Por Alice Potter
Ok, eu tinha os amigos mais loucos do mundo. Sim, eles roubaram um peru da família da Lily – se é que eles ainda eram considerados família da ruiva. Pelo o que ela nos contara sobre eles, dava para ver que ela não tinha uma família unida. Os pais dela sofreram um acidente de carro e a irmã mais velha a culpava pela morte deles. Senti pena dela; Lily era uma das pessoas mais maravilhosas que eu já conheci. Não era justo com ela.
Era quase véspera de Natal e minha casa estava uma loucura, com empregados andando de um lado para o outro, carregando bandejas de prata, ou com um vaso de flores... eu já não estava mais acostumada com aquela vida agitada dos meus pais. Até James, que adorava ficar aqui, estava diferente... o que me faz perguntar por que raios ele e Lily estavam fingindo ser namorados. Balancei a cabeça. Aquilo não era da minha conta.
Eu estava entendiada; estava acostumada a fazer todas as coisas de casa, mas, como aqui minha mãe não deixava ninguém colocar a mão na massa, eu não tinha escolha a não ser ficar no meu quarto, que continuava o mesmo: minha cama de casal tinha um dossel lilás, a pentiadeira estava abarrotada de livros, um tapete felpudo em um tom mais escuro que o dossel e prateleiras enfeitavam a maior parte do quarto. Perto da janela, havia um sofá, onde eu adorava ficar e observar o céu e a floresta que ficava além dos muros da mansão.
Levantei-me da cama e resolvi ir andar e escapar da minha mãe, que agora queria porque queria saber se eu estava apaixonada. Não estava. Quero dizer, eu acho que não. Porque toda vez que eu via o pai de Matt, meu coração disparava. Parei ao vestir o casaco. Não... aquilo era raiva mesmo.
Saí do meu quarto, terminando de arrumar os cadarços do meu tênis de correr. Quando James estava cursando a faculdade de Educação Física, ele me arrastava para fazer exercícios junto a ele e acabei me acostumando a correr. Toda vez que eu tinha algum tempo livre na escola, eu corria; às vezes tinha a companhia surpresa e Florencio e aquilo me fazia ferver o sangue. Então mudei o meu percurso.
Passei pelo quarto de James, que era no final do corredor, e o ouvi confortar Lily. Espera. Lily estava deixando o meu irmão a confortar? Voltei na ponta do pés.
– Eu já falei para deixar isso para lá, Evans – dizia James em tom conciliador. – Ela não merece suas lágrimas.
– Só que o caso é que ela ligou... ligou para sua casa – rebateu Lily, fungando. Senti meu coração afundar.
James soltou um suspiro e, por alguns segundos, eu nada ouvi.
– Lily, por que ela a culpa por tudo isso?
Lily não respondeu de imediato. Quando respondeu, sua voz estava mais do que embargada:
– Lene sempre foi minha vizinha, Dorcas também, mas ela se mudou logo depois. Os pais de Lene meamavam tanto quanto os meus.
“Um dia, meus pais iam me levar à festa de aniversário de Lene, que quis que a festa fosse numa casa de festas decente, de acordo com a própria. Sabe como ela é. Os 16 anos dela tinha de ser o mais... o mais inesquecível de todos – eu podia vê-la dar um sorrisinho triste.
“Óbvio que eu fui convidada. Petúnia já tinha o Válter e Lene nunca gostou dela, então a minha irmã não foi. É tão triste para Lene quanto para mim. E foi tudo porque eu havia esquecido o presente dela. Sabe que eu posso ser teimosa... não responde – e eu ouvi uma risada baixa. Lily suspirou. – Minha mãe disse que eu podia entregar depois, mas er o dia dela, o dia da Lene! Eu queria que ela recebesse no dia certo; Lene é minha segunda irmã... Bem, eu não sei como aconteceu, era a primeira vez que eu discutia com os meus pais... e tudo escureceu. O que era para ser perfeito, foi arruinado. Sabe, eu acho que realmente foi minha culpa e que Petúnia...”
– Não fale isso. – Interrompeu James, com a voz dura. Sabia que ele estava travando o maxilar. – Você só queria que Lene tivesse um dia especial.
– Mas eu poderia ter deixado para entregar no dia seguinte. Eu não pensei que Lene não se importaria – disse Lily. – De qualquer modo, a família de Lene me acolheu. Petúnia não queria... não queria ficar comigo. E nem eu com ela.
Ouvi um farfalhar e eu não sabia o que estava acontecendo, mas podia ouvir Lily chorar. Eu respirava fundo, tentando eu mesma não chorar.
– Lily, olhe para mim – James voltou a falar, porém mais baixo, me fazendo apurar os ouvidos para escutar melhor. – Não foi sua culpa, não se martirize. Infelizmente, era para acontecer. Podia ter sido com vocês discutindo ou não. Estava escrito. Deve ser tão difícil, que eu não consigo imaginar. Mas você tem a… a mim e a Lene, Dorcas, Sirius, Remus, Alice e agora até meus pais – ele riu um pouco. – Você é uma pessoa boa, sempre se lembre disso. Então quero que me prometa que não vai deixar deixar que Petúnia a coloque para baixo.
– James...
– Prometa – interrompeu James, autoritário.
– Eu prometo – disse Lily. Ouvi a cama estalar e o silêncio; eu estava quase indo embora, quando ouvi Lily reclamar: – Isso não significa que você pode me beijar, Potter.
– Você é osso duro de roer, mulher! – riu James. – Mas eu ainda te domarei.
– Não sou cavalo, James...
Rindo, me afastei do quarto. Aqueles dois iam reamente e casar. Não sabia por que estavam fingindo, eles já eram namorados. Eles é que não viam isso.
Desci as escadas, tentando dsviar dos empregados e de mamãe, que iria me infernizar para que eu contasse sobre os meus “namorados”. Eu preferia viver o meu trabalho do que namorar.
Eu estava quase na porta da frente, quando minha mãe me chamou. Eu suspirei e vire-me para encará-la, dizendo:
– Pela quinquagésima vez, mãe. Eu não vou...
– Não é isso – Dorea abanou uma das mãos, dispensando minha reclamção. – Você vai correr, não vai? – Eu assenti e ela me estendeu um envelope. – Pode entregar esse convite para mim? Com tanta coisa para supervisionar, eu acabei esquecendo deste. E o teu pai não me ajuda. Pode fazer esse favor para a mamãe?
– Claro, mãe – peguei o convite de sua mão. Não olhei para quem era, apenas para o endereço. Óbvio que não ficava perto de casa.
Já estava na porta, quando minha mãe gritou:
– Talvez arranje alguém interesante por lá!
– Mãe!
(…)
Realmente eu encontrei alguém, mas não sabia se era interessante. Corri mais de 2 quilômetros para chegar a uma floricultura, onde eu deveria entregar o convite. Estava fechada, mas havia uma plaquinha dizendo que a casa ficava nos fundos.
A portinhola estava aberta e, meio sem jeito, eu entrei e segui o corredor, parando ao ouvir meu nome.
Virei-me e me deparei – surpresa! – com Matt Valenttim.
– Matt! O que... o que faz qui? – perguntei e Matt riu. Eu já nem sabia que ele ria.
– A senhora está na minha casa, eu é que pergunto o que faz aqui – respondeu Matt, já me conduzindo pelo corredor. – Bem, não é exatamente minha casa, mas a casa dos meus avós. É quase a mesma coisa.
– Ah – foi só o que eu disse, pois, se ele estava ali, então...
– Pai! Pai – chamou Matt ainda no meio do corredor. – Mas, então, senhorita Potter, o que faz aqui?
Eu o olhei e mostrei o convite.
– Ah, a minha avó sempre fala do baile dos Potter – comentou ele. – Eu nunca fui e, com certeza, nunca percebi que eles são seus...?
– Pais – completei.
– Sim. Eu vou poder ir, né? Acho que meu pai jamais me deixaria sozinho nessa casa – Matt se mostrava mais... em casa e animado. Eu gostava disso. – Ah, o professor Potter está aí? – Ele olhou para trás, para ver se meu irmão estava vindo.
– Ele está em casa. Lily também veio.
– Sério? – Os olhos dele brilharam. – Ô, pai! Caramba, temos visitas!
Chegamos a um amplo espaço, com um jardim tão lindo, que eu soube que eles tiravam dali as flores para vender. Uma cainha simples, com uma varanda, onde uma cadeira de balanço repousava em um canto, se estendia à minha frente. Eu estava encantada.
Então a porta se abriu.
– Quantas vezes eu tenho que lhe dizer para não gritar assim, Matt? – ralhou Florencio. Seus olhos azuis brilharam de intensidade. – Sua avó está dormindo. E aonde você estava?
– Pai, visita – Matt ignorou a bronca do pai e apontou com a cabeça para mim.
Florencio me olhou e demorou-se em meus rosto, seguindo para minhas roupas e depois de volta para o meu rosto.
– Senhorita Potter, a que devo a honra? – Será que aquilo era sarcasmo na voz dele?
– Meus pais, ao que parece, sempre convida os Valentim para o baile de Natal. – Eu olhei para o convite. – Parece que o senhor e o seu filho foram convidados também. Eu só vim entregar.
Matt segurou a minha mão.
– Fica mais um pouco, Alice – pediu, mas eu balancei a cabeça.
– Fica para a próxima, Matt. Eu tenho que ajudar a minha mãe e essas coisas – era uma mentira deslavada, porém, ficar perto do pai de Matt não era muito saudável para mim. Entreguei o convite, olhando para Matt. – Vejo você amanhã.
Banguncei os cabelos dele e voltei pelo corredoe esteito coberto por trepadeiras. Estava frio, mas o agasalho me aquecia, ou será que fora o... Não. Concentrei-me na corrida de volta para casa, pensando no azar de ter encontrado Florencio Valentim aqui onde eu morava.
As ruas não estavam cheias – umas duas pessoas apareciam de vez em quando –, passei pelo mercado, que não estava tão cheio quanto no dia anterior. Não me importava em ficar sobrando, mas ficar naquela fila gigantesca sozinha e no tédio de ficar esperando, não fora nada legal.
Eu mantinha um ritmo nem muito acelerado nem muito devagar. Era bom para me manter longe de pensamentos desagradáveis, com certa pessoa mais desagradável ainda. Entretanto, eu não ficaria com a minha mente tão desocupada assim.
– Ei, Potter – chamou a voz que eu menos queria ouvir.
– Perseguição é crime, senhor Valentim – não me virei para vê-lo, mas pude ouvir sua risada. Era baixa, porém, grossa. Eu me arrepiei invonluntariamente.
Alto e forte, Florencio Valentim apareceu em meu campo de visão, vestido com um casaco grosso preto e cachecol vermelho cobrindo o pescoço; ele conseguia me acompanhar sem nenhum esforço. Algo me dizia que, se eu andasse mais depressa, ele conseguiria me alcançar facilmente.
– Não estou te perseguindo, senhorita Potter. Estou te acompanhando, é diferente – respondeu Valentim.
– E se eu não quiser companhia?
– Bem, eu irei acompanhá-la do mesmo jeito – disse ele simplesmente.
Eu parei para olhá-lo mehor. Ele sorria, os cabelos pretos voavam com o vento que soprava, os olhos azuis brincalhões e irônicos avaliavam minha reação. Era, mas não era aquele Florencio Valentim grosseiro e sem sentimentos que eu conhecera.
Balancei a cabeça e voltei a caminhar. Valentim segurou meu braço. Eu o olhei.
– Olha, eu sei que não fui muito gentil nesses últimos anos... – começou ele.
– O senhor já fez esse discurso antes – lembrei-o da nossa conversa fatídica que, se não fosse pela Lily, eu teria feito uma besteira. Eu teria aceitado sair com ele.
– Não culpe um homem por tentar agradar uma mulher bonita.
Eu pisquei.
– Isso não vai adiantar, senhor Valentim. Sugiro que volte para sua casa e me deixe em paz. Antes que eu chame a polícia. – Tirei o meu braço de seu aperto, mal notando que ele ainda estava me segurando.
Voltei a minha caminhada, porém não fui muito longe. Florencio Valentim puxou-me para ele, pela minha cintura, colando mais seu corpo ao meu. De repente, eu não estava com tanto frio assim.
– Solte-me, senhor Valentim – graças a Deus, minha voz saiu firme.
– Não. Cansei, Alice Potter. O que eu venho sentindo por você, eu não sentia desde que a minha mulher faleceu. – Sussurrou Florencio, seu hálito fazia cócegas em meu rosto vergonhosamente corado. – Você é muito... ignorante e grossa.
– Olha quem fala – desdenhei, feliz por eu ter encontrado a minha voz.
Florencio riu e me apertou contra si ainda mais.
– Então a gente combina. – E me beijou.
No início, eu relutei. Mas ele me puxou mais para cima – me fazendo ficar nas pontas dos pés – e eu acabei me rendendo. Meus braços envolveram seu pescoço, sentindo a textura de sua pele macia e os seus cabeos cheirosos.
Eu estava resignada comigo mesma, porém não conseguia evitar os arrepios que perpassava em meu corpo. As mãos dele me seguravam com possessividade, a boca dele era gelada e tinha gosto de menta. Era ótimo! Eu suguei seu lábio, sorvendo mais de seu gosto, e ele escorregou uma de suas mãos para o meu quadril, me apertando contra seu corpo forte e rígido.
Recobrando a consciência de que estávamos no meio da rua, eu o empurrei de leve e o olhei, um pouco zangada.
Florencio sorriu e o meu coração deu um salto.
– E spero que não tenha nenhum par, Potter, porque você vai comigo.
– Que cara de pau! – exclamei, idignada. Ele riu novamente.
– Vejo você a manhã à noite – respondei Florencio se afastando.
Eu o vi desaparecer e continuei para ali, não acreditando que eu acabara de beijar o pai de um aluno e que eu havia gostado! Balancei a cabeça e finalmente voltei a correr, tentando ignorar o fato de que queria beijá-lo novamente.
Mamãe ia ficar radiante quando soubesse. Não que eu fosse contar imediatamente a ela.
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Lana Sodré: Ah, relaxa, Lana. Eu sei que você sempre vai ler e comentar. Bem... equanto a escrever, ainda bem que você voltou a escrever heueheuheu O Remus? Assim o Sirius fica com ciúmes! kkkkkkkkkkkkkk mas ele é um fofo, sim ♥ Lily já é a Lily, sendo ruiva então... Detona TUDO! KKKKKKKKKKK Por isso que eles são perfeitos um para o outro: o orgulho de ambos supera tudo kkkkkkkkkkk eu só observo você falar de TS. Sabe que é uma coisa séria. Quero te viciar em tudo quanto é saga hahahaha porque eu sou dessas. Mas gente, maldade? Entãu tu vai chorar nesse capítulo heueheuheue hum... será que é isso mesmo??? Sim, a Petúnia, como disse Lia, uma vaca velha! Hahahaha ela tinha que se ferrar, né? Nojenta u.u Obrigada por comentar, hermosa *---*