Olá, eu voltei com a segunda parte. Aproveitem a leitura.
Draco conhecia Hermione como a palma de sua mão, por isso, quando ela chegou em casa naquela noite bastou-lhe um olhar para saber que ela tinha aprontado alguma coisa, geralmente algo muito, muito interessante acompanhava aquele olhar atrevido. Enquanto a observava trançar os cabelos de Alya tinha um sorriso bobo no rosto, era extremamente satisfatório ver sua esposa ouvindo pacientemente sua garotinha falar sem parar do que tinha aprendido o dia todo com seu avô. Alya e Scorpius tinham tutores, mas sempre gostavam mais das aulas com Lucius, já que seu pai tinha o hábito de contar histórias familiares cheias de emoção e acontecimentos interessantes, sempre com cuidado para não exaltar o comportamento racista da maior parte deles, Lucius tinha aprendido muitos anos atrás sua lição.
O loiro era um homem paciente, ele tinha aprendido a ser, afinal, levou-lhe anos para articular uma bancada dominante no Wizengamot, os primeiros foram aliciados com o bom e velho ouro Malfoy, alguns com chantagens que destruiriam suas famílias ou carreiras. Draco tinha se surpreendido com a quantidade de segredos que seu pai sabia sobre os membros do tribunal bruxo, não era à toa que ele tinha escapado de duas condenações, essa ajuda inicial de seu pai e a respeitabilidade que seu casamento com Hermione lhe conferiram foram seu passaporte de entrada no mundo da política, e como ele amava esse mundo. Tinha sido divertido ver como Kingsley Shacklebolt tinha que negociar com ele para aprovar qualquer coisa depois de só sete anos após seu julgamento. Ah, planejar a caída dele tinha sido delicioso, sua renúncia tinha soado como música para seus ouvidos, uma vingança mais pessoal que política, já que sua antipatia pelo homem vinha do fato de sido um dos que infernizou Hermione sobre seu relacionamento, até obrigando-a a um exame completo para verificação de magia negra ou poções do amor. Sendo assim, ele esperou pacientemente e com um sorriso tonto enquanto sua esposa terminava de colocar Alya na cama, também acompanhou como ela fazia o mesmo para Scorpius, ali, ele teve que se segurar para não revirar os olhos e dizer-lhe para parar de checar os sinais vitais do menino. Ele entendia, ele sabia exatamente o desespero que só ele e Hermione podiam entender, Scorpius tinha uma saúde frágil, quase tinha morrido quando tinha três anos com uma infecção, foi a prova mais difícil pela qual passaram, por isso ela podia ser um pouco neurótica.
- Durma bem, meu amor. – Ela disse para o filho mais velho.
- Boa-noite, mamãe, papai. – Scorpius respondeu com sua voz já sonolenta.
- Agora eu existo? – Ele brincou, plantando um beijo na bochecha do rapaz. – Amanhã vou te levar para o trabalho comigo, então, descanse.
- Tudo bem, não vou me atrasar. – O menino disse, já virando para o lado e fechando os olhos.
- Duvido. – Draco disse, baixinho. Scorpius era um preguiçoso de manhã, claramente uma herança do avô materno.
- Seja um bom rapaz. – Ela instruiu o filho, já se levantando da beirada da cama, mas com um olhar para o marido.
Draco sorriu e a seguiu para seu quarto. A deixou tirar os sapatos e as meias e soltar o cabelo, ela falaria quando estivesse pronta.
- Tome cuidado com meu filho amanhã, não quero incidentes como aquele da tentativa de sequestro. – Ela disse, indo até o banheiro, olhando-o deitado na cama através do enorme espelho.
- Potter já tem todo um esquema de proteção, ele é pior do que você. – Draco disse, sorrindo.
- Eu sei, seja um bom marido e pegue o meu baú no closet enquanto tomo um banho, por favor.
- Ah, vamos jogar? – Ele perguntou, com um sorrido malicioso.
Ela sorriu largamente enquanto terminava de se despir.
- Você vai amar isso, mas precisamos conversar, então, não fique muito animado, sabe que odeio quando você se distrai no meio de um assunto importante.
- Então faça o favor de não usar uma daquelas camisolas cheias de laços e renda! – Ele exclamou, divertido.
- Prefere que eu não use nada, então? – Ela provocou, rindo.
- Pra ser totalmente sincero, sim, mas ai não haveria conversa. – Ele disse, indo até o closet.
Os dois tinham um local protegido por feitiços onde guardavam seus brinquedos e apetrechos mais sofisticados, não que fossem adeptos de coisas muito complicadas ou engenhocas assustadoras, eram muito mais suaves que vários bruxos, e trouxas, que tinham conhecido ao longo dos anos. Ele desativou as proteções e pegou o baú que ela pediu, esse era exclusivamente dela, para quanto tinham um amante, a ideia de ter exatamente o que ele desejou por anos o deixou cauteloso e ansioso em doses iguais. Draco levitou o baú até a cama deles e aproveitou enquanto Hermione tomava seu banho para trocar de roupas, ficando apenas com a calça de seda negra que era tudo o que usava como pijama e se jogou na cama com alguns pergaminhos para revisar.
- Seus pais foram jantar com quem? – Ela perguntou em voz alta.
- Eles não disseram, mas meu palpite sobre essas saídas às escondidas é que estão indo visitar seus pais.
- O quê?! Por quê? – Ela perguntou, divertida e surpresa.
- Bem, Alya voltou da casa deles contando sobre como o vovô Granger a levou para uma roda-gigante linda e de como ganhou vários livros de contos incríveis… meus pais foram sondar terreno e conseguir informação, eles não gostam de competição.
Hermione riu alto.
- Vou perguntar para minha mãe. – Ela disse. – Os pobrezinhos devem estar assustados.
- Meus pais não são maus para os seus, na verdade, sua mãe viciou meu pai naquela torta de creme de chocolate.
- Sim, Narcissa tem ciúme disso. Tenho certeza que ela tentou ler a mente da minha mãe para saber o segredo e contar aos elfos.
- Ela poderia ter te perguntado, seria muito mais fácil.
- É um segredo de família, vou renomear para torta-que-amansou-Lucius Malfoy.
Draco riu e se concentrou nos pergaminhos que lia, eram o esboço que Percy Weasley tinha feito para os novos acordos de cooperação entre Gringots e os auditores fiscais do Ministério. Ele mal percebeu que Hermione já tinha saído do banho com uma toalha enrolada nos cabelos e um roupão felpudo largo, o dele.
- O que está lendo?
- Um esboço que Percy fez para lidar com os duendes e as barreiras para as auditorias fiscais. – Draco disse, enrolando o pergaminho.
- Como ele anda? – Ela perguntou, os dois não tinham se encontrado em um tempo.
Draco franziu o cenho.
- Ele estava mancando quando chegou e tinha um glamour no pescoço.
- Ele não gosta de estrangulamento, ele odeia. – Ela disse, preocupada com o antigo amante. Percy tinha sido um de seus relacionamentos mais longos.
- Eu odeio a ideia dele estar com um mestre desleixado tanto quanto você, mas aquele ruivo é teimoso, ele não me disse com quem está.
- Descubra e depois me diga. – Ela disse, demandante, depois suspirou. – Seria tão mais fácil se ele fosse atrás do que realmente quer.
- Meu amor, isso sim seria complicado. – Draco disse, com um ar prático. – Tem certeza de que não que eu lide com o homem?
- Não, você vai estar ocupado com outra coisa. – Ela disse, agitando sua varinha e abrindo o baú, ela sorriu ao passar os dedos sobre alguns objetos. – Harry vai vir no próximo domingo, aqui, para nós dois.
Draco engoliu em seco.
- Tem certeza? Ele sabe que não é só você?
- Claro.
- E do nosso estilo de relação? Tudo? – Draco se certificou.
- Ele precisa aprender mais sobre nosso estilo, mas você precisa ser mais claro se o quer de verdade. – Ela disse, suavemente.
- Ele age como se me odiasse e sempre está me provocando..
- E você o irrita de propósito, principalmente quando está com ciúmes dele, o que é praticamente cada vez que alguém está a menos de cinco metros do Harry. – Ela disse, divertida.
- Isso não é verdade. – Draco se defendeu. – Eu não sinto ciúmes do Testa-rachada.
Hermione arqueou uma sobrancelha.
- Isso vai ter que acabar, Harry não parece do tipo que gosta de apelidos depreciativos, na verdade, eu sei que ele odeia, e você também nunca gostou de humilhação verbal ou física numa cena, assim que pode parar com isso desde agora.
- Então, do que o chamou? – Draco perguntou, curioso, sem questionar a nova regra.
- Gatinho, ele ronrona como um. – Ela contou e Draco sentiu um onda de excitação. – E gosta de ser mimado.
Draco sorriu largamente.
- Vou ter que mimá-lo até a perdição, então.
- Claro, mas pra isso vai ter que arrumar certos pontos com Harry, assim, te recomendo que use essa semana para seduzi-lo corretamente. E, meu amor, Harry é direto, se ficar tratando-o como um tolo e agindo como um idiota arrogante não vai conseguir que ele queira algo mais do que uma transa rápida.
- Vou fazer meu melhor. – O loiro respondeu. – E sabemos que o meu melhor tende a conquistar leões mais difíceis que Harry Potter.
Ela sorriu.
- Se tivesse mostrado ao Harry no oitavo ano como é você sem as máscaras… acho que teria terminado casado com ele e não comigo. – Ela brincou.
- Eu estava ocupado tentando lidar com uma leoa, era muito jovem e inocente para tentar a sorte com dois ao mesmo tempo. – Ele respondeu sorrindo.
- Inocente não é uma característica que te defina em nenhum momento da sua vida, amor. – Hermione disse, sorrindo. – Agora, podemos voltar ao tema central?
- Nosso gatinho? Estou ouvindo.
- Bom. Não acho que ele já tenha experimentado muito no nosso estilo de vida, por isso, vou mandar algumas explicações básicas e pedir que ele faça uma lista sobre seus limites, o que acha?
- Acho que deve deixar isso comigo, vou visitá-lo amanhã a noite.
- Isso soa bem, já tive meu pedaço dele, veja o que pode conseguir, mas lembre-se de que ele está proibido de gozar. – Ela disse, pegando um frasco verde escuro que cabia perfeitamente em sua mão. – E o ajude com esse unguento.
Draco sorriu largamente.
- Acha que ele vai gostar da ideia?
- Lembra que eu te disse que o fiz ronronar como um gatinho? Bem, fiz isso só brincando com seus mamilos, ele é sensível, acho que vai gostar de aumentar isso.
- Alguma outra recomendação?
- Mostre quem você realmente é, Harry nunca vai confiar em você se não confiar nele primeiro.
Draco assentiu, pensativo. O dia seguinte seria interessante.
H♥D♥H
Harry não era do tipo que mentia para si mesmo, por isso, estava ciente de que estava com os nervos à flor da pele, ele esperava que Hermione se compadecesse dele e enviasse logo as instruções ou uma carta. Por que tanto mistério? Ele não era completamente ignorante desse tipo de assunto, só tinha ficado envergonhado de confessar que havia ido a clubes trouxas, ainda que só tivesse olhado, sem coragem de deixar nenhum daqueles desconhecidos tocá-lo. Sua disciplina auto imposta era a única coisa que o manteve concentrado o bastante para lidar com as tarefas que tinha como Chefe dos Aurores, teve duas audiências disciplinares, um dos seus novatos foi exonerado por uso excessivo de força e brutalidade, coisa que lhe deixou com um gosto amargo na boca, quando venceu Voldemort com a ajuda de seus amigos tinha imaginado que tudo estaria bem, mas uma guerra civil deixa marcas profundas em um país, ainda padeciam de ódio e ressentimento dos dois lados, mesmo com Malfoy como Ministro ao lado de Hermione. Houve uma batida suave em sua porta e Harry sorriu.
- Entre, Scorp. – Ele disse, o menino sempre ia visitá-lo quando estava no prédio.
Uma cabeça loira surgiu por uma fresta e logo tinha ao filho de sua melhor amiga abraçando-o.
- Ei, você cresceu. – Harry comentou.
Scorpius revirou os olhos de maneira tão igual ao pai que fez Harry sorrir.
- Todos os adultos dizem isso, mas é normal porque serei alto como o papai e o avô Lucius. – O menino explicou no tom sabe-tudo de Hermione, que mistura perigosa os genes Granger e Malfoy.
- Então, se divertindo com o seu pai? – Harry perguntou, voltando a se sentar e vendo como o menino brincava com um pomo que tinha em sua mesa.
- Eu estava, mas então ele teve que receber um embaixador da Bélgica e não entendi nada, então, vim te ver. Não tem treinamento hoje? – Perguntou.
- Infelizmente hoje não vou a Academia, mas sabe que pode passar por lá desde que avise antes. – Harry disse, se perguntando se Hermione o torturaria muito se Scorpius se tornasse auror por sua influência.
- Tio Harry? – Scorpius chamou com aquela voz suave que predizia problemas.
- Sim?
- Você gosta de mim? – Harry riu, nem ele que era massa de modelar nas mãos das crianças acreditava naquela cara de inocência de Scorpius.
Scorpius fez um beicinho.
- Sabe que te adoro, mas o que é que você quer?
- Quero aprender a voar, com você. – Scorpius disse.
- O quê? Mas… - Harry deixou a frase no ar, mas Scorpius entendeu, ele tinha um medo atroz de voar em vassoura, ele sempre teve uma saúde frágil e se machucou feio ao se deixar levar por uma corrente de ar quando era pequeno. – Sua mãe sabe que quer fazer isso?
O menino negou com a cabeça.
- Quero fazer uma surpresa… vovô diz que não preciso fazer isso, que papai não liga e nem eles, mas quero perder esse medo. Malfoys não devem ficar com medo de vassouras, somos grandes magos e bruxas.
- E por que eu?
- Vovô não pode voar bem por causa da perna, mas vovó me disse que você era o melhor na escola e que tinha um montão de paciência. – O menino elogiou.
- Então, seus avós assustadores estão de acordo com isso? Não corro o risco de ter Narcissa me enfeitiçando?
Scorpius riu.
- Ela não vai fazer isso, e assim posso passar um tempo com Albus Severus.
Harry riu também.
- Você ganha, vamos fazer isso sábado a tarde, tudo bem?
- SIM! – O menino disse, pulando de alegria.
Os dois foram interrompidos por uma batida na porta, só que dessa vez o visitante não esperou uma ordem de Harry para entrar, Draco usualmente não gostava de esperar por nada.
- Potter, você está com cara de quem caiu num dos esquemas do meu herdeiro. – Draco disse, sorrindo.
- Ei, papai! Eu não faço coisas assim. – Scorpius protestou.
Draco riu.
- Sério, filho, precisa melhorar essa cara de inocência, não convenceria nem um lufa do primeiro ano.
O menino fez uma careta, mas como nenhum dos adultos parecia realmente bravo, ele deu de ombros.
- Já é hora de ir?
- Sim, o auror que está responsável pela sua guarda vai te levar pra casa.
- Odeio o flú. – Scorpius reclamou, mas se virou para acenar para Harry. – Thau, tio Harry, nos vemos logo.
- Thau, Scorp. – Harry disse.
Draco fez um som ofendido quando seu filho só lhe deu um beijinho rápido de despedida.
- Se esse moleque não fosse a minha cara eu me perguntaria se você e Hermione andaram me enganando. – O loiro disse depois que a porta se fechou.
- Eu já sei lidar com o flú. – Harry disse, com convicção.
- Sério? Então eu só imaginei a maneira como você tropeçou para fora da lareira e estava com o rosto sujo de fuligem essa manhã?
Harry rilhou os dentes, claro que Malfoy estaria vendo toda a vez que ele fez papel de bobo.
- Pessoas com juízo fingiriam que não viram nada. – Ele retrucou de mau humor.
- Ah, eu não tenho medo do auror malvado. – Draco zombou, se aproximando de Harry e colocando os óculos do moreno no lugar. – Você fica realmente bonito quando está bravo.
Aquela frase desconcertou Harry.
- Não fique tão surpreso, seus olhos se acendem e ficam parecendo duas esmeraldas, suas bochechas ficam vermelhas de emoção e…
- Malfoy…
- Draco, me chame de Draco. – O Ministro disse, passando o dedo pela curva do pescoço de Harry. – Vou aparecer na sua casa hoje depois do trabalho, ao que parece minha esposa acha que sou mais eficientes para levar seus recados do que nossos falcões.
Harry não teve tempo de responder, já que o homem saiu em seguida, ele mordeu os lábios pensativo. O que diabos Malfoy tinha que o deixava com as pernas trêmulas? Diabo de homem.
H♥D♥H
Harry estava pensado como ele poderia assassinar o Ministro sem ser pego, ou melhor, sem irritar demais Hermione. Claro, ela iria ficar brava, mas iria entender que era totalmente justo que o loiro desgraçado morresse por deixá-lo plantado, certo? Ele tinha cozinhado e comprado vinho, ele saiu na hora certa do trabalho para ter tempo para fazer o jantar, tomar um banho e deixar seu cabelo apresentável, o que deu muito trabalho, obrigado. O resultado de todo esse esforço? Ele tinha comido sozinho e frustrado, e estava planejando a morte do novo Ministro enquanto se preparava para dormir, já estava abotoando seu pijama quando ouviu sua lareira se acender.
- Harry? Harry? Vamos lá, não me ignore, eu sei que é muito cedo para que você esteja dormindo. – Era a voz de Malfoy.
- Vá embora! – Harry gritou em direção as escadas.
- Só depois que eu falar com você. – Draco disse. – Vamos lá, é importante.
Harry desceu as escadas de mau humor, sua mão aferrando a varinha com força quando ele liberou o flú para que Malfoy entrasse. O homem segurava um pequeno baú debaixo do braço e parecia cansado.
- Eu sinto muito, de verdade. Eu tentei te avisar que ia me atrasar, mas pensei que ia ser um pouco constrangedor para nós dois explicar no Ministério porque interrompi uma sessão extraordinária do Wizengamot para desmarcar um encontro com você de todas as pessoas.
- Sessão extraordinária? Eu não fui convocado. – Harry disse, alarmado.
- Isso porque se tratava de uma denúncia de corrupção financeira, um dos inomináveis. Entende porque tivemos que ser rápidos e discretos, certo?
- Sim. – Harry disse, mais convencido. Os inomináveis eram um mistério que nem mesmo ele tinha sido capaz de decifrar totalmente em termos de função e poder dentro do Ministério.
- Sinto muito, geralmente não sou assim desconsiderado. – Draco disse, olhando para a mesa posta para dois. – Oh, Merlin, você tinha feito o jantar, Hermione vai arrancar as minhas bolas.
Harry soltou uma risada, já apaziguado.
- Então, eu não sou o único que tem medo dela?
- Qualquer um com dois neurônios tem um medo saudável da minha esposa, Potter. – Draco disse, tentando manter um pouco de dignidade.
- Claro, claro. – Harry riu. – Então, já comeu? Posso te fazer um sanduíche ou algo do tipo.
- Obrigado, mas depois daquela sessão dos infernos fui para casa para poder tomar um banho e estar mais apresentável, isso inclui alguns doces dos elfos. Eles me amam.
Harry revirou os olhos.
- Não devia comer doces no jantar, e que seus elfos te mimam não é uma novidade, pirralho malcriado.
Draco fez um beicinho, nada condizente com um homem de sua idade e status.
- Você não me mima.
- Você é quem tem que me mimar, Draco. – Harry disse, orgulhoso por por poder flertar com Malfoy melhor do que tinha feito com Hermione.
O loiro sorriu maliciosamente.
- Vai se arrepender de me pedir isso, Harry, mas vou lidar com esse problema quando ele surgir. Por enquanto, podemos falar do recado da Hermione?
- S-sim. – Harry disse, esperando que a amiga não o tivesse colocado numa situação embaraçosa. – Podemos beber? – Perguntou, esperançoso.
- Eu posso, já você… realmente não recomendo, ao contrário do que você possa pensar não gosto de me aproveitar de leões embriagados.
- Essa teoria era do Ron. – Harry disse, sorrindo. – Ele pode ser muito inventivo.
- E vem dizer pra mim que fui o alvo dele no oitavo ano? – Draco perguntou, se lembrando do quanto tinha amaldiçoado Weasley por ter deixado seu cabelo preto por um mês. – Fico imaginando a cara que ele vai fazer quando descobrir que conquistei outro de seus amigos.
- Você não me conquistou, Malfoy. – Harry disse, indo pegar uma taça de vinho para o homem e para si mesmo.
Draco aceitou a taça de vinho e deu um gole apreciativo enquanto tirava um envelope do bolso e estendia para o Chefe dos Aurores.
- São para você, algumas explicações práticas. Hermione achou melhor esclarecer alguns pontos importantes antes de começarmos, leia com calma, ainda que eu gostaria que me fizesse um favor antes.
- O quê? – Harry perguntou, curioso.
- Tire a camisa. – Draco pediu, no mesmo tom de comando que Hermione tinha usado no escritório e que o deixava excitado.
- O quê? Nem me levou para jantar e já quer tirar minha roupa?
- Pirralho mimado. – Draco disse, apontando para si mesmo e gostando de ver como Harry obedeceu, desabotoando a camisa do pijama de algodão, que era um abominação com listras brancas e azuis. Draco decidiu que ia pôr fogo naquilo assim que estivessem mais firmes em sua relação.
Harry leu com curiosidade misturada com vergonha as explicações detalhadas de Hermione sobre o mundo BDSM com o qual ele tinha flertado por muito tempo sem coragem de entrar e sem conseguir se desvincular completamente.
- Quando ela fala de limites para os dois lados, o que isso quer dizer? Pensei que só os subs tivessem isso.
- Não, funciona para os doms também. Por exemplo, eu não estrangulo, nunca. Me deixa desconfortável e inquieto. – Draco disse, pensando no que Hermione estaria fazendo com o amante desleixado de Percy nesse momento, ela não precisava das maldições proibidas para ser assustadora.
- Oh. – Harry disse. – Então, ela me pediu uma lista, mas eu não… eu não fiz muita coisa.
Draco sorriu e pegou três vidros de tinta no pequeno baú que trouxe e outro pergaminho.
- Aqui, eu pensei que isso poderia te ajudar. Coloque um ponto verde na frente de tudo que você quer fazer, o que te deixa confortável física e psicologicamente. Depois, marque com amarelo o que te interessa, mas que você não tem certeza se pode ou não gostar, com isso lidaremos com cuidado. E vermelho para o que te assusta ou te parece muito pesado.
- Mas como vou saber o que vocês querem de mim? – Ele perguntou distraído, olhando para a lista.
Draco segurou-lhe o queixo e o fez olhar em seus olhos.
- Você ainda não entendeu, Harry… isso não é sobre o que eu e Hermione queremos, é sobre o que você quer nos oferecer.
Harry sorriu, ele gostava dessa definição.
- Então, no fim das contas, eu sou o chefe?
- Leão preguiçoso e mandão. – Draco disse, como resposta.
- Eu sempre gostei mais da prática que da teoria. – Harry disse. – Hermione disse que você teria uma coisa para me mostrar. O que é?
- Esse é uma das coisas que você pode se recusar a fazer se sentir desconfortável, aliás, deixe-me reformular: você pode se recusar a fazer qualquer coisa. – Ele esperou Harry assentir para continuar. – Hermione mandou uma pomada para você.
Harry aceitou o vidro e logo destampou para cheirar, tinha um aroma delicioso de ervas com um tom amadeirado.
- Ela te mandou para me dar uma massagem relaxante? – Harry parecia animado com a perspectiva, coisa que fez Draco sorrir mais ainda.
- Sim, uma massagem pode estar em causa, mas eu não a chamaria de relaxante. – O loiro disse misteriosamente, dando outro gole em seu vinho. – Uma das coisas mais divertidas do mundo mágico é que sexo fica muito mais inventivo. Essa pomada é para deixar seus mamilos mais sensíveis e maiores, Hermione disse que te fez ronronar como um gatinho… talvez te interesse adicionar mais emoção ao jogo.
Harry engoliu em seco e assentiu, apesar da vergonha de saber que Hermione tinha falado coisas desse tipo a seu respeito. Ele nunca pensou que poderia ser lido tão facilmente pela amiga e ter suas fantasias reveladas assim, será que ela tinha usado legimência para saber isso? Ele foi retirado de seus devaneios pelo hálito de Draco em sua orelha, o sorrateiro tinha se sentado a seu lado no sofá.
- Que tipo de pensamentos sujos estão te deixando tão deliciosamente corado, hein? – O loiro perguntou junto a sua orelha, com aquela fala arrastada que enviou arrepios pela coluna de Harry.
- Eu… só… diabos! Isso não é justo, eu tenho dois de vocês pra ficar me provocando. – Harry protestou fracamente ao sentir os lábios de Draco beijando sua nuca e mordiscando um lugar especialmente sensível, fazendo-o se virar no sofá até tê-lo de costas para seu peito.
- Pense que somos dois para te dar mais prazer. – Draco aconselhou, extremamente interessado em mordiscar o pescoço do Chefe dos Aurores.
Harry ia responder algo engraçadinho, mas engasgou com o ar quando Malfoy agarrou seus mamilos com dedos experientes e puxou-os levemente.
- Vai ter que prepará-los o resto da semana pra nós. Passe a pomada e esfregue por toda a área. – Draco instruiu, girando os dedos firmemente e sentindo como os mamilos de Harry se eriçavam deliciosamente. – Depois tem que puxá-los, com cuidado é claro, não queremos que se machuque.
Harry gemeu quando Draco puxou seus mamilos esticando-os levemente enquanto sugava sua orelha de um jeito muito erótico. O moreno se moveu, desconfortável, mas não gostou quando o loiro tirou as mãos de cima dele, fez um som de protesto, o que lhe valeu uma mordida.
- Não seja apressado, como está tão rebelde vou ter que castigá-lo. Eu ia ser uma pessoa boa e fazer a primeira aplicação pra você, agora vou ficar aqui parado enquanto verifico como faz isso sozinho.
- Pervertido. – Harry acusou-o.
Draco riu.
- Oh, Harry, te olhar é a menor das minhas perversões, te garanto.
O moreno xingou baixinho, sabendo que teria que lidar com Hermione e Draco olhando-o fazer coisas deliciosas e que desejava, mas que o deixavam envergonhado.
- Se recoste nas almofadas, vai ficar mais confortável. – Draco disse, empurrando-o de costas e passando suas pernas ao redor de sua cintura, ficando numa posição extremamente privilegiada.
- Isso é tão estranho. – Harry reclamou, já pegando o frasco. – Até ontem estávamos brigando feito cão e gato.
- Por favor, isso eram preliminares. – O loiro disse com um esgar divertido. – Além disso, não é minha culpa se fico um pouquinho agressivo quando tem algum idiota te cercando no Ministério, o que é quase o tempo todo.
Harry arregalou os olhos.
- Você tem ciúmes de mim?
- Eu nunca disse tal coisa. – Draco protestou. – Não tenho culpa se preciso desviar sua atenção para mim em vez de te deixar ficar babando em algum moleque musculoso do Departamento de Esportes de um país qualquer.
Harry o olhou com um carinho tão grande que Draco teve vontade de beijá-lo, se ele soubesse que seria tão fácil ganhar um olhar assim, teria dito isso há muitos anos. Os olhares raivosos eram bons, mas esse calor brilhante? Era genial.
- Isso é ciúme, Malfoy. E eu não estava prestando atenção ao amigo do Krum naquela reunião… estava ocupado fuzilando a oferecida búlgara que se jogava em cima de você.
- Sou um Ministro novo, preciso ser simpático. – Draco disse, sorrindo ao perceber que os dois se provocavam para ter atenção. – Agora, pare de tentar me distrair, te dei uma tarefa, não é?
Harry mandou-lhe um beijinho de forma zombeteira antes de untar os dedos com a pomada e espalhar o creme por seus mamilos. Ele sentiu a pele formigando e se aquecendo enquanto espalhava o produto sobre a pele, ele queria desviar os olhos do fogo que podia ver na mirada cinzenta de Malfoy, mas o loiro segurou seu queixo no lugar. Harry sentia seus mamilos inchando levemente e ficando mais sensíveis ao toque, puxou-os levemente e gemeu quando a ação enviou uma onda de prazer por sua espinha, direto a seu pênis, que já estava muito desperto, obrigado.
- Quando estivermos os três, vou passar um bom tempo chupando essas belezinhas. – Draco disse, com um olhar apreciativo. – Hermione vai gostar de te amarrar pra mim.
Se o que Draco estava tentando fazer era excitá-lo ainda mais, estava conseguindo, porque praticamente choramingou ao imaginar a cena e continuou esfregando seus mamilos carentes sob o olhar atento do loiro, que começou a brincar com o elástico de sua calça.
- Acho justo que eu dê uma boa olhada em você, certo? Hermione fez a mesma coisa.
Harry balançou a cabeça positivamente, animado com a perspectiva de que Draco poderia aliviá-lo em vez de deixá-lo duro e ansioso como tinha feito sua esposa. O loiro pareceu ler isso no rosto de Harry, já que sorriu.
- Ela é má, certo? Te pedindo para não gozar e nem mesmo te dando o prazer de uma punheta rápida antes disso. – Draco disse, se inclinando para mordiscar os lábios do leão. – Mas, infelizmente pra você, eu sou tão malvado quanto ela, de forma que realmente não vai poder gozar hoje também.
- Vou terminar com as bolas roxas desse jeito. – Harry reclamou, fazendo beicinho.
Draco sorriu maliciosamente.
- Vai gostar disso depois, acredite. Agora, pare de jogar com seus mamilos, não queremos que se machuque, verdade? Lembre-se que não pode puxar demais, o unguento é mágico, mas ainda assim pode te deixar com uma dor horrível pela manhã.
Harry obedeceu, parando imediatamente. Draco mordeu os lábios, Hermione tinha razão, o homem adorava obedecer e ganhar mimos, seria uma delícia. Ele ficou parado e atento enquanto Draco puxava sua calça para baixo e o expunha a seus olhos.
- Algo contra a roupa de baixo, gatinho?
O moreno deu de ombros, sem coragem de explicar seus motivos, era muito cedo, ele gostou de ver como Draco lambeu os lábios, ele não o único que iria sofrer ali, ele podia jogar também, estava nas explicações de Hermione que alguns subs eram extremamente provocantes, que gostavam de se exibir e chamar a atenção dos doms, excitando-os. Ele desconfiava que era exatamente assim, de modo que se moveu para se livrar da calça que estava presa em suas coxas, só para voltar para a mesma posição: deitado de costas no sofá com Draco entre suas pernas abertas. O loiro engoliu em seco pela visão, e deslizou as mãos pelas coxas do moreno, chegando até as bolas inchadas, que segurou com uma mão, pesando-as.
- Tão bonito. Vai ser um bom menino e ficar cheio desse jeito pra nós até domingo? – Draco perguntou, acariciando aquela parte tão sensível de Harry, fazendo-o gemer e conseguindo que sua ereção palpitasse. – Me faria um agrado, gatinho? Se livre de todos esses pelos, use um feitiço que Hermione vai te mandar. Não quero nada atrapalhando meus dedos, meus olhos… ou a minha língua no nosso encontro.
Harry gemeu sua aquiescência, se Draco podia deixá-lo assim só com palavras, o que diabos podia fazer num encontro?
- Agora, eu vou para casa antes que ceda a tentação e te devore. Hermione iria me matar por isso. – Draco disse, se inclinando para dar uma lambida longa e sensual na ereção de Harry, terminando o gesto sugando a ponta em sua boca e aprendendo o gosto do moreno.
- Provocador. – Harry acusou-o, segurando-o pelos cabelos.
Draco sorriu, desvencilhando-se do moreno e ficando de pé, seu pênis formava uma tenda em suas calças, provando que Harry não era o único a ficar tão afetado. O moreno achou extremamente erótico estar nu enquanto Draco continuava vestido e pulcro como sempre.
- Não está se esquecendo de nada? Não sou um garoto de programa barato que você pode sair tocando sem me dar nem um beijo de boa-noite. – O moreno provocou, esperando que o loiro respondesse com alguma piada e se surpreendeu quando Draco se ajoelhou ao lado do sofá e segurou seu rosto entre as mãos.
- Tudo o que te fizer feliz, gatinho. – O loiro disse antes de juntar seu lábios com os de Harry.
O Chefe dos Aurores agradeceu que estava deitado, caso contrário não confiaria em seus joelhos para mantê-lo de pé. A língua de Malfoy deslizou em sua boa de forma profissional e capturou a sua, sugando-a com lentidão e deleite, o homem parecia querer degustá-lo lentamente e era extremamente excitante ser beijado assim. Ele mal percebeu que estava ofegante até ter o loiro mordiscando seus lábios com prazer enquanto suas respirações se misturavam.
- Boa-noite, Harry.
- Boa-noite, Draco. – O moreno respondeu entre ofegos, muito ciente de que terminava a segunda noite consecutiva com uma ereção insatisfeita e com sua melhor amiga e o marido dela na cabeça.
- Esses dois serão a minha perdição.
Agora só falta uma parte para finalizar! ;)