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24. Capitulo 24


Fic: Pureza Roubada - Hinny Completa


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Em seus planos de expansão da ocupação da Gália até a ilha da Britânia, os romanos haviam escolhido o porto de Le Tréport como o melhor local para cruzarem o canal que separava a ilha do continente.


Harry, que estivera inspecionando as fortificações em companhia de lorde Weasley, não partilhava da mesma opinião. Preferia a costa rochosa de Picardie, bem mais ao norte. O florescente porto de Calais, por exemplo, era um excelente local para se construir uma fortaleza contra invasores vindos através da Bretanha ou do mar do Norte. Além disso, Lotário devia pensar em proteger as vias fluviais. O Somme, como apontou ao sogro, achava-se desprotegido até bem dentro do interior, em Longervais.


— O importante — frisou Harry — não é edificar fortalezas onde quer que exista uma elevação rochosa. O que importa é a localização. Esta precisa ser estratégica, como seria caso sir Cavell tivesse construído sua fortificação na entrada do estuário do Somme.


— Como o que fez em Blackstone, em beneficio de Luís?


— Sim, como o que fiz em beneficio de Emory — respondeu o Falcão, com altivez.


Era tarde, e a jornada fora prolongada. Estavam ambos cansados e famintos. Com ar sombrio, Harry olhou por sobre o ombro para a coluna de soldados de Lotário que os seguia por toda parte. Se o tivessem posto à ferros, não se sentiria mais aprisionado.


— Chega — falou o ministro, de repente. — Estou morto de fome. — Com um sinal, indicou aos guardas que se apressassem.


— Vamos para Landais, Harry. Trata-se de uma longa cavalgada, mas meus ossos cansados necessitam do conforto que só minha esposa e meu lar podem me proporcionar. Acho que você também gostaria disso, não?


— Como quiser, milorde — Harry nem pensou em discordar. Ele também ansiava pelo calor e pelo aconchego que só experimentava ao lado de Gina.


Esporeando o cavalo, alcançou com facilidade a montaria em pleno galope de lorde Weasley. Atrás deles veio o tropel dos cavalos da escolta.


O barulho de tantos cascos a galope permitiu a Harry concentrar-se em seus pensamentos. O calor do mês de agosto escaldava aquela terra desde a costa da Normandia até as florestas e os serenos rios de Picardie. A cada dia, ele ansiava mais regressar à Saxônia, com seu verão ameno.


Neville tinha permanecido em Aachen, com uma esposa tão enamorada que mal conseguia fazer outra coisa a não ser levá-la para a cama.


Sendo assim, Harry não dispunha de um único homem de confiança com quem pudesse planejar um jeito de escapar.


Era loucura cavalgarem daquela maneira noite adentro em direção a Landais. Mas lorde Weasley avançava como um homem possuído por demônios. Como Harry não conhecia tão bem a região, não podia saber que o ministro de Lotário estava cortando caminho através de colinas e campos de caça, o que lhes pouparia horas de viagem.


De repente, encontraram-se na altura do moinho, numa estrada bem conservada, e, por fim, diante das paredes brancas de Landais. O barulho ensurdecedor de tantos homens a cavalo anunciou-lhes a chegada tremularam no interior da casa.


Ao saltar do cavalo que espumava e ofegava de exaustão,Harry permitiu que seus pensamentos se voltassem para a mulher. Gina se levantaria para recebê-lo?


Enquanto ele entregava as rédeas a um cavalariço, lorde Weasley desmontava, movimentando as pernas para restaurar a circulação e berrando como um touro à medida que se aproximava das portas abertas do hall.


Lady Molly encontrava-se no alto dos degraus que conduziam à entrada, com um xale de fina lã cobrindo os ombros. Após uma reverência respeitosa ao esposo ela passou os braços em torno do pescoço dele. Nenhuma das filhas estava a seu lado.


De modo deliberado, Harry deu as costas ao casal abraçado, ocultando a mágoa por Gina nem sequer se incomodado em vir recebê-lo. Depois de retirar a bagagem do dorso do cavalo, jogou-a por sobre o ombro, espanando a poeira das roupas. Suas pernas estavam dormentes, e o estômago protestava de fome.


Sem chamar atenção, entrou no grande hall no meio do grupo de soldados, todos empoeirados e carregando nos ombros os alforjes. Encontrando um conjunto de bacia e jarra cheia de água fria numa pequena mesa lateral Harry tratou de lavar as mãos e o rosto, acomodando-se depois à mesa principal, repleta de carnes, pão, queijo, vinho e cerveja.


Seus olhos percorreram o salão, onde serviçais corria, de um lado para outro, repondo os estoques de comida à medida que estes iam desaparecendo.


O rosto que tanto queria ver não se achava em parte alguma. Pelo menos tivera mais sorte que lorde Weasley, cuja esposa o arrastara do hall antes que homem tivesse a chance de beber um único gole de cerveja para tirar a poeira da garganta.


Uma jovem criada que ele não reconheceu veio encher-lhe de novo a caneca, inclinando-se com respeito diante dele. Seria impressão sua, ou havia medo na expressão da jovem?


De repente, de algum lugar no interior da casa silenciosa, a voz portentosa de lorde Weasley ergueu-se em fúria, significando que alguém devia encontrar-se em sérios problemas. Os homens ao redor de Harry ficaram muito quietos, escutando, tão incapazes de decifrar o motivo da distante gritaria quanto ele. Os criados estavam tensos, e os guardas encarregados da segurança da casa agarraram com força suas lanças.


Harry foi o único a conservar a calma, continuando a comer e a beber como se nada houvesse. Mas no íntimo sabia que alguma coisa estava errada.


Durante todo aquele verão, tinha receado o nó invisível em seu pescoço, ameaçando-lhe a paz de espírito, que começava a apertar-se de modo perceptível. E ele só podia especular sobre a notícia de que uma esposa teria a transmitir a um homem exausto depois de uma longa jornada e que provocasse tal reação. O sentimento de culpa veio de novo atormentá-lo.


Seu pensamento tornou a se voltar para Gina. Onde estaria ela? Talvez soubesse o motivo da fúria paterna e se encontrasse agora escondida no quarto, para fugir da ira do pai.


Harry havia terminado de comer quando lorde Weasley apareceu às portas do átrio. Parecia ter envelhecido dez anos naquele curto espaço de tempo. Mas o porte continuava altivo e cheio de dignidade.


— Milorde Emory. — Weasley aproximou-se da mesa. Seu tom de voz parecia forçado. — Já saciou sua sede e matou sua fome?


— Sim, sua mesa estava muito bem servida, milorde.


— Nesse caso se me permitir impor-me a Vossa Graça alguns momentos mais esta noite, gostaria de propor uma conversa reservada em meus aposentos.


"Aí vem", pensou Harry, "a minha sentença de morte". Mas, ao se pôr de pé, raciocinou melhor. Era o primeiro-ministro do imperador que se encontrava perturbado. Aliás, Harry jamais o vira tão abalado. Em silêncio, seguiu o sogro até uma ala privativa da casa.


Lady Molly já se encontrava à espera junto à porta que conduzia ao solário. A palidez do rosto dela era visível e os olhos castanhos demonstravam profunda tristeza. No olhar da sogra, Harry percebeu que não era ele que se encontrava em perigo, e sim alguma outra pessoa muito querida daquela dama forte e leal.


— Milady, o que a está perturbando tanto? — A pergunta escapou-lhe antes que pudesse se conter.


— Trata-se de minha filha, lorde Emory. — A mulher respondeu com voz embargada. Imediatamente, o marido veio ficar a seu lado, passando o braço por seus ombros.


— Gina foi embora.


— Embora? — A palavra ficou ecoando na cabeça de Harry, sem no entanto fazer sentido. — O que está dizendo? Foi embora para onde? Gina jamais iria a parte alguma sem me pedir permissão.


Saindo de perto da esposa, lorde Weasley foi servir um copo de conhaque, que entregou ao Falcão. Achando que lady Molly precisava mais da bebida restauradora do que ele, Harry colocou o copo na mão dela.


— Quer me contar o que houve, milady? Nada disso está fazendo sentido para mim. Que tal se nos sentássemos?


O corpo atlético de Harry achava-se esgotado depois da árdua cavalgada, e a mente em ainda piores condições. Lady Molly, porém, não conseguiu ficar sentada e pôs-se a andar de um lado para outro, torcendo as mãos de um jeito muito familiar a Harry.


— Hermione, minha filha mais velha, deu à luz um bebê no fim de julho. O menino nasceu antes do prazo e nos pegou a todos desprevenidos. Fui para Concórdia levando Lilá comigo. Gina permaneceu em Landais. Disse que não queria viajar para perto da corte e eu respeitei seu desejo. — Nesse ponto, Molly olhou para o belo genro com receio, mas em seus olhos brilhava todo o amor de uma mãe pelos filhos. ― Devo confessar milorde, que estou com medo de sua reação contra nossa família. Mas minha honra me obriga a lhe dizer toda a verdade, por pior que seja.


— Por favor, fale sem receio, lady Molly — encorajou-a Harry, para quem as palavras da sogra até o momento não faziam o menor sentido. Onde andava Gina, afinal?


— Foi minha culpa ter sido Gina aquela que você tomou por esposa. Achei que, de todas as minhas filhas, ela seria a que mais se adaptaria à sua vida. Sei o quanto tem sofrido, e o quanto Gina também sofreu. Imaginei que isso criaria um vínculo indestrutível entre os dois. Mas parece que me enganei quanto ao caráter dela.


No silêncio que se seguiu, o Falcão não conseguiu encontrar o que responder. Em seu estado de exaustão, mental e física, a importância da explicação de Molly não o alcançava.


— Milady, torno a lhe pedir que tenha a bondade de ir direto ao ponto.


Molly respirou fundo.


— Gina foi embora com outro homem, milorde.


Os olhos cor de esmeralda de Harry piscaram, confusos.


Um silêncio ainda mais mortal tomou conta do aposento, enquanto ele tentava entender o que acabara de ouvir.


— Não — disse, afinal, sacudindo a cabeça. — Isso é impossível. Milady, eu conheço Gina. Ela é uma mulher honrada demais para desprezar votos sagrados. Jamais acompanharia por vontade própria um outro homem. Além disso, tenho certeza absoluta de que Gina me ama.


— Milorde … — Molly deixou-se cair num banco, atônita com a reação que não esperava.


— Conte-me os fatos, por favor. Tudo o que sabe.


— Depois que partimos para Concórdia, um viajante apareceu aqui em casa. Nenhum dos servos o conhecia, e só falou com uma das criadas, Lana. Gina estava fora quando ele chegou. Quando retornou, foi saudar o visitante em meu lugar. Lana me contou que viu quando se abraçaram com carinho. Parecia que se conheciam muito bem. Na mesma noite, o estranho prosseguiu viagem. E na manhã seguinte, os criados descobriram que Gina havia desaparecido. E ninguém mais a viu desde então. Agimos como da outra vez, mandando grupos de busca a todos os pontos da região, interrogando todas as pessoas que pudessem tê-la visto. Mas, como há um ano, Gina desapareceu sem deixar rastros. Meu marido e eu só conseguimos chegar a uma conclusão: o homem que veio a nossa casa era o viking de Gina. E ela escolheu partir com ele. Lamento muito.


Molly inclinou a cabeça, envergonhada. Mas depois, respirando fundo, tornou a fitar Harry.


— Tenho de lhe dizer mais uma coisa, milorde. Você sabe que ela foi raptada, mas não sei se lhe contou alguma coisa sobre o tempo que passou em cativeiro. Sei, com a certeza de uma mãe que conhece muito bem os filhos, que Gina se apaixonou pelo homem que a capturou. Além disso, ela espera um filho dele.


Harry precisou fazer um enorme esforço para não gritar que o homem que raptara Gina não era nenhum viking. Em vez disso, ficou olhando para a sogra, sem ter o que dizer.


Em seu desejo de oferecer consolo e de certa forma defender a filha, lady Molly ficou falando sobre sua certeza de que fora o bebê que influenciara a decisão de Gina, de partir sem uma palavra de explicação. Talvez receasse pela integridade da criança, uma vez que Gui, o irmão mais velho, não recebera nada bem a notícia da gravidez de Gina .


Em meio à enxurrada de palavras, Harry ergueu a mão, pedindo silêncio. Explicou então que estava exausto e sem condições de assimilar tudo aquilo.


— Amanhã, quando estiver descansado, tornaremos a conversar.


Vendo que era inútil insistir, Molly retirou-se com o marido, para curtir sua dor. E Harry dirigiu-se para os aposentos que partilhara com Gina, onde um banho quente se encontrava à sua espera. Um barrilete do melhor conhaque de lorde Weasley fora deixado sobre uma mesa, para aplacar o temperamento do Falcão.


Impossibilitado de confiar seus pensamentos a quem quer que fosse naquela casa, Harry ficou andando de um lado para outro depois do banho, atormentado. Claro que a mãe já devia ter dado busca no quarto, procurando alguma pista que indicasse o paradeiro de Gina. Ainda assim, ele fez o mesmo, embora sem grandes esperanças.


O conhaque de lorde Weasley fizera um bom trabalho quanto a enevoar seu cérebro. Olhando para a cama, com as cobertas puxadas, pensou que esse não era, de forma alguma, o regresso que antecipara. Aquele leito luxuoso, com lençóis imaculados, não o atraía, apesar de todo o cansaço da longa viagem. Queria que Gina estivesse deitada ali, pois precisava dela mais do que nunca.


Frustrado, chutou a arca aos pés da cama e em seguida deixou escapar um gemido, porque contundira o pé descalço. Pulando num pé só, praguejou contra a própria  estupidez.


Foi então que reparou que o cadeado encontrava-se fechado. E tinha certeza de que o deixara aberto.


Pegando as chaves em seu alforje, destrancou o fecho e levantou a tampa. O odor de cera de abelha e de sândalo veio-lhe às narinas ao trazer uma vela para inspecionar o conteúdo. De imediato, a adaga sarracena de Gina atraiu-lhe o olhar. Ela nunca era vista sem esta. A lâmina fora espetada no coração bordado em sua suntuosa túnica de casamento. A ponta afiada da arma saía do outro lado, bem acima da cabeça do falcão. Harry correu o dedo ao longo da parte chata da lâmina. Esta achava-se fincada no coração e apontava para o símbolo de Emory. A casa dele.


Num gesto abrupto, Harry arrancou a adaga do tecido, escondendo-a sob as roupas do baú. Em seguida baixou a tampa e tornou a fechar o cadeado. Apagando a vela, deitou-se, afinal.


Sabia onde Gina estava. Ela fora para Blackstone. Fechando os olhos, o Falcão juntou todo seu autocontrole, obrigando-se a adormecer. Pela manhã, começaria a lidar com a explicação deixada por Gina. Havia ainda um mistério a ser solucionado: o motivo de sua partida precipitada para Blackstone.


No dia seguinte, Harry começou interrogando a criadinha que tinha servido a refeição para o visitante, forçando-a a se lembrar dos menores detalhes. Que aparência tinha o homem? Gina o havia chamado por algum nome? O interrogatório continuou em relação aos guardas dos portões, e ao cavalariço que cuidara dos cavalos.


Não lhe foi dificil concluir que o estranho que viera a Landais só podia ter sido Simas Finnigan. Apenas isso explicava o mistério da partida de Gina. Mas qual a razão de o mordomo-mor ter abandonado seu posto como guardião de Blackstone? E por que nenhuma notícia sobre possíveis problemas fora enviada a ele, durante todo o verão? Não conseguia imaginar o senescal sendo tão relaxado em seus deveres. O que teria levado Gina a partir com tanta urgência?


Harry teria gostado de poder confessar à sogra que ele sabia muito bem o quanto Gina amava o seu viking. Mas não podia revelar que era ele o viking, sem arriscar a própria pele. Isso o deixava impotente para assegurar a lady Molly que sua amada filha não traíra a confiança da família.


 


Não havia mais nada para Harry fazer a não ser prosseguir em suas tarefas junto a Lotário. Havia guerra em vários cantos do império, e o imperador esperava muito dele. Os espiões a serviço de lorde Weasley relatavam que o traiçoeiro irmão de Lotário, Luís, o Germânico, estava empregando vikings dinamarqueses, liderados por Ragnar Ladbock, para pilhar e arrasar o reino de Charles, o Calvo, outro dos irmãos. O alvo seguinte seria o território de Lotário.



O verão se prolongava, e com ele os dias de agradável temperatura. Neville era um homem completamente mudado, esgotado pelos prazeres da vida na corte e por uma esposa insaciável.


Quando Harry chegou com lorde Weasley ao solar de Aachen, ficou aliviado com a reação do sogro. Depois de examinar a obsessiva coleção de jóias baratas e outros badulaques que a filha não parava de comprar, o primeiro-ministro ordenou o imediato regresso de Luna para Landais. Lilá, que ainda se encontrava em Concórdia, foi mandada de volta para casa junto com a irmã. Neville dormiu por mais de vinte horas, de pura exaustão.


Ao acordar de seu muito necessário repouso, encontrou Harry sozinho, mergulhado em sombrios pensamentos no hall da mansão do sogro.


— Precisamos conversar — disse o Falcão sem maiores preâmbulos.


Ele falou então sobre o desaparecimento de Gina e sobre sua convicção de que sir Finnigan tinha ido a Landais porque algo de muito errado estava acontecendo em Emory. Falou também a respeito de sua preocupação com o filho, o pequeno Eric, detido como refém por Lotário, a fim de obter-lhe a contínua cooperação.


— Sei que o império está em guerra, Neville, mas este não é mais o nosso combate. Quando Lotário me dispensou em Montigney, ele renunciou a meus serviços para sempre. Tenho guardado em Emory o. pergaminho com o selo real em que o imperador jurou minha dispensa do qual você foi testemunha. Só que essa prova de nada me adianta agora, uma vez que Lotário retém a posse do meu filho. Cho está morta, e por direito o menino devia ser entregue a meus cuidados. Temos de encontrar um meio de arrancá-lo do imperador. — o Falcão falou, fitando a lareira apagada. — Ao chegar a hora de partirmos, Eric não poderá ficar aqui para ser usado contra mim.


— Diga-me o que quer que eu faça e será feito. Sou seu cavaleiro e também seu amigo — afirmou Neville, sem hesitar.


— Quando eu começar a empreender minha partida, quero que vá ao palácio e dê um jeito de raptar Eric e levá-lo para Blackstone com você e Luna.


— Tudo o que pedir eu farei. Além do mais, agora também somos parentes.


Pela primeira vez em muitos dias, as atraentes feições do Falcão se distenderam, e ele sorriu. Mas por pouco tempo. Logo sua mente voltou-se para a logística de sua fuga para a Saxônia. Um de seus navios, vindo para transportar parte dos dotes das duas irmãs para Blackstone, devia ancorar no estuário do Somme a quinze de setembro. E Harry tinha a firme intenção de nele embarcar, a qualquer custo.


Nem o Falcão nem Neville receberam alguma notícia de Emory durante os dias subseqüentes, o que era estranho em se tratando de sir Finnigan. Além de uma relação de censo, enviada ao palácio de Aachen por frei Laurence, nenhuma outra mensagem chegou. E Harry, ao receber o documento das mãos de lorde Weasley,no gabinete deste, ficara bastante preocupado. Tinha havido doze mortes, mas sem que as causas fossem relatadas. Sete eram bebês. As preocupações do Falcão naquele dia se concentraram quase totalmente em sua adorada Gina.


Ele sentia-lhe a falta mais do que nunca. Mais do que pensara ser possível sentir falta de uma mulher. Vezes sem conta, a lembrança da noite de núpcias na cabana voltava-lhe à memória.


Como fora desesperada e necessária, total e selvagem, a posse física de ambos.


Mas havia muito mais do que atração sexual entre eles. A adorável Gina fora a única mulher a tocar de verdade seu coração. De tal forma ela se apossara dele, que vivia ansiando para tê-la ao lado, aconchegada em seus braços, colada a seu corpo. E beijá-la até perderem o fôlego.


Essa vulnerabilidade diante do amor o deslumbrava e preocupava ao mesmo tempo. Tinha jurado, depois que Cho Chang lhe manchara a honra de modo tão infame, que nunca mais uma mulher derrubaria suas defesas. Mas Gina conseguira aos poucos entrar no mais íntimo de seu ser. E ele se via perdido de amor por aquela mulher.


Nunca antes fora atormentado por qualquer tipo de premonição. Mas por alguma razão os cabelos de sua nuca viviam arrepiados. Gina estava precisando dele. O feudo de Emory exigia sua presença.


Já não conseguia dormir direito, porque, cada vez que fechava os olhos, via o rosto de Gina em seus sonhos. E era um rosto abatido, esgotado por algum tipo de problema. Tinha de voltar para Emory a fim de protegê-la, salvá-la.


À medida que a data da chegada do navio se aproximava, Neville ia ficando cada vez mais receoso de que os planos de fuga falhassem. Harry estava tão angustiado, tão obcecado em sua preocupação com relação a Gina, que andava cego a tudo o que se passava a seu redor.


E Lotário, a quem nada escapava, foi ficando desconfiado. A cada dia colocava novos obstáculos no caminho de ambos, na forma de novas tarefas. Tiveram de acompanhá-lo a Quentowic, na costa, onde o imperador ia encontrar seu enfraquecido irmão Charles, cujo reino vinha sendo devastado pelos contínuos ataques dos vikings pagos por Luís. Paris fora saqueada, Rouen jazia em ruínas e os dinamarqueses achavam-se em toda parte, destruindo tudo.


Depois de descerem o rio Loire com seus navios, os vikings ancoraram em Nantes, que arrasaram e pilharam. Seguindo rio abaixo, com os barcos repletos de escravos e do produto dos saques, os bárbaros tinham estabelecido acampamento numa abadia abandonada na ilha de Noirmoutier, próxima ao estuário do Loire.


Charles tinha receio de que os invasores tivessem intenção de permanecer para sempre em sua posição fortificada, estabelecendo uma base de onde continuariam a pilhar e destruir seu reino. Ele tentara mesmo combatê-los perto de Paris. Mas Ragnar Ladbok provara ser um inimigo imbatível. Tinha atacado de surpresa a pequena porção do exército de Charles estacionada na margem esquerda do rio Sena, derrotando-os e fazendo uma centena de prisioneiros. Charles e o restante de suas tropas tinham observado, impotentes, da margem direita, a retirada de Ragnar e seus navios para a ilha situada no meio do Sena, chamada de Íle-de-France, onde enforcaram todos os prisioneiros.


E assim se dera o saque e a matança em Paris sem que o exército de Charles fizesse coisa alguma para impedir. Por tudo isso, Charles estava em maus lençóis quando Lotário se dirigiu a seu encontro em Quentowic. Precisava de um empréstimo do imperador para subornar Ragnar. O esperto dinamarquês estava disposto a cessar os ataques e a destruição e tornar-se protetor de Charles contra outros vikings mediante o pagamento de cinco mil libras de prata.


Lotário, ainda mais esperto, concordou em conceder o empréstimo ao irmão mais novo, desde que este jurasse submissão e aliança permanentes a ele.


Harry em nada contribuiu para as negociações, e nem mesmo se interessou em combater um navio viking avistado ao longo da costa, em terras imperiais.


Irritado, Lotário chamou Neville Longbotton para conversar, no caminho de volta para Aachen.


— O que está acontecendo com seu suserano, o grande Falcão de Emory? Consegui colocar Charles em seu devido lugar, e agora preciso de Harry para me ajudar a pôr um fim às maquinações daquele meu irmão canalha da Germânia. Luís é o verdadeiro inimigo. Só que enquanto tento pôr este império nos eixos, o melhor guerreiro de todos os tempos fica perdido pelos cantos, sonhando com uma mulherzinha qualquer.


Respeitosamente, Neville replicou:


— Monsigneur, permita-me lembrá-lo de que foi Vossa Majestade quem insistiu nessa união.


— Nunca pensei que ele pudesse ficar tão apaixonado, tendo sido traído por uma vagabunda.


Neville permaneceu em silêncio prudente.


— Diga a Harry que eu quero que vá agora para Lorraine. Já enviei Malfoy para estabelecer um cerco a Lejeun. Quero essa cidade tomada antes do primeiro dia de outubro. E depois, toda a região protegida. Não quero Luís respirando em meu pescoço quando a primavera chegar. Por tudo o que é mais sagrado, terei esse desgraçado sentado à mesa em Verdun, assinando o tratado ao lado de Charles, ou sua cabeça espetada num poste. Diga a Harry que essas são minhas ordens para ele.


Antes que Neville pudesse objetar, alegando serem vassalos de Luís em primeiro lugar, e dispensados de seu voto de submissão a Lotário, este esporeou o cavalo, galopando para a frente da coluna de soldados em marcha.


Contudo, Neville sabia que não seria um cerco a uma pequena guarnição de vikings desgarrados em Lejeun que iria alterar o estado de espírito do Falcão. Nem sua decisão de partir para casa.


Uma boa coisa, porém, adveio das ordens de Lotário.


Antes de entrarem em combate, Harry e ele obtiveram permissão para colocar em ordem seus assuntos particulares. No caso de Neville, isso significava uma ida a Landais para ver Luna. Alguns beijos apaixonados não fariam mal a um homem que partia em combate. Para sua surpresa, Harry concordou em seguir com ele.


Os inevitáveis soldados de Lotário protestaram contra o desvio em sua destinação. Sir Marcus, general do imperador, alegou que o atraso prejudicaria o cerco a Lejeun. Nada disso demoveu os dois saxões de sua decisão. E eles se dirigiram para Landais.


Chegaram no dia dezoito, sem aviso, e encontraram o solar fervilhando de atividade. A família estava comemorando o aniversário de casamento dos pais de lady Molly e também o aniversário de Hermione. A casa estava tão cheia de convidados, que quase não havia lugar para os soldados de Lotário.


Sir Marcus teve de aquartelar seus homens em Longervais. Apenas dez de seus cavaleiros e escudeiros, e ele próprio, foram recebidos em Landais. Mesmo assim, as tropas ficaram alojadas em barracas externas, enquanto Harry e Neville eram convidados a juntar-se à família, dentro da mansão.


Entrando na ala privativa dos senhores do solar, Harry teve uma grande surpresa. Sentado à grande mesa do jantar, entre a mais velha e a mais nova das irmãs Weasley, encontrava-se Draco Malfoy. O Falcão não conseguiu disfarçar o desprezo ao perguntar sem maiores rodeios:


— O que faz aqui, Malfoy? Mandou outra pessoa em seu lugar para Lejeun?


Os olhos acinzentados de Draco se arregalaram.


— Lejeun? Aquilo não passa de um torreão em ruínas no meio de uma planície alagada. — Com um sorriso de desafio, ele se levantou da mesa e avançou para junto de Harry, olhando com desdém para os dois empoeirados cavaleiros em traje completo de combate.


Retirando o elmo, Harry o encarou, dominando o francês com sua alta estatura.


— Ah! — Malfoy deu uma risadinha de superioridade. — Vejo que se transformou no caçador de vikings do imperador, meu amigo.


— Não se atreva a me chamar de amigo.


— Basta, milordes. — Lorde Weasley colocou-se entre ambos. — Esta não é a hora de reabrirem velhas feridas. Hoje é um dia de festa para nós. Sejam bem-vindos, Harry, Neville. Estou muito feliz por estarem aqui. Molly, mande vir mais cerveja e vinho para estes nossos dois filhos.


Depois disso, tudo transcorreu com calma e alegria.


Harry e Neville foram apresentados a Hermione e seu bebê, um robusto garoto, e a cumprimentaram pela data e pelo filho.


Em meio às efusões gerais, Harry sentiu de repente uma pequena mão tocá-lo no braço com insistência. Voltando-se, deparou com a caçula das irmãs tentando chamar-lhe a atenção.


— Preciso falar com você, milorde.


As palavras sussurradas soaram no exato momento em que Luna, com um grito de felicidade, atirava-se nos braços de Neville.


Em meio à risada geral, Harry mal ouviu a vozinha suave de Lilá, que continuou falando:


— Tenho notícias muito importantes para lhe transmitir. — Seu olhar pousou em Draco Malfoy, que voltara para a mesa, e ela corou até a raiz dos cabelos. — Mas não posso falar aqui. Há muitos ouvidos que não podem ficar sabendo do que tenho para lhe contar.


Com uma inclinação de cabeça, o Falcão demonstrou que havia entendido. Depois de acompanhar Lilá de volta à mesa, e cumprimentar o idoso casal de homenageados, sentou-se e comeu em silêncio, tentando decifrar o mistério das palavras de Lilá.


 


A festa prosseguiu, com lorde Weasley encarregando-se da maior parte da conversação.


Não demorou muito para Luna convencer Neville a se retirar. Pouco depois, o casal de avós também se recolhia a seus aposentos particulares, seguidos pelas damas.


Tão logo lhe foi possível, Harry, alegando cansaço pela longa jornada desde Aachen, retirou-se também. Não ficou muito tempo sozinho em seu quarto. Apenas alguns minutos se passaram antes que uma leve batida se fizesse ouvir à porta.


Lilá entrou sorrateiramente, olhando por sobre o ombro para ver se era observada. Seus pés foram deslizando sem o menor ruído pelo grosso tapete persa, enquanto avançava pelo aposento.


— O que tem para me dizer? — Harry perguntou, curioso.


— Ontem, na vila, um jovem me parou, pedindo-me para transmitir uma mensagem urgente a você e a ninguém mais.


— Sabe o nome dele?


— Disse que se chamava Ronald, e que era seu primo. Como era parecido com você, acreditei. Mandou que lhe dissesse que, por razões de segurança, mudou seu navio do local onde estava ancorado para Nez sur Mer. Foram atacados duas vezes. Falou que você conhecia a enseada escondida, e que vai aguardar lá por uma semana, e nem um dia mais. Outra coisa, milorde. Quando soube que sir Malfoy havia chegado, corri para os aposentos de trabalho de papai, para saudá-lo. Sem querer, ouvi Draco dizer a meu pai que o imperador o tinha enviado até aqui com o propósito de destruir seu navio. Também disse que você fora mandado numa missão sem importância, apenas para afastá-lo do local.


— Bem que eu desconfiava — Harry afirmou, pensativo. Suas sobrancelhas se franziram. — Só não entendo o que você espera ganhar contando-me tudo isso.


— Nada, milorde. O que tinha a ganhar já ganhei quando se casou com minha irmã Gina, e não com Luna. Sabe, lhe devo a chance de obter o homem que sempre desejei para marido, Sir Malfoy. Ate agora não tinha muitas esperanças, porque ele só tinha olhos para Gina. Desde o casamento de vocês, as coisas mudaram. Não entendo o que o imperador quer de Draco, nem por que quer fazer tanto mal a você. Só sei que tanto ele quanto papai têm que obedecê-lo. Mas você, pelo que ouvi dizer, nada mais deve ao imperador, uma vez que este o dispensou de seu serviço depois de Montigney. Mas existe alguma coisa contra você, e creio que corre perigo. Agora, desculpe-me, mas preciso ir. Tenho medo de me descubram aqui.


E a menina saiu.


Depois que Lilá se foi, Harry passou algum tempo pensando em tudo o que ouvirá e andando de um lado para outro. "Chega desta loucura", concluiu, "vou para casa. E vai ser hoje mesmo".


Impaciente, livrou-se do peso incômodo da armadura de combate, deixando cair sobre o tapete as pesadas peças. Depois, chamando uma serva que passava pelo corredor, ordenou que lhe fosse trazida uma banheira com água quente até a borda, e que a trêmula criadinha fosse até o quarto de Neville e o arrancasse da cama, não importando a atividade que estivesse exercendo.


Pouco depois o Falcão sentava-se na banheira de madeira polida, pensando no curso de ação a ser seguido. Tomando uma decisão, levantou-se de repente, e vestindo apenas uma macia túnica de lã e os calções colantes de malha, calçou botas mais leves e flexíveis, próprias para cavalgar.


Diante de uma batida na porta, foi abrir, na certeza de que era Neville. Para seu assombro, tratava-se de lady. Molly.


— Meus criados disseram que você parecia aborrecido. Espero que não seja com nossa hospitalidade. Há alguma coisa que deseje que eu possa providenciar?


Harry estudou o belo rosto da sogra e os olhos castanhos, sabios e leais, e resolveu que podia confiar naquela mulher decidida.


— Não há nada que eu deseje, milady, a não ser deixar esta terra e voltar para meu feudo, onde minha presença é tão necessária.


As feições ainda jovens expressaram confusão.


— E o que o impede, milorde? Espero que não seja minha tola filha Luna. Ela não enxerga além do próprio nariz.


— Não. Por mais afeição que tenha por minha cunhada, e por mais preciosa que seja minha amizade com Neville, não é a felicidade de recém-casados que ostentam que me impede de partir. São as maquinações de Lotário que me mantém preso nesta armadilha.


— Ah, a velha raposa … — suspirou lady Molly. Olhando para a porta que deixara aberta, acrescentou: — A noite está tão agradável! Gostaria de me acompanhar num passeio aos jardins?


— Seria um enorme prazer — respondeu Harry, apreciando cada vez mais a sogra.


Em meio ao perfume do roseiral, ela sorriu para o genro.


— Por alguma razão, Harry, você parece menos perturbado agora do que da última vez que o vi.


— Oui, madame. Estou bem melhor agora, apesar de todas as tramóias de Lotário para me segurar na França, impedindo-me de voltar a meu país.


— Posso lhe confessar uma coisa? — Perante o aceno afirmativo de Harry, Molly prosseguiu: — Sabe, nunca fui muito chegada à vida da corte e, embora deva obediência a nosso imperador, nem sempre seus métodos me agradam. Para mim, a felicidade de meu marido e de meus filhos vem em primeiro lugar. Desde que não atraiçoe meu país ou meu monarca, procuro sempre viver de uma maneira diferente da maioria das mulheres de minha posição. Apesar de estar no campo a maior parte do tempo, permaneço a par dos acontecimentos da corte, já que Arthur me conta tudo o que não seja segredo de Estado. Não gostei de o imperador ocultar por tanto tempo de você a existência de seu filho, o menino de nome Eric, e agora o estar usando como arma para garantir sua lealdade, caso Luís resolva atacar a França. Em minha opinião, você já provou, por incontáveis vezes, essa lealdade ao nosso imperador. E não é justa a maneira como ele o vem tratando.


— Não tenho queixas a fazer, milady — Harry respondeu, cauteloso.


— Pode confiar em nós, meu filho. Não há traidores em Landais. E eu gostaria de poder ajudá-lo. Acho que já sofreu demais na vida, e merece alcançar a felicidade.


— Agradeço-lhe, madame, mas não há muito que possa fazer.


Molly permaneceu um instante em silêncio, considerando-o, pensativa.


— Sabe — falou por fim, gostaria de ter gasto mais energia tentando descobrir o que se passava na cabeça de Gina. Sinto-me culpada. Queria tanto que a união de vocês fosse compatível!


Virando,o rosto, o Falcão pôs-se a olhar para um canteiro.


— Acredite, milady, Gina e eu somos por demais compatíveis.


— São? Por mais que tente, não consigo ver Gina como traidora. Ela sempre foi tão honesta e leal… Se fosse assim tão desprezível, com certeza eu teria percebido traços em seu caráter. Sabe, nem sequer uma vez ela falou uma palavra desagradável a seu respeito. — Seu cenho se franziu de preocupação, e ela encarou Harry durante algum tempo, procurando uma pista que fundamentasse suas conclusões. Mas as belas feições nada revelavam. Suspirando, continuou: — Há uma coisa que vem me perturbando desde que Gina se foi. Ao partir, ela levou um frasco ou pote de cada tipo de medicação, que já produzi. E agora, você diz que precisa voltar a seu feudo porque … Como foi mesmo que falou?


— Só falei que minha presença é necessária junto a meu povo.


— Tem havido mortes?


— Sim. No censo de verão enviado pela abadia constam doze mortos.


— E isso é normal?


— Para um povo robusto e saudável como é o meu, não.


— Sei. — Molly tinha vontade de sacudi-lo para ver se arrancava mais informações. Mas Harry era mais fechado que uma ostra. Resolveu então agarrar o touro pelos chifres e expressar suas próprias conclusões. — Lorde Emory, pode ter acontecido de Gina não ter traído nossa confiança? Você desconfia, como eu, que ela partiu para seu feudo, na Saxônia? Quem sabe um mensageiro depois de procurar por você em Aachen, foi encaminhado, até aqui, encontrando apenas Gina e lhe contou as terríveis notícias? Num caso desses, Gina não se consideraria no dever de agir em seu lugar, como duquesa de Emory e castelã, e partido com o mensageiro? Ela seria capaz de uma atitude dessas se acreditasse ser necessária, ainda mais sendo entendida na arte de curar doentes.


Como a mente ágil daquela mulher e sua intuição feminina a haviam colocado no caminho certo para alcançar a única conclusão possível A premonição nunca antes sentida continuava a alertá-lo; "Para casa, para casa". Mas esse era um fato que precisava permanecer em absoluto sigilo, por causa de Lotário.


— Para terminar, Lorde Harry, tenho certeza de que minha Gina jamais o traiu. Ela sempre teve o mais amoroso e leal dos corações.


Os cantos da boca de Harry ergueram-se num sorriso relutante.


— Gina é a mulher mais corajosa que conheço, milady. Se eu ousar concordar com a descrição feita por sua intuição de mãe, serei obrigado a fazer uma confissão.


— Uma confissão?


— Sim. Uma consciência culpada sempre perturba até a alma mais empedernida. Tenho refletido sobre certas suposições, achando que poderia deixar este vosso país, e que o passado nada mais significaria.


— Receio não estar entendendo. Estará se referindo a Gina, por acaso?


— Ainda está convencida de que Gina se apaixonou de verdade pelo viking que a raptou? — Vendo o embaraço e a hesitação de Molly, Harry insistiu: — Por favor, é muito importante que diga a verdade.


— Não queria feri-lo, fazendo de novo essa afirmação, mais oui, Gina o ama de verdade. Mas, ao contrário de meu marido, não acredito que ela tenha traído os votos matrimoniais.


— Tenho certeza de que Gina não fez isso, milady. A honra de Gina é inquestionável. Essa honra a protege e se irradia em torno dela de forma que todos possam ver. Até um tolo teimoso como eu, incapaz de enxergar o que esteve todo o tempo diante de meus olhos.


O fato de Harry estar sorrindo ao falar fez lady Molly encará-lo com surpresa. Levantando-se, ela o estudou dos pés à cabeça.


Numa voz quase sem entonação, sussurrou:


— Gina ama o viking de todo o coração. Alguém já lhe disse, milorde, que você poderia ser confundido com algum parente de Ragnar Ladbok?


Harry deu uma risadinha.


— Espero que minha educação seja melhor que a dele.


— Ah, quanto a isso não resta dúvida. Mas você tem o mesmo tipo físico de um viking: alto, forte . É muita coincidência, não é? Algo para se pensar. Gina não me disse nada. E sabe que ela costumava me contar cada pensamento que lhe passava pela cabeça? E tem mais uma coisa, milorde, você negociou dura e longamente por uma noiva cuja virgindade não podíamos garantir, e que poderia até estar esperando um filho de seu raptor, recusando a que era virgem e com um dote também valioso. E então, Harry, estou acertando o alvo? Vai confirmar minhas suspeitas, ou me deixar especulando através dos anos?


Prudente demais para ficar esperando pela resposta, lady Molly deu as costas ao genro e começou a andar pela alameda de pedras arredondadas. Junto a uma pequena árvore ela se deteve e, sorrindo, estendeu uma mão ao saxão, esperando que viesse acompanhá-la.


— Venha, Harry. Temos de cuidar da sua partida segura de Landais. Venha comigo.


Já quase chegando ao solar, Molly tornou a parar. Fitando os olhos muito verdes dele, que nada confirmavam ou negavam em relação a suas suspeitas, falou:


— Tenho mais uma pergunta a fazer e espero que essa possa ser respondida. Você ama minha filha?


Harry ficou calado durante algum tempo, olhando para o rosto ansioso da sogra. Depois, em tom suave, mas firme, respondeu:


— De todo o coração. Gina é minha vida.


Fechando os olhos, lady Molly emitiu um profundo suspiro de alívio e felicidade.


— Tenho rezado por isso todos os dias. Obrigada, Harry. Que Deus o acompanhe para junto dela.


Emocionada, a mãe de Gina levou um lenço de linho aos olhos, aproveitando a pausa para recuperar a compostura.


— Agora que nossa reunião familiar terminou, o hall foi ocupado pelos homens do imperador. Preciso cuidar para que eles tenham uma boa noite de sono. Aliás, bem merecida. Deixe tudo por minha conta, meu filho.

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(N/A) Bem meus amores como podem ver a historia já caminha para o final. Continuem acompanhando, Bjos!!! 

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