Na última semana eram como se fosse inseparáveis. Ginny, Hermione e Alissa sempre juntas, embora Mione e Alissa não tenham se dado muito bem, uma vez que uma parecia sempre querer provar para a outra que era melhor. Alissa alegava que se realmente Hermione fosse mais inteligente, estaria na corvinal, já Hermione dizia que se não fosse tão corajosa e valente, com certeza estaria na casa de Rowena Ravenclaw.
Aquele era o último dia dela ali. Mione havia ajudado Ginny a preparar algo incrível para as duas se despedirem enquanto Alissa arrumava suas malas. Por ser sua noite de ronda, Hermione ficaria encarregada da segurança das duas durante a noite, para que não fossem pega na antiga sala de adivinhação por nenhum professor ou por Filch. Ela estava completamente desgostosa com a situação, onde já se vira, quebrar as regras para que a garota que gostava ficasse à sós, num momento romântico com sua namorada? Espera, garota que gosta? Eu quis dizer melhor amiga!
Logo após do jantar as amigas de despediram e Ginny rumou para o sétimo andar. Embora não gostasse de estar quebrando tantas regras, Hermione não conseguia esconder sua alegria. Esperava que Ginny pensasse que estava feliz porque a amiga teria uma noite incrível, mas, na verdade, nem ela sabia o motivo da sua felicidade. Será que era porque Alissa iria embora? Em sua cabeça, ela tentava se convencer que Alissa não era a melhor pessoa para sua melhor amiga ficar.
Granger começou sua ronda. Queria nesse momento ter aceitando quando Harry lhe ofereceu o mapa do maroto para poder vigiar melhor o que acontecia nos arredores da sala, mas ela não pensou que sem os dois outros membros do trio, ela se atreveria em passear pelo castelo durante a noite. Ela também ia querer vigiar o que acontecia dentro da sala, possivelmente veria que dois corpos podem sim ocupar o mesmo espaço e, só aquele pensamento fazia seu estômago se revirar. Esperava que Ginny se lembrasse de utilizar feitiços abafadores, uma vez que ela não poderia fazer ronda apenas naquele andar e, nem queria ouvir nada.
Cruzou com Finch diversas vezes, ele a olhava feio por todos os seis anos que ela quebrou regras junto a Ron e Harry, mas ela era monitora chefe agora pelo seu próprio mérito. Em meio ao nervosismo, mandou dezenas de alunos do segundo, terceiro e quarto ano para seus respectivos dormitórios, mas sua cabeça estava em Ginny Weasley. Queria poder ser ela ao invés da loira. Poderia ser ela nos braços de Ginny. Por que ela pensava nisso??
Eram onze e meia. Estava na hora de acabar sua ronda e ela agora ficava exclusivamente no andar da sala onde Ginny estava. A garota não saia e ela não queria atrapalhar, mas também não poderia parar de vigiar o corredor para a amiga. Esperou dez minutos, mais dez e mais dez, até que meia noite a porta se destrancou. Ao contrario do que pensava, não saíra Ginny e Alissa aos prantos já demonstrando saudades, mas apenas a ruiva, com os olhos inchados, correndo na direção oposta da outra grifinória, sem nem olhar nos olhos da castanha.
– Ginny? – Gritou Hermione, mas essa não parou de correr. Ela foi ate a sala e se deparou com ela vazia, exceto pelo jantar intocado na mesa, o futon bem arrumado, a não ser por algumas almofadas que pareciam ter sido jogadas contra as paredes. Na janela havia uma coruja parda, parecia esperar uma resposta ou uma recompensa por ter entregue uma carta. Mione ignorou. Com um feitiço fez com que tudo ali desaparecesse e seguiu correndo em direção ao dormitório. Sabia que Ginny estaria lá. Por mais que quisesse ficar sozinha, também precisaria desabafar.
Chegou ao dormitório em menos de três minutos e assim que abriu a porta ouviu o barulho de algo quebrando em estilhaços e caindo sobre o chão do banheiro. Nem aparatando chegaria tão rápido até o banheiro como chegou. Lá dentro encontrou Ginny com as mãos e pés sangrando, com cortes e pequenos cacos de espelhos cravados. A ruiva estava completamente nua, como se fosse tomar banho naquele momento, com o rosto coberto de lágrias e o corpo tingido de vermelho de seu próprio sangue.
Hermione a abraçou, sujando sua roupa impecável e, com uma força que não era sua, levou pegou Ginny em seus braços e levou até o dormitório, a colocando em sua cama. Ela começou a ficando em prantos novamente, apertando um travesseiro contra seu rosto, como se quisesse se sufocar. Granger não sabia o que fazer para ajudar a amiga, mas logo começou a conjurar feitiços para limpar e curar as feridas da amiga. Feitiços de cura não eram o seu forte, mas ainda assim ela estava muito concentrada para não aumentar o sofrimento dela.
– Ela não apareceu, Mione! Me mandou uma carta dizendo que era melhor que as coisas terminassem assim, sem uma despedida. Que não sabia o que dizer para mim... Que preferia assim, sem uma despedida de fato! Eu tava disposta.. tava disposta a continuar aqui e ela lá na França!!– A voz de Ginny era abafada pelo travesseiro, mas Hermione conseguia entender perfeitamente o que ela queria dizer e aquilho lhe doía mais do que mil espadas.
Não sabia explicar o motivo daquilo tudo lhe incomodar tanto. Claro que não gostava de ver sua melhor amiga sofrer, mas não parecia ser só isso que lhe incomodava. Sentia uma tristeza por ela estar sofrendo, mas acima disso, se sentia triste por ela estar sofrendo por outra pessoa. Não conseguia entender, mas sentiu ódio da outra por ter partido o coração de Ginny, queria juntar todos os pedaços e colocar ela mesma.
– Ela não merece você, Ginny! Você não via os seus defeitos porque está apaixonada... Você é incrivel, você é a pessoa mais desejada de Hogwarts, todos querem ter a chance de estar ao lado de Ginny Weasley! A ruiva fatal, que faz qualquer um ficar de pernas bambas, que faz todos suspirarem, que..– Ela parou de falar. Começava a sentir que tudo aquilo era realmente verdade, que não se tratava de algo que se diz para confortar alguém. Ginny mexia com todos em Hogwarts. Ginny mexia com ela.
Aquela noite as duas dividiram a cama da morena. Os ferimentos físicos haviam sido quase que completamente curado, o banheiro havia sido limpo, assim como o corpo da ruiva e o espelho havia sido concertado. Tudo parecia estar completamente em seu lugar, como se nada tivesse acontecido. Se não fosse pelas feridas emocionais de Ginny, um pedaço discreto do espelho que não estava no seu devido lugar e as duas amigas deitadas juntas; Ginny completamente nua, apagada e Hermione com seu uniforme sujo de sangue, a abraçando como se pudesse protegê-la de todo mal do mundo. Ela realmente achava que podia.