NA: Olá pessoal!
Como eu disse antes, explicarei o meu desaparecimento:
Ano passado estava cheia de sonhos, trabalhando e com algum tempo livre... Mas um tempo depois de começar a adaptar a Fic , recebi a confirmação de uma bolsa para o curso técnico que eu queria muito fazer, então, aqui vos fala uma aprendiz de Modelista( é a pessoa que cria o molde para as roupas que vão para as fábricas, é a pessoa que desenvolve a construção plana e o caimento das peças), como o meu curso é a noite , dá para imaginar que eu chego acabada, como se um dementardor tivesse virado a minha sombra, kkkkk!
Bom.. o meu tempo livre se reduziu ainda mais, porem, vou me planejar para atualizar um capítulo por semana ou a cada 15 dias.
Bom, vamos que vamos! Aí está o capítulo prometido.
Ps: Ainda não acabei de editar o capítulo da Fic Diamantes do Sol dessa semana mais ele sairá!
^----^~/
Boa leitura !
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Vocabulário:
cunha* (N.A: Parede, barreira ou algo assim)
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CAPÍTULO DEZOITO : " Aguaceiro, Sonhos, planos e... "
A chuva fina transformou-se num aguaceiro, que se tornou num verdadeiro dilúvio, com ventos fortes que varriam toda a costa, balançando os barcos nos ancoradouros. Durante grande parte de uma semana foi praticamente impossível lançar uma rede.
Da praia ao horizonte, o mar era todo cinzento e turbulento, as ondas com cristas brancas que pareciam suficientemente afiadas para cortar um casco. Os homens que ganhavam a vida no mar esperavam, com uma sombria paciência adquirida ao longo de gerações.
O vento zunia contra janelas e portas, no lamento incessante de um ban shee , o espírito feminino que anuncia a morte. Entrava por qualquer fresta, para congelar as pessoas dentro das suas casas. A fumaça voltava pelas chaminés, em fluxos intermitentes e desagradáveis.
O vento arrancou algumas telhas do mercado, tangendo-as pelo ar como aves embriagadas. Uma delas atingiu a cabeça do jovem Davey O’Leary, que voltava para casa de bicicleta, levando um litro de leite e uma dúzia de ovos. O corte exigiu sete pontos. Os ovos sofreram uma perda total.
As flores que haviam resistido ao Inverno, com alguma felicidade, assim como as outras que já começavam a exibir as faces da Primavera, foram destruídas pela fúria final do Inverno. Os quintais ficaram cobertos de lama.
Os turistas permaneceram à distância, reservas foram canceladas, enquanto a tempestade se abatia alegremente sobre Ardmore. As linhas de energia elétrica e as telefônicas foram interrompidas no terceiro dia.
A aldeia encolhia-se, como já fizera muitas vezes, para aguentar a tempestade. Sob mais de um teto, o ambiente era de nervosismo.
Crianças pequenas, entediadas e irrequietas por ficarem dentro de casa, levavam as mães à loucura. Lágrimas e traseiros esquentados eram ocorrências diárias.
Hermione e o pai, protegidos por casacos impermeáveis e com botas que subiam acima dos joelhos, entraram na lama e coisas piores, enquanto procuravam o ponto de rompimento no sistema de esgotos da casa dos Duffy.
- Um trabalho nojento - resmungou Mick, apoiando-se na pá. - Mais de um morador lá de baixo vai dar por si escorregando na merda se este vazamento continuar.
- Se aqueles desgraçados de Waterford tivessem aparecido, conseguiríamos pelo menos esvaziar a fossa.
- E se aparecerem agora com aquela bomba enorme, devíamos atirá-los de cabeça para o estrume.
- Essa é a minha filha.
- Que cheiro terrível! Mas acho que o problema está aqui, pai.
Agacharam-se os dois, com a chuva a bater nas suas cabeças, e estudaram o cano velho e rompido, com expressões idênticas de interesse e preocupação.
- É exatamente o que imaginou, pai. O cano é velho e rompeu-se com a pressão adicional. Vai da fossa para o campo. O rompimento transformou o lindo jardim da Sra. Duffy num depósito de bosta.
- Depois de limpo, a Kathy vai ficar com um jardim bem fertilizado, não vai?
- Como o fedor era enorme, Mick respirava pela boca. - Ainda bem que te lembraste de trazer o tubo de PVC antes. Vamos trocá-los para acabar de vez com isto.
Com um grunhido, Hermione levantou-se. Foram os dois até à caminhonete, a esguichar lama. O trabalho era desagradável, mas uma rotina fácil para a dupla.
Enquanto trabalhavam, Hermione lançava rápidos olhares ao pai.
Mick nada dissera sobre Harry. Nem uma única palavra. E, embora compreendesse que o pai deveria sentir bastante sensível com a situação, Hermione não suportava que o problema se interpusesse entre os dois. Não dizer nada era uma cunha* que os afastava, e ela precisava removê-la.
- Pai...
- Está quase solto. O miserável pode estar rompido, mas continua atarraxado com a maior das firmezas.
- Pai, você sabe que continuo a encontrar-me com o Harry.
Mick bateu com as articulações dos dedos no cano, quando a ferramenta escapou das suas mãos, como se fosse um sabonete molhado. De olhos baixos, ele pegou nela e limpou-a nas calças imundas.
- Acho que sei.
- E tem vergonha de mim?
Ele trabalhou em silêncio por um momento. – Você nunca fez algo de que eu me envergonhasse, Hermione. Mas o fato é que está pisando em um lodaçal maior do que aquele em que trabalhamos agora. Trabalhar contigo, respeitar-te e admirar a sua competência é uma coisa. Por outro lado, não posso esquecer que é minha filha. Não é fácil para um homem discutir esse assunto com a própria filha.
- Sexo?
- Que droga, Hermione! Sob a sujidade que lhe cobria o rosto, as faces tornaram-se rosadas como peónias.
- É esse o problema, não é? Quando o cano rebentado foi removido, Hermione empurrou-o para o lado.
- A merda em que estou sentado neste momento também é um problema, mas prefiro não pensar acerca disso. Você foi criada da melhor forma que eu e a sua mãe fomos capazes de fazer. O que faz agora, enquanto adulta, é só da tua conta. Não pode pedir a minha bênção para isso, Hermione, mas também não vou te julgar.
- Ele é um bom homem, pai.
- Quando é que eu disse que não era? Desesperado, embaraçado, e querendo encerrar aquele assunto, Mick apressou-se a substituir o cano.
- É apenas... o que a Mary Kate disse na semana passada. Ela ficou furiosa, até que fizemos as pazes. Não quero que pense que é vulgar o que existe entre nós.
A garota era insistente, pensou Mick, como um terrier com um osso. Não descansaria enquanto não fosse tudo esclarecido, para sua satisfação.
- O que a Mary Kate te disse foi impertinência entre irmãs. Fico feliz por terem feito as pazes. Quanto ao Harry... tu gostas dele?
- Claro que gosto.
- E respeita-o? - A hesitação dela fez Mick levantar os olhos por cima do cano para fitar a filha. - Então?
- Respeito, sim. Ele é inteligente, quando se dá ao trabalho de usar o cérebro, tem um coração generoso e muito bom humor. O que não me deixa cega para os seus defeitos. Sei que ele é preguiçoso em muitas coisas e negligente com o próprio talento.
- Nesse ponto, tenho uma coisa a dizer, mesmo sabendo que, de qualquer maneira, vais fazer o que quiseres. - Mick endireitou-se, movimentando os ombros. - Não se conserta um homem como se faz com um cano rompido ou um vazamento no telhado. Tens de o aceitar como ele é, Hermione, ou rejeitá-lo por completo.
Ela franziu o rosto. - Não é uma questão de o consertar, mas apenas virá-lo na direção certa.
- Certa para quem? - Mick bateu levemente no braço da filha. - Os ajustamentos não podem ser só de um lado, querida, caso contrário perde-se o equilíbrio, e o que se está a construir acaba por se desmoronar.
...
Para Harry, o aparecimento de Hermionena porta dos fundos, a meio do turno do almoço, foi um choque para todos os sentidos. Ela estava imunda, do boné às botas; e, mesmo à distância, exalava um cheiro que trazia lágrimas aos olhos.
- Santa Mãe de Deus, o que andaste a fazer?
- Limpamos uma fossa - respondeu ela, jovial. - Raspamos e tiramos com uma mangueira a maior parte.
- Faltou alguma coisa, que dá para sentir mesmo ao longe.
- Tivemos de fazer tudo o que pudemos para recuperar o quintal da Sra. Duffy. Não nos preocupamos muito com a porcaria. Agora, estamos famintos.
Harry suspendeu a mão.
- Se estás pensando em entrar, Granger, acho melhor parares aí e repensar.
- Não vou entrar. Eu disse ao meu pai que vinha buscar dois sanduíches. E bem que precisamos de duas garrafas de cerveja.
- Sai e fecha a porta. - De forma alguma.
-Para provocá-lo, Hermione encostou-se à ombreira. - Não estou fazendo mal a ninguém parada aqui. Serve qualquer coisa que tenhas à mão para os sanduíches. Não somos exigentes.
- Isso é mais que óbvio. Harry interrompeu a preparação dos pedidos. Pegou em pão e carne. Ela achou engraçado vê-lo trabalhar com mais rapidez do que o habitual. - Ainda temos cerca de duas horas de trabalho pela frente. Depois, tenho algumas coisas para fazer.
- Espero que tomar banho seja uma delas.
- Está na lista. Pelos vistos, o mau tempo não diminuiu o movimento aqui.
- Metade da aldeia vem para cá, de dia e de noite. As pessoas querem companhia, arejar, mudar de ares. - Harry pôs camadas generosas de carne e queijo. - Temos um seisium na maior parte do tempo. De vez em quando os ânimos esquentam, por causa de algum jogo na televisão, que voltou a funcionar, agora que o gerador foi ligado.
- Também andamos muito ocupados. Acho que o meu pai e eu não tivemos uma hora de folga desde que a tempestade começou.
- Estou ansioso para que o mau tempo acabe em breve. Já faz uma semana que não vejo o sol nem as estrelas. Mas o Tim Riley diz que vai continuar.
Era uma conversa fácil, sobre o tempo e o trabalho, do tipo que ela poderia ter com qualquer pessoa que conhecesse. Não era maravilhoso, refletiu ela, que gostasse de a ter com Harry, mais do que com qualquer outra pessoa? Era uma espécie de tesouro, que não apreciara como deveria no passado.
- Quer Tim esteja certo ou não, pensei em aparecer no Faerie Hill mais tarde. Digamos... pouco depois da meia-noite.
- A porta estará aberta, mas eu agradecia que limpasses as botas primeiro. - Harry pôs as sanduíches num saco de papel. Acrescentou dois sacos de batata frita e duas garrafas de Harp.
Quando Hermione enfiou a mão no bolso, para pegar no dinheiro, ele sacudiu a cabeça.
- Não te preocupes. É por conta da casa. Eu não ia mesmo querer qualquer moeda vinda desses bolsos.
- Obrigada. - Hermione pegou no saco.
- Não vai me beijar?
- Não. Mas compenso-te por isso mais tarde.
- Não te esqueças disso. Com um sorriso que poderia ser provocante, em circunstâncias diferentes, ela foi-se embora, deixando a Harry o encargo de fechar a porta.
Ela era uma mulher de palavra. Abriu a porta do chalé à batida da meia-noite. Cedo demais, Hermione sabia, para ele já ter voltado. Mas gostava do sossego do chalé, do ambiente quando ali ficava sozinha.
Tirou as botas na porta, como Harry fazia com frequência. Circulou de meias, acendendo velas e candeeiros a óleo, pois a energia elétrica ainda não fora restabelecida. E, durante o processo, quase rezava para que Lady Gwen aparecesse. Afinal, não era o momento perfeito para um fantasma?
Uma noite de tempestade, com muita chuva, o vento a assobiar, um pequeno chalé iluminado por velas, com um fogo aceso na lareira.
- Sei que estás aqui e devo avisar-te que sou a única pessoa no chalé.
- Hermione esperou, mas o ar continuou parado. Os únicos sons eram os estalidos naturais do chalé e o incessante zunido do vento.
- Queria que soubesses que acho que compreendo agora o que me disseste naquela primeira vez. Que o coração dele estava na canção e eu deveria prestar atenção. Espero ter agido corretamente. Ela calou-se outra vez, e mais uma vez o silêncio foi a única resposta.
- Caramba, como tu gostas de ajudar! Irritada, Hermione subiu. Não precisava de visitas ou palavras de fantasmas para lhe dizerem o que fazer, e como fazer. Sabia que era necessário. Tinha um homem que queria manter. Desde que tomara essa decisão, tudo passara a ser apenas uma questão de detalhes. Ela acendeu a lareira também no quarto, tapando o fogo, para que durasse a noite inteira. Depois de acender duas velas, sentou-se na cama, ajeitou duas travesseiras nas costas e acomodou-se para esperar. E o trabalho do dia surtiu o seu efeito. Não havia vento, nem chuva.
O céu da meia-noite era suave, cravejado de estrelas que faiscavam como rubis, safiras e citrinos. A lua, cheia e branca, deslizava lá no alto, derramando a sua claridade sobre um mar tão calmo como um lago. As asas do cavalo branco batiam como um coração, firmes e regulares. O homem de prata cavalgava-o, empertigado, orgulhoso, com os cabelos escuros a esvoaçar, como uma capa.
- Não era riqueza, posição ou mesmo imortalidade, o que ela queria de mim. Não parecia nem um pouco estranho andar no cavalo alado com o príncipe das fadas, sobrevoando a Irlanda.
- O que queria ela de ti?
- Promessas, juras, palavras que saíssem do coração. Porque pode ser tão difícil, para algumas pessoas, dizer “eu amo-te”?
- Dizer isso remove todos os escudos. Carrick virou a cabeça, com os olhos a brilhar, amargurados.
- Exatamente. É preciso ter coragem para fazer isso, não é mesmo, Hermione Jean Granger?
- Ou temeridade. - Se o amor não nos transforma em tolos, o que mais poderá fazê-lo?
O cavalo desceu a uma velocidade que fez com que o coração de Hermione batesse fortemente, em excitação. Ela viu a luz a brilhar na janela, o formato e as sombras do chalé na colina das fadas. Os cascos provocaram faíscas quando se encontraram com o solo.
- Um lugar simples, para tanto drama - murmurou Carrick - O portão do jardim é como uma muralha de uma fortaleza, porque não posso passar além desse ponto, como outrora fazia.
- O teu amor também passeia pelos penhascos.
- Já me disseram. Mas não nos podemos ver, mesmo que estejamos perto um do outro. Não havia amargura nos seus olhos agora, apenas tristeza. E um anseio angustiado, pensou Hermione.
- Às vezes eu sinto-a ali ou sinto a fragrância dos seus cabelos ou da sua pele. Mas nem uma única vez, em cem anos vezes três, pude vê-la ou tocá-la, nem dizer o que tenho no coração.
- Tu lançaste um encantamento sobre os dois - comentou Hermione.
- É verdade. Paguei caro por esse momento de raiva e precipitação. Tu sabes como é.
- Sim, sei. E, por sorte, não tenho o poder de lançar encantamentos.
- Ah, os mortais... - O divertimento abrandou o rosto de Carrick. - Vocês não têm noção dos poderes que possuem. Usam o que têm com a maior das negligências, em si mesmos e uns com os outros.
- É o roto a falar do esfarrapado.
- Tu compreendes - murmurou ele, balançando a cabeça em concordância. - Mas não havia magia no que começou entre mim e a Gwen. Não usei nenhum truque para a atrair, como dizem alguns. Ela vinha para mim pela sua livre e espontânea vontade, até que o pai a proibiu. Até que ele a prometeu a outro, com medo de mim.
- Creio que dizes a verdade. - E porque acreditava, Hermione pôs a mão no braço de Carrick, num gesto de conforto. - Uma donzela não tinha muita opção sobre essas coisas, naqueles tempos. Carrick passou uma perna por cima do cavalo e desmontou.
- Pois agora tu tens. Faz a tua opção.
- Já fiz. - Ela também desmontou. - Mas vou agir à minha maneira.
- Escuta - murmurou Carrick. A música pairava no ar, envolvia-a como uma rede de seda. - É o Harry a tocar. A canção que ele me deu.
- Hermione fechou os olhos. - Deixa o coração de qualquer pessoa comovido. Não há nada mais belo do que isso. - Ela estendeu a mão para abrir o portão. Mas não conseguiu, por mais que empurrasse e puxasse. - Não consigo abrir! Em pânico, ela virou-se. Cavalo e cavaleiro já não estavam ali. Hermione tornou a virar- se. Segurou no portão com as duas mãos e sacudiu com força. - Harry!
- Calma, calma...
Ela deu por si nos braços dele. Havia um certo divertimento na voz dele quando acrescentou:
- Estavas sonhando. E era um sonho agitado.
-Sonhando... - A mente de Hermione estava povoada por neblina, estrelas e música. - Não conseguia abrir o portão. Não podia entrar.
- Já entraste.
- É verdade. Ainda devo estar atordoada. Mergulhei num sono profundo. - Ela empurrou os cabelos para trás. - Dá-me um minuto para acordar em condições.
- Tenho uma notícia que pode abalar todas as suas estruturas.
-Hermione riu do trocadilho.- Qual é?
- O Rony gostou do teu projeto para o teatro. Como Harry desconfiava que aconteceria, as nuvens nos olhos de Hermione desapareceram no mesmo instante.
- A sério? Gostou?
- Para ser mais exato, ele ficou tão satisfeito que já conversou com o Malfoy acerca disso.
- O que disse ele?
- Qual dos dois?
- Ambos ou qualquer um. - Ela agarrou os braços de Harry e sacudiu-os. - Não brinque comigo, Harry, ou terei de te machucar.
- Como essa é uma perspectiva muito assustadora, mais vale contar logo. Não posso transmitir exatamente o que o Malfoy disse, pois foi o Rony quem falou com ele. Mas parece que ele se mostrou suficientemente interessado ao ponto de querer dar uma olhada no projeto. - Harry mexia nos cabelos de Hermione enquanto falava, um hábito novo que apreciava cada vez mais. - Portanto, vai ser tudo enviado para Nova Iorque, e veremos o que acontece.
- É um bom projeto.
- Também achei.
- Vai dar certo. - Preocupada, ela mordeu o lábio. - Qualquer imbecil perceberia que se funde com o que existe aqui, que acrescenta, em vez de ofuscar. Ele não vai conseguir nada melhor com os seus arquitetos famosos.
- Precisas trabalhar um pouco na tua confiança, Hermione. Tanta modéstia é inconveniente. Ela apenas riu.
- Mas como pode o Malfoy saber, se não conhece o local, a posição do pub , o terreno, na área ao redor?
- Ele tem fotos - lembrou Harry. - O Pettigrew tirou dezenas de fotos de tudo.
- Não é a mesma coisa. Eu deveria conversar pessoalmente com o Malfoy.
- Talvez tenhas razão. Mas não seria melhor dares-lhe algum tempo, para depois saberes o que ele pensa, em vez de te precipitares e o pressionares?
- Algumas pessoas precisam de uma boa pressão. - Os lábios contraíram-se num sorriso. - E tu é um exemplo perfeito. Quando vai o Rony enviar os desenhos? Talvez eu devesse dar uma olhadela antes.
- Já estão a caminho. O Rony despachou-os ontem por correio expresso, a pedido de Malfoy.
- Bem, nesse caso...
O seu projeto seria aceito ou recusado por si mesmo, pensou Hermione, o que também aconteceria com a canção de Harry. Ela quase disse que já conversara com Malfoy e que os dois tinham vindo a manter o homem ocupado a cuidar dos seus assuntos pessoais. Não, era melhor esperar, para depois apresentar a Harry os resultados, em vez de o deixar com a ansiedade da especulação.
- Em que está pensando, Mione, com tanta concentração e por tanto tempo?
- Nos passos seguintes e no que acontecerá depois de serem dados. Parece que, quando uma coisa mudar, todo o resto também mudará.
- Pensei a mesma coisa. Olha só para nós, refletiu Harry, afastando os cabelos do rosto de Hermione. A pulsação dela acelerou. Era outra mudança, o fato de que um simples contacto carinhoso de Harry pudesse provocar uma sensação tão súbita e intensa.
- Isso preocupa-te?
- Não. Mas, se te preocupa neste momento, prefiro levar-te a sonhares de novo. - Os lábios de Harry roçaram nos dela, enquanto a deitava de costas.
- Se me abraçar, podemos ir juntos.
- Quero ficar contigo. E só contigo. Era o mais perto que ela podia chegar de baixar as suas defesas. E Harry levou-a por um mundo de sonho, subindo, descendo, com as chamas das velas e o fogo de turfa a tremeluzir por toda a parte.
Havia em Hermione uma ternura que ela nunca explorara antes. Uma necessidade crescente de dar o que lhe fosse pedido, e dar gentilmente. Despiram-se um ao outro. Sem puxões, sem movimentos bruscos desta vez. Dedos a deslizarem pela pele, acompanhados por lábios, perdurando, pois cada carícia era preciosa, cada sabor era incomparável.
Suspiros a responderem a murmúrios. E respirações que se misturavam. O desejo, sem o clarão vermelho da chama intensa, era dourado nas beiras. Mesmo quando Harry a levou ao auge, à beira do orgasmo, o brilho manteve-se firme.
Olhavam um para o outro quando ele a penetrou. Era como regressar a casa. Os lábios dele contraíram-se quando se baixaram para os dela. Outro vínculo. Hermione levantou as mãos, emoldurou o rosto de Harry, manteve-o assim, toda aquela beleza a trazer lágrimas aos seus olhos.
- Vem comigo - murmurou ela, contra a boca de Harry. - Solta-te e vem comigo. Hermione prendeu a respiração quando começou a mergulhar. Mas logo a soltou com um suspiro, quando Harry lhe deu a mão e mergulhou com ela. A boca de Harry voltou a aproximar-se da sua, antes que a neblina se dissipasse.
- Fica. Ela não deveria. Mesmo enquanto Harry mudava de posição e a puxava para o seu lado, Hermione pensou em todos os motivos para que fosse melhor partir agora, retornar em silêncio e discrição para a sua própria cama.
- Está bem. Ela encostou a cabeça ao ombro de Harry e adormeceu. Ao amanhecer, como era de esperar, ele empurrara-a para a beira da cama. O que era um problema que teriam de resolver, pensou Hermione, enquanto se levantava, na semi- escuridão. Não passaria todas as noites da sua vida a lutar por espaço no colchão.
Começa por onde pretendes continuar, dizia a sua mãe com frequência. Pois ela começaria a dar cotoveladas nas costelas de Harry, várias vezes por noite, até que ele aprendesse a partilhar. Mas a sua expressão ao contemplá-lo, enquanto se vestia, era afetuosa. E o beijo que lhe deu, antes de sair, foi de amor sem qualquer restrição.
- Arranjaremos uma cama maior - sussurrou Hermione, para depois partir apressada, querendo chegar a casa antes que a mãe descesse para preparar o pequeno-almoço.
Uma hora depois, Harry acordou sozinho, vagamente insatisfeito. A mulher não poderia ao menos ter-se despedido? Mas isso mudaria. Na verdade, tudo mudaria, e mais cedo do que ela esperava. Queria Hermionena sua vida durante o dia inteiro, não apenas naqueles breves períodos na cama. Ele levantou-se, calculou o tempo, e concluiu que era mais do que suficiente para dar uma olhadela no terreno que descobrira que estava à venda.
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NA: Se tiver algum erro me avisem nos comentários.