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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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37. CASAMENTO


Fic: Severus - A partir de Agora (Snape/OC) NC17!! - Indicada para o Multifaceted na categoria Dark


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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J













 







J.K. é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.







Por favor, não me processe, eu não tenho nada.







Agradeço a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.







E como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.





 





 







Capítulo 37      Casamento?





                         

Você e eu jamais

estaremos separados   


         



 



The

reason – Hoobastank  – A razão



 



I'm not

a perfect person



Eu não sou perfeito



There's

many things I wish I didn't do



Existem tantas coisas

que eu queria não ter feito



But I continue learning



Mas eu continuo

aprendendo



I never

meant to do those things to you



Eu nunca quis fazer

essas coisas a você



And so I

have to say before I go



E então eu tenho que

dizer antes de ir



That I

just want you to know



Que eu apenas quero que

você saiba






I've found a reason for me



Eu encontrei uma razão

para mim



To

change who I used to be



Para mudar quem eu

costumava ser



A reason

to start over new



Uma razão para começar

do zero



and the

reason is you



E a

razão é você...






I'm sorry that I hurt you



Eu sinto muito ter te

magoado



It's

something I must live with everyday



É algo com que eu tenho

que conviver todos os dias



And all

the pain I put you through



E toda a dor que eu fiz

você atravessar



I wish

that I could take it all away



Eu gostaria de poder

levá-la embora toda



And be

the one who catches all your tears



E ser aquele que apanha

as suas lágrimas



That's

why I need you to hear



É por isso que eu

preciso que você escute



 



I've

found a reason for me



Eu encontrei uma razão

para mim



To

change who I used to be



Para mudar quem eu

costumava ser



A reason

to start over new



Uma razão para começar

de novo



and the

reason is you



E a

razão é você...



 



I'm not a perfect person



Eu não sou uma pessoa

perfeita



I never

meant to do those things to you



Eu nunca quis fazer

aquelas coisas a você



And so I

have to say before I go



E então eu tenho que

dizer antes de ir



That I

just want you to know



Que eu apenas quero que

você saiba



 



I've

found a reason for me



Eu encontrei uma razão

para mim



To

change who I used to be



Para mudar quem eu

costumava ser



A reason

to start over new



Uma razão para começar

de novo



and the

reason is you



E a

razão é você...



 



I've

found a reason to show



Eu encontrei uma razão

para mostrar



A side

of me you didn't know



Um lado de mim que você

não conheceu



A reason

for all that I do



Uma razão para tudo que

eu faço



And the

reason is you



E a razão é você...






É por isso que eu preciso que você escute



Eu encontrei uma razão

para mim



Mudar quem eu costumava

ser



Uma razão para recomeçar



E a razão é você...



A razão é você.



 







 





 





 





Conseguiu voltar para o

quarto. Sem ver.





Sem se importar com o escuro.

Limpando o rosto.





Aturdida.              Tinha

perdido a noção do tempo.





E em meio ao turbilhão, sua

mente que pensa por um momento em Anna.





Andou mais rápido.

       Anna.  Seria sua salvação. A única coisa boa de tudo aquilo.





Anna. Que precisava ser

protegida, cuidada. Anna. Cujo pai agora...





Sacudiu a cabeça.





Uma nova onda de dor e

lágrimas que a varre.





 





-*/-/-*/ -*/-*/





 





Dois dias.





Em que seus pensamentos e

sentimentos estiveram confusos. Em que havia angústia.





E em que o tempo tinha

perdido o sentido.





Deu graças que não havia

alunos.





Não ia conseguir segurar tudo

de uma vez.





Agradeceu também por Anna.

Ela a absorvia.





Não deixando espaço para que

pensasse.        Não muito.    





Era difícil.

            Cuidar de Anna como agora, enquanto se inclinava sobre o berço,

observando os suaves olhos castanhos e os cabelos curtos e escuros, lisos, no

pequeno rosto cuja expressão a lembrava tanto de outro.  Sentiu os olhos

molhados. Não suportou; saindo do quarto de Anna enquanto Winky lhe perguntava,

preocupada, se estava bem.





Atirou-se na cama. Sentindo

ainda alguma dor por causa do parto, sem se importar.





Ouviu a porta. Minerva

chegou, colocando a mão sobre seu ombro.





Não agüentou mais.





 





Tinha desabafado com voz

baixa e rouca. Sem lágrimas. Minerva escutara. Os lábios contraídos.





E a tinha consolado.





Até ouvirem o choro de Anna.





Levantou-se, os olhos

atormentados.





 





+-**/-





 





Silvou. Levando rápido a mão

ao braço esquerdo enquanto se agachava.





Sua marca queimava outra vez.





E agora não haveria nenhuma

oração. Ou braços. Ou toques macios em seu cabelo...





Nenhuma presença indesejada.





Fechou os olhos, dando vazão

à sua dor e raiva num urro terrível.





As palavras que saíram em

seguida de sua boca teriam envergonhado até mesmo Mundungo.





 





+-/*-*/+





 





Ela conseguiu dormir um pouco

aquela noite, com a poção de gosto ruim que Minerva tinha trazido.





As dores tinham diminuído.

Algo de uma calma a induzira ao esquecimento.





Despertou quando estava quase

amanhecendo, com o choro de Anna.





Abençoada Anna. De alguma

forma Winky tinha controlado lhe dar algumas horas de sono.





Levantou-se.





Anna. Que ocupava seu tempo.

E a impedia de sentir amargura.





 





-*/-/-*/





 





Acordou. O gosto ruim na

boca, e o estômago em revolta, lembrando-o para não misturar poções.

Principalmente não junto com a poção do sono e álcool, sem nenhum alimento.

Levantou-se, dirigindo-se ao banheiro, nauseado. Não estava agüentando seu

próprio cheiro. Um banho. E café. Quente, forte. E outra poção. Era disso que

precisava.     





Voltou. Arrependendo-se

depois da segunda xícara. Recostou-se no sofá. Sobriedade não era bem vinda.

Estendeu a mão para a mesa ao lado do sofá. Todas as garrafas que levantou

estavam vazias. Atirou uma delas ao fogo, irado. Passou a mão pelo cabelo,

irritado consigo mesmo. Olhando em volta nos cacos espalhados. Percebendo pela

primeira vez em que estado seu quarto estava.





Havia se trancado, depois de

colocar feitiços de silêncio e proteções. Lembrou que tinha gritado no elfo que

tinha se atrevido a perguntar, num murmúrio, se queria que limpasse tudo.

Sabendo que tinha sido mandado por Albus. Que provavelmente não demoraria a

aparecer se ele não se antecipasse, mostrando-se no Salão Grande. Resmungou,

pegando a varinha. Colocando alguma ordem na bagunça.





Voltou a encostar-se,

fechando os olhos.  Alguma coisa que estava crescendo dentro de si.





Fazendo-o sentir-se preso.

Vazio. Impotente. Inútil.





Irritando-o ao extremo de não

conseguir respirar.





Levantou-se num ímpeto,

atravessando a porta do quarto.  Batendo a outra.





Ansioso por ar.





Por uma saída.





Ou por esquecimento.





 





+-//+*/-/*





 





Minerva tinha insistido para

que comesse com os outros, alegando que precisava de ar puro. Deixando-a saber

que Severus não tinha aparecido. Imobilizou-se, tentando disfarçar a

preocupação, sem sucesso.





- Não se preocupe, querida.

Albus está com um olho nele. – a bruxa informou, fingindo estar distraída com

Anna.





Mas isso não tinha aliviado

seu coração.





Não conseguiu convencê-la de

que não devia ir. E então tinha ido finalmente ao jantar, um pouco mais tarde

para não correr riscos de... encontros indesejados.





Sem ter certeza, se a

ansiedade em seu estômago, era por que havia uma possibilidade de ver pretos.





Ou porque talvez não havia.





 





-*/+*/-*/





 





Como previsto, ele não tinha

estado à mesa.





E ela tinha conseguido

responder com um pouco mais que monossílabos às perguntas educadas dos poucos

funcionários presentes. Falando sobre Anna. Fingindo não estar decepcionada. Ou

triste.





Albus não estava.  Minerva

estava com Anna. Pomfrey havia se ausentado do castelo esta noite.





Não demorou.  Um bolo em sua

garganta que tornava quase impossível engolir o alimento.





Despediu-se. Não havia nenhum

motivo para continuar lá.





 





+*/





 





Minerva tinha razão. O ar

fresco estava lhe fazendo bem.





Olhou para fora, vendo o

brilho da lua refletido no lago. Suspirou.





Era melhor voltar.





Tinha recomeçado a andar

quando uma sombra no fim do corredor chamou sua atenção.





Sentiu o sangue fugir. Seu

coração disparou.





O andar resoluto que vinha em

sua direção fez com que ficasse difícil respirar.





Talvez agora poderia... 





Ele estava mais perto.

Forçou-se a continuar. E a respirar. Dentro. Fora.





Mais perto. Procurou seus

olhos à luz da luz e das tochas do corredor.





Estavam vazios. E ele não

tinha diminuído o passo.





- Severus... – sussurrou.





Ele não parou.         Não

soube como ou porquê... esticou a mão para segurar seu braço.





- Severus. – tornou a

murmurou.





Ele se desvencilhou

rudemente. Um olhar de puro ódio em sua direção. Recuou como se tivesse sido

agredida. Vendo-o continuar a andar pelo corredor.





- Severus. – conseguiu dizer,

a voz em dor.





Mas ele não pareceu

escutá-la. O passo firme, rápido. Até desaparecer.





Levou a mão à boca, mordendo

a junta do dedo para impedir-se de gritar o nome dele.





Sentiu seus olhos se encherem

de lágrimas. Fechou-os, suprimindo um soluço.





Desespero finalmente se

apossando de seu coração com suas garras afiadas.





Ele não a queria. Ele não

a queria. Não a perdoaria. Não ia esquecer. Não ia deixar...





Encostou-se na parede fria,

tentando parar de tremer, tentando respirar para adquirir algum controle.





Tinha vindo de tão longe.

Tinha viajado no tempo. Perdido sua família. Tido uma filha. Por ele.





E agora...





Agora ele a odiava.

                 Gemeu.  Era demais para que pudesse suportar.





Demais.





Encostou-se na parede,

atordoada. Uma decisão dando forma. Exigindo aceitação.





Gemeu de novo, os olhos

fechados, a garganta apertada.





Depois de um tempo,

finalmente conseguiu mover-se. Como se seus membros pesassem uma tonelada.





Em direção à gárgula.





E a Dumbledore.





 





Não conseguiu se lembrar

muito de sua conversa com Dumbledore.





Só de seu desespero. E de

perguntar a ele, tentando convencê-lo, se não seria melhor que ela se fosse.





Definitivamente.





Para qualquer lugar. Limpou o

rosto, percebendo que chorava finalmente. Longe dali.





E Albus tinha suspirado. Como

se percebesse sua dor. E seu desespero.





Lembrou das palavras macias e

do toque em sua mão enquanto ele lhe pedia paciência.





Que ela se concentrasse em

Anna e se acalmasse. Que tudo passaria. Como as nuvens no céu.





E aquilo também.  Mas dessa

vez ela não pôde compartilhar do otimismo do diretor. 





A lembrança do ódio em pretos

queimando-a. Fazendo-a insistir uma última vez que era a única solução.





E quando estava saindo,

segurando a porta com mão trêmula, tinha tentado encará-lo, sem conseguir vê-lo

direito por causa das lágrimas, e seus olhos tinham implorado, sem saber

exatamente o quê.





Antes que a porta tivesse se

fechado.





Não tinha ouvido o suspiro de

Albus. Nem visto azuis que se fechavam.





 





.+-*/





 





Não soube dizer depois como

tinha voltado, mas estava lá, com Anna em seus braços, amamentando-a.





Respondendo por monossílabos

às perguntas de Minerva. Que tinha perdido a paciência e ido à Albus, quando

compreendeu que é de onde Nina tinha voltado.





 





.+-*/-..





 





Encarou o fogo através do

líquido na garrafa. O estoque estava renovado.





Não se importou. Não quis

saber se beberia até cair.





Mas não tinha conseguido se

afogar no álcool. Nem mesmo abrir a primeira garrafa.





A lembrança dela no corredor

em sua mente. Atormentando-o.





Um estouro.    Levantou-se

num repente, largando a garrafa de qualquer jeito, a varinha na mão.





Uma pena estava caindo no

meio do quarto.





E uma mensagem. Suspirou.





Albus do inferno.





Abaixou-se para pegá-la.





 





.+*-/-*.





 





O homem velho parecia

simplesmente...





- Este, diretor,  – gotejou

veneno – não é um assunto que lhe diga respeito.





- Que está errado! – Albus

levantou-se da mesa; vendo pretos que enfrentavam azuis.





Depois suspirou, cansado

dessa discussão.   Olhou-o de novo.





- Severus, ela esteve aqui.





Apertou os lábios.





‘Então ela foi rápida.’





- Parece pensar que todos os

seus... que tudo que acontece a você é culpa dela. – disse por sobre os óculos.

– Tudo.





Severus estreitou os olhos.

Querendo ter certeza se era uma advertência disfarçada.





- ...E me fez um pedido. –

não falou das lágrimas que ela não tinha deixado cair enquanto o fazia, ou da

voz rouca, trêmula – Está decidida. Ela quer ir embora.





Não permitiu que o que sentia

transparecesse em seu rosto. 





- Eu realmente... – começou

num rosnado.





- Para um lugar seguro. –

continuou não deixando que ele terminasse – Para o mais longe possível. Não quer

incomodá-lo mais. Ou colocá-lo em risco. – encarou-o, diante de sua máscara – E

Severus,... dessa vez é definitivo. – pausou –  Sem.  Retorno.





Soube o tom. Albus a

ajudaria. Ele a levaria para longe.   





Encarou Dumbledore. O diretor

se sentou. E continuou.





Insinuando a possibilidade de

Anna ser considerada uma bastarda.





Que ela pretendia voltar a

trabalhar para sustentar a si e à sua filha, o mais rápido possível.





Falando sobre o “nome” que

sua filha não tinha. Nem ela. Apesar de tudo por que tinham passado.





Sobre a dor deles. Inútil

enquanto era. Por causa deles mesmos.





Usou de todo o respeito que

tinha por Dumbledore para impedir-se de responder à altura.





- Vocês estão assim em muita

dor. – Albus pausou, esperando alguma resposta áspera, que não veio, suspirou -

Ela também perdeu, Severus. Tudo. – nenhuma reação, provocando um lampejo da

raiva – E por Merlin! – explodiu diante da atitude fria de seu professor – Eu

queria que você percebesse, que o que você não tem mais, não vai lhe fazer

falta. Não é assim tão ruim. Você deixou de se arriscar. Ainda tem suas aulas.

Suas poções. Ainda pertence à Ordem. Ainda é um lutador importante para o lado

da luz.





Não conseguiu mais se conter.

Albus. Seu mentor. O homem vivo a quem mais respeitava.





Parecia simplesmente não

compreender!





Levantou-se num rompante,

apoiando as mãos sobre a mesa e se inclinando diante do diretor.





-      

Mesmo que eu não possa fazer mais nada?! Mesmo que agora já não saibamos

o que pretende o Senhor Escuro! – rosnou.





Respirou alto.

     Lembrando. Que tinha visto o desespero em castanhos.





Refletindo o seu.         Que

voltava agora. Vivo.





-      

Severus,  – Albus começou suave, ao ver o que havia em pretos – A dor da

perda é sempre intensa. Qualquer perda. Mas há sempre dois lados numa moeda.

Você recuperará sua liberdade. – Aproximou-se mais do homem apoiado na cadeira,

apertando o encosto tão intensamente – E há... compensações. Você tem a Hogwarts

e a mim. E você sempre poderá confiar em nós. E você tem Anna. – ele não se

moveu – Tem Nina. Que o ama. Que fará qualquer coisa por você. – olhou-o – Que

já fez. – esperou; Snape o encarou, a dor em seus olhos – Mesmo te abandonar,

quando pensou que isso era o que você queria. Afastando-se, mesmo que isso a

machucasse, para que você ficasse bem. E quer fazê-lo outra vez.





Esperou alguma reação. Então

franziu a testa, lentamente.





- A não ser que haja algo

mais. – esticou-se à sua altura cheia – Há alguma coisa que você gostaria de me

contar, Severus?





Levou quase um segundo.   Ele

perdeu-se em fúria. Jogou a cadeira longe. Albus não se moveu.  



- O que

infernos, você quer ouvir? – vociferou – Que desperdicei minha vida com o Senhor

Escuro? E que quando voltou, tive que tornar a fazer coisas que desprezo e

detesto para ser um Comensal bom e fiel? Que a Ordem nem tenta

disfarçar seu detestar e sua desconfiança, mesmo que isso faça com que

tenham informações? – socou a mesa – Qualquer um deles já pensou que eu morreria

se não o fizesse? – respirou – Que ainda assim não posso entender porque

infernos, não acabei antes com essa vida amaldiçoada? – deu duas tragadas

rápidas, tentando se controlar, sem sucesso – Que isso... me dilacera vivo?

Cada... – fez um gesto com a mão – pedaço de informação que é conseguida com

atrocidades, estupro, tortura, e morte... aumentam minha lista de abominações? –

respirou de novo – Alguém já pensou, SE eu posso conviver com isso?  E

que NADA justifica traição? Mesmo se quem eu traio é servo das trevas; porque

são os mesmos que me defenderam em Hogwarts e depois daqui? – olhou-o, vazio de

esperança, a voz descendo a um murmúrio – Que me permiti mesmo ser ferido, só

para evitar ter que matar? Que já era quase impossível estuprar, torturar e

ferir?  – parou, levantando a cabeça – Às vezes eu preferia ter ido a Azkaban. 

– sussurrou – Ou estar morto.





Viu azuis.





O horror estava agora em sua

mente. Sem poder acreditar que o tinha realmente dito. Pela primeira e única

vez.  Os olhos de Dumbledore não diziam nada do que ele pensava ou sentia. Mas

havia um pequeno músculo pulsando perto de seu queixo.





Snape suspirou.





- Essa não é a resposta que

você esperava diretor. – e virou-se para a porta, saindo antes que Albus tivesse

dito qualquer palavra.





-*/-





Ele andou sem rumo.





Muito tempo.





Tentando se acalmar.

Controlar a irritação.





Ainda sem acreditar no que

tinha dito a Dumbledore.





Pensando.  





No que ele daria para tudo

aquilo ter acontecido antes.





Não agora, quando já não há

mais esperança. Quando sua “vida” tinha os minutos contados.





Deu um sorriso sarcástico.





Só uma questão de quando. E

de como.





Pensou em Albus. Sua

esperança senil de que tudo fosse ficar bem, e em sua recusa em aceitar que

agora não poderia adiar o inevitável.





Respirou.     Tentando

desviar do que tinha ouvido de Albus.





Socando uma parede, sem

perceber, enquanto passava. Ignorando a dor.





Ainda tinha que enfrentar os

horrores do que fizera nos anos passados. E não havia mais uma chance de...





Não.





Devia agradecê-la. Isso era

afinal o que tinha querido há um tempo.





O único modo de terminar o

pesadelo.      





Morte.  Esquecimento.

Libertação.





Respirou fundo. Percebendo

finalmente onde estava. E...





Trincou os dentes ao perceber

a figura que se aproximava, tentou desviar, mas ela o seguiu.





McGonagall.





Não seria fácil ignorar ou

escapulir da bruxa velha.





Inferno.     Apertou as mãos

para se dominar.





E então ela estava lá.





Dizendo a ele que não queria

perturbá-lo mais, com um acento e entonação que deixou óbvio que era só porque

tinha sido pedido de Albus.





E tinha continuado... que não

havia culpa envolvida; dizendo que não o culpava, mas ele percebeu, não era

exatamente a verdade. Que sabia que ele tinha passado por mais situações do que

seria humanamente possível, e que apesar da vida de segredo e dor que tinha

enfrentado – tinha bufado ao ouvir isso, vociferando internamente contra

Dumbledore – ele ainda teve uma escolha, que era mais do que Nina teve. Apertou

os lábios enquanto ela continuava.





- Ela não pode sair de tudo

isso. Não pode voltar para sua família. Não escolheu esta guerra. Não é como

nós. – ele bufou de novo, recebendo um olhar severo - Não finja que não sabe do

que estou falando! Nós escolhemos lutar, Severus. E nós sempre podemos voltar

sobre nossos passos e mudar de idéia. – outro bufo enquanto ele tinha desviado a

cabeça – Nós lutamos pelo que acreditamos, pelo que sabemos que é correto. –

levou a mão até seu queixo puxando-o em sua direção e segurando-o para que não

desviasse os olhos – Ela não. Ela luta por você! Só por você.





Imobilizou-se. Mas não se

deixou levar pelas palavras finais dela, ou mesmo pelo que sentiu.





Desvencilhou-se dela e se

afastou numa nuvem de roupões sem olhar para trás.





Deixando uma McGonagall de

pé, parada, olhando-o.





Rogando a Merlin que os

ajudasse.





-*/.





Rosnou irado.     





Todos estavam se achando no

direito de lhe dar conselhos sobre sua vida.





Lhe dizer o que fazer!





‘Maldição!’





Não podiam simplesmente

deixá-lo em paz?





Por um maldito momento?





Continuou andando. Tentando

se controlar. Os punhos fechados. Os olhos insanos.





A raiva enorme.  A vontade de

matar alguém, nele, novamente.       





Parou abruptamente.





Encostou a cabeça na parede

fria, tentando se acalmar; aliviar a tensão, suprimir a náusea.





Rugiu.  Voltando a mover-se.





De repente mudando de

direção. 





Nenhum sentido em lutar

consigo mesmo, uma batalha perdida.





Em que não havia vencedores.





.+-/ *





Não tinha conseguido se

acalmar.      





Forçou-se a ir para as

masmorras, esperando que a raiva o deixasse devagar.





Andou durante horas.

   Usando o caminho mais inconcebível.





Até que o cansaço começou a

se fazer presente.





Chegou à sua porta.

      Entrou.            Indo para seu quarto.





Acendendo o fogo, mesmo que

não fosse necessário. Olhando-o. A mente em tumulto.





Deixando que tempo passasse.

  Sem pressa.  Para levar um pouco da tensão sobre seus ombros.





Lembrando.   Das palavras que

dissera ao Diretor.           





Das que Albus dissera.





E do que não dissera.   

      





De Minerva.               





E dela.





Sacudiu a cabeça.  Sem

conseguir se desvencilhar de seus pensamentos.





Desistiu.         





Os olhos se fechando por um

instante, enquanto pensava...





No quanto a mulher que tinha

estado em seus braços, surpreendentemente, tinha confiado nele.





Sempre.   E demonstrado isso.

Sem medo.  Com uma fé nele, que podia assustar.





Em como ele quase a

tinha subestimado. Desde o início.               





Relembrou.

                    Tudo.





Levantou-se, dirigindo-se à

lareira, apoiando as mãos nela, os olhos no fogo.





“Só uma trouxa.”,

 quase inofensiva, que ele deixara se aproximar.





Sem maiores considerações.

                   Só uma... companhia de travesseiro.





Que estivera perto de

surpreendê-lo, a contragosto, de várias maneiras.





Com quem falar, não carregava

ameaças, ou piedade, ou qualquer outra coisa.   Só palavras.





Com quem ele nem mesmo se

preocupava muito em usar seu autocontrole.





E mesmo que mantivesse ainda

sua guarda, não tinha realmente se importado.





Nem achado que ela seria de

nenhum perigo para ele.  Ou ameaça.  





Esse fora seu erro

inconsciente.  





Ele a tinha deixado entrar.  

Devagar.     Nele. 





Em cada poro.





Apertou a pedra sob suas mãos

com força.   





Ele a tinha subestimado e ela

tinha entrado.     





Maldição, como isso tinha

acontecido sem que percebesse?





Respirou.  Isso não mudava

nada. Ou não deveria.





‘ “Ela luta só por você.”’





Virou a cabeça olhando o

vazio, nas chamas. Procurando respostas.





Que não estavam lá.





‘ “Está decidida. Ela quer

ir embora... é definitivo. Sem. Retorno.” ’





Apertou os lábios.





E então, finalmente bateu-o,

com força cheia.





Sem retorno.





Um lenha estourou, fazendo-o

voltar à realidade de onde estava.





Ele podia estar começando a

perdê-la. 





A ela e a sua filha.





De verdade.  





Algo frio que começa a se

espalhar por seu corpo. Sem nada a ver com a temperatura ambiente.





Em dois passos estava na

porta. A mão que a abre.





Os pés que o levam aonde a

mente já se encontrava.





 





***





 





Bateram.





Ele estava lá, em sua porta.

         Empalideceu.





Afastou-se para que ele

entrasse. O coração disparado. Trêmula.





Ele não falou.  Só ficou lá,

parado, olhando-a. Desviou os seus.





Imaginando nervosa, porque

ele viera. Escondeu as mãos para que ele não as visse tremer.





Ana começou a resmungar.   

Não se moveu.  Esperando.        





Até que desistiu. Incapaz de

pronunciar uma palavra. Ou sequer de pensar.





E ignorou-o. Indo até o outro

quarto.





Pegando sua filha. Proferindo

palavras suaves para acalmá-la. E a si mesma.





Verificou se estava seca.

Depois sentou-se e amamentou Anna. Que fez pequenos barulhos ao sugar seu seio,

antes de voltar dormiu em seus braços. 





-      

Durma bem, pequena. – sussurrou, segurando a mão pequenina.





Anna suspirou.  Levantou-se e

colocou-a no berço. Admirando-a.





Sabia que Winky apareceria em

pouco tempo.





Abençoada Winky. Suspirou.





Ouviu um barulho; virou-se.





Pretos.       Ficou sem ar.

Não conseguiu desviar deles.





Por um segundo, pensou que

ele sentia da mesma maneira que ela.





Perdidos... nos olhos um do

outro. Mas então tudo voltou.





E percebeu que devia estar

enganada. Abaixou a cabeça. Ia sair do quarto. 





Ele a segurou.    Soltando-a

imediatamente depois.





Uma farpa machucou mais seu

coração dolorido diante da forma como ele reagiu.  





Suspirou piscando, enquanto

se afastava.   





Então agora era assim. Como

se tocá-la...  Queimasse. 





Ele entrou, fechando a porta.

Foi mais forte que ela... Levantou a cabeça.    Engoliu, imóvel.





Viu-o mover-se. Olhar para

Anna. Mordeu os lábios ao vê-los juntos, piscando furiosamente.





Tentou sair de novo. Ele se

voltou e deu um passo impedindo-a, abrindo a porta, esperando que ela saísse;

antes de segui-la.  Andou até perto da cama.





Ouviu quando ele fechou a

porta atrás de si. Respirou para reunir coragem e voltou-se para encará-lo.





Ele estava tirando a varinha

e murmurando para a porta. Como sempre. Olhou-o. Esperando.





Ele se voltou. Encarou-a.

Lembrou do que tinha dito a Dumbledore apenas há alguns minutos.





Estava em frente a

ele.              Sustentou seu olhar o quanto pôde.





Ele finalmente falou.





-      

Amanhã, à tarde, iremos a Dumbledore. – disse devagar – McGonagall e a

Granger também estarão lá.





‘Hermione? Nas férias?’





Franziu a testa.





-      

Porquê?





Ele pareceu hesitar.     

Estranhou.    Hesitação?





-      

Para testemunhar. – olhou-a – Haverá também um bruxo. – falou devagar – O

equivalente dos trouxas a um... juiz de paz.





Viu a surpresa. A

incredulidade. 



‘Isso é um... pedido de casamento?’





Mas não parecia. Com certeza

não parecia.





Demorou, olhando-o. Tentando

controlar as batidas de seu coração. Se acalmar. Havia alguma coisa.



‘Por quê?’





-      

E por quê você quer... fazer isso?





Ele franziu a testa.

Respirou.





-      

Porquê não há razão para você não ter o meu nome. – o rosto sério –

Lucius. Os outros. A maioria já sabe. Sobre você e o bebê.





Ela não disse nada.

Esperando. 





-      

Já teve toda a maldição que ele carrega. – prosseguiu – Não há razão para

não ter também algum... benefício ocasional.





Continuou em silêncio.

Sabendo do que ele estava falando. O rosto sério. A voz neutra.





-      

Como o quê? – falou devagar, encarando-o – Ou melhor. O que você

ganha com isso?



Ele

apertou os lábios. Contrariado. Descontente.





-      

O que quer que eu diga? – perguntou já exasperado.





-      

A verdade!





Enfrentou-o. Viu os olhos

raivosos. O modo como ele tentou se controlar. Duro.





-      

Vocês terão o meu nome. Eu a terei em minha cama. E terei... o bebê.





Quis esganá-lo.





-      

Ela se chama Anna! – disse brava – E você já me tem em sua cama. Ou pode

ter. Não precisa de toda essa...  palhaçada! Não precisa arriscar seu nome. Com

uma trouxa!





Ele a segurou. Apertando. A 

respiração pesada.





-      

Com o inferno mulher! – os olhos furiosos – O que diabos você quer? Que

eu fique de joelhos e jure amor eterno? Maldição! – rosnou – Isso nunca vai

acontecer! Eu não sou Lupin! E não sou um produto da sua imaginação! Você já tem

uma boa idéia do que eu já fiz. Sabe o quê eu sou. Não vai se

surpreender. E não deve... Esperar demais. – avisou, soltando-a.



‘Esse é um maldito pedido de... Pedido?’





Ele viu a expressão dela

endurecer. A respiração ficar mais rápida.





-      

Então. Você quer... me ter em sua cama... legalmente. Quer... poder

sobre o bebê. – falou com um acento –  Já que eu sei as leis bruxas se

sobrepõem às trouxas no que se refere a... descendentes legais.





-      

Ela terá direito ao meu nome.  – falou devagar, duro – E à minha herança.





Sentiu a raiva subir de

repente.





-      

Pro inferno com sua herança! Você me deu todas as razões erradas! –

chegou perto dele, os olhos brilhantes – Duas pessoas se casam... Porque

querem estar juntas. Por que quando estão longe, – lembrou-se de Londres – é

como se lhes faltasse uma parte de si mesmos. E a presença do outro conforta,

acalma, consola, nos dá forças. – engoliu – Por que não hesitariam mesmo em

morrer, desde que o outro estivesse bem. – viu-o empalidecer – Porque o outro,

 – hesitou um segundo – e seus filhos, são sua... família. Sua verdadeira

herança. – os olhos arderam – Por quê não se importariam em envelhecer, não

importa onde, desde que estivessem juntos!





Virou-se para fugir dali. Ir

para qualquer lugar. Longe.





Ele a alcançou. Rápido.

Puxando-a para si. Ignorando a resistência dela.





Sentiu a respiração em seu

rosto.





Um polegar moveu-se

lentamente em sua face. Afastando a lágrima.





Pretos. Em castanhos.     

Ele colocou o rosto em seu cabelo. Em silêncio. Não a deixando ir.





-      

Só... aceite.





Ele tinha pedido? Ou tinha

ordenado? Ela não conseguiu se decidir. Fechou os olhos.





Sem saber se estar perto dele

era melhor que estar longe.





Respirou, desvencilhando-se

dele, devagar; firme.





Antes de ir até a porta e

abri-la, ficando de pé ao lado dela; esperando que ele saísse.





E fechando a

porta,suavemente... depois.



‘Passe uma noite miserável!’





Como se ele realmente se

importasse.





Limpou uma lágrima teimosa.





 





*****





 





Dormiu de exaustão, depois de

horas; e de amamentar Anna.





Brigando com o pensamento, de

que ela devia a ele, por tudo que ele perdera; por sua culpa.





Mas que ele a mataria, se

sequer imaginasse, que ela alguma vez tivesse pensado em aceitar, por isso.





Mesmo que não fosse a

verdadeira razão.





 





**/-*- -** *





 





Não eram as chamas que ele

contemplava sem ver desta vez.





Mas a noite lá fora.  As mãos

pousadas na amurada.





Lembrando de uma outra noite,

há quase um ano atrás.





E de uma conversa com uma

trouxa recém-chegada.





Fechou os olhos.





 





 





-*/-*/-





 





Anna, miraculosamente, tinha

dormido por quase cinco horas seguidas.





Suspirou, acariciando os

cabelos pretos suaves.





Os pensamentos perdidos

novamente. Nela. E no homem que a gerara.





Deixou-a. Indo ao banheiro

para preparar-se para o dia. Voltando e ajeitando a cama.





Winky chegou. Nem mesmo notou

o olhar que ela lhe deu depois de cumprimentá-la.





Vagou pelo quarto, ansiedade

que cresce. Até que, sem perceber, já estava fora.





Amanhecia. O ar frio a

atingiu no rosto. Sem conseguir refrescar seus pensamentos desordenados.





Chovia. Uma chuva fina.    

Encostou a testa na pedra da pilastra. 





Não percebeu o tempo passar,

mas não tinha sido pouco.





Sentiu, antes que ouviu.





Abriu os olhos, voltando-se

lenta.        Ele estava lá.





O rosto perto fez seu coração

disparar.





Disfarçou da melhor forma que

poderia, desviando a face para a paisagem, fingindo ver.





Ele acompanhou seu olhar.





Silêncio.





- Eu não signifiquei

ofendê-la. – começou.





Não respondeu.





- No entanto, - continuou –

eu as quero ter o benefício de minha herança. – ela apertou os lábios, tensa – E

posso... prometer... que tentarei agir... o melhor possível.





Desviou sua atenção para o

perfil feminino.





- E que não deixarei de...

considerá-la. Apesar das leis bruxas favorecerem-me no que se refere a Anna e

a... outras coisas.





Ele tornou a olhar a paisagem

diante de sua falta de reação.





- E quanto a... – a voz

tornou-se seca – tê-la em minha cama... Não se preocupe.  – ergueu a cabeça – Eu

não a tocarei. – completou duro.





A faca revolveu mais em seu

coração. Não tentou nem mesmo entender. 





Só continuou lá. A voz, e o

significado das palavras, chegando até ela, como se estivesse longe dali.





Ele se afastou.





- Mas será preciso que

mantenhamos as aparências. – pausou – E alguns toques serão... necessários.





Não teve forças para se

mover. Só ficou ali, quieta. Apertando com força a pedra sob suas mãos.





- Espero que essas condições

sejam... satisfatórias.





Quis não se mover. Não

mostrar o que sentia... Não conseguiu; mordeu os lábios trêmulos.





Ouvindo-o se afastar.





 





-0= -0=-0





 





O dia estava se arrastando.

 A realidade, finalmente se fazendo sentir.





Respirou, o coração pesado.





Ia enfrentar.    Como tudo o

mais.





Um dia de cada vez.





Chamou Winky. 





Precisava que levasse um

recado às masmorras.





 





*-+ /+/*





 





Deitou Anna com um suspiro.





Horas. E nenhuma resposta.





Dirigiu-se à cama. Pensando.

Ainda tentando entender.  Confusa.





Quando aquele tolo veria...





Havia toques na porta.

                  Levantou-se da cama.





-      

Hermione!





Abraçou-a. Fechou os olhos,

ainda apertando a bruxa.





Tentando não lembrar. Lutando

para não chorar.





-      

Como você está? – Hermione sorriu para ela.





-      

Bem. – desviou os olhos.





Tinha prometido a si mesma

fazer o melhor que pudesse.





Viu Minerva, entrando. Os

olhos contentes.  Desviou os seus.





Tentou sorrir para o rosto

desconfiado de Hermione, enquanto fechavam a porta.





-      

Como está Anna? – Minerva perguntou.





As linhas de seu rosto se

suavizaram. Vinham se falando pelas corujas.





-      

Limpa, alimentada. E dormindo... finalmente. – virou-se para Hermione,

insegura – Winky está cuidando dela. – completou para que o silêncio não se

estendesse.





Hermione sorriu. Meio sem

graça no início.





-      

Winky cuidará bem dela. – concordou, então olhou para Nina hesitante – Eu

sei que ela está dormindo e tudo... – parecia sem jeito – Mas será que... – Nina

interrompendo-a, ao pegar sua mão, quando entendeu.





-      

É claro. – puxou-a.





Abriu a porta para o pequeno

quarto que não estava ali antes.





Pegando-se pensando de novo,

no que eles podiam fazer usando magia.  No entanto...





Sacudiu a cabeça para afastar

o pensamento. Não era hora.





Anna dormia de lado. O rosto

doce voltado para elas.





Hermione fez uma expressão

maravilhada quando chegou mais perto.





-      

Ela é linda! – sussurrou.





Quase sorriu na reação. Seria

difícil distinguir os traços de Anna naquela penumbra.





Hermione ainda ficou

admirando a pequena. Até que voltou-se.





- Nina...  – a insegurança

tinha voltado – Será que... – parou.





Entendeu. O que ela queria

saber.





-      

Eu deixarei que você fique com ela mais tarde. – murmurou.





A bruxa deu um pequeno

sorriso, acenando com a cabeça em resposta.





Conhecendo Severus, sabia que

não tinha explicado nada.





Agradeceu mentalmente por ela

não perguntar como e porque tudo tinha acontecido.





Principalmente o...

casamento.





Não estava pronta para falar

sobre isso ainda.





 





+*-/ *





Voltaram para o quarto. Havia

chá que Minerva tinha providenciado.





-      

Muito bem. – engoliu, tensa, sem tocar a xícara – Vocês vão ter que me

dizer. –  era melhor enfrentar de uma vez – Não tenho a mínima idéia de como é

um casamento bruxo.





Viu-as se entreolharem.    

Sentiu o rosto quente com o rubor que subiu.





Soube no que pensavam. A

tensão piorou.         Já tinha lido sobre eles há algum tempo.





-      

Isso é claro, se eles se estenderem aos casamentos com trouxas.





Minerva se adiantou,

segurando sua mão.





-      

É claro que sim querida. – hesitou – Desde que os... envolvidos assim o

queiram.





Mordeu o lábio discretamente;

nervosa. Ele não tinha lhe falado sobre isso.





Não respondeu, olhando-as.





Hermione de repetente se

moveu, parecendo ter tomado uma decisão.





-      

Você precisa se preparar. – disse levantando-se, interrompendo o

silêncio, agindo como se ele não tivesse acontecido.





Tirou algo do bolso,

colocando sobre a cama. Também tirou a varinha, que ela meneou.





Havia um vestido.     E

mais.      Ela se virou para Hermione, em surpresa.





-      

Eu acho que servirá. Mas posso “ajeitá-lo” se for necessário. – a bruxa

disse.





Não respondeu.





-      

E eu as ajudarei. – Minerva deu um passo à frente, contente com a forma

como tudo estava indo.





Nina sentiu os olhos

molhados. Desviou-os. Minerva se aproximou da cama, fingindo não ver.





-      

Obrigada Hermione. – murmurou.





Ela sorriu.





-      

Eu acho que você ficará linda nele. – disse sincera.





Voltou a olhar sobre a cama.





Imaginou um par de olhos

escuros ao vê-lo.





E então... Sentiu que havia

algo bom em tudo aquilo, apesar de tudo.





Ele queria se casar.





Pois bem.

 Ergueu a cabeça.  Ele se casará.





Os olhos brilharam por um

segundo.  





O depois... – suspirou –

seria depois.





Era hora de retomar o

controle. Ou pelo menos tentar.





Respirou, voltando-se para as

duas.





-      

E... o que eu tenho que fazer? – perguntou.





Hermione sorriu... Já era

hora
.





Pegou a cadeira sob a mesa e

sentou-se.





Minerva conjurou outra para

si e uma para Nina. Sentaram-se.





- Haverá três partes. –

Minerva parecia aprovar o modo de Nina – Você vai encontrá-lo para a primeira

parte. – pausou – Entre vocês. “O coração.” – Nina franziu as sobrancelhas –

Depois haverá a segunda. Para o mundo. “A mente.” E finalmente a terceira: a

consumação. “O corpo.” – havia um rubor no rosto de Hermione agora – Nenhum

casamento bruxo está completo sem essas três partes; que devem se unir.





Nina evitou olhá-las,

engolindo em seco discretamente. Deixando que pensassem que era embaraço.





Não ia pensar nisso agora.

Ficou quieta.





-      

Não precisa se preocupar com a primeira parte: Severus a ajudará. –

Minerva sorriu enigmática – Vai precisar de duas madrinhas, em que você confie,

que a representarão e prepararão a segunda parte, enquanto vocês estiverem

realizando a primeira.





Levantou a cabeça. Olhou-as,

séria.





-      

Eu já tenho as duas madrinhas. – colocou a mãos sobre as delas – Que são

minha família agora. – tentou sorrir para elas, agradecida, os olhos graves,

emocionada – Em que eu confiaria até minha Anna. Uma que é como minha irmã. –

olhou para Hermione – E a outra que me deu a honra de me deixar considerá-la

como minha mãe. – abraçou-as.





Pensou ter visto um princípio

de lágrimas nos olhos de Minerva que logo disfarçou.





-      

Nós precisamos nos apressar querida. – murmurou.





 





+-*/+ *





 





Depois que tomara um bom

banho, trouxeram-lhe óleos perfumados.  Afrodisíacos, disseram.





Usou-os, deixando-se levar

por elas.





Suprimindo um suspiro, sem

lhes dizer, que não tinha certeza se faria diferença.





Quando saiu do banheiro,

Minerva não estava. Tinha saído para providenciar tudo.





Não perguntou a Hermione o

que era o “tudo”.





Mas tinha decidido. Nada

importava. Ela ia se esforçar.     Para ter um casamento “normal”.





Tanto quanto lhe fosse

permitido diante das circunstâncias.





Ele a tinha desejado um dia.

Podia fazê-lo querê-la de novo.    





Pelo menos podia tentar.





E haveria um casamento afinal

de contas.





Uma esposa.   E um... marido.





Castanhos brilharam.





+-*/ .





 





Anna dormia com Winky, depois

de muitas recomendações.





Minerva tinha dito para não

se preocupar. Suas coisas seriam transportadas para seus “novos” quartos.





Os elfos já estavam

providenciando tudo.





Nina estava parada no meio do

quarto.





- Bem... – Minerva começou,

admirando o resultado do esforço conjunto.





Respirou fundo. Tentando se

acalmar.





- Está na hora. – Hermione

completou abrindo a porta para ela.





Saiu.





+-* /





Estavam andando pelos

corredores. Minerva e Hermione de cada lado.





Elas tinham se trocado para a

ocasião. E tinham ido pegá-la. Acompanhando-a.





Enquanto ela tentava

controlar o nervosismo. 





Lamentou não levar um buquê.

Ou uma rosa.





Mas elas tinham sorrido

quando pareceu procurar por isso em seu quarto, sem encontrar.





O vestido em seu corpo

fazendo-a parecer mais bonita.





O decote quase generoso

demais com os seios enormes por causa de Anna.





Ela tinha pedido e Hermione

mudara a cor. Para pérola.





Andavam há algum tempo. 





Não teve certeza, mas parecia

a sala de requisição.  Evitou franzir a testa.





Alguma coisa se agitando em

seu cérebro.





Forçou-se a voltar ao que

estava acontecendo.





Havia três bruxos vestidos em

túnicas brilhantes.





Dumbledore.    Que sorriu ao

vê-la. Os olhos contentes. Doces. Quase divertidos.





Um jovem, muito sério. E um

homem que parecia ser seu pai, dada a semelhança entre eles.  





Eles a cumprimentaram com a

cabeça. Sem dizer palavra.





Não entendeu. Mesmo o diretor

não tinha dito nada, afastando-se da frente de uma porta. E abrindo-a para que

ela entrasse.





Ela se virou para Hermione e

Minerva que sorriram.  Deu um sorriso tenso em retorno; e um passo.





Os bruxos se afastaram.  Ela

hesitou olhando-as.





Hermione pareceu perceber seu

desconforto e se aproximou.





-      

Nenhum homem pode falar ou tocar em você hoje. – murmurou – Antes de seu

marido.





Entendeu.  Acenou com a

cabeça.  





Hermione pareceu hesitar.

Então, tendo tomado uma decisão, chegou mais perto.





-      

Altere o que você não concordar. – sussurrou rápida em seu ouvido.





Olhou-a sem entender.  Mas

ela ficou quieta e afastou-se, ficando ao lado de Minerva.





Nina virou-se, tremendo.

        Respirou.  





Era hora.





Deu dois passos, passando

pela porta. Escutou quando foi fechada atrás dela.





Levantou o rosto.





Ele a esperava.





Em uma roupa preta,

diferente, longa. Passeou os olhos por ele. Vendo os botões que iam até a altura

das coxas, as calças pretas. E a ausência da veste.         Severus Snape.  





Ele olhava-a.

          Parado há uns três metros do outro lado da sala sem móveis.






Que não tinha nenhum

ornamento. Quase vazia.   





Exceto por um banco.  Alto e

estreito. Meio retorcido, parecendo antigo. Que estava entre eles. 





E algo que ela não

identificou, em cima dele, apoiando uma pequena caixa.





Ele tinha o rosto sério e não

desviou pretos, que brilharam ao vê-la.  





Enquanto ele absorvia. O

vestido. Os cabelos.                 Ela.





‘Meu... casamento.’





Inclinou-se só um pouco,

lento, num cumprimento. E se ergueu, sem deixar de olhá-la.





Ela repetiu. Vagarosa.

Trêmula.





Ele deu um passo, e então

parou, em silêncio.  Ela repetiu.





Nervosa, ao ver carvão tão

perto.





-      

Você sabe...? – uma sobrancelha se ergueu.





Sacudiu a cabeça, inquieta.





-      

Não. – murmurou, o coração disparado. 





Vendo o homem à sua frente.

Tão senhor de si.





-      

Haverá palavras... Que serão ditas por cada um. – pausou – E deverão ser

cumpridas.





Ela ficou olhando-o.

  Percebendo o sentido das palavras. E o tom em que foram ditas.





Ele levantou a mão direita,

estendendo-a para ela, ficando de lado. A outra mão nas costas.





Ela começou a levantar a sua

esquerda. Ele acenou, negando. Ela corrigiu.





Ele espalmou a dele, deixando

que ela encostasse a sua.      Sentiu-a; morna ao toque.





Algo aconteceu.





Seu coração parecia bater em

seus ouvidos, num ritmo regular. Um pouco mais rápido.





Mas tão alto que ela pensou

que ele poderia estar ouvindo.





Ele levantou mais a cabeça e

a encarou. Solene.  





-      

 Eu dividirei com você o que for meu. Minha herança. E meu nome. – a voz

estava séria.





Foi como uma pequena carga

elétrica através de sua mão. Por seu corpo.





Ela ficou olhando-o. A

respiração acelerada.  Sem desviar de pretos.





Havia dois corações agora,

batendo, em seus ouvidos.





Magia.    Um casamento bruxo.

  Magia.





Ele deu um passo para o lado.

A mão na dela.





Ela pensou, tentando acalmar

seu coração, no que poderia oferecer.





Enquanto ele aguardava. Sem

tirar os olhos dela.





Lembrou de casamentos

trouxas. E do que diziam.





Respirou, esperando que

funcionasse, e que sua voz não tremesse como o resto dela, com a emoção.





-      

Com o meu corpo eu te honro. Ofereço-o a você. Só a você o entregarei. Só

a você pertencerá. E nunca o darei; a mais ninguém.





A mesma carga elétrica. Os

batimentos.





Deu um passo, como ele.





-      

Usarei todos os meios. Magia. Força. Para protegê-la. E à... Anna.






Respirou.



‘Anna?’



Não. Algo estava

errado.





‘ “Altere o que você não

concordar.” ’





Sentiu o rubor subir.

Manteve-se firme.





-      

Não. – sacudiu a cabeça – E aos nossos filhos.





Pretos brilharam. Nela.

Pensou ter visto um pequeno tremor no lado de sua boca.





E então um movimento de sua

cabeça.





-      

Usarei todos os meios. Qualquer um. Magia. Força. Para protegê-la. E aos

nossos filhos.





A energia estava lá.





Ele deu outro passo. A mão na

dela. Que estava fria e trêmula.





‘Oh, Senhor.’





Evitou ficar com raiva de

Hermione. Ela podia ter dito. Teria se preparado melhor.





Bom ele ia ter que aguardar.





Esperou que ele não

conhecesse casamentos trouxas. Respirou.



‘Dane-se!’





Ela era uma trouxa! E

não havia nada errado em promessas trouxas.





Encarou-o.





-      

Ficarei com você. Na alegria. Na tristeza. Na saúde. Ou doença. Nos

momentos bons ou ruins. E não o deixarei.





Energia. Outro passo.





Ele soltou a mão dela.





‘ “Ela luta só por você.”





Olhou-a. A expressão

indecifrável.





Estendeu a outra. Ela elevou

a sua.





-      

Eu a respeitarei. Não permitindo, que ninguém a desonre.



‘O que você quer dizer com isso?’ –

pensou nervosa.





A energia não aconteceu.





Ele levantou uma sobrancelha.

Ela suspirou, apreensiva.  Tentou entender as palavras.





Respeito. Dele por ela. 

Certo.





E não deixar... que ninguém a

diminua. Ou a trate como inferior.





Havia a energia.





Estremeceu. No pensamento de

que ele também tinha que entender e aceitar as promessas que fazia.





Talvez mesmo acreditar nelas.





Ele deu um passo, no sentindo

contrário ao dos passos anteriores.





Ela encarou pretos.

  Mergulhou.





Era seu casamento.





Com esse homem.  





Esse bruxo.





Seu

casamento. 





Levantou a cabeça, os lábios

trêmulos com a emoção.





-      

Eu te ofereço. Minha lealdade. Meu respeito. E minha confiança. – a voz

tornou-se mais doce, os olhos nos dele – E tentarei, por todos os meios, afastar

de você... todas as sombras, que eu puder.





Carvão. Faiscando. 





O lábio tremeu mais, sentindo

as emoções que a percorriam.  Deles.





Viu-o respirar.

                           Energia.





Outro passo.





-      

Você terá minha fidelidade. E minha consideração. Trabalharei. Para que

superemos nossas diferenças.





Olhou-o. O som de dois

corações rápidos em seu ouvidos.





Ergueu mais a cabeça.





-      

Irei. Onde quer que você vá. E não o deixarei. Nunca. E o seguirei. A

qualquer lugar.





Mais um passo.





-      

Tentarei. Dar a você. Tudo o que precisar.





-      

Vou estar esperando por você. Até que confie. Acredite. Que estarei aqui.

Por você.





Ele a olhou.  Luzindo.





-      

Muito bem. – disse encerrando.





Sentiu a ansiedade. Crescendo

dentro de si.   Segurou a mão dele, entrelaçando os dedos.





‘Ainda não.’





Ainda não era tudo.

Concentrou-se. Os olhos fechados.         Sentindo.





Lembrando.





De tudo o que ela tinha

querido, quando chegou.          Dele.   E de sua escuridão.





Em que ela queria ser a luz.

  De seu corpo. Seu toque...





De tudo o que tinha

acontecido...  Entre eles...   As imagens se repetindo.       Dominando-a.





E ainda havia. Tudo que tinha

sido falado.            Nunca sentiu tanto carinho.   Por ele.





Arfou.  A emoção; explodindo

em seu peito.





‘Eu te amarei, eu prometo.

Enquanto eu viver!’





Havia a energia entre eles.

    Forte.        Poderosa.   Deixando-a mais trêmula.





De alguma forma, tinha sido o

suficiente.  Sem a anuência dele. Ou seu conhecimento.





Abriu os olhos, respirando.

Vendo pretos, brilhantes.  E a testa franzida.





Devolveu, o rosto quente.    





Até que baixou os seus,

desviando dos dele, ainda intensos.





Tendo dificuldade em conter,

tudo o que tinha sentido.  





Ele ainda ficou parado.   

Antes de levantar a cabeça e soltar sua mão.





Ficou quieta. Esperando.





Ele deu mais um passo em sua

direção.    Fez o mesmo.





Sentindo em seu rosto, a

respiração dele.  E o calor de seu corpo. Tão perto...





Ele colocou a mão sob seu

queixo.





E havia carvão.    Em

castanhos.





O olhos se desviaram para

seus lábios.     





A boca desceu. Até encontrar

a sua.





Num beijo suave. Doce.

      Como ela nunca pensou que ele poderia dar.





Os braços envolveram-na.

  Devagar, levantou os seus, a mão indo ao pescoço dele.





Sentiu-se flutuar.   

Entregou-se.  Àquele beijo.    E a ele.   Emocionada. Sentindo ternura.






Amando-o.





Enquanto continuavam.  Bocas

e lábios.  Corpos e almas. Corações e mentes.





Tempo perdendo o significado.

Diante da intensidade do que sentiam.





Até que ele os separou.

 Muito depois.   Os olhos brilhando.    Para ela.





Por um momento maravilhoso,

pensou ter visto neles, tudo o que ela quis.





-      

Temos que ir. – ele disse baixo, rouco – Estão nos esperando.





Ela acenou com a cabeça.  O

encanto se quebrando.   





Enquanto ele se afastava.  E

ia até a porta.  Aguardando por ela.





Suspirou.





+-*/ *-





 





O bruxo mais jovem estava lá.

Como se guardasse a porta.  Esperando para acompanhá-los.





Severus ficou de um lado da

porta. O bruxo entrou.





E pegou o pequeno objeto em

cima do banco, trazendo-o.





Andou à frente deles, até o

escritório de Dumbledore.





Ela sentiu, todo o tempo, a

mão em sua cintura.





 





+-*/ /*





Eles subiram. A porta foi

aberta.





O escritório estava

diferente. Mais claro.





Os móveis afastados. Exceto

pela mesa.





Eles entraram.





Hermione sorriu. Um grande

sorriso. Igual ao de Minerva. Ela pensou ter visto... Lágrimas.





Estranhou. Olhou para

Dumbledore, sem entender. Vendo o brilho maroto, em azuis.





O bruxo mais velho, ao lado

dele.





-      

Sejam bem-vindos. – o diretor disse, antes de sorrir.





Fez um sinal. Eles se

aproximaram da mesa. O diretor afastou-se, parando em frente à Severus.





Do outro lado da mesa,

Hermione e Minerva também se moveram, ficando em frente à ela.





O bruxo meneou a varinha,

fazendo com que surgisse um grande pergaminho.





Pensou por um segundo louco ,

se tudo o que disseram, estava ali.





Olhou para Severus.  Que

tinha a expressão indecifrável.





Tremeu.





-      

Este é o contrato que selará a união. – o bruxo disse, desviando sua

atenção – Já foi discutido entre os padrinhos.





Estendeu-o sobre a mesa. Uma

pena dourada apareceu. Enorme. Linda. Mas ela não viu o tinteiro.





O bruxo mais jovem se

aproximou, colocando o que ele tinha carregado sobre a mesa.





Ela observou. Curiosa. Era

uma taça, com um líquido dourado, pela metade.





E uma pequena caixa, que não

parecia molhada, dentro dela, aberta.





Onde havia duas alianças com

um formato diferente. Que brilhavam, intensamente.





Mas não eram douradas.

Pareciam... de prata. Com duas pequenas pedras, verdes, no alto.





Severus pegou a pena e a

molhou no líquido, inclinando-se, para assinar.





Colocou a pena no lugar,

olhando para ela.





Ela respirou. Pensando se

devia assinar sem ler, como ele.





Pegou a pena devagar,

tentando ler o que estava escrito.





E descobrindo, surpresa, que

era como um contrato.





Mas não havia nenhuma palavra

do que tinham dito.





Olhou em pretos. Vendo-os

estreitos. Como se estivessem com raiva por sua demora.





Assinou, devolvendo a pena.





Severus se aproximou e pegou

uma das alianças. Olhou-a, esperando.





Estendeu a mão para ele. Que

a colocou em seu dedo, fazendo com que sentisse a mesma energia.





Bem mais poderosa. Que a fez

se arrepiar, quando passaou por seu corpo.





Respirou.  Vendo quando ele

lhe estendeu a mão.          Estendeu a sua para pegar a aliança.





Percebendo ao pegá-la, que o

líquido não manchava sua mão, embora tivesse assinado com ele.





Pegou a mão dele, que estava

quente em contraste com a sua, e colocou-a em seu dedo.





-      

Está feito! – havia uma luz da varinha do bruxo.





Que tornou a menear a

varinha, fazendo com que o pergaminho desaparecesse.





Então Minerva e Hermione se

aproximaram, cumprimentando-os.





Dumbledore veio até ela e

abraçou-a.





-      

Meus parabéns! – os olhos sorrindo, a voz estranha.





Mas havia mais, ela percebeu,

naquelas duas pequenas palavras.  Ela correspondeu.





Vendo o modo tímido, como

Hermione cumprimentava Severus.





Seu marido.





Sacudiu a cabeça. Não ia

pensar nisso agora. Albus a soltou. Olhou em volta.





Minerva a abraçou forte.

Sussurrando palavras boas. Sorriu acenando com a cabeça.





Disse que precisava ir, para

verificar se tudo estava em ordem para eles e com Anna.





Agradeceu, vendo-a

afastar-se. Então viu bandejas. Em mesas que ela não tinha visto antes. E

bebidas.





Além de poltronas.  Enquanto

todos conversavam, espalhados pelo lugar.





Severus com Albus. Desviou os

olhos ao vê-los trocar palavras baixo.





Aproximou-se de Hermione.

 Havia algo que queria saber.





-      

Por que você estava sorrindo daquele jeito quando entrei? – murmurou para

ela, sem mencionar o sorriso de Minerva.





Ela sorriu de novo, da mesma

forma “sabendo”.





-      

Porquê havia muitas cores, nas promessas de vocês.





Franziu a testa.





-      

Como assim?





-      

As promessas. Cada uma tem uma cor. E havia muitas. – o sorriso se

alargou – Algumas com cores fortes. Brilhantes.





Sentiu o rosto enrubescer.





Hermione riu. Estava feliz

com o resultado de tudo, depois de toda a tensão do dia.





-      

Não se preocupe. – disse ao ver seu desconforto.





Mais fácil dizer que fazer.





-      

E vocês podem saber o quê...?





-      

Não. – ela parecia divertida – Só adivinhar. – sorriu de novo – Mas não

deve ser difícil, para bruxos mais velhos. – provocou.





Fechou os olhos, mortificada.

Abriu-os.





-      

Porque você não me disse? O que ia acontecer e ... – mordeu o lábio, a

fisionomia ansiosa – E eu não vi nenhuma cor.





-      

Trouxas não podem ver. Mas você deve ter sentido algo diferente. – ela

tocou seu braço, séria agora – Eu quero ter tantas cores quanto as suas, quando

me casar.





É claro. Suspirou.





-      

Espero não ter feito nenhuma coisa errada.





-      

Bem... – ela hesitou – Quase.





Olhou-a rápido. Ela parecia

sem graça.





-      

Seria um insulto se você demorasse a assinar. Principalmente ao professor

Snape. O contrato foi oferecido por ele. Para ser discutido e alterado, no

interesse de vocês, por Minerva, eu e Dumbledore.





-      

Porquê?





-      

Para resguardar os interesses de vocês. Os padrinhos e madrinhas devem

possuir a confiança total dos... noivos. – usou a palavra trouxa – Pois são eles

que decidem quanto à parte financeira e outras coisas. Nós quase não alteramos

nada. Dumbledore incluiu que vocês devem morar aqui por pelo menos mais um ano,

e depois, pelo tempo que quiserem. – esperava que o professor Snape concordasse,

levantou os ombros – Que eu me lembre foi só. – olhou em volta.





-      

Vocês podem decidir onde iremos morar? – estava surpresa.





-      

Não sempre. Mas há muita coisa que um padrinho pode decidir. Desde que

seja em benefício dos noivos.





-      

Severus nem mesmo leu. – sentiu um arrepio; podia dizer seu nome em

público.





-      

Mostrou confiança. Se ele tivesse hesitado, significaria que tinha

dúvidas quanto ao casamento.





Levou a mão à boca. Ela só

tinha querido ler, mas...





Percebeu agora o que tinha

feito, vendo Hermione, que relanceava os olhos à sua volta, novamente.





-      

Você acha... – os olhos estavam preocupados.





-      

Não.  – ela sacudiu a cabeça – Nós compreendemos. Você é uma trouxa. Não

foi um insulto.





‘Espero que ele pense

assim também.’





Suspirou. Hermione deixou de

vigiar e a olhou, sem jeito.





-      

Nina... – começou – Você deve ficar...





Havia uma mão em sua cintura.





-      

Ao lado de seu marido. – ele murmurou em seu ouvido.





‘Oh, Deus.’





Sentia a mão quente nela.

Firme.





-      

Eu não sabia. – quis se defender.





-      

Er... – Hermione os olhou – Eu vou falar com a professora McGonagall.

Professor...





Ele inclinou a cabeça

respondendo ao cumprimento.  Hermione se afastou.





Respirou.





-      

Você precisa me dizer. Eu não sei o que tenho que fazer.





Pretos brilharam. Algo

atravessando-os.





-      

Você tem que ficar a meu lado, todo o tempo. Como se estivesse... mais

que contente em fazê-lo. – havia um tom estranho em sua voz.





Sentiu um arrepio, imaginando

se poderia haver duplo sentido.   Não teve certeza, mas...





Bem... Isso não seria tão

difícil.





Não seria nada difícil.





-      

E o que mais? – a voz estava baixa, quase doce.





Carvão. Nela.





-      

Você deve me servir.





Estreitou os olhos.  Sem

saber se ele estava se divertindo com ela.





-      

E o que você deseja, meu senhor? – ironizou.





-      

Cuidado. – a voz estava perigosa, macia – Você pode descobrir que eu...

 desejo... – olhou-a ruborizar-se – muitas coisas.





Sentiu um arrepio.

 Disfarçou, desviando de pretos, e estendendo a mão para uma bandeja.






Pegando-a e oferecendo-a a

ele.   Ele a olhou e pegou o que havia ali, levando-o à boca.





Parecia não ter comido, todo

o dia.





Quase sorriu, ele era humano,

no fim das contas.





Olhou em pretos.





Compreendeu que tinha ficado

olhando, enquanto ele levava o alimento aos lábios.





Desviou.





Mas ninguém se aproximou.

 Entretidos em conversar entre si.





Observou Dumbledore com o

bruxo mais velho, sérios.





Suspirou.





Havia algo, que a estava

incomodando. E não ia conseguir esperar até que estivessem sozinhos.





-      

As promessas... – virou-se para ele, encarando-o – Eram só para... – não

continuou, esperando que entendesse o que não tinha dito.





Pensou que ele não

responderia.





Até que segurou seus braços.

E ficou de frente para ela. Muito próximo.





Pretos. Duros.





-      

Eles não estavam lá quando as fizemos.





Entendeu.





E apesar do modo como ele

tinha dito, ficou contente.





Castanhos brilharam.





Acalmando pretos.





.+*/



Ele não

saiu de perto dela.



E algum

tempo depois, segurou seu braço, mostrando a porta com a cabeça.





O bruxo mais novo do

ministério, que estava mais perto, percebeu.





Parecia mais relaxado, um

copo nas mãos.





- 

Sim. – começou alegre – É hora da... – ele se intimidou com o olhar de

pretos – terceira parte do casamento. – terminou baixinho, enquanto eles saíam.





Franziu a testa.  





Tristeza.            Ao

perceber as palavras que seu marido murmurara.





“Não haverá terceira

parte.”





 





*-.*





 





Desceram até as masmorras. O

caminho tinha sido feito em silêncio.





Ele abriu a porta para ela.

Entraram. Passou pelo escritório, dirigindo-se ao quarto. Afastando as

lembranças.  Notou as diferenças.  Tudo parecia... maior.





Havia outra porta, uma que

ela não tinha visto antes. Winky estava lá.





Aproximou-se. Era o quarto

que seria de Anna.





-      

A menina dormiu, senhora.





Entrou. Viu a filha deitada,

as mãozinhas para cima, descansando no travesseiro. A boquinha aberta.






Sorriu.       Sentiu que não

estava mais sozinha. Uma presença às suas costas. Não se importou.





Levou a mão, passando-a de

leve pelo pequeno rosto. Suspirou.





-      

Obrigada Winky. – virou-se para ela – Boa noite. – tentou sorrir.





Ela sorriu de volta.

Começando a se acostumar ao tratamento novo.





-      

Winky cuida bem da menina, senhora. – falou séria, mas feliz.





-      

Eu sei. Boa noite.





Tentou ignorá-lo ao passar,

nervosa. Voltou para o quarto.  





Olhou em volta. Meio perdida.





‘Meu casamento.  Minha

noite de núpcias. ’





Mas ele não a tocaria, tinha

deixado isso claro.





Embora ela tivesse esperado

que isso fosse mudar. Depois de tudo.





Sacudiu a cabeça. Não ia

chorar. Foi para o banheiro preparar-se.



Se ele

fosse manter. Ela pretendia tornar difícil para ele.





O banheiro também parecia

diferente.





- 

Boa noite senhora. – havia a voz respeitosa.





O espelho. Moveu a cabeça.





Colocou a camisola que

Hermione tinha lhe dado e que ela nunca tinha usado.





Parou um momento para olhar

sua aliança, e os detalhes, entrelaçados, admirando-a.





E então... sentiu um frio na

barriga ao pensar... Estava casada!      Com ele.  





Lembrou do casamento.  Das

promessas. E do beijo que se seguiu.





Ainda mais decidida a fazê-lo

mudar de idéia. E completar a terceira parte.   Esta noite.





Voltou. Sentindo os olhos

dele em si.





Mas ele desviou para o fogo,

como se não se importasse, quando ela o olhou.





Doeu.    Controlou.      

Indecisa se devia ir até ele.





Até que percebeu.   Estava

parada há poucos passos e ele a ignorava.  Propositalmente.





Mordeu o lábio indo até a

cama, vagarosa.





Deitou-se, fechando os

olhos.   Lutando pra não chorar, sem conseguir dormir.





Fingindo não perceber. 

Quando ele finalmente se deitou. Muito tempo depois.





Longe dela.





.+*/





Acordou pouco tempo depois.  





Sentiu a cama macia sob si.

 Diferente.   Lembrou.  Abriu os olhos.





Ele não a tinha tocado.





E estava em frente a ela.

Parecendo dormir.    Ouviu a lareira.  Suspirou.





Ele abriu os olhos,

olhando-a. Vendo as chamas que dançavam pelos contornos de seu corpo.






Carvão faiscou.       Ela

estava ali. Em sua cama.





Perto demais.        Podia

sentir o calor que vinha dela. O cheiro.





E castanhos.  Profundos.





-      

O que aconteceu? – ela murmurou.





Seu único movimento foi

franzir a testa.  Ela ficou quieta.





-      

Do que está falando?





Olhou-o.





-      

Você não me deseja mais? – sussurrou com uma ponta de angústia.





As palavras que ele dissera

em frente a seu quarto sobre não a tocar, queimando em sua mente.  





Mesmo assim...         Ele a

tinha querido antes.      





Tinha esperado que fosse

diferente.  Depois do que tinha acontecido, no casamento.





Ele se moveu, muito devagar. 

A respiração em seu rosto. O corpo se inclinando sobre o dela.





Até que ela o sentiu em sua

coxa.  Pronto.  Sua respiração se acelerou um pouco.





Carvão. Sérios.





-      

É isso o que pensa?





Sentiu um calor subir por seu

corpo.





-      

Então porquê? – perguntou baixo.





Viu-o respirar e mover-se.





-      

Por quê você não está pronta. – falou com raiva, levantando-se – Nem eu.

– murmurou.





Ela pensou ter entendido.

Enquanto ele se afastava, ajeitando o robe com que ele tinha deitado.





Levantou-se também. Indo até

ele.





Pomfrey tinha lhe dito. Cinco

dias tomaria a poção. Já tinha mais. E ela estava se sentindo bem.





-      

Severus. – chamou, com medo de tocá-lo – Pomfrey... Não há problema. Não

agora.





Por um instante ignorou-a. 

Então hesitou, e virou-se para ela. Os olhos brilhantes. Em tumulto.





-      

Eu quero que fique no outro quarto. – a voz estava estranha – Ou vá

embora.





‘Você está brincando...’





Franziu a testa sem

acreditar, observando-o.     Teve certeza.  Havia mais.





-      

Porquê? – exigiu, aproximando-se.





Não ia sair. Não sem uma

explicação. Nem com uma. Mas ele ainda não sabia.





-      

Você não me quer? – sussurrou baixinho.





Ouviu um gemido.





Foi rápido.





Foi empurrada. Dois passos

até a parede perto da lareira. Ele não a tocou.





Segurando seus pulsos acima

da cabeça.





O corpo muito próximo. A

respiração breve. Quente. Em sua face. Franziu a testa.





Ele apertou os dentes. Mais

controle do que jamais precisou. Para não tocá-la.





Aproximou o rosto. Até bem

perto dos cabelos dela.  Respirou, fechando os olhos.



‘Viola odorata...’





Tremeu. Sentindo o calor do

corpo perto. E a vontade. A necessidade.





Surgindo nele. Poderosa. Como

sempre tinha sido.





Compreendendo que podia estar

acrescida da energia, vinda do feitiço do casamento.





Mesmo que ele tivesse tomado

precauções contra isso. Junto com a poção.





Respirou de novo. Pensando no

quanto de seu controle tinha precisado para resistir àquela... veela.






E na quantidade, muito maior,

estava sendo necessário para resistir à sua... esposa. 





Estremeceu.           Esposa.





Apertou mais os pulsos em

suas mãos.    Para impedir que elas se movessem. A outros lugares.





Buscando ar.   Impedindo-se

de tocá-la. De senti-la.  Mas não conseguiu...    Deixar de olhá-la.





E havia pretos. Lentos. Em

cada parte dela.





E ela sentiu. Um calor subir.

Uma sensação apertando em seu ventre; quando chegaram a castanhos.





Vendo a expressão dos olhos

escuros. E a face. Em desejo. Fome. Os lábios quase nos seus. 





A respiração forte em seu

rosto.  Percebendo que nunca tinha se sentido assim tão... viva. Nesse olhar.





Ele viu. O rubor. E a fome.

Igual à dele. Nos olhos dela. E no modo como se movia, para mais perto.






Usou todo o seu controle.

Para manter-se longe. Sentindo-se arder.  Em chamas.





-      

Você não consegue adivinhar? – rosnou devagar, rouco – Eu não posso! –

rugiu, sem soltá-la.





Sem ter certeza. Se

conseguiria deixar que ela se fosse.





‘Maldito encantamento...’





Mas ele sabia. Não era isso.

 Nunca tinha sido.





E já tinha se passado muito

tempo, desde a última vez... Em que teve seu corpo.





Respirou, bem perto.  Os

olhos pesados. O cheiro de violetas testando seu autocontrole.





Ela o queria. Com saudade. O

corpo em fogo, como o dele.     E tinha direito, pensou. A tudo.





-      

O quê? – esticou-se; querendo-o, encostando-se nele.





Ele a sentiu. Próxima.

Provocando-o. Arfou. 





-      

O que você não pode? – ela murmurou de novo, vendo o desejo nele.





Ele ainda olhava para seus

lábios. Respirando forte. Sem tocá-la. Mantendo-a longe. Centímetros.





Tentou controlar. As narinas

dilatadas.





-      

Garantir. – foi aos seus olhos, sério – Que não vou machucar você. –

disse duro, pretos faiscando.





‘Então é isso!’





Sentiu um arrepio.





Medo.   E excitação. 

Misturando-se.     Sua respiração se acelerou.





Castanhos.





Sorriu, suavemente.  

Valente.   Apesar do receio.





-      

Você nunca pôde. – sussurrou para ele, os olhos brilhando.





Um segundo.       





Ouviu um som abafado. Os

pulsos soltos.





E ela mergulhou em

tempestade.





Como antes.





 





-*/-*/-*/





 





Não tinha sido como ela

esperava.           Ou quase...





Talvez ele estivesse certo.

   Moveu-se, o corpo dolorido.





Levantou-se devagar, indo ao

banheiro. E depois ver Anna que estava acordando. Viu que ela estava seca.





Amamentou-a até que ela

dormiu de novo, calma, mesmo com o som do ronco de Winky.





Voltou. Parou, apoiada na

porta fechada atrás de si. Olhando-o.





Parecia

dormir.                 Suspirou.





Andou até a outra porta. Só

queria sair dali. Mesmo que por pouco tempo.





Estava escuro. Como sempre.





Viu a escrivaninha. Adivinhou

a porta do laboratório do outro lado.





Encostou-se na beirada da

mesa, quase sentando. Fechou os olhos. No silêncio.





Das muitas coisas mortas.

Lembrando-se. Do que tinha acontecido.





Não era o seu corpo que tinha

sido o problema, confirmando o que ela pensava.





Era ele.





Em sua fome.





Quase ignorando-a. Quase

machucando-a. Até que desistiu.  Até que...





Estremeceu, ao lembrar. Da

mesma forma que tinha estremecido, emocionada.





Ao ouvi-lo, numa rara

demonstração dele mesmo. Quando ele enterrou o rosto em seus cabelos, e disse

num quase gemido.





‘ “Merlin, como senti sua

falta...” ’





Agarrando-a. Os braços à sua

volta. Ansioso. Como se quisesse impedi-la de se afastar.





Foi isso.





Que a fez vibrar, e que fez

valer a pena, todo o resto.  Que a fez estar com ele de novo.





Completamente.





Sentiu um arrepio.  Fechou os

olhos.





‘ “Merlin, como senti sua

falta...” ’





Tocou os lábios, inchados dos

beijos.  Suspirou.  A frase se repetindo em sua cabeça.





Desceu a mão. Sentiu dor.

Imaginou se ia ficar com manchas verdes.         Como antes.





Ouviu um barulho.





Ele estava ali.





Vindo em sua direção.

Deixando a porta aberta iluminar um pouco.  Mas ela viu... A pergunta em seus

olhos. E na expressão séria. Quando ele se aproximou mais, e segurou seu queixo,

firme.





-      

Estou bem. – murmurou.





‘Você não me machucou. 

Não muito.’





Ele sabia que não era

completamente verdade.  Mas tinha se permitido perder o controle.





Ansioso. Depois de tanto

tempo. Sem ela.   Mesmo que tivesse tentando não machucá-la.





Sem entender como a tensão

das últimas semanas... pareciam simplesmente ter desaparecido.





Não se enganou. Não tinham

“desaparecido”.  Mas não pensaria nisso agora.





Ouviu-a respirar.  O corpo

perto. Como o dele, sem nada por baixo. Fazendo-o ter vontade. De novo.






Inalou ar.     Violetas.





Os dedos deslizaram. Pelos

traços do rosto.  Pescoço.  E pelo colo.  Experimentando a pele.





Ela não conseguiu entender, o

que sentiu. E como seu corpo, estava reagindo ainda. Em fogo. A ele.





Abraçou-a. A boca perto de

sua orelha. Sentindo seu cheiro. As mãos em suas costas.





E devagar, o rosto escorregou

pelo dela. A boca foi ao pescoço. E em seu queixo. Lentamente.





E depois... em seus ombros.

Vagarosa. Nos seios. Voltando ao pescoço. Sem machucar.





E sentiu. O corpo latejando.

Novamente. Por ela.  Suspirou. Controlando-se.





As mãos desceram.

Desamarrando. Afastando a roupa. Tocando-a. Procurando. Devagar. Testando.





Ela suspirou. E abriu-lhe o

robe. Passeando as mãos por seu peito. Pelos ombros.





Chegando mais perto.

  Sentindo-o.   Pronto.              Arrepiou-se.





Ele percebeu.             

  Lábios sobre lábios.





Sentou-a na escrivaninha. Sem

interromper o beijo. Querendo-a, ainda mais.





Mas não como tinha sido há

pouco. Queria que ela correspondesse. Que estivesse com ele. Inteira.





Queria ouvir o seu nome

quando ela...





Apertou-a. Buscando o corpo

morno. Encostando-o no seu. Deslizando as mãos em carícias.





‘Como antes...’  

respirou.





Ela viu como ele estava

excitado. E como mesmo assim... Continuou a tocá-la. Insistente. Suave.





Incitando-a. Enlouquecendo-a.

Suspirou. Levando as mãos até as costas dele. Sentindo as cicatrizes.






E ouvindo-o gemer, quando ela

se aproximou mais, e se ajeitou.  Fazendo com que ele a sentisse nele.       





Quente.           Arrepiou-se

de novo. Querendo-o.





-      

Por favor. – sussurrou em seu ouvido.





Ele estremeceu. Respirou

alto.  E desistiu. 





Segurou-a pelos quadris. O

corpo se apossando do dela. Os lábios em seu pescoço. Apertando-a nele. 






E depois. Inclinando-a para

trás, e descendo, juntos. Enquanto ela fechava os olhos.





Passando as pernas por trás

dele, trazendo-o para mais perto. As mãos em seus ombros.





O rosto dele em seus cabelos

quando ela levantou a cabeça. Passando os braços por trás do pescoço dele.





‘ “Merlin, como senti sua

falta...” ’





-      

Senti sua falta. – murmurou suave no ouvido dele, a voz rouca, excitada.





Sentiu-o estremecer. E ir

mais fundo, como se respondesse. Moveu a cabeça para vê-lo.





-      

Mais. – sussurrou devagar, olhando o vinco em meio às sobrancelhas, por

entre o cabelo preto.





Ele atendeu. Outras vezes.

Respirando.     Até que não agüentaram mais. Aumentando o ritmo.





-      

Severus...





Viu-o se entregar. Sem

conseguir se conter. Segurando-a forte. Perdido.





-      

Severus! – gritou, fincando as unhas nas costas dele, em meio às

cicatrizes.





Algo selvagem foi acordado

nele quando a ouviu.  Além da... posse.





Apertou-a com força. Indo uma

última vez.





Finalmente fechando os olhos.





.+* -*-*





 





Eles acabaram. A testa dele

na sua.





As respirações rápidas.   

Acalmando-se.    Devagar.  Fechou os olhos por um momento.





E então, ele a olhou, e ela

viu a expressão quase divertida, por entre os cabelos negros, caídos no rosto.





Não entendeu.





-      

O que foi?





-      

Não coloquei nenhum feitiço silenciador aqui. – informou suavemente

irônico.





Demorou um tempo. Percebeu.

Ela tinha gritado o nome dele.





-      

Acho que minha... fama – levantou um sobrancelha – Pode sofrer acréscimo.

– provocou debochado.





Ela ficou mortificada. E viu

como ele se divertia, com a expressão dela. Levantando-a.





Pelo menos não estava bravo,

constatou surpresa.





-      

Estamos em julho. – lembrou-a. – Não há alunos – sussurrou, sem soltá-la.





Mas ela não perdeu, o tom

lento, divertido, de quem sabia mais.





-      

Só professores. E fantasmas. – olhou-a – E elfos.





‘Deus!  Winky!’





Olhou por sobre o ombro, para

a porta do laboratório, e depois para a expressão dele.





Mordeu-o no ombro.

Horrorizada. Ruborizada.     Mas contente.





Pelo modo descuidado como ele

tinha dito. E pela intimidade. Compartilhada.





Deitou a cabeça no ombro

dele.





Viu a cadeira, encostada na

escrivaninha. Sorriu.





Depois começou a rir. Cada

vez mais alto.   Levou a mão à boca, para diminuir os sons, alegre.





Ele afastou o rosto para

olhá-la.  Ela passou o dedo no vinco em sua testa. Sorrindo.





‘Minha vez.’





-      

Quero ver, – murmurou em meio a um sorriso, falando devagar – como você

vai conseguir, ficar até tarde aqui. Corrigindo pergaminhos. – foi até o ouvido

dele, sussurrando lenta – Sem se lembrar do que fizemos nessa mesa.





Ele ficou imóvel.   E então a

mordeu, como ela tinha feito.





-      

Ai! – desviou o ombro, sabendo que ele a faria pagar mais tarde.





Mas riu alto.





Depois colocou a mão sobre a

boca de novo. Para abafar as risadas.





 





** - **





 





Eles tinham ido ao almoço.





Um sorriso pequeno de Albus

os cumprimentou quando chegaram. A comida diferente.





- 

Eu penso que todos temos motivos para estar... contentes. – a sombra do

sorriso ainda lá.





Azuis brilharam por sobre os

óculos. Enquanto ele levantou seu copo de suco de abóbora, risonho.





Severus deu-lhe um olhar

bravo e irritado. Que ele ignorou brandamente, ao virar-se para falar a Minerva.





Que tinha um sorriso

“compreensivo”.





Ela sentiu o rosto quente.

Desviou os olhos. Sem conseguir impedir-se de estar contente.





Elisabeth não tinha

voltado.     Deu graças.





Ainda não era o tempo de

enfrentá-la. Podia relaxar.





Olhou para o homem a seu

lado.





Sorriu.





+-* *-





 





Estavam voltando. Ela o fez

desviar um pouco de seu caminho.





Andando pelo castelo.





Estava quente. Quis ver o

lago. Mesmo que de longe. Moveu-se para a mureta perto.





Parou onde ele lhe tinha

falado pela primeira vez. Há tanto tempo atrás.





Lembrou sua conversa. Um

pequeno sorriso se desenhou em seu rosto.





Ainda havia muito caminho a

ser percorrido.





Mas nunca tinha tido certeza

realmente de que conseguiria.





Ele a observou.  Quieta,

olhando o lago.





Algo o inquietou.  E nunca

admitiria que havia aquela pequena sombra...





Era possível que estivesse

arrependida?          Fechou-se; cruzou os braços.





- 

Qual é o problema? – a voz estava seca, quase acusadora.





Voltou a cabeça; olhou-o sem

entender.   Vendo pretos. Vendo Snape.





E Severus.        Seu

marido.  





Então relaxou.





Era dele. Não havia uma

opção.            Sorriu.





Recusando-se terminantemente,

a deixar que qualquer coisa que ele dissesse hoje a perturbasse.





- 

Srª Snape, professor. – virou-se para ele, levantando uma sobrancelha,

castanhos brilhando – SENHORA. SNAPE. – terminou doce.





Ele a olhou.  





Não importava que fosse uma

trouxa. Ou a forma como tinha vindo a casá-la.





Não importava que pudessem

estar em perigo. E que não conseguisse sequer pensar no que sentia.





Havia uma onda pura de

orgulho instintivo ao ouvi-la.





Admitindo que lhe pertencia.





Controlou deixar o rosto

impassível.





Mas ela percebeu um brilho

fugidio em pretos, antes que se virasse, puxando-a pela mão.





Sem responder.





Em direção às masmorras.





 





-*/-*





 





Espero que tenham

apreciado.





 





Pode haver mudanças

pequenas.





 





 





Atenção:

O discurso do Sev com o Dumbledore foi MAIS ou MENOS baseado numa fic que li há

algum tempo atrás e da qual não lembro o nome.  Se você a reconhecer, é sua

mesmo. (so sorry).





Todo o resto é da minha

cabeça. Exceto o mundo da J.K., que eu pedi emprestado para a gente se divertir.





 





 





Agradecimentos enooormes à

Sett pela betagem.





E Granger... Foi

divertimento!





 





Lilibeth - “Quero ver como

esses dois cabeçudos vão se entender. Se ele perdeu o seu "espaço de conforto",

ela perdeu sua vida. Jogou-se somente com sua calma e coragem e seu amor

infindável nos braços de um homem que nunca foi amado sem segundas intenções...

é muito triste amar alguém que dá todo e qualquer nome ao amor que lhe devotam

sem que seja amor. Desculpe a viagem,mas a guia é excelente demais para se ficar

quieta... :)”   Valeu Lilibeth!





 





Valeu a ajuda de vocês na

betagem.





 





Granger – Já encontrou o

Rony e a Hermione?  Kákákáká.





 





 





 





 





 





P.S.: Viola Odorata =

violetas (flores).





A idéia do casamento

também é toda minha. Gostaram?





Espero que a espera tenha

valido a pena.





 





Reviews.

Please.





 









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