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Visualizando o capítulo:

8. “Abstinência, Cedrico Diggory


Fic: Lágrimas da Lua


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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NA: Ai está o capítulo 8!


Resolvi adiantar o capítulo...


Divirtam-se! :D


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CAPÍTULO OITO: “Abstinência, o encontro com Cedrico Diggory e...”.


 


 


A melodia que ressoava na cabeça de Harry deixou-o no melhor dos ânimos. Enquanto a fumaça das panelas se elevava e o óleo quente começava a chiar, ele deixou que tocasse, acorde após acorde, para depois mudar o tom, a fim de a tornar mais dramática. As palavras ainda não eram claras, mas logo surgiriam. Parecia-lhe uma canção de Verão, a transbordar de luz. E o fato de pensar acerca disso, ouvi-la dentro da sua cabeça, expulsava o sombrio Inverno.


A cerveja e a conversa na cozinha de Rony, no dia anterior, os haviam acalmado. E era assim que Harry preferia. Nesse momento, não conseguia entender porque se sentira tão nervoso.


A pequena Mary Kate atravessava uma daquelas fases típicas das garotas. Passaria tão depressa quanto surgira. Ele também não enfrentara as suas fases?


 Ainda se lembrava de que sonhara e suspirara pela linda Colleen quando tinha dezoito anos. Por sorte, nunca tivera coragem para fazer outra coisa além de sonhar e suspirar, já que a linda Colleen Thomas (prima do Dean Thomas) tinha vinte e dois anos na altura e estava noiva de Tim Riley.


Ele ultrapassara isso numa questão de semanas, mas depois passara a suspirar por outro rosto bonito. A vida era assim, no final de contas. Eventualmente, é claro, ele fizera mais do que suspirar, e descobrira a maravilha extraordinária de ter uma mulher nua sob o seu corpo. E fora inesquecível. Apesar disso, ele tinha cuidado com quem trocava toques e como tocava, a fim de poder sair feliz da experiência, quando tudo acabasse. Não era homem de considerar o ato de amor algo casual.


E era por isso, abstinência, supunha Harry, que não praticava aquela maravilha excepcional há meses. E, também, era provavelmente, o motivo pelo qual a Granger tanto atiçara as suas glândulas. Não que ele tivesse qualquer certeza, pelo menos por enquanto, se tencionava fazer alguma coisa quanto a isso.


Hermione era um enigma, e talvez fosse melhor deixá-lo sem solução. Um pouco de tempo, concluiu Harry, um pouco de cuidado, e voltariam ao terreno antigo e familiar, se pudessem deixar que tudo continuasse como estava. A sua mente voltaria a sossegar-se, e a vida retomaria a rotina que devia ter.


Ele só precisava esquecer como fora estimulante aquele encontro entre as bocas. Verificou o crubeens que estava a cozinhar com repolho e batatas com casca. Acrescentou um pouco de manjerona, para dar mais sabor ao caldo, um recurso que aprendera à base da experiência. Gostava de apresentar aquele prato quando havia ianques no pub. Era sempre divertido observar as variadas reações ao prato de pés de porco.


Luna trabalhava como garçonete naquela noite, e Rony achava que ela não o iria desapontar.


Enquanto esperava que o outro prato ficasse pronto, ele tinha de fritar o peixe para os dois excursionistas de Wesford. Pôs o hadoque no óleo. Virou a cabeça no momento em que a porta dos fundos foi aberta.


No mesmo instante, o rosto de Harry empertigou-se, os olhos estreitaram-se, e teve a sensação de que agulhas o espetavam por todo o corpo.


- O aroma está delicioso - comentou Hermione, descontraída, inspirando fundo. - Está  preparando crubeens? Duvido de que tenhamos um prato assim em Waterford City.


Ela estava maquiada. Os cabelos castanho-claros caindo em cachos soltos sobre os ombros. Tinha brincos cintilantes pendurados nas orelhas. E usava um vestido azul safira, justo com o comprimento da saia um palmo acima dos joelhos e com alças finas, que não deixava a questão das curvas para a imaginação de homem nenhum, além de mostrar boa parte das pernas bem torneadas e firmes.


- Onde vai, vestida desse jeito?


- Vou jantar com a Gina e os seus dublinenses.


Hermione preferia puxar uma cadeira, sentar-se à mesa da cozinha e comer o crubeens . Mas dera a sua palavra; não poderia mudar de ideia agora.


- Vai sair com um homem que nunca viu antes.


- A Gina já viu. Agora, é melhor eu subir para arrancá-la da frente do espelho, ou ela vai passar mais uma hora arrumando-se, e nunca mais vou ter o meu jantar.


- Espera um instante.


Bastaria o tom para fazê-la parar. Era incisivo, ríspido, diferente da forma habitual de Harry. Mas, antes sequer que Hermione se pudesse virar, ele segurou-a pelo braço.


- Qual é o problema?


- Perfume também... - murmurou ele, com um desgosto evidente, enquanto inalava a fragrância que Hermione exalava. - Eu devia saber. Pode dar meia volta e seguir direto para a sua casa. Não vou permitir que saia vestida dessa forma.


A raiva teria irrompido, numa reação violenta, se conseguisse passar pelo espesso muro do choque.


- Não vai permitir? Vestida como?


- Não vou mesmo. E você sabe muito bem como está vestida. Estou surpreso que a sua mãe tenha te deixado sair de casa dessa maneira.


- Tenho vinte e quatro anos, caso tenha se esquecido. A minha mãe deixou de aprovar a minha escolha de roupas há vários anos. E não é da sua conta o que uso ou deixo de usar.


- Estou fazendo com que seja. Agora vai para casa, tira essa roupa e limpa o rosto.


- Não vou fazer nada disso!


A verdade é que ela só aplicara batom e o resto porque sabia que Gina besuntaria o seu rosto duas vezes mais se aparecesse sem maquilagem. Mas não havia motivo para mencionar isso, ainda  mais agora, quando a raiva começava a prevalecer sobre o choque.


- Como quiser. Nesse caso, eu faço por você, aqui e agora.


Ele suspendeu-a com um braço, ignorando os gritos estridentes e o punho que tentou acertar a sua zona temporal. Levou-a para a pia. Teve uma visão, através do nevoeiro escuro da sua fúria, de meter a cabeça de Hermione ali e abrir a torneira de água fria no máximo.


 Já estava estendendo a mão para a torneira quando Luna entrou correndo.


- Harry! A voz aturdida e um pouco maternal o deteve, mas foi por muito pouco.


- O que está fazendo? Larga a Hermione imediatamente!


- Estou fazendo o que precisa ser feito. Vê como ela se arrumou para sair com um estranho. Não está certo, Luna.


Entre insultos, Hermione virou a cabeça e tentou dar uma mordidela em Harry. Mas os dentes cravaram-se na camisa de flanela.


Ela ameaçou fazer uma coisa tão infame e violenta com a sua virilidade que Harry, cauteloso, apertou-a com mais firmeza contra si.


Essa é muito boa, pensou Luna, fazendo um esforço para não sorrir.


– Coloque-a no chão, Harry. Devia se sentir envergonhado.


- Eu devia? Ela está quase nua com esse vestido, e eu é que deveria me sentir envergonhado?


- A Hermione está linda. Como não a via há muito tempo, Luna avançou, tendo cuidado para evitar os pés de Hermione, que não parava de espernear, e puxou-o pela orelha.


- Largue ela.


- Ai! Mas que droga! - A última mulher que torceu a sua orelha daquela forma fora a sua mãe... e deixara-o completamente incapaz de se defender. 


- Só estou querendo protegê-la.


-Está bem, está bem... Quando Luna torceu com mais força ainda, ele largou Hermione.


Depois, respirou fundo, com ar de insultado. - Você não compreende a situação... Harry não pôde continuar. Cambaleou quando Hermione pegou numa panela e acertou na sua cabeça.


- Desgraçado! Não sou o seu cão para me tratar assim! Nunca mais se esqueça disso!


 Ele apoiou-se na beira da pia, vendo três Hermiones a se encaminhando para a escada dos fundos.


- Ela me acertou em cheio!


- Você mereceu! - Mas Luna pegou-o pela mão, gentilmente. - Precisa se sentar. Teve sorte da Hermione não ter pegado na panela de ferro, pois nesse caso estaria agora estendido no chão, desmaiado.


- Não quero que ela saia com nenhum dublinense. - Tonto, Harry deixou que Luna o levasse para uma cadeira. - Não quero que ela ande vestida daquela forma.


- Por quê?


- Porque não quero.


Paciente, mais compreensiva do que deixava transparecer, Luna passou os dedos pelos seus cabelos, com extrema delicadeza.


- Nem sempre conseguimos o que queremos. Não rasgou a pele, mas vai ficar com um tremendo galo. - Luna levantou o rosto de Harry. Comovida com a expressão obstinada e angustiada nos seus olhos, beijou-o na testa levemente.


- Nunca pensei que tivesse uma cabeça tão dura. Se não quer que a Hermione saia com outro, porque não a convida para sair com você?


 Ele mudou de posição na cadeira. - Não é assim que se faz.


 Luna pegou no rosto dele entre as mãos. – Não, e como é?


Ela deixou-o a remoer nisso, enquanto ia até ao fogão para apagar o fogo do peixe, que queimara além de qualquer possibilidade de redenção.


- Não quero que seja assim.


Os cantos da boca de Luna contraíram-se num sorriso. De costas para Harry, pegou outras postas de peixe. - Tenho que repetir. Nem sempre se consegue o que se quer.


- Eu consigo. - Harry levantou-se. Ficou imóvel por um momento, esperando que a cozinha parasse de rodar. - Tenho muito cuidado com o que quero.


- Eu também tinha. E foi querer mais que me trouxe cá.


- Já estou onde quero. Por isso, posso ser cuidadoso.


Ainda segurando o peixe, Luna lançou-lhe um olhar impassível. - Tem mesmo uma cabeça dura.


- E é assim que eu gosto. Não te preocupa com isso. Pode deixar que eu faço. - Harry pôs a panela de lado. Pegou outra para aquecer o óleo ainda não usado.


- Pode pedir ao Rony, querida, para servir outra cerveja aos excursionistas, por minha conta, com um pedido de desculpas pelo atraso na refeição?


- Claro. - Luna encaminhou-se para a porta. Mas parou antes de sair e virou-se.


Os problemas de família ainda eram uma novidade para ela.


- Harry, talvez você goste do lugar onde está. Talvez seja o lugar certo para ti. Mas há ocasiões em que se precisa ter certeza. Dar um passo para a frente ou para trás. Não está sendo justo com a Hermione, nem contigo próprio, ao correr no mesmo lugar.


- Essa é a psicóloga falando? - Ele olhou para trás, a tempo de vê-la estremecer e baixar os olhos.


- Não disse como uma ofensa, Luna. E tem razão. Eu apenas não sabia que rumo tomar. - Harry preparou o peixe para fritar, pensativo. - O fato é que ela me pressionou. E não gosto de ser pressionado. Deixa-me com vontade de fincar os pés no chão e resistir.


- Posso compreender isso, assim como também posso compreender que a Hermione é do tipo que precisa fazer as coisas à sua maneira. De uma forma ou de outra.


- É verdade. - Com o rosto franzido, ele tocou com os dedos no galo da cabeça, cauteloso. - De uma forma ou de outra.


- Se puder aceitar mais um conselho, encontra algo para fazer na despensa quando ouvir a Hermione descendo.


- É uma mulher sábia.


 




Na casa de Gina...


- Está tudo correndo bem, não é? Gina passava pó-de-arroz no nariz, no banheiro do restaurante, olhando para Hermione no espelho.


- A comida é muito boa.


 – Tem razão. Mas eu referia-me ao todo. É muito agradável sair com um homem de alguma sofisticação, para variar. O Matthew Boot morou em Paris durante um ano inteiro. Fala francês como um nativo. Acho que não vai demorar muito para ele me convidar a passar um fim-de-semana em Paris.


 Mesmo contra a vontade, Hermione não pôde deixar de rir.


- E você vai deixá-lo pensar que a ideia foi dele.


- Claro. Os homens preferem assim. E o Cedrico está fascinado por Você. - Ele é muito bonito e simpático.


 Como sabia que Gina levaria bastante tempo para se arrumar antes de voltar à mesa, Hermione pegou no seu batom. Para dizer a verdade, era um dos milhares de batons que Mary Kate espalhava pelo banheiro, com era de uma cor de rosa bem natural, foi surrupiado.


- Eles têm uma aparência magnífica e são tão ricos que chega a ser pecado. Porque não deixamos que os dois nos levem a Paris?


- Não tenho tempo para ir à França, nem a menor disposição para pagar a viagem da forma como um homem esperaria.


- Temos tempo de sobra. - Gina ajeitou os cabelos de Hermione. - E uma mulher esperta não paga, de qualquer forma, a menos que queira. Não estou pensando em ir para a cama com o Matthew.


- Pensei que você gostava dele.


- E gosto. Só que ele não me atrai dessa forma. – Houve uma pausa e ela acrescentou jovial: - Mas isso pode mudar.


Com os lábios contraídos, Hermione observou o batom, enquanto o fazia subir e descer no tubo.


- Alguma vez desejou dormir com um homem que não queria ir para a cama contigo?


- Jamais conheci um homem que não estivesse disposto abaixar o fecho com a menor provocação. É assim que eles são feitos. Não podemos culpá-los por isso.


- Mas pode haver algum que, em determinadas circunstâncias, não acharia uma mulher suficientemente atraente para querer se deitar com ela.


- Suponho que haja exceções para todas as regras. Mas você não precisa se preocupar. - Ela apertou o ombro de Hermione, num gesto de apoio. - O Cedrico te acha muito atraente. Tenho certeza de que ele teria o maior prazer em te levar para a cama, se você quisesse.


Com um suspiro, Hermione guardou o batom na bolsa. - É um alívio saber isso...




Ela se divertiu muito. O melhor encontro da sua vida. Uma refeição civilizada, num lugar civilizado, com pessoas civilizadas. Na verdade, sentia-se entediada demais, achava a noite muito chata, mas não queria admitir. Com esse bloqueio na cabeça, ela deu o seu telefone a Cedrico Diggory.


Prometeu a si mesma que voltaria a sair com ele, se ele telefonasse convidando-a para sair.


Cedrico foi polido e divertido, lembrou ela a si mesma, enquanto seguia para casa na caminhonete, partindo do pub , onde fora deixada, depois do jantar.


Ele fingira interessar-se pelo seu trabalho, e até se esforçara em encontrar alguma coisa que tivessem em comum. E descobriram que eram os filmes americanos antigos, do tipo noir.


Cedrico tinha uma coleção grande de vídeos. Até sugerira que ela fosse a Dublin, onde poderiam realizar um pequeno festival. Poderia ser uma coisa que ela apreciasse. Assim como apreciou o beijo de boa noite. Não foi exagerado, e as mãos de Cedrico não vaguearam pelo seu corpo, indo a lugares que não deveriam visitar logo no início do relacionamento. Um homem absolutamente encantador. Mas o desgraçado do Harry Potter arruinara o seu paladar para o sabor de qualquer outro homem.


Ela diminuiu a velocidade e parou quando chegou perto do chalé de Harry. Deixou a caminhonete em ponto morto, enquanto o tênue nevoeiro a envolvia. Ele estava lá dentro, com toda a certeza, aquela serpente à espreita. Com a luz da sala acesa. Provavelmente tocava a sua música. Se houvesse uma janela aberta, a música sairia para a noite, e ela poderia ouvi-la. E bem que gostaria de ouvi-la.


Porque sabia que a música de Harry a abrandava sempre, ela ficou com uma cara séria. Sentiu-se tentada, muito tentada, a entrar com a caminhonete no seu terreno, ir bater à porta, dizer tudo o que pensava, e rematar com a palma da sua mão. Mas isso seria atribuir uma importância excessiva ao comportamento anterior de Harry. E preferia evitá-lo. O desgraçado!


Que tipo de homem era capaz de beijá-la numa noite, como se pudesse sentir a maior das felicidades se passasse a eternidade assim, para se comportar como um pai furioso na noite seguinte? E até queria lavar o seu rosto!


Hermione fungou, começou a virar-se no banco, para agarrar de novo no volante, quando um movimento na janela superior a deteve. Por um instante, ficou apavorada, mortificada, pensando que era Harry, observando-a olhando o chalé. Mas o fluxo embaraçado não teve oportunidade de aquecer o seu rosto, pois ela distinguiu a forma de uma mulher, de cabelos claros iluminados pelo luar.


Hermione suspirou. Baixou a janela, cruzou os braços ali, apoiou com o queixo na porta do carro.


Quantas noites, especulou ela, a pobre Lady Gwen passara naquela janela, sozinha, solitária, com o coração partido? Tudo por causa de um homem.


- Porque nos incomodamos com eles, Gwen? Porque deixamos que dominem os nossos pensamentos desta maneira? Quando se põe o resto de lado eles são irritantes.


-O coração dele está na canção.


 Hermione ouviu as palavras como se fossem sussurradas diretamente no seu ouvido. -E você também. Preste atenção.


 Hermione fechou os olhos e os apertou com força, enquanto alguma coisa assustadora tentava expandir-se e agitar-se na sua cabeça.


- Não, não e não! Não quero pensar mais em Harry, não quero desperdiçar o meu tempo com ele. Harry teve as duas coisas... em grande quantidade.


Com um movimento brusco, quase violento, ela engrenou a caminhonete e seguiu para casa.


 


 


Harry sabia que ela estava sozinha, porque verificara. Mick Granger fora tratar de um trabalho no hotel no penhasco, e Luna saíra para fazer uma caminhada. Enquanto subia as escadas, podia ouvi-la martelando qualquer coisa.


O que significava, refletiu Harry, que ela estava armada. Mas era um risco que tinha de correr. Passara a maior parte da noite a pensar na situação... O que se tornara um hábito que lhe custava muito tempo de sono.


Chegara à conclusão de que Luna tinha razão. Era tempo de se movimentar, para um lado ou para outro. E imaginava que a conversa agora poderia determinar em que direção seguir.


 As marteladas, constatou ele, vinham do armário no quarto do bebê. Seguindo um impulso, algo raro nele, Harry fechou a porta, trancou e guardou a chave no bolso. Isso pelo menos evitaria que Hermione se afastasse antes que ele acabasse o que tinha a dizer. Preparado para a explosão que, tinha a certeza,  que provocaria, ele encaminhou-se para o armário.


- Luna? Já de volta, tão cedo? Dá uma olhada nestas prateleiras para eu saber se estão do seu agrado.


Do terceiro degrau do escadote, ela olhou para trás e avistou Harry na porta. Ele esperou. Mas, em vez de fulminá-lo com a língua, Hermione trespassou-o com o olhar, para depois voltar ao trabalho.


O que era um péssimo sinal, refletiu Harry.


- Quero conversar contigo.


- Estou trabalhando. Não tenho tempo para conversas.


- Preciso falar contigo. Harry adiantou-se. Pôs a mão na anca de Hermione.


Precisou recorrer a toda a sua coragem para não saltar para trás, quando ela o fitou, apertando o martelo com toda a força.


- Quer largar isso?


 - Não. Ele podia ter coragem, mas também tinha cérebro.


 Num movimento rápido, arrancou o martelo da sua mão. - Tenho um galo do tamanho de uma bola de golfe na cabeça. Não me agrada ter mais um. Só vim trocar algumas palavras contigo, Hermione.


- Não tenho nada para te dizer, Harry. E como prezo a amizade que tivemos durante toda a vida, peço que me deixe em paz agora.


Era mesmo um mau presságio, pensou Harry, enquanto um princípio de pânico o envolvia. - Quero te pedir desculpa.


Hermione mudou de posição no escadote outra vez, voltando-lhe as costas, e pegou na fita métrica.


Aquela mulher despertava o que havia de pior nele, pensou Harry, enquanto a segurava pelas ancas e a tirava do escadote.


Ela virou-se já com um soco armado. Embora esperasse, ele não se esquivou. Não depois de ter percebido o brilho de lágrimas nos olhos de Hermione.


- Desculpa. - O pânico era agora cada vez mais intenso e angustiante.- Não chore. Não posso suportar isso.


 - Não estou chorando. - Ela preferia deixar que as lágrimas queimassem os seus olhos do que derramar uma só na presença de Harry. - Eu te pedi para me deixar em paz. Já que não quer se retirar, eu vou embora.


Hermione foi até à porta. Girou a maçaneta. Escancarou a boca, em choque. - Você trancou a porta! - Ela virou-se, bruscamente. - Perdeu o juízo?


 - Eu te conheço... e sabia que não iria querer me ouvir. Assim, vai ter de ouvir o que tenho a dizer.


Harry percebeu que ela lançava um olhar para a caixa de ferramentas. Imaginou que Hermione pensava no amplo armazenamento de armas que ali havia.


Por mais sincero que tivesse sido o seu pedido de desculpas, não estava disposto a permitir que fossem abertos buracos no seu corpo. Por isso, interpôs-se entre ela e a tentação.


- Você diz que a nossa amizade é importante para Você. Para mim também é. É muito importante. Você é importante para mim, Hermione.


- Foi por isso que me tratou como uma vagabunda ontem à noite? A voz de Hermione tremia, deixando-o alarmado.


Foi o motivo para que se apressasse em concordar.


- Tem razão. Mas deve compreender que não é normal te ver daquela forma.


 A frustração fez com que ela erguesse as mãos. - Que forma?


- Querida. - Harry viu os olhos de Hermione arregalar-se em surpresa e aproveitou a situação para se aproximar.


- Estava refinada e feminina.


- Não poderia deixar de ser feminina. Afinal, sou mulher.


- Eu sei. Mas não costuma se preocupar com essas coisas.


 - Porque deveria? - Era um ponto sensível, que ela detestava esmiuçar. - Só porque sei martelar um prego e consertar um cano, não tenho permissão para ser também mulher? Usar um vestido e batom me transforma numa vagabunda?


- Não, mas me transforma num idiota por te deixar pensar que foi essa a minha intenção. Inepto, idiota e rancoroso. Peço desculpa.


Como Hermione permanecia calada, ele enfiou as mãos nos bolsos. Tornou a tirá-las. E disse a si mesmo que era melhor dizer tudo de uma vez. - A verdade é que eu estava pensando em você, em coisas a seu respeito, quando entrou na cozinha, vestida daquela forma, pronta para sair com outro homem. Senti ciúmes. Na ocasião não percebi. E não quis admitir mais tarde, depois da minha mente ter se desanuviado um pouco. Nunca tinha sentido ciúmes antes. E não posso dizer que tenha gostado.


Hermione já se acalmara o suficiente para começar a especular. E considerar. - Também não gostei.


- Disse a mim mesmo que você tinha feito de propósito... tinha usado aquele vestido, deixado os cabelos soltos, os lábios brilhantes e úmidos, só para me provocar.


Sim, considerou Hermione. Balançou a cabeça.


- Seria bem possível, se eu tivesse pensado nisso. Mas a minha mente não funciona com tanta habilidade.


 - Eu sei. É uma mulher franca e honesta. - Harry parou. Inclinou a cabeça para o lado. A cada passo seu, ela dava outro, esquivando-se.


- Hermione, porque te afasta sempre que dou um passo na sua direção? Não foi você quem começou tudo?


- Tem razão, fui eu. Mas tive tempo de reconsiderar. E quero que te mantenha à distância, enquanto penso sobre isso. - Ela fez o pedido quando percebeu o divertimento masculino nos olhos de Harry.


Não era uma expressão que aquietasse os nervos de uma mulher.


- Somos amigos há muito tempo, Harry. Não quero perder essa parte da minha vida. Se tivéssemos agido quando falei em sexo pela primeira vez, se você tivesses apenas sorrido e dito “Uma ótima ideia, Hermione, vamos já para a cama”, tudo estaria bem. Teríamos desfrutado um do outro, de uma forma bem simples, e separávamo-nos como amigos, da forma que sempre fomos. Mas agora isso deixou de ser uma coisa impulsiva e tornou-se cada vez mais complicada.


Harry resolveu o problema de mante-la quieta ao estender uma das mãos para a parede, um pouco acima da cabeça de Hermione. Antes que ela pudesse desviar-se, Harry encostou a outra mão na parede, imobilizando-a entre os seus braços.


- Você tem o hábito de agir por impulso, enquanto eu pondero tudo. Você se move depressa, mas eu sou mais lento.


O sangue de Hermione começava a zumbir. Mas o orgulho mantinha-a imóvel agora, tanto quanto os braços de Harry.


- Pelo amor de Deus, Harry, um frízer se desloca mais depressa do que você.


- Mas eu acabo chegando onde quero, não é? E pensei, Hermione, que avaliando impulso e consideração, rapidez e cautela, ainda podemos nos encontrar em algum ponto de intermédio.


 - É muito difícil agora.


-O seu coração disparou - murmurou ele, chegando ainda mais perto. - Quase posso ouvi-lo. - Sem desviar os olhos dela, Harry colocou a mão entre os seus seios. A sensação aflorou nos olhos de Hermione, a respiração tremeu entre os lábios.


Ela inspirou bem fundo, quando os dedos de Harry se abriram.


 - Agora posso sentir. Sempre quis te tocar.


Os joelhos de Hermione começaram a vergar-se.


- Nunca pensaria nisso se eu não o tivesse mencionado.


 - Tem razão. Mas não posso dizer que me importo que a ideia tenha sido sua, da forma como penso agora. - Ele baixou a cabeça para morder levemente o lábio inferior de Hermione.


 - E ando descobrindo que é muito difícil pensar em qualquer outra coisa. Quando vim para cá hoje... - Harry deslocou a cabeça, de tal maneira que os seus lábios roçaram no queixo de Hermione.


 - Pensei em pedir desculpa, deixar tudo bem entre nós. E depois, eu tinha quase  certeza, daria um passo atrás e deixaria assim. Mas agora eu quero te tocar. - Ele acariciou o mamilo que espetava a camisa.


- Quero te saborear. E, finalmente, as bocas encontraram-se. Ela segurou nos quadris de Harry, com os dedos a apertar com toda a força, enquanto as línguas se misturavam, o calor de um corpo se unia ao do outro.


Hermione queria mais depressa, mais quente, mais urgente. Pensou que poderia morrer com aquele calor gentil e glorioso.


- Espera! - Algo se soltava dentro dela. Algo vital, que precisava permanecer no lugar. - Espera. você pensa que preciso de caprichos e fantasias.


Ela virou a cabeça, mas o movimento só serviu para expor a sua orelha aos dentes de Harry. O homem tinha uma boca mágica.


- Pois eu não preciso. - A respiração de Hermione saía forte e acelerada, deixando-a tonta. - Nem de seduções.


- Mas eu preciso. Ele inclinou a cabeça, a fim de beijar a garganta de Hermione. - Se já decidiu... e parece-me que sim... que, afinal, devemos fazer sexo, tiraremos uma hora de folga e iremos para o teu chalé.


A gargalhada de Harry foi abafada contra a pele de Hermione, uma pele tão macia quando seda aquecida ao sol.


- Um ponto intermediário, Hermione. Eu te quero. - Ele sentiu-a estremecer, quando as bocas voltaram a encontrar-se. - Mas tenho a intenção de nos levar à loucura, antes de te ter nua, por baixo de mim.


- Por quê?


- Porque é mais agradável assim. Gosta quando faço isto? - Ele sorveu a respiração de Hermione, enquanto os seus dedos roçavam a curva do seio, por baixo da camisa. – Ah... Já vi que gosta. Ficou com os olhos turvos.


- Estou meio cega. Vamos esquecer o chalé. Faremos tudo aqui mesmo. Mas, quando ela o enlaçou pelo pescoço, Harry riu e girou-a num círculo. - Nada disso. Não vou abreviar o meu prazer nem o seu.


- Não me parece um ponto intermediário, do meu ponto de vista. Está inclinando-se cada vez mais para a sua maneira de fazer as coisas.


- É possível. Mas você vai me agradecer quando acabarmos.


 - Um pensamento típico de homem... - murmurou Hermione, quando ele a pôs no chão. - Sempre pensando que sabe o que é melhor e como deve ser feito.


Os dentes de Harry faiscaram num sorriso.


- Hermione, querida, se eu não fosse homem, não estaríamos tendo esta conversa.


Ela suspirou. Ajeitou o boné com mais firmeza na cabeça. - Está certo nesse ponto, não é mesmo?


- Você disse que tinha um anseio, um frisson. Pois vou incita-la, no momento em que eu escolher, à minha maneira. Acho que é justo.


Hermione fitou-o nos olhos. Balançou a cabeça em concordância. - Frustrante, mas justo.


- E qualquer que seja a situação, agora ou depois, continuaremos amigos no final de tudo. Por mais que te deseje, não te tocarei se não prometer que continuaremos amigos.


Como poderia deixar de gostar de Harry, pensou Hermione, quando ele era o tipo de homem capaz de pensar em algo assim? E a falar absolutamente a sério. - Amigos agora, durante e depois. – Hermione estendeu a mão. - Prometo.


 - E eu também prometo. Harry apertou a mão estendida. Não a largou. E só para ver a reação, levantou-a para roçar os seus lábios. Ela entreabriu a boca, levando-o a soltar uma gargalhada estrondosa.


-Hermione Jean Granger, creio que você terá algumas surpresas ao longo do caminho.


- Talvez. - Ela soltou a mão. Estendeu-as para as costas, onde continuou a formigar. - Mas quero que saiba que também tenho os meus truques.


- Contarei com isso. - Harry tirou a chave do bolso e virou-se para a porta. - Porque não aparece esta noite? Eu faço o jantar, e posso te mostrar algumas... surpresas que tenho guardadas na despensa.


- Na despensa? - Antes que a risada saísse, um pensamento aflorou. - Quantas mulheres, se é que posso perguntar, já surpreendeu na despensa?


- riamh a fhios (Nunca saberá).


 Harry piscou-lhe o olho, antes de sair. - Não sou um homem que costuma contar.


(Fim do capítulo)


 


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NA:Então... eu resolvi ressuscitar o Cedrico porque ele era um personagem com muito potencial... Gostava mais dele do que do Victor Krum(desviando dos avadas que provavelmente as fãs dele estão lançando em mim agora, kkk, nada contra o Victor), mas achava o Cedrico mais interesante por que ele era de uma casa(Lufa-Lufa de pessoas gentis, pacientes e justas) que não era levada muito a sério e tal, ele parecia ser alguém que ralava pelas coisas. por isso escolhi ele ao invés do Krum.




Até o próximo capítulo! :D





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Comentários: 2

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Fe-Note em 02/10/2013

Também é aquilo, né? Normalmente as pessoas colocam o Krum de rival, queria mudar um pouco, né? Para variar um pouco. :D

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por r.ad em 02/10/2013

:D
Apesar de não ter nada contra a lufa-lufa, eu nunca gostei muito do cedrico... A ideia de menino perfeio era meio chata, mas o Krum é muito fofo!!! kkkk mesmo assim sem ressentimentos!
até o próximo capítulo.
  

Nota: 5

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