A neve estava densa naquela parte da cidade e o frio cortante como tinha que ser. Não sabia como agir, pensar, ser, e percebeu que aquilo estava sendo uma constante em sua vida nos últimos tempos. Decidiu deixar as coisas simplesmente acontecerem e ver no que daria, já que prever nunca a deu alguma vantagem afinal.
Ao abrir a porta principal de sua casa se sentiu acolhida. O calor a abraçou e o cheiro de comida que ela tanta sentira falta. A comida de sua mãe. Apertou sua filha com mais força nos braços e tomou coragem de se virar até a sala.
Seu pai conversava baixo com quem ela sabia ser Pedro. Ele estava de costas para ela, e por isso não viu quando chegou, mas percebeu pelo silêncio de Jon, e assim virou para trás. Levantou imediatamente e a ficou encarando em silencio.
- Filha! Que bom que Jane conseguiu te achar! – Seu pai foi até ela e lhe deu um pequeno beijo na testa, no que ela sorriu sincera. Esperara muito por aquele afeto.
- Foi por uma coincidência Jon, imagine. Fui até o Beco.. oh..
- Tudo bem mãe. Pedro sabe que sou uma bruxa. – Houve mais um silêncio incomodo na sala. O rapaz continuava a encarando. Ela resolveu acabar com aquilo. – Afinal, o que você está fazendo aqui? Como chegou até a minha casa? – Elizabeth, que dormia profundamente, pesou em seus braços e sua mãe pareceu perceber isso.
- Hermione, me de ela aqui, a levo para o quarto e vocês podem conversar mais a vontade. - Ela de fato achava melhor. Passou a filha para os braços da mãe e viu os pais subirem as escadas cuidadosamente. Apontou o sofá para o brasileiro e sentou em outro.
- Então? – Ele parecia receoso, mas resolvera abrir a boca.
- Bem, você me mandou um e-mail, pouco depois de ter voltado. Tinha seu endereço, caso eu quisesse mandar alguma coisa.
- Você nunca me respondeu nada Pedro. Aí, de repente, você aparece na minha sala?! Não entendo. – Ele parecia desconfortável.
- Eu sei. Olha, eu tive que vir a Londres. Assuntos de família. Brigas... E.. não pude deixar de ver você Hermione. A última vez.. nossa. Foi uma invasão aquilo tudo não? E eu nunca mais a vi. – Ela sorriu sem humor.
- Você está fugindo dos seus problemas e veio atrás de mim?
- Não é bem isso. E você não pode me julgar, afinal você fez exatamente isso quando foi ao Brasil. – Ela se levantou divida entre mandar ele para o inferno ou perguntar o que de sério tinha acontecido para fazer com que ele cruzasse o Atlântico na época do natal.
- O que você quer comigo? – Ela perguntou cansada de costas para ele.
- Hermione, eu vou ficar um tempo aqui. Eu.. bom. Se coloque no meu lugar, por favor. Como você teria reagido com todas as surpresas que me contou e depois ainda, um cara aparece e te leva embora sem nenhuma explicação e..
- Eu quis te dar uma explicação, mas você não quis saber! – Ela o interrompeu um tanto nervosa. Ela realmente estava cansada.
- Estava confuso.
- Eu poderia ter te esclarecido Pedro. Mas a verdade era que seu orgulho estava ferido demais. E esse é o grande problema que me persegue. Orgulho. Vindo de todos os lados. – Ela colocou as mãos na cintura. – Só que agora você precisa de uma companhia na sua estadia em Londres e se lembrou da minha existência.
- Não nos simplifique assim, Hermione. – Ela cruzou os braços.
- Como assim “nos” simplifique?
- Companhia eu posso conseguir facilmente Hermione, não estou aqui só por isso. Eu realmente quero que a gente resolva as coisas, da melhor forma possível. – Ela queria ter gostado mais daquilo do que gostou. Voltou a se sentar.
- Tudo bem Pedro. Isso é justo.
Ela tinha acabado de sair, os pais faziam questão da ceia de natal juntos. Há um ano eles tinham ceiado juntos e ela o tinha testado se vestindo como Hermione. Desta vez Astória se esforçara em ser tão adulta e diferente da outra. Porém sua cabeça parecia ainda pior do que do natal passado.
- Draco? – O perfume de Pansy era o mesmo desde que ele a conhecia. Ela só parecia que o deixara mais marcante depois que ficara mais velha. Deixou de ver a neve cair e se virou para a amiga.
- Ainda não tive tempo de agradecer pelo esforço de ter ido comprar presentes para Elizabeth. Astória chegou antes disso e só se foi agora. – Viu a garota de cabelos curtos dar de ombros e se sentar desanimada.
- Eu tinha que sair de qualquer forma. Ainda não tinha comprado algumas coisas. Senta aqui. – Ela bateu na poltrona ao lado dela e ele assentiu.
- Vai ser mais uma a me dar conselhos? – Mas ele não soou aborrecido, apenas cansado.
- Não. Quero saber se está bem. – Ele sorriu.
- Estou, dentro do que eu posso estar. Preocupado com a minha mãe.
- Então pare de adiar as coisas e vai visitá-la. Conte a ela de suas novas decisões. Talvez isso a anime.
- Você disse que não ia me dar conselhos. – Pansy sorriu.
- Estou apenas dando uma sugestão. Vi uma coruja chegando agora a pouco. Era Granger? – Ela o viu se recostar no sofá e fechar os olhos.
- Sim. Ela disse que vai me encontrar numa loja de brinquedos trouxa, amanhã. Que poderei passar as horas que pedi com Elizabeth.
- Astória vai com você? – Draco abriu os olhos e encarou o teto do apartamento do amigo.
- Não me lembrei de convida-la. Na verdade, depois de amanhã teremos que voltar ao Ministério para dar entrada aos papéis do casamento. Acho que não quero expô-la mais que o necessário.
- Como assim? Aonde você vai levar a menina? Acho que a idéia de Granger de uma loja trouxa é exatamente evitar escândalo, não? – O loiro olhou para ela.
- Provavelmente. Mas acho que Granger poupou Elizabeth do mundo dela demais. Quero que ela conheça o mundo mágico, e vou dar isso de presente de aniversário para ela também. – Pansy ficou um pouco preocupada.
- Como assim Draco?
- Quero leva-la a Hogsmead e suas lojas, e também no Beco Diagonal. – E o viu sorrir como não via há dias.
- Ronald, não acha que deveria entrar? – Ele se virou e viu a amiga se aproximando encolhida em suas roupas extravagantes.
- Gosto dos primeiros flocos de neve, Luna. – Ela lhe sorriu e se recostou em seu ombro, como se procurasse calor nele.
- Oh sim, eles parecem mais puros, não é? Mas são os mais gelados, bruu.- Os dois riram.
- Eu já estou indo, mas você pode ir se quiser, não precisa congelar comigo aqui fora.
- Não, tudo bem. Em vésperas de natal meu pai gosta de lembrar da minha mãe e falar dela. Eu não gosto muito. – E então a loira de olhos sonhadores ficou calada e de cabeça baixa como raramente ficava. Ron achou aquilo muito estranho. A percebendo tremer, resolveu passar seus largos braços em volta de seus ombros magros.
- Você realmente quase não fala dela Luna. – A sentiu suspirar.
- Eu não a conheci muito. Quando o chifre explodiu e a levou eu era ainda muito pequena. Mas tenho algumas lembranças, é claro. É que gosto de deixar guardadas comigo, sabe? É como se assim, juntinhas de mim, a minha mãe ainda estivesse, ela se demorasse mais.
- Eu entendo perfeitamente Luna. Tenho uma ultima lembrança de Fred que nunca contei pra ninguém. A revivo quase todas as manhãs. É como se ele estivesse ali, ao meu lado, todo dia. Dói menos. – Eles ficaram quietos, sentindo a neve cair cada vez mais forte sob eles.
- Ron?
- Sim?!
- Você realmente vai embora? – Ele parecia ter sentindo mais frio.
- Como sabe disso?
- Desculpe, mas sua mãe pediu que levasse roupa limpa ao seu quarto e vi suas malas debaixo da cama quando uma meia caiu. – Talvez ele tivesse sido muito estúpido ao achar que aquele era um bom lugar para se esconder malas, ou por não ser tão bom com feitiços como Hermione.
- Você disse alguma coisa a ela?
- Claro que não.
- Eu vou amanhã a noite. É quando eles vão saber, quer dizer, quando vou contar. Ela se soltou dele e foi para frente, a fim de poder lhe olhar nos olhos.
- Não pretende se despedir? – Ronald não conseguiu sustentar o olhar azulado e límpido de Luna e achou melhor fitar suas botas que começavam a ficar encharcadas pela neve.
- Eu.. claro que ia.. vou.. – Ela lhe tocou a face e inesperadamente seu toque estava quente.
- Ron.. você sabe o que faz. Já passou por tanta coisa, viu, sentiu outras tantas. Mas.. acha mesmo justo arranhar os corações dos seus pais com outra partida sem um adeus?
- Eu não vou morrer Luna! – Ele ficou muito vermelho ao dizer isso.
- Não, mas vai para muito longe e por muito tempo. Não é quase a mesma coisa?
- E quanto aos meus arranhões? Quem é que pensa neles para mim? – Quando percebeu estava chorando. Luna sorriu docemente e secou algumas de suas lágrimas com mãos incrivelmente quentes.
- Não é indo para longe que seus arranhões vão se curar Ronald. Você poderia ir para outro Universo que eles ainda sangrariam, ou até sangrariam mais, por você estar sozinho, porque seus arranhões são você e estarão onde você estiver. O que você precisa mudar não é de lugar, de emprego nem de casa. O que precisa mudar é a sua maneira de encarar o que lhe aconteceu, os seus sentimentos. Precisa mudar a forma de encarar as pessoas que te machucaram. O que você precisa mudar é o remédio que está passando nos seus arranhões. Aí você vai perceber como eles vão secando até virarem apenas umas cicatrizes superficiais. – Ela se aproximou dele e deu um pequeno beijo na bochecha gelada. – Agora eu vou entrar realmente, está já caindo uma nevasca.
Aquela casa definitivamente estava diferente. As cores diferentes, a ausência do mofo, das cabeças de elfos perto da escada, luzes aconchegantes, porta retratos com pessoas sorridentes em vários lugares. A lareira acessa deixando tudo mais aconchegante. O Largo Grimauld se transformara numa casa acolhedora e feliz.
- Mas nós não vamos morar aqui depois que casarmos. – Harry entrara na sala com mais algum salgadinho que ela não agüentaria comer.
- Por quê? – Ela realmente não entendia.
- Ele enfiou na cabeça que quer morar numa vila trouxa, Hermione. Quer que nossos filhos cresçam assim. Mesmo que na nossa casa tenha artefatos trouxas e tudo mais. – Todos riram.
- Eu não quero que eles fiquem por fora como eu fiquei durante 11 anos.
- Ora Harry, não seja tão dramático, não teria como eles ficarem por fora! Não com a minha família por perto! Não com a gente como pais! E todo o resto. – Gina estava radiante e não tinha como está de outra forma. Enfim conseguira contar para amiga que estava grávida e vira como ela estava realmente feliz com a noticia.
- Oh, Eliz acordou eu vou até lá. – Mas Harry se levantou.
- Não, fique aí, deixe que eu pego ela desta vez. – E garoto correu escadas à cima e logo elas ouviram risinhos. Ele levava jeito afinal.
- Hermione?
- Oi.
- O que está havendo? Estou te achando tão aérea. – Nunca conseguiu esconder as coisas de Gina, aquela ruiva sentia as coisas no ar. Suspirou.
- Ah, são tantas coisas, não são?
- Mas não estamos falando apenas de Malfoy, estamos? – Hermione se sentiu incomodada com a pergunta.
- Ei Gina, como assim? Minha vida não se resume a Draco Malfoy! Que absurdo. – A ruiva deu um leve sorriso.
- Desculpe, não foi isso que quis dizer. Mas ele é a questão central, um grande problema. – Hermione parecia ainda aborrecida com a insinuação da amiga, mas deixou passar.
- Enfim, minha vida não é Draco Malfoy. Tanto que outro problema bateu em minha porta hoje. Pedro, diretamente do Brasil! – Ela percebeu quando a ruiva se aprumou no sofá ainda mais empolgada.
- O tal que te ajudou lá? Arrumou emprego e tudo? Como assim Hermione? O que ele veio fazer aqui?
- Pois é, essa parte não ficou muito clara. Disse que veio esclarecer algumas coisas, aproveitando uma viagem a Londres. Ah Gina! – Ela afundou a cabeça nas mãos.
- Mas qual é o problema? Eu não entendo o mal disso. – Ela realmente estava confusa.
- Eu.. ele me incomoda. – A ruiva franziu o cenho.
- Ele te incomoda? Como assim incomoda? Do que exatamente você está falando? – Hermione não sabia ao certo o que dizer.
- Ele é um rapaz muito interessante. Inteligente. É tão carinhoso com Elizabeth e ela parecia gostar dele também. Eu..
- Ele te incomoda porque te tira da zona de conforto de gostar de Draco. – Harry estava encostado na porta e ambas pularam de susto ao som da voz dele.
- Amor, desde quando você lê os meus pensamentos? – Um sorriu para o outro e ele se aproximou, beijando o topo da cabeça da noiva.
- Não é nenhum conforto gostar de Draco, Harry. Elizabeth? – Mas ela já sabia da resposta, só não se sentia a vontade assim de falar aquele assunto com o amigo.
- Foi fazer compras no Beco Diagonal, Hermione. – Gina deu um leve tapa na perna dele. – Ora, ela sabe que a filha está dormindo de novo.
- Hermione, você pode conversar com a gente sobre Draco, somos seus amigos, se não for a gente, com quem mais? – Gina disse sorrindo. Ela negou com a cabeça.
- Eu não gosto de falar sobre isso. Não há muito o que falar na verdade. Quer dizer, tudo já foi dito. Eu... apenas não sei o que esperar dele. Assim, no que diz respeito a Elizabeth. Ele não fala. Apenas avisa. – Harry apertou os óculos num gesto tão típico seu. Hermione o conhecia bem. – O que há Harry?
- Bom... boatos. Eu trabalho no Ministério, não tem como evitar. – Gina o olhou em dúvida, parecia que nem para ela ele havia contado.
- Fala logo!
- Dizem que ele vai se casar com Astória Greengrass. Que eles ainda não deram inicio aos proclamas por causa do escândalo a cerca do registro de Eliz, estavam esperando a poeira abaixar um pouco, mas que não deve demorar mais. – Hermione não soube definir bem o que sentiu, só soube que era bem ruim. De repente entendera o que aquela garota estava fazendo no Ministério no dia que ela e Draco tentaram registrar a filha e não conseguiram. Ela estava lá para marcar o casamento com Malfoy.
- Não sei por que me surpreendo. Talvez por ela ser tão jovem? – Percebeu uma lágrima escorrer por sua face e se sentiu estúpida.
- Acho que ela não pode se casar antes de ser maior. Não é Harry? – Gina disse tentando disfarçar a atenção das lágrimas da amiga.
- Sim, mas acho que isso já será no próximo ano. – Hermione se levantou indo para perto da lareira.
- Elizabeth terá que aprender a conviver com uma madrasta. Eu.. eu.. espero que Astória seja boa para ela. – A castanha apertou a borda de pedra onde tinha um porta retrato com uma foto dela mesma sorrindo e acenando o que parecia ser do campo de Quadribol de Hogwarts. Pelo seu rosto, julgou estar no terceiro ano e desejou ter novamente o vira tempo no pescoço e poder correr para aquela sua versão tão mais jovem e feliz e avisa-la para evitar certos encontros na sua vida. Mas se arrependeu rapidamente de ter desejado isso. Ter evitado Draco teria sido evitar Elizabeth, e isso teria sido algo horrível demais. Sentiu uma mão em seu ombro.
- Ela é uma garota decente e lutou para que Draco ficasse com você, Hermione. – Harry estava de pé, ao seu lado.
- Eu sei. Mas nós dois.. somos verdades diferentes. – Ela limpou o rastro de lágrimas e tentou sorrir. – Bem, vocês ainda tem uma ceia linda na T’oca. Não se atrasem mais. Já são quase 10h30. Eu vou ficar com meus pais. Acho que vai ser bom. Meu primeiro natal com eles depois de tudo. Um verdadeiro natal.
- Feliz Natal, Hermione! – Gina se aproximou então dos dois, e abraço coletivo serviu de consolo e afeto.
Elizabeth de certa forma parecia ansiosa e isso não fazia o menor sentido para ela. Sua filha acabara de fazer 2 anos de idade e mal sabia toda a confusão que era a sua vida. Pela manhã ganhara os presentes duplicados por ser natal e aniversário. Comeu um quarto de bolo de chocolate, bateu palminhas alegres na hora dos parabéns nos braços de um Harry muito eufórico por poder finalmente comemorar alguma coisa com sua afilhada. O senhor e a senhora Weasley tinham se aventurado até o mundo trouxa e trazido um pouco de rabanada e um suéter azul com um belo E bordado em branco, mas foram embora antes do almoço. Luna também viera, mas sem o pai. Senhor Lovegood sempre parecia muito sem graça perto deles por causa do episodio de ter os entregado durante a guerra para Voldemort. Ron ficara quinze minutos, com uma aparência muito abatida.
E agora, depois do almoço, ela agasalhara a filha o mais belamente que podia, enfiara um chapéu felpudo na sua cabecinha e a sentara na sala de sua casa. A menina balançava as perninhas e olhava para ela a cada meio minuto como se perguntasse o que estava acontecendo. Ela já tinha respondido, mas Elizabeth parecia não querer esperar mais e já se levantara um par de vezes e ela a pegara de volta as mesmas vezes.
- Acalme-se pequena, seu pai quis mudar os planos e ainda por cima se atrasar. Mas ele já está para chegar. – Porém Hermione estava ficando sem paciência. Não gostara nada da coruja de Malfoy desmarcando o encontro na loja de brinquedos e dizendo que achava melhor encontra-la em casa mesmo. Marcara as 15h e já eram quase 15h30 e ele ainda não havia aparecido. Até que a campanhia tocou e seu coração pulou junto. Seu coração disparou e se viu desejando que ele tivesse demorado mais. Resignada levantou-se e foi abrir a porta.
- Não precisa olhar com essa cara. – Ele estava de mal humor e nem pediu licença para entrar. A raiva venceu o desconforto.
- Ei, tenha mais educação! E que cara? Eu nem falei nada. – O viu varreu a sala com os olhos. Elizabeth deveria ter saído correndo quando ela se levantou para abrir a porta.
- Conheço bem a sua má vontade, Granger.
- E eu conheço bem a sua falta de educação. Qual o seu problema? Desmarca o nosso combinado, chega atrasado e ainda pondo banca? – Ela colocou a mão na cintura nervosa o vendo passar as mãos nos cabelos.
- Nosso combinado? Seu combinado. Você impôs que eu a encontrasse em uma loja qualquer. Eu não poderia ir. Não é nenhum fim do mundo você me esperar no conforto da sua casa, é? – Draco cruzou os braços a encarando. Ela rolou os olhos com tédio.
- Que seja!
- É! Que seja. Onde está minha filha? – Ele começou a bater o pé impaciente e aquilo a deixou mais irritada.
- Eu não sou sua empregada Malfoy, olha como fala comigo. Você demorou demais, Elizabeth ficou agitada. A deixei aqui para abrir a porta, mas nesse momento ela foi para algum lugar. – Hermione começou a olhar para os lados como se a procurasse, mas não via rastros da filha.
- Como assim? Você perdeu minha filha? – Ele parecia desorientado. Ela voltou a olhar para ele.
- Não seja estúpido. – Hermione começou a andar pela sala chamando pela filha, mas ela não aparecia.
- Ótima mãe Granger, não consegue encontrar a própria filha!
- Por que você não ajuda a procurar? Elizabeth gosta de se esconder, deve estar fazendo isso. – Foi quando Draco fiu um pedaço de cetim, do que parecia ser um laço, de baixo do sofá. Ele deduziu que aquilo poderia ser algo da filha e apontou para que Hermione visse. Ela sorriu, de certo modo aliviada, e acenou com a cabeça que era a menina. Draco sorriu de volta.
- Que droga! Então terei que passear sozinho. Comprar um milhão de presentes e fazer coisas legais na neve com outra menininha. – A medida que ele ia falando, foi dando a volta pelo sofá para que pudesse ficar de frente ao rosto de Elizabeth, enquanto uma Hermione derretida observava tudo e entrava na brincadeira.
- É. Elizabeth se esconde demais e vai acabar perdendo o algodão doce que você ia comprar para ela. – Draco não entendeu muito que seria algodão doce, mas não deu importância. Se ajoelhou.
- Acho que encontrei uma substituta, Hermione. – Ela se agachou ao lado dele.
- Hum... deixe-me ver Draco. – Então ele puxou a garotinha pelos braços, que a essa altura estava risonha. Hermione começou a fazer cócegas nela, enquanto o loiro dava pequenos beijos no rostinho.
- Feliz aniversário pequena! – Ele disse olhando naqueles olhos tão parecidos com os seus, ao menos quando estava feliz, o que ele desconfiava de ser um momento como aquele. A pegou direito nos braços e se levantou do chão, Hermione fez a mesma coisa.
- Aonde você vai com ela? – A menina, como era de costume, estava brincando com a serpente da gravata do pai.
- Hogsmead. – Draco viu o susto de Hermione, ele já esperava por isso.
- Mas..
- Nada de mas. Ela é uma bruxa, precisa ter um contato com o mundo mágico. Conhecer essas coisas. E devo leva-la até minha casa também. – Aquilo a castanha não gostou nem um pouco.
- Nem você vai mais a sua casa, o que fazer com uma criança lá? – Ela disse amarga, era sempre assim ao se lembrar da Mansão Malfoy.
- Vou arrumar tudo aquilo Granger. E você não conheceu todos os cômodos da Mansão. Há lugares bonitos. Lugares onde eu fui feliz por um tempo e quero que a minha filha faça parte disso. – Mas ele percebeu Hermione ficar pálida apenas ao mencionar a palavra Mansão. Não gostava de evocar essas coisas, mas ela parecia fazer questão. A viu se afastar e sentar em uma poltrona mais perto da lareira.
- Mamã? – Elizabeth disse com a voz chorosa, jogando os braços na direção da mãe.
- Granger? – Mas ela tinha abaixado a cabeça e não o respondeu. Ele resolveu se aproximar com cautela.
- Não quero que Elizabeth me veja assim. Ela é muito sensível, por favor. – A voz dela era um fiapo e Draco percebeu que ela tremia.
- O que está acontecendo? – Ele realmente estava preocupado.
- Eu... não... – Ela não conseguia controlar e Eliz a observava. Draco percebeu isso e resolveu desviar a atenção da filha.
- Ei, pequena? Sua vovó ta aqui? – A menina com muito custo olhou para ele.
- Gó? Gogó? Cima! – E apontou o dedinho para as escadas. – Draco entendeu que “Gó” deveria ser a forma que ela conseguia chamar a vó e entendeu também que ela estava na parte superior da casa. Com a menina nos braços, e com embaraço ele subiu procurando por alguém.