A mansão Black continuava com aparência de abandonada, embora seus atuais moradores tentavam deixa-la em condições de ser habitada por humanos. Como Sirius era o último Black vivo, a residência se tornara a sede da Ordem da Fênix, a única coisa que o moreno podia fazer por enquanto. Os membros da organização se encontravam na cozinha cavernosa, o fogão crepitava preparando a refeição que comeriam logo mais. Todos os presentes estavam sentados ao logo da mesa, sem que houvesse uma aparente hierarquia. A cadeira de Kammy era uma das que estavam na ponta mais longe onde se encontrava o anfitrião, com gritos ao seu redor.
- Ela é uma comensal! – gritou Snape, para todos ouvirem.
- Não julgue as pessoas precipitadamente, Severus – a voz calma de Dumbledore se fez ouvir. Assim como havia dado uma chance a ele, sentia que deveria fazer o mesmo com a loira.
- Mas ela é – ao dizer isso, ergueu a manga do seu braço esquerdo, e ao contário do que esperava, a marca revelado não era do tamanho da sua, e sim bem menor, embora estivesse no mesmo lugar e com o formato parecido - Não acho que uma comensal deve permanecer entre nós; Ela deve se retirar - continuou a falar, mesmo que sua certeza tivesse se esvaído, pois notou a diferença entre a marca da que vira e a que estava em seu braço, mas todos continuaram a chamá-la de comensal.
- Você não tem o poder pra isso! – Sirius gritou, levantando-se em seguida – Acho que a casa ainda é minha e sou eu que decido o que será feito – o moreno simplesmente odiava quando tiravam sua autoridade.
- Você não tem poder para isso, Black!
- Severus... – Dumbledore falou com a voz tranqüila – Sirius tem razão, você não pode fazer isso. Está se tornando igual a ela – não estava se referindo ao fato de ser “comensal” e sim a sua impulsividade e imaturidade.
- Eu não sou uma comensal! – seus olhos se encheram de lágrimas. Mas uma vez, seu passado a condenava. Sabia que não deveria ter vindo e já imaginava que não seria bem recebida, contudo tinha um bom motivo para estar ali. Aquele homem não poderia lhe condenar dessa maneira.
- Qual seu nome? – a voz de Black não era melhor que a de Snape.
- Kammy Engels.
- Voldemort não deixaria uma trouxa entrar, aliás, você está mentindo, pois nenhum trouxa iria descobrir esse lugar – naquele momento a loira teve certeza que tudo que ouvira na casa de MacNair era verdade. Sirius era exatamente como os comensais o pintavam: louco, inconseqüente e mais perspicaz que as pessoas normais.
- KAMMY... – evantou-se, aos gritos. Estava cansada de ser condenada por causa de seu passado – POTTER BLACK! – sua respiração estava descompassada e a raiva ainda corria forte em suas veias. Sabia que a única linhagem que importava para os ingleses era o sobrenome do pai, contudo, para ela, a linhagem mais importante era a de sua mãe.
- Como se seu nome nos interessasse – Snape, que não gostava de comensais, pois lembrava-lhe sua antiga vida, voltou a falar.
- Kammy... – a voz de Kingley foi ouvida – Controle seus sentimentos – o homem tinha noção da instabilidade emocional de sua pupila. Apesar dela estar sob seus cuidados, ainda não conseguia vê-la com bons olhos.
- NÃO DÁ! – a auror voltou a gritar – NÃO ALGUENTO MAIS PAGAR POR ALGO QUE NÃO FIZ!
- Primeiro, acalme-se – o tom caridoso na voz de Dumbledore fez om que a loira respirasse fundo, voltando a normalidade – Agora me responda uma coisa, você disse Black? – ele pareceu surpreso ao saber que ainda havia mais Black no mundo. Parecia que a linhagem não estava tão extinta como pensava.
A loira encarou aqueles olhos azuis tão vivos, iguais aos seus, cheios de carinho e ternura. Pela primeira vez em anos, Engels engoliu seu maldito orgulho e abaixou a cabeça, respondendo a pergunta um fiapo de voz. A jovem comensal sentiu que havia algo no bruxo que merecia respeito.
- Sou filha de Victoire Potter e Cygnus Black – a garota pareceu relutante ao revelar sua verdadeira linhagem, que por anos tentara esconder.
- Kammy é minha protegida no ministério – Kingsley interveio a seu favor – Foi a meu pedido que ela veio – havia horas que acreditava na bondade de sua pupila, outras parecia duvidar que realmente tivesse se regenerado, pois conseguia vislumbrar sombras negras pairando sobre seu coração.
- Mas não deve ficar – Engels olhou com ódio para aquele homem de cabelos oleosos. Seu olhar frio e sem vida lhe lembrava muito o que passara quando morou com os MacNair, sendo treinada para se tornar uma verdadeira comensal. Olhá-lo fazia a marca em seu braço arder dolorosamente.
- Ela fica – não foi a voz de Dumbledore que falou, e sim Sirius. O moreno piscou para a loira, que ficara confusa com essa mudança repentina.
- Protegendo sua prima?
- Não fale do que não sabe, seboso – a garota percebeu que Snape odiava quando o chamavam por esse nome – Se ela é sua protegida, Kingsley, certamente não está a mando de Voldemort – havia mais coisas em seus orbes também azuis do que havia encontrado quando olhou para Dumbledore - Portanto acho que poderemos continuar nossa reunião – deu mais uma de suas piscadelas para a garota. “Será que ele não sabe que isso o torna incrivelmente sexy” pensou a jovem auror.
A loira ouvia tudo atentamente, cada detalhe que falavam, cada vez mais decidida a acabar com os planos de Voldemort e de seus seguidores, principalmente sua meia-irmã Bellatrix Lestrange. A reunião acabou e todos se dispersavam. O verdadeiro motivo pelo qual ela tinha ido parecia ter se tornado insignificante diante do que planejavam. Antes que pudesse sair, uma voz a chamara.
- Ãn... Engels... – pelo seu tom de voz, a auror percebeu que seu primo não sabia como chamá-la.
- Pode me chamar de Kammy, se for mais fácil para você, Black – sorriu amavelmente, não porque a ocasião exigia, e sim porque havia algo em seu primo que despertava sua confiança. Talvez fosse os laços sangüíneos ou somente sua imaginação.
- Só se me chamar de Sirius – sorriu maroto, o mesmo que costumava acompanhá-lo nos tempos do colégio.
- Ok – a jovem mulher continuava com a mesma expressão amável no rosto.
- Bem... Eu quero falar com você – o moreno parecia desconfortável agora, talvez fosse porque não encontrava um parente seu há anos.
- Sobre? – a ex-comensal parecia curiosa e isso lhe dava um ar inocente que encantou o mais velho.
- Seu pai – o maroto observou os olhares atentos que alguns membros da Ordem lhe lançavam – Em particular - a garota percebeu imediatamente porque Sirius lhe chamara para falar a sós. Aquela era uma conversa de família que deveria ser travada entre quatro paredes e não com uma platéia os observando.
- Claro – tornou a sorrir.
Caminharam lado a lado. Subiram as longas escadarias que levavam aos andares superiores e, assim que chegaram ao seu quarto, a garota percebeu onde se encontrava.
- Por que me trouxe aqui? – Kammy olhava desconfiada, visto que se encontrava no quarto dele.
- Você não quer que seu passado seja descoberto, quer? – o homem empurrou a porta, esperando que a garota passasse. O tom que ele falava demonstrava que sabia muito bem os motivos pela qual a jovem comensal havia vindo e também o que acontecera em sua vida nos últimos anos. Parecia que sua última esperança estava ruindo bem diante dos seus olhos.
A bruxa engoliu em seco e entrou no aposento. Observava tudo ao redor, até que seu olhar parou nas fotografias da parede; dentre elas, a foto em que estavam três pessoas, além do próprio primo, que a mesma suspeitava que fosse seus amigos. A decoração a assustava, afinal não era todo dia que entrava no quarto de um homem, ainda mais este, que estava adornado com fotos de garotas quase nuas e motos. No entanto, o que chamou mais atenção foi a única foto bruxa mexendo silenciosamente no aposento.
- Quem são eles? – apontou para a foto. A curiosidade era um de seus defeitos.
- Meus amigos – ele olhou saudoso para a foto – James Potter... – apontou para o garoto moreno que se encontrava ao seu lado na foto – Remus Lupin... – era a figura ao lado de James – e... – engoliu em seco – Peter Pettigrew – o moreno desgrudou seus olhos da foto, dando-lhe as costas. A garota continuou olhando para o retrato por mais um tempo. Dos quatro amigos, Sirius era o mais belo de todos, seus orbes azuis estavam parcialmente encobertos por uma mecha de seu cabelo, que lhe dava um ar elegante e charmoso.
- O que queria falar a respeito de meu pai? – a auror era extremamente prática.
- Antes eu quero confirmar se tudo que eu sei ao seu respeito é realmente verdade – sorriu maroto como se quisesse testá-la.
- Não temos tempo para isso, você não sabe o que está em jogo! – esbravejou.
- Você que não sabe metade do que está em jogo quando entrou por aquela porta – apontou o dedo para o andar de baixo e a loira compreendeu que ele se referia a porta de entrada – Isso aqui não é brincadeira, um simples joguinho que você pode sair a hora que quiser – seu semblante tornou-se mais pesado e severo. Naquele momento, Kammy conheceu a primeira face de Sirius Black que a maioria desconhecida: o homem amargurado pelas sombras do passado.
- Vamos ver se você é bem informado como aparenta ser – respirou fundo antes de lhe contar toda a história, uma que já era muito bem conhecida pelo moreno.
- Você queria conhecê-lo, não é? – o moreno se referia a seu tio e pai dela.
- Sim – incrivelmente a auror se sentia mais leve de ter contado sua história a alguém, mesmo que esse alguém já a conhecesse na íntegra.
- Receio que isso seja impossível, ele está morto.
- Como assim, morto? Ele não pode estar morto! – parecia cada vez mais desesperada.
- Por que não? – ergueu as sobrancelhas, espantado.
- Embora eu já tenha atingido a maioridade, eu preciso de um tutor legal para que possa completar o curso no Ministério, ou então eles não me deixaram ser uma auror como tanto almejo – os olhos dela se encheram de lágrimas. Há muito tempo que havia desistido de pedir ao maroto que o mesmo fosse seu tutor. Um homem bondoso como Sirius não merecia mais esse dever.
- Não fique assim – abraçou-a. “Eu não gosto de ver nenhuma mulher chorando na sua frente, ainda mais essa sendo tão bonita e gos... Ops, bonita e simpática como ela” pensou o Black - Só me explique uma coisa: por que alguém que já tenha atingido iria precisar de um tutor?
- Eu fugi da Durmstrang quando tinha 16 anos, além disso, quem iria querer ser meu tutor? – as lágrimas escorriam silenciosamente pelo seu rosto. Deixou-se ser confortada pelo ex-prisioneiro. Naqueles braços, encontrou segurança pela primeira vez.
- Tenho uma proposta a lhe fazer – ele levantou seu queixo e secou as lágrimas que ainda escorriam pelo seu rosto.
- Qual? – a jovem comensal se soltou de seus braços, curiosa.
- Eu serei seu tutor se você ficar aqui até o Halloween – disse num tom descontraído. Sua esperança era que a garota aceitasse sua proposta sem pensar muito.
- Acha que sou louca? – a auror olhou de relance para os retratos das garotas trouxas na parede. Definitivamente não negava o sangue que corria em suas veias.
- Eu preciso de companhia e você de um tutor. É pegar ou largar – a sombra de um sorriso passou por seus lábios.
- Eu pego – falou rapidamente antes que se arrependesse. Impulsividade era uma característica marcante dos Black e o moreno sabia disso melhor do que ninguém.
- Que dia é seu aniversário? – perguntou curioso. Talvez conseguisse que ela passasse mais algum tempo ao seu lado.
- 29 de outubro, por quê? – devolveu desconfiada, sendo que essa sempre foi uma características dos Potter.
- Nada – sorriu, acompanhando-a de volta a sala. Realmente a bruxa não negava sua linhagem.
- Sirius – Dumbledore chamou-lhe – Onde ela ficará? – já havia sido decidido que a garota poderia pertencer à Ordem
- Aqui na sede da Ordem – respondeu na maior calma do mundo. Pela primeira vez o moreno parecia lembrar, mesmo que pouco, o homem que fora no passado.
- Acha seguro? – não que o diretor a levasse a mal, contudo ainda estava com receio, pois a mente dela era mais difícil de invadir do que a maioria das pessoas e receava haver um espião como da última vez.
- Desculpe falar assim, mas você está fazendo justamente o que condena: julgar as pessoas pela aparência – o diretor não estava realmente julgando as pessoas, porém ainda confiava inteiramente na garota.
- O que quer dizer com isso, Sirius? – Dumbledore olhou confuso para o homem a sua frente, receava que a auror fosse uma espiã a mando de Voldemort, já havia um dentro da Ordem da da última vez e era exatamente isso que Albus receava que acontecesse agora.
- Só por que ela parece ser uma comensal, não quer dizer que seja. Aliás, o Snape é um – deixava claro, pela enésima vez, que não confiava no Sonserino.
- Eu confio em Severus Snape – o velho mantinha seu tom calmo, apesar de achar nem existia comparação entre os dois.
- E eu confio nela - ele observou a garota, que agora conversava com Harry, Rony e Hermione – Ela já sofreu demais – um pequeno sorriso adornava seus lábios, vendo-a tão feliz como a jovem comensal estava agora.
- Espero que tenha feito a coisa certa – o velho sumiu, sem dizer mais uma palavra. Não queria ter que encontrar Potter, para o próprio bem do garoto.
Estavam todos empenhados em deixar a casa em condições de ser habitada, sempre que podia a loira dava sua contribuição. Assim que os garotos voltaram a Hogwarts, Sirius se sentiu mais solitário, que era compensada quando a auror estava próxima. Sem que percebesse, a garota ia curando uma a uma as feridas de seu coração.
Aproximaram-se cada vez mais, e Black dava aulas de magia e defesa para sua prima, ensinando-lhe tudo que sabia. Ela tinha uma boa noção, porém as coisas que o Black lhe ensinava a garota nunca aprendeu, nem em Durmstrang nem no Ministério. Era ótimo tê-lo como professor, ainda mais que o moreno sabia de todo o seu passado e não a julgava por isso.
- Você é uma ótima aluna! – ele não havia feito isso desde que começaram essas aulas particulares. Pela primeira vez, Kammy conseguiu manter um duelo de varinhas com o maroto, sem ter sido desarmada ou atingida uma única vez.
- Obrigada – era ótimo receber um elogio assim, sem segundas intenções nem desconfianças.
Eles estavam próximos demais. O moreno enlaçou sua cintura antes que a a auror escapasse de seus braços. Os lábios afoitos aproximaram-se, como se esperassem por isso há tempos. Nenhum dos dois sabia que magnetismo era esse que os atraía tanto, de forma que a garota viu o ex-prisioneiro se aproximar e a respiração dele muito próxima de seu rosto. Kammy o empurrou, o resto de sua razão tentava impedir que aquilo acontecesse. Não ter perfeito controle de suas ações lembrava o passado que queria a tanto custo esquecer .
- Isso não é certo, Sirius – suspirou resignada.
- Só por que somos parentes? – seu primo ergueu uma das sobrancelhas, descrente.
- Também.
- Você também quer, não adianta negar – Black aproximou, segurando seus pulsos – Você não consegue resistir a mim! – ele sorriu maroto, como nos velhos tempos. Era óbvio que sabia do seu poder de sedução.
- É claro que consigo – sua respiração estava descompassada, devido à proximidade que se encontrava do primo. O ex-prisioneiro a afetava, mesmo que ainda não tivesse se dado conta disso.
- Então prova.
Sirius aproximou dela e beijou sua testa, descendo para a ponta do nariz e por última beijou o canto de sua boca, antes de partir para o pescoço. Sentiu-a estremecer e a abraçou.
- Viu como você não resiste! – sussurrou em seu pescoço, provocando-a.
- Já disse que resisto – a garota tentou, em vão, empurrá-lo.
O moreno sorriu malicioso e mordeu seu pescoço, fazendo-a encolher em seus braços. Tinha noção de cada ponto fraco e os explorava a seu favor. Não fora o cafajeste mais cobiçado do colégio à-toa.
- Isso é golpe baixo!
- No amor e na guerra vale tudo, querida – sorriu cínico, encarando os límpidos olhos azuis da garota.
- E isso seria o que pra você?
- Um pouco dos dois.
O ex-prisioneiro aproveitou o momento de distração e a beijou. Black pensou que tudo seria mais fácil, mas se enganou redondamente, pois a garota não permitiu que ele aprofundasse o beijo. Sirius afastou um pouco dela, sorrindo, pois a loira fora a primeira a conseguir resistir ao seu enorme poder de sedução.
- Vejo que também sabe brincar – aquilo estava se tornando mais divertido do que imaginara.
- Você ainda não viu nada, Black. – sorriu marota. No instante seguinte, o moreno estava no chão e longe distante da mesma. Seu primo não entendeu nada de modo que esta se aproximou com um sorriso divertido brincando em seus lábios.
- Da próxima vez que tentar beijar uma garota, assegure-se que ela não tenha armas para revidar – o sorriso estava estampado em seu rosto e a varinha girava entre seus dedos. Realmente, a auror não cansava de surpreendê-lo.
- Boa garota – apesar de tudo, ele estava alegre.
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Era 28 de outubro. Os Weasley, Remus e Tonks estavam na mansão Black. Sirius queria preparar uma festa de aniversário surpresa para sua prima, porém precisaria do apoio dos demais para isso, sem revelar seu verdadeiro interesse por ela.
- Onde a Kammy está? – perguntou interessado.
- Foi fazer um trabalho para a ordem, Sirius – sua prima respondeu – Por que todo esse interesse agora? – a garota o observava, surpresa. Já tinha notado os olhares entre ambos, mas não acreditava que pudesse nascer uma relação.
- É que amanhã é seu aniversário e achei que ela iria gostar se a gente lembrasse – claro que a desculpa era pedir ajuda para organizar realmente uma festa de aniversário para a mesma, o problema era fazer isso sem que a Ordem inteira soubesse que na realidade o maroto só queria agradá-la.
- Só isso? – os olhos de Black encontraram os de Lupin, e o moreno pode notar que o amigo tinha percebido seu interesse pela loira.
- Claro que sim. Acho que ela nunca teve uma festa de aniversário decente, quem dirá pessoas que se importasse como fato – não que o Black fosse se incomodar com o que seu amigo achasse, porém, por hora, preferia manter seu interesse oculto de todos.
- Você tem razão, Sirius – Arthur Weasley concordou, sorrindo – Quer nossa ajuda para organizar?
- Com certeza – o maroto deixou escapar – Faz anos que não sei o significado da palavra festa de aniversário.
Todos os presentes caíram na gargalhada. Mesmo que alguns ainda não confiassem inteiramente nela, sabiam que aquela era a coisa certa a se fazer.
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Kammy chegou à sede exausta. Amanhã era seu aniversário, mas não esperava comemoração. Nem seus pais nem seu padrasto lembravam-se da data, não seriam seus recentes amigos que iriam lembrar. Entristeceu um pouco ao notar que, mais uma vez, passaria a data sozinha, já que nem a companhia do maroto ela teria. O silêncio reinava na casa, o que a deixou um pouco apreensiva. Não estava acostumada com isso.
Já que não iria vê-lo amanhã, resolveu subir os longos lances de escada até o corredor que chegava ao quarto do moreno. Ignorou a curiosidade de entrar no dormitório que antes pertencia a Regulus, e continuou até a última porta do aposento e adentrou no ambiente tão perigoso para sua sanidade.
- Toda essa tristeza é saudade de mim? – brincou Sirius. O moreno estava sentado em uma cadeira, ao lado da cama, lia um livro avidamente.
Engels não respondeu. Abraçou o homem a sua frente com força. Sempre ficava mais vulnerável nessa data, além de que sentir o calor emanando do maroto a confortava. A garota encontrava-se sentada em seu colo e o livro caira no chão quando ela se jogou sobre o mesmo
- Passa essa noite comigo?
Os olhos de Black arregalaram de surpresa. Eles já estavam juntos há certo tempo, porém a pequena jamais deixou-o avançar o sinal nem dava mostras de que isso aconteceria tão cedo.
- Tem certeza? Por que você está triste? – ao contrário dos demais, ele conseguia lê-la facilmente.
- Tenho absoluta certeza. Só quero que você passe essa noite ao meu lado, é pedir demais?
- Não – sorriu francamente – Só não posso garantir que passarei a noite toda sem encostar um dedo em você – disse com um tom de malícia implícito na voz.
- E o que você poderia fazer comigo? – a ex-comensal usou o tom maroto que na juventude o moreno costumava usar.
- Te fazer minha, por exemplo – seus olhos brilharam perigosamente. A garota engoliu em seco a resposta, pois sabia que se envolver com o maroto seria ruína para sua própria sanidade.
- Acho que essa noite eu prefiro arriscar - devolveu a garota, esperando uma reação do homem.
- Você que pediu! Milady – ele pegou-a no colo, levantou-se da cadeira caminhando até a cama e depositou-a sobre a mesma, deitando ao seu lado. Ao contrário do que esperava, seu primo não arrancou suas roupas e a possuiu loucamente.
Sirius começou a fazer carinho nos cabelos loiros, fazendo com que a mesma dormisse com seu toque. Black sorriu, antes de pegar a garota novamente no colo, caminhava com ela até o andar de baixo, onde ela estava alojada e a colocou sobre a cama, depositou um beijo em seus lábios e saiu para seu próprio quarto. Não costumava agir por impulso, pelo menos não quando se tratava de dar prazer a uma mulher. Primeiro teria a certeza que sua prima realmente o desejava, para depois atacar.
Na manhã seguinte, a aniversariante saiu cedo para o ministério a pedido de Kingsley, enquanto seus amigos organizavam sua festa na ordem. Quando voltou novamente a sede, percebeu uma estranha movimentação na casa.
- Surpresa!
Ela olhava incrédula para a sala de jantar. A Ordem havia decorado-a com tons de azul, sua cor favorita- uma delas, visto que a garota já não sabia qual das duas gostava mais. Porém adorava o preto, principalmente pelo fato de ambas estarem presentes nos olhos de seu primo. Praticamente todos os integrantes da ordem estavam ali, inclusive Kingsley.
- Feliz aniversário, minha pupila – sorriu e lhe entregou um presente.
- Eu nem estou arrumada adequadamente – apesar do pequeno gesto de vaidade, a garota abriu o presente e encontrou um belo livro encadernado sobre Feitiços e Azarações.
- Acho melhor você vir comigo – Tonks a puxou para fora da festa e caminhou para seu quarto – Espero que goste da roupa que separei pra você.
Um vestido preto, tomara-que-caia, que ficava um pouco acima de seus joelhos e definia suas curvas já aparentes. O tom contrastava com sua pele clara, o que provavelmente acentuariam ainda mais sua forma.
- Como vocês sabiam? – a auror estava surpresa com tudo.
- Sirius – a metamorfomaga somente sorriu e saiu do quarto deixando a garota se trocar mais a vontade. Não gostava de invadir a privacidade das pessoas.
Kammy correu para o chuveiro, tomou um banho rápido. Colocou o vestido que caiu como uma luva em seu corpo e nos pés o salto mais alto que encontrou, deixando seus cabelos soltos, já secos por magia. Correu para a festa e quase caiu. A pressa de encontrar o maroto era tanto que ela nem se importava se caísse.
Todos a cumprimentaram e entregaram seus presentes, que abria e deixava em uma mesa devidamente preparada para isso. Há muito custo, a garota finalmente encontrou Black, a única pessoa que a pequena desejava ter visto desde o começo.
- Obrigada – ela se jogou em seus braços. Mesmo de salto, ainda era mais baixa que seu primo.
- De nada – sorriu ao ver que a loira estava feliz – Para você.
A Black recebeu o embrulho e o abriu cuidadosamente, então encontrou um lindo pingente de prata em forma de coração. Era perceptível, pela qualidade do material, que fora fabricado por duendes.
- Gostou? – o maroto esperava a resposta, visivelmente nervoso.
- Coloca em mim? – a garota virou-se, segurou seus cabelos e esperou que ele atendesse ao pedido. Sirius somente sorriu. Tirou o colar da caixa e colocou no pescoço da garota e o beijou em seguida. Ao redor, o pequeno grupo observava o casal.
- Parece estar havendo algo entre eles, não? - perguntou Tonks carinhosamente, que observava o Black colocar a peça de prata no pescoço da auror.
- Eles? Ele tem idade para ser pai dela - respondeu Moody, reprovador. O bruxo era sério e compenetrado no trabalho, não aceitaria interferências amorosas em sua vida, mesmo que fosse as alheias.
- Eles não são primos? - indagou Molly Weasley, que lembrava de modo vago das ligações sanguíneas e matriarcais da familia Black.
- Quando estamos apaixonadas não ligamos para essas coisas - devolveu-lhe a metamorfomaga, que olhava de modo intenso para Lupin, embora o lobisomem não percebera sua atitude.
O casal não percebeu os olhares sob eles. Kammy soltou seus cabelos e as mãos do moreno escorregaram por suas costas, abraçando sua cintura. A loira podia sentir o corpo dele colado ao seu e o quanto ele a desejava.
- Encontre-me no meu quarto assim que a festa acabar – o maroto sussurrou em seu ouvido, para logo em seguida sugá-lo com vontade. A loira estremeceu em seus braços e teria caído se as mãos de Sirius não a segurassem com tanta firmeza.
Antes que Kammy pudesse responder, Sirius sumiu de sua vista. Assim que todos foram embora e os moradores da casa foram para seus respectivos quartos, Engels dirigiu-se ao último andar da casa, a fim de encontrar Black. A pequena abriu a porta, esperando que o moreno estivesse acordado.
- Que bom que você veio – o maroto a encarou com um leve sorriso – Você estava tão encantadora que me segurei para não te beijar – o ex-prisioneiro lançou um olhar furtivo para a garota que ainda se encontrava com as roupas da festa.
A auror caminhou devagar para perto dele e o abraçou com força. Naquele momento, Kammy deixou de lutar contra seus sentimentos e deixou seu coração comandar. Amava aquele inconseqüente mais do que já havia amado os únicos dois garotos que tiveram a coragem de se aproximar dela.
- Obrigada por tudo, Sirius.
- Só aceito um beijo como agradecimento.
A garota beijou sua bochecha e deu aquele sorriso maroto.
- Será que nem no seu aniversário você facilita? – o mais velho parecia raivoso agora, porque todos os beijos trocados entre os dois tinham sido roubados por ele.
- Que graça teria?
- Toda, desde que você fosse minha – o mais velho foi se aproximando perigosamente e a loira dando passos lentos para trás, até ser parada por uma parede.
- Não vou cair nos seus braços tão fácil, Black – recuperou a razão ao ver o sorriso malicioso no rosto do moreno. Agora, ela tentava lutar contra seus sentimentos, em vão.
- Você já caiu, Milady – o moreno prensou-a contra a parede. A excitação dele podia ser sentida novamente, agora contra seu sexo.
- Me solta! – pediu a garota, embora sua seu corpo dizia o contrário. A proximidade dele a afetava.
- Pra quê? Por que iria soltá-la se você me quer assim tão perto? – o maroto murmurou em seu ouvido, vendo a pele da garota se arrepiar por estarem tão próximo.
- Eu não quero – sua voz saiu trêmula. Kammy já não sabia mais como lutar contra seu primo.
- Então prova!
Black beijou a bochecha da garota, no que a auror tentou escapar. O moreno, vendo que sua prima ainda oferecia resistência, mordiscou sua orelha e partiu para o pescoço, seu ponto fraco, colando seu corpo no dela. Kammy encolheu-se nos braços do maroto mais uma vez.
- Sirius...
O Black encarou seus olhos tão azuis e viu a garota fechar os mesmos, esperando o contato. O ex-prisioneiro não esperou por outro convite e a beijou apaixonadamente. No início, a pequena ainda estava relutante, porém logo estava vulnerável em seus braços e correspondia seus beijos com ardor. As mãos dele escorregaram para suas costas, acariciando por cima do vestido. Elas desceram ainda mais até chegar a coxa da garota e a apertar com vontade. O Black já estava quase perdendo o controle.
- O que mais você quer? – sussurrou no ouvido dela e novamente esta se encolheu em seus braços.
- Me faça sua – a esta altura a loira já tinha perdido todo o controle, era movida somente pelo prazer – Somente me faça sua.
Era tudo que ele precisava ouvir para erguê-la do chão, o que fez com que a auror passasse as pernas em torno de sua cintura para não perder o equilíbrio. O moreno caminhou com sua prima até a cama e a jogou sem nenhuma delicadeza, indo se juntar a garota sem seguida. Sirius lançou o Affabiato antes de começar a trilha de beijos pelo corpo da jovem mulher. Não demoraria muito para essa gritar de prazer.
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O que era pra ser até o Halloween se estendeu mais do que Kammy pretendia. Já estavam quase no final junho e ela ainda se encontrava na mansão Black. Depois daquele dia, os dois passaram a ficar juntos e a ex-comensal não tinha coragem de abandoná-lo. Não sabendo de tudo que Sirius já tinha passado e a garota não queria ser mais uma decepção em sua vida. Odiava admitir, mesmo que fosse para si mesma, porém amava o maroto mais do que amava a si mesma.
Procurava o moreno de belos olhos azuis pela casa. Estava começando a ficar preocupada, não o encontrava em lugar nenhum. Mesmo sem a auror perceber, seu primo havia se tornado sua razão de viver. Em poucos meses o maroto conseguiu dissipar todo o ódio e rancor que a Black carregava em seu coração transformando-os em alegria e amor.
- Você viu o Sirius, Kreacher?
Devido a sua preocupação, a garota não percebeu o brilho estranho nos olhos do elfo. Aliás, quando se tratava de Sirius Black, Kammy não enxergava mais nada a sua frente.
- Ele está no seu quarto...
A loira nem esperou que o elfo terminasse a frase e correu para o último andar da casa. Acordara com um estranho pressentimento e não o vira o dia todo. A garota chegou ofegante no topo da escada. Seu coração tranqüilizou a ver o maroto no quarto. O Black sorriu ao perceber que a garota estava parada na porta de seu dormitório. Essa correu para seus braços, fazendo-o interromper os curativos que fazia em Buckbeak.
- O que foi? – estranhou ao vê-la abraçar tão forte. Nunca havia visto-a tão desesperada como a garota estava agora.
- Eu não posso te perder – os orbes azuis da loira estavam marejados. Dava para ver que estava se segurando para não chorar.
- Você não vai me perder – o maroto fazia cafuné na cabeça da loira a fim de acalmá-la – não vai conseguir se livrar tão fácil de mim – disse num tom brincalhão, tentando fazê-la rir.
- Eu te amo, Sirius. Você é a única família que eu tenho – era a primeira vez que a ex-comensal disse aquela frase tão pequena, mas que tivesse tanto significado.
Padfoot secou as lágrimas que escorriam pelo rosto dela. Definitivamente odiava ver lindas mulheres chorando, ainda mais por sua causa.
- Eu também te amo, Kam – abraçou-a forte – Você não vai me perder, nunca. Ouviu? Nunca – agora que também havia dito aquela pequena frase também se sentia muito mais leve. Aquela garota estava começando as curar as feridas de seu próprio coração, como havia feito com sua prima. E finalmente uniu seus lábios ao dela, que retribuiu com grande intensidade, como se esse fosse o último beijo. Havia aprendido a respeitar suas intuições desde que se viu presa na casa de MacNair.
Black terminou os curativos no hipogrifo e ambos desceram as escadas de mãos dadas. Assim que chegaram ao hall, encontraram um Remus aflito. Ambos souberam imediatamente que havia algo de errado acontecendo.
- O que aconteceu? – Sirius foi o primeiro se pronunciar.
- Recado do Snape. Harry caiu numa armadilha. Eles foram pro Ministério – todos os presentes sabiam que Ministério significava Departamento de Mistérios. A loira gelou, já que havia muitas coisas lá que aqueles garotos não deveriam nem chegar perto.
- E nós vamos pra lá – seu instinto de adolescente já começava a agir. Nunca fugiu de uma boa briga e certamente não pretendia começar agora.
- Claro que vamos, Sirius. E você deve permanecer aqui – o loiro tentou fazer seu amigo ficar, contudo sabia que isso era inútil. O moreno jamais acatou suas ordens.
- O quê? É claro que eu vou – nada que alguém dissesse mudaria sua opinião, o moreno iria e ponto final.
- Alguém precisa ficar e esperar Dumbledore – Tonks falou.
- A Kammy fica – respondeu Sirius, que não iria ficar para trás.
- Se você vai, eu vou! – atalhou a garota – E nem adianta reclamar porque eu não vou ficar aqui esperando – a auror tinha uma paciência muito parecida com a dele, o que queria dizer nenhuma, ambos agiam pela impulsividade.
- Ok. Vamos todos. KREACHER! - O elfo apareceu em seguida.
- Dumbledore deve chegar logo. Você deve avisá-lo que nós fomos ao Ministério da Magia – disse Sirius muito rápido. Não teve paciente de repetir tudo com calma, sabia que o dever do elfo era obdecê-lo.
- Sim, senhor Black. – o elfo fez uma profunda reverência e saiu resmungando –Traidor do próprio sangue... - nessa hora, Sirius não tinha tempo pra ouvir os insultos de Kreacher.
Todos que estavam na sede aparataram para o Ministério. Assim que chegaram ao local, todos começaram a duelar, pois estavam em grande desvantagem. Parecia que não dariam conta do recado, o que mudou com a chegada de Dumbledore, salvando a loira de Dolohov. Todos pararam de lutar quando Albus chegou; Somente um par continuava a lutar, aparentemente sem notar o recém-chegado. Harry viu Sirius se desviar de um raio vermelho de Bellatrix: ria dela.
- Vamos! Você sabe fazer melhor que isso! – berrou ele, sua voz ecoando pela sala cavernosa. Kammy virou em direção ao dono da voz a tempo de ver o segundo jato de luz a atingir bem no peito. A loira parou, como se estivesse petrificada. O choque percorreu cada partícula do seu corpo ao ver o moreno cair.
O riso ainda não desaparecera do rosto do moreno, mas seus olhos se arregalaram de choque. Sirius pareceu levar uma eternidade para cair: seu corpo descreveu um arco gracioso e ele mergulhou de costas no véu esfarrapado que pendia do arco. Seus olhares se encontraram pela última vez e ela viu o brilho dos olhos azuis se extinguirem para sempre. Lágrimas rolaram por seu rosto sem que a garota tivesse noção disso.
Harry viu a expressão de medo e surpresa no rosto devastado, outrora bonito, de seu padrinho. Quando ele atravessou o arco e desapareceu além véu, este esvoaçou por um momento como se soprasse por um vento forte, depois retomou a posição inicial. O Black partira e não havia nada que a loira pudesse fazer para trazê-lo de volta.
N.A.: Esse capítulo foi reescrito, a maioria das coisas foram mantidas e aumentadas. Eu já estava pensando em reescrever essa fic a algum tempo, mais como eu estava terminando a outra não pude x.x
Como eu odeio tradução eu mantive os nomes originais, todos eles u.u Ai vai uma listagem dos nomes com suas devidas correspondências.
Kingsley = Quim
Kreacher = Monstro
Buckbeak = Bicuço
Remus = Remo
Albus = Alvo
Severus = Severo
James = Tiago
Ron = Rony
Ginny = Gina
Nymphadora = Ninfadora
Alphard = Alfardo
William “Bill” = Gui
Charlie = Carlinhos