NA: Olá novamente! Hj eu fiquei muito animada, depois de muito tempo sem ler nenhuma fic, eis que acho uma chamada Esposa por acaso(HH), e é muito boa, estou adorando.. E o que isso tem haver com esse capítulo? Tem haver pois graças a essa fic, fiquei super animada e toda motivada a presentea-los! o/ kkk
kkk o Café também ajudou mas os créditos vá para essa Fic que eu falei. Mas então voltando ao foco, kkk, como diz uma amiga minha: - Foca na foca! kkkk ^----^~/ Estou aqui nessa madrugada depois de algumas horas finalizando um capítulo e resolvi adiantar o capítulo da semana que vem e só digo muita uma coisa... Tá sensacional! kkk
sou suspeita eu sei, mas esse capítulo define um pouco os acontecimentos futuro dessa trama..
Ah! é mesmo! vamos lá pessoal deixem os seus comentários sobre o que estão achando da fic. É muito importante para o autor/quem adapta saber a opinião dos leitores. ^----^~
Boa leitura e divirtam-se!
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CAPÍTULO DEZENOVE:
" A compra, Malfoy, Grávida!? Surpresas... "
O preço era tão salgado quanto o mar lá em baixo, mas Harry ficou com uma boa impressão. Parado sob a chuva agora fina, podia avistar o mar numa direção, cinzento para combinar com o céu, mais calmo agora. A tempestade passara durante a noite, mas a praia estava coalhada de conchas, algas e detritos trazidos pelas ondas.
Harry pensou em fazer a frente da casa nessa direção, com pelo menos uma janela grande na sala, a fim de que pudessem contemplar as oscilações do mar. Por trás, estavam as montanhas distantes, como protuberâncias escuras que se projetavam para o céu nublado. Nos lados do terreno havia colinas e campos, de um verde úmido, que cintilavam através dos fiapos de neblina.
Ele não tinha o talento para construir uma casa na sua imaginação, passá-la para o papel e pegar em materiais e ferramentas para a transformar em realidade. Não como Hermione. Mas podia, ainda mais quando o interesse era pessoal, produzir uma imagem, mesmo que vaga. Queria uma sala de música... não apenas para música, pensou ele, enquanto se afastava da área que julgava mais apropriada para erguer uma casa. Teria de ser confortável e acolhedora, para que outros se sentissem à vontade para entrar e ficar por algum tempo.
Não poderia ser uma sala pequena, pois teria de haver espaço para o piano e o violino. Ia querer também um armário - talvez Hermione pudesse fazê-lo - para guardar as suas músicas. E uma mesa para pôr um bom gravador. Sempre tivera a intenção de gravar a sua música, e já era tempo de começar. Se algum dia quisesse dar o passo seguinte, o que faria no momento e da maneira que escolhesse, refinando algumas canções, o gravador seria essencial.
Depois, selecionaria uma canção e tentaria vendê-la. Uma vez que o pensamento o deixou com os nervos tensos, ele sacudiu a cabeça. Mas ainda não, é claro. Não por enquanto. Tinha muita coisa para fazer antes, e tempo mais do que suficiente. Ele e Hermione precisavam de chegar a um acordo primeiro. E a casa deveria ser construída. Depois, haveria necessidade de tempo para assentarem na vida nova, para se ajustarem um ao outro.
Só depois é que pensaria em comercializar a sua música. A estrada que levava ao terreno que Harry tencionava comprar era pior do que a estrada que ia de Ardmore ao Faerie Hill Cottage e à casa dos Granger. Mas isso não o preocupava; e, se preocupasse Hermione, poderiam tapar os buracos, alargá-la ou tomar qualquer outra providência necessária. Um problema que deixaria aos cuidados de Hermione.
Não era um terreno grande, mas dava para fazer uma boa casa e um jardim. Espaço também suficiente, calculou Harry, para um barracão, pois Hermione precisaria de um lugar para guardar as suas ferramentas, talvez instalar uma oficina. E precisaria tanto disso quanto ele da sua sala de música. Haveriam de se dar muito bem com os seus interesses separados, pensou ele; e sentiu-se grato por nenhum dos dois ser do tipo que precisava de exercer controle sobre o outro, dia e noite.
Tinham interesses comuns e opostos, o que era uma boa mistura. Havia um córrego estreito ao fundo do terreno, e três árvores de aparência firme, que o fizeram pensar nas três cruzes perto da Fonte de São Declan. O homem que queria vender o terreno informara que havia uma área de turfa por trás, e que ninguém se dera ao trabalho de a cortar por anos.
O próprio Harry não cortava turfa desde que era criança e saía com o avô da parte da mãe. Os Fitzgerald eram mais da terra, enquanto os Potter eram da cidade. Harry refletiu que poderia até gostar, se a sua vida e conforto não dependessem absolutamente disso.
Ele foi até ao que era presunçosamente chamado de estrada, onde as sebes cresciam altas, envoltas pela primeira neblina da Primavera. No momento em que se aproximou, três pegas alçaram voo de uma sebe, como balas disparadas da mesma arma, em rápida sucessão. Três para o casamento, pensou Harry, decidindo que era um sinal mais do que suficiente para ele.
Ao entrar no carro e voltar à aldeia, para trabalhar, ele já se considerava um proprietário, pois um aperto de mão fora trocado para oficializar o negócio.
...
Hermione trabalhou em casa no início da manhã. O vento deslocara algumas telhas, e duas ou três goteiras haviam surgido com a chuva. Era um trabalho bastante simples, não mais do que um remendo aqui e ali; e proporcionou-lhe a oportunidade de se sentar ao sol hesitante a contemplar o mar. Quando construísse uma casa, pensou ela, escolheria um terreno mais alto, para que a vista do mar fosse das janelas, não do telhado.
Era bom ver os barcos de novo, saber que a vida começava a retomar o seu ritmo regular. E talvez tivesse também algumas clarabóias, para poder levantar os olhos e ver o sol, a chuva, ou as estrelas.
Era o momento de providenciar a sua própria casa, refletiu ela, embora soubesse que sentiria saudade dos sons e fragrâncias da família. Mas uma coisa dentro dela dizia que chegara o momento para a próxima fase do que era e do que se tornaria. Houvera um clima, uma envolvimento diferente entre ela e Harry na noite anterior. Tudo mudara, para sempre. A sua mente e o seu coração encontravam-se agora no mesmo lugar. Era tempo de lhe dizer, de pedir. De pressioná-lo, se não houvesse outra forma. Fosse como fosse, os Granger começariam em breve a planejar outro casamento. Que Deus os ajudasse a todos.
Ela foi até às escadas e desceu. Deixou a caixa de ferramentas na porta dos fundos e entrou para dizer à mãe que concluíra o trabalho, e já ia embora. Quando o telefone tocou, ela atendeu sem pensar. Depois, com sentimento de culpa, prendeu o aparelho sob o queixo, enquanto limpava a fuligem das telhas, esfregando as mãos nas calças jeans.
- Alô?
- Srta. Granger?
- Uma delas.
- Srta. Hermione Granger?
- Acertou em cheio, sou eu mesma. - Automaticamente, Hermione abriu a porta do frigorífico e verificou o conteúdo. - Em que posso ajudá-lo?
- Pode esperar um pouco na linha por um momento, que o Sr. Malfoy vai falar?
- Ah... - Hermione endireitou-se nesse mesmo instante. Empurrou a porta do frigorífico com a anca, entalando a sua própria mão.
- Claro que posso. Ai! Ela só soltou o grito de dor depois de ouvir o estalido na ligação. Levou a mão à boca para lamber os dedos doridos.
- Srta. Granger, quem vos fala é Draco Malfoy.
- Bom dia, Sr. Malfoy. - Ela reconheceu a voz profunda e suave da ocasião em que tivera de enfrentar o que parecia ser um exército de assistentes, até falar com ele.
- Está ligando de Nova Iorque?
- Não. Neste momento, estou a caminho de Londres.
- Ah... - O desapontamento inicial por não estar a receber um telefonema de Nova Iorque desapareceu quando uma nova emoção surgiu. (N.A: Não entendi isso até hj desde de que li a primeira vez, kkk, mas acho que deve ser um sonho dela conhecer a America e tal, kkkk)- Então está a ligando do avião?
- Isso mesmo. Ela teve vontade de chamar a mãe, gritar para que viesse depressa, mas achou que pareceria uma atitude de provinciana. - Foi muito gentil da sua parte ter arranjado tempo na sua agenda movimentada para me telefonar.
- Arranjo sempre tempo para o que me interessa. A impressão era de que ele falava a sério, e que o inverso também era verdade.
- Então talvez já tenha dado uma olhada no que o Rony Potter lhe enviou.
- Uma boa olhada. Você e o seu pai formam mesmo uma dupla e tanto. Porque a mão latejava, Hermione pegou num pouco de gelo.
- É verdade. E devo acrescentar, Sr. Malfoy, que conheço Ardmore e o que lhe convém.
- É um ponto que não posso contestar, Srta. Granger. Ela achou que havia uma insinuação de divertimento na voz. Respirou fundo para manter o controle.
- Pode dizer o que achou do meu projeto?
- Estou interessado. Tenho de examiná-lo com mais cuidado, mas já posso adiantar que me interessa. O Potter não mencionou onde você estudou arquitetura.
Hermione estreitou os olhos. Decidiu que, se era uma armadilha, o melhor seria cair nela agora, em vez de deixar para mais tarde.
- Trabalhando, senhor. O meu pai trabalhou em construção durante toda a sua vida, e aprendi a seu lado. Imagino que também teve o mesmo tipo de experiência com o seu pai.
- Pode-se dizer que sim.
- Então sabe que se pode aprender muito fazendo. Nós dois, o meu pai e eu, tratamos da maior parte das construções e renovações em Old Parish. E, se não fazemos, sabemos de quem o faça. Por isso, podemos ser uma grande valia para a sua obra. Não encontrará ninguém melhor do que os Granger em Old Parish... nem em todo o condado de Waterford, diga-se de passagem. Se planeja construir em Ardmore, Sr. Malfoy, Já lhe digo que é um bom negócio, tenho a certeza de que vai concordar, usar a mão-de-obra local, é sempre uma escolha acertiva. Teremos o maior prazer em lhe enviar referências dos melhores profissionais da região.
- E eu terei o maior prazer em recebê-las. Está construindo uma boa argumentação a seu favor, Srta. Granger.
- Posso assegurar-lhe que construo muito melhor com madeira e tijolos do que com palavras.
- Verei isso pessoalmente, pois pretendo arranjar um ou dois dias para visitar o local, muito em breve.
- Se nos informar sobre os detalhes, o meu pai e eu poderemos recebê-lo, de acordo com a sua conveniência.
- Eu entrarei em contacto.
- Ahm... Não quero incomodá-lo, Sr. Malfoy, mas gostaria de saber se teve um momento para examinar a música que lhe enviei.
- Claro que sim. Não sei se compreendo a situação. É a representante de Harry Potter?
- Não, não sou. É um pouco... complicado.
- Ele não tem quem o represente?
- Ahm... não... não de momento.
- Como funcionava esse tipo de coisa então?
- Pode-se dizer que estou agindo por dele, neste caso específico, a nível pessoal.
- Hum...
Hermione estremeceu, pensando que havia algo mais naquele murmúrio casual. - Importa-se de me dizer se gostou da música?
- O suficiente para a comprar, se o Potter estiver interesado em vendê-la, e para querer a oportunidade de negociar as suas outras obras. Presumo que ele tenha outras canções.
- Tem, sim. E muitas. - Hermione esqueceu-se da mão a latejar e despejou o gelo na pia. Enquanto os pés se agitavam, ela fez um esforço para manter a voz controlada e profissional. - Está disposto a comprar a canção. Pode dizer-me com que propósito?
- Para gravar-la. - Mas eu tinha a impressão de que o seu ramo era a construção.
- Também tenho uma editora discográfica. A Celtic Records. - Ele fez uma pausa. O tom era divertido quando acrescentou:
- Quer referências, Sra. Granger?
- Posso telefonar-te mais tarde, para conversar sobre isso? Preciso discutir o assunto com o Harry.
- Claro. Os funcionários do meu escritório em Nova Iorque saberão onde me encontrar.
- Obrigada pelo seu tempo e consideração, Sr. Malfoy. Espero conhecê-lo pessoalmente muito em breve. Eu... - Hermione não sabia o que mais dizer. - Obrigada.
No instante em que desligou, ela soltou um grito de triunfo. Correu para a frente da casa.
- Mãe, tenho de sair! Voltarei quando puder!
- Já vais sair? - Miranda veio do quarto dos fundos para o cimo das escadas, a tempo de ver a caminhonete da filha saindo como uma bala para a estrada.
- Essa moleca... Se não é uma coisa, é outra. Para onde vai desta vez? Gostaria de saber. E o meu telhado, ficou consertado ou não? Ela vai ouvir das boas se eu tiver de aturar a água a pingar em baldes por mais uma noite. Antes que pudesse voltar ao trabalho, Miranda avistou o carro de Harry aproximar- se.
- Todas estas idas e vindas por aqui... - murmurou ela, enquanto descia as escadas. - A minha cabeça já começa a girar.
Miranda abriu a porta da frente e esperou que Harry chegasse.
- Bom dia, Harry. Perdeste a Hermione por pouco. Ela saiu daqui disparada há um minuto, como se tivesse com asas nos pés.
- Ahm... - ele limpou a garganta. - Não vim até aqui para falar com a Hermione.
- Não? - Miranda fitou-o atentamente, com grande curiosidade. Mas sabia que era melhor esperar que ele explicasse. O que poderia levar metade do dia, como lhe indicava a sua experiência pessoal. Portanto, era melhor sentar-se.
- Sou a única que ainda está em casa. Não queres entrar para tomar um chá?
- Ficaria agradecido. - Harry seguiu-a até à cozinha. - Mas não quero ocupar o seu tempo.
- Rapaz, tens entrado e saído desta casa desde que aprendeste a andar. Ninguém te expulsou daqui antes e não tenho a menor intenção de começar agora a fazê-lo. - Ela acenou com a mão na direção da mesa e foi preparar o chá. - A Hermione tem o coração e a mente independentes, como tenho a certeza que sabes.
- E sei muito bem. Achei que deveria vir até aqui para me certificar... para ter a certeza de que você...
Miranda ficou com pena do constrangimento de Harry. - Tens medo que eu deixe de te amar, meu belo jovem?
- A preocupação de Harry desapareceu no instante em que ela estendeu a mão para desmanchar os seus cabelos, como gostava de fazer desde quando ele se podia lembrar.
- Não há qualquer risco de que isso possa mudar. Mas se fizesses alguma coisa com a minha Katie, levarias um puxão de orelhas que nunca mais esquecerias.
- Nunca tive a intenção de dar a Mary Kate qualquer...
- “Encorajamento” pode ser a palavra que estás a procurar, meu rapaz. Pareces ter a língua presa, o que não costuma acontecer contigo, pois sempre foste persuasivo. Sobrou um bolinho com canela, do pequeno-almoço. Posso aquecê-lo para ti, enquanto me contas qual é o problema.
- Faz-me sentir saudades da minha mãe, Sra. Granger. - Tomarei o lugar dela, tal como ela tomaria o meu. - Miranda movimentou-se pela cozinha, sabendo que isso o deixaria mais à vontade. - A Hermione está a causar-te muitas dores de cabeça?
- Estou acostumado a isso... e não me importo muito. Acho que retribuo na mesma medida. Ahm... eu gostaria de saber se o Sr. Granger relatou a conversa que tivemos há cerca de duas semanas.
Miranda lançou-lhe um olhar cortante, feito para deixar um homem encolhido. - Se te estás a se referir ao dia em que ele voltou bêbedo para casa, o Mick não me disse nada. Concluí que o uísque era teu, já que ele não tem um mundo de opções para onde pudesse ir a pé, encher a cara valentemente, e voltar em tão pouco tempo.
- Ele não lhe disse nada.
- Fechou-se como uma ostra.
- Ele estava furioso, com toda a razão, até que lhe expliquei qual era a situação.
- E qual é a situação, Harry? - Miranda largou a panela e esperou.
- Estou apaixonado pela Hermione, Sra. Granger. Quero casar-me com ela.
Ela ficou imóvel por um instante, depois encostou o rosto em cima da cabeça de Harry. - Eu sei disso. Não te importes comigo. Tenho de fungar um pouco.
- Serei bom para ela.
- Não tenho a menor dúvida quanto a isso.
- Ela virou-se para pegar no bolo, enxugando os olhos. - Tu serás bom para ela, e a Hermione para ti.
- A outra parte é que tenho vindo a trabalhar em torno dela, por assim dizer, para que a Hermione pense que a ideia foi dela. Sabe como ela é quando cisma com alguma coisa.
- Insiste até conseguir o que quer ou até que não valha mais a pena. Eu sempre disse que eras inteligente, Harry.
- Milhares não diriam isso - comentou ele, afável. - Pensei que poderia escapar. Afinal, de regra geral, nunca fui de me apressar em nada. Mas parece que agora já não consigo esperar. Comprei um terreno hoje.
Miranda não ficou nem metade tão surpreendida como ele esperava, mas mostrou-se duas vezes mais satisfeita. - Caramba, rapaz, quando queres podes agir bem depressa.
- A Hermione terá a sua casa, como deseja. Não sou muito exigente nessas coisas.
Miranda abriu a boca para responder, mas mudou de ideias. Os homens, ela sabia muito bem, diziam sempre essas coisas, até acreditavam nelas. Mas depois deixavam uma mulher perturbada com a discussão dos detalhes. Harry e Hermione teriam de descobrir isso pessoalmente.
- Ela sempre teve a ideia de construir a sua própria casa - comentou Miranda, depois de um momento.
- Eu sei. E porque não deveria? A Hermione tem talento para essas coisas e gosto pelo trabalho. Pessoalmente, não tenho a menor vontade de pegar num martelo ou num serrote. Mas ganho bem e terei ainda mais dinheiro quando o teatro for inaugurado. Não haverá qualquer preocupação em construir um teto sobre as nossas cabeças e mantê-lo ali.
- Harry, estás à espera da minha permissão para pedir a Hermione em casamento?
- Quero a sua bênção. É tão importante para mim como para ela.
- Tens a minha bênção. - Ela pegou nas mãos de Harry. - E, mesmo com todo o amor que sinto pela minha filha, tens também a minha compaixão. Ela vai levar-te ao desespero.
- Preciso de um favor. Hermione entrou no pub pela porta dos fundos, no momento em que Rony estava a colocar as cadeiras no chão. O tempo era tudo ali, pensou ela, enquanto fazia um esforço para recuperar o fôlego. Harry chegaria a qualquer momento.
- Ora, ora, pareces cheia de surpresas e segredos. - Ele empurrou uma cadeira para baixo da mesa.
- Qual é o favor?
- Em primeiro lugar, não te posso contar o segredo.
- Automaticamente, ela começou também a tirar as cadeiras de cima das mesas.
- Tenho de te pedir para fazeres o favor às cegas.
Rony estudou-a nesse instante, com o rosto afogueado, os olhos a faiscar, um sorriso inebriado. Recordou uma expressão muito parecida no rosto de Luna, em determinado momento.
- Santo Deus, Hermione, não me digas que estás grávida!
- Grávida? - A cadeira quase escapou das suas mãos.
- Não, não! - E embora descartasse a possibilidade com uma gargalhada, ela achou interessante descobrir que não se importaria.
- Não é nada disso. Rony, podes dar a noite de folga ao Harry?
- A noite inteira? Ela ouviu a angústia na voz de Rony e teve pena.
- Eu sei que é pedir muito, e ainda para mais tão em cima da hora. Mas é importante. Trabalharei de graça neste fim-de-semana para compensar. E falarei pessoalmente com a Sra. Duffy para que ela substitua o Harry.
- Porque não é o próprio Harry a pedi-lo, em vez de te enviar aaqui para me fitares com esses lindos olhos enormes?
Ela riu. - Ele não sabe. - Hermione aproximou-se, passando a mão pelo braço de Rony. - Outra parte do favor é não lhe contares que eu te pedi. Poderias simplesmente mandá-lo para casa no início do turno?
- Ele vai querer saber porquê, não vai?
- Não tive tempo para pensar em tudo. - Ela virou-se, deu alguns passos, mas não conseguiu desanuviar a cabeça. - Pensa em alguma desculpa, Rony. Por favor.
- Suponho que seja uma questão do coração. E tu estás a usar o meu contra o melhor sentido profissional. - Ele deixou escapar um sonoro suspiro. - Eu dou um jeito nisso.
- Ah, é o melhor amigo do mundo! Ela saltou para os braços de Rony, para dar um beijo ruidoso na sua boca.
- Olhem só para isto! Se ela não está atrás de um irmão, salta para cima do outro! - Com um bocejo preguiçoso, Gina entrou no pub .
- Esse homem é casado, e tu sabes disso, sua vagabunda traiçoeira! - Também tenho um beijo para ti. Antes que Gina se pudesse esquivar, Hermione correu para ela e deu-lhe o mesmo tratamento.
- Doce Maria, agora ela também se atira a mulheres! - Mas a gargalhada sonolenta de Gina desvaneceu-se no mesmo instante. Ela agarrou nos braços de Hermione.
- Estás grávida?
- Pelo amor de Deus! Claro que não! Será que uma mulher não se pode sentir feliz sem ter uma criança na barriga? Tenho de ir. Ele já deve estar chegando. Não lhe digam que estive aqui. Por favor. Vou pegar uma garrafa do champanhe francês que guardas lá atrás, Rony. Põe na minha conta, está bem? Ela saiu apressada, da mesma forma como entrara.
Gina ficou a esfregar a boca. - O que significa tudo isto?
- Não faço a mínima ideia. Mas ela está tramando alguma coisa, e o Harry não pode saber.
- Segredos, segredos... Eu poderia arrancá-los em cinco minutos.
- Não tenho a menor dúvida quanto a isso - concordou Rony. - Mas vamos deixá-la fazer a sua surpresa.
- Já tive a minha ideia. - Gina foi pegar no seu avental atrás do balcão. - Ela está apaixonada pelo Harry.
- Isso perturba-te?
- Não, exceto pelo fato de os Potter andarem a cair como frutos maduros de uma árvore.
Rony também foi para trás do balcão, a fim de verificar a caixa registradora. - Tens medo que o mesmo te aconteça?
- Deveria ter, se não fosse imune a essas fraquezas. - Ela ouviu a porta dos fundos a ser aberta. - E, por falar em mistérios, eis que ele chega o nosso Romeu.- Ela pisca para Rony e com afeição e sentimento profundos, Gina foi para a cozinha a fim de atormentar o irmão.
- Oh cabeça de abóbora, você está atrasado!
...
Algum tempo depois...
- Posso ir? Como assim? - Cercado por batatas, Harry virou a cabeça para fitar o irmão.
- Ir para onde?
- Ir embora. A Kathy Duffy já deve estar a chegar.
- Mas... Para quê?
- Para te substituir. - Rony tivera a ideia de se divertir um pouco à custa do irmão, achando que não havia motivo para deixar a oportunidade passar. - Tens a noite de folga, como pediste. Embora seja bastante inconveniente.
Harry atirou as cascas das batatas para o lixo. - Não pedi nenhuma noite de folga.
- Então deve ter sido o teu irmão gêmeo... ou estou com algum distúrbio mental. - De cara séria, Rony abriu a porta do frigorífico e tirou uma garrafa de água. - Eu disse-te há dois dias, quando pediste, que arranjaria forma, alguém para ficar no teu lugar.
- Mas eu... Deves ter sonhado. Tenho cinco quilos de batatas para preparar. Achas que eu pensaria em fazer batatas recheadas se planejasse tirar a noite de folga?
- É uma pergunta à qual não posso responder. Mas a Kathy Duffy está a chegar e não preciso dos dois aqui.
- Não tenho outros planos para esta noite a não ser trabalhar aqui. Confundiste as coisas.
Divertido, Rony virou-se quando Gina entrou na cozinha.
- O Harry pediu ou não esta noite de folga?
- Pediu. Há dois dias. É mesmo egoísta. - Não querendo perder a oportunidade, Gina lançou um olhar de desafio a Rony. - E já que é tão liberal com o nosso irmão, quero uma folga na tarde de sábado.
- Na tarde de sábado? - Rony quase se engasgou com a água.
- Não posso dar folgas no fim-de-semana. Estamos a entrar na primavera.
- Para ele, não há problemas. - Gina apontou um dedo para o aturdido Harry.
- Comigo, é totalmente diferente. - Não preciso da noite de folga.
- Mas tens de ir. - Rony falou num tom ríspido, enquanto Gina cruzava os braços. - Uma noite durante a semana é diferente de uma tarde de sábado.
- Está bem, está bem... Tirarei a noite de folga na próxima segunda-feira. A menos que ser mulher signifique que não mereço a mesma consideração que ele. Satisfeita por ter dado a volta em Rony, ela deixou a cozinha.
- Não me lembro de ter pedido esta noite de folga - murmurou Harry. - Tu não te lembras de apertar os cordões dos sapatos em metade das vezes. - Com uma expressão irritada, Rony sacudiu o polegar para a porta dos fundos. - Agora sai, seu criador de problemas.
Depois, arregaçando as mangas e empinando os ombros, Rony foi confrontar a irmã traiçoeira.
No chalé do penhasco...
Ela tinha tudo sob controle. Dera muito trabalho. Tinha de ser especial, tão próximo do perfeito quanto possível. Harry Potter descobriria que não era o único capaz de preparar um bom jantar. Fora ao mercado e comprara todos os ingredientes. Enquanto Harry se ocupava a cozinhar no pub, ela fazia a mesma coisa no chalé. Podia não ter a mesma aptidão que ele para a culinária, mas não era totalmente desajeitada.
Pusera o champanhe no frigorífico e até descobrira um balde comum para servir como balde de gelo. Pedira emprestados as taças de champanhe de Luna. Flútes, como ela lhes chamara, pensou Hermione. Eram mesmo elegantes. Pusera a mesa com todo o cuidado. Pratos de porcelana, guardanapos de pano, as flores colhidas nos jardins da mãe e do chalé.
As velas eram importantes, refletiu ela, enquanto as acendia. Tudo pronto para um clima de romance e celebração. Mal podia esperar para ver a cara de Harry quando lhe falasse sobre a sua música. Fora um teste de vontade e controle para não gritar a notícia a todos os que encontrara durante o dia. Mas Harry tinha de ser o primeiro a saber.
Depois de comemorarem a emoção da notícia, o futuro de Harry, levantando os seus copos algumas vezes, ela contar-lhe-ia o resto.
Não podia - e não o faria - tropeçar nas palavras. Afinal, não tinha ensaiado tudo mentalmente ao longo do dia?
- Eu amo-te - disse ela agora, em voz alta, para a sala vazia. - Acho que sempre te amei. E sei agora que sempre te amarei. Queres casar comigo? Pronto. Ela esfregou a base da mão contra o coração, disparado como um cavalo selvagem.
Não era assim tão difícil. Talvez sentisse a língua algo grossa e desajeitada, mas dissera tudo, sem gaguejar. E, se Harry hesitasse ou recusasse, ela matá-lo-ia.
Com os seus ouvidos atentos, ela ouviu o barulho do carro a aproximar-se. Muito bem, Hermione. Ela fechou os olhos. Respirou fundo. Aqui vamos nós.
Claro que não pedira a noite de folga. Ainda irritado, Harry abriu o portão do jardim. Saberia se tivesse pedido, certo? E se soubesse, faria planos, certo? Afinal, sabia o que fazer com a sua própria vida. Não que não conseguisse se adaptar à situação.
Ligaria para Hermione, chamando-a para passarem a noite juntos. Faria o jantar. Ou então, como ainda era cedo, poderiam ir ao restaurante do hotel.
Rony e Gina tinham conspirado contra ele, embora não pudesse compreender o motivo. No instante em que entrou no chalé, ele sentiu o cheiro de comida. Depois, constatou que havia uma luz acesa na cozinha.
O que estaria acontecendo? Será que Lady Gwen começara a preparar as refeições, durante a sua ausência? Ao chegar à cozinha, ele ficou tão surpreendido ao deparar-se com Hermione como ficaria se visse o fantasma.
Ela usava um vestido, o que era bastante incomum. Mas sorria, com velas acesas em redor, o aroma delicioso de um guisado ao lume, uma garrafa de champanhe dentro de um balde, no balcão, por trás dela.
- O que significa isto?
- É o jantar. Um guisado de carne com Guinness. O único prato que sei preparar sem deixar ninguém intoxicado.
- Você cozinhou? Harry esfregou a testa, como se começasse a ter dores de cabeça.
- Já aconteceu antes, em raras ocasiões.
- Eu sei, mas nós... - Ele esquadrinhou os preparativos. - Isto vai além da simples distração. Deve haver algo errado comigo.
- Pareces-me muito bem. - Já que Harry não tomaria a iniciativa, ela resolveu fazê- lo, avançando para o beijar. - Mais do que bem... - Hermione segurou o rosto dele entre as mãos. O beijo foi sonhador. - Não imaginas como me sinto feliz por te ver, Harry.
Ele ia fazer perguntas, queria esclarecer tudo. Mas, quando a boca de Hermione, quente e afetuosa, se mexeu sobre a sua, Harry concluiu que não fazia sentido.
- É um prazer voltar para casa e encontrar-te.
Trata de te acostumar, pensou Hermione. Ela sorriu, ao dar um passo para trás. - Estava à tua espera. Com grande ansiedade. Tenho coisas para te contar.
- Quais são? As palavras afloraram à língua de Hermione, mas ela tratou de as conter.
- Vamos abrir a garrafa primeiro.
- Podes deixar que eu faço isso. - Harry avançou para pegar na garrafa de champanhe. Alteou as sobrancelhas ao ver o rótulo. - Uma das mais caras. Estamos comemorando algo?
- Estamos. - Ela percebeu a expressão que tomo as faces e o olhar de Harry, da forma como os seus dedos ficaram subitamente imóveis no papel laminado.
- Se me perguntares se estou grávida, juro que te arranco o cérebro. Não estou. Os olhos de Hermione tinham um divertimento ao falar.
Harry não desviava os olhos, enquanto distorcia o arame.
- Estás muito animada.
- É verdade. Há algumas coisas que não acontecem todos os dias, e ficas na melhor das disposições quando ocorrem. - Ela sentia-se tão borbulhante quanto o champanhe que Harry serviu. Pegou no seu copo e levantou-o.
- A você, Harry.
- E o quê eu fiz?
- Deveríamos sentar-nos. Não, não posso. É melhor continuarmos de pé. Harry, acabas de vender a tua primeira canção.
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N.A: Ih agora? O quê acontecerá? Pelas as minhas contas estamos a 1 ou 2 capítulos do fim. ^----^~ até mais!