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6. "Confusão, flertes e..."


Fic: Lágrimas da Lua


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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NA: Olá!!! Estou um caco de pessoa essa semana, depois do evento no ultimo final de semana estou quase sem voz( a garganta está inflamada, sinal que já estou gripada).


Por isso peço desculpas, por ter demorado tanto para atualizar a fic.


Vamos ao que interessa, capítulo 6 aí gente!!!


Ah!  Essa semana eu ouvi uma música que é incrivel é do Zedd com a Hayley Williams da banda Paramore.


Adorei essa música(que não tem nada a ver com essa fic, por favor, mas gostei dela mesmo assim) vou colocar o link abaixo para quem tiver curiosidade de ouvir:


http://letras.mus.br/zedd/#mais-acessadas/2561882


 


Boa leitura! :D


 


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CAPÍTULO SEIS: "Confusão, flertes e..."






- Pode me passar o desentortador, querida?


Hermione pegou o objeto no nível do pai - ele tinha nomes afetivos para a maioria das suas ferramentas - e atravessou a lona salpicada de tinta para lhe entregar. A reforma estava bem adiantada.


Na mente de Hermione, já era o quarto do bebê, em vez do antigo quarto de Harry. Alguns poderiam não perceber o potencial do trabalho concluído, além da confusão de ferramentas, cavalete de serrador, o rodapé em falta e a chuva de serragem. Mas ela adorava o tumulto da fase média de um projeto, tanto quanto o produto final.


 Gostava dos cheiros e do barulho, o suor saudável causado por marteladas ou pelo levantamento de uma tábua pesada. Agora, enquanto recuava para observar o pai a usar o nívelador na armação das prateleiras que estavam a montar, Hermione pensou no quanto apreciava as etapas do trabalho. Medir, cortar, conferir, voltar a conferir, até que tudo se tornasse o reflexo perfeito do que se tinha na cabeça.


- Acertamos em cheio! - Anunciou Mick, jovial. Ele deixou o nivelador no canto. Sem perceberem, ambos assumiram a mesma posição: mãos nos quadris, pernas bem abertas, os pés firmes no chão. - E como foi construído pelos Granger, foi feito para durar.


- É assim que tem que ser. - Ele deu uma palmada cordial no ombro da filha, de puro companheirismo. - Tivemos uma boa manhã de trabalho aqui. Que tal irmos até o pub para almoçar agora? Faremos o resto de tarde.


- Não estou com fome. – Hermione foi examinar os remates que já haviam preparado para encaixar as prateleiras, evitando os olhos do pai. - Pode ir sozinho - acrescentou ela. - Vou ficar aqui para terminar os remates.


Mick coçou a cabeça. - Você não esteve no Potter’s durante a semana inteira.


- Não estive? Hermione sabia muito bem que não passara pela porta do pub desde a noite de sábado. E calculava que precisaria de mais um ou dois dias antes que o seu nível de humilhação baixasse o suficiente para que pudesse entrar e ver Harry.


- Não, não esteve. Na segunda-feira alegou que tinhas trazido comida de casa. E na terça, que iria comer mais tarde. Ontem, disse que queria terminar qualquer coisa e que iria até lá assim que acabasses... o que não aconteceu. - Mick inclinou a cabeça para o lado, lembrando-se a si mesmo que ela era uma mulher e que as mulheres tinham atitudes estranhas. - Você e a Gina brigaram?


- Não. – Hermione sentiu-se grata pelo fato de o pai ter presumido isso, o que não a obrigaria a mentir. - Conversamos ontem, quando ela veio até aqui. Você tinha saído para dar uma vista de olhos no cano de esgoto dos Clooney. Com um esforço para manter a voz e os gestos casuais, ela levantou os remates. - Acho que estou ansiosa para ver como isto vai ficar quando estiver no lugar. E comi muito no café da manhã. Pode ir almoçar pai. Se eu sentir fome, desço para assaltar a cozinha da Luna.


- Como quiser. - As filhas, abençoadas fossem todas elas, eram um enigma para Mick. Mas, pela sua própria vida, não conseguia imaginar qualquer coisa errada com Hermione. Por isso, ele piscou o olho para a primogênita, enquanto vestia o casaco. - Depois de acabarmos aqui, o mínimo que podemos fazer é levantar uma caneca de cerveja ao final do dia.


- Boa ideia. Imagino que estarei morrendo de sede. Hermione tinha certeza de que poderia encontrar uma boa desculpa para voltar diretamente para casa. Depois de o pai ter saído, ela colocou o remate no lugar com cola; em seguida, usou pregos e o martelo do seu cinto de ferramentas.


Prometera a si mesma que não ficaria a remoer em pensamentos. E, ao empenhar-se no dia a dia, superaria muito em breve os sentimentos que acalentava por Harry, quaisquer que fossem. Havia muitas coisas que ela queria e não teria.


 Um coração gentil e generoso como o de Alice, uma natureza metódica como a de Maureen, a paciência da sua mãe. E mais alguns centímetros de altura, acrescentou ela, enquanto puxava a escada para prender a parte superior do remate. Vivia sem tudo isso e sentia-se muito bem. Poderia também viver sem Harry Potter.


Poderia viver sem qualquer homem, se fosse preciso. E um dia construiria a sua própria casa, com as próprias mãos. Viveria nela como bem lhe apetecesse. Teria um grupo de sobrinhos e sobrinhas para mimar, e ninguém para atormentar a sua vida em casa com exigências e queixas. Uma pessoa não precisava pedir mais do que isso, não é mesmo?


 Claro que não se sentia solitária. Hermione pôs o remate seguinte no lugar, calculando a posição com absoluta precisão. Estava convencida de que não se sentiria solitária em nenhum dia da sua vida; então tinha de começar agora?


Afinal, contava com o seu trabalho, a família, os amigos. Mas a verdade é que sentia a maior das saudades daquele desgraçado. Mal passara um dia, nos seus vinte e quatro anos de existência, em que não tivesse visto Harry. No pub, a andar pela aldeia ou arredores, na casa de um ou de outro. Sentia saudades das conversas, das provocações, da aparência e do som de Harry. De alguma forma, teria de reprimir o desejo que sentia por ele, para que pudessem voltar a ser amigos.


 Ela era a culpada. Pela sua fraqueza. Mas poderia consertar isso. Com um suspiro, Hermione encostou o rosto à madeira lisa. Era boa em consertar as coisas. No instante em que ouviu passos no corredor, ela empertigou-se e começou a martelar com vigor.


- Oi, Hermione! - Luna entrou no quarto, radiante. - Não posso acreditar que acabarão dentro de poucos dias! Está maravilhoso!


- Vai ficar - corrigiu Hermione. Ela desceu da escada para pegar no remate seguinte. - O meu pai acabou de sair para almoçar. Mas vamos montar todas as prateleiras ainda hoje. Acho que está indo muito bem.


- E o bebê também. Senti-o mexer-se ontem à noite.


- Mas isso é incrível! - Exclamou Hermione, virando-se para a amiga. Os olhos de Luna ficaram marejados de lágrimas.


- Não tenho palavras para descrever. Nunca pensei que poderia ter todos estes sentimentos... ou ser tão feliz, com alguém como Rony para me amar.


- Porque não deveria ter tudo isso e muito mais?


- Nunca me senti bastante inteligente ou bastante atraente. - Com a mão na barriga, Luna adiantou-se para passar um dedo pelo remate. - Agora, ao lembrar-me disso, não consigo entender porque me sentia tão... inadequada. Era eu mesma que me fazia sentir assim. Mas quer saber de uma coisa? Acho que tinha de ser daquela forma, sentir-me assim, para que a vida, passo a passo, me trouxesse para cá.


- Essa é a forma irlandesa de ver as coisas.


- O destino... - murmurou Luna, com meia gargalhada. - Às vezes eu acordo durante a noite, no escuro, a casa em silêncio, com Rony dormindo ao meu lado, e penso: Estou aqui. Luna Francês Lovegood... Luna Francês Lovegood Potter. - A correção foi feita com um sorriso que criou covinhas nas faces. - Vivendo na Irlanda, à beira do mar, casada, com uma vida crescendo dentro de mim. Uma escritora, com um livro prestes a ser publicado e outro já sendo escrito. Mal posso reconhecer a mulher que eu era em Chicago. E sinto-me muito contente por já não ser aquela mulher.


- Ela ainda é parte de ti, ou não apreciaria quem é agora, tudo o que tem. Luna franziu as sobrancelhas. - Tem toda a razão. Talvez você devesse ser a psicóloga.


- Não, obrigada. Prefiro martelar um prego na madeira a martelar a cabeça de alguém. – Hermione rangeu os dentes e bateu com força num prego. - Com algumas exceções. Aqui está, pensou Luna, a abertura de que precisava!


- E o meu cunhado estaria no topo dessa lista de exceções? - Com a pergunta, a mão de Hermione tremeu, errando o alvo e acertando no polegar. - Mas que droga!


- Me deixa dar uma olhada. Machucou muito? – Hermione respirou fundo, enquanto a dor irradiava. Luna estava aflita.


- Não. Não é nada demais. Apenas a falta de jeito de uma idiota. A culpa foi toda minha.


- Vamos descer até à cozinha para pôr gelo.


- Não foi nada - insistiu Hermione, balançando a mão.


- Vamos lá. - Luna pegando-a pelo braço, e puxando-a na direção da porta. - A culpa é minha, porque te distraí. O mínimo que posso fazer agora é cuidar do seu dedo.


- Apenas inchou um pouco. Mas Hermione deixou que a amiga a levasse pelas escadas, até à cozinha. – Se sente, enquanto eu vou buscar o gelo.


- Não vai fazer mal se me sentar por uns minutos. Hermione sempre se sentira à vontade na cozinha dos Potter.


Pouco mudara desde o seu tempo de criança, embora Luna estivesse a acrescentar a sua marca aqui e ali. As paredes eram cor de creme e pareciam quase delicadas em contraste com a madeira escura. Os parapeitos das janelas eram largos e grossos. Luna pusera ali pequenos vasos com ervas, para que apanhassem sol. O velho armário de porta de vidro, com muitas gavetas, estendendo-se pela parede lateral, sempre fora branco, com uma aparência confortável de antigo. Agora, Luna pintara-o de um verde bem claro, o que fazia com que parecesse novo, bonito e feminino.


Os melhores pratos estavam à mostra através do vidro... a louça que os Potter usavam para os feriados e comemorações especiais. Eram brancos, com pequenas violetas a contornar pratos e xícaras. A pequena lareira era de pedras redondas naturais. A escultura de uma fada, que Hermione dera a Luna pelo seu trigésimo aniversário, guardava o fogo que ardia por baixo. Sempre fora um lar, pensou Hermione, agradável e aconchegante. Agora, era de Luna.


- Esta cozinha combina muito com você, Lú - comentou Hermione, enquanto Luna, com todo o cuidado, passava um pano com gelo em volta do seu polegar machucado. - É verdade. - Luna mostrou um sorriso radiante, sem notar que já estava acompanhando o ritmo de falar dos irlandeses. - Gostaria era de saber cozinhar.


- Acho que se sai muito bem.


- Nunca será um dos meus pontos fortes. E agradeço a Deus pelo Harry. - Luna foi até ao frigorífico, esperando manter uma atitude descontraída. - Ele mandou uma sopa ontem à noite, pelo Rony. Batata e linguiça. Já que não foi almoçar no pub com o seu pai, vou aquecer a sopa para nós.


Hermione ainda pensou em recusar, mas acabou por aceitar, pois o seu estômago ameaçava roncar de fome.


- Obrigada. - O pão fui eu que fiz - informou Luna, enquanto despejava a sopa numa panela, para aquecer. - Por isso, não posso garantir.


Hermione olhou com aprovação para o pão que Luna tirou da gaveta.


- Pão de centeio? É um dos meus prediletos. E parece muito saboroso.


 - Acho que estou começando a pegar o jeito.


- Porque se dá ao trabalho, quando bastaria pedir ao Harry para te mandar um pouco?


- Gosto do processo. Misturar, amassar, ver a massa crescer. Luna pôs as fatias que cortara num prato. - E é uma boa oportunidade para pensar.


- A minha mãe diz sempre isso. Mas eu prefiro me deitar quando quero pensar. Ter o maior dos trabalhos para cozinhar alguma coisa e... – Hermione pegou numa fatia do prato e a mordeu, para depois acrescentar, sorrindo: - Desaparecer.


- Observar desaparecer é um dos prazeres de cozinhar. - Luna foi mexer a sopa que estava aquecendo. – Você teve uma discussão com o Harry, e não foi uma das suas discussões habituais.


- Não sei se realmente foi uma discussão, mas com certeza nada teve de habitual. Vai passar, Luna. Não se preocupe.


- Eu te adoro. Adoro vocês dois.


- Eu sei. Mas juro que não foi nada importante. Sem dizer mais nada, Luna pegou as tigelas e colheres, especulando. Até que ponto se podia interferir na vida de uma amiga? Onde ficava a linha divisória? Depois de um momento, a suspirar, ela concluiu que não havia nenhuma. - Tem sentimentos por ele. Os nervos de Hermione se agitaram pelo tom suave.


- Claro que tenho. Afinal, somos muito ligados desde a infância. O que é um dos muitos motivos pelos quais ele me irrita tanto, deixando-me com vontade de lhe acertar com um martelo. Ela sorriu ao falar, mas o rosto de Luna permaneceu sério.


- Você tem sentimentos por ele, Hermione... e que nada têm nada a ver com infância ou amizade, mas sim com a atração de uma mulher por um homem.


- Eu... – Hermione sentiu o calor espalhar-se pelas faces... era uma maldição ficar vermelha com tanta facilidade. - Não é... - As mentiras tremeram na ponta da língua, mas recusaram-se a sair. - Oh, que droga! - Ela passou a mão machucada pelo rosto. Parou de repente, os dedos abrindo-se em torno dos olhos, arregalados e consternados. - Jesus, Maria e José, é assim tão evidente?


Antes que Luna pudesse responder, Hermione já estava de pé, a andar de um lado para o outro, batendo com as palmas das mãos nos lados da cabeça, balbuciando palavrões. - Tenho que me mudar. Deixar a minha família. Posso ir para os condados do oeste. Tenho parentes em Galway, do lado da minha mãe. Não, não, não é suficientemente longe. Terei de deixar o país, ir para Chicago, morar com a sua avó, até me organizar. Ela vai me aceitar, certo?


Hermione virou-se. Voltou a ranger dos dentes ao constatar que Luna ria, enquanto servia a sopa nas tigelas.


- Talvez você ache tudo engraçado, Luna Lovegood, mas para mim é uma coisa horrível. Eu me sinto humilhada na frente de pessoas que me conhecem, só porque sinto algo por um homem de rostinho bonito e cérebro de minhoca.


- Não foi humilhada, e te peço desculpa por ter rido. Mas a sua cara... - Luna pôs as tigelas na mesa, reprimindo outra gargalhada. Apertou o ombro de Hermione. – Se senta e respira fundo. Não precisa deixar o país.


Como Hermione resistia, foi Luna quem respirou fundo. - Não é evidente. Nem um pouco óbvio. Mas estou acostumada a observar as pessoas, a analisá-las. Além disso, acho que uma pessoa apaixonada fica mais em sintonia com as emoções dos outros. Alguma coisa... Não sei bem o que é. Talvez as ondulações no ar quando vocês dois se encontram. Depois de algum tempo, compreendi que não era a ligação afetuosa habitual que amigos e parentes às vezes têm, mas sim algo mais... elementar.


Hermione acenou com a mão para encerrar a conversa. Só estava interessada num ponto. - Não se percebe?


- Não, a menos que se observe atentamente. Agora, vê lá se te sentas.


 - Está bem. – Hermione deixou escapar um suspiro ao sentar-se, mas ainda não se sentia completamente aliviada. - Se a Gina tivesse notado, já teria comentado. Ela não resistiria a me provocar. Por isso, se apenas você e o Harry sabem, acho que posso aguentar.


 - Você contou a ele?


- Parecia estar mais do que na hora. - Sem muito interesse, Hermione tomou uma colher da sopa. - Tenho sentindo estes impulsos por ele, digamos assim, há bastante tempo. E concluí, há poucos dias, que, se fôssemos para a cama uma ou duas vezes, eu conseguiria remover tais impulsos do meu organismo.


Luna largou a colher, com estrondo. - Pediu ao Harry para ir para a cama com você?


- Isso mesmo. E pela reação dele até parecia que eu lhe tinha acertado com uma chave de fendas nos ovos. O que foi o ponto final em tudo.


Luna cruzou as mãos. Inclinou-se para frente. – Vou me intrometer.


Os lábios de Hermione contraíram-se. - Ainda não começaste a se intrometer?


- Não como devo. O que você lhe disse exatamente?


- Pura e simplesmente, disse-lhe que deveríamos fazer sexo. E o que há de errado nisso? – Hermione gesticulou com a colher. - Seria de esperar que um homem apreciasse uma conversa franca e objetiva.


- Hum... - Luna não sabia o que pensar. - E presumo que o Harry não tenha apreciado.


- Isso mesmo. Diz que sou como uma irmã para ele. E que deveria me sentir envergonhada.  Envergonhada... - A fúria de Hermione voltou. - E depois me disse que não me quer dessa maneira. Foi quando saltei em cima dele.


 - Você... - Luna tossiu. Tornou a pegar na colher. Precisava de alguma coisa para atenuar a irritação na garganta. - Saltou em cima dele?


- Foi isso mesmo que eu disse. Dei um beijo que ele não vai esquecer tão cedo. E não posso dizer que o Harry tenha resistido como se a sua vida dependesse disso. - Ela cortou uma fatia de pão em duas. Meteu metade na boca. - E depois do beijo o deixei ali parado, completamente atordoado.


- Posso imaginar. Ele retribuiu o beijo?


- Claro. – Hermione descartou essa reação de Harry encolhendo os ombros. - Os homens são previsíveis. Mesmo que uma mulher não seja do seu agrado, eles querem experimentar, não é mesmo?


- Hum... acho que sim. Insegura de novo, Luna voltou ao hum.


- Agora, quero me manter distante do Harry por algum tempo, enquanto tento decidir se estou mais zangada ou embaraçada pelo que aconteceu - acrescentou Hermione.


- O Harry tem se mostrado muito perturbado nos últimos dias.


- É sério?


- E muito irritado.


Hermione descobriu que o seu apetite voltava. - Fico feliz por saber disso. Espero que ele sofra bastante, o idiota.


- Se eu quisesse que um homem sofresse, acho que gostaria de o observar na maior das angústias. - Luna tomou outra colher da sopa. - Mas é só a minha opinião.


- Acho que não é uma má ideia passar pelo pub hoje, depois do trabalho. – Hermione mostrou um sorriso malicioso a Luna. - Obrigada.


- Não foi nada, Mione.


Hermione passou o resto do dia de trabalho a assobiar, de ânimo exuberante, com mãos ágeis. Refletiu que não era muito simpático da sua parte sentir tanto prazer pela infelicidade de outra pessoa. Mas era humana, no final de contas. Quando entrou no Potters, sentia-se mais animada do que em muitos dias. Ainda era cedo, e o pub estava calmo, apenas com algumas mesas ocupadas.


Em vez de circular de um lado para o outro, Gina estava parada no balcão, conversando com Neville Longbottom  e Mick Granger.


- Vai se sentar com os seus amigos, pai - disse Hermione a Mick, ao avistar dois deles sentados junto da lareira, segurando nas canecas. - Vou pôr a conversa em dia com a Gina.


- Está bem. Mas pode me levar uma caneca, querida?-perguntou Mick a Gina.


- Claro.


Hermione foi sentar-se no banco ao lado do de Neville.


- Temos aqui uma estranha. - Automaticamente, Rony pôs uma caneca e um copo debaixo das torneiras, pois conhecia as preferências dos seus clientes habituais. - Onde andou se escondendo, Hermione?


 - Na sua casa. Dá uma olhada no quarto do bebê quando chegar em sua casa e depois me diz o que acha.


- Assim farei.


- Deixamos a sua esposa suspirando e fungando por causa das prateleiras que acabamos de montar. – Hermione olhava para a porta da cozinha enquanto falava.


- Como tem passado, Neville?


- Muito bem, Hermione. E você?


- Também. Não está apaixonado pela nossa Gina, não é? - Ele corou como uma beterraba madura. Neville tinha um rosto grande e comprido, era muito alto e os ombros tão largos quanto o condado de Waterford. Nunca deixava de ficar vermelho como um menino quando era provocado sobre as mulheres.


- Tenho bom senso suficiente para nem sequer pensar nisso. Ela esmagaria o meu coração como se fosse um inseto.


- Mas morreria como um homem feliz - declarou Gina.


- Não preste atenção no que ela diz, Nevill. - Rony trabalhava nas torneiras enquanto falava, preparando a Guinness com a maior das habilidades. - Não pode haver mulher mais volúvel e caprichosa.


- É verdade - concordou Gina, com uma risada irreverente e sonora. - Estou esperando um homem rico, que me porá num pedestal e espalhará jóias aos meus pés. Mas enquanto espero... - Ela passou levemente os dedos pelo rosto corado de Neville, enquanto acrescentava: - Gosto da atenção de homens enormes e bonitos.


- Leva a caneca para o meu pai, Gina, antes que o nosso Neville aqui perca por completo a capacidade de falar. – Hermione tocou com a bota no joelho de Gina e entregou-lhe a caneca passada por Rony.


- Está são e salvo comigo, Nevill querido.


- É tão bonita quanto ela.


- Não diga isso muito alto, pois ela pode ouvir e nos esfolar vivos. - Comovida e divertida, Hermione inclinou-se para beijá-lo no rosto.


Foi nesse instante que Harry passou pela porta da cozinha. Foi cômico, concluiu ela. Era uma pena que ninguém tivesse notado a forma como ele parou abruptamente, olhando aturdido, para depois ter um sobressalto, quando a porta balançou de volta, batendo no seu Traseiro. Com um prazer secreto, ela apenas alteou as sobrancelhas, enquanto punha a mão, descontraída, no ombro largo de Neville.


- Boa noite, Harry.


 - Hermione... -Estava acontecendo tanta coisa dentro de Harry, que ele sabia que não poderia separar uma sensação de outra. Sabia que uma era de irritação, outra de constrangimento. E outra, raios a partam, era o desejo puro e simples, que não tinha porque se manifestar ali. Mas o resto era uma confusão total. Hermione bebeu um gole de cerveja, observando-o por cima da espuma. - Comi um pouco da sua sopa no almoço de hoje, juntamente com Luna. Estava muito boa.


- Esta noite, temos costelas no cardápio. A Sra. Laury abateu alguns porcos esta semana.


- Vai aumentar a banha nas suas costelas, hein Neville?


- É verdade. Vai ficar para jantar, Hermione?


- Não. Vou voltar para casa assim que acabar a Guinness.


- Se mudar de ideia, pode jantar comigo. Gosto de ciste, e o Harry sabe fazê-lo muito bem.


- Ele tem uma mão boa para a cozinha, não acha?- Ela sorriu ao falar, mas a expressão nos seus olhos era provocante e desdenhosa. - Você cozinha, Nevill?


- Apenas para fazer bacon e ovos. E batata cozida. - Sendo Neville, ele levou a pergunta a sério. Franziu a testa, enquanto pensava no seu repertório culinário. - Também sei preparar um sanduíche, quando tenho os ingredientes, embora isso não seja a mesma coisa que cozinhar.


- É mais do que suficiente. – Hermione deu uma palmada cordial no ombro de Neville. - Nós os dois podemos deixar a cozinha para pessoas como o Harry. Rony, vai precisar da minha ajuda para trabalhar no pub neste fim-de-semana?


- Bem que preciso de umas mãos extra na noite de sábado, se estiver disponível. A banda contratada é muito popular, e a Mary Kate avisou-nos que um grupo de turistas deve chegar ao hotel no sábado. É possível que alguns apareçam no Potter’s.


- Então estarei aqui às seis horas. - Ela esvaziou o copo e levantou-se. - Também vai vir ao pub na noite de sábado, Neville?


- Claro. Gosto da banda.


- Nesse caso, até sábado. Hermione notou que o pai estava absorvido na conversa com os amigos. Uma hora de conversa, calculou ela. Gritou para Mick: - Vou para casa agora, pai. Eu aviso a mãe que vai chegar mais tarde. Gina, pode despachá-lo dentro de uma hora?


- Podes deixar que o levo até à porta. - Gina pôs em cima do balcão uma bandeja com copos e canecas vazias. - Tenho um encontro na terça-feira com um dublinense que passou por aqui. Ele vai levar-me a jantar em Waterford City. Porque não arranjas um homem e nos faz companhia?


- Talvez faça isso.


- Melhor ainda. Vou pedir ao dublinense para levar um amigo.


- Combinado. – Hermione não tinha o menor interesse em jantar em Waterford com estranhos, mas era gratificante planejar tudo com Harry ouvindo.


- Depois durmo na sua casa, porque com certeza vamos chegar tarde.


- Ele vem me buscar às seis horas em ponto - gritou Gina, à medida que Hermione se encaminhava para a porta. - Vê  se chega na hora, e parecendo uma mulher.


Neville suspirou para a sua cerveja quando Hermione saiu.


- Ela cheira a serragem - murmurou ele, mais para si mesmo. - É muito agradável.


- O que acha que está fazendo? Farejando a Hermione? - Indagou Harry.


Jack olhou para ele, aturdido. - Como?


- Volto já. Harry passou pela saída na extremidade do balcão, deixando cair a tampa com um estrondo, o que levou Rony a protestar. Correu atrás de Hermione.


- Podes esperar, Mione? Só um pouco!


Ela parou junto da porta da caminhonete. Numa das poucas ocasiões da sua vida, experimentou a exultação intensa e profunda da pura satisfação feminina. Uma sensação agradável, refletiu ela. Uma sensação muito agradável. Virou-se, controlando o rosto para demonstrar apenas um ligeiro interesse.


- Algum problema?


- Claro que há um problema! Porque estava flertando com o Neville Longbottom daquela forma?


Ela franziu as sobrancelhas, sob a pala do boné. - Pode me explicar porque acha que isso é da sua conta?


- Há poucos dias me pediu para fazer amor contigo. Eu rejeitei, e agora fica flertando com o Neville, e fazendo planos para jantar com um dublinense qualquer.


Hermione esperou um momento antes de falar. - E daí?


- E daí? - Harry sentia-se perturbado e furioso. - E daí que não está certo!


Ela deu de ombros, para dispensa-lo. Virou-se para abrir a porta da caminhonete.


- Não está certo - repetiu Harry, segurando-a e fazendo com que ela se virasse para o fitar. - Não posso aceitar.


- Já disse isso, em termos bem claros.


- Não é isso que quero dizer.


- Hum... Se decidiu que, afinal, quer fazer sexo comigo, devo-te dizer que mudei de ideia.


- Não decidi... - Ele parou de falar, surpreso. - Mudou de ideia?


- Isso mesmo. Beijar-te não foi o que pensei que seria. Ou seja, você estava certo, e eu errada. - Ela tocou no rosto de Harry, num gesto deliberadamente insultuoso. - E ponto final.


- Nada disso! - Harry empurrou-a contra a caminhonete, com rapidez e firmeza suficientes para fazer com que ela sentisse excitação e raiva.


- Se eu te quiser, vou te ter, e isso sim é que será o ponto final! Mas, quero que se comporte direito!


 Hermione não podia falar, ele a estava prendendo com muita força, estava machucando-a com a força da pressão contra o seu corpo e ombros. Tinha a certeza de que se sufocaria com as palavras, se tentasse falar. Por isso, fez a única coisa que lhe passou pela cabeça. Acertou um soco, com toda a força, na barriga de Harry. Deixou-o totalmente sem fôlego.


A cor da raiva, que se espalhara pelo rosto dele, esvaiu-se por completo. Mas ele manteve-se firme no lugar. O fato de consegui-lo, de ser capaz, quando ela sabia que tinha um murro potente, provocou um arrepio em Hermione.


- Falaremos sobre tudo isso em particular, Hermione. Está bem? Tenho muito a dizer.


Ela permaneceu em silêncio, ainda atordoada com o que ele tinha feito, a raiva brotando devido a audácia dele.


Convencido de que conseguira o que queria, Harry recuou. - Pode ir até o chalé de manhã?


Ainda fervendo de raiva, ela entrou na caminhonete e bateu a porta.


- Poderia, mas não vou - disse ela, enquanto ligava o motor. - Fui te procurar uma vez, mas me rejeitou. Não voltarei lá.


Harry deu outro passo para trás, a fim de evitar que a roda passasse por cima dos seus pés. Se ela não queria procurá-lo, pensou ele enquanto Hermione se afastava, arranjaria outra forma de encontrá-la a sós, para que pudessem... chegar a um acordo, concluiu Harry. Os dois sozinhos.


 


(Fim do capítulo)

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Comentários: 3

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Enviado por Fe-Note em 02/10/2013

Vou postar ainda hoje! não se preocupe. :D

Nota: 1

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Enviado por r.ad em 02/10/2013

Sua adaptação tá ótima!
li tudo de uma vez só. 
Não demora pra atualizar, não.... 

Nota: 5

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Enviado por Fe-Note em 01/10/2013

Eu gosto de comentários, me façam esse favor pelo amor de Merlim e de todas as outras entidades elevadas e druidas que vocês conhecerem! (risos)

até o próximo capítulo! :D 

Nota: 5

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