NA: Olá!!!!! :D
Capítulo 11 aí gente!!!
Esse capítulo e ótimo!!! Vocês leitores vão querer me bater no final do capítulo,kkk!
Divirtam-se!!!!
Boa leitura!
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CAPÍTULO ONZE: "Espiando e preparativos para a grande noite"
Hermione não considerou que fosse espiar. E teria contestado quem a acusasse. Apenas, por acaso, fora chamada a fazer um trabalho no quarto de Pettigrew. Ele queixara-se de que o chuveiro não estava a funcionar em condições.
Como Hermione já se encontrava ali, o gerente pedira-lhe para dar um jeito. Era culpa sua que ele estivesse ao telefone, a falar com o patrão, quando ela chegou? Claro que não. E poderia ser culpada porque ele era o tipo de homem que não prestava a menor atenção ao pessoal de serviço?
A menos que se parecesse com Gina, refletiu Hermione; e, neste caso, um homem teria de ser cego e surdo ou provavelmente já morto há mais de um ano, para não olha-la duas vezes. Mas isso era irrelevante agora.
O próprio Pettigrew abrira a porta, com um movimento da mão ansioso e impaciente. Depois, gesticulara na direção do banheiro, e voltara para o telefone. Era um tratamento que não a magoava nem um pouco. Afinal, estava ali apenas para reparar o chuveiro. Mas tinha ouvidos... e havia alguma razão especial para não os utilizar?
- Peço desculpas pela interrupção, Sr. Malfoy, mas apareceu um rapaz para reparar o chuveiro.
Rapaz? Hermione mordeu a língua e revirou os olhos.
- Vou enviar o relatório por fax, assim que esteja organizado de uma forma coerente. Como posso terminar depois do horário de expediente comercial em Nova Iorque, enviarei também para a sua linha particular.
No banheiro, Hermione chocalhava as ferramentas. Da posição em que se encontrava, podia apenas ver os sapatos engraxados e uma faixa estreita das meias cinzentas de Pettigrew.
- Não, não consegui descobrir o nome da firma de Londres que também está interessada no terreno. O irmão mais velho, Rony, descartou o assunto, alegando que o outro está confuso. Devo dizer que é bem possível que o irmão mais jovem confunda as coisas. É bastante amável, mas não me parece ser muito inteligente.
Hermione quase se riu, enquanto começava a enfiar um arame especial para desentupir o cano do chuveiro. Tão silenciosamente quanto podia.
- Contudo, a julgar pela reação, a linguagem do corpo, e a rapidez com que o lapso foi coberto, eu diria que há alguma negociação paralela. Pettigrew ficou calado por um momento.
Hermione aguçou os ouvidos. Deu para ouvir o tamborilar dos seus dedos na madeira. - Tem toda a razão. É um lugar adorável. Pitoresco, ainda intacto. “Simples” seria a minha palavra. É também remoto. Depois de conhecê-lo, de passar algum tempo aqui, tenho de voltar à minha opinião original, senhor. Não vejo qualquer possibilidade de o projeto do teatro se tornar um sucesso financeiro. Dublin seria uma escolha mais lógica. Ou então... Silêncio de novo, seguido por um suspiro quase inaudível.
- Claro, senhor. Compreendo que tenha os seus motivos. Posso assegurar-lhe que o terreno dos Potter é a melhor localização em Ardmore. O pub parece ser o que esperava. Estamos fora da temporada, é verdade, mas o movimento parece muito bom. É bem dirigido, pelo Potter mais velho. A comida é de primeira classe, o que admito que me surpreendeu. Nem um pouco parecida com aquela comida insossa que se espera encontrar num pub. A irmã? Ela é... ela é...
A hesitação fez Hermione morder o lado interno da bochecha, para evitar uma gargalhada. Os homens eram absolutamente previsíveis.
- Ela parece ser eficiente. Voltei lá por algum tempo na noite passada, a convite deles. Gina, a irmã, a Srta. Potter, possui uma voz excepcional como cantora. Os três, diga-se de passagem, são muito musicais, o que pode ser uma vantagem. Se está mesmo determinado a construir o teatro aqui, em Ardmore, ligá-lo ao Potter’s P u b é, na minha opinião, a decisão mais lógica. Ainda de quatro, Hermione mexeu com o traseiro, já que tinha as mãos ocupadas e não podia erguer um punho cerrado no gesto de vitória.
- Não, não, pode confiar em mim para diminuir a percentagem do que eles estão pedindo. Sei que preferia comprar o terreno, mas aquele sentimento da família é inabalável. Em termos objetivos, o arrendamento que eles propõem é menos arriscado, e a longo prazo proporcionaria um vínculo mais firme com o negócio já estabelecido. Acho que lhe será vantajoso usar o Potter’s e a reputação que este já possui para lançar o teatro.
O tamborilar dos dedos recomeçou. Os sapatos foram descruzados e recruzados nos tornozelos.
- Claro que compreendo. Não mais do que vinte e cinco por cento. Pode confiar em mim nesse ponto. Espero fechar o negócio em vinte e quatro horas. Tenho a certeza de que poderei convencer o Potter mais velho de que não conseguirá obter uma oferta melhor da firma de Londres ou de qualquer outra.
Ao pressentir que a conversa estava prestes a terminar, Hermione levantou-se e abriu as torneiras, ao máximo. Cantarolava enquanto observava a água a correr. Depois de fechar a torneira, fez um pouco mais de barulho com as ferramentas. Pegou na caixa e saiu da casa de banho.
- A água já está correndo muito bem. Peço-lhe desculpa pela inconveniência. Pettigrew nem sequer levantou a cabeça para fitá-la. Limitou-se a acenar com a mão para que ela saísse, como fizera na entrada, enquanto se inclinava para o computador portátil na pequena mesa.
- Bom dia, senhor - disse ela, cordialmente, ouvindo o barulho do teclado ao sair. Assim que ficou fora de vista, ela desatou a correr.
Pettigrew não era o único que sabia apresentar um relatório.
- A ideia do homem de Londres parece ter sido inspirada. - Rony bateu no ombro do irmão e lançou um olhar de aprovação a Hermione. - Deixou-os verdadeiramente ansiosos, não foi?
- Algumas pessoas não conseguem resistir à competição. - Como estavam na cozinha, Harry virou-se para pegar em quatro garrafas de cerveja do frigorífico.
- Acho que devemos fazer um brinde à Granger e aos seus ouvidos atentos.
- Eu estava simplesmente no lugar certo, no momento certo. - Mas ela aceitou a garrafa oferecida. - É uma combatente eficiente, sargento Granger. - Rony bateu com a garrafa dele na dela, depois nas de Harry e Gina.
- Vinte e cinco por cento e ponto final. Azar o dele por não ter descoberto que nos contentaríamos com vinte por cento sem piar.
- O homem... o tal de Malfoy... está determinado a ter o que quer aqui, embora o Pettigrew não aprove - explicou Hermione. - Mas ele aprova a comida do Harry, o rosto da Gina e a tua capacidade de administração, Rony. Ah, sim, acha que não é muito inteligente, Harry, embora sejas bastante amável. E gagueja quando fala da Gina.
Com grande satisfação, Gina soltou uma gargalhada.
- Dá-me mais um dia e ele vai balbuciar ao falar de mim. E poderemos conseguir trinta por cento.
Rony passou o braço pelos ombros da irmã. - Aceitaremos os vinte e cinco por cento para fechar o negócio. Vou deixar o Pettigrew pensar que me pressionou ao máximo para conseguir isso. Afinal, porque não fazer com que ele se sinta realizado e orgulhoso? Posso informar-vos de que o pai gostou do que viu de Malfoy até agora. Telefonou esta manhã para me dizer isso. E acrescentou que deixará os detalhes da negociação por nossa conta.
- Nesse caso, vamos deixar o Pettigrew discutir as condições. - Harry ergueu a sua garrafa. - Até que ele nos dê o que queremos.
- É exatamente o que eu penso. E, agora, temos de voltar ao trabalho. Hermione, minha querida, acha que você pode manter distância do pub até fecharmos o negócio?
- Claro que posso. Mas sou invisível para pessoas como ele. O Pettigrew não vê além da minha caixa de ferramentas. Até pensou que eu fosse um homem.
- Nesse caso, ele precisa de óculos. - Rony pegou no queixo de Hermione e levantou-o, em seguida deu-lhe um beijo estalado na testa.
- Muito obrigado, Rony.
- Ainda acho que podemos conseguir trinta por cento sem muito esforço - resmungou Gina, ao sair para o pub atrás de Rony.
- Ela poderia muito bem conseguir - comentou Hermione.
- Não se deve ficar ganancioso. Também te estou agradecido. – Hermione inclinou a cabeça, com um sorriso provocante. Era uma das expressões favoritas de Harry. - Isso significa que me vai me beijar, tal como o Rony fez?
- Estou pensando nisso.
-Você demora muito para pensar nas coisas.
- Não mais do que é necessário. Ele pegou no rosto de Hermione entre as mãos, ainda apreciando o sorriso provocante. Inclinou a cabeça dela, até à posição que queria, e encostou a boca aos seus lábios. Devagar, tranquilo, descontraído, como uma brisa quente numa manhã de Verão.
Hermione relaxou, os lábios entreabriram-se para absorver o prazer. E o beijo foi-se aprofundando, mais e mais, de uma forma tão gradual, com tanta habilidade, que ela ficou completamente atordoada, antes de se aperceber do que acontecia. E deixou escapar um som, intermédio entre um suspiro e um gemido. Enquanto o coração batia forte contra as costelas, Hermione levantou as mãos pelas costas de Harry, para apertar os seus ombros. Mas enquanto o seu corpo entrava em alerta, preparado para mais, ele afastou-se.
- Só te posso agradecer até este ponto, por enquanto. - Harry deixara-a tonta. Com todo o corpo a clamar por mais.
- Fez isso de propósito.
- Claro.
- Você não vale nada. Vou voltar para o trabalho agora.
Hermione baixou-se para pegar na caixa de ferramentas. Ainda atordoada, bateu na mesa da cozinha, ao virar-se para a porta.
Virou a cabeça, num movimento brusco, com os olhos contraídos a servirem de advertência para Harry. Mas ele teve o bom senso de se manter impassível. Ela fungou e abriu a porta dos fundos. Parou aí, lançando lhe um último olhar.
- Sabe, Harry, quando parar de pensar, fará um bom trabalho com o resto.
Ele só sorriu depois de Hermione ter saído. - Ainda bem, pois acabei agora mesmo de pensar.
Harry não se aproximou quando Pettigrew apareceu no pub, naquela noite. Mas preparou-lhe um jantar excepcional - linguado cozido com manteiga de ervas, batatas cozidas, a que ele acrescentou tomilho, e couve crespa.
Depois de Gina ter vindo avisar que o homem teria lambido o prato se não houvesse ninguém olhando, Harry achou que cumprira a sua parte. Assim, foi por pura malícia, tanto quanto por sentido de negócio, que ele resolveu levar pessoalmente uma fatia de torta de limão para Pettigrew.
Relaxado pelo jantar - e pelas atenções da Gina - Pettigrew ofereceu-lhe o que poderia passar por um sorriso. - Não me lembro de ter alguma vez comido um peixe tão delicioso. Tem uma cozinha muito criativa, Sr. Potter.
- É muito gentil da sua parte dizer isso. Espero que também goste da sobremesa. A receita é minha, baseada na torta que a minha querida avó fazia. Não creio que possa encontrar melhor quando voltar a Londres.
Pettigrew, prestes a pôr o primeiro pedaço na boca, parou o garfo em pleno ar. - Nova Iorque - disse ele, incisivo.
Harry piscou os olhos. - Nova Iorque? Ah, sim, claro, claro... Foi Nova Iorque que eu quis dizer. O homem de Londres era muito magro e usava óculos redondos. Eu não devia confundir, não é? Pettigrew, mantendo uma expressão afável, provou a torta. - Quer dizer... que conversou com alguém de Londres sobre um restaurante, não é?
- O Rony é que fala sobre negócios. Não tenho cabeça para essas coisas. Gostou da torta?
- Deliciosa. - O homem podia ter um cérebro lento, pensou Pettigrew, mas ninguém poderia encontrar qualquer defeito nas suas habilidades culinárias.
- Esse homem de Londres... Por acaso sabe o nome dele? Tenho muitos amigos na cidade. Harry olhou para o teto. Esfregou o queixo.
- Seria Pettigrew? Não... esse é o seu nome. - Com uma expressão doce e inofensiva, ele levantou as mãos vazias. - Tenho o péssimo hábito de esquecer nomes. Mas ele era muito simpático, tal como o senhor. Se encontrar espaço para mais uma fatia da torta, é só pedir à Gina. Ele voltou para a cozinha, piscando o olho a Rony, quando os seus olhos se encontraram. Dez minutos depois, Gina estendeu a cabeça pela porta da cozinha e avisou, num sussurro:
- O Pettigrew pediu um momento da atenção de Rony. Foram para a sala reservada.
- Parece um bom augúrio. Avisa-me se precisar de ajuda no bar.
- Pois estás avisado. O Frank Malloy acaba de chegar, com os seus irmãos.
- Ele discutiu de novo com a esposa?
- É o que parece, pela cara dele. Com eles e o resto dos clientes, não conseguirei atender todos os pedidos.
- Já estou a caminho. Harry estava a servir a segunda caneca para os Malloy - todos corpulentos, ruivos, ganhavam a vida no mar - quando Rony e Pettigrew saíram da sala reservada. Pettigrew acenou com a cabeça a Rony, desejando boa noite, depois a Harry. Quando olhou para Gina, o rosto austero desmanchou-se numa suave expressão de cachorrinho esperançoso.
- Vai deixar-nos tão cedo, Sr. Pettigrew?
Gina colocou a bandeja no balcão, oferecendo ao pobre coitado um sorriso que poderia derreter uma barra de chocolate a vinte passos de distância.
- Eu... - Contrafeito, ele puxou o nó meticuloso da gravata, ao sentir um aperto na garganta. - Infelizmente, não tenho opção. Tenho de apanhar o voo logo pela manhã.
- Vai embora de Ardmore? - Gina estendeu a mão. - Lamento que não possa ficar por mais tempo. Mas espero que volte o mais depressa possível.
- Tenho a certeza de que voltarei. - Incapaz de se conter, Pettigrew fez uma coisa que jamais considerara antes, em toda a sua vida, nem mesmo com a esposa. Inclinou-se e beijou a mão de Gina.
- Foi um grande prazer. Com um ligeiro rubor a espalhar-se pela sua face, ele deixou o pub.
Assim que Pettigrew saiu...
- E então? - indagou Gina, virando-se para Rony.
- Vamos esperar um minuto só para ter a certeza de que o Pettigrew não vai voltar e atirar-se aos teus pés e a suplicar-te que fujas com ele para o Taiti.
Gina riu, balançando a cabeça. - Não vai acontecer. Ele ama a esposa. Pode permitir-se ter um sonho vago sobre o que nós os dois faríamos no Taiti, mas jamais iria além disso.
- Nesse caso, já posso contar. - Rony pôs a mão sobre a de Gina, em cima do balcão, e estendeu a outra para o ombro de Harry. - Fechamos o negócio, tal como nós os três e Luna tínhamos combinado. Trocamos um aperto de mão para oficializar. Ele vai voltar para Nova Iorque. Vai enviar-me os documentos assim que os advogados os tiverem prontos.
- Vinte e cinto por cento? - indagou Harry.
- Vinte e cinco por cento e a aprovação do projeto do teatro. Ainda restam alguns detalhes por definir, mas resolveremos tudo, entre nós, Malfoy e os advogados.
-Isso quer dizer que conseguimos? - Harry largou o pano que usava para limpar o balcão.
- Parece que sim. Dei a minha palavra.
- Muito bem... - Harry pôs a mão sobre a de Rony, que cobria a de Gina. - Pode sair para contar à Luna. Eu cuido do bar.
- Não vai dar. Estamos com bastante movimento. - A boa notícia é mais divertida quando está fresca. Eu trato de tudo aqui, e depois fecho o pub . Em troca, podes dar-me folga na noite de amanhã. Se a Kathy Duffy puder ficar na cozinha. Já faz algum tempo que não tenho uma noite de folga.
- É justo. Vou aproveitar para falar também com o pai. - Rony saiu de trás do balcão. - A menos que vocês prefiram que eu espere até amanhã, quando todos podemos falar com ele.
- Pode telefonar. - Gina acenou com a mão para que Rony saísse de uma vez. - O pai vai querer saber imediatamente.
- Depois de o irmão mais velho ter saído, ela acrescentou para Harry:
- Ele ficou perturbado. Não é o meu caso. Está planejando alguma coisa para amanhã com a Hermione?
Harry limitou-se a pegar nos copos vazios da bandeja e a pô-los na pia. –Você tem clientes para atender, querida, e eu também. - Ele inclinou-se para Gina. - Você cuida da sua vida sem dar satisfações a ninguém. E eu também.
Contrariada, Gina ergueu um ombro. - Não é contigo que me preocupo, mas com a Hermione. Ela é minha amiga. Tu não passa de um irmão... e irritante, ainda por cima.
E conhecendo o irmão irritante, ela deixou a conversa por aí. Nada arrancaria de Harry Potter, nem mesmo com dinamite, se ele decidisse permanecer calado.
No dia seguinte...
Harry tinha um plano. Era um bom plano. O que não significava que dava sempre certo. Mas pelo menos sabia calcular bem o que tinha de fazer para conseguir o que queria. Havia comida envolvida, o que o colocava no seu habitat.
Queria uma coisa simples, um prato que pudesse preparar com antecedência, e deixar esperar até ao momento em que fosse necessário. Por isso, fez um molho de tomate, um pouco picante, e deixou chegar ao ponto de fervura. Precisava também de armar o cenário. Era algo que gostava de fazer, e achava que lhe proporcionaria alguma vantagem. Afinal, um homem deveria contar com todas as vantagens possíveis quando se tratava de Hermione Granger.
O plano exigia um telefonema, que ele fez do pub, no final do turno do almoço, quando tinha a certeza de que Hermione estaria completamente absorvida no trabalho que fazia, qualquer que fosse. E também tinha a certeza de que ela, sendo a Hermione, passaria pelo chalé depois do trabalho, para dar uma olhadela na máquina de lavar roupa, que ele informara ter avariado. Assim, quando chegou a casa, o molho que deixara a ferver tinha deixado no ar um aroma apetitoso.
Colheu algumas petúnias e amores-perfeitos, felizes com o Inverno no jardim, e colocou-as no quarto, juntamente com as velas que comprara no mercado. Já tinha mudado a roupa da cama, o que lhe dera a ideia sobre a máquina de lavar.
Havia também a música. Era uma parte tão grande da sua vida, que não poderia deixar de inclui-la em qualquer aventura. Selecionou os CDs de que mais gostava, colocou-os no radio que comprara meses antes. Deixou a música a tocar e desceu para a cozinha, a fim de tratar do resto.
Pôs o gato fora de casa. Bichento parecia pressentir que alguma coisa importante iria acontecer e por isso interpunha-se no seu caminho sempre que tinha oportunidade. Não esperava vê-la quase até às seis horas da tarde, o que lhe proporcionava tempo suficiente para preparar um prato que dispensasse talheres.
Procurou copos de vinho, limpou-os e depois abriu a garrafa de tinto que trouxera do pub. Deixou-a em cima do balcão, para arejar. Provou o molho pela última vez, e mexeu-o. Olhou em redor, balançando a cabeça com satisfação. Estava tudo pronto, em ordem.
O relógio indicava que faltavam dez minutos para as seis horas quando ouviu a caminhonete chegar.
- Ela é pontual - murmurou ele, surpreso ao sentir que os nervos agitavam a sua barriga. - Pelo amor de Deus, pára com isso! É apenas a Hermione. Você a conhece desde criancinha. Mas não da forma que tencionava conhecer muito em breve, pensou Harry.
E teve um súbito impulso de correr para a lavanderia, rebentar com qualquer coisa na máquina de lavar e esquecer o resto. E desde quando um Potter se comportava como um covarde? Ainda por cima com uma mulher? Com esse pensamento a martelar lhe a cabeça, ele encaminhou-se para a porta da frente.
Hermione já se aproximava, trazendo a sua caixa de ferramentas. A calça Jeans justa ao corpo tinha um rasgão novo, abaixo do joelho direito. Havia uma mancha de terra no rosto.
Ela fechou a porta da frente, deu dois passos, e deparou-se com Harry. Teve um sobressalto.
- Credo, Harry, porque não me acerta logo com uma mareta na cabeça, em vez de me dá um susto desses? Quer me matar do coração? E o que faz aqui, a esta hora do dia?
- Tirei a noite de folga. Não estacionou atrás do meu carro?
- Estacionei, mas pensei que tivesses ido a pé ou de carona. - Enquanto esperava que o coração voltasse ao normal, Hermione sentiu o cheiro de comida que pairava no ar. - Pelo aroma, não parece estar aproveitando uma noite de folga. O que resolveu cozinhar?
- Um molho para espaguete. Pensei em experimentá-lo, antes de fazê-lo no pub. Já jantou? Harry sabia a resposta antes mesmo de perguntar.
- Ainda não. A minha mãe vai esperar por mim para o jantar.
Já não ia esperar mais, uma vez que Harry ligara a Miranda para avisar que serviria um jantar a Hermione, aproveitando a visita para consertar a máquina de lavar.
- Janta aqui, em vez de comer na sua casa. - Harry pegou nela pela mão, e levou- a para a cozinha. - Pode me dar a sua opinião sobre o molho.
- Posso provar, mas primeiro quero dar uma olhada na máquina, para descobrir qual é o problema.
- Não há nenhum problema. Ele tirou a caixa de ferramentas da mão de Hermione. Largou-a no chão, a um canto.
- Como assim? Não há nenhum problema? Então porque ligou para o hotel avisando que a máquina não funcionava?
- Menti. Experimenta isto. Harry pegou numa azeitona recheada e pô-la na boca de Hermione.
- Mentiu?
- Isso mesmo, menti. E espero que o pecado valha a penitência.
- Mas porque... - A compreensão aflorou lentamente, deixando-a contrafeita e nervosa. - Já entendi. Este é o momento e o lugar que te convêm.
- Isso mesmo. Avisei a sua mãe que passarias algum tempo aqui. Portanto, não precisa se preocupar.
- Hum... – Hermione correu os olhos pela cozinha, prestando um pouco mais de atenção. Um molho fumegante no fogo, um lindo prato de horsd beuvres , uma garrafa de vinho. - Podia ter avisado... ter-me dado algum tempo para que eu me acostumasse à ideia.
- Tem tempo agora. - Harry serviu o vinho nos copos. - Sei que o vinho tende a deixar-te com dor de cabeça na manhã seguinte, mas um ou dois copos não devem fazer mal.
Hermione arriscaria a ressaca, se o vinho pudesse esfriar a sua garganta.
- Você sabe que não precisava ter tanto trabalho por mim. Disse-te desde o início que não era necessário.
- Mas eu quero assim, e terá que aceitar. - Harry sentia-se à vontade de novo, porque ela estava constrangida. Deu um passo na sua direção, acrescentando:
- Tira... - Ele quase riu quando Hermione arregalou os olhos. - o boné. - O próprio Harry acabou por tirá-lo. Largou o boné e o seu copo em cima do balcão, para poder passar as mãos pelos cabelos de Hermione, até que caíssem da maneira que mais lhe agradava.
- Sente-se. Ele levou-a para uma cadeira. Sentou-se à sua frente. - Porque não tira as botas?
Hermione baixou-se. Começou a puxar os cordões. Voltou a endireitar-se.
-Você precisa ficar olhando? Encarando-me desse jeito, isso faz com que me sinta ridícula.
- Se agora se sente ridícula porque eu te vejo tirando as botas, vai ficar vermelha de vergonha muito em breve. Tira as botas. - A voz era tão suave que fez um calafrio subir pela espinha de Hermione.
- A menos que tenha mudado de ideia sobre as nossas intenções.
- Não mudei. - Contrariada, ela voltou a baixar-se, para acabar de tirar as botas. - Fui eu quem começou, e acabo sempre o que começo.
Mas não fora absolutamente assim que ela imaginara. Apenas pensara nos dois já nus na cama, fazendo o que tinham que fazer. Não pensara muito no processo para chegar a esse ponto.
Ela empurrou as botas para baixo da mesa. Fez um esforço para fitá-lo nos olhos, com toda a firmeza de que era capaz.
-Está com fome?
- Não. - Não lhe passava pela cabeça comer qualquer coisa, dadas as circunstâncias. - O meu pai e eu almoçamos tarde.
- Ainda bem. Comemos depois. Vamos tomar o vinho lá em cima.
Lá em cima... Muito bem, subiriam. Afinal, a ideia fora sua. Mas quando Harry voltou a pegar na sua mão, ela teve de fazer um esforço para não sair correndo.
- Isso não é justo, Harry. Passei o dia inteiro trabalhando, e não tive a oportunidade de tomar um banho depois do trabalho, vim direto para cá.
-Então, não quer tomar um banho aqui? - Enquanto subiam, pelas escadas dos fundos, ele limpou uma pequena mancha de terra do rosto de Hermione.
- Eu vou ter todo o prazer em ensaboar as suas costas.
- Simplesmente comentei, mais nada. Não podia tomar uma ducha com ele, pelo amor de Deus. Não daquela forma. A música envolveu-a, um sussurro de harpa. Hermione tinha os nervos à flor da pele. Ela entrou no quarto. Viu as flores, as velas, a cama. E bebeu o vinho como se fosse água.
- Calma, calma... - Harry tirou o copo da mão dela. - Não quero você bêbada.
- Posso muito bem aguentar o vinho.
Hermione esfregou as palmas úmidas nas coxas, enquanto ele circulava pelo quarto, acendendo as velas.
- Não precisa fazer isso. Ainda não está escuro.
- Vai ficar. Já te vi antes à luz das velas. - Harry falava descontraído, enquanto levava a chama do fósforo aos pavios das velas em cima da consola da lareira, que já tinha o fogo aceso. - Mas não tive tempo para te apreciar. Esta noite vou fazer isso.
- Não sei por que tem que tornar tudo romântico, em vez do que devia ser.
- Não tem medo de um pouco de romance, não é, Mione?
- Não, mas...
Harry virou-se. A luz das chamas, subtil, em constante movimento, dançava sobre o seu rosto, por trás, em redor. Parecia ter saído de uma das ilustrações de Luna.
De príncipes do mundo das fadas, valentes cavaleiros, harpistas românticos.
- Há algo na forma do seu olhar que me deixa com água na boca durante metade do tempo - murmurou Hermione. - Tenho de ser honesta contigo. Não me agrada muito, e quero acabar com isto de vez.
- Bem. - A voz de Harry era tão suave quanto à dela estava irritada. - Porque não vemos o que podemos fazer quanto a isso? E, sempre a fitando nos olhos, Harry avançou.
(Continua no próximo capítulo)
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NA: kkkkk! Eu disse que vocês iriam querer me matar no final do capítulo!
Preparem-se para o capítulo 12!
Até logo! :D