Oi!!! Resolvi adiantar o capítulo 12!!!
Muito obrigada pelos comentários r.ad e Laauras!!! Vocês são demais!!! :D
Agora eu vou parar de enrolar e vamos logo para os finalmentes, kkkk! (eu não presto kkkk!) :D
Divirtam-se!!! Boa leitura!!!!
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CAPÍTULO DOZE : "A grande noite"(Tem NC18)
Por mais estranha que fosse a situação, pensou Hermione, ainda era Harry, um homem que conhecia e de quem gostava, durante toda a sua vida. E, por mais ridículo que tudo parecesse, ela ainda o desejava. O nervosismo era tão inoportuno quanto a música de harpa e as velas acesas.
Por isso, quando Harry pôs as mãos nos seus ombros, quando as desceu pelos braços, para pegar nas suas mãos, ela ergueu a cabeça.
- Se eu rir - murmurou Hermione-, não é nada pessoal. É apenas porque toda a situação me parece engraçada.
- Eu não me importo. Como ele apenas a observava, esperando, Hermione ergueu-se na ponta dos pés e beijou-o na boca.
Não tencionava precipitar nada, pois já concluíra que Harry não o permitiria, mesmo que tentasse. Mas, depois da amostra inicial, ela queria mais. Queria tudo. E depressa. As suas mãos contraíram-se quando mordeu levemente o lábio inferior de Harry.
- Sinto um desejo enorme por você. Não consigo evitar.
- Quem está te pedindo para evitar?
Ele não se precipitaria, com toda a certeza, mas era tentador acelerar o ritmo. Aquele corpo pequeno, esguio e fascinante já vibrava contra o seu. A boca de Hermione era como uma febre. Mas ele refletiu que seria muito mais satisfatório deixar que ela o levasse à loucura por mais algum tempo.
- Sobe em cima de mim. - Ele largou as mãos de Hermione e segurou-a pelas ancas, levantando-a, até que ela passou as pernas à volta da sua cintura, como já fizera uma vez antes. - Beija-me de novo. Gostei daquilo.
Agora ela riu. O nervosismo que a preocupava antes desapareceu por completo.
-É sério? Pelo que me recordo, na primeira vez em que fiz isto... – Hermione aproximou a boca ao ponto de sentir a respiração dele, depois recuou. Repetiu o gesto. - Dava a impressão de eu ter te acertado na cabeça com um martelo.
- Isso foi porque eu não estava esperando, e você virou o meu cérebro do avesso. - Harry apertou o bumbum de Hermione, num movimento cordial, de intimidade. - Aposto que não consegue fazer isso de novo.
- Como é? Então isso é uma aposta? - Os olhos de Hermione faiscaram com o desafio, com a diversão. Ela levou as mãos cerradas aos cabelos de Harry. - Está prestes a perder.
E ela empenhou-se a fundo, como Harry teve de reconhecer. Quase podia sentir os seus olhos revirarem, enquanto Hermione atacava a sua boca. Havia ocasiões em que a rendição não era absolutamente uma experiência humilhante. Havia uma insinuação de vinho na língua de Hermione, forte e quente. Misturada com o seu próprio sabor, formava uma combinação adorável e inebriante, deixando-o tonto.
A música de harpa e a luz das velas, uma mulher de sangue quente a abraçá-lo. Harry deixou que a paixão e o romance o envolvessem por completo. De uma forma sedutora. Excitante. O prazer assumia uma nova intensidade. Ela sentia os dedos de Harry a comprimir as suas ancas, ouvia a sua respiração acelerar, como um homem que subia correndo uma longa ladeira.
Quando ele mudou de posição, virando-se para a cama, Hermione teve uma sensação de triunfo. Haveria de tê-lo agora. À sua maneira. Rápida e furiosa. Para acabar com aquela terrível pressão no peito, ventre e cabeça. A sua respiração saiu num ofego de riso, quando Harry a estendeu na cama, cobrindo-a com o seu corpo, comprimindo-a contra o colchão, corpo firme contra corpo firme.
- Tenho de admitir que me deixou atordoado, Mione. - O brilho intenso nos olhos dela aumentou ainda mais quando Harry puxou as suas mãos para cima da cabeça, segurando-a pelos pulsos. - Mas agora é a minha vez. Pelo que me recordo, os seus olhos ficaram turvos e cegos na primeira vez em que te beijei. - Ele comprimiu os dentes, gentilmente, sobre o queixo de Hermione. - E você tremeu.
Deliberadamente, ela arqueou as ancas, comprimindo-se contra Harry.
- Aposto que não consegue fazer isso de novo. Um homem tão excitado, tão ansioso, não perderia tempo. Ela tinha a certeza. Apesar disso, preparou-se para tudo. E tremeu quando os lábios de Harry roçaram os seus, numa imensa ternura, numa interminável tortura. A pressão que se acumulara a um ponto crítico transformou-se num anseio glorioso.
A primeira insinuação da lua surgiu no quarto, com o brilho prateado contra o dourado das chamas das velas.
Harry levou as mãos aos seios dela, os dedos traçando contornos, por cima da camisa xadrez verde, antes de se desviarem para os botões. Ela usava uma T-shirt branca, por baixo. Depois de abrir a camisa, Harry deu por si fascinado pela forma como os seios médios firmes pareciam e eram sensuais, sob o algodão branco simples.
- Sempre gostei das suas mãos. – Hermione mantinha os olhos fechados agora, o que era melhor para absorver os pequenos choques da sensação, do toque. - E gosto ainda mais agora. - Mas quando ele se baixou outra vez, quando a sua boca se comprimiu contra o algodão, os olhos arregalaram-se no mesmo instante. - Oh, doce Jesus!
Harry poderia ter rido, se encontrasse fôlego para isso. Mas tinha os pulmões obstruídos, e a cabeça já começava a girar. Onde estivera aquilo durante toda a sua vida? Aquele sabor, aquela textura, aqueles contornos? Quanto mais perdera?
Hermione puxava a sua camiseta, enquanto ele a levantava. Fitaram-se nos olhos, ofegantes. Balançaram a cabeça ao mesmo tempo, aturdidos.
- Tarde demais - balbuciou Harry, puxando a T-shirt pela cabeça de Hermione.
- Louvado seja Deus!
E mergulharam um para o outro. As mãos de Harry tornaram se um pouco mais ríspidas agora, um pouco rudes, aqui e ali. A sua boca poderia ter-se tornado mais ardente, mais impaciente. Mas isso não o impediu de ser meticuloso.
Ele queria cada fragmento de Hermione e se lembraria de tudo para sempre, o sabor da sua carne, aquele ponto sensível logo abaixo do seio, a curva que se projetava do tórax para a anca, a maciez sedosa de tudo, sob as suas palmas, as pontas dos dedos e lábios.
A força de Hermione não era insignificante e tornou-se estranhamente erótica enquanto rolavam juntos, com os músculos dela a contraírem-se. E continuou erótica quando ele fez com que a força hesitasse para fraqueza, sentindo-a estremecer, ao encontrar um novo ponto que proporcionava um prazer intenso.
A música era de flautas agora, alegre, quase mágica, com algumas gaitas a tocarem em segundo plano.
O luar aumentou, um brilho perolado no ar, fragrante com o fumo das velas de cera e o do fogo de turfa.
Hermione comprimiu o rosto contra a sua garganta, fazendo um esforço para recuperar o fôlego. - Pelo amor de Deus, Harry! Agora!
- Ainda não, ainda não, ainda não.
Ele falou como se cantasse. Queria que as mãos pequenas e fortes de Hermione nunca parassem de correr pelo seu corpo. Queria descobrir mais, ainda mais, com as suas próprias mãos. Aquelas pernas adoráveis não mereciam a sua atenção, agora que tirara a calça jeans justa? E a parte posterior do ombro era um lugar adorável para explorar.
- Para uma mulher pequena, há tanto em você... - Desesperada, ela cravou os dentes no ombro de Harry. - Daqui a um minuto eu morro, Harry.
- Calma, calma... E a boca de Harry voltou a encontrar-se com a dela, enquanto as mãos deslizavam pelas pernas, os dedos alcançavam o calor. Ela tremeu num fluxo repentino, rápido, intenso, com o corpo a arquear-se contra Harry. No mesmo instante ele capturou a sua boca, engolindo o grito de choque e libertação, absorveu-o, saboreou-o, mesmo enquanto o seu sangue clamava por ter mais e mais dela.
E depois Hermione tornou-se dócil, com o corpo mole como a cera que se acumulava na base das velas. Ele estava livre para se banquetear na sua boca, na sua garganta, nos seus seios. - Deixa-me desfrutar de você por mais algum tempo...
A pressão, o desejo foi-se acumulando de novo, camada por camada, insinuante e envolvente, até que ela resvalou na beira de um orgasmo pela segunda vez. Como ele podia aguentar?, especulou Hermione.
A carne de Harry tornara-se tão úmida quanto a sua, o coração saltava tão alto e tão rápido, o corpo achava-se igualmente tenso e pronto. Mais uma vez, ela arqueou-se contra ele, mais uma vez passou as pernas pela sua cintura. E os olhos encontraram-se na claridade tremeluzente.
- Agora... - murmurou Harry, enquanto a penetrava, suavemente, como se já tivessem se amado mil vezes antes. A respiração de Hermione tremia ao inspirar e expirar. As mãos uniram-se, os dedos entrelaçaram-se.
Fitaram-se um ao outro quando começaram a mexer-se. Fácil e adorável, como uma dança a muito tempo lembrada. Subindo e descendo, prazer juntando-se a prazer, o roçar da pele contra pele, os crescentes sons dos gemidos. E depois, como se a música exigisse, uma sutil aceleração do ritmo. Os olhos de Harry tornaram-se mais escuros agora, aquele verde sonhador tornando-se opaco, enquanto ele se perdia por completo.
Quando Hermione apertou os quadris com mais força ao redor da cintura dele, quando as suas pálpebras tremeram e fecharam, quando um gemido mais alto saiu da sua garganta, ele conteve-se, mais um pouco. E, depois, comprimiu o rosto contra os cabelos dela e soltou-se, chegando ao orgasmo. O que ele havia acabado de compartilhar com Hermione foi muito intenso. Como ele pode esperar para ter aquilo? Ele se questionou.
Harry continuou consciente do corpo dela sob o seu, a forma como os corpos suados se completavam, a respiração ofegante de ambos. A energia do seu corpo tinha sido drenada, ele só conseguia respirar, se deleitando com o cheiro inebriante dos cabelos e do corpo dela.
Ela precisaria de um minuto. Talvez uma hora. Um dia ou dois poderia ser melhor. Só depois é que poderia mexer-se de novo, ela imaginou. Ou pelo menos pensar em se mexer.
Por enquanto, parecia que a melhor ideia era permanecer onde estava, esparramada sobre a cama de Harry, com o corpo dele a comprimi-la contra o colchão. O seu corpo tornara-se absolutamente dourado. Imaginou que, se tivesse energia para abrir os olhos e ver, descobriria um brilho intenso no escuro.
Fora mesmo como ela dissera antes. Quando Harry parava de pensar, fazia um trabalho maravilhoso.
- Você está com frio? A voz dele saiu abafada e sonolenta.
- Duvido que eu possa sentir frio, mesmo que estivéssemos deitados nus numa jangada, flutuando a caminho da Groelândia.
- Ainda bem. - Ele mudou de posição, acomodou-se. - Vamos ficar aqui por mais algum tempo.
- Só não quero que durma em cima de mim.
Harry soltou um grunhido. Aconchegou-se contra Hermione. - Gosto do cheiro dos seus cabelos.
- Cheiro de serragem?
- Um pouco. Mas é bastante agradável. E há também um aroma de limão.
- Deve ser o xampu que roubei de Patty.
O corpo de Hermione começava a despertar. Ela passou a dar mais atenção à forma como o corpo de Harry se ajustava ao seu, como as pernas se entrelaçavam. E no preciso momento em que o interesse se agitava, ela também notou o seu peso.
- É mais pesado do que parece.
- Desculpa. - Ele estendeu um braço por baixo de Hermione, e rolou para o lado.
- Melhor?
- Não estava ruim. - Mas agora que ele perguntava, Hermione descobria que era melhor ser capaz de cruzar os braços sobre o peito. Ou contemplar o rosto de Harry. E era um rosto tão bonito que ela nem se importou, pelo menos por enquanto, com a maneira presunçosa como os lábios se contraíam.
- Devo dizer, Harry, que você é melhor do que imaginei... em tudo.
Ele abriu os olhos. O verde ali era outra vez sonhador. - Admito que tive alguma prática, ao longo dos anos.
- Não vou me queixar nesse ponto. Ainda assim, há um problema.
- Ah, sim? - Harry fez um anel dos cabelos, e enrolou-o no seu dedo. - E qual é?
- A minha ideia, originalmente, era a de fazermos sexo.
- Lembro-me de você ter mencionado isso. - Ele deixou o cacho desenrolar, cair. Escolheu outro. - E tenho de reconhecer que foi uma excelente ideia.
- Essa foi à primeira parte. Comentei também que tinha de fazer isso para eliminar do meu organismo o anseio que sinto por ti.
- Também me lembro disso. E a palavra que usou foi frenesi. - Harry desceu as unhas levemente pelas costas de Hermione. - Fiz o melhor que podia para aplacar o seu frenesi.
- Fez mesmo, e não posso negar. Mas isso é parte do problema. Ela passou um dedo pela clavícula dele, até o lado do pescoço, observando-o atentamente. Viu as pestanas tremerem, até que os olhos se tornaram fendas verdes por trás.
- E qual é o seu problema, Granger?
- Parece que não deu certo. Continuo a sentir um frenesi por você. Por isso, teremos que fazer sexo de novo.
- Se tem de ser, vamos fazer. - Harry sentou-se na cama, puxando-a. - Mas, primeiro, podemos tomar uma ducha e comer. Depois, veremos o que é possível fazer.
Ela pôs as mãos nas faces de Harry, rindo. - Ainda somos amigos, não somos?
- Ainda somos amigos. Harry aconchegou-a nos seus braços. Tencionava dar um beijo leve e afetuoso. Mas afundou-se em Hermione. Ela sentia-se atordoada quando Harry a levou a estender-se de novo na cama. Ergueu os braços para abraçá-lo, murmurando: - E a ducha e o jantar?
- Ficam para mais tarde.
Foi mais tarde, muito mais tarde, e os dois comeram como lobos famintos. Foi fácil recair na amizade, pois já haviam partilhado centenas de refeições antes.
-Sabia que todas as crianças de Betsy Boney apanharam sarampo? Já notou que o Neville Longbottom tem vindo olhar muito para a Thereza Fitzgerald, agora que ela rompeu o namoro com o Colin Riley? Enquanto comia, Hermione falou sobre o último ataque de choro da sua irmã Patty, por não saber se deveria usar rosas amarelas ou rosas no buque de noiva.
E levantaram o copo para brindar à conclusão do negócio com Malfoy.
- Acha que ele vai mandar alguém para aqui para fazer as medições do terreno e preparar o projeto do teatro? Hermione levantou-se para abrir a porta, quando Bichento começou a arranhar a mesma.
- Se esse é o plano dele, eu ainda não soube de nada. Ele observou o gato a esfregar-se contra a perna de Hermione.
- É a única forma de se fazer corretamente. - Ela considerou a possibilidade de servir mais comida no seu prato. Se cedesse à gula, acabou por decidir, sofreria mais tarde. Com algum pesar, empurrou o prato para longe. - O Malfoy não se pode sentar no seu escritório lá no alto de Nova Iorque e determinar o que tem de ser feito aqui em Ardmore.
- Como sabes que ele tem um escritório lá no alto?
- Os ricos gostam de ficar nas alturas. – Hermione empurrou a cadeira para trás, sorrindo. - Pergunta à Gina se ficar nas alturas não é um objetivo, quando ela encontrar o homem rico que está caçando. Seja como for, eles precisam ver o que somos e o que temos, antes de decidirem o que seremos.
- Concordo nesse ponto. - Ele levantou-se para tirar a mesa. - E gostei da sua ideia. Talvez possa fazer um desenho mais formal. Depois mostramos ao Rony. Se ele gostar, como eu gostei, não há motivo para não encaminharmos para Malfoy, para termos a opinião dele.
Por um momento, Hermione continuou sentada, surpreendida. - Faria isso?
Harry olhou para trás, enquanto abria a torneira de água quente e despejava um pouco de detergente, ela estava linda vestindo apenas a sua camiseta larga que ficava como um vestido nela, os cabelos soltos, descalça. Encontrando o foco, por fim ele respondeu. - Porque não?
- Seria muito importante para mim. Mesmo que o Malfoy risse e colocasse o desenho no lixo, significaria muito para mim. Não sou arquiteta, engenheira, nem qualquer outra coisa... tão alta. – Hermione levantou-se. - Mas sempre tive vontade de participar no projeto e na construção de um prédio desde o início.
- Você tem uma imagem na cabeça - comentou Harry. - Um campo ou um terreno vazio, e imagina tudo o que pode ser construído ali.
- É isso mesmo. Como é que sabe isso?
- Não é muito diferente de compor uma canção.
Ela franziu o rosto para as costas de Harry, pensando acerca disso. Jamais considerara que tinham alguma coisa em comum nessa área.
- Acho que tem razão. Vou fazer o melhor desenho que puder. E mesmo que o Malfoy nem dê uma olhada, ficarei grata por ter pensado nisso. Ela ajudou-o a arrumar tudo.
Quando se aproximava a meia-noite, disse que tinha de ir embora.
Harry acompanhou-a até à porta da frente. Já estavam quase lá quando ele mudou de ideia. Levantou-a, colocou-a no seu ombro, e carregou-a de novo para o quarto lá em cima.
Em consequência, já passava da meia-noite e meia quando Hermione entrou na sua casa. Quase se arrastando, pois não tinha energia para mais do que isso.
Quem teria imaginado que aquele homem seria capaz de deixa-la quase esgotada?
Apagou a luz que a mãe deixara acesa para ela. Mesmo no escuro, sabia que as tábuas do soalho e os degraus da escada iriam ranger sob os seus pés. Conseguiu subir e chegar ao seu quarto sem fazer qualquer barulho.
E, como não era mãe, ficou na ignorância confortável de que a sua a ouvira entrar, apesar de todas as precauções. Ao deitar-se na sua cama, ela soltou um longo suspiro, fechou os olhos, e adormeceu no mesmo instante.
Sonhou com um palácio prateado por baixo de uma colina verde. Em redor, cresciam flores e árvores enormes, que sobressaíam como pinturas na claridade dourada. Um rio corria pelo meio, com pequenos diamantes a faiscar à superfície, um clarão aqui e ali, deixando os olhos ofuscados. Uma ponte em arco transpunha o rio, as pedras brancas como mármore.
Ao atravessá-la, ela podia ouvir o barulho das suas botas, a água a borbulhar lá em baixo, e as batidas do seu coração, não de medo, mas de excitação. As árvores, ela pôde perceber agora, estavam carregadas de maçãs douradas e peras prateadas. Por um instante, sentiu-se tentada a arrancar uma fruta e dar uma mordidela na polpa saborosa. Mas, mesmo no sonho, sabia que não se podia comer nada numa visita ao mundo das fadas, e apenas se poderia beber água, ou a pessoa ficaria retida ali durante cem anos.
Por isso, ela limitou-se a admirar as frutas que cintilavam. E o caminho por baixo das árvores, da ponte branca à enorme porta prateada do palácio, era vermelho, como se estivesse coberto de rubis. Quando ela se aproximou, a porta foi aberta, deixando passar a música de gaitas e flautas. Hermione entrou no palácio, sendo envolvida pela música e pelo ar perfumado, com tochas tão altas como homens ao longo das paredes, cujas chamas se projetavam para cima como flechas. O saguão era largo, cheio de flores. Havia cadeiras ali, com braços curvos e almofadas profundas, com todas as cores de pedras preciosas. Mas ela não viu ninguém. Subiu a escada, seguindo a música, a mão roçando pelo corrimão, que era macio como seda e faiscava como uma safira. Ainda não havia qualquer outro som que não a música, qualquer outro movimento que não o seu. Havia um corredor comprido no cimo das escadas, tão largo quanto o espaço que dois homens cobririam, se um se deitasse com a cabeça nos pés do outro.
À esquerda, quando ela começou a avançar pelo corredor, havia uma porta de topázio; à direita, a porta era de esmeralda. Em frente, havia uma terceira porta, que luzia como pérolas brancas. E era dessa porta que vinha a música. Hermione abriu a porta e entrou. Flores subiam pelas paredes, entrelaçadas. Mesas do tamanho de lagos rangiam sob o peso de travessas cheias de comida. Os aromas eram sensuais. O soalho era um mosaico, uma sinfonia de pedras preciosas, em padrões aleatórios.
Havia poltronas, almofadas e sofás suntuosos, mas todos vazios. Com exceção do trono, na frente da sala. Ali, refastelado na sua imponência, havia um homem de gibão prateado.
- Não hesitaste em momento algum - disse ele. - Há coragem nessa atitude. Não pensaste uma única vez em voltar. Continuaste a seguir em frente, para o que te era desconhecido. Ele ofereceu um sorriso. Com um aceno da mão, ofereceu também a maçã dourada que surgiu ali.
- Podes provar essa maçã.
- Bem que gostaria, mas não tenho um século para te dispensar. - Ele riu. Agitou os dedos, e a maçã desapareceu.
- Eu não o permitiria, já que tenho mais proveito contigo lá em cima.
Curiosa, Hermione deu uma volta completa.
- Vive sozinho aqui?
- Claro que não. Mas até os habitantes do nosso mundo gostam de dormir. Deixei a luz acesa para te orientar. Aqui é noite, como no teu mundo. Eu queria conversar contigo, e preferia fazê-lo a sós.
- Nesse caso... - Ela ergueu e baixou os braços. - Podes falar.
- Tenho uma pergunta para te fazer, Hermione Jean Granger.
- Tentarei responder, Carrick, príncipe do mundo das fadas.
Os lábios contraíram-se numa aprovação divertida, mas os olhos permaneceram imensos e sérios quando ele se inclinou para frente.
- Aceitarias uma pedra da lua de um apaixonado?
Uma estranha pergunta, sem dúvida, pensou Hermione. Mas, no final das contas, era apenas um sonho, e já tivera outros mais estranhos.
- Aceitaria, se me fosse dada por livre e espontânea vontade.
Carrick suspirou, batendo com a mão no braço largo do trono. O anel no seu dedo cintilava, azul e prateado.
- Porque há sempre restrições e condições ligadas às respostas quando se trata dos mortais?
- Porque é que os habitantes deste mundo nunca ficam satisfeitos com uma resposta honesta?
O humor fez os olhos de Carrick faiscarem. - É atrevida, não é? Sorte a tua que eu sinta uma certa afeição pelos mortais.
- Eu sei disso. – Hermione adiantou-se. - Vi a Lady Gwen. Ela anseia por ti. Não sei se isso é um peso ou se alivia o seu coração, mas é o que eu sei.
Com o queixo encostado em uma das mãos, ele pensou por um momento.
- Conheço o coração da Gwen, agora que é tarde demais para fazer outra coisa além de chorar. Tem de haver sofrimento no amor antes que este possa ser consumado?
- Não conheço a resposta.
- Tu é parte de tudo. - Carrick endireitou-se. - Parte da resposta. E, agora, diz-me o que há no teu coração em relação ao Harry Potter. - Antes que Hermione pudesse responder, ele ergueu a mão, em advertência. Vira a fúria insinuar-se no rosto dela.
- Ao falares, lembra-te de uma coisa. Estás no meu mundo. É muito simples obrigar-te a dizer a verdade. Apenas a verdade. Ambos preferimos que a digas sem qualquer pressão.
- Não sei o que há no meu coração. Terás de aceitar isso como a verdade, pois não tenho outra coisa para dizer.
- Então é tempo de procurares, tempo de descobrires, não achas? - Carrick suspirou de novo, não se dando ao trabalho de disfarçar o seu desgosto. - Mas não farás isso enquanto não estiveres preparada. Continua a dormir. Com um movimento amplo do braço, ele ficou sozinho, com os seus pensamentos, na claridade ofuscante.
E Hermione dormiu, sem sonhos agora, na sua cama. Ela não teve mais do que quatro horas de sono, mas aguentou o dia inteiro com uma incrível energia.
Quase sempre, uma noite em que adormecia tarde, seguida por uma manhã em que acordava cedo, deixavam-na mal-humorada durante a maior parte do tempo. Mas naquele dia sentia-se tão animada e jovial, que o pai comentou a sua boa disposição mais de uma vez.
Hermione achava que não deveria contar-lhe o que dizia a si mesma. Era o sexo bom e saudável que a fazia assobiar durante o trabalho. Por mais íntimos que fossem, por mais que ela o amasse, duvidava de que o pai gostasse de saber como ela passara a noite.
Lembrava-se do sonho, com tanta nitidez, com tanta precisão, que especulou se não estaria a preencher alguns vazios sem sentido. Mas não era uma coisa em que pudesse remoer por muito tempo.
- Não acha que é suficiente por hoje, Hermione querida? Mick empertigou-se, esticou as costas. Olhou para o lugar em que a filha se agachava, pintando o rodapé. Os seus lábios contraíram-se quando notou que ela passava o pincel na mesma área de quinze centímetros, muitas e muitas vezes, em movimentos lentos e distraídos.
- Hermione...
- O que foi?
- Não acha que deveria mudar de lugar? Você já passou tinta demais nesse pedaço do rodapé...
- Como? Ah... - Ela voltou a molhar o pincel na tinta, e desta vez passou-o numa nova parte do rodapé. - A minha mente deve estar vagueando.
- É hora de dar o dia por encerrado.
- Já?
Ele recolheu os pincéis, rolos e bandejas, balançando a cabeça.
- O que será que a sua mãe pôs nos teus cereais esta manhã para te deixar tão animada? E porque eu também não fui contagiado?
- O dia passou muito depressa. É só isso.
Hermione levantou-se. Olhou em redor. Com alguma surpresa, notou quanto fora feito. Refletiu que passara o dia inteiro em piloto automático. - Estamos quase acabando aqui.
- Amanhã vamos passar para o próximo quarto. Merecemos boas doses daquele assado que a sua mãe prometeu para esta noite.
- Você está cansado pai. Pode deixar que eu arrumo tudo por aqui. - A proposta servia para atenuar um pouco o sentimento de culpa que ela sentia. - E eu pensei em dar um pulo até o pub, para conversar com a Gina. Pode avisar a mãe que vou comer um sanduíche lá?
Ele parecia consternado quando Hermione tirou os pincéis das suas mãos. - Está querendo abandonar-me, quando sabe com toda a certeza que a sua mãe e a Patty vão ficar discutindo os planos de casamento, a zumbir nos meus ouvidos. Hermione ofereceu-lhe um sorriso. Era a desculpa mais genuína para não voltar diretamente para casa. - Não quer ir até ao pub comigo?
- Eu bem que gostaria, mas a sua mãe serviria a minha cabeça na sua melhor travessa de porcelana. Pelo menos me dá a sua palavra de que não vai perguntar, ao chegar em casa, se eu gosto mais de renda ou seda, para depois cair em gargalhadas quando eu der a resposta errada.
- Uma promessa solene. Ela beijou o pai no rosto, para oficializar.
- Vou cobrar-te a promessa, senhorita. - Mick vestiu o casaco. - E, se as coisas em casa ficarem difíceis, talvez acabe por me ver no Potter’s.
- Eu pago-te uma caneca.
Depois de o pai ter saído, Hermione empenhou mais tempo e esforço na limpeza do que era necessário. Fazia com que se sentisse menos culpada.
É verdade que iria encontrar Gina quando descesse até à aldeia. Se também visse Harry, como poderia evitar? Ele também trabalhava no pub , não é?
Apesar do raciocínio, Hermione fez questão de falar com Gina no instante em que entrou no pub. Como ela se encontrava na extremidade do bar, aceitando o flerte do velho Sr. Riley, Hermione sentou-se no banco ao lado.
Inclinou-se para dar um beijo no rosto enrugado do velho.
- E agora deu para lançar olhares a outra mulher, quando me disse muitas vezes que eu era a única que lhe interessava.
- Ora, querida, um homem tem de olhar na direção que a sua cabeça aponta. Mas estava à espera que chegasse para se sentar no meu joelho.
O velho era tão magro, que devia ter ossos tão frágeis, que Hermione desconfiava de que qualquer tentativa de se sentar no seu colo o deixaria todo fraturado.
- Nós, mulheres Granger, somos ciumentas, meu caro Sr. Riley. Agora, vou levar a Gina para uma conversa e vou dizer-lhe umas poucas e boas por tentar roubar o meu tempo na sua companhia.
Quando ele riu, Hermione afastou-se até uma mesa, gesticulando para que Gina a acompanhasse.
- Estou morrendo de vontade de tomar uma caneca de cerveja amanteigada e comer alguma coisa quente. O que preparou o Harry para nós esta noite?
Os olhos azuis de Gina contraíram-se, as sobrancelhas escuras ficaram franzidas, e ela pôs a mão fechada na anca.
- Dormiu com ele, não foi?
- Do que está falando?
Embora a voz de Gina fosse baixa, Hermione olhou em redor, num pânico embaraçado, até ter certeza de que não havia ninguém por perto para ouvir.
- Pensa que eu posso olhar para uma mulher que conheço desde que nasci sem perceber de que ela andou divertindo-se na noite anterior? Com o Harry, não se pode ter a certeza, já que ele passa metade do tempo com aquela expressão sonhadora nos olhos. Mas você é diferente.
- E se tiver dormido? - sussurrou Hermione, enquanto se sentava. - Eu disse que faria isso. - Ao se perceber do brilho nos olhos de Gina, ela acrescentou: - E não vou te contar nada sobre isso.
- Quem disse que eu queria saber?
- Mas é claro que ela queria.
Gina sentou-se também, inclinou-se para a amiga. - Só uma coisa.
- Não, nem mesmo uma.
- Uma coisa... Combinamos que sempre diríamos uma coisa, não importando com quem fosse.
- Caramba, Ginny! - Era verdade, e quebrar uma tradição agora seria o rompimento de um vínculo. - Quatro vezes ontem à noite.
- Quatro? - Com os olhos arregalados, Gina virou o rosto na direção da cozinha, como se pudesse ver através da porta, e espetar o irmão na parede oposta. - Tenho que elevar o Harry na minha consideração. Não é de surpreender que pareças tão relaxada.
- Eu sinto-me maravilhosa. É tão evidente assim?
- Terá que descobrir por si mesma. Tenho clientes para atender. - Relutante, Gina levantou-se. - Eu trago-te uma caneca... E se fosse você, experimentaria a galinha cozida. As pessoas têm-se mostrado muito satisfeitas.
- Uma boa ideia... mas acho que vou comer na cozinha.
- Como quiser. Pega a sua caneca ao passar. Quer passar a noite aqui comigo? Aposto que poderei arrancar-te mais qualquer coisa.
- É bem possível, já que é insinuante e insistente. Mas preciso voltar cedo para casa. Quase não dormi ontem à noite.
- E ainda se gaba - comentou Gina, com uma gargalhada, enquanto se afastava para atender um cliente.
- Como se sente, Hermione? - perguntou Rony, quando ela se aproximou do bar.
- Porque pergunta? Como pareço?
Ele virou a cabeça para fitá-la, como se a reação fosse brusca demais.
- Parece-me muito bem.
- E estou bem. - Ela foi encher uma caneca, criticando-se pela atitude. - Um pouco cansada, eu acho. Pensei em comer alguma coisa na cozinha, se não se importa, antes de voltar para casa.
- Fica à vontade, como sempre.
- Vai precisar de ajuda extra esta semana, Rony?
- Seria ótimo se nos pudesse ajudar nas noites de sexta e sábado, se estiver livre.
- Estarei. Conta comigo. - Numa atitude casual, como esperava, Hermione passou por ele e abriu a porta da cozinha.
- Pode preparar uma refeição quente para uma mulher faminta?
Harry virou-se da pia, onde a água quente corria. Os seus olhos animaram-se quando Hermione levantou a caneca para os lábios.
- Acho que posso ter uma coisa de que vai gostar. Estava pensando se te veria hoje.
- Eu queria falar com a Gina. - Ela riu e sentou-se, com a cerveja na mão. - E talvez não me importasse de te ver também.
Harry fechou a torneira. Levantou o pano preso na cintura e enxugou as mãos.
- Como vai o seu organismo?
- Muito bem, obrigada. Embora eu ainda sinta um pequeno frenesi.
- Quer alguma ajuda para resolver esse problema?
- Não me importaria.
Harry aproximou-se da cadeira em que ela estava sentada, por trás. Inclinou-se e murmurou ao seu ouvido, deixando-a alvoroçada:
- Vem comigo para o chalé esta noite.
Hermione estremeceu. Não pôde evitar. Havia alguma coisa extremamente erótica naquela voz, na sugestão, quando ela não podia ver o seu rosto.
- Não posso. E você sabe que não posso. Será muito difícil explicar à minha família.
- Não sei quando poderei ter outra noite de folga. A vista de Hermione turvou-se, enquanto ele fazia algo eletrizante com a língua na sua orelha.
- Que tal de manhã?
- Por acaso acontece que todas as minhas manhãs, num futuro previsível, estão livres. - Passarei por lá, na primeira oportunidade que tiver.
Harry endireitou-se. Tirou o boné de Hermione, e passou a mão pelos seus cabelos, de uma maneira que a deixou com vontade de se esticar como uma gata. E ronronar.
- A porta está sempre aberta.
(Fim do capítulo).