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7. A última chance


Fic: Ação e reação


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Quando a luz voltou aos meus olhos eu percebi que estava no banheiro da Ordem da Fênix. A torneira estava aberta e meu rosto estava molhado. Enxagüei o rosto novamente, fechei a torneira e me sequei. Em seguida saí dali, calmamente, tentando imaginar o que viria a seguir.
Caminhei por um corredor vazio da Ordem. Podia ouvir algumas vozes atrás das portas fechadas, mas no geral estava tudo muito vazio. Quando cheguei ao saguão de entrada vi Rony de costas, estava bebendo água. Tive certo receio de falar com ele, medo de que não tivesse dado certo, medo de que tivesse que conviver com o ódio dele para o resto da minha vida. Por fim tomei coragem, eu precisava descobrir o que tinha acontecido dessa vez.
_Rony? – chamei cauteloso.
Ele se virou para mim. Parecia bem, mas imediatamente fechou a cara.
_ “Não deu certo...” – pensei.
_Então foi aqui que você se escondeu?! – ouvi passos apressados atrás de mim.
_Você já viu alguém se esconder num saguão de entrada, Hermione? O local mais movimentado e com menos opções de esconderijo da casa?
Hermione passou por mim como se eu nem estivesse lá. Foi para ela que ele olhou quando eu chamei. Foi para ela que ele fez cara feia.
_Quantas vezes eu já te falei que odeio que você me deixe falando sozinha, Ronald? – ela cruzou os braços por cima da barriga enorme.
_Eu não sabia que aquilo era um diálogo, Hermione! Parecia mais um monólogo! Só você fala, só suas opiniões valem...
Eu nem ouvi o resto. Só conseguia pensar que as coisas haviam voltado ao normal com Rony e Hermione discutindo fervorosamente, seja lá por qual motivo for. Ri involuntariamente.
_Isso! Ria mesmo, Harry! – ele falou para mim de repente. – Você vai ver só quando você casar!
_Harry? Eu nem vi que você estava aí... – ela falou um pouco mais calma.
_É... – falei apenas. – Estava... E por que vocês estão discutindo dessa vez? – perguntei já começando a me arrepender.
_Por quê?! – Rony rosnou. – Pelo mesmo motivo de sempre! Hermione não quer colocar o meu nome no bebê! É um absurdo, você não acha? – ele vinha para cima de mim, nervoso.
Eu recuei alguns passos, meio inseguro, mas tive o cuidado de não responder nada.
_Rony! Quantas vezes eu vou ter que dizer que Derek Ronald não combina?
_Mas quem disse que tem que combinar?! – ele abriu os braços enlouquecido. – Harry diz para ela! – ele me pediu. – William Arthur, Ginevra Molly, Harry James! Não tem que combinar!
_Ai... – Hermione bufou. – Harry! Já que você é o padrinho diz o que você acha! – ela parou de frente para mim com aquele olhar autoritário. Para minha sorte eu não tive que dizer nada, pois alguém nos interrompeu.
_Harry, Rony! Que bom que eu os encontrei! – Fred, ou Jorge, sei lá, veio ao nosso encontro. – Pegaram dois comensais! Eles estão na sala de interrogatórios! É melhor vocês irem para lá.
Então eu me lembrei. Aquela cena já tinha acontecido. Exatamente daquele jeito, a não ser pelo fato de que da outra vez eu estava realmente tentando acalmar o Rony. Logo eu percebi que aquele seria o dia, o dia em que eu mandaria Gina para a morte. Eu tinha que mudar aquilo.
_Onde está a Gina? – perguntei.
_A Gina?! – o gêmeo exclamou. – Você ouviu o que eu disse? Tem dois comensais na Ordem! A Gina deve estar por aí com a Luna! As duas não se largam ultimamente. Vamos logo!
Resolvi não contrariá-lo. De qualquer maneira eu iria encontrar a Gina mais tarde. Tudo que eu tinha que fazer era falar com ela, não permitir que ela saísse aquele dia.
Segui Rony e o irmão até a sala dos interrogatórios. A cena era a mesma: os dois comensais, tranqüilos demais para o meu gosto, sentados de frente para a porta, as mãos e os pés enfeitiçados para que não se movessem. Apenas eu e Rony permanecemos lá dentro, mas como da outra vez, eu não fui muito útil. Dessa vez porque não parava de pensar que precisava encontrar com a Gina. Inventar uma boa desculpa para que ela não fosse àquela diligência mais tarde.
Não demorou mais que 20 minutos, embora para mim parecesse uma eternidade, até que Rony me mandou sair, dizendo que eu não parecia nada bem. Dei vivas quando ouvi as palavras dele. Saí imediatamente, refiz os mesmos passos que da outra vez e então ouvi a voz dela:
_E agora? – ela dizia. – O que eu vou fazer agora Luna? Isso não podia ter acontecido!
_Calma Gina! Para tudo dá-se um jeito! – Luna respondeu calmamente.
_Mas Luna! Quando ele...
_Harry! – alguém me chamou e eu não pude ouvir o final da frase. – Que bom que eu te achei! – olhei para trás e vi que era Neville quem me chamara.
_O que houve? – perguntei preocupado com o semblante dele.
_Rony conseguiu! O cara falou tudo!
_Ótimo... – fiquei pensando no que dizer então. – Mande alguns aurores para averiguar a informação deles, mas mande um outro grupo para a primeira missão. Quero todos muito atentos! Isso é uma emboscada! – falei sem pensar.
_Emboscada? – ele me perguntou duvidoso. – Como você sabe?
_Eu... Eu não sei, mas acho que é... – falei apenas. – Agora ande logo! E mande todos ficarem preparados.
_Você não vem?
_Não dessa vez...
Neville se afastou correndo. Tinha se tornado um homem com muito mais talentos que o esperado quando nos conhecemos. Ainda não tinha muito jeito com feitiços, mas era ótimo na preparação de poções, por incrível que pareça. Isso graças a uma boa ajuda de Luna, o que resultou num relacionamento, e de Hermione, o que resultou em algumas discussões com Rony.
Desviei minha atenção dele e caminhei até a sala onde Gina estava. As duas estavam de costas para a porta e Gina lia alguma coisa.
_Gina? – chamei.
Ela se virou um pouco assustada, mas logo sorriu: - Oi Harry... – ela falou meio apreensiva.
_Eu vou procurar o Neville. – Luna falou. Gina estendeu o papel que estava lendo para ela, que pegou meio insegura, e saiu.
_Harry eu preciso te contar uma coisa... – ela veio em minha direção com o semblante carregado.
_Eu te amo, Gina... – falei logo de cara.
Ela me olhou meio confusa, mas depois sorriu: - Eu também te amo... – ela segurou o meu rosto com suas mãos delicadas e me beijou.
E como foi bom sentir o beijo dela, senti-la de novo em meus braços, exatamente como era antes, e exatamente como deveria ser para sempre.
Foi ela quem interrompeu o beijo. O sorriso logo deu lugar ao olhar sério: - Tem mesmo algo que eu preciso te contar, Harry...
_Depois você me conta... – eu falei.
_Mas...
_Não importa, Gina. Nada importa... Só você e eu...
_Mas é justamente...
Eu a beijei de novo, não dando tempo para que ela continuasse. – Vamos para o meu quarto? – perguntei. Sabia que aquela não era a hora, mas que se danasse o momento. Eu só queria estar com ela.
_Mas Harry, daqui a pouco eu tenho que sair e...
_Não... Você não vai...
_Mas eu fui escalada...
_Eu estou te escalando para outra missão! – sorri. – Matar a saudade! – eu a puxei pela mão.
Ela me seguiu meio contrariada, mas sorrindo assim mesmo. Nos trancamos no quarto e passamos o resto da tarde lá, nos amando. Para mim foi como se fosse a primeira vez, ou então como se não acontecesse há muitos anos. Foi perfeito, mas ela ainda parecia preocupada.
_Qual o problema, amor? – perguntei.
_Hum? – ela me olhou distraída. – Problema nenhum... – e sorriu para disfarçar, mas não era o sorriso que eu conhecia.
_Eu ouvi você e a Luna...
_Você anda me espionando, Harry? – ela se sentou assustada, puxando o lençol para se cobrir. – Eu não acredito que você...
_Eu não estava espionando! – sentei-me também e me pus a explicar. – Eu estava passando e ouvi você comentar preocupada, mas eu não ouvi tudo porque o Neville me chamou! – falei rápido, meio desesperado. – Qual é o problema, Gi? Conte-me o que está te deixando tão preocupada. – eu só queria ajudar. As lembranças das outras vidas, do desprezo que eu sofri, ainda me atormentavam. Tinha medo de fazer alguma coisa que me levasse realmente a ser desprezado por ela.
_Não é nada, Harry! – ela se levantou de uma vez e começou a se vestir.
_Gina! – me levantei também. – Por favor! Eu não ouvi de propósito! Aliás, eu não ouvi nada! Me diz o que é. Eu posso te ajudar! Confie em mim! – pedi quase me descabelando.
_Qual o problema, Harry? – ela se virou para mim, dessa vez parecendo preocupada, ou intrigada.
_O quê? – me assustei.
_Você está estranho. Puxou-me para cá como se não nos víssemos há meses! Está me tratando como se eu pudesse fugir a qualquer minuto, ou então como agiria um homem que aprontou alguma e está tentando se redimir! – ela cruzou os braços e me olhou séria.
_Você acha mesmo que eu teria tempo de aprontar por aí?! – eu me indignei. – Eu só estou preocupado com você, estava com saudades! – me aproximei dela. – Eu não agüentaria te perder! Seja qual fosse o motivo, meu amor... – eu segurei as mãos dela. – Só quero ficar mais tempo perto de você... Eu senti sua falta...
_Mas eu não fui a lugar nenhum! – ela afirmou, ainda desconfiada.
_Harry! Harry, você está aí?! – Rony bateu na porta desesperadamente.
_Estou! O que houve?! – perguntei mal-humorado. Peguei minhas roupas e comecei a me vestir.
_O destacamento que você mandou! Eles capturaram alguns comensais! Você não vai acreditar em quem veio com eles! – ele parecia triunfante.
_Quem?! – abri a porta bruscamente. – Merlin?! – falei grosseiro.
Ele viu Gina parada ao lado da cama, vi suas orelhas ficarem vermelhas e ele fez um esforço sobre humano para não dizer nada a respeito. Olhou de volta para mim, já não tão entusiasmado.
_Malfoy.
_Malfoy?! – Gina perguntou assustada. – Malfoy está aqui?
Olhei para ela e meu coração pulou desconfortável. Por que ela havia ficado tão surpresa?
_Onde ele está? – perguntei tentando não dar ouvidos a minha imaginação fértil. As coisas tinham voltado ao normal, por isso eu não tinha com que me preocupar.
_Nas masmorras! – ele me respondeu mais animado. – Vamos até lá! Malfoy é um fraco! Não vai ser difícil arrancar nada dele!
Descemos até as masmorras, Gina nos seguiu silenciosa, silenciosa demais para o meu gosto. Virei-me um segundo para vê-la e ela olhava para o chão. Não sei se preocupada ou chateada.
Chegamos à ala dos prisioneiros e o vimos, sentado no chão. As pernas dobradas a frente do corpo, os braços apoiados molemente nos joelhos e a cabeça baixa. Quando ouviu nossos passos levantou a cabeça arrogante.
_Potter... Você está dando mais trabalho do que o Lorde esper... Gina! – ele se levantou num salto e grudou as mãos nas grades. – Gina! Ajude-me!
Rony, eu e os outros aurores a olhamos, admirados. Gina apenas o observava, penalizada.
_Gina! Por favor!
_O que você acha que eu poderia fazer por você agora, Draco? – ela disse amargurada. – Eu te falei... Foi uma escolha sem volta...
_Que palhaçada é essa, Draco?! – Pansy, que estava em pé num canto da sela, veio até a frente, o rosto lívido de raiva. – Não me diga que o tempo todo era ela?! Essa traidora do sangue!
_Cala a boca, Pansy! – ele gritou sem olhá-la. – Gina! Por favor... Eu não quero ir para Azkaban! Mas também não posso voltar para o Lorde! Ajude-me! Interceda por mim! Pelos velhos tempos!
_Velhos tempos?! – Pansy gritou descontrolada.
Gina fechou os olhos e colocou a mão na testa, em sinal de preocupação. Eu olhava de um para outro sem acreditar no que estava ouvindo. Rony olhava para o Malfoy como se pudesse estuporá-lo sem varinha. Não se dirigiu a Gina um só momento.
_Me diga o que você faria, Draco, se tivesse a oportunidade de levar o Harry até seu mestre? – ela se aproximou alguns passos, mas não o suficiente para que ele pudesse tocá-la caso esticasse o braço pela grade.
_Eu não levaria... – ele respondeu.
Naquela hora eu até me esqueci o que estava me incomodando tanto. Gina o olhou, boquiaberta, assim como Rony e Pansy, que pareciam estar vendo um Bufador de Chifre Enrugado.
_Eu o mataria pessoalmente... – ele me olhou com um ódio que eu jamais vira. – Só para te livrar dele! – ele sacudiu as grades. Estava descontrolado. – Gina...
_Então eu não posso fazer nada por você, Draco... Desculpe-me, mas você fez sua escolha... – ela falou tristemente e então caminhou para fora dali, sem olhar para ninguém naquela sala.
Eu olhei para Rony, e ele estava me encarando. Os dois nos olhávamos sem entender absolutamente nada do que acontecia ali.
Saí em disparada para falar com ela. Rony veio atrás de mim. Meu intuito era conversar com ela sozinho, mas eu não poderia impedir que seu irmão mais velho ouvisse a explicação daquela história absurda. Chamar e ser tratado por Malfoy pelo primeiro nome? Meu sangue fervia. Eu estava a ponto de explodir alguma coisa, ou no mínimo transformar em um balão.
Ela não tinha andado muito. A vi logo no primeiro corredor em que dobrei. Ela estava com uma das mãos apoiada na parede, respirando profundamente, estava chorando! Silenciosamente, mas chorando! Pior: Hermione a estava consolando! Mal pude acreditar. Será que ela sabia? Desde quando? Por que nunca me contou? Não consegui me controlar.
_Que história foi aquela, Gina?! – perguntei aos berros. Hoje vejo que fui exagerado, mas quem não seria.
_Eu sei o que pareceu... – ela se virou para mim. Não estava chorando, o que me fez perder um pouco da pose.
_Então o que foi?! – Rony perguntou logo atrás, num tom nada cordial.
_Desde quando você e o Malfoy se tratam pelo primeiro nome? – perguntei sedento por uma explicação.
_Malfoy está aqui? – Hermione perguntou.
Nenhum de nós respondeu. Gina parecia que ia desmaiar, fiquei com mais raiva ainda.
_Eu sei o que pareceu, mas não foi culpa minha... – ela começou. – Eu nunca incentivei esse sentimento, nunca imaginei que ele pudesse surgir, mas aconteceu.
_Aconteceu o que?! – perguntei já desesperado. Achando que tudo que eu tinha feito havia sido em vão.
_Foi no quarto ano... Meu quarto ano! – ela explicou logo. – Você tinha começado a sair com a Chang, se lembra? – ela se afastou da parede e conjurou uma cadeira para si mesma. – Eu nunca achei que ele um dia pudesse querer se aproximar de mim, a não ser para me insultar, mas ele se aproximou... E se declarou... – todos prendemos a respiração. – Claro que não foi de uma hora para outra, mas ele se declarou para mim... Eu estava enciumada, por causa da Chang. Eu tinha entrado para a Armada, é claro que eu sempre fui a favor da causa, mas eu queria que você me enxergasse, mas você só tinha olhos para ela.
_Mas ele era da junta inquiridora! – Rony exclamou.
_E eu tentei fazê-lo desistir de nos perseguir. Tentei até que ele se juntasse a nós, mas ele não quis. Já te odiava tanto, e passou a odiar mais ainda quando se deu conta de que realmente ele não teria nenhuma chance. – ela respirou fundo. – Aí aconteceram todas aquelas coisas, o ataque ao meu pai, a descoberta da AD, e ele se afastou de mim. No ano seguinte ele ficou estranho. Sempre arisco. Sempre que me via me olhava como se pedisse ajuda, mas nunca me dizia nada. Eu não fazia perguntas, mas o aconselhava. Quando ele ficou sabendo daquele beijo no salão comunal, e depois que nós começamos a namorar, ele ficou simplesmente insuportável. Voltou a ser tão insuportável comigo como era antes. Então houve a invasão, ele sumiu e eu cheguei a achar que ele tinha desistido de se tornar comensal.
_Você só pode estar brincando! – Rony falou. – Era o sonho da vida dele! Se tornar comensal, ver a morte de Harry... Eu só não sabia que era por sua causa!
Hermione estava boquiaberta, sem palavras.
_Por que você nunca nos contou isso?! – eu perguntei me sentindo péssimo.
_Por que não ia fazer diferença para você na época! – eu ia protestar, mas não tive tempo. – Você ia apenas ficar preocupado com a irmãzinha do seu melhor amigo! – ela disse ressentida. – E eu não queria mais isso... – falou mais calma.
_Gina... – eu tive medo da resposta. – Você... Você ficou com ele?
Ela hesitou antes de responder. Meu coração parecia ter entalado na minha garganta. Senti um peso enorme no estômago.
_Só... Só uma vez... – ela respondeu sem olhar para mim.
Eu fiquei estático, olhava para ela sem acreditar no que tinha ouvido. Uma decepção sem igual tomou conta de mim. Sem forças para xingar, protestar ou reagir de qualquer maneira, dei meia volta e me afastei dali. Ainda ouvi Rony berrando e Hermione tentando apaziguar a situação.
Quando a noite chegou, eu já estava na minha cama, ainda com a roupa com que havia ficado o dia inteiro. As palavras de Malfoy, da Gina e tudo que eu vivenciei graças a fonte não saíam da minha cabeça.
“...e matou todos os integrantes da família, menos a filha mais nova deles, Ginevra Molly Weasley, 14.”
_ “Por isso ele sempre esteve por perto...” – eu raciocinava. – “Ele a amava, desde os 15 anos, em todas as vidas...” – aquilo me embrulhava o estômago.
“_Draco me responde! Não me deixa!”
_ “Mas será que ela o amava?” – eu não conseguia acreditar. – “Nas outras vidas ela o amava... Será que só ficou comigo porque ele optou por se tornar comensal? Será que só ficou comigo porque achou que isso era o que todos esperavam?” – essas perguntas me atormentavam.
“_Me larga, Potter!”
“_Idiota!”
“_Está! De mim, Potter! O que você acha?”
A cena se repetia em minha mente cada vez que eu fechava os olhos e tentava dormir.
Então uma sirene soou. Levei um susto, mas levantei-me sem reclamar. Qualquer coisa que pudesse me distrair, me afastar daquelas lembranças, seria bem vinda. Mesmo que fosse o próprio Voldemort. Tinha certeza que acabaria com ele em poucos segundos, tamanha minha raiva. Corri para fora do quarto e vi vários aurores correndo para todos os lados.
_O que houve aqui?! – perguntei para um que corria. – Que foi que aconteceu?
_Sr Potter, desculpe, mas um comensal escapou! Ninguém soube explicar como! Mas ele só pode estar por aqui! Ele não conseguiria passar pela nossa segurança. Ainda está aqui dentro!
A primeira pessoa que me veio a cabeça foi o Malfoy. Do jeito que ele estava transtornado mais cedo, com certeza conseguiria escapar, por magia involuntária. Esse tipo de coisa é difícil de evitar. Não há como bolar defesas contra algo que nem o próprio bruxo consegue controlar. Corri para o quarto de Gina, mas encontrei Hermione no caminho.
_Hermione! O que você está fazendo aqui?! Volte para o seu quarto! Ficou louca?! – eu gritei desesperado. Tudo que me faltava seria perder Hermione e o filho que ela esperava.
_Harry! – ela me segurou pelos ombros. – Me escuta! Malfoy está morto! Foi a Parkinson quem escapou!
_Parkinson? Mas como? – ela balançou os ombros sem saber como explicar, mas eu sabia a resposta. Magia acidental, só podia! Ficou tão louca ao saber que o Malfoy era apaixonado pela Gina que surtou. – Volte já para o seu quarto! Não saia de lá enquanto não forem te dizer que está tudo bem!
_Não Harry! Eu vou ajudar a procurá-la! – ela teimou.
_Não é um pedido, Hermione! – virei-me sem paciência. – É uma ordem! De um superior! – falei tão firmemente que achei que ela iria cair no choro, mas eu tinha que ser firme. Ela estava grávida!
Enquanto ela se recuperava do susto pelo meu grito, eu corri em direção ao quarto de Gina. Ela não estava lá! É claro que não estaria! Ela também era auror, ouviu o alarme e lógico que sairia para saber o que estava acontecendo, para ajudar.
Corri desabalado para todos os lados. Pensei em usar um feitiço localizante, mas ele não seria eficaz, não com toda aquela gente agitada. Passei por todos os corredores, abri cada porta, parei todos com quem eu cruzava. Nada. Comecei a gritar o nome dela. Pensei em olhar no jardim. Corri em direção a porta dos fundos, a porta da frente não era usada à noite, por questão de segurança. Então eu ouvi:
_Está feliz agora, Weasley? Ele está morto! Morto! – era ela. – Por sua causa! Ele se matou! Não agüentou a rejeição!
Entrei na cozinha e a cena era chocante. Parkinson havia prensado Gina em uma parede e apertava o pescoço dela com uma das mãos. A varinha de Gina estava caída bem ao lado delas, mas a raiva era tanta que ela nem percebeu, por sorte.
_Solte-a Parkinson! – mandei com a varinha apontada para ela.
_Potter! Era você mesmo quem estava faltando para a cena ficar completa! – ela me olhou com os olhos arregalados. Só podia estar louca.
_Solte-a! Eu não estou brincando!
_Não! – ela gritou. Para meu desespero apertou mais o pescoço de Gina. – Você vai vê-la morrer! Assim como eu vi o Draco morrer! Nada mais justo, você não acha? – ela me sorriu transtornada. – E vai ser agora! – ela apertou mais ainda.
_Estupefaça! – não havia outro feitiço que eu pudesse usar. Minha mão tremia por causa do nervosismo, podia acertar a Gina.
Por sorte a acertei em cheio. Ela caiu desacordada. Gina escorregou pela parede e caiu também no chão, semi-inconciente. Corri até ela com o coração a mil, imaginando se não tinha sido tarde demais, se o meu destino era ficar sem ela.
_Gina! Gina! Não desmaie! Fique de olhos abertos! – mas ela não conseguia. Os olhos estavam semicerrados, eu não conseguia ver sua íris, e ela não conseguia respirar direito.
_Har...ry... – ela falou fraca.
_Eu estou ouvindo... – respondi. – Continue falando! Não desmaie! – eu a peguei nos braços e a levei para a enfermaria.
_Har..ry...
_Sim... diga! – eu comecei a ofegar com o esforço de carregá-la e correr ao mesmo tempo. – Algum medi-bruxo! Ajude-me! Ela precisa de socorro!
_Gina, querida! Meu Deus, Harry! O que houve? – a sra Weasley me abordou no meio do caminho.
_Eu preciso de um medi-bruxo! Mande alguém para a enfermaria! E mande alguém para a cozinha! Parkinson está lá, estuporada! – expliquei tudo isso enquanto corria, a mulher correndo para me acompanhar.
_Oh meu Deus!
Chegamos, finalmente. A coloquei delicadamente sobre uma maca e comecei a falar com ela, para que ela não desmaiasse, mas já era tarde.
_Gina? Gina! – me apavorei. – Encostei o ouvido no peito dela, o coração estava muito fraco, ela já não respirava. – Gina! Não! Não!
Hermione e Luna entraram correndo. A essa altura eu já chorava em cima dela, imaginando que a última lembrança que havia deixado fosse o desprezo por saber que ela havia ficado com Malfoy.
_Harry! – Luna gritou. – Afaste-se! Afaste-se! – ela era um dos medi-bruxos da Ordem. Hermione também, mas estava muito abalada.
Mas eu não queria soltá-la.
_Harry, por favor! Assim você atrapalha! – ela tentava. – Neville, por favor! – eu a ouvia gritar, e então dois pares de mãos me arrastaram de perto dela. Eram Neville e Rony.
Luna tentava de tudo, usava todo tipo de feitiço, e até massagem cardíaca trouxa.
_Ai! – ouvimos. Rony virou-se para trás e viu Hermione curvada sobre a barriga.
_Ah, não Mione! – ele me soltou e correu para ela. – Ainda não está na hora! Luna!
_Eu sou uma só! – ela ainda tentava reanimar Gina.
_Não é nada! Não é nada! – Hermione dizia, mas estava sentindo dor.
_Ela voltou! Ela voltou! – Luna exclamou. Eu me deixei cair sobre meus joelhos. – Deixem-na descansar! – Luna gritou e correu até Hermione. – O que foi? Não são contrações, são? Ainda não está na hora!
_Eu acho que sim! – Hermione respondeu.
_Agora não! – ela conjurou um frasco com um líquido azul turquesa. – Tome isso! – separou uma colher pequena. – Vai fazer a dor passar! Esse bebê ainda não pode nascer!
Hermione engoliu a poção e fez um som como se tivesse se engasgado. A essa altura eu já estava ao pé da cama de Gina, portanto não via nada, apenas ouvia, e mesmo assim sem dar muita importância.
_O bebê... – Gina gemia. – O bebê...
_Está tudo bem, meu amor! Luna está cuidando da Mione! Está tudo bem com o nosso sobrinho! – eu dizia para acalmá-la.
_O bebê... Luna... O bebê...
_Luna! – eu chamei. A essa altura Hermione já estava bem mais calma e numa maca também. – Ela está agitada! – falei.
_Já estou indo! Já estou indo! – ela correu até nós. – Gina querida, está tudo bem. Descanse...
_O bebê, Luna...
_O bebê? Está tudo bem com o seu bebê, querida... Não se preocupe... Descanse...
Gina esboçou um sorriso e ficou bem mais calma, mas aí eu é que fiquei nervoso.
_Que... Que bebê?! Que bebê, Luna? Não era o bebê da Hermione?! – me levantei e a encarei pedindo uma explicação.
Senti alguém segurar a minha mão, era Gina. Ela levou minha mão até tocar sua barriga, então sorriu e fechou os olhos. A pressão em minha mão diminuiu e eu fiquei ali, boquiaberto, com a mão sobre o ventre dela.

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