se um bonito tom de marrom quando dezembro chegou, trazendo junto consigo um vento gelado que não os ajudava a levantar pela manhã. Harry sentia uma grande diferença entre sua estada com os Dursley, assim que chegara na cidade, e agora com os Weasley. Mesmo apenas tendo se passado poucos dias isso podia ser facilmente percebido. Ao contrário do que lhe acontecia antes, ele não tinha um quarto só para si - apesar de Ron lembrá-lo com freqüência de que aquilo mais parecia um armário - pois dormia numa cama de armar colocada no quarto de Ronald, mas em compensação, agora ele era mais bem tratado e tinha seus amigos sempre por perto.

O senhor e a senhora Weasley na maioria das vezes o excluíam da divisão de tarefas, mas após ele muito insistir - e os gêmeos declararem que se ele era um membro honorário da família tinha os mesmos direitos e deveres dos outros - ele passou a recebê-las, ainda que acabasse ficando com as mais fáceis, como arrumar a mesa do jantar ou recolher as roupas do varal.

Naquela manhã de sábado porém sua tarefa era diferente da usual. Havia perdido uma aposta com os gêmeos e acabara tendo que arrumar o galpão sozinho, enquanto Fred e George limpavam o quintal em seu lugar. Isso servia para ele aprender a nunca mais aceitar nenhuma aposta vinda daqueles dois, pensou voltando a empurrar o caixote com ferramentas para debaixo da bancada.

- Precisa de ajuda? - Ginny perguntou espreitando pela entrada.

- Até que ia ser bom. - Olhou em volta desanimado. - Eu não sei bem onde guardar algumas coisas.

- Você está indo bem. - Ela observou ao redor e completou num gracejo. - Na verdade já fez mais do que os gêmeos fariam.

- Sério?

- Hum-hum. - Assentiu prendendo o riso. - Normalmente eles vêm pra cá e ficam jogando cartas ou vendo aquelas revistas que eles escondem a sete chaves, a manhã inteira.

- Cretinos. - Harry murmurou ficando ainda mais irritado ao lembrar de quais revistas ela se referia.

Ginny riu da cara que Harry fez e começou a ajudá-lo. Guardou o ancinho e a pá em seus suportes na parede, mas antes que tentasse pegar o machado ele já tinha feito.

- Esse é comigo. Não quero que você se machuque.

- Machista! - Esganiçou falsamente indignada.

Harry guardou a ferramenta e virou-se para ela cruzando os braços em frente ao peito e perguntou.

- Só porque estou cuidando de você?

- Não. Porque todos os garotos são assim.

A ruiva fez uma graça e mostrou a língua para ele enquanto sorria. Depois tacou-lhe uma estopa que estava caída perto de si e que acertou-o em cheio fazendo com que a olhasse com o cenho franzido e um sorriso torto, entrando na pequena brincadeira.

- E as garotas são todas umas santas, não é? - Ele começou a segui-la e antes que ela respondesse tacou-lhe de volta a estopa, a qual ela pegou no ar, rindo.

- É claro que somos, seu bobo. - Agora a estopa acertou em cheio os óculos de Harry, que passou a andar mais rápido perseguindo-a de um lado ao outro do galpão.

- Isso é guerra, Ginevra Weasley?

Logo a estopa havia sido deixada de lado enquanto Ginny fugia do alcance de Harry, correndo e escapando dentro do pequeno lugar. Os dois nem se lembravam mais o que tinha iniciado aquele joguinho de 'gato e rato'. O rapaz só estava interessado em conseguir alcançar a dona dos cabelos flamejantes, cujas bochechas estavam rosadas de tanto rir, e Ginny... Bem ela queria ser alcançada.

Portanto foi com falsos protestos e riso genuíno que ela berrou ao senti-lo agarrando-a pela cintura e impedindo que ela fugisse mais uma vez ao encostá-la no velho Ford estacionado a um canto.

- Me solta, seu... seu bruto! - Falou batendo no tórax do rapaz enquanto tentava não sorrir.

- Pronto, mais um xingamento pra lista. Já foi machista, insensível, bruto, qual vai ser o próximo?

- Homem das cavernas! - Ela riu da careta que ele fez, mas seus olhos se arregalaram ao perceber qual era a intenção dele. - Para! Ai... não Harry! Cosquinha não!

- Só se você retirar tudo o que disse. - Disse calmamente.

- Não! Para...

- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? - O rosnado furioso fez com que a brincadeira cessasse automaticamente e eles se virassem para a entrada do galpão, assustados.

---~~~---

Ron estava impaciente. De onde estava - em seu quarto arrumando suas coisas como sua mãe ordenara antes de sair para trabalhar na casa dos Dursley - pôde ver o exato momento em que Ginny entrara no galpão, onde ele sabia que seu amigo Harry estava SOZINHO arrumando. Isso não estava certo e sabia que tanto os gêmeos e até mesmo Percy concordavam com ele.

Na noite anterior os outros três o tinham capturado para uma conversa acerca do "envolvimento" entre sua pequena irmãzinha e o amigo de Ron (nesse momento os demais esqueceram que se davam muito bem com o rapaz). Todos haviam percebido o jeito como os dois ficavam quando estavam juntos, os abraços constantes, as pequenas brincadeiras que faziam um com o outro e principalmente o olhar meloso com que Ginny sempre brindava Harry. "A Ginevra vai acabar ficando falada desse jeito.", "Eles estão namorando?", "Nós temos que ficar de olho neles todo o tempo!" e principalmente "Você tem que dar um jeito nisso, Ron." foram as frases que ele mais escutou dos irmãos, e que ele mesmo já havia formulado para si muito antes dos outros as pronunciarem.

Ele se sentia um pouco responsável pela situação, afinal Harry era seu amigo. Não que não confiasse nele, até que em vista dos outros garotos da cidade tê-lo como cunhado não era de todo ruim, mas cabia a eles zelar pela irmã, e seus irmãos concordavam que por ser o mais próximo do rapaz envolvido, era dele que deviam cobrar uma atitude, pois do jeito que a coisa ia e morando sob o mesmo teto, daqui a pouco a cidade inteira estaria comentando.

Então quando viu a irmã entrando no galpão atrás de Harry, seu sangue ferveu e todas aquelas coisas ditas por seus irmãos ficaram ecoando em seu cérebro. Largou imediatamente no chão do quarto a roupa suja que havia recolhido e rumou como um furacão até eles.

Passou o caminho todo repetindo para si mesmo que estavam vendo coisas onde não haviam, mas ao abrir a porta do galpão e ver Harry agarrando sua pequena irmãzinha torceu o mais que pode para aquilo sim ser uma alucinação. Mas ao piscar e a cena continuar à sua frente Ron se transformou praticamente num leão e seu grito indignado pareceu muito mais um rugido feroz.

- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

- O que houve Ron? - Perguntou Harry surpreso.

- Eu é que pergunto, Harry Potter, - grunhiu empurrando agressivamente o moreno para longe da irmã e prendendo-o contra a parede. - O que vocês dois pensam que estavam fazendo se agarrando por ai? Espera! - Fez um gesto impedindo que o outro respondesse. - Eu realmente não quero saber. Mas a nossa família não esperava isso de você, - e apontando para Ginny completou. - e muito menos de você. Você devia se dar mais ao respeito!

- Ronald! - Ginny guinchou indignada, mas ele pareceu não escutar.

- Daqui a pouco toda a cidade vai estar comentando. Você não pensa na nossa mãe? No desgosto que ela vai sentir?

- Calma ai, Ron. Não é nada disso. - Harry tentou se defender, mas tudo que conseguiu foi atrair novamente o olhar homicida do ruivo para si.

- Como não é nada disso? Eu não sou bobo, Harry, eu acabei de vê-los.

- A gente estava só brincando. - Ginny argumentou. A surpresa pela atitude do irmão, estampada em sua voz.

- Eu sei bem que tipo de brincadeira vocês estavam fazendo.

O desprezo com que Ronald falou, fez com que a raiva de Harry finalmente levasse a melhor e ele esbravejou, empurrando o amigo e crescendo para cima dele, apesar de ser um palmo mais baixo.

- Nem vem, Ron!

Ginny, que olhava a cena ainda aturdida, sentiu seu coração vibrar de contentamento. É agora! Mas as palavras ditas por Harry não foram exatamente as que estava esperando. Na verdade não poderiam ser mais diferentes.

- Ron, eu e Ginny bem... Nós somos amigos. Nos demos bem desde que nos conhecemos...

- Bem até demais, pelo que eu vi. - Ironizou o ruivo interrompendo a explicação e aumentando a raiva de Harry que explodiu:

- VAI À MERDA! EU NÃO FIZ NADA ALÉM DO QUE QUALQUER IRMÃO FARIA!

Irmão?! Ela podia sentir a cor esvaindo de seu rosto junto com toda a felicidade. Um enorme bolo se formou em sua garganta e Ginny só conseguiu encarar o chão sujo do galpão. Sua burra! Sua burra, sua burra, sua burra! Ignorando o resto da discussão entre os dois rapazes disse num tom mais triste do que gostaria.

- E-eu vou entrar, com licença.

Por algum motivo, Harry não conseguiu nem mesmo olhar para a ruiva quando ela se retirou. Ronald no entanto olhava de um para o outro com uma expressão que o moreno achava que não gostaria de saber o que era. Se fosse sincero consigo mesmo não teria falado as palavras que acabara de pronunciar. Sentiu isso no mesmo instante em que terminara de dizer e suas entranhas deram um salto de susto ao mesmo tempo em que uma vozinha lhe chamava de mentiroso e falava que havia feito uma grande besteira. Passado alguns poucos instantes, Ron voltou a falar.

- É isso mesmo o que você está fazendo? - Perguntou num tom que beirava a piedade, a agressividade tinha sumido totalmente. - Agindo como um irmão?

- Não. - Murmurou Harry encostando-se na parede do galpão, agora por vontade própria, e apoiando as mãos nos joelhos.

- Depois do que aconteceu com Blaise, pensei que você fosse ser o primeiro a se preocupar com a reputação dela.

- Eu não pensei... - Harry ia justificando-se com voz cansada, mas foi interrompido por Ron.

- Você 'tá morando conosco, o que acha que a cidade inteira vai pensar se verem vocês dois juntos?

- Nós não...

- Num instante ela vai ficar marcada e quando você for embo...

- Não aconteceu nada, ok! - Exclamou Harry empertigando-se.

- Eu acredito em você, mas o problema não sou eu, Harry...

O rapaz limitou-se a encarar o amigo. Seu estômago embrulhado como se tivesse acabado de levar um soco. As recomendações de sua mãe reverberando em sua mente. Com o coração apertado, desviou sua atenção de volta à arrumação do galpão com uma raiva que ele não sabia mais a quem era dirigida. Ronald permaneceu parado onde estava, olhando-o agarrar a vassoura com uma força desnecessária e castigar o chão, por um crime desconhecido. Parece que ele não era o único que não sabia lidar com os próprios sentimentos afinal.

- Você quer ajuda?

- Não, obrigado.

- Ok, então. - Já ia saindo, mas voltou. Era melhor não deixar nada mal explicado. - Sobre o que eu falei... Você entende não é? Eu tenho que protegê-la.

- 'Tá tudo bem, Ron. Eu entendo, realmente. - Harry retorquiu sincero.

Era verdade, ele compreendia. Uma parte de sua mente entendia completamente a atitude de Ron, afinal ele mesmo já havia protegido Ginny algumas vezes. Mas a parte de sua mente que não queria se afastar da garota, gritava a plenos pulmões, enquanto batia tampas de panela, que ele havia metido os pés pelas mãos.

---~~~---

Depois de ter passado o sábado quase inteiro trancada em seu quarto se sentindo uma idiota, Ginny percebeu que não adiantava nada se isolar (e que por mais que se concentrasse ela não conseguia simplesmente, desaparecer). O fato era que tinha sido extremamente ingênua e visto sinais de interesse por parte de Harry, onde não haviam e não podia culpar ninguém além dela própria por isso. Para ele era como se fossem irmãos. Ele havia dito isso em voz alta, clara e na presença de testemunhas, e contra isso nada mais podia ser alegado.

Não queria mais pensar naquele ser de cabelos espetados. Ele provavelmente estava interessado na Parvati com seus olhos amendoados e gestos sugestivos. Agarrara o urso que ele lhe dera durante a quermesse como se ali estivessem todas as respostas para suas perguntas. Foi durante a festa de igreja que começara a se dar conta do que estava sentindo... E foi ali também que começara a se enganar achando que era correspondida... Escondeu o bicho de pelúcia dentro do armário e decidiu que era hora de descer, enfrentar aqueles olhos verdes novamente e tentar agir o mais normalmente possível, para quem sabe assim não ver nenhum traço de compaixão por ter agido de modo tão infantil e acreditado que ele poderia gostar dela desse maneira.

---~~~---

Harry mal viu Ginny naquele dia depois que a garota saiu do galpão. Ela alegou estar com dor de cabeça para não comparecer ao almoço e se recusou a ir com Ron até a casa de Hermione. Surpreendentemente ele não discutiu, nem mesmo tentou argumentar com ela, o que fez Harry se sentir pior do que já estava ao ver o olhar duro que o amigo lançou a ele em seguida.

Os dias que se seguiram foram ficando cada vez mais frios, e Harry achava que isso não tinha nada a ver com o fato de estarem chegando ao inverno, mas sim à situação estranha entre ele e Ginny.Não que eles tivessem ficado sem se falar ou se afastado como já tinham feito antes. Harry achava que não conseguiria novamente esse feito. Já estava acostumado demais à presença dela. Claro que ele, e ela também, não se sentiam mais tão à vontade na presença do outro quanto antes da discussão com Ron. Ginny continuava falando com ele, mas não olhava mais em seus olhos, e os sorrisos abertos foram substituídos pelos fracos e sem ânimo.

Os pensamentos ilógicos, que haviam dado uma trégua durante os meses nos quais ele e a ruiva agiam um com o outro como tinham vontade, voltaram como uma avalanche, e com eles, retornaram também o jeito taciturno e um leve mau humor.

Tentou se concentrar, sem muito sucesso, nas explicações de Hermione sobre o Renascentismo - matéria da prova que teriam no dia seguinte e sobre a qual foram estudar na casa da garota logo após a aula - tentando entender o porquê de ter que saber tudo aquilo. E daí que Leonardo da Vinci tinha sido um gênio? Ele não tinha inventado nada que pudesse fazê-lo reparar no olhar triste que Ginny lhe lançara esta manhã durante o café, ou a forma com que Dean Thomas pareceu ficar desapontado ao saber que desta vez a ruiva preferira voltar para casa com os gêmeos em vez de ir estudar com eles como de costume.

Um rosnado furioso se seguiu àquela lembrança e foi como se um clarão o ofuscasse. Ele estava agindo como se fosse dono de Ginny, como se ninguém mais pudesse chegar perto dela. Realmente estava parecendo um dos irmãos dela, ou pior... - Sentiu a cor fugir de seu rosto com o fluxo dos pensamentos. - Estava parecendo alguém apaixonado e morto de ciúmes.

Ele não podia estar apaixonado por Ginny, ela era sua amiga, AMIGA. E era irmã de seu melhor amigo! Contudo fazia tanto sentido... Explicava tanta coisa: a vontade de estar sempre com ela, a raiva que surgia quando outro rapaz chegava perto dela, o desejo de tocar aqueles lábios e senti-la ofegar como no sonho que tivera...

- Mas não pode ser! - Exclamou em voz alta, fazendo com que todos passassem a encará-lo. - Desculpe, eu me distrai...

O olhar mortal de Hermione em sua direção fez com que Harry tentasse novamente se concentrar na matéria da prova de história, ao menos até ele afundar mais uma vez em sua súbita compreensão do que sentia por Ginny. Infelizmente, mesmo que aceitasse o fato de estar apaixonado por ela, isso não iria melhorar sua situação. Estar morando na mesma casa dos Weasley implicava em várias regras de convivência e ele estava certo de que ficar aos beijos com a filha caçula não entrava na lista. E pelo que Ronald já tinha deixado bastante claro, ele e os outros irmãos já tinham percebido algo no ar - aí ele tinha que admitir que era um estúpido por ser o último a perceber os próprios sentimentos - e estavam de olho nele.

Foi com alívio que tomou o caminho de volta para a Toca junto com Ron. Ainda tivera que esperar o amigo "tirar umas dúvidas" em particular com Hermione antes de saírem e durante o trajeto as piadinhas sobre o interesse súbito de uma das gêmeas Patil em estudar ciências no dia seguinte fez com que seu mau humor aumentasse um pouco mais.

Apesar da sempre maravilhosa comida preparada pela senhora Weasley estar com um cheiro sublime, Harry não conseguia engolir o seu jantar. Parecia que agora que sabia o que sentia por Ginny, o sorriso e a presença dela sempre ao seu lado faziam muita falta. Sem falar que era muito mais agradável tê-la à sua frente na mesa do jantar do que Percy e sua conversa chata sobre um possível emprego que a tia-avó deles ficara de arrumar.

De vez em quando olhava rapidamente para Ginny, que ao contrário dele comia calmamente sua sopa, ou ao menos parecia comer já que o conteúdo de seu prato continuava praticamente o mesmo, mas parou de observá-la quando Ron o incluiu na conversa.

- Não é Harry?

- O que Ron? - Perguntou confuso.

- Nós não vamos amanhã até a casa das Patil estudar ciências?

- Acho que sim. - Disse dando de ombros e olhando de esguelha para Ginny sentada na outra ponta da mesa.

- Como assim "acha", se a gente só vai até lá por sua causa? - Ron perguntou com a sobrancelha levantada, perscrutando a reação do amigo. - ou se esqueceu que a Parvati pediu para VOCÊ explicar a matéria da prova pra ela?

-Aí Harry! Se deu bem. - Brincou Fred ao seu lado arrancando risinhos de George e Percy.

- Vocês precisam ver o jeito como ela fala com ele. - Continuou Ron com um sorriso malicioso ao mesmo tempo em que Ginny descansava a colher no prato e olhava desalentada para a mesa.

- Cala a boca Ron. - Rosnou Harry.

- Eu já terminei, posso subir? - A voz de Ginny não era mais que um sussurro ao se dirigir aos pais. - Estou cansada.

A intenção de Harry foi seguir Ginny e dizer que não queria nada com a Parvati ou qualquer outra garota que não fosse ela. Depois beijá-la até perder totalmente o fôlego, mas não podia. Não depois da "conversa" com Ron.
Ajeitou-se novamente em seu lugar, evitando a todo custo olhar na direção por onde ela tinha sumido, e procurou comer toda a sua sopa o mais rápido possível para poder então ter uma desculpa plausível para sair dali.

Ela não podia dizer que não sabia, ou que ao menos não suspeitava. Quem iria olhar para ela quando tinha aquela indiana ao seu dispor? Que Harry fizesse bom proveito. Ginny mudou de roupa e arrumou o quarto para dormir. Talvez devesse dar atenção novamente às conversas de Dean, ou finalmente aceitar algum convite de Colin... Ou talvez virar um urso, hibernar e quando finalmente acordasse, Harry e Parvati já estariam casados e com filhos de cabelos desgrenhados e olhos amendoados...

Mas no dia seguinte Harry não foi estudar na casa das gêmeas Patil. Disse estar com uma insuportável dor de cabeça e imaginou que como Ron decidira ficar estudando para a prova com Hermione, no trajeto de volta ele e Ginny pudessem conversar e quem sabe, as coisas poderiam ir voltando ao normal.
Então foi com desespero que viu Colin Creevey acompanhá-los com a desculpa de que ia ajudar Ginny com a matéria da prova que teriam. O que aquele "tampinha' estava pensando? E daí que o tio dele também era da RAF? Por que motivos ele achava que podia carregar o material de Ginny com tanto gosto? E por que diabos ELA estava sorrindo pra ele?

- O que você veio fazer aqui? - Ginny perguntou rispidamente meia hora mais tarde quando Harry desceu as escadas e sentou na poltrona da sala, onde ela e Colin começavam a estudar, com o livro de ciências nas mãos.

- O mesmo que vocês. Ou não vão mais estudar?

- Você não disse que estava com tanta dor de cabeça e por isso não ia estudar na casa da sua namoradinha? - Perguntou com desdém.

- Eu não tenho namorada, você sabe disso.

- A única coisa que eu sei é que se você quiser a Parvati... - Harry interrompeu-a levantando-se e falando com rispidez.

- Mas eu não quero nada com ela, deu para entender?

- Por que você não vai estudar no quarto de Ron? - Guinchou ela de frente a ele.

- Por quê? Você quer ficar sozinha com seu amiguinho?

- Não fale assim do Colin.

- Ginny... Não tem problema... - A voz do rapaz chegou até os ouvidos de Harry que só então se lembrou da presença dele. - Vem, vamos estudar.

- Pode deixar Ginny que não vou atrapalhar os estudos de vocês. - Disse com ironia, voltando a se sentar e se dando conta de como ela ficava bonita com o rosto corado de raiva. - Vou apenas ficar aqui sentado, quietinho, com meu livro.

Foram longas duas horas até que Ginny desistisse de tentar prestar atenção às explicações de Colin, que na verdade, apesar de toda boa vontade, sabia menos que ela sobre a matéria da prova. Despediu-se do amigo e rumou apressada para o quarto esforçando-se para ignorar os olhares de Harry. Por que ele tinha que ficar agindo igual aos seus irmãos? Fechou a porta atrás de si com força e abriu novamente o livro e o caderno em sua cama, lendo tudo mais uma vez, até que minutos depois ouviu alguém bater na porta e em seguida abri-la.

- Quer ajuda? - Harry perguntou num tom ansioso.

- Não. - Respondeu exasperada se levantando e segurando a porta indicando para que ele saisse.

- Se eu fosse você não dava atenção para as explicações do seu amiguinho.
- Harry, me deixe em paz!

- Eu só quero ajudar você a estudar. - Ele mentiu, certo que se dissesse quais eram as suas reais intenções em segundos todos os Weasley estariam prontos para cortá-lo em pedaços.

- Por quê? Porque é uma coisa que "irmãos" fazem?

Ginny perguntou furiosa, empurrando Harry com a porta, mas ele a prendeu com o pé o que fez com que ela o encarasse enquanto respondia.

- Eu não sou seu irmão.

- Ainda bem que você percebeu, porque eu já tenho seis.

- Ginny... - Ela o interrompeu, com a voz cansada. Não tinha mais ânimo para tentar manter as aparências na frente dele.

- Me dá licença, por favor...

Harry saiu do quarto de Ginny e rumou para o de Ron, onde dormia, agora sentindo-se realmente mal. Um desanimo intenso fazendo com que sua única vontade fosse se afogar no lago gelado para impedir a si mesmo de falar qualquer asneira novamente.

---~~~---

Mas a força de seus sentimentos por Ginny não ofuscaram a felicidade que sentiu ao receber num final de tarde de uma quarta feira cinzenta um grande pacote acompanhado de uma carta de sua mãe, que a senhora Weasley trouxera do posto dos correios quando fora enviar seus cartões de Natal. Não que a carta contivesse notícias maravilhosas. Em outra época ele teria ficado sem chão ao saber que sua casa havia sido destruída numa das últimas blitz realizadas pelos alemães. O sobrado onde ele morava desde que nascera, a casa onde seus pais viviam desde que se casaram e que havia sido de seus avós, pais de seu pai, agora estava em ruínas.

Seu pai havia voltado à Londres depois de sua longa viagem retornando de Gibraltar, mas já devia ter retomado suas missões na RAF (na carta datada de uma semana antes, ele informava que voltaria aos vôos em seu Spitfire em três dias) e avisava que em breve tentaria ir pessoalmente à Bourghill para vê-lo e também dar uma lição em seu tio.

Harry sorriu imaginando que tipo de lição seu pai estaria preparando. Às vezes achava - e sua mãe mais ainda - que seu pai e ele tinham a mesma idade, à contar pelas "travessuras" que este fazia.

Mas a melhor notícia sua mãe guardara para o final. Ela avisava que iria entrar em contato com os Granger para verificar a possibilidade de realmente ir trabalhar na cidade, ou mesmo em alguma cidade vizinha, pois continuar na capital estava se tornando inviável tanto pelos riscos cada vez maiores quanto pela falta que sentia de estar junto de Harry.

Imagens dele e seus pais, passeando por Bourghill se formaram em sua mente, e também outras deles pescando no rio junto com seu padrinho, ou tomando sorvete na praça. Dobrou a carta com cuidado e guardou-a junto com as outras que recebera dentro da mala sobre o armário e só então abriu a caixa que ela lhe enviara. Nela estavam algumas roupas de inverno que ele se lembrava de ter guardado ao empacotar seus pertences antes de sair de Londres e guardá-los no porão, uma bola de futebol e vários pacotes embrulhados delicadamente em papel vermelho e etiquetados com os nomes dele e dos Weasley. Sua mãe era demais mesmo. Parecia saber que ele queria poder comprar presente para todos ali. Pegou com cuidado o pacote com o nome de Ginny, mais curioso em saber o que sua mãe comprara para ela do que com que ele próprio ganharia. Venceu a vontade de abri-lo e verificar o que havia lá dentro e procurou escondê-lo por baixo dos demais só para o caso da curiosidade voltar a atacar com toda a força. Afinal dentro de apenas uma semana comemorariam o Natal e ele ficaria sabendo...

----~~~---

O frio cortante chegou junto com o recesso para as festas de fim de ano. O céu branco e pesado deixava evidente que a neve não tardaria a chegar, mas ficar encolhido sob as cobertas saboreando uma grande caneca de chocolate quente não era uma opção. Com o Natal cada vez mais próximo e a pilha de deveres com que os professores os presentearam, não sobrava muito tempo para qualquer outra coisa.

A senhora Weasley estava cada dia mais cansada devido às muitas tarefas impingidas por Petúnia Dursley e cabia aos seus filhos e Harry arrumar a Toca para os feriados.

Incapaz de se conter, o rapaz se ofereceu para ajudar Ginny a procurar os enfeites guardados no porão e que deviam ser limpos antes do uso. Mas não conseguiu nada além de esbarrar seus dedos nos dela quando segurou uma das caixas repletas de bolas, anjos e laços coloridos.

Harry não tinha muita certeza de que Ginny sentisse por ele o que ele descobrira que sentia por ela, mas tinha esperanças de que não estivesse se enganando. Tinha refletido muito sobre o assunto durante as noites, enquanto estava deitado, antes de pegar no sono. Os olhares e sorrisos que ela lançara a ele, o jeito como se irritara ao pensar que Parvati era sua namorada e a mágoa que percebeu quando ele e Ronald discutiram no galpão...

Mas sabia que as coisas entre eles não se resolveriam num passe de mágica. Depois das tolices que dissera, parecia que havia sempre um grande abismo entre os dois e apesar de não terem se afastado um do outro, não agiam da mesma forma que antes. Harry ansiava por abraçá-la como fizera tantas e tantas vezes, ou apenas segurar sua mão. E acima de tudo havia o fato de Ron ter razão. Mesmo que se acertassem, o que a cidade inteira falaria se soubesse? Ginny ficaria marcada? Os Weasley se oporiam ou ficariam satisfeitos?

A tarde congelante da antevéspera do natal era marcada por uma chuva fina que parecia mais centenas de agulhas quando Harry, Ron e Ginny correram através dela carregando cestas com frutas e castanhas, conforme a senhora Weasley tinha pedido antes de sair logo cedo. E foi com surpresa que se depararam com ela bufando e andando impaciente de um lado para o outro ao entrarem na cozinha.

- O que houve mãe? – perguntou Ginny depositando a cesta que trouxera sobre a mesa.

- Aquela... aquela mulher! Esnobe, mesquinha... – Olhou de relance para Harry do outro lado da cozinha. – Desculpe Harry, mas sua tia...

- Não precisa se desculpar, senhora Weasley.

- O que ela fez mãe?

- O mesmo de sempre, achando que é superior a todos... – Ela parou, apoiou as mãos na pia, fechou os olhos e respirou fundo, murmurando entre os dentes. – Quero ver aquela superioridade toda preparando a ceia de Natal sozinha. Ah, quero só ver! – Sentou-se e sorriu jovialmente para os jovens que se encararam confusos. – Bom, isso não importa mais. Vocês trouxeram o que eu pedi?

Naquela noite, Arthur Weasley trouxe consigo ao voltar do trabalho junto com Percy, um pequeno pinheiro que apesar de singelo era bastante bonito e depois do jantar - que Molly preparara com ainda mais capricho que o habitual dizendo que era em comemoração à sua demissão - todos se esmeraram para adorná-la com os enfeites que Harry e Gina tinham retirado do porão.

Na manhã do dia 24 de dezembro mais do que em qualquer outro momento nos últimos dias, a neve dava indícios de que finalmente cairia. Apesar de poderem ficar um pouco mais em suas camas, ninguém conseguiu isso de fato. O almoço servido no começo da tarde foi tão alegre e descontraído que fez com que Harry inevitavelmente se lembrasse dos pais e de seu padrinho Sirius. O delicioso aroma que vinha da cozinha era divino e fez com que o moreno pensasse em como sua tia se virara sem a comida da senhora Weasley. Com certeza seu primo Dudley ia ficar roxo de inveja se pudesse vislumbrar o que estava sendo preparado na Toca para o Natal. Apesar de não terem dinheiro sobrando, os Weasley tinha algo muito melhor e que deixava a casa muito mais feliz: amor.

Harry ajudou Ron a enfeitar a lareira e as escadas com grandes serpentinas de folhas de azevinho salpicadas de frutos e grandes laços vermelhos, enquanto os gêmeos prendiam, sob protestos, as meias na lareira e outros enfeites.

- A mamãe ainda pensa que somos crianças. - Ron murmurou enquanto prendia mais um grande laço no corrimão da escada.

- Ah isso até que é legal! - Respondeu Harry olhando o bonito efeito que os enfeites faziam na casa.

- Você fala isso porque ainda não viu a sua meia pregada lá... Se bem que você ficou com a que era do Charlie, se fosse a do Bill ia ser pior...

A tarde passou sorrateira e entre todos os preparativos de última hora até o momento que os Weasley e Harry se amontoaram no velho Ford para irem até a cidade assistir a Missa da Meia Noite, nenhum floco de neve ainda descera do céu. Entoando velhas cantigas natalinas e cobertos por grossas mantas, sentados na carroceria, os jovens esqueceram o vento frio que enregelava seus ossos.

A igreja já estava cheia quando chegaram e logo eles se reuniram aos amigos para ouvirem o coral de crianças cantarem em vozes pueris suas músicas enquanto encenavam o nascimento de Jesus. Em seguida, após as luzes da igreja terem sido substituídas em sua grande parte por velas, o coral adulto se apresentou antecedendo a entrada do pastor Dumbledore.

Todos saíram da igreja alegres (menos Ronald que não queria se despedir de Hermione tão rapidamente) e após todos os cumprimentos e desejos sinceros de um feliz natal, rumaram novamente para o velho automóvel estacionado quase em frente à escola. Os gêmeos correram para a carroceria para se acomodarem melhor e Harry teve que se contentar a subir por último na pequena parte de trás da caminhonete.

A madrugada estava cada vez mais fria, apesar da neve insistir em não cair, e os solavancos que o carro fazia ao andar parecia embalá-los carinhosamente após um dia tão agitado. Ginny que estava entre ele e Ron logo descansou sua cabeça no ombro do irmão, ressonando serenamente enquanto o moreno sentia a inveja remoer-lhe as entranhas. Procurou distrair seu olhar do rosto alvo salpicado de sardas ao seu lado e focalizou as estrelas, tentando adivinhar, já que nunca fora muito bom naquilo, qual daquelas estrelas que brilhavam no céu era a Ursa Maior.

Uma sacudidela um pouco mais forte que a caminhonete deu ao terminar de atravessar a ponte fez mais do que tirá-lo de sua distração. Sentiu Ginny remexer-se em busca de uma posição mais confortável e com isso encostar seu corpo no dele, apoiando a cabeça em seu ombro e fazendo-o aspirar o perfume que tanto o inebriava. Seus dedos estavam tão próximos que foi impossível não entrelaçá-los. Temeu por um segundo ou mais que ela se afastasse, mas quando Ginny simplesmente se ajeitou melhor sob a manta que os cobria, percebeu que a noite estava mais quente e estrelada do que podia se lembrar de ter reparado em toda sua vida.

Mas o percurso até a Toca nunca foi feito tão rápido e tendo adiado o mais que podia, Harry somente soltou a mão delicada quando foi inevitável. Ginny o olhava hesitante e ele imaginava que dentro de sua mente ela devia estar pensando sobre o que tinha, ou melhor, o que estava acontecendo. Entrou junto com os outros na sala aconchegante, tentando encontrar uma brecha para poder ficar mais uma vez ao lado da caçula dos Weasley. Onde estava o visgo quando se precisava dele? Aceitou mais uma rabanada que a matriarca oferecia e ao levantar os olhos encontrou os de Fred cravados nele com uma expressão séria. Será que sua ansiedade estava gravada em sua testa como uma cicatriz? Engoliu o doce e uma caneca de eggnog e tão logo conseguiu foi se deitar.

O sono veio cortado. Ora acordava por causa dos altos roncos de Ronald, ora por uma aflição em forma de ruiva que surgia implacável, adentrava seus sonhos e atrapalhava seu descanso. Quando foi finalmente vencido, pareceu se passar apenas um par de horas até ser acordado por seu amigo desejando-lhe um feliz natal.

- Eu ia ser mais feliz se você me deixasse dormir. - Resmungou puxando a coberta pra cima do rosto.

- E deixar você sem participar da tradição Weasley da abertura de presentes? Nem pensar!

- Caramba, os presentes!

Harry deu um pulo de sua cama de armar fazendo Ron voltar a se sentar na sua própria e puxou a caixa na qual sua mãe enviara os presentes para ele e os Weasley e que ele havia esquecido de colocar junto à árvore. Depois se trocou rapidamente antes de descer, levando com a ajuda do amigo os diversos pacotes.

- Pensei que tivessem desistido. - Falou George ao vê-los descer as escadas.

- Foi esse aí que ficou demorando pra levantar. - Respondeu Ron indicando Harry com a cabeça antes de colocar os presentes que tinha nas mãos junto dos outros.

- Desculpe senhora Weasley. - Disse o moreno sem graça.

- Não tem nada querido. Feliz natal.

- Feliz natal... pra todos.

- Feliz natal, Harry. - Ginny falou com um sorriso, sentada aos pés do pai, acomodado na velha poltrona.

Feliz natal, Harry. Ah com certeza ia ser. Agora ia. Era só ele se lembrar daquele sorriso que com certeza ia. Ainda mais se ele conseguisse descobrir onde os gêmeos tinham pendurado a porcaria do visgo!

Terminou de colocar os presentes que trazia sob a árvore e foi sentar-se no chão ao lado de Ron, encostado na parede abaixo da janela. Tentou se distrair com as lamúrias do amigo de que podia muito bem comer e abrir os seus presentes ao mesmo tempo, mas seus olhos - e seus sentidos - estavam todos dirigidos à jovem de cabelos vermelhos à sua frente. Foi acordado de seu transe ruivo quando a senhora Weasley exclamou dirigindo-se a ele.

- Oh deus! Sua mãe não precisava... Olhe Arthur, sapatos!

De fato todos pareciam felizes com os presentes que sua mãe mandara. Até mesmo Percy parara de cobiçar a gravata nova de seu pai, quando viu o seu. Mas Harry mal percebia isso. Sua atenção estava toda em Ginny e a forma como seus dedos abriam delicadamente o papel. Infelizmente de onde estava ele não conseguia ter uma visão nem mesmo razoável daquilo que fez com que ela arregalasse os olhos e sorrisse.

- Olhe mãe!

- Jesus amado, um corte de tecido! Deus abençoe a sua mãe, Harry. Ela deve ter gasto todos os cupons de roupa¹ que possuia conosco...

- Agora a senhora vai poder fazer aquele vestido que estava na revista. - Ela levantou um pouco a fazenda de um verde suave admirando-a e depois olhou diretamente para o moreno e completou. - Obrigada Harry.

O rapaz foi surpreendido ao vê-la se dirigir a ele, tão imerso que estava nos movimentos que ela fazia e em como seu rosto corara de alegria. Parecendo um tolo só conseguiu balbuciar um singelo 'de nada'.

Depois que abriram seus presentes (Harry ganhara um suéter de lã da senhora Weasley, um boné novo de seu padrinho e uma pequena máquina fotográfica de seus pais), todos foram até a cozinha tomar o café da manhã, para depois poderem se arrumar e ir até a igreja para a missa de Natal. Harry estava terminando de descer as escadas, já com seu novo suéter, quando ouviu de Ginny a pergunta que tanto o perseguia desde a noite anterior.

- Por falar nisso onde vocês colocaram o visgo?

Harry virou o rosto na direção dela tão rápido ao ouvir as palavras saindo da boca da ruiva que quase teve certeza de que Ron, que vinha logo atrás, ouvira seu pescoço estalar. Mas ao perceber George observando-o desviou rapidamente o olhar.

- Por que, Ginny? Você pretendia beijar alguém por acaso? - A pergunta de Fred, conseguiu o feito de deixar Harry ainda mais ansioso.

- Não... Eu só lembrei de ter visto junto com os outros enfeites.

- To sabendo... - Fred lançou um olhar sério para seu gêmeo que assentiu com a cabeça, antes de continuar. - Digamos que nós preferimos não correr nenhum risco esse ano.

A senhora Weasley, calçando seus sapatos novos e também a estola que ganhara de sua tia Muriel, era toda sorrisos ao embarcar no Ford com Arthur, os gêmeos e Percy. Já Ronald, Harry e Ginny preferiram ir de bicicleta. Ao menos assim não teriam que escutar a ladainha de Percy sobre o emprego de auxiliar de mordomo que sua tia-avó arrumara e que iria lhe abrir muitas portas.

Harry sentiu seu monstro particular se remexer mais uma vez quando a ruiva nem cogitou outra hipótese e acomodou-se na bicicleta do irmão. Mas foi somente até ele se lembrar que os Granger também iriam almoçar na Toca e sendo assim, quando voltassem, Hermione iria com Ron e Ginny... Quase arfou de antecipação ao pensar em Ginny mais uma vez entre seus braços, o cabelo flamejante batendo em seu corpo, o perfume floral solto no ar enquanto ele pedalava de volta.

Mas apesar da missa de Natal ter sido bastante alegre e divertida e dele ter encontrado todos os seus amigos mais uma vez lá, Harry não continuou contente quando Ginny resolveu aceitar o convite dos Granger para retornar para a Toca de carro. E para acabar com a alegria de Ron, Hermione também foi com os pais.

Como o senhor Weasley e Percy - em seus últimos dias como funcionário da rede ferroviária - tinham que ficar na estação para receber o único trem que chegaria naquele dia, logo após às doze horas, Harry e Ron resolveram voltar de carro, que para total desespero da senhora Weasley, era dirigido por George.

Assim que desembarcou e ajudou Ronald a guardar as bicicletas, ouviram o barulho do automóvel dos Granger estacionando. A professora Elizabeth podia não ser uma cozinheira tão boa quanto a senhora Weasley, mas o peru assado que trouxera parecia estar delicioso, assim como os dois enormes pudins de Natal. Como iriam esperar o retorno do senhor Weasley e Percy para começarem a refeição, os jovens puderam conversar um pouco enquanto arrumavam uma grande mesa no quintal, já que ainda não nevara. Para aplacar um pouco o frio os gêmeos fizeram uma grande fogueira ali perto de modo a mantê-los aquecidos, o que tornou tudo mais agradável.

Quando estavam terminando de arrumar os enfeites e Ronald já reclamara de estar faminto umas cem vezes, o senhor Weasley apareceu acompanhado não só de Percy. Junto com eles vinham mais três pessoas. Quando Molly finalmente percebeu a chegada do marido e de seus acompanhantes não se segurou e correu para encontrá-los.

- Vocês voltaram! Graças a deus! Meus meninos.

Bill e Charlie largaram suas bagagens no chão quase ao mesmo tempo e se aproximaram da mãe onde a envolveram num abraço triplo cheio de saudades.

- Feliz natal mãe! - Charlie falou antes de beijar as bochechas da matrona que parecia prestes a explodir de felicidades.

- Oi mãe. - Bill exclamou e depois soltou-a dando um passo para trás e pegando pela mão a moça que o aguardava olhando a cena com atenção e puxando-a para o seu lado. - A senhora se lembra da Fleur?

- Oh sim, claro. Ela é professora dos meninos, não é?

- Sou sim, madame.

- Como está?

- Estou bien, merci.

- Bom, mãe... Fleur estava na estação quando chegamos e então eu a convidei para almoçar conosco, já que a família dela está longe...

- Claro, claro... - Molly falou apressadamente. - Bill peça aos seus irmãos para colocarem mais três lugares na mesa, pois eu já vou servir o almoço.

- Ok mãe. Obrigado.

Molly olhou seus filhos se afastarem juntos com a moça e não conseguiu esconder uma careta de desagrado que surgiu em seu rosto. Mal notou Arthur se aproximar e somente reparou no fato ao sentir que era abraçada por ele.

- O que você está pensando, querida?

- Como essa francesinha sabia que o meu Bill estava chegando e eu não?

- Pelo que ele me contou, eles estão se correspondendo há meses. - Arthur beijou a mão da esposa e completou apontando para o casal que acabara de entrar na casa. - E eu acho que ele não é mas o seu Bill, Molly. Agora ele é o Bill dela.

Apesar da convidada inesperada, a presença de todos os filhos logo fez Molly se animar novamente e em pouco tempo ela já estava sorridente, servindo a deliciosa comida a todos, com a ajuda da senhora Granger. Harry comeu com vontade toda sua porção de peru, batatas assadas e couve de bruxelas e já ia se servir de castanhas quando ouviu Charlie apontando para seu prato e dizendo:

- Ei, você tem um osso da sorte.

-Ahm?

- Ah qual é! - Ron zombou do outro lado da mesa, olhando-o como se ele fosse uma aberração. - Osso da sorte.

- Eu sei o que é um osso da sorte, tá legal! Eu só estava distraído. - Grunhiu emburrado para o amigo.

- Claro que sim. - Riu Charlie, sentado ao seu lado. - Agora pare de embromar, pegue o seu lado do osso e faça seu pedido.

Não restou a Harry opção senão a de concentrar sua mente para fazer um pedido enquanto Charlie contava até três e puxava seu lado do ossinho até quebrar.

- Droga. - murmurou o ruivo. - Você ganhou, cara. Tomara que tenha feito um bom pedido.

Harry não pode evitar corar e olhar em direção à Ginny quando ouviu isso, mas desviou rapidamente sua atenção antes que algum dos irmãos dela percebesse.

Ronald acabou de repetir o almoço pela segunda vez quando sentiu o peso do olhar de Hermione sobre si. Sorriu sem jeito para ela, pensando em como nunca imaginara que um dia preferiria fazer outra coisa a não ser degustar as iguarias preparadas por sua mãe.

Assim que todos terminaram de comer e de ouvir as novidades que Bill e Charlie trouxeram, Ron sugeriu a Hermione que fossem dar um passeio. Foram então até onde os pais dela estavam sentados, conversando com os Weasley e o rapaz, com as orelhas cada vez mais vermelhas, pediu.

- Eu e Hermione podemos dar uma volta?

- É claro que sim, Ronald. - Assentiu o senhor Granger antes de olhar em direção aos pais do ruivo.

- Levem a sua irmã com vocês. - Completou Arthur Weasley em concordância.

É claro que Ronald já esperava por isso, afinal essa fora uma das condições impostas por Phillip Granger quando conversaram, então ele simplesmente meneou a cabeça e respondeu.

- Farei isso, com licença. - Pegou Hermione pela mão e foram até Ginny, sentada perto dos irmãos recém-chegados conversando e dirigiu-se a ela. - Ginny vem, vamos dar uma volta.

- Vamos é?

- Ginny, por favor. - O tom suplicante e envergonhado de Hermione chegava a ser cômico e a ruiva não pôde deixar passar em branco.

- Ah agora sim! Viu irmãozinho? Você tem que aprender com sua namorada a ter mais educação.

- Vocês estão namorando? - Perguntou Bill com uma sobrancelha levantada.

- Eu também vou com vocês. - Disse Harry entrando na conversa ao mesmo tempo que Ron resmungava pro seu irmão mais velho.

- Não enche Bill.

Os quatro jovens foram caminhando pela trilha que ia em direção ao lago, conversando animadamente sobre os presentes que tinham ganhado. Harry queria mais que tudo pegar na mão de Ginny da mesma forma despreocupada que fazia antes, mas sabia que agora ela não se sentiria à vontade. Quando chegaram perto da casa da árvore Ronald simplesmente abraçou Hermione ainda mais forte e perguntou:

- Vocês não se importam em ficar um pouco sozinhos enquanto Hermione me ajuda a procurar uma coisa que eu perdi lá em cima na semana passada, não é?

- Se você quiser eu te ajudo. - Sugeriu Harry distraído.

- Não! - Respondeu o ruivo imediatamente.

- Ah Harry, por favor se manca, não é! Você acha que ele ia preferir ficar sozinho com você do que com a namorada dele? - Exclamou Ginny revirando os olhos, e depois disse ao irmão. - Pode ir Ron que nós vamos ficar esperando lá perto do lago.

Se dando conta do que ela falava, Harry desviou o rosto da direção do amigo para evitar ver o olhar cobiçoso com que Ron admirava as pernas de Hermione enquanto ela subia os pequenos degraus de madeira. Ginny o empurrava em direção à faia onde tantas vezes se sentaram e em segundos tudo que ele sentia era o toque daquelas mãos em suas costas, mesmo sobre o grosso casaco que vestia.

- Senhor! Você às vezes é muito lento. - Resmungava a ruiva entre os dentes.

- É, eu sei... - Ela não se conteve ao ouvir aquela confissão num tom tão deplorável e riu.

- Por que você está rindo?

- Desculpe é que eu nunca imaginei que você fosse admitir isso assim tão fácil...

- Er... é que eu... bem... eu já tinha me dado conta... - Encarou os brilhantes olhos cor de âmbar e decidiu que não ia deixar aquele momento passar. - Ginny.

- O que foi?

Harry se aproximou um pouco mais, seus olhos percorrendo todo rosto alvo, contando as pequenas sardas, até parar na boca rosada que andava tirando seu sono. Procurou as palavras certas que deviam estar guardadas no fundo de sua mente e tentou não gaguejar enquanto falava tocando gentilmente o rosto dela.

- Me perdoe por ser tão lerdo.

- Do-do que você está falando? - Algo no tom de voz de Harry fez com que percebesse que ele não estava falando da pequena gafe que acabara de cometer.

- Disso...

Com uma determinação que ele não sabia de onde surgia, deu mais um passo à frente, praticamente acabando com o espaço entre eles, levou a outra mão também até o rosto da garota e beijou-lhe delicadamente. Ele a viu tremer em surpresa e em seguida fechar os olhos, entregue. Depois ele mesmo fechou os dele e à partir de então tudo virou somente sensações. Sentiu quando ela enlaçou-o pelo pescoço e suas próprias mãos desceram pelo corpo dela até alcançarem a cintura onde fez a distância entre eles desaparecer. Sentiu-a abrir seus lábios dando passagem para sua língua explorá-la como nos sonhos. Sentiu os dois corações baterem loucamente e mais que tudo, sentiu uma incrível felicidade envolvê-lo.

Depois de um tempo incalculável os rostos se separaram, mas eles continuaram abraçados, incertos se conseguiriam se sustentar de pé ao se afastarem. Ginny levantou o rosto até encontrar os olhos esmeralda e Harry se perdeu por um momento naquele olhar, acabando por dizer num sussurro a primeira coisa que surgiu em sua mente, apontando uma árvore ao fundo.

- Achei um visgo.

- Espero que você não tenha me beijado só por causa dele.

- Não... É só que... Esquece, não tem mais nenhuma importância... - Ginny apenas riu e ainda com um sorriso informou.

- Está nevando.

Era verdade. Eles nem haviam reparado que começara a nevar. A primeira neve do inverno. Os lábios se encontraram mais uma vez. Talvez celebrando a neve que finalmente caia, talvez o sentimento que havia entre os dois, talvez a certeza de que aquele devia ser o melhor Natal dos últimos tempos.

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1 – Durante a Segunda Guerra Mundial a população recebia do governo um livreto com cupons para compra de alimentos e roupas que estavam racionados.

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N/B Paty: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH... (pulando feito louca) Eles se beijaram! Eles se beijaram! Eles se beijaram! Até que enfim rsssssssss... ah eu amei tanto esse capítulo *-*, vcs não podem imaginar como foi, eu fiquei praticamente tendo um filho para querer ler mais e a Pri digitava pouca coisa humf... tá, até que ela não demorou tanto e ficou tão maravilhoso!!! Irmãos? Só o Harry mesmo pra pensar isso. Mana amei tudo e tô louca pra ver no que isso vai dar, beijos enormes pra vc e te amo.

N/B Pam: Que lindoooooo! (perdi as contas de quantas vezes escrevi isso pelo capítulo!) Ah foi mto fofo o Harry pedindo para a Gin desculpá-lo por ele ser tão lerdo! Até que dessa vez ele foi rápido! Ron e Mione bem espertinhos não?? Sempre com uma desculpa na ponta da língua para ficarem sozinhos! Ahhhh to suspirando até agora com o beijo HG! Amei o capítulo Pri! Beijos...amo vc!

N/A: Até que enfim!!!!!!!!!!! Aff vamos ver se agora o povo para de pedir o beijo entre Harry e Ginny (até porque agora não vai parar mais... Ou será que vai?) Obrigada a todos que estão acompanhando a fic. Bjks enormes a todos. Não esqueçam de comentar!!!!

Livinha: Aff essa história de esquecer review tá virando novela... Quando não sou eu, é você... Quando não sou nem eu nem você é a Geo!!! KKKKK Obrigada pelos elogios, querida. Delícia é poder contar com você, sempre! Beijos.

Ninha: Acalme seu coração querida pois a Lilly vai voltar!!! Ao menos eu acho, né? Vai que Hitler não deixa... Bjks

Ari Duarte: *pensando* Todo mundo gostou da cena da bicicleta. Tomara que tenha gostado desse capítulo. Bjks

Mirella Silveira: Infelizmente não deu pra eu postar semana passada, mas foi porque as coisas foram acontecendo no capítulo e dai... Bom espero que tenha gostado. Bjks

Georgea: Se só faltava o Harry desempacar, agora não falta mais nada!!! Remus e Tonks foi bem legal né? Eu não vejo a hora dele voltar e... ops! Sem mais spoilers. Bjks mana.

Mel.Bel.louca: Obrigada pelo comentário. Realmente tem horas que o Vernon dá nos nervos! Tomara que você tenha gostado desse capítulo também. Bjks

Sally Owens: Primeiro muito obrigada pela ajuda com a escolha dos presentes, espero que tenha ficado tudo nos conformes. Segundo, e não é que o Harry descobriu quem é a garota dos seus sonhos!!! Beijos enormes.

Sônia Sag: PRONTO! O BEIJO SAIU!!!!!! E realmente o Rony "animado" é... *capota*. E aí, a Paty fez muito estrago? Espero que não, hihihi. Quero só ver quando o cachorrão der as caras, nem sei quem vai ter mais trabalho, se é ele pra dar conta de tanta fã ou se é a Paty pra espantar elas... Beijos enormes querida.

Gina W. Potter: Pronto querida, taí p beijo mais esperado da fic. Espero que tenha ficado a contento. Bjks

Naty L. Potter: Pronto não precisa esperar mais!!! Taí o relacionamento!!! Agora quanto à sua fic eu já favoritei e estou lendo aos poucos. Me desculpe, mas minha vida está muito corrida com o término do ano letivo, provas, festas de encerramento (ser professora é fogo!!!), e ainda cuidar da casa (eu não tenho empregada) e das crianças (tenho 2) e tudo mais eu vivo em pé de guerra com o meu marido pra sair de frente do pc... Já viu né. Mas assim que der eu vou lá e deixo um comentário pra você. Bjks

Aluada: Não, minhas irmãs são maravilhosas. Todas elas. Quanto à sua dúvida o Harry tem 15 anos. E vai me dizer que com 15 anos a gente não pensa nessas coisas? As vezes até já faz!!!! Amore quanto ás suas fics eu já favoritei e digo pra você o mesmo que eu falei pra Naty L Potter (dê uma olhada no comentário que eu fiz pra ela) Bjks.

BERNARDO: Você é que é supimpa e quase fofo! Veja bem eu disse quase! KKKK E você se enganou o Rony percebeu o "clima", quem ainda não tinha se dado conta era o próprio Harry! Bjks

Gaby W.: Filhaaaaa, que bom que você tá amando a fic. Mas perah. Você tá achando que eu sou má ao ponto de estragar o clima da fic??? Tá você sabe que eu sou bem capaz não é??? hihihihi. Bjks

Suzana Barrocas: Obrigada por ter passado por aqui, mesmo que correndo. Bjks

Clara: Pois é o Harry foi o último a perceber o clima... Fazer o que né, mas ele se recuperou em tempo. E acabei que demorei mais tempo pra postar do que eu mesma pretendia, mas espero que você me perdoe por isso. Bjks

Tati Skywalker: Obrigada pelo comentário, espero que tenha gostado desse capítulo também. Bjks

Bunny: Obrigada querida, são seu olhos, hihi. Calma que em breve os marotos entrarão em ação. Bjks

Kasuke Gê;): Obrigada pelo comentário embriagantemente maravilhoso, hehe. Bjks

Marcia M: Calma moça, que esse casal ainda vai queimar muita lenha!!! Se o Ron vai ser uma pedra no sapato do casal eu não posso dizer, mas eu vejo alguns percalços no caminho... Obrigada pelo comentário. Bjks

Pamela Black e Paty Black: Manas amadas, obrigada por tudo, principalmente por me aturarem nas minhas loucuras, lerem minhas mensagens no celular as 9 da manhã (ou às 7 no seu caso Paty), ou em qualquer momento que me surge uma dúvida. Amo vocês. Beijos imensos.



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