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1. O pedido


Fic: O SEGREDO - UA - NC-Adapt Por Tonks Butterfly - Ela tinha um segredo, que jamais revelaria a ele...


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CAP 2 - O pedido


CAP 1


Escócia, 1200


Harry Maitland era um indivíduo desagradável e ruim quando estava furioso.
Estava furioso agora. O sombrio humor descendeu sobre ele assim que seu irmão Ronald lhe falou da promessa que lhe tinha feito a sua doce esposa, Hermione Jane.
Se Ronald tinha querido surpreender seu irmão, indubitavelmente tinha obtido seu objetivo. Sua explicação tinha deixado ao Harry sem palavras.
Essa atitude não durou muito tempo. A ira apareceu com rapidez. Na verdade, a ridícula promessa que seu irmão tinha feito a sua esposa não irritava tanto ao Harry como o fato de que Ronald tivesse chamado ao conselho para que desse uma opinião oficial a respeito. Harry teria evitado que seu irmão envolvesse aos anciões no que considerava um assunto privado e familiar, mas estava fora das terras nesse momento, perseguindo os malditos Maclean que tinham golpeado a três inexperientes guerreiros Maitland e, quando chegou a sua casa, fatigado, mas vitorioso, a ação já se consumou.
Era típico de Ronald tomar uma questão singela e complicá-la endiabradamente. Ao parecer, não tinha considerado nenhuma das conseqüências de sua precipitada conduta. Harry, recentemente designado chefe do clã, agora teria que deixar a um lado seus deveres para com sua família imediata, tal como se esperava dele, e também sua lealdade, para atuar exclusivamente como conselheiro da assembléia.
É obvio, não ia cumprir com essas expectativas. Apoiaria seu irmão sem que lhe importasse quanta oposição viesse dos anciões. Tampouco ia permitir que castigassem Ronald. E se era necessário, estava completamente disposto a brigar.
Harry não compartilhou sua decisão com seu irmão, pela singela razão de que queria que Ronald sofresse a incerteza um pouco mais. Se a prova resultava ser o suficientemente penosa, talvez Ronald aprendesse por fim a utilizar um pouco de moderação.
Quando Harry terminou com suas obrigações e se dirigiu colina acima, a assembléia de cinco membros já se reuniu no grande salão para ouvir a petição de Ronald. Ronald o estava esperando no centro do pátio. Parecia estar preparado para entrar em batalha. Tinha as pernas bem plantadas e separadas, as mãos dobradas em punhos junto ao corpo e o sobrecenho de seu rosto era tão feroz como a tormenta que ameaçava por cima de suas cabeças.
Harry não estava absolutamente impressionado pela bravata de seu irmão. Apartou ao Ronald de seu caminho quando este tentou lhe bloquear o passo e continuou subindo os degraus para o torreão.
- Harry - chamou Ronald-. Pergunto-lhe isso agora, porque devo saber sua postura antes de entrar. Está junto a mim neste tema ou está contra mim?
Harry se deteve e logo se voltou lentamente para olhar a seu irmão. A expressão de seu rosto mostrava seu aborrecimento. Entretanto, quando falou, sua voz era engañosamente suave.
-E como sei eu, Ronald, se você tenta me provocar deliberadamente ao me fazer essa pergunta?
Imediatamente, Ronald relaxou em sua atitude.
-Não quis te insultar, mas é novo como chefe e ainda deve ser provado por nossa assembléia de uma maneira tão pessoal. Até agora não me tinha dado conta da difícil posição em que te coloquei.
-Está-te arrependendo?
-Não - respondeu Ronald com um sorriso. Caminhou para onde estava seu irmão - Sei que não queria que envolvesse a assembléia, especialmente agora que está lutando para conseguir interessá-los em formar uma aliança com os Dunbar contra os Maclean, mas Hermione Jane estava decidida a obter a bênção do conselho. Deseja que sua amiga seja bem recebida aqui.
Harry não fez nenhum comentário a respeito dessa explicação.
Ronald seguiu pressionando.
-Também me dou conta de que não entende as razões pelas que lhe fiz essa promessa a minha esposa, mas algum dia, quando tiver encontrado à mulher adequada, tudo isto terá sentido para ti.
Harry sacudiu a cabeça com exasperação.
-Sinceramente, Ronald, não o entenderei nunca. Não existe isso que chamam "mulher adequada". Nenhuma é melhor que outra.
Ronald riu.
-Também eu pensava isso, até que conheci Hermione Jane.
-Está falando como uma mulher - disse Harry.
Ronald não se sentiu insultado pelo comentário de seu irmão. Sabia que Harry não podia entender o amor que sentia por sua esposa, mas, com a ajuda de Deus, algum dia encontraria uma a qual entregara seu coração. Quando esse dia chegasse, ia desfrutar profundamente recordando ao Harry sua atitude insensível.
-Aberforth indicou que talvez queriam interrogar a minha esposa -disse Ronald, voltando para sua principal preocupação-. Acredita que o velho estava brincando comigo?
Harry não se voltou para responder.
-Nenhum dos membros da assembléia brincam, Ronald. Sabe tão bem como eu.
-Maldita seja, sou o responsável por isto.
-Sim, assim é.
Ronald ignorou a rápida conformidade de seu irmão.
-Não vou permitir que o conselho intimide a Hermione Jane.
Harry deixou escapar um suspiro.
-Eu tampouco - prometeu.
Ronald ficou tão surpreso ante a conformidade de seu irmão que deixou de franzir o sobrecenho.
-Acreditam que vão ser capazes de me fazer trocar de opinião – disse -. Vai ser melhor que entenda que nada do que eles façam me fará trocar. Dei minha palavra a Hermione Jane e me proponho cumpri-la. Pelo céu, Harry, caminharia nos fogos do inferno por minha esposa.
Harry se voltou e sorriu a seu irmão.
-Um simples passeio por volta do grande salão será suficiente por agora - disse arrastando as palavras-. Terminemos com isto.
Ronald assentiu, e se adiantou a seu irmão para abrir uma das portas dobre.
-No conselho, Ronald -disse Harry -. Deixe sua ira fora. Se virem quão nervoso está, vão se lançar sobre sua garganta. Simplesmente enumera suas razões com voz tranqüila. Deixa que a lógica guie seus pensamentos, não à emoção.
-E logo?
-Eu me encarregarei do resto.
A porta se fechou sobre essa promessa.
Dez minutos mais tarde, o conselho mandou a um mensageiro para que fora a procurar Hermione Jane. Encarregou-lhe a missão ao jovem Denis. Encontrou à esposa do Ronald sentada junto ao fogo em sua cabana e imediatamente lhe explicou que devia chegar-se até o torreão e esperar detrás das portas para que seu marido a escoltasse ao entrar.
O coração do Hermione Jane começou a pulsar com violência. Ronald lhe havia dito que existia a possibilidade de que fora chamada ante o conselho, mas não tinha acreditado. Era insólito que uma mulher desse sua opinião diretamente ao conselho ou ao chefe do clã de forma oficial. E não a consolava no mais mínimo o fato de que o novo chefe fora o irmão maior de seu marido. Não, essa relação não significava nada absolutamente.
Sua mente saltava de um aterrorizado pensamento a outro, e em pouco tempo se induziu ela sozinha a um estado de total agitação. Era óbvio que o conselho pensava que era tola. Sim, decidiu. Para esse momento Ronald já teria contado a todos a promessa que lhe tinha feito, e essa era a razão pela que a chamava o grande salão para que desse sua própria explicação. Queriam assegurar-se de que realmente tinha perdido a razão antes de condená-la ao isolamento para o resto de seus dias.
Sua única esperança estava nas mãos do chefe do clã. Hermione Jane não conhecia bem Harry Maitland. Duvidava de ter intercambiado mais de cinqüenta palavras com o guerreiro nos dois anos que tinham passado desde seu casamento com seu irmão menor, mas Ronald lhe tinha assegurado que Harry era um homem honrado. Veria a importância de sua petição.
Primeiro ia ter que acontecer o conselho. Já que era uma reunião oficial, quatro dos anciões não falariam diretamente com ela. Entregariam as perguntas ao líder, Dumbledore, e ele sozinho teria que conversar com ela. Era uma mulher, depois de tudo, e uma estranha, dado que tinha nascido e crescido na fronteira e não nas gloriosas Highlands.
Em realidade a Hermione Jane aliviava o fato de que Dumbledore seria o único que a interrogaria, já que lhe temia menos que a outros anciões. O Velho guerreiro era um homem de falar suave que era muito admirado por seu clã. Tinha sido o chefe durante quinze anos e se retirou dessa posição de poder fazia só três meses. Dumbledore não a atemorizaria, ao menos não deliberadamente, mas utilizaria todos e cada um dos truques que conhecia para obter que liberasse Ronald de sua promessa.
Fez um rápido sinal da cruz e logo rezou durante todo o caminho ascendente pela levantada colina para o torreão. Recordou-se a si mesma que seria capaz de atravessar essa penosa prova. Não ia se jogar atrás, passasse o que acontecesse. Ronald Maitland lhe tinha feito essa promessa no dia anterior a que aceitasse casar-se com ele, e Por Deus que ia assegurar se de que a cumprisse.
Uma apreciada vida dependia disso.
Hermione Jane chegou ao degrau mais alto do torreão e ficou ali esperando. Várias mulheres passaram pelo pátio, curiosas ante a visão de uma mulher vadiando ante a porta do chefe do clã. Hermione Jane não convidou à conversação. Manteve o rosto afastado e rezou todo o tempo para que ninguém chamasse por seu nome. Não queria que as mulheres do clã soubessem o que estava ocorrendo até que tudo tivesse terminado.
Certamente começariam a criar problemas então, mas já seria muito tarde para que importasse. Não acreditava poder agüentar a espera durante muito mais tempo. Belatriz Lestrange, a velha fofoqueira que sempre ia com ares de presunção porque era quase segura que sua bela a filha se casaria com o chefe do clã, já tinha dado duas voltas ao redor do pátio, em um intento de averiguar o que estava acontecendo, e agora também estavam se aproximando algumas do seu grupo.
Hermione Jane alisou as pranchas do tartán (manto) por cima de seu ventre inchado, notou como lhe tremiam as mãos e imediatamente tratou de deter aquela amostra de temor. Deixou escapar um ruidoso suspiro. Em geral não se sentia tão tímida e insegura, mas desde que se inteirou de que estava grávida, seu comportamento tinha sofrido uma drástica mudança. Agora era terrivelmente emocional e chorava pelas coisas mais insignificantes. O sentir-se grande, torpe e gorda como uma égua bem alimentada tampouco ajudava a seu caráter. Levava quase sete meses de gestação, e o peso do bebê diminuía a velocidade de seus movimentos de maneira considerável. Entretanto, seus pensamentos não resultaram afetados. Corriam por sua mente como um torvelinho enquanto tentava adivinhar que perguntas lhe ia fazer Dumbledore.
Por fim, a porta se abriu com um chiado e Ronald deu um passo para fora. sentiu-se tão aliviada ao vê-lo que quase pôs-se a chorar. Ronald levava o sobrecenho franzido, mas logo que viu quão pálida e preocupada que ela estava, obrigou-se a sorrir. Segurou sua mão e deu-lhe um leve apertão e logo lhe piscou um olho. Aquela incomum amostra de afeto à luz do dia foi tão tranqüilizadora para o Hermione Jane como uma das massagens nas costas que lhe dava pelas noites.
-OH, Ronald - soltou bruscamente-. Lamento tanto te fazer passar por toda esta vergonha.
-Isso quer dizer que me libera de minha promessa? -perguntou-lhe com aquela voz sonora e profunda que Hermione Jane queria tanto.
-Não.
A brutalidade da resposta o fez rir.
-Era isso que eu pensava.
Hermione Jane não estava de humor para brincadeiras. Só desejava concentrar-se na penosa prova que a esperava.
-Ele já está lá dentro? -perguntou em um mínimo sussurro.
Ronald sabia de quem estava falando, é obvio. Hermione Jane tinha um temor quase irracional a seu irmão. Pensou que seria porque Harry era o senhor de todo o clã. Só o número de soldados ultrapassava em muito os trezentos. Ronald supunha que a poderosa posição de seu irmão o converteria em algo inalcançável para uma mulher.
-Por favor, me responda - suplicou.
-Sim, amor, Harry está lá dentro.
-Então, sabe da promessa? - Era uma pergunta estúpida. Deu-se conta disso quase ao mesmo tempo que as palavras lhe saíram da boca.- Ai, Deus, é obvio que sabe. Está zangado conosco?
-Carinho, tudo vai sair bem - prometeu-lhe. Tentou fazê-la passar pela soleira da porta. Hermione Jane resistiu ao suave empurrão.
-Mas o conselho, Ronald?- disse apressadamente-. Como reagiram ante sua explicação?
-Ainda estão balbuciando.
-OH, Meu deus. -ficou completamente rígida nos braços do Ronald.
Deu-se conta de que não deveu ter sido tão sincero com ela. Pôs os braços ao redor dos ombros de Hermione e a atraiu para si.
-Vai sair tudo bem - sussurrou-lhe com voz tranqüilizadora-. Já o verá. Se tiver que ir andando até a Inglaterra e buscar para sua amiga, eu farei. Confia em mim, não é verdade?
-Sim, confio em ti. Não teria me casado contigo se não confiasse completamente em ti. Ronald, de verdade entende quão importante é isto para mim?
Beijou-a na frente antes de responder.
-Sim, sei. Vais-me prometer uma coisa?
-O que seja.
-Quando sua amiga chegue aqui, vais voltar a rir.
Hermione Jane sorriu.
-Prometo-o - sussurrou. Rodeou a cintura de seu marido com os braços e o abraçou com força. Permaneceram abraçados durante uns instantes. Ele tentava lhe dar tempo para que se recuperasse. Ela tentava recordar as palavras corretas que usaria quando lhe pedissem que desse suas razões ao conselho.
Uma mulher que passava apressada com um cesto de roupa suja sorriu ao ver o carinhoso casal.
Era verdade que Hermione e Ronald faziam um formoso casal. Ele era ruivo e ela morena. Ambos eram altos, embora Ronald alcançasse mais de um metro oitenta e a parte superior da cabeça de sua esposa apenas lhe chegava ao queixo. Só quando Ronald estava de pé junto a seu irmão maior parecia pequeno, já que o chefe era vários centímetros mais alto. Era indubitável que Ronald era igual de largura nos ombros, entretanto, não tinha a mesma cor de cabelo, Ronald era ruivo e Harry tinha os cabelos negros. Seus olhos eram em um tom de azul mais escuro que os verdes de Harry e não tinha o mesmo número de cicatrizes de guerra que danificassem sua aparência agradável.
Hermione Jane era tão esbelta como seu marido. Tinha bonitos olhos castanhos, e Ronald jurava que lançavam faíscas douradas quando ria. Entretanto, o cabelo era seu tesouro. Chegava-lhe até a cintura, era de uma profunda cor castanha e não tinha nem um só cacho que lhe tirasse seu glorioso brilho.
Ao princípio, Ronald se havia sentido atraído por sua aparência, já que era um homem com um apetite sensual e ela era um justo prêmio para tomar, mas foi o maravilhoso jeito de Hermione o que o fez cair no laço. Ele a adorava constantemente. Tinha uma maneira dramática de ver a vida, e em seu interior havia uma paixão ardente por experimentar cada aventura nova. Nunca fazia nada pela metade, incluindo a maneira em que o amava e consentia.
Ronald a sentiu tremer entre seus braços e decidiu que já era hora de entrar e terminar com aquela prova para que ela deixasse de preocupar-se e agitar-se.
-Entremos já, amor. Estão nos esperando.
Hermione Jane inspirou profundamente, separou-se de seu marido e caminhou para o interior. Ronald se apressou para caminhar junto a ela.
Tinham alcançado os degraus que levavam ao grande salão quando de repente Hermione Jane se apoiou em seu marido.
-Seu primo Jorge disse uma vez que, quando Harry se zanga, seu cenho pode fazer que o coração de uma pessoa deixe de pulsar - sussurrou-. Ronald, temos que tratar de não zangá-lo. De acordo?
Devido a que parecia tão seria e preocupada, Ronald não riu, mas não pôde conter do toda sua exasperação.
-Hermione, realmente vamos ter que fazer algo com respeito a este seu temor. Meu irmão...
Hermione Jane o agarrou por braço.
-Vamos fazer algo ao respeito mais tarde - disse apressadamente-. Só me prometa isso agora.
-Está bem - acessou com um suspiro-. Não faremos Harry se zangar.
Imediatamente lhe soltou o braço. Ronald teve que mover a cabeça negativamente ante seu comportamento. Decidiu que logo que Hermione Jane se sentisse melhor encontraria uma maneira de ajudá-la a superar esse temor. Entretanto, não esperaria para ter uma conversação com o Jorge. Não, ia levar o seu primo à parte à primeira oportunidade e lhe ordenaria que deixasse de lhes contar histórias tão fantásticas às mulheres.
Harry era objeto fácil daqueles contos exagerados. Estranha vez lhe falava com uma mulher, exceto nas incomuns ocasione nas que, como chefe, via-se obrigado a lhes dar instruções específicas, e seu comportamento severo freqüentemente se confundia com ira. Jorge sabia que a maioria das mulheres tinha medo de Harry, e encontrava muito divertido agitar de vez em quando esse temor.
Nesse momento, seu irmão estava atemorizando Hermione sem dar-se conta disso. Estava sozinho frente à chaminé, frente a eles, com os braços cruzados. Era uma atitude de indiferença, mas o olhar de seus penetrantes olhos verdes era algo menos indiferente. O cenho que luzia para que o fogo da chaminé detrás dele parecesse frio em comparação.
Hermione Jane tinha começado a baixar os degraus quando olhou através da habitação e viu o sobrecenho franzido do Harry. Perdeu o equilíbrio rapidamente. Ronald se estirou e a agarrou muito a tempo.
Harry notou o medo do Hermione. Supôs que temia ao conselho. Voltou-se para a esquerda, onde estavam sentados os anciões, e fez um gesto a Dumbledore para que começasse. Quanto mais rápido terminasse a inevitável briga, mais rápido sua cunhada acalmaria seus temores.
Os anciões tinham o olhar cravado em Hermione. Em tamanho, os cinco homens se assemelhavam aos degraus de uma escada. O maior Diggle era também o mais baixo. Estava sentado no extremo oposto ao Dumbledore, o porta-voz. Aberforth, Elifas e Horácio ocupavam os lugares que ficavam no meio.
Havia muitas nervuras cinza entre os cabelos de cada um dos anciões, e entre todos tinham suficientes cicatrize para cobrir as paredes de pedra do torreão. Hermione se concentrou em Dumbledore. O líder tinha profundas rugas ao redor dos olhos, e Hermione Jane desejava acreditar que as tinha ali devido a que tinha rido muito através dos anos. Essa idéia fazia que fosse mais fácil imaginar que entenderia seu problema.
-Seu marido acaba de compartilhar conosco uma história assombrosa, Hermione Jane - começou Dumbledore-. Na verdade, resulta-nos difícil acreditá-la.
O líder assentiu para apoiar o último comentário e logo fez uma pausa. Hermione Jane não estava segura de se devia falar agora ou esperar. Levantou o olhar para o Ronald e recebeu um gesto afirmativo.
-Meu marido só falaria a verdade - disse.
Os outros quatro membros do conselho franziram o sobrecenho ao mesmo tempo. Dumbledore sorriu.
-Poder-nos-ia dar suas razões para exigir que se cumpra esta promessa? -perguntou-lhe com voz suave.
Hermione Jane reagiu como se Dumbledore lhe tivesse gritado. Sabia que tinha utilizado a palavra "exigir" como um insulto deliberado.
-Sou uma mulher, e nunca lhe exigiria nada a meu marido. Só o pediria, e agora peço que se honre a palavra do Ronald.
-Muito bem - concedeu Dumbledore, com voz ainda suave-. Não exige, pede. Agora eu gostaria que explicasse a este conselho suas razões para fazer uma petição tão extravagante.
Hermione Jane ficou tensa. Extravagante, claro. Inspirou profundamente para acalmar-se.
-Antes de aceitar me casar com o Ronald, pedi-lhe que me prometesse que traria minha querida amiga, lady Ginevra Molly Weasley, quando me encontrasse grávida. Minha gestação já quase está a ponto de terminar. Ronald acessou a esta petição, e a ambos gostaríamos que se levasse o cabo o quanto antes possível.
O aspecto do rosto do Dumbledore indicava que não estava de tudo satisfeito com a explicação.
-Lady Ginevra Molly é inglesa, isso não a preocupa?
-Não, meu senhor, não importa absolutamente.
-Acredita que cumprir com esta promessa é mais importante que a desordem que ela vai causar? Alteraria nossas vidas deliberadamente, moça?
Hermione Jane negou com a cabeça.
-Não faria uma coisa assim deliberadamente.
Dumbledore parecia aliviado. Hermione Jane adivinhou que ele acreditava que agora tinha uma maneira de manipularia para que deixasse correr o assunto. Os seguintes comentários confirmaram suas suspeitas.
-Alegra-me ouvir isso, Hermione Jane. -Fez uma pausa para assentir em direção a seus quatro companheiros. - Nunca acreditei nem por um minuto que nossa moça queria causar tal comoção. Agora vai se esquecer desta tolice...
Hermione Jane não se arriscou a deixá-lo terminar.
-Lady Ginevra não vai causar nenhuma desordem.
Os ombros do Dumbledore caíram subitamente. O trocar a opinião de Hermione Jane não estava resultando ser uma tarefa tão fácil, depois de tudo. Tinha o sobrecenho franzido quando se voltou para ela.
-Olhe, moça, os ingleses nunca foram bem-vindos aqui - disse-. Essa mulher teria que compartilhar as refeições conosco...
Um punho golpeou sobre a mesa. O guerreiro chamado Elifas era o responsável por aquela amostra de mau humor. Elifas levantou o olhar e a fixou no Dumbledore.
-A mulher do Ronald humilha o nome Maitland ao pedir isso - disse com voz baixa e iracunda.
Os olhos do Hermione Jane se encheram de lágrimas. Sentia que começava a invadiria o pânico em seu interior. Não podia pensar em um argumento lógico em resposta à declaração do Elifas.
Ronald se moveu e ficou de pé frente a sua esposa. A voz lhe tremia de ira quando lhe falou com membro do conselho.
-Elifas, pode demonstrar para mim seu desconforto, mas não vais levantar a voz ante minha esposa.
Hermione Jane olhou às escondidas detrás de seu marido para ver a reação de Elifas a aquela ordem. O ancião assentiu. Logo Dumbledore agitou a mão em sinal de silêncio.
Diggle, o mais ancião do grupo, não emprestou atenção ao sinal.
-Nunca tinha ouvido que uma mulher tivesse dois nomes completos antes de que Hermione Jane chegasse a nós. Pensei que era uma excentricidade que compartilhavam as pessoas da fronteira. Agora ouço falar de outra mulher que também tem dois nomes completos. O que pensa disso, Dumbledore?
O líder soltou um suspiro. A mente do Diggle estava acostumada a dispersar-se de vez em quando. Era irritante para todos agüentar aquilo.
-Não sei o que pensar disso - replicou Dumbledore-. Mas esse não é o tema que interessa agora.
Voltou a emprestar atenção ao Hermione Jane.
-Outra vez te pergunto se alteraria voluntariamente sua idéia?
Antes de lhe responder, Hermione Jane se colocou junto ao Ronald para não parecer covarde.
-Não sei por que pensam que lady Ginevra Molly causaria alguma desordem. É uma mulher amável e doce.
Dumbledore fechou os olhos. Havia uma insinuação de regozijo em sua voz quando finalmente voltou a falar.
-Hermione Jane, os ingleses não nos agradam precisamente. Certamente o terá notado nos anos que leva conosco.
-Criou-se na fronteira - recordou-lhe Elifas ao seu líder. O guerreiro arranhou a mandíbula com costeletas-. Talvez não saiba que é assim.
Dumbledore conveio com ele com um gesto da cabeça. Uma súbita faísca apareceu em seus olhos. Voltou-se para seus companheiros, inclinou-se e lhes falou em voz baixa. Quando terminou, outros assentiam para mostrar sua aceitação.
Hermione Jane se sentia doente. Pelo olhar vitorioso do rosto do Dumbledore só podia deduzir que tinha encontrado uma maneira de lhe negar a petição antes de pedir o conselho do chefe.
Era óbvio que Ronald tinha chegado à mesma conclusão. O rosto lhe voltou escuro de ira. Logo deu outro passo para frente. Hermione Jane lhe agarrou a mão. Sábia que seu marido tinha toda a intenção de cumprir com sua promessa, mas não queria que os anciões o sancionassem. O castigo seria severo, inclusive para um homem tão orgulhoso e capaz como Ronald, e semelhante humilhação seria intolerável para ele.
Apertou-lhe a mão.
-Ides decidir que, dado que é possível que eu não saiba que é assim, desse modo se converte em seu dever, saber o que é melhor para mim. Não é verdade?
Dumbledore ficou surpreso pela sagacidade do Hermione Jane ao saber o que tinha em mente. Estava a ponto de responder a esse desafio quando Ronald falou.
-Não, Dumbledore não decidiria que sabe o que é melhor para ti. Isso seria um insulto para mim, esposa.
O líder da assembléia fixou o olhar no Ronald durante uns instantes.
-Vais respeitar a decisão desta assembléia, Ronald - ordenou com voz poderosa.
-Um Maitland deu sua palavra. Deve ser honrada.
A voz ressonante do Harry encheu o salão. Todos se voltaram para olhar - Harry manteve o olhar concentrado no líder da assembléia.
-Não tente confundir o tema - ordenou - Ronald lhe fez uma promessa a sua mulher e deve ser cumprida.
Ninguém disse nada durante vários minutos. Logo Elifas ficou de pé. As Palmas de suas mãos descansavam sobre a mesa, sobre a que se inclinou para frente para olhar ao Harry com fúria.
-É conselheiro aqui, nada mais.
Harry se encolheu de ombros.
-Sou seu chefe – rebateu -. Por seu voto – acrescentou -. E agora lhes aconselho honrar a palavra de meu irmão. Só os ingleses rompem suas promessas, Elifas, não os escoceses.
Elifas assentiu relutantemente.
-Diz a verdade - admitiu.
Um menos e faltam quatro, pensou Harry para seus pensamentos. Maldição odiava o ter que usar a diplomacia para sair-se com a sua. Preferia muitíssimo mais uma batalha com punhos que com palavras. Odiava ter que ganhar a permissão de alguém por suas ações ou também as de seu irmão. Fazendo um esforço, controlou sua frustração e se concentrou no assunto que tinha entre mãos. Voltou a emprestar atenção a Dumbledore.
-Você se Convertesteu em um ancião, Dumbledore, para preocupar-se por algo tão insignificante como isto? Tem-lhe medo a uma só mulher inglesa?
-É obvio que não - murmurou Dumbledore, quem fez aparente por sua expressão o ultraje que sentia ante a mera possibilidade-. Não temo a nenhuma mulher.
Harry sorriu amplamente.
-Alivia-me ouvi-lo - replicou-. Por um momento comecei a duvidá-lo.
Sua astúcia não passou despercebida para o líder da oligarquia. Dumbledore sorriu.
-Lançaste sua ardilosa isca de peixe e minha arrogância tratou que tomá-la.
Harry não fez nenhum comentário em relação a essa verdade. O sorriso de Dumbledore ainda era visível quando voltou sua atenção para o Hermione Jane.
-Ainda estamos um pouco confundidos por esta petição, e apreciaria que nos dissesse por que quer a essa mulher aqui.
-Faz que nos conte por que ambas têm dois nomes completos - intercalou Diggle.
Dumbledore não fez caso da petição do ancião.
-Quer explicar suas razões, moça?
-Puseram-me o nome de minha mãe, Hermione, e o nome de minha avó, Jane, por que...
Dumbledore a cortou em seco com um gesto impaciente da mão. Seguiu sorrindo para que não pensasse que estava abertamente irritado com ela.
-Não, não, moça, agora não quero ouvir por que resulta que tem dois nomes. Quero ouvir suas razões para querer aqui a essa mulher inglesa.
Hermione Jane sentiu que se ruborizava ante o mal-entendido.
-Lady Ginevra Molly é minha amiga. Eu gostaria que estivesse a meu lado quando chegar o momento de dar a luz a este bebê. Já me deu sua palavra de que vai vir junto a mim.
-Amiga e inglesa? Como pode ser isso? -perguntou Elifas. Esfregou a mandíbula com a mão enquanto refletia sobre essa contradição.
Hermione Jane sabia que o ancião não a estava provocando deliberadamente. Parecia autenticamente perplexo. Não acreditava que nada do que pudesse dizer fizesse compreender ao ancião. Em realidade, não acreditava que Ronald entendesse de verdade o laço que tinha formado com o Gina fazia tantos anos, e seu marido não tinha costumes tão profundamente arraigados como Dumbledore e outros. Contudo, sabia que ia ter que tentar explicar-se.
-Nos conhecemos no festival anual da fronteira - começou-. Gina tinha só quatro anos e eu cinco. Não entendíamos que éramos... Diferentes a uma da outra.
Dumbledore deixou escapar um suspiro.
-Mas, e quando entenderam?
Hermione Jane sorriu.
-Não importou.
Dumbledore moveu a cabeça em um gesto negativo.
-Na verdade, ainda não entendo essa amizade - confessou-. Mas nosso chefe tinha razão quando nos recordou que nós não rompemos nossas promessas. Sua amiga será bem-vinda aqui, Hermione Jane.
Estava tão afligida pela alegria que se recostou contra seu marido. Então se atreveu a olhar com rapidez a outros membros da assembléia. Diggle, Elifas e Aberforth estavam sorrindo, mas Horácio, o ancião que parecia ter estado dormitando durante todo o interrogatório, agora estava movendo a cabeça em um gesto negativo ante a Hermione Jane.
Harry notou o gesto.
-Não está de acordo com a decisão, Horácio?
O ancião manteve o olhar no Hermione Jane enquanto respondia.
-Estou de acordo, mas acredito que deveríamos lhe fazer uma justa advertência a esta moça. Não deveria fazer-se ilusões. Estou contigo, Harry, porque eu também sei por experiência própria que os ingleses não cumprem com suas promessas. Seguem o costume de seu rei, é obvio. Esse patife troca de opinião cada dois minutos. Essa mulher inglesa de dois nomes talvez lhe fez sua promessa à esposa do Ronald, mas não a cumprirá.
Harry assentiu para demonstrar que estava de acordo. Perguntou-se quanto demoraria o conselho em chegar a essa mesma conclusão. Os anciões pareciam muito mais contentes agora. Entretanto, Hermione Jane seguia sorrindo. Não parecia estar absolutamente preocupada com que sua amiga não cumprisse com sua promessa. Harry sentia uma tremenda responsabilidade de proteger a todos e cada um dos membros de seu clã. Entretanto, sabia que não podia proteger a sua cunhada das duras realidades da vida. Ia ter que sofrer essa desilusão ela sozinha, mas uma vez que tivesse aprendido a lição, saberia com segurança que só podia contar com sua própria família.
-Harry, a quem vais mandar a cumprir esta diligência? Perguntou Dumbledore.
-Devo ir eu - anunciou Ronald.
Harry moveu negativamente a cabeça.
-Seu lugar está com sua esposa agora. Aproxima-se o momento. Irei eu.
-Mas você é o chefe - argüiu Dumbledore-. Está por debaixo de sua posição social...
Harry não permitiu que continuasse.
-Este é um assunto familiar, Dumbledore. Já que Ronald não pode deixar a sua esposa, devo me ocupar eu deste dever. Minha decisão está tomada - acrescentou com o sobrecenho franzido, para desalentar futuras discussões. Ronald sorriu.
-Não conheço a amiga de minha esposa, Harry, mas me posso imaginar muito bem que quando te vir trocará de opinião a respeito de vir aqui.
-Ginevra Molly estará muito agradada de ter a companhia do Harry - disse bruscamente Hermione. - Voltou-se para lhe sorrir a seu chefe -. Não vai ter medo. Estou segura. Eu também te agradeço por se oferecer a fazer esta viagem. Gina se sentirá segura contigo.
Harry levantou uma sobrancelha ante este último comentário. Logo deixou escapar um comprido suspiro.
-Hermione Jane, estou igualmente seguro de que não vai querer vir aqui. Quer que a obrigue a fazê-lo?
Devido a Hermione Jane tinha o olhar fixo a Harry, não viu que Ronald o fazia um rápido gesto a seu irmão.
-Não, não deve obrigá-la. Quererá vir junto a mim.
Tanto Ronald como Harry deixaram de tentar lhe advertir ao Hermione Jane que não tivesse muitas esperanças. Dumbledore desculpou cortesmente a Hermione Jane pela reunião.
Ronald a tirou da mão e começou a dirigir-se para as portas.
Hermione Jane tinha pressa por sair para poder abraçar seu marido e lhe dizer quão contente estava de estar casada com ele. Tinha estado tão... Magnífico quando a tinha defendido. Nunca tinha duvidado de que o faria, é obvio, mas mesmo assim desejava lhe dar o louvor que acreditava que ele desejava escutar. Os maridos necessitavam as felicitações de suas esposas de vez em quando, verdade?
Quase tinha alcançado o degrau superior da entrada quando ouviu o nome do Maclean mencionado pelo Dumbledore. Deteve-se para escutar. Ronald tentou lhe dar um pequeno empurrão para que continuasse, assim que ela se tirou o sapato e lhe fez um gesto de que o aproximasse. Não lhe importou que Ronald pensasse que era torpe. Sentia muita curiosidade por ouvir do que tratava a conversação. Dumbledore parecia estar muito zangado.
O conselho não lhe estava emprestando nenhuma atenção. Aberforth tinha a palavra.
-Estou contra qualquer aliança com os Dunbar. Não os necessitamos - acrescentou quase em um grito.
-E silos Dunbar formam uma aliança com os Maclean? -perguntou Harry, com a voz tremendo pela fúria-. Te esquece do passado, Aberforth. Pensa nas conseqüências.
Diggle falou a seguir.
-Por que têm que ser os Dunbar? São tão escorregadios como o salmão molhado e tão sigilosos como os ingleses. Não posso suportar esse pensamento. Não, não posso.
Harry tentou aferrar-se a sua paciência.
-Devo te recordar que a terra dos Dunbar está entre os Maclean e nós. Se não aliarmos a eles, poderiam muito bem ir aos malditos Maclean em busca de amparo. Não podemos permitir isso. É simplesmente uma decisão entre mau e pior.
Hermione Jane não pôde ouvir mais da conversação. Ronald lhe tinha posto o sapato outra vez no pé, e de novo lhe tocava ligeiramente o cotovelo.
Esqueceu-se de todo o referente a elogiar seu marido. Apenas as comporta se fecharam atrás deles, voltou-se para o Ronald.
-Por que os Maitland odeiam aos Maclean?
-A inimizade data de faz muito tempo - respondeu ele-. Antes de que eu nascesse.
-Poderia se reparar de algum jeito?
Ronald se encolheu de ombros.
-Por que lhe interessam os Maclean?
Não podia dizer-lhe é obvio. Se o fazia, estaria rompendo a promessa que tinha feito a Gina, e nunca trairia essa confiança. Estava também o significativo feito de que ao Ronald daria um ataque se chegava a inteirar de que o pai de Gina era o chefe dos Maclean. Sim, também existia essa consideração.
-Sei que os Maitland estão inimizados com os Dunbar e também com os Macpherson, mas não tinha ouvido nada dos Maclean. Por isso tenho curiosidade. Por que não nos levamos bem com nenhum outro clã?
Ronald riu.
-Há alguns poucos aos que chamamos amigos - disse-lhe.
Hermione Jane decidiu trocar de tema e voltar para os elogios que desejava lhe prodigalizar. Ronald caminhou com ela até a casa e, depois de lhe dar um comprido beijo de despedida, voltou-se para retornar ao pátio.
-Ronald, dá-te conta de que minha lealdade é para ti, não é verdade?-perguntou sua esposa.
Ronald se voltou.
-É obvio.
-Sempre tive em conta seus sentimentos, não é assim?
-Sim.
-De modo que se soubesse algo que te irritasse, seria melhor que me calasse isso, verdade?
-Não.
-Se lhe dissesse isso, significaria romper uma promessa que fiz a outra pessoa. Não poderia fazer isso.
Ronald retrocedeu e ficou de pé diretamente frente a sua esposa.
-O que está tentando não me dizer?
Hermione Jane moveu negativamente a cabeça.
-Não quero que Harry obrigue Gina - disse impulsivamente, desejando apartar a atenção do Ronald de velhas promessas -. Se ela não pode vir aqui, Harry não deve utilizar a força.
Insistiu até que Ronald lhe deu sua palavra. Aceitou a contra gosto, só para agradá-la, mas não tinha nenhuma intenção de cumprir sua promessa. Não estava disposto a permitir que a inglesa lhe rompesse o coração a sua esposa. Entretanto, não gostava de mentir para Hermione, e Ronald refletiu sobre isso com o sobrecenho franzido enquanto subia de novo a colina.
Logo que saiu Harry, seu irmão o chamou.
-Temos que falar Harry.
-Diabos, Ronald, se for falar de outra promessa que lhe tem feito a sua esposa, advirto-lhe isso, não estou de humor para ouvi-la.
Ronald riu e esperou que seu irmão se alcançasse.
-Quero te falar da amiga de minha esposa – disse - Não me importa o que terei que fazer, Harry. Arrasta-a até aqui, se for necessário, está bem? Não vou permitir que minha esposa se desiluda. Já tem suficientes preocupações com a chegada do bebê.
Harry começou a caminhar para os estábulos. Levava as mãos detrás das costas e a cabeça inclinada em sinal de reflexão. Ronald caminhava a seu lado.
-Suponho que é consciente de que, se obrigar a esta mulher, poderia muito bem começar uma guerra com sua família e, talvez, se o rei decide tomar um interesse pessoal no assunto, uma guerra com a Inglaterra.
Ronald lançou um rápido olhar a seu irmão para ver o que pensava ele dessa remota possibilidade. Harry estava sorrindo. Ronald moveu a cabeça em um gesto negativo.
-Fudge não se envolverá pessoalmente nisto se não poder ganhar algo. O problema vai ser a família dela. É indubitável que não lhe vão permitir partir em uma viagem assim.
-Poderia converter-se em uma guerra. - comentou Harry.
-Vai importar?
-Não.
Ronald deixou escapar um suspiro.
-Quando vais partir?
-Amanhã, na primeira hora. Esta noite vou falar com o Hermione Jane. Quero saber tudo o que seja possível a respeito da família desta mulher.
-Há algo que Hermione Jane não me quer dizer - disse Ronald, com voz vacilante-. Perguntou-me a respeito da inimizade com os Maclean...
Não continuou. Harry o estava olhando como se pensasse que tinha perdido o julgamento.
-E não lhe ordenou que te explicasse que demônios te está ocultando?
-Não é tão singelo - explicou Ronald-. Tem que ser... Delicado com uma esposa. Com o tempo me dirá o que é o que a está preocupando. Tenho que ser paciente. À parte, provavelmente estou fazendo julgamentos precipitados. Minha esposa se preocupa com algo nestes dias.
O olhar do rosto do Harry fez que Ronald lamentasse o ter mencionado a estranha conduta do Hermione Jane.
-Agradeceria por fazer esta viagem, mas seria te insultar.
-Esta não é uma tarefa que aceito com vontade - admitiu Harry-. Vão levar sete ou oito dias alcançar aquelas terras, e isso significa pelo menos oito de retorno com uma mulher queixosa em minhas mãos. Diabos! Preferiria enfrentar eu sozinho de toda uma legião do Macleans antes que cumprir esta tarefa.
O desolador tom de voz de Harry fez que Ronald sentisse vontade de rir. Não se atreveu a fazê-lo, é obvio, já que seu irmão lhe ensangüentaria o rosto só com que esboçasse um sorriso.
Os dois irmãos caminharam juntos em silencio durante vários minutos mais, cada um absorto em seus próprios pensamentos.
Ronald se deteve subitamente.
-Não pode obrigar a essa mulher. Se não desejar vir aqui, deixa-a.
-Então, por que diabos vou me incomodar em ir?
-Minha esposa poderia ter razão disse Ronald apressadamente-. Talvez lady Ginevra Molly esteja disposta a vir aqui.
Harry olhou a seu irmão com dureza.
-Disposta? Perdeste o julgamento se crê nisso. É inglesa. -Fez uma pausa para deixar escapar um cansado suspiro. - Não pode estar disposta a vir aqui.



NA: Espero que esteja ficando legal...as respostas osbre a gina virao, eu juro

beijao Tonks

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