CAPITULO 2
-Eu juro! – Trevor vinha dizendo pelos corredores apinhados – Era uma mulher! E era linda...
-Ah, tá! – disse John – Você deve ter visto o fantasma de Lorelaine. Dizem que é uma fantasma bem bonitinha... – ele riu.
-Que é isso, John! Não tire sarro do nosso amigo, aqui! – Luky deu tapinhas no ombro de Trevor, contendo o riso – Todo mundo sabe o que acontece com homens em abstinência, não sabem???
Os três explodiram em risadas e Trevor bufou.
-Vocês vão se ferrar! Ela não me deu gelo!
-Ah, claro que não. – John instigou – Todo mundo viu, Trevor! Aquela francesa o esnobou e deixou falando sozinho na mesa! Mesmo seu dinheiro ela detesta. Acho que isso aliado ao vinho, o fez ter fantasias, caro amigo!
-Não era uma fantasia! – ele disse irritado – Ela era real. Eu não sei como, nem porque, mas ela estava ali na minha frente. Tão linda... – ele parou no meio do corredor, com expressão sonhadora – E tudo que eu queria era estender minha mão e... – ele olhou para as próprias mãos. Os amigos haviam retido a respiração, um pouco intrigados com a profundidade do seu olhar. Trevor suspirou e sorriu debochado como sempre, afastando aqueles sentimentos que o deixavam sérios demais – Eu não sei como uma mulher entraria aqui, mas definitivamente não era prof.Dulce!
Os três caíram da risada. Logo atrás, McGonagall sorriu também.
Sentia o coração acelerado, pois falavam dela.
-Sabe do que você precisa, Trevor? – ouviu a voz animada de Luky – De uma visitinha a Madame Alerdy! Hoje a noite, você irá se esquecer de tudo e de todos nos braços de uma mulher real, caro amigo! Real!
McGonagall sentiu a decepção e tentou sorrir quando Trevor virou-se para ela, e disse com aquele meio sorriso abobalhado que ele usava às vezes:
-E então, McGonagall? Ressaca?
-Das grandes! – ela disse, com o seu melhor tom masculino.
-Hoje a noite, iremos nos divertir de novo, McGonagall, e você verá, como essa ressaca passa rapidinho! – John lhe deu um daqueles tapas nas costas que a irritavam profundamente. Lançou-lhe um olhar indignado e entrou na sala de aula.
-Sempre tacanha, McGonagall. – Disse Trevor alto para ela ouvir, logo atrás dela – Sempre tacanha!
Eles riram, e ela disse a si mesma que homens eram assim. Sempre assim.
A noite chegou rápida e McGonagall estava esperando John e Luky ao lado de Trevor. Eles estavam no corredor, do último andar. Trevor estava inclinado na janela observando ansioso.
McGonagall o olhou sem que ele pudesse ver o que havia ali em seus olhos. Disfarçou com um bocejo quando ele a fitou.
-Aí vem eles!
Luky e John, vinham com suas varinhas, sobrevoando o telhado.
-Esses dois são loucos – Trevor disse, saltando para o parapeito da janela, perigosamente perto de cair. Montou na vassoura de John e McGonagall fez o mesmo com Luky.
Procurou manter a maior distância possível dele. Não desejava que seus corpos se encostassem e ele notasse algo. Descontraiu-se ao sentir o inconfundível cheiro de Whisky de fogo.
Como era de prever, ele já enchera a cara antes mesmo de deixarem o castelo.
Luky e John se fitaram rindo e num mudo convite ambos aceleraram, e McGonagall arfou prevendo que eles tinham algo em mente. E não estava errada.
Logo que tomaram altura, o bastante para verem apenas um pingo lá embaixo, onde deveria estar o castelo, ambos começaram a fazer acrobacias.
A vassoura de Luky girou trezentos e sessenta graus e ela agarrou-se a ele em pânico. Detestava voar!
Foi quando sentiu. Seu corpo colado contra ele. Seus seios sentiam a rigidez dos músculos de suas costas. Seus braços agarravam a cintura dele, e suas mãos apertavam sem dó o abdome liso e arfante, pois ele ria sem parar. McGonagall estava terrivelmente consciente do quanto era mulher nesse momento. A nuca dele tão perto da sua boca. Seus ombros assustadoramente largos e firmes.
Os cabelos louros caindo sobre sua orelha, o queixo quadrado, tão diferente do seu.
Seu cheiro. Luky cheirava a terra. E a Whisky. Cheirava a pecado.
Quando a vassoura finalmente diminuiu a altitude, ela soube que seria desmascarada.
-John, você enlouqueceu? – ouviu Trevor gritar – Eu quase cai, seu trasgo! Filho de uma...!
-Hei, calminha, Trevor! Foi idéia, minha! – Luky riu, jogando a cabeça para trás – Vê? McGonagall nem se abalou! Foi legal, não foi?
Sua voz arrastada e seu sorriso bobo a tranqüilizou. Ele estava tão bêbado que nem esperou resposta. Acelerou novamente, ele e John travando uma corrida com suas vassouras enquanto Trevor gritava obscenidades e ameaças de todos os tipos.
Minerva, porém, aproveitou aquele raro momento de liberdade.
Não tivera aquele tipo sensação até conhecer Trevor, porém agora, ela tomava consciência do quanto feminina ela era. Aquilo fora desejo. Desejo puro e liquido correndo por cada fibra de seu corpo.
Não era apenas um saco de carne e ossos vestido de homem. Era mulher.
Olhou para frente, onde a vassoura de John cortava o céu rapidamente e então para Trevor.
Ele ainda gritava, porém era obvio que ria com prazer.
Calor se espalhou por seu corpo.
Nunca poderia conquistá-lo.
Ele era seu melhor amigo. McGonagall não poderia seduzi-lo.
Mas Minerva...Bem, ela poderia tentar.
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