NA: Agradeço a todos os leitores que já passaram pela fic.
Obrigada r.ad, pelos seus cometários!!! :D
Fico muito feliz que esteja gostando. :D
Menina, eu fico que nem maluca perguntando o que as outras pessoas estão achando, mas são poucos os que respondem( olha a pessoa louca, pertubando a leitora achando que já tem intimidade, risos).
Em sua homenagem aí está o capítulo 7!
Boa leitura para todos que estão acompanhando a fic!
:D
Até logo!
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
CAPÍTULO SETE: “conversas, passeio e bêbado como um gambá ”
Qualquer um pensaria que aquela mulher nunca saltara para os seus braços e lhe dera um beijo ardente. Um homem poderia pensar que sofria de alucinações, que ela nunca se sentara à sua frente, à mesa da sua própria cozinha, e sugerira que tivessem uma aventura na cama. Mas ela fizera ambas as coisas. E Harry sabia disso porque sentia os músculos da barriga a contraírem-se cada vez que chegava a meio metro de Hermione.
Harry não gostava dessa situação. Nem um pouco. Assim como também não gostava da forma como ela parecia agir descontraída e normal, ao entrarem na rotina da noite de sábado no pub. Cada vez que saía da cozinha, por uma razão ou por outra, Hermione lançava lhe um olhar que era um meio-termo entre o desprezo e o sorriso. O que o levava a especular porque sempre gostara, no passado, de ver aquela mesma expressão no rosto de Hermione.
Ela trabalhava num conjunto de torneiras numa extremidade do balcão comprido de castanheira, enquanto Rony tratava do outro conjunto. Hermione conversava com os clientes, ria muito com o velho Sr. Riley, que tinha o hábito de pedir em casamento todas as mulheres bonitas que encontrava. Se os músicos tocassem uma música de que gostasse, Hermione acompanhava os outros no coro. Fazia tudo o que sempre fizera numa centena de outras noites de sábado, quando o pub estava lotado e a música era animada. Deveria ser um alívio - disse ele a si mesmo - o fato de os dois parecerem ter voltado a um terreno tranquilo e familiar. Mas, na verdade, deixava-o na mais profunda irritação.
Ela vestia calças jeans bem justa ao corpo e uma camiseta vinho folgada. Harry provavelmente já a vira vinte vezes ou mais com aquela camiseta. Então porque nunca o fizera pensar no corpo esguio e atraente que havia por baixo? O tipo de corpo que era rápido, ágil e forte, com seios médios e firmes, a textura deveria ser como a dos pêssegos pouco antes de amadurecerem. Distraído, ele queimou os dedos no óleo quente quando tirou as batatas fritas. Censurou-se por pensar, mesmo que apenas por um momento, em subir as mãos pelo corpo de Hermione, acariciar os seios. Fora o plano dela, concluiu Harry. Aquela bruxa insidiosa. Plantara a semente no seu cérebro, atiçara os seus sentidos, já que ele era apenas um homem, no final de contas, e agora podia atormentá-lo pela simples proximidade. Mas duas pessoas poderiam fazer o mesmo jogo.
Em vez de esperar que Gina fosse buscar os pedidos, ele passou a levá-los pessoalmente. Apenas para mostrar a Hermione Granger que ela não o perturbava nem um pouco. Aquela criatura impertinente nem sequer olhava na sua direção quando ele entrava no pub e se esgueirava entre a multidão. Nada disso. Apenas para enfurecê-lo, Harry tinha a certeza, ela operava as torneiras e continuava a conversar com um casal de turistas, como se os dois fossem a melhor companhia do mundo, e aquela fosse a sua habitual reunião de sábado. Hermione usava os cabelos à mostra, presos atrás por uma fita preta. À claridade difusa, pareciam brilhar como o ouro.
E Harry gostaria de poder manter os pensamentos longe daqueles cabelos. Pois desejava passar as mãos por eles.
- Olá, Harry.
Mary Kate aproximou-se no instante em que ele servia a travessa de batatas fritas para a família Clooney. Ela aproximou-se tanto quanto ousava, esperando que ele gostasse do novo perfume que colocara.
- Uma noite movimentada. - A música está animada. Acho que todo o seu grupo de turistas veio.
- E estão se divertindo muito. - Mary Kate alteou a voz, num tom estridente, para ser ouvida acima da música, fazendo um esforço para mantê-la sensual, enquanto a banda iniciava uma vigorosa apresentação de Maloney Wants a Drink .
- Mas prefiro te ouvir tocar. Harry ofereceu-lhe um sorriso, enquanto ajeitava a bandeja vazia debaixo do braço.
- Pode me ouvir de graça sempre que quiser. Estes tipos de Galway têm muito fogo. - Ele olhou para a linha da frente, admirando a forma como o violinista manejava o arco. - Está aqui com a sua família?
O ego de Mary Kate desceu a pique. Porque pensaria Harry sempre nela como uma das meninas Granger? Era uma mulher crescida agora. - Não, não estou com ninguém. Não era uma mentira, assegurou ela a si mesma. Apesar de ter vindo com os pais e Alice, não estava com eles.
- Isso é que é tocar - murmurou Harry, esquecendo-a no seu prazer pela música. - Eles são brilhantes. Não é de admirar que tenham conquistado tanta reputação. O tenor é a voz mais forte, mas sabe como fundi-la sem prevalecer sobre os companheiros da banda. Ele especulou sobre o que fariam com uma das suas baladas, e só voltou a si quando Mary Kate tocou no seu braço.
- Você também pode conquistar uma reputação. - Ela tinha os olhos cheios de sonhos ao fitá-lo. - Maior. E mais brilhante. Harry evitou uma resposta... ou pensou a sério na possibilidade, dando um beijo leve no seu rosto.
- É muito querida, Mary Kate. E agora é melhor eu voltar para a cozinha. Mal a porta fechara atrás de si, Hermione entrou.
- Eu te disse para ficar longe da minha irmã!
- Como?
Ela assumiu a postura que Harry sabia muito bem que indicava a disposição para uma briga.
- Não conversei com você há uma semana, te dizendo qual era a situação em relação a Mary Kate? Era verdade. E Harry admitiu para si mesmo, enquanto passava a mão pelos cabelos, que não pensara outra vez no assunto.
- Apenas tive uma conversa com ela, Hermione. Não passou disso. Foi tão inofensivo quanto fazer cócegas a um bebê.
- Ela não é um bebê, e você a beijou.
- Por Jesus Cristo na Cruz, Hermione! Eu beijaria a minha própria mãe da mesma maneira!
- Os alemães estão famintos - anunciou Gina, jovial, entrando na cozinha com a bandeja carregada de tigelas e pratos vazios. - Querem mais três doses do seu guisado e dois pratos de peixe. Dá até para pensar que nenhum deles comeu desde que deixaram a terra deles.
Ela largou os pratos na pia. Calculou o peso no bolso do avental com um movimento dos dedos. - Mas, abençoados sejam, dão gorjetas a todo o instante, e ainda por cima generosas. E apenas uma vez um deles me deu uma palmada no traseiro. Quando ela tencionou começar a lavar a louça, Hermione respirou fundo, para se controlar.
- Gina, se importa de fazer isso depois? Preciso ter uma conversa em particular com o Harry.
Gina olhou para os dois. Alteou uma sobrancelha. Podia perceber, agora, a tensão correndo em ondas de um para o outro.
Na sua opinião, os dois não se sentiam felizes se não estivessem a discutir. Mas agora parecia... diferente. - Algum problema?
- A Granger pensa que tenho planos para a Mary Kate e está me avisando. Harry abriu a porta do frigorífico para pegar o peixe de que precisava. Mas não antes de ver Hermione estremecer.
- Não é isso. - Porque ela falou sem veemência, sem a fúria habitual, Harry voltou a fitá-la. - Mas a Mary Kate tem planos para você.
- Não resta a menor dúvida de que ela se sente atraída pelo Harry - confirmou Gina. - Embora ele jamais tenha percebido.
- Tudo o que fiz esta noite foi conversar com ela. - Contrafeito com os dois pares de olhos femininos que o fitavam, com compaixão e repulsa ao mesmo tempo, Harry virou- se para o fogão, a fim de aquecer o óleo. - Da próxima vez, vou empurrá-la para o lado e seguir em frente. Está bem assim?
Gina suspirou. - É mesmo estúpido, não é, Harry? Ela apertou o braço de Hermione, num gesto rápido de apoio, e deixou-os a sós.
- Desculpa ter entrado daquela forma, gritando com você. - As desculpas quase nunca saíam da boca de Hermione, e por isso mesmo o impacto era ainda maior. - É tudo novidade para a Mary Kate, agora que deixou a Universidade e se iniciou na carreira. Olha para a Maureen, feliz porque acabou de se casar, e para a nossa Patty, tão excitada com o casamento na Primavera, e começa a pensar... Desamparada, Hermione agitou as mãos. Não era boa com as palavras, quando se tornavam mais importantes. - Ela acha que já é crescida, que está pronta para começar tudo na sua vida. Mas no fundo do coração ainda é uma menina... e romântica. Muito delicada, Harry. Pode magoá-la.
- Não farei isso.
- Nunca teria a intenção. - Ela sorria agora, mas o sorriso não alcançava os seus olhos, como costumava acontecer. - Não é desse gênero.
- Prefiro te ver zangada comigo a vê-la triste. Não gosto de te ver infeliz. Hermione... Mas, quando Harry estendeu a mão para tocar nos cabelos dela, ela sacudiu a cabeça e recuou.
- Não. Agora vai me dizer algo gentil e doce, e não estou com a menor disposição para ouvir. Além do mais, temos ambos muito trabalho a fazer.
- Penso em você de uma forma que não pensava antes - murmurou ele, com a voz bem suave, quando Hermione se virou para sair. - E penso com frequência. Ela sentiu o coração estremecer. Respirou fundo para se controlar.
- Belo momento você escolheu para levantar o assunto. Mas também nunca teve o dom de encontrar o ritmo certo, a não ser na sua música.
- Penso em você com frequência - reiterou Harry.
Ele avançou, satisfeito quando os olhos de Hermione se voltaram cautelosos.
- O que quer? Ela sentia-se perturbada; e nunca alguém a deixara assim. Muito menos Harry. Poderia controlá-lo, é claro. Sempre fora capaz e sempre seria. Mas não conseguia mexer as pernas. Não era interessante? -refletiu Harry, enquanto se aproximava.
Hermione parecia nervosa, com o vermelho a espalhar-se pelas suas faces. - Nunca pensei em fazer isto. - Ele estendeu a mão de dedos compridos para a nuca de Hermione, puxou-a um passo à frente, enquanto a fitava nos olhos.
- Agora, penso o tempo todo. Ele roçou os lábios sobre os de Hermione. Um contato provocante, sussurrante, irresistível. Hermione deveria saber que ele a beijaria daquela forma, se assim decidisse.
Lento, suave, sensual, deixando uma mulher quase sem qualquer pensamento na cabeça. A mão na sua nuca apertava e soltava, apertava e soltava, irradiando pulsações pelo seu corpo. O calor envolveu-a, preenchendo a garganta, os seios, o ventre, enfraquecendo os joelhos, até que ela começou a balançar, ao ritmo sedutor da sua própria vibração, que Harry determinava somente com o contato dos lábios. Ela tremia.
E Harry absorveu a primeira e gloriosa sensação de ter Hermione Granger tremendo contra ele. E, no instante seguinte, quis sentir a mesma coisa de novo. Mas resistiu à vontade quando ela pôs a mão no seu ombro, para detê-lo.
– Me apanhou de surpresa quando me beijou na semana passada - murmurou ele, enquanto os olhos de Hermione desanuviavam pouco a pouco. - Parece que fiz a mesma coisa agora.
Trata de se controlar, mulher, ordenou Hermione a si mesma. Aquela não era a forma de controlar o homem. - Nesse caso, estamos empatados.
- Os olhos de Harry estreitaram-se. - Quer dizer que é uma competição, Hermione?
Mais à vontade com a ligeira irritação na voz de Harry do que se sentira antes com o tom suave e sedutor, ela acenou com a cabeça.
- É. - Sempre pensei assim. Mas, na forma afortunada das questões sexuais, ambos podemos vencer. Tenho clientes para atender.
Os seus lábios ainda formigavam quando ela deixou a cozinha.
- Talvez ambos possamos vencer, mas eu não vou entrar no seu jogo, querida Hermione- murmurou ele. Satisfeito consigo mesmo, Harry voltou para o fogão para cuidar da felicidade dos turistas alemães.
O sol decidiu brilhar no domingo. O céu estava claro, muito azul. A mancha cinzenta distante, a leste, dizia que a tempestade a pairar sobre a Inglaterra provavelmente alcançaria a Irlanda ao cair da noite. Por enquanto, porém, era um dia bastante agradável para se passear pelas colinas. Harry pensou que se faria de convidado para tomar um chá com biscoitos se por acaso passasse pela casa dos Granger. E apreciaria a reação de Hermione ao vê-lo sentado na sua cozinha depois do que acontecera entre os dois na noite anterior.
Achava que compreendia o que se passava na cabeça de Hermione. Era uma mulher que gostava de ver as coisas feitas... À sua maneira. Passo a passo, e num ritmo dinâmico.
Por algum motivo, Hermione concentrara-se nele, uma situação que começava a agradar-lhe. E muito, para ser franco. Só que ele também tinha a sua maneira de fazer as coisas. Um passo não poderia seguir outro em linha tão reta, e preferia um ritmo mais lento e despreocupado.
Afinal, avançando sempre em frente, perdem-se muitas coisas que acontecem em redor. E ele prezava muito as pequenas coisas. Como o cantar estridente de uma pega ou o reflexo do sol numa lâmina da relva. E a maneira firme como os penhascos resistiam à investida incessante do mar. Poderia caminhar durante horas, e era o que fazia quando se esquecia de si mesmo. Sabia que a maioria das pessoas o contemplava com um sorriso indulgente, achando que ele não fazia nada durante os seus devaneios.
Na verdade, porém, Harry fazia tudo nessas ocasiões. O pensamento, o restabelecimento, a observação. E porque estava a observar, não avistou Mary Kate, até que ela o chamou e correu na sua direção.
- Está um lindo dia para se passear. Por precaução, Harry enfiou as mãos nos bolsos. - Mais quente do que em muitos outros dias. - Ela alisou os cabelos, para o caso de se terem despenteado com a corrida. - Eu estava pensando em dar um pulo até ao seu chalé, e de repente encontro-te aqui.
- O meu chalé? Mary Kate trocara o traje dominical, ele notou, mas usava o que parecia ser um vestido novo, com brincos, perfume e batom. Todos os enfeites que as mulheres usam.
E, subitamente, ele teve a certeza de que Hermione tinha razão quanto à situação. O que o deixou apavorado.
- Pensei em ir cobrar o que disse ontem à noite.
- Ontem à noite?
- Que eu poderia ouvir a sua música quando quisesse. Adoro te ouvir tocar.
- Hum... Eu ia até à tua casa, para conversar com a Hermione sobre um assunto.
- Ela não está em casa. - Mary Kate decidiu que Harry precisava de um pequeno estímulo, e passou o braço pelo dele. - Era preciso consertar qualquer coisa na casa da Maureen. A Hermione foi até lá, com a mãe e a Patty.
- Então vou falar com o seu pai...
- Ele também não está em casa. Levou a Alice até à praia, para procurar conchas. Mas será bem-vindo de qualquer maneira. Mesmo sabendo que era um gesto ousado, ela subiu e desceu a mão pelo braço de Harry, enquanto andavam. A sensação de músculo - um braço de homem, não de um rapazinho - fez com que o seu coração acelerasse. - Terei o maior prazer em te fazer um chá e arranjar qualquer coisa para comer.
- É muito gentil da sua parte. Harry sentia-se perdido. Avistou a casa dos Granger quando chegaram ao cimo da colina. Embora uma fumaça tênue saísse pela chaminé, dava a impressão de estar vazia. A caminhonete de Hermione não estava estacionada na frente. E a cadela amarela não se encontrava à vista. Ao que parecia, até Betty o abandonara, no seu momento de necessidade. A única opção que lhe restava agora era uma retirada apressada e covarde.
- Mas como pude me esquecer? - Ele parou de repente, batendo com a mão na testa. - Fiquei de ajudar o Rony... em casa. Já me ia esquecendo. - Tão depressa quanto era possível, Harry libertou o braço, empurrando gentilmente a mão de Mary Kate, como poderia fazer com um cachorrinho que insistisse em morder. Quieta, menina!
- Estou sempre me esquecendo das coisas. Por isso, acho que ele não ficará surpreendido com o meu atraso.
- Mas se já estás atrasado... Mary Kate inclinou-se para ele, quase a encostar-se ao seu corpo, num gesto que até mesmo um covarde distraído, como Harry, reconheceria como um convite.
- Ele deve estar me procurando. Desta vez Harry tocou-lhe na cabeça, como poderia fazer com uma criança. Pela expressão amuada que se insinuava no rosto de Mary Kate, compreendeu que ela considerava o gesto da forma como ele queria.
- Passarei para tomar o chá em outra ocasião. Cumprimente à sua família, está bem?
Harry já percorrera vinte passos, afastando-se, antes de soltar um suspiro aliviado.
O que estava acontecendo, subitamente, com as garotas Granger?
Agora, em vez de uma caminhada sossegada, talvez um chá numa cozinha aconchegante, um tempo a sós no chalé, trabalhando na sua música, era obrigado pela honra a descer até à aldeia, e encontrar alguma coisa para fazer na casa de Rony.
- O que está fazendo aqui? - Perguntou Rony.
- É uma história longa e complicada. - Harry olhou em redor, cauteloso, enquanto entrava. - A Luna está em casa?
- Está lá em cima, com a Gina. A nossa irmã está com problemas para decidir o que vestir para levar o tal dublinense à loucura.
- O que as deve manter ocupadas por algum tempo. Ainda bem. - Quando Rony o fitou inquisitivo, ele explicou:
- Ando cheio das mulheres. Eis um belo cão! - Ele abaixou- se para coçar a cabeça de Finn. - A cresceu muito depressa, hein?
- E é sempre jovial, não é, rapaz? Finn olhou para Rony, em adoração, abanando a cauda com tanto entusiasmo, que batia nos joelhos de Harry e na mesa ao lado da porta.
- Se crescer ainda mais, o Finn vai começar a derrubar as cadeiras das mesas com a cauda. Pode me ceder uma cerveja?
- Posso ceder duas, uma para cada um de nós. - Enquanto se encaminhavam para a cozinha, Rony acrescentou:
- As mulheres, para me manter no assunto, sempre te estão causando desgosto, de uma forma ou de outra. Por causa desse seu rostinho lindo.
Divertido, Harry sentou-se à mesa, enquanto Rony pegava em duas garrafas de Harp e as abria. Estendeu a mão para a cabeça de Finn, distraído, quando o cão se meteu por baixo da mesa.
- Você se saía muito bem no departamento feminino, pelo que me lembro. E não é tão bonito como eu.
- Mas sou mais esperto. - Rony estendeu a garrafa ao irmão, sorrindo. - Guardei-me para a melhor de todas.
- Eis uma coisa que não posso contestar. - Depois de bater com a garrafa na de Rony, Harry bebeu um gole longo, com evidente satisfação.
- Não foi para conversar sobre as mulheres que vim até aqui, mas para escapar delas por algum tempo.
- Já que está aqui, e eu estou pensando em negócios, tenho algumas informações.
- Rony pegou numa lata de batatas fritas e colocou-a na mesa, antes de se sentar. - O pai me telefonou esta manhã. Ele e a mãe mandaram beijos para você. Disseram que ligaram para você também.
- Saí cedo. Devo ter perdido o telefonema.
- A notícia é que ele irá à Nova Iorque na semana que vem para se encontrar com o Malfoy. - Como o cão o fitava, esperançoso, e Luna não se encontrava presente para desaprovar, Rony atirou uma batata frita para Finn. - Ele quer ter uma ideia do homem, antes de aprofundarmos a negociação.
- Ninguém avalia um homem mais depressa e com mais objetividade do que o pai.
- É verdade. Entretanto, o Malfoy vai enviar um homem para cá, a fim de fazer também uma avaliação. O seu nome é Pedro Pettigrew e, e vai hospedar-se no hotel no penhasco. O pai e eu concordamos que é melhor não falar sobre as condições financeiras com o Pedro Pettigrew até termos uma ideia de quem é Malfoy.
- Você e o pai sabem mais dessas coisas do que eu. Mas...
- Mas o quê?
- Parece-me que uma das coisas que queremos descobrir é o que ganharemos nesse negócio. Em libras, claro, mas também na forma como o projeto de Malfoy pode beneficiar o pub.
- Tem razão.
- Portanto, a manobra mais sensata seria encontrar um jeito qualquer de obter informações sem dar muita coisa em troca - comentou Harry, depois de beber um gole de cerveja, pensativo.
- O pai está a fazer isso em Nova Iorque.
- O que não nos impede de fazermos a mesma coisa aqui. - Harry fez uma pausa. Com um coração tão mole como o de Rony, atirou outra batata frita para Finn. - O que temos na nossa pequena e feliz família, é o homem de negócios... - Harry inclinou a cerveja na direção do irmão. - Que seria você.
- Pode ser.
- E lá em cima... - Harry apontou um dedo para o teto. - temos duas mulheres adoráveis. Uma é graciosa e encantadora. Tem uma atitude tímida, que encobre, para aqueles que não olham em condições, um cérebro inteligente. A outra, traiçoeira e linda, tem o hábito de envolver os homens por completo, antes que eles percebam que ela tem uma espinha de aço. Rony balançou a cabeça, devagar. - Continua.
- E depois venho eu, o irmão que não tem a menor queda para os negócios. O irmão afável e jovial, que não dá a menor atenção às questões de dinheiro.
- Não nego que seja afável e jovial, Harry, mas também tens uma cabeça para os negócios tão boa quanto a minha.
- Não chega a esse ponto, mas é o suficiente para ajudar... Para saber que Pettigrew s vai se concentrar em você. - Ele gesticulou distraído para Rony, com a garrafa de cerveja, enquanto pensava sobre isso. - E enquanto ele estiver fazendo isso, os outros podem cercá-lo e sondá-lo, cada um à sua maneira.
Creio que, no final, saberemos tudo o que precisamos saber. E, depois, Você poderá fechar o negócio, Rony. O Potter’s vai tornar-se o melhor pub do país, a casa a que todos obrigatoriamente terão de se referir quando se falar de hospitalidade e música irlandesa.
Rony recostou-se, pensativo e sério. - É isso que você quer, Harry?
- É o que você quer. - Não foi isso que perguntei. Antes que Harry pudesse levantar a garrafa de novo, Rony segurou no seu pulso. Apertou com bastante firmeza para Harry inclinar a cabeça numa indagação.
- É isso que você quer, Harry? –continuou Rony.
- O Potter’s é nosso - murmurou Harry. - Deve ser o melhor.
Depois de um momento, Rony soltou-o. Irrequieto, levantou-se.
- Nunca pensei que ficaria conosco.
- Para onde iria eu? E porque partiria?
- Sempre pensei que um dia descobriria o que quer fazer com a sua música, e iria embora para conseguir.
- Tenho o que quero da minha música. E proporciona-me o maior dos prazeres. Como não recebia mais nenhuma batata frita, Finn deitou-se por baixo da mesa, aos pés de Harry.
- Porque nunca tentou vendê-la? Porque nunca foi para Dublin, Londres ou Nova Iorque, a fim de tocar nos pubs de lá, para que outros te pudessem ouvir?
- As minhas músicas não estão prontas para serem vendidas. - Era uma desculpa, mas era tudo o que ele tinha. O resto, pelo menos, poderia ser a verdade pura e simples. - E não tenho o menor desejo de ir para Dublin, Londres ou Nova Iorque, Rony, nem qualquer outro lugar, e cantar para pessoas jantando. Este é o meu lugar. É aqui que está o meu coração. Ele recostou-se, esfregando o flanco de Finn com o p é, distraído.
- Não tenho a sede de conhecer o mundo, como você tinha. Como a Gina, o pai e a mãe têm. Quero ver o que conheço quando acordo pela manhã, ouvir os sons que me são familiares.
- Enquanto Rony o estudava, acrescentou:
- Encontro certo equilíbrio em conhecer os nomes dos rostos em meu redor, em me sentir em casa para onde quer que olhe.
- Você é o melhor de nós, Harry - murmurou Rony.
O comentário fez com que Harry sorrisse, em surpresa e embaraço.
- Eis uma declaração que ficará para a eternidade.
- É mesmo. Tens o coração que absorve a terra aqui, o mar e o ar, considerando tudo com respeito e amor. Eu não poderia fazer isso se não tivesse partido para conhecer outros lugares. E, quando fui embora, Harry, te garanto que não pensava em voltar. Não para ficar.
- Mas foi isso que fez, voltou e ficou.
- Porque descobri o que sempre soube. Este é o nosso lugar no mundo. Por direito, se seguíssemos o coração, em vez da ordem do nascimento, estaria você dirigindo o pub. - E o levaria à falência no espaço de um ano. Não, obrigado.
- Tenho a certeza de que isso não aconteceria. Nem sempre te dei o reconhecimento que merece. Harry virou a garrafa de Harp na sua mão, contemplando-a com uma expressão pensativa. Piscou o olho ao cão a seus pés. - Quantas destas garrafas bebeu esse o homem antes de eu ter chegado, Finn?
- Não tinha bebido nada antes. Quero que compreenda os meus sentimentos e pensamentos antes que as coisas entre nós mudem de novo. E tenho a certeza de que mudarão, se fecharmos o negócio.
- Tem razão, vão mudar, mas nós é que decidiremos o rumo da mudança.
- Vai exigir mais do seu tempo.
Harry já pensara nisso, e como usaria esse tempo. - Tenho tempo de sobra.
- E o da Gina... ela não vai ficar nada satisfeita.
- É verdade. - Harry deixou escapar um suspiro. - Mas vai ficar bastante satisfeita com todas as jóias e roupas que poderá comprar com os lucros. E irá sempre defender o Potters, Rony. Tem que reconhecer isso.
- Pelo menos até conquistar o tal marido rico.
- Mesmo depois, se ela se dignar a fazer uma visita aos que permanecerem camponeses, ainda lhe poderá pedir para pôr um avental e pegar numa bandeja.
- E me acertaria com ela na minha cabeça. - Mas Rony balançou a cabeça em concordância. - Tem razão. Ela ajudaria, se fosse preciso. Sei disso.
- Não precisa carregar todo o peso... os negócios, preocupações e trabalho. Somos três... ou melhor, quatro, agora que temos a nossa Luna F. Lovegood Potter na família. Vamos dar-nos bem com este negócio, Rony. Tenho um bom pressentimento.
- Ainda bem que veio para cá. Estou mais lúcido agora do que me sentia antes.
- Isso vale mais uma cerveja antes que eu... - Harry parou de falar ao ouvir vozes femininas.
- Ah, abençoada Maria, lá vêm as mulheres! Vou-me embora, pela porta dos fundos.
- Na próxima vez, vou te deixar bêbado como um gambá para descobrir porque está com tanto medo das mulheres.
- Se eu não chegar em breve a uma conclusão sobre o que devo fazer, eu aviso. Harry escapou pela porta dos fundos.
(Fim do capítulo).