Assim que as férias começaram; Harry, Hermione e Rony foram ao sítio organizar tudo para a chegada dos hóspedes, que só seria dali a três dias. Eles viajariam através de uma chave de portal feita por Dumbledore e portada por Hagrid no beco diagonal.
O sítio em que passariam as férias era enorme, sua área englobava uma pequena floresta, um lago de onde surgia um rio que sumia por detrás de alguns morros que marcavam o fim da propriedade, que se abrigasse alguma criação de animais ou plantação definiria uma fazenda de grande porte.
Eles ficariam em uma imponente mansão com dois andares, no andar de baixo, havia a cozinha, uma excelente biblioteca, um suntuoso salão de festas, uma sala de jantar e a sala, enquanto no andar de cima ficavam as numerosas suítes. A alguns metros da casa ficava um aparente galpão, que na verdade era uma academia com diversos aparelhos trouxas de musculação e um vestiário.
No dia marcado, Harry terminava de preparar um lanche, que ofereceria aos convidados, enquanto Hermione e Rony os esperavam na varanda.
Logo, Hermione e Rony viram os seis convidados caírem no chão com suas malas e vassouras, indo a seguir ajudá-los com as bagagens.
- Bem-vindos! –Hermione fala aos convidados que se levantavam.
- Olá, Mione! –Anne fala animada, indo abraçar a amiga.
- Uau! Essa fazenda é enorme! –Sirius falava olhando em volta.
- Pedro vai ficar furioso com os pais dele por não terem deixado ele vir. –Thiago fala rindo da cara que o amigo faria.
- Onde está seu namorado ? –Lupin pergunta sem disfarçar os ciúmes.
- Lá dentro, terminando de arrumar as coisas. –Hermione responde e observa que o clima pesa.
- Nesse caso é melhor entrarmos logo, não é? –Lílian pergunta querendo manter a animação.
- Se os dois ali se largarem! –Hermione fala olhando para Rony e Sally que se beijavam desde que ele havia a alcançado.
- Desculpa, Mione, foi saudade, você sabe. –Sally se desculpa ao se afastar do namorado, enquanto Sirius e Thiago riam de um comentário feito por Lupin.
- Deixem as malas comigo, eu levo tudo pra cima. –Rony fala enquanto fazia as bagagens levitarem com um aceno de varinha.
- Ok, vamos entrar então. –Hermione fala os guiando para dentro da casa.
Ao chegarem, a garota faz uma breve indicação de onde ficariam os cômodos e os quartos – um para cada -, logo depois os levando até a sala de jantar onde um lanche já estava servido, com diversas frutas, dois tipos de suco, um bolo, torradas, geléias e uma torta.
- Uau! Você sabe receber! –Thiago fala impressionado.
- Quantos elfos domésticos há aqui? –Sirius pergunta impressionado com a beleza da mesa.
- Só um. –Harry responde saindo da cozinha e trazendo uma espécie de bandeja de prata.
- Harry é um ótimo cozinheiro! –Rony fala doido para atacar, apesar de saber que ainda não poderia.
- Nossa, foi você que fez tudo isso? –Lílian pergunta admirada, enquanto os garotos falavam coisas como “Grande coisa” ou “Qualquer um faz isso com uma varinha e um livro de receitas”.
- Sim, fui eu. Tirando a partes de descascar e cortar, fiz tudo sem magia. –Fala um pouco sem jeito, sorrindo para Lílian.
- Por que está tão simpático com a minha namorada, cicatriz? Ta achando que vai ter vida fácil com a gente? –Thiago pergunta em tom de desafio.
- Não pense bobagens, Harry sempre foi muito gentil com nós três. –Sally intervém a favor de Harry.
- É verdade, sempre que estávamos sozinhas com ele, Harry era um cavalheiro conosco, nunca entendi o porquê dele mudar na frente de vocês. –Anne fala com o ar desconfiado que sempre mantinha nesse assunto.
- Tudo será respondido com essa penseira. –Harry fala ajeitando a bacia que trouxera.
- Acha mesmo que entraremos em lembranças desconhecidas, ainda mais oferecidas por você? –Thiago fala sarcástico.
- Por favor, Dumbledore não emprestou-nos essa penseira à toa, ele tinha um bom motivo. –Hermione fala seriamente, fazendo-os ganhar um ar sério ao ouvir o nome do diretor.
- Se Dumbledore está envolvido, eu não vejo porque não fazermos o que eles querem. –Lílian se pronuncia, sacando a varinha.
- Então todos ponham as varinhas dentro da penseira. –Rony fala pondo a varinha dele na penseira, assim como Hermione e Harry.
Os demais se olham inseguros, mas as meninas logo fazem o mesmo, obrigando os marotos a seguirem-nas.
Eles entram na primeira lembrança e observam ao redor, Thiago logo reconhece a casa, mas antes que pudesse falar algo, vê uma cena que o deixa chocado:
Um homem mais velho e muito parecido com ele manda uma mulher, que além de muito parecida com Lílian também tinha o mesmo nome, subir e proteger o filho deles. - Antes que qualquer um dos seis possa falar, Voldemort aparece -Nesse momento Hermione segura a mão de Harry que fecha os olhos- o bruxo das trevas mata o homem, sobe e mata a mulher, mas ao tentar matar o menino algo acontece e uma luz muito forte surge.
Quando a claridade volta ao normal, Harry com 11 anos está com Hermione na sala com as poções antes de se encontrar com Quirrel.
- Estamos com onze anos, é o final de nosso primeiro ano em Hogwarts, Rony havia ficado pra trás no desafio anterior, se feriu pra que pudéssemos passar. –Hermione explica, enquanto todos olham fixamente o que acontecia.
Após se despedirem, Harry entra na sala e toda a parte da pedra filosofal é mostrada até o desmaio de Harry, o que os leva a outra lembrança.
Harry estava com Rony e Hermione na casa dos gritos, era o momento que Sirius revelava a verdade sobre a traição de Rabicho. Todos olhavam espantados os adultos presentes nas lembranças, o choque de seus futuros os atingindo.
-Estamos com treze anos, eu fui levado por um cão negro até lá através de uma passagem que liga Hogwarts à Casa dos Gritos, Harry e Hermione foram me salvar, depois chegaram Lupin e Snape que o havia seguido com a capa da invisibilidade. Depois de uma discussão deixamos que Sirius explicasse tudo. –Rony explicou a cena, que os deixou atordoados, principalmente com a explicação do futuro negro de todos, assim como a traição de Rabicho.
A seguir outra lembrança, dessa vez Harry estava num cemitério, Rabicho botava algo num caldeirão e iniciava o ritual que traria Voldemort de volta.
- Aqui eu fui levado por uma chave de portal a esse cemitério, Rabicho estava ajudando Voldemort a recuperar seu corpo nesse ritual negro. –Harry fala com a voz embargada, sentindo depois um dos braços de Hermione em sua cintura e logo depois repousando a cabeça no ombro da amiga.
- Não pode ser, isso é mentira! Pedro jamais nos trairia, pra mim já chega! –Thiago fala revoltado.
- Espere Thiago! Não seja infantil e assista a tudo! –Lílian fala e aponta os comensais que chegavam após a convocação de Voldemort.
A lembrança segue sem mais interrupções, com exceção de um suspiro ou grito mudo de susto durante a batalha ou a ligação de varinhas, a lembrança termina quando Harry alcança a taça.
Agora Harry estava no saguão de entrada do Ministério da Magia, uma mulher que pra surpresa de todos foi chamada de Belatriz Lestrange, atacava Harry.
- Ela havia acabado de matar Sirius, eu fiquei furioso e corri atrás dela, queria matá-la... –fala ainda sentindo a raiva que sentira naquele dia, Hermione o abraçou com mais força, incentivando-o a continuar – Nessa época o ministro não acreditava na volta de Voldemort, só Dumbledore e a ordem acreditavam em mim.
Nesse momento Voldemort aparece e há um combate, que é assumido logo depois por Dumbledore que põe o bruxo pra correr.
Depois que Voldemort aparata a lembrança termina e todos se sentem ser sugados, voltando assim pra sala de jantar do sítio.
- Agora podemos comer! Por favor. –Harry declara após voltarem da incursão a penseira.
- Devagar, Rony! –Hermione ralha com ele, que já avançava na torta.
- O que significou aquilo tudo? –Thiago pergunta transtornado, batendo as mãos na mesa.
- O futuro. Nós três viemos de lá, quer dizer queríamos voltar duas horas no tempo, mas o Rony fez o favor de nos fazer voltar vinte anos. –Hermione fala com um olhar “simpático” para Rony.
- Está reclamando de que? Por minha causa podemos salvar milhares de vidas! Incluindo a do povo aqui. –Rony fala se defendendo e apontando envolta de si.
- Quer dizer que era nosso futuro? –Sirius fala muito pálido sem querer acreditar naquilo.
- Pelo menos explica os feitiços que via Hermione usando e não conhecia. –Lílian fala e Hermione cora.
- Então a senhorita andou se descuidando? –Rony fala em tom divertido, olhando Hermione que tentava voltar ao normal.
- Eram uns feitiços de beleza que eu estava fazendo no banheiro, e não me olhem assim, se fossem uma garota iriam me entender. –Hermione fala sem jeito, fazendo as meninas rirem um pouco.
- Como conseguem rir depois de verem aquele monte de absurdos? –Thiago pergunta irritado, de todos era o que estava pior.
- Não eram absurdos, pelo menos não pareceram. Agora, Harry, porque não nos explica tudo. –Lílian pergunta a Harry que estava calado, bebendo um pouco de café.
- Bom, eu era o bebê que vocês viram, aquelas imagens vieram com ataques de dementadores. Voldemort matou vocês dois –fala olhando de Thiago para Lílian -, mas você conseguiu fazer um feitiço que... me protegeu durante minha vida –Fala olhando o copo em sua mão –Dumbledore garantiu que sua proteção fosse renovada enquanto eu morasse sob o mesmo teto que alguém com seu sangue...
- Petúnia? –Pergunta espantada.
- Sim, ela e o tio Valter me criaram com Duda, filho único deles. É por isso que sou bom com serviços domésticos, eles me tratavam como um elfo doméstico. –Harry fala com um meio sorriso.
- Mas bem que você merecia, se tudo isso for verdade é claro. –Sirius fala ainda resistindo a acreditar naquilo.
- Continuando, Harry foi criado com os tios e só soube do mundo mágico quando fez onze anos e Hagrid entregou a ele a carta de Hogwarts. –Hermione continua, não querendo começar uma discussão.
- Foi no expresso de Hogwarts que eu conheci Rony e Hermione, nos tornamos amigos e como vocês devem ter visto nas lembranças, eu sou grifinório como eles. No nosso primeiro ano tivemos que defender a pedra filosofal, havíamos passado por diversas tarefas quando eu tive que deixar os dois pra trás e enfrentar o Quirrel sozinho, ele era nosso professor de DCAT aquele ano e havia sido possuído pelo espectro que Voldemort se tornou depois que deixou isso em mim. –Fala mostrando a cicatriz em forma de raio.
-Essa cicatriz fez dele o bruxo mais famoso do mundo! O menino-que-sobreviveu, foi como ele foi chamado, depois que todos acharam que ele tivesse destruído vocês-sabem-quem. –Rony fala orgulhoso, deixando Harry sem jeito.
- Você não fala o nome dele? –Anne pergunta intrigada, já que Harry falava com naturalidade.
- Eu não sou doido como eles. –Rony fala sentindo um tremor passar por todo seu corpo.
- É só um nome, ele pode ser de um bruxo terrível e muito forte, mas é só um nome. –Hermione fala tranquilamente fazendo Harry sorrir.
- No segundo ano, através de um diário, Voldemort reabriu a câmara secreta, talvez já tenham ouvido falar nisso. –Harry continua com um ar mais sério.
- Sim, meus pais falaram sobre isso. –Sirius se manifesta, chamando a atenção dos demais – Segundo eles, Salazar Slytherin antes de deixar Hogwarts, construiu uma câmara secreta e deixou um monstro que mataria os nascidos trouxas, parece que ela foi reaberta e logo depois fechada no tempo deles, logo depois que uma garota morreu. –termina em tom sombrio, não gostava das idéias defendidas pelos pais e a abertura da câmara era uma delas.
- Mas ninguém achou a câmara ou uma evidência real dela ou do monstro, nem mesmo os fundadores. –Anne fala como se estivesse tentando resolver um grande mistério, era seu gênero literário favorito.
- É porque eles não conheciam Hermione! –Harry fala orgulhoso, olhando para a amiga, que corara.
- Mas foi você quem descobriu a entrada, eu estava petrificada na época. –Hermione fala modestamente.
- Mas foi na sua mão petrificada que eu achei sua pesquisa sobre o basilisco, o monstro que habitava a câmara e você descobriu. –Harry fala e enfatiza a participação fundamental dela.
- Realmente um basilisco poderia ser o tal monstro. –Lupin fala pensativo, observava a tudo analiticamente.
- E era, Harry podia ouvi-lo andando nas paredes, então juntou isso com o que Mione descobriu e o fantasma da garota assassinada na época dos seus pais e pronto. –Rony fala como se fosse algo muito simples.
- O fantasma? –Sally pergunta surpresa.
- A Murta-que-geme. –Harry responde surpreendendo a todos –A entrada fica no banheiro, só um ofidioglota pode abrir, e essa habilidade eu herdei de Voldemort no nosso primeiro encontro. –fala apontando a cicatriz – Eu matei o basilisco com a espada de Griffindor e a ajuda da fênix, foi nesse ano que descobri que Voldemort é na verdade Tom Riddle.
No terceiro ano, um criminoso, que eu achava ter sido responsável pela morte dos meus pais, fugiu de Azkaban após cumprir 13 anos de prisão, vocês ouviram a história. Depois daquela conversa Rabicho fugiu; você ainda foi considerado culpado, mas eu e Hermione te libertamos e você ficou fugindo por um tempo. Lupin, que era nosso professor de DCAT, saiu da escola e se juntou a Dumbledore para tentar achá-lo.
- Eu fui professor? –Lupin exclama surpreso.
- Sim, o melhor que tivemos, me ensinou a fazer o patrono, feitiço aliás, que me salvou a vida algumas vezes. –Harry fala sorrindo para ele, que não retribui.
- Se não fosse isso, naquele ano eu e Harry teríamos morrido num ataque com mais de cem dementadores. –Hermione reforça, também sorrindo para Lupin, que agora retribui apesar de um pouco corado.
- A ressurreição de Voldemort aconteceu no quarto ano, houve um torneio chamado Tribruxo, um comensal tomando polissuco se fez passar pelo nosso professor de DCAT e conseguiu me por no torneio, eu ganhei o torneio com outro garoto de Hogwarts, Cedrico, mas ele foi morto assim que chegamos ao cemitério, pra onde a taça nos levou. Vocês viram como aconteceu. Quando voltei pra Hogwarts e contei o que tinha acontecido, o ministro da magia preferiu não acreditar e passou o ano seguinte me difamando, me chamando de maluco pra baixo. –Harry fala demonstrando ainda ter certa mágoa.
- Mas como viram na última lembrança, Voldemort atacou naquele ano o ministério e Harry provou pra todo mundo que estava certo. Esse ano houve outro confronto no ministério, mas dessa vez eles estavam em vantagem, pensamos em voltar duas horas pra escapar da armadilha na qual todos caímos, mas voltamos um pouquinho mais. De toda forma temos a chance de fazer algo agora e todos vocês não só podem, mas creio eu, têm que ajudar, até porque é o futuro de vocês que está em jogo. –Hermione conclui, convocando a todos.
- Mas e nós? Quer dizer, vocês não falaram nada sobre eu e a Anne. –Sally pergunta ao mesmo tempo curiosa e receosa.
- Não sabíamos nem que vocês tinham existido. Sabe, ninguém fala muito da época de vocês porque trás lembranças meio tristes. –Rony tenta explicar a situação.
- Pelo menos podemos ter esperanças de não estarmos mortas ou algo parecido. –Anne fala em tom distante.
- Obrigado pelo “algo parecido”. –Sirius fala sarcástico.
- Na verdade, Sirius morreu ao atravessar um véu no departamento de mistérios. Foi a Belatriz que te jogou por ele. –Hermione fala bem diretamente, fazendo Sirius quase pular da cadeira.
- É por isso que sempre disse pra vocês que não tinha chance do Harry ficar com ela, aliás, eu não sei como ele não matou a infeliz. Você foi o único pai que ele conheceu, Sirius. –Rony fala um pouco emocionado, fazendo Sirius olhar para Harry, que tinha os olhos úmidos.
- Eu sinto muito por isso, você não foi criado por boas pessoas, deve ter ouvido horrores sobre nós, conheço minha irmã. Mas saiba que fico feliz por você, mesmo com todas essas dificuldades e sofrimentos, ter se tornado um ótimo rapaz. E ainda com a sorte de ter um ótimo amigo e uma excelente namorada. –Lílian fala emocionada para Harry, que até então também estava emocionado, mas ao ouvir o final cora rapidamente assim como Hermione, que engasga.
- Sabia que vocês iam ficar assim! –Rony fala quase caindo da cadeira de tanto rir.
- Isso não tem graça, Ronald! –Hermione fala descontando nele a vergonha que sentia.
- Mas o que foi, qual o problema? –Anne pergunta sem entender.
- Hermione e eu nunca fomos namorados, ela é só minha amiga. Inventamos o namoro porque você pegou a gente conversando e Hermione achou que seria um jeito de me fazer ficar perto de você, Lílian. –Harry fala sem jeito, entre um gole e outro de suco.
- É sério? Está dizendo que todos aqueles amassos que vimos eram fingimento? –Sally pergunta espantada.
- Vocês precisavam acreditar em nós, e antes que fale daquele piquenique em Hogsmeade, Harry e eu tínhamos percebido vocês nos espionando, estamos acostumados a sermos vigilantes. –Hermione responde sobriamente.
- Entendo, mas é uma pena! –Lílian lamenta olhando para Hermione que ultrapassa todos os tons de vermelho, enquanto Harry pede licença para ir pegar algo na cozinha.
- Tem outra coisa também. –Hermione resolve mudar o assunto e todos olham para ela esperando outra bomba –Não é nenhuma revelação horrível, é só pra dizer que eu sou filha de trouxas e Rony é filho de Arthur e Molly Weasley, acho que conhecem eles, não? –Hermione fala e os rapazes se voltam para Rony.
- É verdade, eu sou o sexto. –Todos deixam escapar uma exclamação que o deixa corado –Pois é, antes de mim vieram Carlinhos, Gui, Percy, os gêmeos Fred e Jorge, e depois de mim tem a Gina. Ela sim chegou a namorar o Harry esse ano. –Rony fala e eles iniciam um bombardeio de perguntas, como se todos tivessem finalmente aceito a história.
Algumas horas depois, Hermione estava na varanda admirando a noite, linda por sinal, quando alguém se aproxima.
- Sozinha? –Lupin pergunta em tom galante, se aproximando e se apoiando no corrimão ao lado dela.
- As meninas e Sirius estão tentando se acostumar com a ideia, Rony ta cuidando da louça, Harry com os pais. Resolvi olhar o céu. –Responde simpaticamente.
- Hermione, er... você tem namorado? –Pergunta corando um pouco.
- Não. –Responde sem jeito, mas ao ver a comemoração dele resolve continuar antes que ele falasse –Mas como você viu, tive bastante contato com você adulto e te vejo como um professor, me desculpa, mas pra mim você ainda é o mesmo. –Fala seriamente, olhando para ele querendo demonstrar que não havia nenhuma chance dele conseguir o que queria.
- Então eu não tenho nenhuma chance? –Pergunta tentando ter uma esperança.
- Não. Fico honrada por cativar esses sentimentos em você, mas não tem como. –Responde encerrando o tema.
- Nesse caso, me fale como eu fui como professor, você acha que levo jeito? –Lupin pergunta sorridente, voltando a olhar a noite.
Em uma das suítes, Lílian e Thiago discutiam, enquanto Harry os observava sem saber o que fazer.
- Como você pode ser tão frio? Ele é nosso filho, Thiago! –Lílian repetia aquilo pela décima vez.
- Eu nunca tive filho e se for pra ter um filho assim prefiro nunca ter um! –Thiago retruca irritado, chutando a porta do banheiro.
- Thiago! –Exclama horrorizada com o que ouviu e sem graça por ver que Harry também havia ouvido.
- Tudo bem, ele precisa de um pouco mais de tempo, aliás, vocês tem que conversar com calma. –Harry fala com ar tranqüilo, antes de sair do quarto.
Saindo, ele desce rapidamente as escadas e logo na sala se depara com Rony e Sirius aos amassos com suas namoradas.
“Mione vai ter trabalho com eles, aliás, ela deve ta lá fora dando essa noite de folga pros quatro.” –Harry pensa ao atravessar a sala em direção a varanda.
Ao chegar à varanda observa chocado Hermione e Lupin sentados no degrau conversando bem animados. Sem deixar que percebessem sua presença, retorna e sobe correndo, queria apagar aquela imagem de sua mente.
- Harry, o que houve? –Lílian pergunta preocupada, ao sair do quarto de Thiago e dar de cara com Harry correndo.
- Não foi nada, só estou um pouco preocupado, só isso. –Harry fala tentando se livrar e entrar no quarto.
- Entra aqui. –Lílian o guia para seu quarto e vai com ele até a cama –Agora me conta o que aconteceu, mas a verdade, ou a primeira coisa que você vai fazer ao reaver sua mãe é mentir? –Lílian pergunta quase o intimando a falar a verdade.
- Não, claro que não. –Harry fala se sentando de frente para ela na cama.
- Ótimo, então deita aqui e me conta tudo. –Pede apontando o colo e, mesmo sem jeito, ele deita, começando a receber um carinho que sempre desejara.
- Você não sabe o quanto sonhei com isso. –Harry confessa um pouco emocionado.
- Eu espero poder compensar um pouco e, pra começar, me conta o que está te deixando triste, não foi o Thiago, foi? –Pergunta docemente.
- Não, eu já esperava que ele reagisse mal quando soubesse. O que me chateou foi ver que a Hermione e o Lupin se acertaram. –Fala deixando uma lágrima rolar, mas rapidamente a limpando com as costas da mão.
- Não é vergonha chorar, principalmente se for por amor. –Lílian fala de modo compreensivo.
- É que eu nunca me senti assim por alguém, apesar de saber que não tenho chance. –Harry admite se virando de modo a poder olhar para Lílian, sentindo-se acalmar com o olhar doce e gentil dela.
- Como assim não tem chance? Eu não sei nada sobre ela estar ou não com Remo, mas eu tenho praticamente certeza de que ela te ama. –Lílian fala com certeza do que estava dizendo.
- Hermione não ficaria com alguém por quem não estivesse no mínimo apaixonada. –Harry fala desesperançoso.
- Eu sei, por isso não acredito que ela tenha algo com Remo. Eu via o brilho nos olhos dela quando vocês estavam “fingindo”, sem falar naqueles beijos, tudo bem que vocês queriam ser convincentes, mas não precisava “atuar” tão bem! Fora as declarações de amor, eram lindas, perfeitas, sinceras demais para serem inventadas, ainda mais de improviso . –Lílian fala olhando-o marotamente e fazendo-o corar.
- É, tenho que admitir que quando a olhava nos olhos ou via aquele sorriso tão doce, começava a falar sem pensar, eu não sei quando parei de “incrementar” verdades para começar a fazer declarações. –Harry responde sem jeito, evitando olhar para ela.
- Eu adoro esse seu jeitinho, é tão fofo! –Fala observando o rostinho corado dele.
- Lily! –Reclama desconfortável, mas ao tentar levantar ela o faz deitar.
-Primeiro, se você quiser pode me chamar de mãe. –Diz sem jeito –Segundo, não vai levantar até eu deixar. –Muda o tom para autoritário.
- Tudo bem, mãe. –Fala com certo orgulho, dando seu mais belo sorriso.
- Agora, voltando ao assunto, por que você não corre atrás? –Pergunta curiosa.
- Porque eu não posso! Ela não gosta de mim ou não estaria com ele, mesmo que gostasse, eu nunca fiz algo assim, também não é o melhor momento, não queria expô-la tanto.
- Primeiro você não vai expor ninguém, segundo tenho certeza que ela não sente nada além de amizade pelo Remo e por último, como nunca fez nada assim? –Pergunta e ri ao ver que novamente ele corara.
- Eu nunca corri atrás de uma garota, quer dizer, de certa forma foram sempre elas que tomaram a iniciativa. –Diz procurando as palavras.
- Nossa, então meu filho além de ter o charme do pai, tem a mesma popularidade com o sexo oposto! –Fala em tom divertido, e para sua surpresa Harry também ri.
- Você sabe como essa coisa de ser famoso e rico conta num currículo, principalmente quando se é o melhor apanhador da escola! –Fala de modo convencido, quase igual ao pai.
- Nossa, vi o Thiago agora! –Diz falsamente assustada –Devia usar o exemplo dele pra “caçar”, aliás, seria uma boa forma de vocês se aproximarem, o que acha? –Pergunta de modo cúmplice.
- Eu não acho que ele esteja muito afim de conversar comigo, muito menos me aconselhar com garotas. E também eu já disse que não vou “correr atrás” da Mione, eu respeito o Lupin, se ela quis estar com ele eu não vou fazer nada contra. –Fala em tom definitivo.
- Ok. Agora, me fala mais de você. –Pede olhando-o de forma maternal.
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Anne sai do banheiro e vê Sirius sentado em sua cama.
-O que ta fazendo aqui? –Pergunta desconfiada.
-Estava pensando. –Fala seriamente, ainda olhando um ponto fixo na parede, apesar do quarto estar iluminado por apenas um abajur.
-Ainda está abalado com tudo o que soubemos, não é? –Pergunta se sentando de frente para ele, que parece perceber que a garota estava apenas com uma camisola rosa claro, fina e de alças, certamente seria uma provocação se não estivesse tão preocupado.
-Sim, não consigo acreditar que Pedro possa ser um traidor. Eu falaria sobre isso com Thiago, mas ele está uma fera, brigou feio com Lily e parece que terminaram, ele não está aceitando bem a ideia de ser pai do cara que ele odiava há algumas horas atrás, já o Remo só faltou soltar fogos quando soube que a morena dele tava livre, ta lá com ela agora. –Responde um pouco nervoso, mexendo nos cabelos e voltando a olhar o nada à frente.
-É difícil pra todos nós saber que o futuro é tão sombrio, mas não podemos duvidar das lembranças que vimos, sem dúvida ele estava ao lado de você-sabe-quem. –Anne fala com cuidado, procurando a mão dele em sinal de apoio.
-Mas talvez ainda tenhamos tempo, quer dizer, ele é só um garoto não pode ser um traidor, não ainda! Se nós contássemos tudo a ele...
-Se isso pudesse mudar algo, Dumbledore não o teria impedido de vir. Sei que é difícil pra você, mas se ele já os enganou no “passado”, seria melhor ser muito prudente com ele. –Anne fala com cuidado, mas Sirius a olha com espanto.
-Como você pode achar que ele nos trairia, quer dizer, você acha que Pedro está nos traindo, é isso? –Sirius pergunta transtornado e incrédulo, levantando-se e andando de um lado para outro na frente dela.
-Não, sinceramente não acho que ele esteja fazendo isso agora, mas nada impede que a índole dele já esteja deformada, seria melhor tentarmos nos aproximar mais dele, salva-lo só que sem mostrar as cartas, sutilmente, entende? –Tenta acalmá-lo, se levantando e o segurando pela mão, fazendo-o se sentar novamente, dessa vez a esquerda dela.
-Isso é frustrante! –Fala pondo a cabeça entre as mãos e entrelaçando os dedos, como se quisesse se esconder –Eu não entendo como pode acontecer com um amigo, alguém com quem dividimos tudo... Como ele pode ter entregado Thiago e Lílian? Como pode ter sido tão frio e cruel? Como pode ter me deixado apodrecer na prisão? Eu não posso acreditar que aquele seja Pedro, o nosso Rabicho, o nosso amigo! –Fala desesperado, a culpa e a raiva duelando dentro de si.
-Você não tem culpa, nenhum dos marotos tem! Seja lá o que houve, não cabe a nós resolver ou responder, nada justifica uma traição dessas. –Aconselha o puxando para um abraço, deixando que ele chorasse um pouco em seu ombro.
-Você deve estar me achando um fraco, não é? Um bobo que chora à-toa. –Zomba de si, sem jeito, deixando aquele Sirius convencido e seguro de si num lugar distante.
-Não, na verdade estou amando esse Sirius sincero, que deixa transparecer suas emoções. As garotas gostam disso, sabia? –Pergunta em tom divertido, mas ao mesmo tempo charmoso.
-Gostam? Eu estou fazendo um papelão, chorando por um cara que pelo visto não merece e você diz que isso é bom? –Pergunta confuso com a reação dela.
-Muito! Você fica bem atraente sem toda aquela pose que você faz perto das garotas. –Anne fala se aproximando dele e o beijando no rosto de forma provocante.
-Você sabe que estamos sozinhos num quarto, não sabe? –Sirius pergunta tentando decifrar o olhar de Anne.
-Sei. –Responde de modo sedutor, o puxando pela mão para mais perto de si.
-Isso tudo é porque chorei na sua frente? –Pergunta com um sorriso maroto, mergulhando nos olhos azuis a sua frente.
Anne não responde, apenas o beija, deitando-se com ele por cima de si. O beijo que de início é calmo, logo é aprofundado por Sirius, que esquece toda aquela história que lhes fora revelada mais cedo, para poder se dedicar à namorada.
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Pela manhã, Hermione arrumava a mesa do café da manhã quando Lílian chega.
- Bom dia, Mione! –Cumprimenta alegremente.
- Bom dia, Lily! –Responde devolvendo o sorriso.
- Passei no quarto de Harry e ele não estava, sabe onde ele está? –Pergunta não escondendo a ansiedade.
- Ele está na cozinha, já tinha quase acabado de preparar tudo quando acordei, então comecei a por a mesa. –Responde tentando não rir do jeito da amiga, que parecia uma mãe que acabara de dar a luz e não queria desgrudar do “filhote”.
- E você e o Remo, se acertaram? Ele só faltou soltar fogos quando soube que você estava “livre”. –Joga verde, deixando-a corada.
- Não fala bobagem, Lupin é somente um amigo, eu nunca conseguirei vê-lo de outra forma que não seja a do meu professor de DCAT, melhor amigo do pai do Harry. –Hermione fala de modo definitivo, acabando a discussão.
- Não se preocupe, até porque se dependesse de mim... você seria minha nora! –Sussurra próxima a ela, mas depois sai correndo, evitando que Hermione reagisse.
- Que animação! –Harry comenta sorrindo ao chegar à sala de jantar, logo depois abraçando Lílian por trás e beijando-a no rosto. –Bom dia, mãe. –Cumprimenta sorrindo radiante.
- Bom dia, querido! –Responde também o beijando no rosto.
- Bom, eu vou deixar vocês conversarem enquanto subo pra acordar a tropa. –Hermione comenta bem humorada, deixando mãe e filho a sós.
- Harry! Você é muito bobinho mesmo! –Fala se virando de frente para ele e pondo-o contra a parede. –Acabei de falar com Hermione e ela me disse, com todas as letras, que não tem e nem terá nada com o Remo. –Conta sorrindo para ele, que a olha pasmo.
- É sério? Mas ontem eu os vi conversando animadinhos, juntinhos. –Fala com uma ponta de ciúmes na voz.
- De qualquer forma era só uma conversa, ela não quer nada com ele. A única coisa em que você tem que se concentrar agora, é em conquistá-la. –O incentiva empolgada.
- Não e nem adianta insistir, eu não vou ter nada com Hermione. Eu admito que estou apaixonado por ela, mas isso não quer dizer que eu vá tentar algo, não é o momento pra isso. –Fala decidido e antes que Lílian pudesse responder, eles ouvem um grito e um barulho.
- Foi Hermione? –Lílian pergunta ao que Harry apenas sinaliza que sim enquanto corre para ver o que tinha ocorrido.
Ao chegarem ao segundo andar, vêem que os demais saíam de seus quartos também para ver o que tinha acontecido.
- Mas que barulheira é essa? –Thiago pergunta de muito mau humor.
- Foi só um acidente, Hermione foi me acordar, mas acabou que não gostou muito do que viu. –Anne fala sem jeito.
- Como assim não gostou? Qualquer uma se sentiria muito privilegiada por ver um material de alta qualidade como esse. –Sirius fala orgulhoso, apontando o próprio corpo.
- Eu não acredito! Mas vocês não perdem tempo! –Sally diz animada, já puxando a amiga para seu quarto. –A gente já desce, podem ir na frente.
- Bom, o restante é pra se arrumar e descer que temos muito o que fazer. –Harry fala e todos voltam ainda meio sonolentos para os quartos.
Quase uma hora depois, todos estavam tomando café, quando Hermione pede atenção de todos.
- Bom, acho que todos já tiveram tempo para pensar sobre tudo que foi revelado ontem, por isso é hora de falar sobre o porque de Dumbledore ter nos reunido aqui. –Todos prestam atenção no que ela diz, curiosos para saber sobre os planos do mago. –Ele queria que estivéssemos preparados para enfrentar Voldemort e seus comensais e colaboradores, ou seja, criaturas das trevas como dementadores. Para isso ele elaborou um programa de treinamento, muito rigoroso por sinal, e incumbiu a nós três a missão de ajudar vocês, já que temos mais experiência em combate e sabemos alguns feitiços úteis como o patrono, que creio eu, vocês ainda não saibam. –Ela fala e todos balançam a cabeça negativamente.
- Certo, então antes de falarmos sobre os treinamentos, vamos estabelecer o seguinte, todos seremos divididos em três grupos. O Grupo 1 será formado por Anne, Sally e Lupin. –Ao ver que Sirius e Rony pretendiam reclamar continua, cortando os dois. –As escolhas não entrarão em discussão. O Grupo 2 será formado por Thiago, Lílian e Sirius. O terceiro será formado por nós que sobramos. Cada grupo trabalha em sistema rotativo, fazendo as tarefas da casa –muitas reclamações são ouvidas, mas Harry se levanta bruscamente interrompendo-os.
–Hoje meu grupo, ficou responsável pelo café da manhã, o grupo 1 ficará responsável pelo almoço e isso inclui fazer o almoço e lavar toda a louça e arrumar a mesa, o grupo 2 fará o jantar. Aos domingos nós teremos folga e nesse dia dividiremos a casa e parte do jardim em três e todos irão limpar e arrumar tudo e então terão o resto do dia de folga. Nós, por motivos de segurança, não temos nenhum elfo domestico ou outro bruxo, mas já aviso que Dumbledore fará inspeções surpresas e creio que ninguém quer levar bronca. –Fala seriamente olhando todos que parecem se conformar.
- Bom, todos têm permissão para usar magia livremente aqui, portanto podem usar feitiços de limpeza e feitiços para cozinhar. Segundo, os treinos serão pesados e começarão cedo, por isso há um despertador em cada quarto e vocês deverão acioná-lo para 5 horas, e nem adianta reclamar, porque não fui eu quem fez o cronograma. Realmente não é da minha conta o que vocês fazem ou não no tempo livre de vocês, mas independente da hora em que forem dormir –fala olhando pra Sirius e Anne –têm que acordar cedo e é claro, tomar todos os cuidados devidos , Dumbledore não vai querer nenhum novo Black ou Weasley no mundo por enquanto. –Hermione tenta ser bem direta e todos assentem, mesmo não gostando.
- E como vai ser esse treinamento? –Lílian pergunta ansiosa.
- Temos uma lista com feitiços, azarações e poções as quais temos que aprender. Pela manhã temos que fazer alguns exercícios físicos, depois teremos prática de feitiços, DCAT e transfiguração, a noite teremos a parte teórica e poções.
A floresta que vocês viram está cheia de seres mágicos e não mágicos, como a Floresta Proibida. Depois de um tempo de treino, passaremos a fazer incursões lá. O lago só tem peixes, mas também o usaremos durante o treinamento. Por tanto, se vocês quiserem passear, cuidado com a floresta.
- Mas que tipos de criaturas habitam a floresta? –Lupin pergunta com certo receio.
- Não sabemos, Dumbledore disse que seria melhor descobrirmos na hora certa. –Rony fala não gostando nem um pouco da atitude do professor.