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13. Uma mão lava a outra


Fic: Da água para o vinho


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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_Agora você pode me explicar, Potter! Que palhaçada é essa? – Draco perguntou enquanto o grupo se deslocava para um lugar mais sossegado, longe de mme Pomfrey e de alguém que pudesse escutá-los.
_Basicamente nós trocamos de corpo, Malfoy...
_Isso eu já percebi, idiota! Quero saber por que?
_Isso nem eu mesmo sei direito! O fato é que temos que dar um jeito de desfazer tudo isso!
_Draco! – Pansy vinha correndo em direção ao grupo. – Você já saiu! Por que não me avisou! – ela foi direto para Harry. – E por que está com essas... pessoas? – ela falou entortando o nariz para eles.
_Ehr... – Harry tentava se soltar da mão dela. – Eu não sou quem você pensa que eu sou...
_Quê? – ela o olhou, incrédula. – De novo? Potter que tipo de feitiço é esse...
_Eu não sou o Potter! – Draco falou. – Eu sou o Draco, Pansy! Não ele!
_O que? – ela olhou assustada de um para outro. Depois olhou os demais achando que eles pudessem estar rindo da piada que ela não entendeu. – Que palhaçada é essa, Potter?
_Eu não sou o Potter!
_Eu posso explicar! – Harry se prontificou. – Pelo menos até certo ponto.
Os seis sentaram em torno de uma das mesas da biblioteca, que era o único lugar vazio no momento, e Harry explicou toda situação. Como, pela primeira vez, Pansy via Harry e Draco concordarem em alguma coisa, ela teve que acreditar no que ele dizia.
_E agora? Vocês vão ficar trocados o resto da vida?
_Não! – Gina se prontificou. - Temos que desfazer essa troca o quanto antes!
_Concordo! – Pansy falou.
_Eu mais ainda! – Draco acrescentou. – Não quero ficar o resto da vida parecendo um pintor de roda pé e com essa rachadura na cabeça!
_Não se preocupe, Malfoy! Também não quero ficar nesse corpo desbotado!
_Desbotado, mas...
_Chega! - Hermione gritou. – Se concentrem em pensar em um jeito de desfazer o feitiço! Deixem para discutir quando estiver tudo normal de novo!
_E até lá como vai ser? – Gina perguntou.
_Como estava sendo até agora! – ela respondeu. – Harry continua fingindo que é o Malfoy e vice-versa.
_O quê? Quer dizer que eu vou ter que dormir na Grifinória, usar as roupas do Potter, ser tratado como uma peça de porcelana...
_Ninguém me trata como uma peça de porcelana!
_HA!
_Parem! – Hermione gritou de novo. – Vai ter que fazer isso! Inclusive fingir que namora a Gina!
_Para quem já agüentou Voldemort isso vai ser fácil! – Gina se conformou.
_Impressão minha ou essa parte não te incomoda, Draco? – Pansy cruzou os braços e falou muito nervosa.
_O quê? – ele se assustou. – Claro que incomoda! – ele falou com pouca convicção.
_Espera aí! – ela falou esquecendo por um instante da questão. – Faz quanto tempo que você está no corpo do Draco?
_Algumas semanas... – Harry respondeu.
_Então quer dizer... – ela começou a pensar. – Que aquele dia no vestiário, depois da nossa vitória sobre a Grifinória... Já era você Potter?! – ela o olhou, abismada. – Você! Você se aproveitou de mim!
_Como é?! – Draco interveio. – O que foi que aconteceu nesse vestiário?
_Você deve conhecer a namorada que tem, Malfoy! – Gina respondeu, também descontente com a lembrança.
_Potter! – ele o segurou pela gola do uniforme. – Você...
_Calma aí, Malfoy! Não aconteceu muita coisa... – ele tentou se soltar.
_Seu cretino!
_A culpa foi dela! Ela não me deixou nem respirar! Invadiu o vestiário! – ele se defendeu.
_Pansy? – ele perguntou desconfiado.
_Eu achei que era você... – ela respondeu simplesmente. – Ele também não fez muito esforço para me convencer a parar... – fez cara de inocente.
Gina fuzilou Harry com o olhar, enquanto Draco voltava a apertar o colarinho dele.
_Solte-o Draco! Não vai querer ficar com um olho roxo quando destrocarem, não é? – ela falou venenosa. – E depois, agora você vai poder dar o troco!
_O quê? – Gina se prontificou. – Está pensando que eu sou como você, é? Que se agarra com qualquer um?
_Escute aqui, sua...
_Ah! Calem a boca! Harry! – ela se virou para Draco, depois corrigiu e falou com Harry de verdade. – Harry, cadê a horcruxe? Está com você?
_Ele não entregou a horcruxe para o Voldemort? – Gina perguntou. – Nesse caso deveria estar com o Malfoy!
_Não Gina... Harry e eu fizemos uma cópia da horcruxe mais cedo naquele dia. A horcruxe que o Harry entregou para ele era falsa! – ela disse orgulhosa de si mesma. – Por isso o Harry não morreu quando ele o atacou. Na verdade o feitiço atingiu a horcruxe e ele trocou de lugar com a alma do Malfoy!
_Quer dizer então que ele está novamente preso na horcruxe?
_É o que esperamos! – Harry respondeu.
_E agora? O que temos que fazer então? – Pansy perguntou.
_Descobrir uma forma de destruir a horcruxe, sem libertá-lo, e ainda por cima desfazer a troca deles dois! – Gina respondeu.
_E para isso vamos precisar da ajuda de todos! – Hermione falou olhando para cada um deles. – Ué? Cadê o Rony?
_Para onde ele foi? – Gina perguntou. – Eu nem vi a hora que ele saiu!
_Eu acho que já até sei qual é o problema... – Harry falou desanimado.
_É... – Hermione concordou. – Eu vou conversar com ele! – ela se levantou decidida.
_Acho que seria melhor eu...
_Não, Harry! Rony e eu realmente precisamos conversar! Desfazer os maus-entendidos que Voldemort criou! Enquanto isso vão pesquisando alguma coisa, sei lá! – ela saiu com passos firmes. Estava determinada.
_Não quero nem ver o que vai dar isso... – Gina comentou. – Harry cadê a horcruxe?
_Está aqui! – ele a tirou do bolso da calça. – Eu havia posto um feitiço nela para não perdê-la de novo... Olhe! – ele esticou o braço em direção a Gina.
_Os olhos...
_Pretos!
_Então é ele mesmo!
_E o que fazemos? – Draco perguntou. – Por que não a destruímos de uma vez? Com um feitiço qualquer?
_Você se lembra o que aconteceu desde que você duelou com ele da última vez? – Harry perguntou impaciente.
Draco pensou por alguns instantes. – Na verdade não! Tudo que eu me lembro foi de ter acordado meio cego na ala hospitalar. – provocou.
_E você se lembra qual foi a última coisa que fez naquele duelo?
_Eu não sabia para que servia a correntinha com a qual ele me ameaçou, portanto tentei destruí-la!
_E aí libertou minha alma e prendeu a sua! Percebeu agora, Malfoy, que não podemos simplesmente destruir essa horcruxe com um feitiço pronunciado?
_E então?
_Pesquisa! – Pansy falou. – Detesto ter que concordar com a sangue-ruim, mas é o que temos que fazer! – ela se levantou decidida e começou a andar entre as estantes a procura de qualquer coisa. Gina a imitou.
Draco e Harry ainda fizeram cara feia um para o outro, mas enfim resolveram começar a agir também.


_Sabia que você estaria aqui! – Hermione falou ao entrar no dormitório masculino.
_É claro que sabia! – ele respondeu mal humorado. – Você sempre sabe de tudo, não é? Eu é que nunca sei de nada! – ele se sentou na cama. – E você insiste em não bater na porta, não é?
_Não adianta tentar me chatear, Rony! Eu ainda estou bastante magoada com as coisas que você me falou nos últimos dias!
_E a minha bochecha ainda dói por causa daquele tapa!
_Você mereceu! – ela ficou parada em frente à cama dele, de braços cruzados.
_Mereci? – ele se indignou. – Você tinha acabado de sair da Sala Precisa com aquele Juan!
_Eu estava na sala precisa com o Harry! – ela se defendeu.
_Pior ainda! Então você estava mesmo...
_Ah! Será que você não ouviu nada do que foi dito até agora?! Aquele não era o Harry de verdade! Harry está preso no corpo do Malfoy e Voldemort estava no corpo do Harry! Ele queria nos fazer brigar, você não percebe? Eu nunca tive nada com o Harry! Ele é como um irmão para mim! E você devia saber disso!
_Devia por que, Hermione? Se vocês sempre me deixam de fora de tudo? – ele estava vermelho de raiva.
_Rony! – ela se sentou ao pé dele. – Nós não te contamos porque seria perigoso! Precisávamos de alguém que ainda tratasse o Voldemort achando que ele era o Harry! O que você faria se soubesse que durante meses dividiu o quarto com Lorde Voldemort? Você ainda tem medo de dizer o nome dele!
_É claro! Eu sou um bosta mesmo, não é?! Você concorda quando ele diz que eu tive sorte! Que não sou grande coisa como bruxo! Sempre à sombra de você e do Harry! – ele se levantou tencionando deixá-la falando sozinha.
_Não seja estúpido, Rony! Você é um ótimo bruxo, só é um pouco inseguro! Mas você foi fundamental para ajudar o Harry a encontrar e destruir as horcruxes! Pare de se menosprezar!
_Você realmente acha isso, Hermione? – ele parou, a mão já na maçaneta da porta.
_Claro que acho... – ela respondeu sentindo o rosto esquentar.
_Ainda assim eu não sou bom o suficiente para você, não é? – ele baixou a cabeça e deixou o quarto.
Hermione ficou observando-o sair, sem saber se tinha entendido certo as palavras dele.


Os dias que se passaram foram de intensa pesquisa. O grupo se reunia todos os dias na biblioteca, em todos os minutos de folga que tinham, mas, para não levantar suspeitas, Harry sentava-se com Pansy e Draco com Gina e Hermione. Rony continuava emburrado com eles.
_E então? – Harry viu Hermione se dirigir a uma estante para pegar outro livro e a seguiu.
_Nada... – ela respondeu desanimada. – O livro que ele usou para te atacar da primeira vez não tem mais nada, a não ser o fato de que não se pode prender a alma de uma pessoa num objeto já ocupado. Mas na pressa ele não leu até o final.
_Por isso todas essas trocas. – ele concluiu.
_Sinceramente? – ela o olhou. – Eu já revirei essa biblioteca centenas de vezes nesses oito anos, você sabe disso. Ano passado principalmente, quando precisávamos de informações sobre as horcruxes. Não há nada aqui, Harry...
_Hum... – Harry ficou pensativo, mas nessa hora viu Rony passar com um grupo da Grifinória. Disfarçadamente ele falou: - Até quando ele vai ficar bravo conosco?
_Não sei e nem quero saber! – Hermione respondeu brava. – Estou cansada de tentar explicar as coisas para ele! Se ele prefere acreditar em qualquer um, menos em mim, o problema é dele.
_Hermione? – Harry a puxou mais para o fundo do corredor em que estavam, suas bochechas ligeiramente vermelhas. – Aquela história que o Voldemort falou para ele... De você talvez...
_Mentira, Harry! – ele falou um pouco alto demais. – Você sabe disso! Eu adoro você, mas como um irmão! E depois tem a Gina! Não, não, não! Tudo mentira!
_Foi o que eu imaginei! – ele sorriu aliviado. – Mas por que ele não acredita?
_Acho que essa parte ele já acreditou. Imagino que ele esteja bravo agora só pelo fato de não termos contado para ele sobre a troca...
_Mas você não explicou para ele? – perguntou sem paciência.
_Expliquei, mas sabe como é o Rony... – os dois ficaram observando-o de longe. – Acho que você deveria ir falar com ele... De certo modo... Eu também ficaria brava...
Harry a olhou, desconfiado, ela ainda observava Rony, agora com uma expressão triste e não brava.
_Talvez você tenha razão. – ele afirmou. – Peça para o Malfoy ir falar com ele e pedir para ele me esperar perto do Salgueiro Lutador, ok?
_Eu acho que ele não vai... – Hermione falou.
_Quem? O Malfoy ou o Rony?
_Os dois! Mas tudo bem! Eu falo... – Hermione saiu das estantes com o semblante bem mais satisfeito.


_Oi... – ele chegou timidamente.
_Por que justo aqui? Essa árvore é louca! – Rony falou, áspero.
_Por isso mesmo! Se você for tão teimoso como na época do Tribruxo eu te empurro para cima do Salgueiro e fica tudo certo! – ele se sentou ao lado do amigo.
_Você desenvolveu o humor negro do Malfoy, é? – ele falou tentando parecer sério.
_Na verdade eu estou adotando certas manias dele... Efeito colateral da troca...
_Sério?
_Sério! Voldemort também tinha adotado algumas características minhas. Acho que foi por isso que ele nunca fez nada contra vocês três...
_Isso é muito sinistro, cara! Quer dizer que Você-Sabe-Quem ficou hospedado na minha casa? Quer dizer que eu dividi quarto com o cara que eu aprendi a evitar a vida toda?! – ele estava com os olhos arregalados, lembrando-se de todo o tempo que se passou. – Sabia que ele me fez dormir na cama de armar?! – ele se virou para Harry abismado. – E andava muito mal humorado, também...
_E namorou a Gina, no meu lugar...
_É verdade! Não tinha me lembrado disso!
_Pois é... Você entende agora? Segundo a Hermione e a Gina você era o único que ainda mantinha um contato mínimo com ele. A Gina já tinha terminado o namoro, e a Hermione evitava falar muito com ele. Ele já estava desconfiado, não foi fácil fingir que era o Malfoy... Se você mudasse o tratamento com ele também, aí ele teria certeza!
_Tudo bem... Desculpe por ter sido um idiota... De novo!
_Você não é idiota, Rony! – Harry falou. – Bom... Talvez um pouco... – ele riu.
_É! E também sou seu cunhado, portanto é bom não me enfezar, hein! – ele retrucou brincando.
_Beleza, então? – Harry estendeu uma das mãos para ele.
_Beleza, cara! – Rony apertou a mão do amigo. – Eu espero que não tenha ninguém olhando, porque seria difícil de explicar! – ele olhou ao redor.
_Nem me fale! E eu que tenho que aturar a namorada dele o dia inteiro! Ela é muito chata! Não sei como ele agüenta!
_Ele também é um pé no saco! – os dois se levantaram para voltar ao castelo. – Hum... Harry?
_Que? – Harry parou e voltou-se para o amigo.
_Sabe... Você-Sabe-Quem andou me falando umas coisas...
_Sei! A Hermione me contou...
_Contou? – ele começou a ficar vermelho. – Bom... E então?
_Talvez nós devêssemos tentar trocar de lugar um dia, sabe? Para você ver o que eu passo quando vocês dois estão juntos! – ele falou meio emburrado. – É de dar raiva! Vocês dois são as pessoas mais cabeças duras que eu já conheci! Nem que a coisa aparecesse escrita na testa de vocês, vocês perceberiam! Ou, no mínimo, admitiriam!
_Do que é que você está falando? – Rony ficou mais confuso ainda.
_Você sabe do que eu estou falando! Se realmente não tivesse percebido nada não iria se aconselhar com Voldemort! Não há nada que se possa fazer a respeito! Só depende de vocês agora...
_Mas e o tal de Juan? – ele perguntou meio desesperado.
Harry ficou pensativo um instante: - Hum... Eu diria que ele é equivalente à Lilá Brown! – ele voltou a caminhar para longe do Salgueiro. – Vamos nos encontrar na Sala Precisa depois das aulas hoje! – e continuou seu caminho.

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