NA: Bom, esse é o nosso ultimo capítulo da Fic.
Obrigado a todos que estão lendo a fic ou ainda vão ler.
Peço que me desculpem caso tenha muitos erros ortográficos ou algo que não tenham gostado na fic. Fiz o meu melhor e não tenham receio de comentar caso aja algo ou algum erro meu na fic que eu tenha deixado passar. Até a próxima fic HH( que não vai demorar muito, kkkk, espero, kkk). Divirtam-se, Bjs! ^----^~/
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CAPÍTULO VINTE E DOIS: "Hermione‘s Song "
Sozinho. O chalé estava vazio quando ele voltou. Era o que esperava. E o que queria, como disse a si mesmo. A solidão. Hermione guardara a comida, o que o surpreendeu. Como conhecia a sua fúria, imaginava que poderia encontrar a panela derrubada, tudo na cozinha em tumulto. Mas a cozinha estava impecável como uma igreja, com um tênue cheiro de cera de vela a pairar no ar.
Como se sentia mal por ter pensado o contrário, Harry pegou numa cerveja e foi para a sala. Não tencionava tocar qualquer música; apenas sentar-se junto da lareira apagada e pensar. Mas, se uma noite de folga lhe fora imposta, trataria de a passar a fazer alguma coisa agradável.
Sentou-se ao piano, estendeu os dedos sobre o teclado e tocou por puro prazer. Era a canção que tinha dado a Hermione.
Ela ouviu-a quando alcançou o portão do jardim. A sua primeira reação foi de alívio por o ter encontrado. A segunda foi de angústia, já que a canção era como sal derramado numa ferida aberta.
Mas era um sofrimento que tinha de ser enfrentado. Ela estendeu a mão para o portão. E não conseguiu abri-lo. Empurrou com força, sacudiu o trinco, mas em vão. Em pânico, chocada, Hermione deu um passo para trás.
- Oh, não! - Um soluço subiu pela sua garganta. - Oh, Harry, trancaste o portão para impedir que eu entrasse? A música cessou.
No silêncio, ela fez um esforço para reprimir as lágrimas. Não o confrontaria chorando. Mas, quando a porta foi aberta, estendeu os braços em volta do corpo e apertou com força, cravando os dedos na própria carne para manter as lágrimas à distância.
Harry tivera a impressão de que a ouvira a chamar, um sussurro triste, no fundo da sua mente. Sabia que a Hermione se encontrava ali, e não importava se era por pressentimento ou por magia. Ela estava mesmo ali, iluminada pelo luar. Tinha os olhos úmidos, mas o queixo erguido.
- Vais entrar?
- Não posso... - O choro tentou prevalecer, mas ela resistiu, determinada. - Não consigo abrir o portão.
Aturdido, ele começou a descer pelo caminho. Mas Hermione saltou para a frente, pôs as mãos no alto do portão.
- Espera! Eu fico deste lado. Talvez seja melhor assim. Saí para te procurar, depois imaginei que voltarias ao chalé, mais cedo ou mais tarde. Eu, ahm... tinha de pensar um pouco em tudo o que aconteceu. Talvez não faça isso com frequência, mas... Será que ele nunca mais falaria?, pensou Hermione, desesperada. Continuaria ali parado para sempre, fitando-a com aqueles olhos tão resguardados que não dava para saber o que expressavam?
- Desculpa, Harry. Lamento profundamente ter feito algo que te transtornou. Quero que compreendas que não tive a menor intenção de te magoar. Mas parte do que disseste antes é verdade. E lamento por isso também. Não sei como explicar...
A frustração ressoava na sua voz. Ela virou-lhe as costas.
- Não sabes como fazer o quê, Hermione? Ela olhava fixamente para a frente, contemplando a escuridão.
- Quero pedir-te para não me rejeitares por ter cometido um erro, mesmo sendo um erro tão grande. Dá-me outra oportunidade. E, se não puder haver nada mais entre nós, não impeças que eu continue a ser tua amiga.
Ele teve vontade de lhe abrir o portão nesse momento, mas achou melhor não o fazer.
- Eu te dei a minha palavra sobre a amizade, assim como tu me deste a tua. Não vou quebrá-la.
Hermione comprimiu a mão contra os lábios. Manteve-a ali, até ter a certeza de que podia falar de novo. - Você significa muito para mim. Tenho de deixar tudo bem claro entre nós. - Ela fez um esforço para se controlar. Virou-se. - Uma parte do que tu disseste era verdade, mas a outra estava errada. Algumas das partes mais importantes estavam erradas.
- E vais dizer-me quais eram?
Ela estremeceu com o sarcasmo frio da resposta, mas não conseguiu encontrar fúria suficiente para uma resposta brusca.
- Tu sabes como mirar e disparar com perfeição - murmurou Hermione, contida. - E é ainda mais eficaz porque fazes isso raramente.
- Está bem, peço desculpa. - Ele não poderia deixar de lamentar a forma como falara, pois nunca a vira tão magoada. - Mas ainda estou com muita raiva.
- Sou muito agressiva. - Ela respirou fundo. Deixou o ar escapar lentamente. A ansiedade persistiu. - E muito determinada. Posso ser negligente com as pessoas, mesmo quando são importantes para mim. Talvez mais quando são importantes. Pensei... já que ele não está a fazer nada com a música, então fá-lo-ei por ele. Foi errado o que eu fiz... tomar como minha uma coisa que era tua. Deveria ter-te falado antes, como disseste.
- Nesse ponto, estamos de acordo.
- Mas não foi totalmente por egoísmo. Eu queria dar-te uma coisa, algo importante, que te deixaria feliz, seria importante para ti. Juro que não teve nada a ver com dinheiro. Foi pela glória.
- Não estou à procura de glória.
- Eu queria por ti.
- Porque é tão importante para ti, Hermione? Nem sequer gostas da minha música.
- Isso não é verdade. - A raiva manifestou-se agora, pela total injustiça da alegação. - Achas que eu sou surda, idiota, e agora arrogante ainda por cima? Adoro a tua música. É linda. Mas o que eu pensava nunca teve importância para ti. Deus sabe que provocar-te ao longo dos anos nunca te levou a agir, para provares que eu estava errada. Tens desperdiçado um dom, uma espécie de milagre, o que me deixa furiosa.
Com uma expressão irritada, ela removeu as lágrimas do rosto.
- Não posso deixar de me sentir assim. Mas isso não significa que tenho menos consideração por ti. Pelo contrário, acontece porque tenho muito respeito. E de repente tu fazes uma canção que me toca no fundo do coração, de uma forma que nunca aconteceu antes. Quando ainda nem estava pronta, há várias semanas, quando a vi em cima do piano, largada ali como se tu não fosses capaz de reconhecer um diamante mesmo que faiscasse diante dos teus olhos. Eu adorei-a. Tinha de fazer alguma coisa, e não me importo de ter errado. Sentia-me tão orgulhosa de ti que não poderia ver mais nada além disso. Queres saber de uma coisa? Vai para o inferno! Hermione balançou sobre os calcanhares, deixando-o surpreendido.
Ele assobiou baixinho. - É um estranho pedido de desculpas.
- Não enche! Retiro todos os pedidos de desculpa que fui bastante idiota em apresentar!
Essa era a sua mulher, pensou Harry. Desta vez ele pôs as mãos no portão, fitando- a com uma satisfação maliciosa.
- É tarde demais. Já aceitei e guardei todos. E aqui vai uma informação. Sempre foi importante o que tu pensaste da minha música e de mim. A tua opinião importava mais do que a de qualquer outra pessoa no mundo. O que achas disso?
- Está tentando enrolar-me só porque fiquei furiosa de novo.
- Sempre fui capaz de te enrolar, querida, quer estivesses ou não furiosa. - Ele deu um empurrão firme. O portão abriu, sem qualquer dificuldade, sem barulho. - Podes passar agora. Hermione fungou, ansiosa por um lenço de papel.
- Não quero.
- Mas vais entrar - declarou Harry, pegando na sua mão e puxando-a. - Tenho algumas coisas para te dizer.
- Não estou interessada.
Ela voltou a empurrar o portão. Soltou um palavrão ao descobrir que não se mexia.
- Mas vai ouvir. - Ele virou-a, pegando nas suas mãos antes que Hermione as pudesse contrair em punhos.
- Não gostei do que fizeste, da forma como agiste. Mas os teus motivos atenuam isso de uma forma considerável.
- Não me importo.
- Pára de ser chata. Quando ela abriu a boca aturdida, Harry levantou-a, alguns centímetros do chão, acrescentando:
- Eu serei durão contigo, se for preciso. Sabes que gostas quando faço isso.
- Seu... Quando ela gaguejou, à procura de palavras, Harry balançou a cabeça. - Não sabes o que dizer, hein? É uma mudança revigorante. Não preciso de alguém para dirigir a minha vida, mas não me importo com alguém que participe na direção. Não quero ser pressionado, manipulado ou enganado. Se tentares, vais se arrepender.
- Vai fazer eu me arrepender? - A voz saiu estridente e rápida. - Já estou arrependida por ter tentado...
- Hermione... - Ele sacudiu-a levemente, o que a deixou outra vez boquiaberta. - Há ocasiões em que é melhor fechar a boca e ouvir. Esta é uma delas. - Ela piscou os olhos, espantada, enquanto Harry continuava:
- Como estava dizendo, ser enganado é uma coisa, mas ficar surpreendido é outra. E estou pensando que, no fundo, tu querias surpreender-me com uma coisa, como se fosse um presente. Mas eu recusei. Por isso, Hermione, peço desculpa.
O medo e o pesar estavam a desvanecer-se, mas era difícil resistir à tentação de se agarrar a ele.
- Também não penso grande coisa do teu pedido de desculpas.
- Aceita ou desiste.
- Você também pode ser muito agressivo às vezes.
- Tenho os meus limites, como já deves saber muito bem por esta altura. Portanto... Quanto está Malfoy disposto a pagar pela canção?
- Não lhe perguntei - respondeu Hermione, tensa.
- Ah, então sempre é capaz de não te meter em algumas coisas. É bom saber isso.
- É um homem detestável. Eu já te disse que não foi pelo dinheiro.
- Hermione empurrou-o. Para não ser humilhada outra vez pelo portão, resolveu atravessar o jardim. - Não sei como pude ser tão cega para não perceber essa parte da tua natureza durante tantos anos. Nunca saberei como fui capaz de imaginar que estava apaixonada por ti. A simples ideia de passar o resto da vida com alguém como tu deixa-me arrepiada.
Harry não conseguiu conter o sorriso. Era maravilhoso ter todas as partes da sua vida outra vez nos devidos lugares.
- Chegaremos a esse ponto daqui a pouco. É importante que não tenha sido pelo dinheiro, Hermione. Ainda bem que não pensaste: “Se vou viver com este homem, é melhor ele provar que é capaz de ganhar a vida com o seu talento. E, como ele não quer, tratarei eu disso”.
-Pouco me importa como você ganha a vida.
- É o que estou percebendo agora. Pensou então de outra forma: “Quero viver com este homem, sentir o que sinto por ele e ajudá-lo naquilo que ele considera mais importante.” É um pensamento adorável, mas não muda o fato de que deverias ter deixado que fosse eu a tomar a iniciativa.
- Pode ter certeza de que deixarei essas questões e todo o resto aos teus cuidados no futuro.
- Se essa promessa durar uma semana, espero ver porcos voando sobre a Baía de Ardmore. E, caso estejas a especular nesse teu cérebro calculista, quero que saibas que vou entrar em contacto com o Malfoy pessoalmente e lhe vou enviar a minha música, se o que ele disser me convencer... e tenciono fazer isso assim que ele chegue aqui e eu o possa avaliar.
Hermione hesitou, fitando-o com uma expressão desconfiada.
- Tencionavas mostrar o teu trabalho ao Malfoy?
- Provavelmente. Admito que centenas de vezes, no passado, quase mandei as minhas canções para alguém, mas mudei de ideias no último instante. Quando uma coisa sai de ti, é muito preciosa. Havia o medo de que os outros achassem que eram fracas. Por isso, era mais seguro não correr o risco. Receava perder uma coisa muito importante para mim. Isso diminui-me aos teus olhos, Hermione?
- Claro que não. Mas, se não perguntares - acrescentou ela, lembrando-se das palavras do pai -, a resposta será sempre não.
- Não estou a contestar o teu argumento, mas apenas o teu método. E agora responde-me a uma coisa: se o Malfoy te dissesse “Porque está me enviando esta música medíocre de amador? Quem compôs isto não tem talento nenhum”, terias menos consideração por mim?
- Claro que não, seu cabeça de minhoca. Eu saberia que o Malfoy não tem bom gosto.
- Nesse caso, uma tremenda confusão está mais ou menos esclarecida. Podemos voltar ao ponto em que estavas apaixonada por mim?
- Não, não podemos, porque já não estou. Recuperei o bom senso.
- O que é uma pena. Tens de esperar aqui por um momento. Preciso de ir buscar uma coisa lá dentro.
- Não quero esperar. Vou voltar para casa.
- Então vou atrás de ti, Hermione- gritou Harry, olhando para trás, enquanto se encaminhava para a porta.
- E é melhor fazer o que tenho em mente aqui, em privado. Ela pensou em saltar por cima do portão, só para o irritar. Mas a pressão emocional deixara-a cansada. Podia muito bem terminar tudo agora, em vez de deixar para mais tarde. Enquanto esperava, ela cruzou os braços.
Harry não carregava nada quando saiu, o que a fez ficar de cara séria.
- A lua está cheia - murmurou ele, ao aproximar-se. - Talvez haja outras coisas que tenham mais a ver com este momento do que tudo o que sabemos. Mas estava fadado a ser ao luar, e fadado a ser aqui. Ele enfiou a mão no bolso. Manteve-a ali.
- Eu tinha um plano. Deixaria que me assediasses, desgastasses a minha resistência, até me convencer que não havia outra alternativa a não ser ceder e casar contigo.
Hermione arregalou os olhos em choque. - O que disse?
- Achava mesmo que esvata me induzindo a te querer como minha mulher? É esse o tipo de homem que tu queres, Hermione Granger? O tipo que desejas a teu lado, ao longo da tua vida, como pai dos teus filhos?
- Estava fazendo um jogo?
- Em parte. Da mesma forma que tu. Mas o jogo agora acabou, e descubro que quero que isso seja feito naquilo a que poderíamos chamar de forma tradicional. Hermione... - Harry pegou na mão dela, nem um pouco insatisfeito ao descobrir que tremia.
- Eu amo-te. Não sei quando começou, se foi há anos ou semanas. Mas sei que o meu coração é todo seu, e não admite que seja de outra maneira. É tu quem eu quero. Não existe nada mais além de ti. Vamos viver juntos. Casa-te comigo.
Hermione não podia desviar os olhos do rosto de Harry. O mundo inteiro estava naquele rosto.
- A minha cabeça está doendo... - balbuciou ela.
- Deus do céu!- Com meia gargalhada, ele pegou na mão de Hermionee beijou-a. - Como poderia eu deixar de amar uma mulher assim?
Harry continuou a segura a mão de Hermione, enquanto tirava o anel do bolso. A pedra da Lua brilhava, branca e pura, incrustada no aro forjado em prata simples.
- Uma lágrima da lua, Hermione, que me foi dada para entregar a ti. Sei que não usas anéis, de um modo geral.
- Eu... com o trabalho que eu tenho, os anéis prendem e dificultam tudo.
- Por isso, também tenho uma corrente. Podes usar o anel pendurado ao pescoço. Harry era o tipo de homem que pensaria nisso, pensou Hermione. Um detalhe pequeno e fascinante.
- Não estou trabalhando, neste momento. Ele enfiou o anel no dedo de Hermione, firmando a mão. - Acho que combina comigo, como tu. O tudo em você combina comigo. Mas não me farás chorar.
- Claro que farei. - Ele roçou os lábios pela testa de Hermione, pelas fontes.
- Comprei um terreno para ti hoje.
- O quê? - As lágrimas podiam turvar a sua vista, mas ela conseguiu dar um passo para trás.
- Um terreno? Tu compraste um terreno? Sem me dizeres nada? Sem que eu o visse antes?
- Se não gostares, podes usá-lo para me enterrar.
- Boa ideia. Compraste um terreno... - A voz era agora sonhadora.
- Para que tu possas construir a nossa casa, que nós os dois transformaremos num lar.
-Caramba! Você tem que me fazer Harry! - Hermione abraçou-o pelo pescoço. - Espera um instante. Estou horrível. - Com o rosto comprimido contra o ombro de Harry, ela respirou fundo. - Pensei que apenas sentia desejo por ti e que saciar esse desejo seria suficiente para nós os dois. Continuo a desejar-te, mas não é suficiente. Não é tudo. Quero estar sempre a teu lado. Foi para isso que te assediei. Nada me poderá convencer do contrário.
Hermione recuou o suficiente para que os lábios se encontrassem. - Pensei muito, até ensaiei o que diria esta noite. Agora, não consigo lembrar-me de nada. Só que te amo, Harry. E amo-te como você é. Não há nada que eu mudaria.
- Dizer isso é mais do que suficiente. Queres entrar agora? Vou aquecer o jantar.
- É o mínimo que podes fazer, depois de o teres deixado esfriar. - Ela entrelaçou os dedos com os de Harry.
- Não vais exigir um casamento grande e pomposo, não é?
- Nem poderia, já que me quero casar o mais depressa possível.
- Hum... - Hermione encostou-se a ele. - Eu amo-te, Harry Potter. Enquanto entravam no chalé, ela acrescentou:
- Só mais uma coisa. Não vais precisar de um nome para a canção que o Malfoy quer comprar?
- É a Canção de Hermione . Sempre foi.
FIM.