CAPITULO 6
McGonagall escorregou na cama, até estar deitada, numa posição menos exposta. Trevor, ainda estava de joelhos observando-a atentamente.
Mas ela não quis olhá-lo. Não podia entregar-se. Seu coração estava em seus olhos. Em seu corpo. Em sua mente.
-Quem é você? – ele murmurou a mão alisando sua canela, num carinho que a fez fechar os olhos calma e serena como nunca na vida.
-Ninguém que mereça tanta atenção – ela sorriu um pouco ao vê-lo rir.
-Porque não posso saber quem é? – ele era esperto. Não se deixaria enganar tão fácil.
-Porque perderia o encanto – ela sentou-se e acariciou seu cabelo – Perderia o mistério...
-Porque eu? – ele disparou – Tantos homens que lhe dariam o mundo, porque justamente eu? – ele acariciou seu rosto do mesmo jeito que ela fazia com ele – Porque se entregar a mim, sua virtude, sua paixão?
-Porque não fazê-lo? – esperou respostas que não vieram.
-Eu não posso ir embora e deixa-la aqui – ele disse ficando sério – Não posso deixar que outro a toque como eu fiz essa noite.
-Não ficarei – ela sussurrou – Estive aqui por sua causa. – passou a mão por todo o rosto dele, parando em seu peito sobre o coração – Sempre que vier vou estar esperando. Mas não vivo ou viverei aqui. Jamais outro me tocará como fez essa noite.
-Eu...
McGonagall colocou os dedos sobre seus lábios, calando seus protestos. Deitou-se nos travesseiros com os braços erguidos num convite para usufruir de seu calor.
Não havia a paixão desenfreada de antes. Apenas o gostoso reencontro. Ele deitou-se a seu lado, mantendo-a em seus braços. Não demorou nada para que ele adormecesse.
Ficou pouco ao seu lado. Menos que desejava e mais do que devia, ponderou, escapando da cama, sem acordá-lo. Com pesar apanhou sua varinha de entre as roupas do chão e conjurou um feitiço do sono. Não podia correr o risco de ele acordar e pega-la no flagra.
Com olhos fixos em seu corpo adormecido ela se vestiu com as roupas de sempre. Prendeu os cabelos na boina com pesar, sem tentar penteá-los depois de tanta bagunça.
Com o coração apertado, abriu a porta do lavabo e conjurou um feitiço para a mulher flutuar até a cama. Vendo-os lado a lado, por um segundo muito louco ela pensou se teria sido mesmo ela quem esteve ali com ele, em seus braços. Mas o calor ardente entre suas pernas a lembrou vividamente de cada momento.
Com um último olhar em volta, deixou o quarto. No corredor, um suspiro profundo e passos lentos a conduziram até o salão.
Todos riam o vinho os inebriando. Num canto Luky e John tinham em seus braços outras cortesãs, provando sua virilidade a todos que desejassem contar quantas amantes tinham por noite. Mas não lhes deu atenção, muito menos as piadas sobre ter demorado com a pobre mulher que levou ao quarto.
Eles estavam acostumados a não vê-lo sorrir. Sisudo, eles diriam.
Ela lembrou a si mesma do porque Trevor não poderia saber quem ela era. De quanto havia em jogo. Sua mãe exausta de tanto trabalhar jamais a recriminaria, porém choraria os anos de sacrifício ao vê-la voltar de mãos abanando depois de tanta luta para estudar.
Sua irmã menor, Adreena, que merecia mais no futuro do que a própria Minerva tivera. Ela merecia entrar de cabeça erguida em todos os lugares em que desejasse.
Era por elas que faria isso. Esconder-se-ia do amor e da paixão. Era por isso que não revelaria a ele seus sentimentos.
Por isso esqueceria Trevor.
Estava sentada numa mesa com um copo de vinho ao lado, tentando ignorar seus amigos e suas piadas sujas, e mal notou a mesa ao lado onde um rapaz de cabelos acinzentado e olhos claros bebia com amigos, muitos livros empilhados precariamente ao seu lado, provando que havia mais estudantes que fugiam das aulas atrás de orgias.
Sorriu irônica e desgostosa e ergueu-se da mesa, deixando o salão ao ouvir o brinde ao lado:
-Brindemos a você! A promessa do futuro bruxo! Ao grande Alvo Dumbledore!
Os gritos seguintes de apoio a enojaram e tornaram sua decisão ainda mais ferrenha. Não havia lugar para pessoas fracas. Muito menos para sentimentalismo, onde o poder dominava.
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