J
J.K. é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.
Por favor, não me processe, eu não tenho nada.
Agradeço a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.
E como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.
Capítulo 37 Casamento?
Você e eu jamais
estaremos separados
The
reason – Hoobastank – A razão
I'm not
a perfect person
Eu não sou perfeito
There's
many things I wish I didn't do
Existem tantas coisas
que eu queria não ter feito
But I continue learning
Mas eu continuo
aprendendo
I never
meant to do those things to you
Eu nunca quis fazer
essas coisas a você
And so I
have to say before I go
E então eu tenho que
dizer antes de ir
That I
just want you to know
Que eu apenas quero que
você saiba
I've found a reason for me
Eu encontrei uma razão
para mim
To
change who I used to be
Para mudar quem eu
costumava ser
A reason
to start over new
Uma razão para começar
do zero
and the
reason is you
E a
razão é você...
I'm sorry that I hurt you
Eu sinto muito ter te
magoado
It's
something I must live with everyday
É algo com que eu tenho
que conviver todos os dias
And all
the pain I put you through
E toda a dor que eu fiz
você atravessar
I wish
that I could take it all away
Eu gostaria de poder
levá-la embora toda
And be
the one who catches all your tears
E ser aquele que apanha
as suas lágrimas
That's
why I need you to hear
É por isso que eu
preciso que você escute
I've
found a reason for me
Eu encontrei uma razão
para mim
To
change who I used to be
Para mudar quem eu
costumava ser
A reason
to start over new
Uma razão para começar
de novo
and the
reason is you
E a
razão é você...
I'm not a perfect person
Eu não sou uma pessoa
perfeita
I never
meant to do those things to you
Eu nunca quis fazer
aquelas coisas a você
And so I
have to say before I go
E então eu tenho que
dizer antes de ir
That I
just want you to know
Que eu apenas quero que
você saiba
I've
found a reason for me
Eu encontrei uma razão
para mim
To
change who I used to be
Para mudar quem eu
costumava ser
A reason
to start over new
Uma razão para começar
de novo
and the
reason is you
E a
razão é você...
I've
found a reason to show
Eu encontrei uma razão
para mostrar
A side
of me you didn't know
Um lado de mim que você
não conheceu
A reason
for all that I do
Uma razão para tudo que
eu faço
And the
reason is you
E a razão é você...
É por isso que eu preciso que você escute
Eu encontrei uma razão
para mim
Mudar quem eu costumava
ser
Uma razão para recomeçar
E a razão é você...
A razão é você.
Conseguiu voltar para o
quarto. Sem ver.
Sem se importar com o escuro.
Limpando o rosto.
Aturdida. Tinha
perdido a noção do tempo.
E em meio ao turbilhão, sua
mente que pensa por um momento em Anna.
Andou mais rápido.
Anna. Seria sua salvação. A única coisa boa de tudo aquilo.
Anna. Que precisava ser
protegida, cuidada. Anna. Cujo pai agora...
Sacudiu a cabeça.
Uma nova onda de dor e
lágrimas que a varre.
-*/-/-*/ -*/-*/
Dois dias.
Em que seus pensamentos e
sentimentos estiveram confusos. Em que havia angústia.
E em que o tempo tinha
perdido o sentido.
Deu graças que não havia
alunos.
Não ia conseguir segurar tudo
de uma vez.
Agradeceu também por Anna.
Ela a absorvia.
Não deixando espaço para que
pensasse. Não muito.
Era difícil.
Cuidar de Anna como agora, enquanto se inclinava sobre o berço,
observando os suaves olhos castanhos e os cabelos curtos e escuros, lisos, no
pequeno rosto cuja expressão a lembrava tanto de outro. Sentiu os olhos
molhados. Não suportou; saindo do quarto de Anna enquanto Winky lhe perguntava,
preocupada, se estava bem.
Atirou-se na cama. Sentindo
ainda alguma dor por causa do parto, sem se importar.
Ouviu a porta. Minerva
chegou, colocando a mão sobre seu ombro.
Não agüentou mais.
Tinha desabafado com voz
baixa e rouca. Sem lágrimas. Minerva escutara. Os lábios contraídos.
E a tinha consolado.
Até ouvirem o choro de Anna.
Levantou-se, os olhos
atormentados.
+-**/-
Silvou. Levando rápido a mão
ao braço esquerdo enquanto se agachava.
Sua marca queimava outra vez.
E agora não haveria nenhuma
oração. Ou braços. Ou toques macios em seu cabelo...
Nenhuma presença indesejada.
Fechou os olhos, dando vazão
à sua dor e raiva num urro terrível.
As palavras que saíram em
seguida de sua boca teriam envergonhado até mesmo Mundungo.
+-/*-*/+
Ela conseguiu dormir um pouco
aquela noite, com a poção de gosto ruim que Minerva tinha trazido.
As dores tinham diminuído.
Algo de uma calma a induzira ao esquecimento.
Despertou quando estava quase
amanhecendo, com o choro de Anna.
Abençoada Anna. De alguma
forma Winky tinha controlado lhe dar algumas horas de sono.
Levantou-se.
Anna. Que ocupava seu tempo.
E a impedia de sentir amargura.
-*/-/-*/
Acordou. O gosto ruim na
boca, e o estômago em revolta, lembrando-o para não misturar poções.
Principalmente não junto com a poção do sono e álcool, sem nenhum alimento.
Levantou-se, dirigindo-se ao banheiro, nauseado. Não estava agüentando seu
próprio cheiro. Um banho. E café. Quente, forte. E outra poção. Era disso que
precisava.
Voltou. Arrependendo-se
depois da segunda xícara. Recostou-se no sofá. Sobriedade não era bem vinda.
Estendeu a mão para a mesa ao lado do sofá. Todas as garrafas que levantou
estavam vazias. Atirou uma delas ao fogo, irado. Passou a mão pelo cabelo,
irritado consigo mesmo. Olhando em volta nos cacos espalhados. Percebendo pela
primeira vez em que estado seu quarto estava.
Havia se trancado, depois de
colocar feitiços de silêncio e proteções. Lembrou que tinha gritado no elfo que
tinha se atrevido a perguntar, num murmúrio, se queria que limpasse tudo.
Sabendo que tinha sido mandado por Albus. Que provavelmente não demoraria a
aparecer se ele não se antecipasse, mostrando-se no Salão Grande. Resmungou,
pegando a varinha. Colocando alguma ordem na bagunça.
Voltou a encostar-se,
fechando os olhos. Alguma coisa que estava crescendo dentro de si.
Fazendo-o sentir-se preso.
Vazio. Impotente. Inútil.
Irritando-o ao extremo de não
conseguir respirar.
Levantou-se num ímpeto,
atravessando a porta do quarto. Batendo a outra.
Ansioso por ar.
Por uma saída.
Ou por esquecimento.
+-//+*/-/*
Minerva tinha insistido para
que comesse com os outros, alegando que precisava de ar puro. Deixando-a saber
que Severus não tinha aparecido. Imobilizou-se, tentando disfarçar a
preocupação, sem sucesso.
- Não se preocupe, querida.
Albus está com um olho nele. – a bruxa informou, fingindo estar distraída com
Anna.
Mas isso não tinha aliviado
seu coração.
Não conseguiu convencê-la de
que não devia ir. E então tinha ido finalmente ao jantar, um pouco mais tarde
para não correr riscos de... encontros indesejados.
Sem ter certeza, se a
ansiedade em seu estômago, era por que havia uma possibilidade de ver pretos.
Ou porque talvez não havia.
-*/+*/-*/
Como previsto, ele não tinha
estado à mesa.
E ela tinha conseguido
responder com um pouco mais que monossílabos às perguntas educadas dos poucos
funcionários presentes. Falando sobre Anna. Fingindo não estar decepcionada. Ou
triste.
Albus não estava. Minerva
estava com Anna. Pomfrey havia se ausentado do castelo esta noite.
Não demorou. Um bolo em sua
garganta que tornava quase impossível engolir o alimento.
Despediu-se. Não havia nenhum
motivo para continuar lá.
+*/
Minerva tinha razão. O ar
fresco estava lhe fazendo bem.
Olhou para fora, vendo o
brilho da lua refletido no lago. Suspirou.
Era melhor voltar.
Tinha recomeçado a andar
quando uma sombra no fim do corredor chamou sua atenção.
Sentiu o sangue fugir. Seu
coração disparou.
O andar resoluto que vinha em
sua direção fez com que ficasse difícil respirar.
Talvez agora poderia...
Ele estava mais perto.
Forçou-se a continuar. E a respirar. Dentro. Fora.
Mais perto. Procurou seus
olhos à luz da luz e das tochas do corredor.
Estavam vazios. E ele não
tinha diminuído o passo.
- Severus... – sussurrou.
Ele não parou. Não
soube como ou porquê... esticou a mão para segurar seu braço.
- Severus. – tornou a
murmurou.
Ele se desvencilhou
rudemente. Um olhar de puro ódio em sua direção. Recuou como se tivesse sido
agredida. Vendo-o continuar a andar pelo corredor.
- Severus. – conseguiu dizer,
a voz em dor.
Mas ele não pareceu
escutá-la. O passo firme, rápido. Até desaparecer.
Levou a mão à boca, mordendo
a junta do dedo para impedir-se de gritar o nome dele.
Sentiu seus olhos se encherem
de lágrimas. Fechou-os, suprimindo um soluço.
Desespero finalmente se
apossando de seu coração com suas garras afiadas.
Ele não a queria. Ele não
a queria. Não a perdoaria. Não ia esquecer. Não ia deixar...
Encostou-se na parede fria,
tentando parar de tremer, tentando respirar para adquirir algum controle.
Tinha vindo de tão longe.
Tinha viajado no tempo. Perdido sua família. Tido uma filha. Por ele.
E agora...
Agora ele a odiava.
Gemeu. Era demais para que pudesse suportar.
Demais.
Encostou-se na parede,
atordoada. Uma decisão dando forma. Exigindo aceitação.
Gemeu de novo, os olhos
fechados, a garganta apertada.
Depois de um tempo,
finalmente conseguiu mover-se. Como se seus membros pesassem uma tonelada.
Em direção à gárgula.
E a Dumbledore.
Não conseguiu se lembrar
muito de sua conversa com Dumbledore.
Só de seu desespero. E de
perguntar a ele, tentando convencê-lo, se não seria melhor que ela se fosse.
Definitivamente.
Para qualquer lugar. Limpou o
rosto, percebendo que chorava finalmente. Longe dali.
E Albus tinha suspirado. Como
se percebesse sua dor. E seu desespero.
Lembrou das palavras macias e
do toque em sua mão enquanto ele lhe pedia paciência.
Que ela se concentrasse em
Anna e se acalmasse. Que tudo passaria. Como as nuvens no céu.
E aquilo também. Mas dessa
vez ela não pôde compartilhar do otimismo do diretor.
A lembrança do ódio em pretos
queimando-a. Fazendo-a insistir uma última vez que era a única solução.
E quando estava saindo,
segurando a porta com mão trêmula, tinha tentado encará-lo, sem conseguir vê-lo
direito por causa das lágrimas, e seus olhos tinham implorado, sem saber
exatamente o quê.
Antes que a porta tivesse se
fechado.
Não tinha ouvido o suspiro de
Albus. Nem visto azuis que se fechavam.
.+-*/
Não soube dizer depois como
tinha voltado, mas estava lá, com Anna em seus braços, amamentando-a.
Respondendo por monossílabos
às perguntas de Minerva. Que tinha perdido a paciência e ido à Albus, quando
compreendeu que é de onde Nina tinha voltado.
.+-*/-..
Encarou o fogo através do
líquido na garrafa. O estoque estava renovado.
Não se importou. Não quis
saber se beberia até cair.
Mas não tinha conseguido se
afogar no álcool. Nem mesmo abrir a primeira garrafa.
A lembrança dela no corredor
em sua mente. Atormentando-o.
Um estouro. Levantou-se
num repente, largando a garrafa de qualquer jeito, a varinha na mão.
Uma pena estava caindo no
meio do quarto.
E uma mensagem. Suspirou.
Albus do inferno.
Abaixou-se para pegá-la.
.+*-/-*.
O homem velho parecia
simplesmente...
- Este, diretor, – gotejou
veneno – não é um assunto que lhe diga respeito.
- Que está errado! – Albus
levantou-se da mesa; vendo pretos que enfrentavam azuis.
Depois suspirou, cansado
dessa discussão. Olhou-o de novo.
- Severus, ela esteve aqui.
Apertou os lábios.
‘Então ela foi rápida.’
- Parece pensar que todos os
seus... que tudo que acontece a você é culpa dela. – disse por sobre os óculos.
– Tudo.
Severus estreitou os olhos.
Querendo ter certeza se era uma advertência disfarçada.
- ...E me fez um pedido. –
não falou das lágrimas que ela não tinha deixado cair enquanto o fazia, ou da
voz rouca, trêmula – Está decidida. Ela quer ir embora.
Não permitiu que o que sentia
transparecesse em seu rosto.
- Eu realmente... – começou
num rosnado.
- Para um lugar seguro. –
continuou não deixando que ele terminasse – Para o mais longe possível. Não quer
incomodá-lo mais. Ou colocá-lo em risco. – encarou-o, diante de sua máscara – E
Severus,... dessa vez é definitivo. – pausou – Sem. Retorno.
Soube o tom. Albus a
ajudaria. Ele a levaria para longe.
Encarou Dumbledore. O diretor
se sentou. E continuou.
Insinuando a possibilidade de
Anna ser considerada uma bastarda.
Que ela pretendia voltar a
trabalhar para sustentar a si e à sua filha, o mais rápido possível.
Falando sobre o “nome” que
sua filha não tinha. Nem ela. Apesar de tudo por que tinham passado.
Sobre a dor deles. Inútil
enquanto era. Por causa deles mesmos.
Usou de todo o respeito que
tinha por Dumbledore para impedir-se de responder à altura.
- Vocês estão assim em muita
dor. – Albus pausou, esperando alguma resposta áspera, que não veio, suspirou -
Ela também perdeu, Severus. Tudo. – nenhuma reação, provocando um lampejo da
raiva – E por Merlin! – explodiu diante da atitude fria de seu professor – Eu
queria que você percebesse, que o que você não tem mais, não vai lhe fazer
falta. Não é assim tão ruim. Você deixou de se arriscar. Ainda tem suas aulas.
Suas poções. Ainda pertence à Ordem. Ainda é um lutador importante para o lado
da luz.
Não conseguiu mais se conter.
Albus. Seu mentor. O homem vivo a quem mais respeitava.
Parecia simplesmente não
compreender!
Levantou-se num rompante,
apoiando as mãos sobre a mesa e se inclinando diante do diretor.
-
Mesmo que eu não possa fazer mais nada?! Mesmo que agora já não saibamos
o que pretende o Senhor Escuro! – rosnou.
Respirou alto.
Lembrando. Que tinha visto o desespero em castanhos.
Refletindo o seu. Que
voltava agora. Vivo.
-
Severus, – Albus começou suave, ao ver o que havia em pretos – A dor da
perda é sempre intensa. Qualquer perda. Mas há sempre dois lados numa moeda.
Você recuperará sua liberdade. – Aproximou-se mais do homem apoiado na cadeira,
apertando o encosto tão intensamente – E há... compensações. Você tem a Hogwarts
e a mim. E você sempre poderá confiar em nós. E você tem Anna. – ele não se
moveu – Tem Nina. Que o ama. Que fará qualquer coisa por você. – olhou-o – Que
já fez. – esperou; Snape o encarou, a dor em seus olhos – Mesmo te abandonar,
quando pensou que isso era o que você queria. Afastando-se, mesmo que isso a
machucasse, para que você ficasse bem. E quer fazê-lo outra vez.
Esperou alguma reação. Então
franziu a testa, lentamente.
- A não ser que haja algo
mais. – esticou-se à sua altura cheia – Há alguma coisa que você gostaria de me
contar, Severus?
Levou quase um segundo. Ele
perdeu-se em fúria. Jogou a cadeira longe. Albus não se moveu.
- O que
infernos, você quer ouvir? – vociferou – Que desperdicei minha vida com o Senhor
Escuro? E que quando voltou, tive que tornar a fazer coisas que desprezo e
detesto para ser um Comensal bom e fiel? Que a Ordem nem tenta
disfarçar seu detestar e sua desconfiança, mesmo que isso faça com que
tenham informações? – socou a mesa – Qualquer um deles já pensou que eu morreria
se não o fizesse? – respirou – Que ainda assim não posso entender porque
infernos, não acabei antes com essa vida amaldiçoada? – deu duas tragadas
rápidas, tentando se controlar, sem sucesso – Que isso... me dilacera vivo?
Cada... – fez um gesto com a mão – pedaço de informação que é conseguida com
atrocidades, estupro, tortura, e morte... aumentam minha lista de abominações? –
respirou de novo – Alguém já pensou, SE eu posso conviver com isso? E
que NADA justifica traição? Mesmo se quem eu traio é servo das trevas; porque
são os mesmos que me defenderam em Hogwarts e depois daqui? – olhou-o, vazio de
esperança, a voz descendo a um murmúrio – Que me permiti mesmo ser ferido, só
para evitar ter que matar? Que já era quase impossível estuprar, torturar e
ferir? – parou, levantando a cabeça – Às vezes eu preferia ter ido a Azkaban.
– sussurrou – Ou estar morto.
Viu azuis.
O horror estava agora em sua
mente. Sem poder acreditar que o tinha realmente dito. Pela primeira e única
vez. Os olhos de Dumbledore não diziam nada do que ele pensava ou sentia. Mas
havia um pequeno músculo pulsando perto de seu queixo.
Snape suspirou.
- Essa não é a resposta que
você esperava diretor. – e virou-se para a porta, saindo antes que Albus tivesse
dito qualquer palavra.
-*/-
Ele andou sem rumo.
Muito tempo.
Tentando se acalmar.
Controlar a irritação.
Ainda sem acreditar no que
tinha dito a Dumbledore.
Pensando.
No que ele daria para tudo
aquilo ter acontecido antes.
Não agora, quando já não há
mais esperança. Quando sua “vida” tinha os minutos contados.
Deu um sorriso sarcástico.
Só uma questão de quando. E
de como.
Pensou em Albus. Sua
esperança senil de que tudo fosse ficar bem, e em sua recusa em aceitar que
agora não poderia adiar o inevitável.
Respirou. Tentando
desviar do que tinha ouvido de Albus.
Socando uma parede, sem
perceber, enquanto passava. Ignorando a dor.
Ainda tinha que enfrentar os
horrores do que fizera nos anos passados. E não havia mais uma chance de...
Não.
Devia agradecê-la. Isso era
afinal o que tinha querido há um tempo.
O único modo de terminar o
pesadelo.
Morte. Esquecimento.
Libertação.
Respirou fundo. Percebendo
finalmente onde estava. E...
Trincou os dentes ao perceber
a figura que se aproximava, tentou desviar, mas ela o seguiu.
McGonagall.
Não seria fácil ignorar ou
escapulir da bruxa velha.
Inferno. Apertou as mãos
para se dominar.
E então ela estava lá.
Dizendo a ele que não queria
perturbá-lo mais, com um acento e entonação que deixou óbvio que era só porque
tinha sido pedido de Albus.
E tinha continuado... que não
havia culpa envolvida; dizendo que não o culpava, mas ele percebeu, não era
exatamente a verdade. Que sabia que ele tinha passado por mais situações do que
seria humanamente possível, e que apesar da vida de segredo e dor que tinha
enfrentado – tinha bufado ao ouvir isso, vociferando internamente contra
Dumbledore – ele ainda teve uma escolha, que era mais do que Nina teve. Apertou
os lábios enquanto ela continuava.
- Ela não pode sair de tudo
isso. Não pode voltar para sua família. Não escolheu esta guerra. Não é como
nós. – ele bufou de novo, recebendo um olhar severo - Não finja que não sabe do
que estou falando! Nós escolhemos lutar, Severus. E nós sempre podemos voltar
sobre nossos passos e mudar de idéia. – outro bufo enquanto ele tinha desviado a
cabeça – Nós lutamos pelo que acreditamos, pelo que sabemos que é correto. –
levou a mão até seu queixo puxando-o em sua direção e segurando-o para que não
desviasse os olhos – Ela não. Ela luta por você! Só por você.
Imobilizou-se. Mas não se
deixou levar pelas palavras finais dela, ou mesmo pelo que sentiu.
Desvencilhou-se dela e se
afastou numa nuvem de roupões sem olhar para trás.
Deixando uma McGonagall de
pé, parada, olhando-o.
Rogando a Merlin que os
ajudasse.
-*/.
Rosnou irado.
Todos estavam se achando no
direito de lhe dar conselhos sobre sua vida.
Lhe dizer o que fazer!
‘Maldição!’
Não podiam simplesmente
deixá-lo em paz?
Por um maldito momento?
Continuou andando. Tentando
se controlar. Os punhos fechados. Os olhos insanos.
A raiva enorme. A vontade de
matar alguém, nele, novamente.
Parou abruptamente.
Encostou a cabeça na parede
fria, tentando se acalmar; aliviar a tensão, suprimir a náusea.
Rugiu. Voltando a mover-se.
De repente mudando de
direção.
Nenhum sentido em lutar
consigo mesmo, uma batalha perdida.
Em que não havia vencedores.
.+-/ *
Não tinha conseguido se
acalmar.
Forçou-se a ir para as
masmorras, esperando que a raiva o deixasse devagar.
Andou durante horas.
Usando o caminho mais inconcebível.
Até que o cansaço começou a
se fazer presente.
Chegou à sua porta.
Entrou. Indo para seu quarto.
Acendendo o fogo, mesmo que
não fosse necessário. Olhando-o. A mente em tumulto.
Deixando que tempo passasse.
Sem pressa. Para levar um pouco da tensão sobre seus ombros.
Lembrando. Das palavras que
dissera ao Diretor.
Das que Albus dissera.
E do que não dissera.
De Minerva.
E dela.
Sacudiu a cabeça. Sem
conseguir se desvencilhar de seus pensamentos.
Desistiu.
Os olhos se fechando por um
instante, enquanto pensava...
No quanto a mulher que tinha
estado em seus braços, surpreendentemente, tinha confiado nele.
Sempre. E demonstrado isso.
Sem medo. Com uma fé nele, que podia assustar.
Em como ele quase a
tinha subestimado. Desde o início.
Relembrou.
Tudo.
Levantou-se, dirigindo-se à
lareira, apoiando as mãos nela, os olhos no fogo.
“Só uma trouxa.”,
quase inofensiva, que ele deixara se aproximar.
Sem maiores considerações.
Só uma... companhia de travesseiro.
Que estivera perto de
surpreendê-lo, a contragosto, de várias maneiras.
Com quem falar, não carregava
ameaças, ou piedade, ou qualquer outra coisa. Só palavras.
Com quem ele nem mesmo se
preocupava muito em usar seu autocontrole.
E mesmo que mantivesse ainda
sua guarda, não tinha realmente se importado.
Nem achado que ela seria de
nenhum perigo para ele. Ou ameaça.
Esse fora seu erro
inconsciente.
Ele a tinha deixado entrar.
Devagar. Nele.
Em cada poro.
Apertou a pedra sob suas mãos
com força.
Ele a tinha subestimado e ela
tinha entrado.
Maldição, como isso tinha
acontecido sem que percebesse?
Respirou. Isso não mudava
nada. Ou não deveria.
‘ “Ela luta só por você.”’
Virou a cabeça olhando o
vazio, nas chamas. Procurando respostas.
Que não estavam lá.
‘ “Está decidida. Ela quer
ir embora... é definitivo. Sem. Retorno.” ’
Apertou os lábios.
E então, finalmente bateu-o,
com força cheia.
Sem retorno.
Um lenha estourou, fazendo-o
voltar à realidade de onde estava.
Ele podia estar começando a
perdê-la.
A ela e a sua filha.
De verdade.
Algo frio que começa a se
espalhar por seu corpo. Sem nada a ver com a temperatura ambiente.
Em dois passos estava na
porta. A mão que a abre.
Os pés que o levam aonde a
mente já se encontrava.
***
Bateram.
Ele estava lá, em sua porta.
Empalideceu.
Afastou-se para que ele
entrasse. O coração disparado. Trêmula.
Ele não falou. Só ficou lá,
parado, olhando-a. Desviou os seus.
Imaginando nervosa, porque
ele viera. Escondeu as mãos para que ele não as visse tremer.
Ana começou a resmungar.
Não se moveu. Esperando.
Até que desistiu. Incapaz de
pronunciar uma palavra. Ou sequer de pensar.
E ignorou-o. Indo até o outro
quarto.
Pegando sua filha. Proferindo
palavras suaves para acalmá-la. E a si mesma.
Verificou se estava seca.
Depois sentou-se e amamentou Anna. Que fez pequenos barulhos ao sugar seu seio,
antes de voltar dormiu em seus braços.
-
Durma bem, pequena. – sussurrou, segurando a mão pequenina.
Anna suspirou. Levantou-se e
colocou-a no berço. Admirando-a.
Sabia que Winky apareceria em
pouco tempo.
Abençoada Winky. Suspirou.
Ouviu um barulho; virou-se.
Pretos. Ficou sem ar.
Não conseguiu desviar deles.
Por um segundo, pensou que
ele sentia da mesma maneira que ela.
Perdidos... nos olhos um do
outro. Mas então tudo voltou.
E percebeu que devia estar
enganada. Abaixou a cabeça. Ia sair do quarto.
Ele a segurou. Soltando-a
imediatamente depois.
Uma farpa machucou mais seu
coração dolorido diante da forma como ele reagiu.
Suspirou piscando, enquanto
se afastava.
Então agora era assim. Como
se tocá-la... Queimasse.
Ele entrou, fechando a porta.
Foi mais forte que ela... Levantou a cabeça. Engoliu, imóvel.
Viu-o mover-se. Olhar para
Anna. Mordeu os lábios ao vê-los juntos, piscando furiosamente.
Tentou sair de novo. Ele se
voltou e deu um passo impedindo-a, abrindo a porta, esperando que ela saísse;
antes de segui-la. Andou até perto da cama.
Ouviu quando ele fechou a
porta atrás de si. Respirou para reunir coragem e voltou-se para encará-lo.
Ele estava tirando a varinha
e murmurando para a porta. Como sempre. Olhou-o. Esperando.
Ele se voltou. Encarou-a.
Lembrou do que tinha dito a Dumbledore apenas há alguns minutos.
Estava em frente a
ele. Sustentou seu olhar o quanto pôde.
Ele finalmente falou.
-
Amanhã, à tarde, iremos a Dumbledore. – disse devagar – McGonagall e a
Granger também estarão lá.
‘Hermione? Nas férias?’
Franziu a testa.
-
Porquê?
Ele pareceu hesitar.
Estranhou. Hesitação?
-
Para testemunhar. – olhou-a – Haverá também um bruxo. – falou devagar – O
equivalente dos trouxas a um... juiz de paz.
Viu a surpresa. A
incredulidade.
‘Isso é um... pedido de casamento?’
Mas não parecia. Com certeza
não parecia.
Demorou, olhando-o. Tentando
controlar as batidas de seu coração. Se acalmar. Havia alguma coisa.
‘Por quê?’
-
E por quê você quer... fazer isso?
Ele franziu a testa.
Respirou.
-
Porquê não há razão para você não ter o meu nome. – o rosto sério –
Lucius. Os outros. A maioria já sabe. Sobre você e o bebê.
Ela não disse nada.
Esperando.
-
Já teve toda a maldição que ele carrega. – prosseguiu – Não há razão para
não ter também algum... benefício ocasional.
Continuou em silêncio.
Sabendo do que ele estava falando. O rosto sério. A voz neutra.
-
Como o quê? – falou devagar, encarando-o – Ou melhor. O que você
ganha com isso?
Ele
apertou os lábios. Contrariado. Descontente.
-
O que quer que eu diga? – perguntou já exasperado.
-
A verdade!
Enfrentou-o. Viu os olhos
raivosos. O modo como ele tentou se controlar. Duro.
-
Vocês terão o meu nome. Eu a terei em minha cama. E terei... o bebê.
Quis esganá-lo.
-
Ela se chama Anna! – disse brava – E você já me tem em sua cama. Ou pode
ter. Não precisa de toda essa... palhaçada! Não precisa arriscar seu nome. Com
uma trouxa!
Ele a segurou. Apertando. A
respiração pesada.
-
Com o inferno mulher! – os olhos furiosos – O que diabos você quer? Que
eu fique de joelhos e jure amor eterno? Maldição! – rosnou – Isso nunca vai
acontecer! Eu não sou Lupin! E não sou um produto da sua imaginação! Você já tem
uma boa idéia do que eu já fiz. Sabe o quê eu sou. Não vai se
surpreender. E não deve... Esperar demais. – avisou, soltando-a.
‘Esse é um maldito pedido de... Pedido?’
Ele viu a expressão dela
endurecer. A respiração ficar mais rápida.
-
Então. Você quer... me ter em sua cama... legalmente. Quer... poder
sobre o bebê. – falou com um acento – Já que eu sei as leis bruxas se
sobrepõem às trouxas no que se refere a... descendentes legais.
-
Ela terá direito ao meu nome. – falou devagar, duro – E à minha herança.
Sentiu a raiva subir de
repente.
-
Pro inferno com sua herança! Você me deu todas as razões erradas! –
chegou perto dele, os olhos brilhantes – Duas pessoas se casam... Porque
querem estar juntas. Por que quando estão longe, – lembrou-se de Londres – é
como se lhes faltasse uma parte de si mesmos. E a presença do outro conforta,
acalma, consola, nos dá forças. – engoliu – Por que não hesitariam mesmo em
morrer, desde que o outro estivesse bem. – viu-o empalidecer – Porque o outro,
– hesitou um segundo – e seus filhos, são sua... família. Sua verdadeira
herança. – os olhos arderam – Por quê não se importariam em envelhecer, não
importa onde, desde que estivessem juntos!
Virou-se para fugir dali. Ir
para qualquer lugar. Longe.
Ele a alcançou. Rápido.
Puxando-a para si. Ignorando a resistência dela.
Sentiu a respiração em seu
rosto.
Um polegar moveu-se
lentamente em sua face. Afastando a lágrima.
Pretos. Em castanhos.
Ele colocou o rosto em seu cabelo. Em silêncio. Não a deixando ir.
-
Só... aceite.
Ele tinha pedido? Ou tinha
ordenado? Ela não conseguiu se decidir. Fechou os olhos.
Sem saber se estar perto dele
era melhor que estar longe.
Respirou, desvencilhando-se
dele, devagar; firme.
Antes de ir até a porta e
abri-la, ficando de pé ao lado dela; esperando que ele saísse.
E fechando a
porta,suavemente... depois.
‘Passe uma noite miserável!’
Como se ele realmente se
importasse.
Limpou uma lágrima teimosa.
*****
Dormiu de exaustão, depois de
horas; e de amamentar Anna.
Brigando com o pensamento, de
que ela devia a ele, por tudo que ele perdera; por sua culpa.
Mas que ele a mataria, se
sequer imaginasse, que ela alguma vez tivesse pensado em aceitar, por isso.
Mesmo que não fosse a
verdadeira razão.
**/-*- -** *
Não eram as chamas que ele
contemplava sem ver desta vez.
Mas a noite lá fora. As mãos
pousadas na amurada.
Lembrando de uma outra noite,
há quase um ano atrás.
E de uma conversa com uma
trouxa recém-chegada.
Fechou os olhos.
-*/-*/-
Anna, miraculosamente, tinha
dormido por quase cinco horas seguidas.
Suspirou, acariciando os
cabelos pretos suaves.
Os pensamentos perdidos
novamente. Nela. E no homem que a gerara.
Deixou-a. Indo ao banheiro
para preparar-se para o dia. Voltando e ajeitando a cama.
Winky chegou. Nem mesmo notou
o olhar que ela lhe deu depois de cumprimentá-la.
Vagou pelo quarto, ansiedade
que cresce. Até que, sem perceber, já estava fora.
Amanhecia. O ar frio a
atingiu no rosto. Sem conseguir refrescar seus pensamentos desordenados.
Chovia. Uma chuva fina.
Encostou a testa na pedra da pilastra.
Não percebeu o tempo passar,
mas não tinha sido pouco.
Sentiu, antes que ouviu.
Abriu os olhos, voltando-se
lenta. Ele estava lá.
O rosto perto fez seu coração
disparar.
Disfarçou da melhor forma que
poderia, desviando a face para a paisagem, fingindo ver.
Ele acompanhou seu olhar.
Silêncio.
- Eu não signifiquei
ofendê-la. – começou.
Não respondeu.
- No entanto, - continuou –
eu as quero ter o benefício de minha herança. – ela apertou os lábios, tensa – E
posso... prometer... que tentarei agir... o melhor possível.
Desviou sua atenção para o
perfil feminino.
- E que não deixarei de...
considerá-la. Apesar das leis bruxas favorecerem-me no que se refere a Anna e
a... outras coisas.
Ele tornou a olhar a paisagem
diante de sua falta de reação.
- E quanto a... – a voz
tornou-se seca – tê-la em minha cama... Não se preocupe. – ergueu a cabeça – Eu
não a tocarei. – completou duro.
A faca revolveu mais em seu
coração. Não tentou nem mesmo entender.
Só continuou lá. A voz, e o
significado das palavras, chegando até ela, como se estivesse longe dali.
Ele se afastou.
- Mas será preciso que
mantenhamos as aparências. – pausou – E alguns toques serão... necessários.
Não teve forças para se
mover. Só ficou ali, quieta. Apertando com força a pedra sob suas mãos.
- Espero que essas condições
sejam... satisfatórias.
Quis não se mover. Não
mostrar o que sentia... Não conseguiu; mordeu os lábios trêmulos.
Ouvindo-o se afastar.
-0= -0=-0
O dia estava se arrastando.
A realidade, finalmente se fazendo sentir.
Respirou, o coração pesado.
Ia enfrentar. Como tudo o
mais.
Um dia de cada vez.
Chamou Winky.
Precisava que levasse um
recado às masmorras.
*-+ /+/*
Deitou Anna com um suspiro.
Horas. E nenhuma resposta.
Dirigiu-se à cama. Pensando.
Ainda tentando entender. Confusa.
Quando aquele tolo veria...
Havia toques na porta.
Levantou-se da cama.
-
Hermione!
Abraçou-a. Fechou os olhos,
ainda apertando a bruxa.
Tentando não lembrar. Lutando
para não chorar.
-
Como você está? – Hermione sorriu para ela.
-
Bem. – desviou os olhos.
Tinha prometido a si mesma
fazer o melhor que pudesse.
Viu Minerva, entrando. Os
olhos contentes. Desviou os seus.
Tentou sorrir para o rosto
desconfiado de Hermione, enquanto fechavam a porta.
-
Como está Anna? – Minerva perguntou.
As linhas de seu rosto se
suavizaram. Vinham se falando pelas corujas.
-
Limpa, alimentada. E dormindo... finalmente. – virou-se para Hermione,
insegura – Winky está cuidando dela. – completou para que o silêncio não se
estendesse.
Hermione sorriu. Meio sem
graça no início.
-
Winky cuidará bem dela. – concordou, então olhou para Nina hesitante – Eu
sei que ela está dormindo e tudo... – parecia sem jeito – Mas será que... – Nina
interrompendo-a, ao pegar sua mão, quando entendeu.
-
É claro. – puxou-a.
Abriu a porta para o pequeno
quarto que não estava ali antes.
Pegando-se pensando de novo,
no que eles podiam fazer usando magia. No entanto...
Sacudiu a cabeça para afastar
o pensamento. Não era hora.
Anna dormia de lado. O rosto
doce voltado para elas.
Hermione fez uma expressão
maravilhada quando chegou mais perto.
-
Ela é linda! – sussurrou.
Quase sorriu na reação. Seria
difícil distinguir os traços de Anna naquela penumbra.
Hermione ainda ficou
admirando a pequena. Até que voltou-se.
- Nina... – a insegurança
tinha voltado – Será que... – parou.
Entendeu. O que ela queria
saber.
-
Eu deixarei que você fique com ela mais tarde. – murmurou.
A bruxa deu um pequeno
sorriso, acenando com a cabeça em resposta.
Conhecendo Severus, sabia que
não tinha explicado nada.
Agradeceu mentalmente por ela
não perguntar como e porque tudo tinha acontecido.
Principalmente o...
casamento.
Não estava pronta para falar
sobre isso ainda.
+*-/ *
Voltaram para o quarto. Havia
chá que Minerva tinha providenciado.
-
Muito bem. – engoliu, tensa, sem tocar a xícara – Vocês vão ter que me
dizer. – era melhor enfrentar de uma vez – Não tenho a mínima idéia de como é
um casamento bruxo.
Viu-as se entreolharem.
Sentiu o rosto quente com o rubor que subiu.
Soube no que pensavam. A
tensão piorou. Já tinha lido sobre eles há algum tempo.
-
Isso é claro, se eles se estenderem aos casamentos com trouxas.
Minerva se adiantou,
segurando sua mão.
-
É claro que sim querida. – hesitou – Desde que os... envolvidos assim o
queiram.
Mordeu o lábio discretamente;
nervosa. Ele não tinha lhe falado sobre isso.
Não respondeu, olhando-as.
Hermione de repetente se
moveu, parecendo ter tomado uma decisão.
-
Você precisa se preparar. – disse levantando-se, interrompendo o
silêncio, agindo como se ele não tivesse acontecido.
Tirou algo do bolso,
colocando sobre a cama. Também tirou a varinha, que ela meneou.
Havia um vestido. E
mais. Ela se virou para Hermione, em surpresa.
-
Eu acho que servirá. Mas posso “ajeitá-lo” se for necessário. – a bruxa
disse.
Não respondeu.
-
E eu as ajudarei. – Minerva deu um passo à frente, contente com a forma
como tudo estava indo.
Nina sentiu os olhos
molhados. Desviou-os. Minerva se aproximou da cama, fingindo não ver.
-
Obrigada Hermione. – murmurou.
Ela sorriu.
-
Eu acho que você ficará linda nele. – disse sincera.
Voltou a olhar sobre a cama.
Imaginou um par de olhos
escuros ao vê-lo.
E então... Sentiu que havia
algo bom em tudo aquilo, apesar de tudo.
Ele queria se casar.
Pois bem.
Ergueu a cabeça. Ele se casará.
Os olhos brilharam por um
segundo.
O depois... – suspirou –
seria depois.
Era hora de retomar o
controle. Ou pelo menos tentar.
Respirou, voltando-se para as
duas.
-
E... o que eu tenho que fazer? – perguntou.
Hermione sorriu... Já era
hora.
Pegou a cadeira sob a mesa e
sentou-se.
Minerva conjurou outra para
si e uma para Nina. Sentaram-se.
- Haverá três partes. –
Minerva parecia aprovar o modo de Nina – Você vai encontrá-lo para a primeira
parte. – pausou – Entre vocês. “O coração.” – Nina franziu as sobrancelhas –
Depois haverá a segunda. Para o mundo. “A mente.” E finalmente a terceira: a
consumação. “O corpo.” – havia um rubor no rosto de Hermione agora – Nenhum
casamento bruxo está completo sem essas três partes; que devem se unir.
Nina evitou olhá-las,
engolindo em seco discretamente. Deixando que pensassem que era embaraço.
Não ia pensar nisso agora.
Ficou quieta.
-
Não precisa se preocupar com a primeira parte: Severus a ajudará. –
Minerva sorriu enigmática – Vai precisar de duas madrinhas, em que você confie,
que a representarão e prepararão a segunda parte, enquanto vocês estiverem
realizando a primeira.
Levantou a cabeça. Olhou-as,
séria.
-
Eu já tenho as duas madrinhas. – colocou a mãos sobre as delas – Que são
minha família agora. – tentou sorrir para elas, agradecida, os olhos graves,
emocionada – Em que eu confiaria até minha Anna. Uma que é como minha irmã. –
olhou para Hermione – E a outra que me deu a honra de me deixar considerá-la
como minha mãe. – abraçou-as.
Pensou ter visto um princípio
de lágrimas nos olhos de Minerva que logo disfarçou.
-
Nós precisamos nos apressar querida. – murmurou.
+-*/+ *
Depois que tomara um bom
banho, trouxeram-lhe óleos perfumados. Afrodisíacos, disseram.
Usou-os, deixando-se levar
por elas.
Suprimindo um suspiro, sem
lhes dizer, que não tinha certeza se faria diferença.
Quando saiu do banheiro,
Minerva não estava. Tinha saído para providenciar tudo.
Não perguntou a Hermione o
que era o “tudo”.
Mas tinha decidido. Nada
importava. Ela ia se esforçar. Para ter um casamento “normal”.
Tanto quanto lhe fosse
permitido diante das circunstâncias.
Ele a tinha desejado um dia.
Podia fazê-lo querê-la de novo.
Pelo menos podia tentar.
E haveria um casamento afinal
de contas.
Uma esposa. E um... marido.
Castanhos brilharam.
+-*/ .
Anna dormia com Winky, depois
de muitas recomendações.
Minerva tinha dito para não
se preocupar. Suas coisas seriam transportadas para seus “novos” quartos.
Os elfos já estavam
providenciando tudo.
Nina estava parada no meio do
quarto.
- Bem... – Minerva começou,
admirando o resultado do esforço conjunto.
Respirou fundo. Tentando se
acalmar.
- Está na hora. – Hermione
completou abrindo a porta para ela.
Saiu.
+-* /
Estavam andando pelos
corredores. Minerva e Hermione de cada lado.
Elas tinham se trocado para a
ocasião. E tinham ido pegá-la. Acompanhando-a.
Enquanto ela tentava
controlar o nervosismo.
Lamentou não levar um buquê.
Ou uma rosa.
Mas elas tinham sorrido
quando pareceu procurar por isso em seu quarto, sem encontrar.
O vestido em seu corpo
fazendo-a parecer mais bonita.
O decote quase generoso
demais com os seios enormes por causa de Anna.
Ela tinha pedido e Hermione
mudara a cor. Para pérola.
Andavam há algum tempo.
Não teve certeza, mas parecia
a sala de requisição. Evitou franzir a testa.
Alguma coisa se agitando em
seu cérebro.
Forçou-se a voltar ao que
estava acontecendo.
Havia três bruxos vestidos em
túnicas brilhantes.
Dumbledore. Que sorriu ao
vê-la. Os olhos contentes. Doces. Quase divertidos.
Um jovem, muito sério. E um
homem que parecia ser seu pai, dada a semelhança entre eles.
Eles a cumprimentaram com a
cabeça. Sem dizer palavra.
Não entendeu. Mesmo o diretor
não tinha dito nada, afastando-se da frente de uma porta. E abrindo-a para que
ela entrasse.
Ela se virou para Hermione e
Minerva que sorriram. Deu um sorriso tenso em retorno; e um passo.
Os bruxos se afastaram. Ela
hesitou olhando-as.
Hermione pareceu perceber seu
desconforto e se aproximou.
-
Nenhum homem pode falar ou tocar em você hoje. – murmurou – Antes de seu
marido.
Entendeu. Acenou com a
cabeça.
Hermione pareceu hesitar.
Então, tendo tomado uma decisão, chegou mais perto.
-
Altere o que você não concordar. – sussurrou rápida em seu ouvido.
Olhou-a sem entender. Mas
ela ficou quieta e afastou-se, ficando ao lado de Minerva.
Nina virou-se, tremendo.
Respirou.
Era hora.
Deu dois passos, passando
pela porta. Escutou quando foi fechada atrás dela.
Levantou o rosto.
Ele a esperava.
Em uma roupa preta,
diferente, longa. Passeou os olhos por ele. Vendo os botões que iam até a altura
das coxas, as calças pretas. E a ausência da veste. Severus Snape.
Ele olhava-a.
Parado há uns três metros do outro lado da sala sem móveis.
Que não tinha nenhum
ornamento. Quase vazia.
Exceto por um banco. Alto e
estreito. Meio retorcido, parecendo antigo. Que estava entre eles.
E algo que ela não
identificou, em cima dele, apoiando uma pequena caixa.
Ele tinha o rosto sério e não
desviou pretos, que brilharam ao vê-la.
Enquanto ele absorvia. O
vestido. Os cabelos. Ela.
‘Meu... casamento.’
Inclinou-se só um pouco,
lento, num cumprimento. E se ergueu, sem deixar de olhá-la.
Ela repetiu. Vagarosa.
Trêmula.
Ele deu um passo, e então
parou, em silêncio. Ela repetiu.
Nervosa, ao ver carvão tão
perto.
-
Você sabe...? – uma sobrancelha se ergueu.
Sacudiu a cabeça, inquieta.
-
Não. – murmurou, o coração disparado.
Vendo o homem à sua frente.
Tão senhor de si.
-
Haverá palavras... Que serão ditas por cada um. – pausou – E deverão ser
cumpridas.
Ela ficou olhando-o.
Percebendo o sentido das palavras. E o tom em que foram ditas.
Ele levantou a mão direita,
estendendo-a para ela, ficando de lado. A outra mão nas costas.
Ela começou a levantar a sua
esquerda. Ele acenou, negando. Ela corrigiu.
Ele espalmou a dele, deixando
que ela encostasse a sua. Sentiu-a; morna ao toque.
Algo aconteceu.
Seu coração parecia bater em
seus ouvidos, num ritmo regular. Um pouco mais rápido.
Mas tão alto que ela pensou
que ele poderia estar ouvindo.
Ele levantou mais a cabeça e
a encarou. Solene.
-
Eu dividirei com você o que for meu. Minha herança. E meu nome. – a voz
estava séria.
Foi como uma pequena carga
elétrica através de sua mão. Por seu corpo.
Ela ficou olhando-o. A
respiração acelerada. Sem desviar de pretos.
Havia dois corações agora,
batendo, em seus ouvidos.
Magia. Um casamento bruxo.
Magia.
Ele deu um passo para o lado.
A mão na dela.
Ela pensou, tentando acalmar
seu coração, no que poderia oferecer.
Enquanto ele aguardava. Sem
tirar os olhos dela.
Lembrou de casamentos
trouxas. E do que diziam.
Respirou, esperando que
funcionasse, e que sua voz não tremesse como o resto dela, com a emoção.
-
Com o meu corpo eu te honro. Ofereço-o a você. Só a você o entregarei. Só
a você pertencerá. E nunca o darei; a mais ninguém.
A mesma carga elétrica. Os
batimentos.
Deu um passo, como ele.
-
Usarei todos os meios. Magia. Força. Para protegê-la. E à... Anna.
Respirou.
‘Anna?’
Não. Algo estava
errado.
‘ “Altere o que você não
concordar.” ’
Sentiu o rubor subir.
Manteve-se firme.
-
Não. – sacudiu a cabeça – E aos nossos filhos.
Pretos brilharam. Nela.
Pensou ter visto um pequeno tremor no lado de sua boca.
E então um movimento de sua
cabeça.
-
Usarei todos os meios. Qualquer um. Magia. Força. Para protegê-la. E aos
nossos filhos.
A energia estava lá.
Ele deu outro passo. A mão na
dela. Que estava fria e trêmula.
‘Oh, Senhor.’
Evitou ficar com raiva de
Hermione. Ela podia ter dito. Teria se preparado melhor.
Bom ele ia ter que aguardar.
Esperou que ele não
conhecesse casamentos trouxas. Respirou.
‘Dane-se!’
Ela era uma trouxa! E
não havia nada errado em promessas trouxas.
Encarou-o.
-
Ficarei com você. Na alegria. Na tristeza. Na saúde. Ou doença. Nos
momentos bons ou ruins. E não o deixarei.
Energia. Outro passo.
Ele soltou a mão dela.
‘ “Ela luta só por você.”
’
Olhou-a. A expressão
indecifrável.
Estendeu a outra. Ela elevou
a sua.
-
Eu a respeitarei. Não permitindo, que ninguém a desonre.
‘O que você quer dizer com isso?’ –
pensou nervosa.
A energia não aconteceu.
Ele levantou uma sobrancelha.
Ela suspirou, apreensiva. Tentou entender as palavras.
Respeito. Dele por ela.
Certo.
E não deixar... que ninguém a
diminua. Ou a trate como inferior.
Havia a energia.
Estremeceu. No pensamento de
que ele também tinha que entender e aceitar as promessas que fazia.
Talvez mesmo acreditar nelas.
Ele deu um passo, no sentindo
contrário ao dos passos anteriores.
Ela encarou pretos.
Mergulhou.
Era seu casamento.
Com esse homem.
Esse bruxo.
Seu
casamento.
Levantou a cabeça, os lábios
trêmulos com a emoção.
-
Eu te ofereço. Minha lealdade. Meu respeito. E minha confiança. – a voz
tornou-se mais doce, os olhos nos dele – E tentarei, por todos os meios, afastar
de você... todas as sombras, que eu puder.
Carvão. Faiscando.
O lábio tremeu mais, sentindo
as emoções que a percorriam. Deles.
Viu-o respirar.
Energia.
Outro passo.
-
Você terá minha fidelidade. E minha consideração. Trabalharei. Para que
superemos nossas diferenças.
Olhou-o. O som de dois
corações rápidos em seu ouvidos.
Ergueu mais a cabeça.
-
Irei. Onde quer que você vá. E não o deixarei. Nunca. E o seguirei. A
qualquer lugar.
Mais um passo.
-
Tentarei. Dar a você. Tudo o que precisar.
-
Vou estar esperando por você. Até que confie. Acredite. Que estarei aqui.
Por você.
Ele a olhou. Luzindo.
-
Muito bem. – disse encerrando.
Sentiu a ansiedade. Crescendo
dentro de si. Segurou a mão dele, entrelaçando os dedos.
‘Ainda não.’
Ainda não era tudo.
Concentrou-se. Os olhos fechados. Sentindo.
Lembrando.
De tudo o que ela tinha
querido, quando chegou. Dele. E de sua escuridão.
Em que ela queria ser a luz.
De seu corpo. Seu toque...
De tudo o que tinha
acontecido... Entre eles... As imagens se repetindo. Dominando-a.
E ainda havia. Tudo que tinha
sido falado. Nunca sentiu tanto carinho. Por ele.
Arfou. A emoção; explodindo
em seu peito.
‘Eu te amarei, eu prometo.
Enquanto eu viver!’
Havia a energia entre eles.
Forte. Poderosa. Deixando-a mais trêmula.
De alguma forma, tinha sido o
suficiente. Sem a anuência dele. Ou seu conhecimento.
Abriu os olhos, respirando.
Vendo pretos, brilhantes. E a testa franzida.
Devolveu, o rosto quente.
Até que baixou os seus,
desviando dos dele, ainda intensos.
Tendo dificuldade em conter,
tudo o que tinha sentido.
Ele ainda ficou parado.
Antes de levantar a cabeça e soltar sua mão.
Ficou quieta. Esperando.
Ele deu mais um passo em sua
direção. Fez o mesmo.
Sentindo em seu rosto, a
respiração dele. E o calor de seu corpo. Tão perto...
Ele colocou a mão sob seu
queixo.
E havia carvão. Em
castanhos.
O olhos se desviaram para
seus lábios.
A boca desceu. Até encontrar
a sua.
Num beijo suave. Doce.
Como ela nunca pensou que ele poderia dar.
Os braços envolveram-na.
Devagar, levantou os seus, a mão indo ao pescoço dele.
Sentiu-se flutuar.
Entregou-se. Àquele beijo. E a ele. Emocionada. Sentindo ternura.
Amando-o.
Enquanto continuavam. Bocas
e lábios. Corpos e almas. Corações e mentes.
Tempo perdendo o significado.
Diante da intensidade do que sentiam.
Até que ele os separou.
Muito depois. Os olhos brilhando. Para ela.
Por um momento maravilhoso,
pensou ter visto neles, tudo o que ela quis.
-
Temos que ir. – ele disse baixo, rouco – Estão nos esperando.
Ela acenou com a cabeça. O
encanto se quebrando.
Enquanto ele se afastava. E
ia até a porta. Aguardando por ela.
Suspirou.
+-*/ *-
O bruxo mais jovem estava lá.
Como se guardasse a porta. Esperando para acompanhá-los.
Severus ficou de um lado da
porta. O bruxo entrou.
E pegou o pequeno objeto em
cima do banco, trazendo-o.
Andou à frente deles, até o
escritório de Dumbledore.
Ela sentiu, todo o tempo, a
mão em sua cintura.
+-*/ /*
Eles subiram. A porta foi
aberta.
O escritório estava
diferente. Mais claro.
Os móveis afastados. Exceto
pela mesa.
Eles entraram.
Hermione sorriu. Um grande
sorriso. Igual ao de Minerva. Ela pensou ter visto... Lágrimas.
Estranhou. Olhou para
Dumbledore, sem entender. Vendo o brilho maroto, em azuis.
O bruxo mais velho, ao lado
dele.
-
Sejam bem-vindos. – o diretor disse, antes de sorrir.
Fez um sinal. Eles se
aproximaram da mesa. O diretor afastou-se, parando em frente à Severus.
Do outro lado da mesa,
Hermione e Minerva também se moveram, ficando em frente à ela.
O bruxo meneou a varinha,
fazendo com que surgisse um grande pergaminho.
Pensou por um segundo louco ,
se tudo o que disseram, estava ali.
Olhou para Severus. Que
tinha a expressão indecifrável.
Tremeu.
-
Este é o contrato que selará a união. – o bruxo disse, desviando sua
atenção – Já foi discutido entre os padrinhos.
Estendeu-o sobre a mesa. Uma
pena dourada apareceu. Enorme. Linda. Mas ela não viu o tinteiro.
O bruxo mais jovem se
aproximou, colocando o que ele tinha carregado sobre a mesa.
Ela observou. Curiosa. Era
uma taça, com um líquido dourado, pela metade.
E uma pequena caixa, que não
parecia molhada, dentro dela, aberta.
Onde havia duas alianças com
um formato diferente. Que brilhavam, intensamente.
Mas não eram douradas.
Pareciam... de prata. Com duas pequenas pedras, verdes, no alto.
Severus pegou a pena e a
molhou no líquido, inclinando-se, para assinar.
Colocou a pena no lugar,
olhando para ela.
Ela respirou. Pensando se
devia assinar sem ler, como ele.
Pegou a pena devagar,
tentando ler o que estava escrito.
E descobrindo, surpresa, que
era como um contrato.
Mas não havia nenhuma palavra
do que tinham dito.
Olhou em pretos. Vendo-os
estreitos. Como se estivessem com raiva por sua demora.
Assinou, devolvendo a pena.
Severus se aproximou e pegou
uma das alianças. Olhou-a, esperando.
Estendeu a mão para ele. Que
a colocou em seu dedo, fazendo com que sentisse a mesma energia.
Bem mais poderosa. Que a fez
se arrepiar, quando passaou por seu corpo.
Respirou. Vendo quando ele
lhe estendeu a mão. Estendeu a sua para pegar a aliança.
Percebendo ao pegá-la, que o
líquido não manchava sua mão, embora tivesse assinado com ele.
Pegou a mão dele, que estava
quente em contraste com a sua, e colocou-a em seu dedo.
-
Está feito! – havia uma luz da varinha do bruxo.
Que tornou a menear a
varinha, fazendo com que o pergaminho desaparecesse.
Então Minerva e Hermione se
aproximaram, cumprimentando-os.
Dumbledore veio até ela e
abraçou-a.
-
Meus parabéns! – os olhos sorrindo, a voz estranha.
Mas havia mais, ela percebeu,
naquelas duas pequenas palavras. Ela correspondeu.
Vendo o modo tímido, como
Hermione cumprimentava Severus.
Seu marido.
Sacudiu a cabeça. Não ia
pensar nisso agora. Albus a soltou. Olhou em volta.
Minerva a abraçou forte.
Sussurrando palavras boas. Sorriu acenando com a cabeça.
Disse que precisava ir, para
verificar se tudo estava em ordem para eles e com Anna.
Agradeceu, vendo-a
afastar-se. Então viu bandejas. Em mesas que ela não tinha visto antes. E
bebidas.
Além de poltronas. Enquanto
todos conversavam, espalhados pelo lugar.
Severus com Albus. Desviou os
olhos ao vê-los trocar palavras baixo.
Aproximou-se de Hermione.
Havia algo que queria saber.
-
Por que você estava sorrindo daquele jeito quando entrei? – murmurou para
ela, sem mencionar o sorriso de Minerva.
Ela sorriu de novo, da mesma
forma “sabendo”.
-
Porquê havia muitas cores, nas promessas de vocês.
Franziu a testa.
-
Como assim?
-
As promessas. Cada uma tem uma cor. E havia muitas. – o sorriso se
alargou – Algumas com cores fortes. Brilhantes.
Sentiu o rosto enrubescer.
Hermione riu. Estava feliz
com o resultado de tudo, depois de toda a tensão do dia.
-
Não se preocupe. – disse ao ver seu desconforto.
Mais fácil dizer que fazer.
-
E vocês podem saber o quê...?
-
Não. – ela parecia divertida – Só adivinhar. – sorriu de novo – Mas não
deve ser difícil, para bruxos mais velhos. – provocou.
Fechou os olhos, mortificada.
Abriu-os.
-
Porque você não me disse? O que ia acontecer e ... – mordeu o lábio, a
fisionomia ansiosa – E eu não vi nenhuma cor.
-
Trouxas não podem ver. Mas você deve ter sentido algo diferente. – ela
tocou seu braço, séria agora – Eu quero ter tantas cores quanto as suas, quando
me casar.
É claro. Suspirou.
-
Espero não ter feito nenhuma coisa errada.
-
Bem... – ela hesitou – Quase.
Olhou-a rápido. Ela parecia
sem graça.
-
Seria um insulto se você demorasse a assinar. Principalmente ao professor
Snape. O contrato foi oferecido por ele. Para ser discutido e alterado, no
interesse de vocês, por Minerva, eu e Dumbledore.
-
Porquê?
-
Para resguardar os interesses de vocês. Os padrinhos e madrinhas devem
possuir a confiança total dos... noivos. – usou a palavra trouxa – Pois são eles
que decidem quanto à parte financeira e outras coisas. Nós quase não alteramos
nada. Dumbledore incluiu que vocês devem morar aqui por pelo menos mais um ano,
e depois, pelo tempo que quiserem. – esperava que o professor Snape concordasse,
levantou os ombros – Que eu me lembre foi só. – olhou em volta.
-
Vocês podem decidir onde iremos morar? – estava surpresa.
-
Não sempre. Mas há muita coisa que um padrinho pode decidir. Desde que
seja em benefício dos noivos.
-
Severus nem mesmo leu. – sentiu um arrepio; podia dizer seu nome em
público.
-
Mostrou confiança. Se ele tivesse hesitado, significaria que tinha
dúvidas quanto ao casamento.
Levou a mão à boca. Ela só
tinha querido ler, mas...
Percebeu agora o que tinha
feito, vendo Hermione, que relanceava os olhos à sua volta, novamente.
-
Você acha... – os olhos estavam preocupados.
-
Não. – ela sacudiu a cabeça – Nós compreendemos. Você é uma trouxa. Não
foi um insulto.
‘Espero que ele pense
assim também.’
Suspirou. Hermione deixou de
vigiar e a olhou, sem jeito.
-
Nina... – começou – Você deve ficar...
Havia uma mão em sua cintura.
-
Ao lado de seu marido. – ele murmurou em seu ouvido.
‘Oh, Deus.’
Sentia a mão quente nela.
Firme.
-
Eu não sabia. – quis se defender.
-
Er... – Hermione os olhou – Eu vou falar com a professora McGonagall.
Professor...
Ele inclinou a cabeça
respondendo ao cumprimento. Hermione se afastou.
Respirou.
-
Você precisa me dizer. Eu não sei o que tenho que fazer.
Pretos brilharam. Algo
atravessando-os.
-
Você tem que ficar a meu lado, todo o tempo. Como se estivesse... mais
que contente em fazê-lo. – havia um tom estranho em sua voz.
Sentiu um arrepio, imaginando
se poderia haver duplo sentido. Não teve certeza, mas...
Bem... Isso não seria tão
difícil.
Não seria nada difícil.
-
E o que mais? – a voz estava baixa, quase doce.
Carvão. Nela.
-
Você deve me servir.
Estreitou os olhos. Sem
saber se ele estava se divertindo com ela.
-
E o que você deseja, meu senhor? – ironizou.
-
Cuidado. – a voz estava perigosa, macia – Você pode descobrir que eu...
desejo... – olhou-a ruborizar-se – muitas coisas.
Sentiu um arrepio.
Disfarçou, desviando de pretos, e estendendo a mão para uma bandeja.
Pegando-a e oferecendo-a a
ele. Ele a olhou e pegou o que havia ali, levando-o à boca.
Parecia não ter comido, todo
o dia.
Quase sorriu, ele era humano,
no fim das contas.
Olhou em pretos.
Compreendeu que tinha ficado
olhando, enquanto ele levava o alimento aos lábios.
Desviou.
Mas ninguém se aproximou.
Entretidos em conversar entre si.
Observou Dumbledore com o
bruxo mais velho, sérios.
Suspirou.
Havia algo, que a estava
incomodando. E não ia conseguir esperar até que estivessem sozinhos.
-
As promessas... – virou-se para ele, encarando-o – Eram só para... – não
continuou, esperando que entendesse o que não tinha dito.
Pensou que ele não
responderia.
Até que segurou seus braços.
E ficou de frente para ela. Muito próximo.
Pretos. Duros.
-
Eles não estavam lá quando as fizemos.
Entendeu.
E apesar do modo como ele
tinha dito, ficou contente.
Castanhos brilharam.
Acalmando pretos.
.+*/
Ele não
saiu de perto dela.
E algum
tempo depois, segurou seu braço, mostrando a porta com a cabeça.
O bruxo mais novo do
ministério, que estava mais perto, percebeu.
Parecia mais relaxado, um
copo nas mãos.
-
Sim. – começou alegre – É hora da... – ele se intimidou com o olhar de
pretos – terceira parte do casamento. – terminou baixinho, enquanto eles saíam.
Franziu a testa.
Tristeza. Ao
perceber as palavras que seu marido murmurara.
“Não haverá terceira
parte.”
*-.*
Desceram até as masmorras. O
caminho tinha sido feito em silêncio.
Ele abriu a porta para ela.
Entraram. Passou pelo escritório, dirigindo-se ao quarto. Afastando as
lembranças. Notou as diferenças. Tudo parecia... maior.
Havia outra porta, uma que
ela não tinha visto antes. Winky estava lá.
Aproximou-se. Era o quarto
que seria de Anna.
-
A menina dormiu, senhora.
Entrou. Viu a filha deitada,
as mãozinhas para cima, descansando no travesseiro. A boquinha aberta.
Sorriu. Sentiu que não
estava mais sozinha. Uma presença às suas costas. Não se importou.
Levou a mão, passando-a de
leve pelo pequeno rosto. Suspirou.
-
Obrigada Winky. – virou-se para ela – Boa noite. – tentou sorrir.
Ela sorriu de volta.
Começando a se acostumar ao tratamento novo.
-
Winky cuida bem da menina, senhora. – falou séria, mas feliz.
-
Eu sei. Boa noite.
Tentou ignorá-lo ao passar,
nervosa. Voltou para o quarto.
Olhou em volta. Meio perdida.
‘Meu casamento. Minha
noite de núpcias. ’
Mas ele não a tocaria, tinha
deixado isso claro.
Embora ela tivesse esperado
que isso fosse mudar. Depois de tudo.
Sacudiu a cabeça. Não ia
chorar. Foi para o banheiro preparar-se.
Se ele
fosse manter. Ela pretendia tornar difícil para ele.
O banheiro também parecia
diferente.
-
Boa noite senhora. – havia a voz respeitosa.
O espelho. Moveu a cabeça.
Colocou a camisola que
Hermione tinha lhe dado e que ela nunca tinha usado.
Parou um momento para olhar
sua aliança, e os detalhes, entrelaçados, admirando-a.
E então... sentiu um frio na
barriga ao pensar... Estava casada! Com ele.
Lembrou do casamento. Das
promessas. E do beijo que se seguiu.
Ainda mais decidida a fazê-lo
mudar de idéia. E completar a terceira parte. Esta noite.
Voltou. Sentindo os olhos
dele em si.
Mas ele desviou para o fogo,
como se não se importasse, quando ela o olhou.
Doeu. Controlou.
Indecisa se devia ir até ele.
Até que percebeu. Estava
parada há poucos passos e ele a ignorava. Propositalmente.
Mordeu o lábio indo até a
cama, vagarosa.
Deitou-se, fechando os
olhos. Lutando pra não chorar, sem conseguir dormir.
Fingindo não perceber.
Quando ele finalmente se deitou. Muito tempo depois.
Longe dela.
.+*/
Acordou pouco tempo depois.
Sentiu a cama macia sob si.
Diferente. Lembrou. Abriu os olhos.
Ele não a tinha tocado.
E estava em frente a ela.
Parecendo dormir. Ouviu a lareira. Suspirou.
Ele abriu os olhos,
olhando-a. Vendo as chamas que dançavam pelos contornos de seu corpo.
Carvão faiscou. Ela
estava ali. Em sua cama.
Perto demais. Podia
sentir o calor que vinha dela. O cheiro.
E castanhos. Profundos.
-
O que aconteceu? – ela murmurou.
Seu único movimento foi
franzir a testa. Ela ficou quieta.
-
Do que está falando?
Olhou-o.
-
Você não me deseja mais? – sussurrou com uma ponta de angústia.
As palavras que ele dissera
em frente a seu quarto sobre não a tocar, queimando em sua mente.
Mesmo assim... Ele a
tinha querido antes.
Tinha esperado que fosse
diferente. Depois do que tinha acontecido, no casamento.
Ele se moveu, muito devagar.
A respiração em seu rosto. O corpo se inclinando sobre o dela.
Até que ela o sentiu em sua
coxa. Pronto. Sua respiração se acelerou um pouco.
Carvão. Sérios.
-
É isso o que pensa?
Sentiu um calor subir por seu
corpo.
-
Então porquê? – perguntou baixo.
Viu-o respirar e mover-se.
-
Por quê você não está pronta. – falou com raiva, levantando-se – Nem eu.
– murmurou.
Ela pensou ter entendido.
Enquanto ele se afastava, ajeitando o robe com que ele tinha deitado.
Levantou-se também. Indo até
ele.
Pomfrey tinha lhe dito. Cinco
dias tomaria a poção. Já tinha mais. E ela estava se sentindo bem.
-
Severus. – chamou, com medo de tocá-lo – Pomfrey... Não há problema. Não
agora.
Por um instante ignorou-a.
Então hesitou, e virou-se para ela. Os olhos brilhantes. Em tumulto.
-
Eu quero que fique no outro quarto. – a voz estava estranha – Ou vá
embora.
‘Você está brincando...’
Franziu a testa sem
acreditar, observando-o. Teve certeza. Havia mais.
-
Porquê? – exigiu, aproximando-se.
Não ia sair. Não sem uma
explicação. Nem com uma. Mas ele ainda não sabia.
-
Você não me quer? – sussurrou baixinho.
Ouviu um gemido.
Foi rápido.
Foi empurrada. Dois passos
até a parede perto da lareira. Ele não a tocou.
Segurando seus pulsos acima
da cabeça.
O corpo muito próximo. A
respiração breve. Quente. Em sua face. Franziu a testa.
Ele apertou os dentes. Mais
controle do que jamais precisou. Para não tocá-la.
Aproximou o rosto. Até bem
perto dos cabelos dela. Respirou, fechando os olhos.
‘Viola odorata...’
Tremeu. Sentindo o calor do
corpo perto. E a vontade. A necessidade.
Surgindo nele. Poderosa. Como
sempre tinha sido.
Compreendendo que podia estar
acrescida da energia, vinda do feitiço do casamento.
Mesmo que ele tivesse tomado
precauções contra isso. Junto com a poção.
Respirou de novo. Pensando no
quanto de seu controle tinha precisado para resistir àquela... veela.
E na quantidade, muito maior,
estava sendo necessário para resistir à sua... esposa.
Estremeceu. Esposa.
Apertou mais os pulsos em
suas mãos. Para impedir que elas se movessem. A outros lugares.
Buscando ar. Impedindo-se
de tocá-la. De senti-la. Mas não conseguiu... Deixar de olhá-la.
E havia pretos. Lentos. Em
cada parte dela.
E ela sentiu. Um calor subir.
Uma sensação apertando em seu ventre; quando chegaram a castanhos.
Vendo a expressão dos olhos
escuros. E a face. Em desejo. Fome. Os lábios quase nos seus.
A respiração forte em seu
rosto. Percebendo que nunca tinha se sentido assim tão... viva. Nesse olhar.
Ele viu. O rubor. E a fome.
Igual à dele. Nos olhos dela. E no modo como se movia, para mais perto.
Usou todo o seu controle.
Para manter-se longe. Sentindo-se arder. Em chamas.
-
Você não consegue adivinhar? – rosnou devagar, rouco – Eu não posso! –
rugiu, sem soltá-la.
Sem ter certeza. Se
conseguiria deixar que ela se fosse.
‘Maldito encantamento...’
Mas ele sabia. Não era isso.
Nunca tinha sido.
E já tinha se passado muito
tempo, desde a última vez... Em que teve seu corpo.
Respirou, bem perto. Os
olhos pesados. O cheiro de violetas testando seu autocontrole.
Ela o queria. Com saudade. O
corpo em fogo, como o dele. E tinha direito, pensou. A tudo.
-
O quê? – esticou-se; querendo-o, encostando-se nele.
Ele a sentiu. Próxima.
Provocando-o. Arfou.
-
O que você não pode? – ela murmurou de novo, vendo o desejo nele.
Ele ainda olhava para seus
lábios. Respirando forte. Sem tocá-la. Mantendo-a longe. Centímetros.
Tentou controlar. As narinas
dilatadas.
-
Garantir. – foi aos seus olhos, sério – Que não vou machucar você. –
disse duro, pretos faiscando.
‘Então é isso!’
Sentiu um arrepio.
Medo. E excitação.
Misturando-se. Sua respiração se acelerou.
Castanhos.
Sorriu, suavemente.
Valente. Apesar do receio.
-
Você nunca pôde. – sussurrou para ele, os olhos brilhando.
Um segundo.
Ouviu um som abafado. Os
pulsos soltos.
E ela mergulhou em
tempestade.
Como antes.
-*/-*/-*/
Não tinha sido como ela
esperava. Ou quase...
Talvez ele estivesse certo.
Moveu-se, o corpo dolorido.
Levantou-se devagar, indo ao
banheiro. E depois ver Anna que estava acordando. Viu que ela estava seca.
Amamentou-a até que ela
dormiu de novo, calma, mesmo com o som do ronco de Winky.
Voltou. Parou, apoiada na
porta fechada atrás de si. Olhando-o.
Parecia
dormir. Suspirou.
Andou até a outra porta. Só
queria sair dali. Mesmo que por pouco tempo.
Estava escuro. Como sempre.
Viu a escrivaninha. Adivinhou
a porta do laboratório do outro lado.
Encostou-se na beirada da
mesa, quase sentando. Fechou os olhos. No silêncio.
Das muitas coisas mortas.
Lembrando-se. Do que tinha acontecido.
Não era o seu corpo que tinha
sido o problema, confirmando o que ela pensava.
Era ele.
Em sua fome.
Quase ignorando-a. Quase
machucando-a. Até que desistiu. Até que...
Estremeceu, ao lembrar. Da
mesma forma que tinha estremecido, emocionada.
Ao ouvi-lo, numa rara
demonstração dele mesmo. Quando ele enterrou o rosto em seus cabelos, e disse
num quase gemido.
‘ “Merlin, como senti sua
falta...” ’
Agarrando-a. Os braços à sua
volta. Ansioso. Como se quisesse impedi-la de se afastar.
Foi isso.
Que a fez vibrar, e que fez
valer a pena, todo o resto. Que a fez estar com ele de novo.
Completamente.
Sentiu um arrepio. Fechou os
olhos.
‘ “Merlin, como senti sua
falta...” ’
Tocou os lábios, inchados dos
beijos. Suspirou. A frase se repetindo em sua cabeça.
Desceu a mão. Sentiu dor.
Imaginou se ia ficar com manchas verdes. Como antes.
Ouviu um barulho.
Ele estava ali.
Vindo em sua direção.
Deixando a porta aberta iluminar um pouco. Mas ela viu... A pergunta em seus
olhos. E na expressão séria. Quando ele se aproximou mais, e segurou seu queixo,
firme.
-
Estou bem. – murmurou.
‘Você não me machucou.
Não muito.’
Ele sabia que não era
completamente verdade. Mas tinha se permitido perder o controle.
Ansioso. Depois de tanto
tempo. Sem ela. Mesmo que tivesse tentando não machucá-la.
Sem entender como a tensão
das últimas semanas... pareciam simplesmente ter desaparecido.
Não se enganou. Não tinham
“desaparecido”. Mas não pensaria nisso agora.
Ouviu-a respirar. O corpo
perto. Como o dele, sem nada por baixo. Fazendo-o ter vontade. De novo.
Inalou ar. Violetas.
Os dedos deslizaram. Pelos
traços do rosto. Pescoço. E pelo colo. Experimentando a pele.
Ela não conseguiu entender, o
que sentiu. E como seu corpo, estava reagindo ainda. Em fogo. A ele.
Abraçou-a. A boca perto de
sua orelha. Sentindo seu cheiro. As mãos em suas costas.
E devagar, o rosto escorregou
pelo dela. A boca foi ao pescoço. E em seu queixo. Lentamente.
E depois... em seus ombros.
Vagarosa. Nos seios. Voltando ao pescoço. Sem machucar.
E sentiu. O corpo latejando.
Novamente. Por ela. Suspirou. Controlando-se.
As mãos desceram.
Desamarrando. Afastando a roupa. Tocando-a. Procurando. Devagar. Testando.
Ela suspirou. E abriu-lhe o
robe. Passeando as mãos por seu peito. Pelos ombros.
Chegando mais perto.
Sentindo-o. Pronto. Arrepiou-se.
Ele percebeu.
Lábios sobre lábios.
Sentou-a na escrivaninha. Sem
interromper o beijo. Querendo-a, ainda mais.
Mas não como tinha sido há
pouco. Queria que ela correspondesse. Que estivesse com ele. Inteira.
Queria ouvir o seu nome
quando ela...
Apertou-a. Buscando o corpo
morno. Encostando-o no seu. Deslizando as mãos em carícias.
‘Como antes...’ –
respirou.
Ela viu como ele estava
excitado. E como mesmo assim... Continuou a tocá-la. Insistente. Suave.
Incitando-a. Enlouquecendo-a.
Suspirou. Levando as mãos até as costas dele. Sentindo as cicatrizes.
E ouvindo-o gemer, quando ela
se aproximou mais, e se ajeitou. Fazendo com que ele a sentisse nele.
Quente. Arrepiou-se
de novo. Querendo-o.
-
Por favor. – sussurrou em seu ouvido.
Ele estremeceu. Respirou
alto. E desistiu.
Segurou-a pelos quadris. O
corpo se apossando do dela. Os lábios em seu pescoço. Apertando-a nele.
E depois. Inclinando-a para
trás, e descendo, juntos. Enquanto ela fechava os olhos.
Passando as pernas por trás
dele, trazendo-o para mais perto. As mãos em seus ombros.
O rosto dele em seus cabelos
quando ela levantou a cabeça. Passando os braços por trás do pescoço dele.
‘ “Merlin, como senti sua
falta...” ’
-
Senti sua falta. – murmurou suave no ouvido dele, a voz rouca, excitada.
Sentiu-o estremecer. E ir
mais fundo, como se respondesse. Moveu a cabeça para vê-lo.
-
Mais. – sussurrou devagar, olhando o vinco em meio às sobrancelhas, por
entre o cabelo preto.
Ele atendeu. Outras vezes.
Respirando. Até que não agüentaram mais. Aumentando o ritmo.
-
Severus...
Viu-o se entregar. Sem
conseguir se conter. Segurando-a forte. Perdido.
-
Severus! – gritou, fincando as unhas nas costas dele, em meio às
cicatrizes.
Algo selvagem foi acordado
nele quando a ouviu. Além da... posse.
Apertou-a com força. Indo uma
última vez.
Finalmente fechando os olhos.
.+* -*-*
Eles acabaram. A testa dele
na sua.
As respirações rápidas.
Acalmando-se. Devagar. Fechou os olhos por um momento.
E então, ele a olhou, e ela
viu a expressão quase divertida, por entre os cabelos negros, caídos no rosto.
Não entendeu.
-
O que foi?
-
Não coloquei nenhum feitiço silenciador aqui. – informou suavemente
irônico.
Demorou um tempo. Percebeu.
Ela tinha gritado o nome dele.
-
Acho que minha... fama – levantou um sobrancelha – Pode sofrer acréscimo.
– provocou debochado.
Ela ficou mortificada. E viu
como ele se divertia, com a expressão dela. Levantando-a.
Pelo menos não estava bravo,
constatou surpresa.
-
Estamos em julho. – lembrou-a. – Não há alunos – sussurrou, sem soltá-la.
Mas ela não perdeu, o tom
lento, divertido, de quem sabia mais.
-
Só professores. E fantasmas. – olhou-a – E elfos.
‘Deus! Winky!’
Olhou por sobre o ombro, para
a porta do laboratório, e depois para a expressão dele.
Mordeu-o no ombro.
Horrorizada. Ruborizada. Mas contente.
Pelo modo descuidado como ele
tinha dito. E pela intimidade. Compartilhada.
Deitou a cabeça no ombro
dele.
Viu a cadeira, encostada na
escrivaninha. Sorriu.
Depois começou a rir. Cada
vez mais alto. Levou a mão à boca, para diminuir os sons, alegre.
Ele afastou o rosto para
olhá-la. Ela passou o dedo no vinco em sua testa. Sorrindo.
‘Minha vez.’
-
Quero ver, – murmurou em meio a um sorriso, falando devagar – como você
vai conseguir, ficar até tarde aqui. Corrigindo pergaminhos. – foi até o ouvido
dele, sussurrando lenta – Sem se lembrar do que fizemos nessa mesa.
Ele ficou imóvel. E então a
mordeu, como ela tinha feito.
-
Ai! – desviou o ombro, sabendo que ele a faria pagar mais tarde.
Mas riu alto.
Depois colocou a mão sobre a
boca de novo. Para abafar as risadas.
** - **
Eles tinham ido ao almoço.
Um sorriso pequeno de Albus
os cumprimentou quando chegaram. A comida diferente.
-
Eu penso que todos temos motivos para estar... contentes. – a sombra do
sorriso ainda lá.
Azuis brilharam por sobre os
óculos. Enquanto ele levantou seu copo de suco de abóbora, risonho.
Severus deu-lhe um olhar
bravo e irritado. Que ele ignorou brandamente, ao virar-se para falar a Minerva.
Que tinha um sorriso
“compreensivo”.
Ela sentiu o rosto quente.
Desviou os olhos. Sem conseguir impedir-se de estar contente.
Elisabeth não tinha
voltado. Deu graças.
Ainda não era o tempo de
enfrentá-la. Podia relaxar.
Olhou para o homem a seu
lado.
Sorriu.
+-* *-
Estavam voltando. Ela o fez
desviar um pouco de seu caminho.
Andando pelo castelo.
Estava quente. Quis ver o
lago. Mesmo que de longe. Moveu-se para a mureta perto.
Parou onde ele lhe tinha
falado pela primeira vez. Há tanto tempo atrás.
Lembrou sua conversa. Um
pequeno sorriso se desenhou em seu rosto.
Ainda havia muito caminho a
ser percorrido.
Mas nunca tinha tido certeza
realmente de que conseguiria.
Ele a observou. Quieta,
olhando o lago.
Algo o inquietou. E nunca
admitiria que havia aquela pequena sombra...
Era possível que estivesse
arrependida? Fechou-se; cruzou os braços.
-
Qual é o problema? – a voz estava seca, quase acusadora.
Voltou a cabeça; olhou-o sem
entender. Vendo pretos. Vendo Snape.
E Severus. Seu
marido.
Então relaxou.
Era dele. Não havia uma
opção. Sorriu.
Recusando-se terminantemente,
a deixar que qualquer coisa que ele dissesse hoje a perturbasse.
-
Srª Snape, professor. – virou-se para ele, levantando uma sobrancelha,
castanhos brilhando – SENHORA. SNAPE. – terminou doce.
Ele a olhou.
Não importava que fosse uma
trouxa. Ou a forma como tinha vindo a casá-la.
Não importava que pudessem
estar em perigo. E que não conseguisse sequer pensar no que sentia.
Havia uma onda pura de
orgulho instintivo ao ouvi-la.
Admitindo que lhe pertencia.
Controlou deixar o rosto
impassível.
Mas ela percebeu um brilho
fugidio em pretos, antes que se virasse, puxando-a pela mão.
Sem responder.
Em direção às masmorras.
-*/-*
Espero que tenham
apreciado.
Pode haver mudanças
pequenas.
Atenção:
O discurso do Sev com o Dumbledore foi MAIS ou MENOS baseado numa fic que li há
algum tempo atrás e da qual não lembro o nome. Se você a reconhecer, é sua
mesmo. (so sorry).
Todo o resto é da minha
cabeça. Exceto o mundo da J.K., que eu pedi emprestado para a gente se divertir.
Agradecimentos enooormes à
Sett pela betagem.
E Granger... Foi
divertimento!
Lilibeth - “Quero ver como
esses dois cabeçudos vão se entender. Se ele perdeu o seu "espaço de conforto",
ela perdeu sua vida. Jogou-se somente com sua calma e coragem e seu amor
infindável nos braços de um homem que nunca foi amado sem segundas intenções...
é muito triste amar alguém que dá todo e qualquer nome ao amor que lhe devotam
sem que seja amor. Desculpe a viagem,mas a guia é excelente demais para se ficar
quieta... :)” Valeu Lilibeth!
Valeu a ajuda de vocês na
betagem.
Granger – Já encontrou o
Rony e a Hermione? Kákákáká.
P.S.: Viola Odorata =
violetas (flores).
A idéia do casamento
também é toda minha. Gostaram?
Espero que a espera tenha
valido a pena.
Reviews.
Please.
ananinasnape@yahoo.com.br