_Foi mesmo necessário?
_Ele me pegou lá no quarto de vocês, Harry! Foi a primeira coisa que me veio à cabeça... – ela respondeu aborrecida.
_E a Hermione? Onde você estava? Não ia vigiar? – ele perguntou bravo.
_Eu me distraí um pouquinho e aí...
_Então que não aconteça de novo! – ele brigou, de um jeito que nunca tinha feito antes.
_Se distraiu com o que, Hermione? Se ele falou que você estava com o Rony? – Gina perguntou desconfiada, tentando não deixar os ânimos se alterarem.
_Eu não estava com o Rony! Estava com o Juan! O Rony estava na mesma mesa que nós, só isso! – ela falou emburrada, começando a ficar vermelha.
_Quem é Juan? – Harry perguntou.
_Um cara que a Hermione está usando para fazer ciúmes para o Rony! – Gina falou aos risos.
_Eu não estou fazendo ciúmes ao Rony! – ela se defendeu. – Aliás, que idéia absurda! Por que eu faria ciúmes para ele?! – ela se levantou nervosa. – Se vocês me dão licença, eu preciso estudar! – e saiu da Sala Precisa batendo furiosamente os pés.
_Eu achei que esse ano eles se acertavam... Mais um pouco e nós nos formamos e vai saber o que vai acontecer... De repente cada um vai para um canto... – Harry falou pensativo.
_Você está pensando em sair da Inglaterra quando se formar?! – Gina perguntou preocupada, passando para o lugar vago ao lado dele no sofá.
_Não, claro que não... – ele a tranqüilizou. – Mas nunca se sabe... Acho que nada vai prender a Hermione muito perto de nós, a não ser o Rony...
_Eu achei que eles estivessem se entendendo, mas acho que tem dedo do Voldemort nessa última briga... – eles entrelaçaram as mãos.
_Eu também acho... Ouvi uma acusação muito estranha do Rony na biblioteca outro dia, mas isso é uma outra história...
_Melhor eu ir agora, antes que ele perceba que eu sumi!
_É... – eles se levantaram. – Vê se toma cuidado...
_Vou tomar... – Gina fechou os olhos e Harry a beijou.
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_Conseguiu? – Gina perguntou esperançosa.
_Nada... E você? – Hermione respondeu desanimada,
_Ia subir minutos atrás, mas aí o Neville apareceu e eu desisti.
_Não se trata apenas de vigiar o Voldemort, não é? Fica difícil distrair cinco caras ao mesmo tempo...
_Nem me fale!
_Sobre o que vocês tanto cochicham, meninas? – Voldemort as surpreendeu.
_Harry? – Gina se prontificou. – Hum... Assuntos de mulher... – ela segurou a mão dele e o puxou para se sentar ao lado dela.
_Não sei... Estou achando vocês muito estranhas esses dias...
_Impressão sua, Harry! – Hermione respondeu. – Cadê o Rony, hein? Ele não terminou o trabalho de História da Magia, terminou?
_Não sei... – ele sorriu. – Acho que ele está mais interessado em descobrir a história de vida daquela garota do sexto ano! – ele indicou com a cabeça, Gina o cutucou com força, ele sorriu satisfeito com a cara de choro que Hermione fez, mas desconfiou quando ela se virou para ele com mais raiva ainda, depois saiu da mesa. – O que deu nela?
_Por que você fica provocando, hein?! Que coisa mais sem graça! – Gina emburrou.
_Foi só um comentário! – ele se defendeu. – Ele está mesmo com a garota, o que eu posso fazer? – ele puxou a cadeira dela para mais perto e passou o braço pela sua cintura. Gina se remexeu incomodada, mas resistiu para não dar muita bandeira. – O que você vai fazer agora, minha pequena?
_Estudar! – ela respondeu logo.
_Mas você já estava estudando... Por que não faz uma pausa? – ele começou a beijar o pescoço dela, ela se afastou involuntariamente. – Qual o problema?!
_Ehr... Aqui não, Harry... – ela disfarçou. – Estamos na biblioteca!
_Então vamos para outro lugar! – ele sorriu malicioso.
_Não! – ela se afastou de uma vez, ele a olhou, bravo. – Você... Você prometeu, lembra? Além disso... Eu preciso... Arrumar meu quarto! – ela pegou suas coisas de cima da mesa rapidamente e saiu em disparada. Trombou com o verdadeiro Harry na entrada, mas disfarçou e saiu correndo.
Harry só entendeu o nervosismo dela quando viu Voldemort saindo de cara emburrada também. Os dois ainda se encararam, mas Harry achou melhor não abusar da sorte. Usou um dos sorrisos provocadores de Malfoy e foi até uma mesa qualquer, onde começou a estudar.
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_Droga! Não me lembro mais em que prateleira eu encontrei aquele maldito livro! – Voldemort, coberto pela capa de Harry, vagava pela biblioteca escura em busca do livro em que tinha encontrado o feitiço da alma presa.
No quarto de Draco, Harry observava o Mapa do Maroto. Tinha decidido se arriscar mais uma vez, principalmente depois de perceber que Gina podia realmente estar em perigo com esse namoro forjado. Foi então que ele viu o que precisava: o pontinho indicando Voldemort perto da biblioteca. Imediatamente ele vestiu um roupão e saiu das masmorras, tomando cuidado para não esbarrar com Filch e mme Norrra, e tentando não se incomodar com os quadros que o xingavam por causa da luz da varinha.
Para sua sorte o castelo estava deserto àquela hora. Exatamente como deveria ser, exceto por ele e Voldemort perambulando pelos corredores em direção à biblioteca.
Como Harry podia ver Voldemort pelo mapa, mas não podia vê-lo por causa da capa, ele decidiu manter sempre uma distância segura, para não correr o risco dele se virar para trás e vê-lo.
Voldemort seguiu até a biblioteca sem parar em lugar nenhum, o que foi bom para Harry. Já na entrada ele esperou para ver para que prateleira Voldemort iria.
_ “A sessão reservada...” – pensou.
Tomado de coragem, e sabendo que se arriscava muito, Harry entrou na biblioteca às cegas, pois não podia usar luz, ou chamaria atenção. Por sorte a lua estava cheia e iluminava razoavelmente o castelo por meio de suas janelas enormes.
Esgueirando-se feito um gato ele foi até a entrada da sessão, caminhou silenciosamente até vê-lo, já descoberto, folheando avidamente um livro enorme e aparentemente muito velho. Harry se esforçava para ler o nome na capa, mas Voldemort não facilitava. Então o rapaz decidiu tentar memorizar o local de onde o livro havia sido retirado.
_ “Entre ‘Pragas do século XV’ e ‘Maldições Malditas’. Ok...” – ele, silenciosamente, começou a se afastar. Quando já estava quase na porta esbarrou numa cadeira, já que decidiu ver pelo mapa se a barra estava limpa para voltar à Sonserina.
Ele ouviu passos apressados vindo de onde ele estivera. Sem pensar muito correu para a entrada, pensando na chance de escapar sem ser visto, mas esbarrou em alguém.
_Dr...
Ele tampou a boca da pessoa bem a tempo e a carregou para o fundo da biblioteca: - Não fale nada! Fique quieta! – ele falou sem emitir som algum.
_Mas...
Os passos estavam mais próximos, não havia saída. Sem pensar duas vezes Harry pegou Pansy nos braços e a sentou em uma das mesas do fundo da biblioteca e começou a beijá-la desesperadamente. Pega de surpresa a moça não teve outra reação a não ser corresponder. Foi numa confusão de mãos e pernas que Voldemort encontrou os dois.
_Malfoy?!
Eles se sobressaltaram: - O que você está fazendo aqui, Potter? – Pansy perguntou irritada por ter sido interrompida.
_Algo muito menos interessante que vocês dois! – ele riu dando uma boa olhada nas pernas descobertas de Pansy.
_Você não deveria estar fora da cama, Potter! – Harry falou.
_Nem vocês! – ele respondeu.
_Mas eu sou monitora! – Pansy se endireitou e pulou na frente de Draco. – E você acaba de perder 20 pontos para a Grifinória! Agora volte para a sua casa antes que eu tire mais alguns!
_Quem você pensa que é sua...
_Acho que nenhum de nós três está querendo se meter em mais confusão, não é Potter? – Harry se colocou em frente à garota dessa vez.
_Pode ser! Mas não se acostume... – Voldemort ameaçou. – Por que será que andamos nos encontrando com tanta freqüência, Malfoy? – ele perguntou antes de ir.
_Infeliz coincidência, Potter!
_Espero que sim... – ele deu outra boa olhada em Pansy e depois foi embora.
Pansy esperou até que ele se afastasse o suficiente: - Que palhaçada é essa, Draco?
_Eu é que pergunto? O que você está fazendo fora da cama há essa hora?
_Pela sua cara salvando a sua vida! – ela respondeu. – Eu te vi saindo e resolvi vir atrás, só que eu encontrei aquela gata idiota e te perdi de vista. O que você está aprontando dessa vez?
_Nada!
_Como nada?
_Nada, Pansy! Vamos voltar logo para a cama antes que encontremos mais alguém!
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_Bom dia, Granger. – Rony foi muito seco ao descer para o café naquela manhã. – Onde está o Harry?
_Bom dia, Weasley! – ela respondeu no mesmo tom. – Não sei! Por que deveria saber?
_Porque você sempre sabe onde ele está!
_Não sei não! – ela retrucou. – Mas suponho que você sempre saiba onde sua irmã está, não é?
_Também não a vi ainda... – ele falou meio desconcertado.
_Provavelmente porque estejam juntos, não é? Já que ela é namorada dele! – ela falou começando a se preocupar.
_E você se incomoda muito com isso, não é?! – as orelhas dele ficaram vermelhas.
_O que afinal o Harry falou para você, hein Rony?! – ela desistiu do seu café da manhã.
_Então há algo a ser dito?!
_Não há nada a ser dito, Ronald! A não ser que você é um completo idiota!
_Você é que me faz de idiota, Hermione!
_Eu?! Mas o que foi que eu fiz?! – ela perguntou indignada.
_Você... Você... Você fica dando em cima do Harry!
_Eu nunca fiz isso, Ronald! – a essa altura todo salão principal prestava atenção à conversa. – Você é um imbecil que não enxerga um palmo a sua frente, isso sim! Você fica prestando atenção ao que os outros dizem e não presta atenção ao que eu faço, ou ao que eu digo! Você é um burro, Rony! – ela começava a chorar.
Rony ficou meio sentido por vê-la chorando, e completamente confuso com as palavras dela. – O... O que você quer dizer, Hermione?
_Ah! Agora eu sou Hermione de novo?! Pois eu quis dizer exatamente o que você ouviu! Burro! Você é um burro! – Hermione levantou-se da mesa com estrondo, derrubando um pouco do suco de abóbora que estava em seu copo.
Saiu da mesa sem dar atenção aos comentários e risadinhas dos outros alunos, que só pioraram quando ela trombou com Voldemort e ele a segurou pela cintura, muito perto dele, e sorriu.
_Aonde vai com tanta pressa, Mione?
_Não é da sua conta! – ela respondeu.
_Harry! – Rony chegou bufando. – Onde você estava?
_No salão comunal... – ele respondeu enquanto Hermione se desvencilhava dos braços dele.
_E a Gina?
_Achei que estivesse com vocês... – ele falou desconfiado.
_E eu achei que ela estivesse com você! – Rony retrucou.
Hermione começou a prever o perigo. Poderia até ver a cena de Gina e Harry conversando, ou sabe-se lá o que, na Sala Precisa. Notou que Voldemort e Rony olhavam para ela pedindo uma explicação.
_Por que eu deveria saber onde ela esta? – perguntou já se afastando dos dois. – Ah! Olha ela ali! – e apontou para Gina que vinha muito sorridente, mas perdeu um pouco da animação ao vê-los.
_Onde você estava? – Voldemort e Rony perguntaram ao mesmo tempo.
_Ué! Estava no meu quarto! Arrumando-me!
Nesse instante Hermione viu Harry chegando ao salão e sentando-se a mesa da Sonserina.
_Mas por que essas caras, hein? – ela colocou as mãos na cintura. – Bom... Não importa. Hermione será que você poderia me ajudar com uma coisinha?
_Claro... – ela respondeu o mais natural que pode.
_Lá no meu dormitório!
_Ok...
_Mas Gina! Hoje é sábado! Achei que passaríamos o final de semana juntos! – Voldemort reclamou.
Hermione e Gina se olharam preocupadas: - Hum... Nós vamos... Todos juntos, não é? – e olhou para Hermione e Rony.
_Eu não vou ficar segurando vela! Além disso, tenho um compromisso! – Rony falou, Hermione o fuzilou com o olhar.
_E eu não quero que eles venham junto! Achei que seríamos apenas os dois! Ainda não conversamos direito desde que voltamos, Gina. – falou autoritário.
_Ok, ok... Mais tarde então... – ela respondeu impaciente. – Mas primeiro eu preciso que a Hermione me ajude com uma coisa! – sem enrolar mais ela puxou Hermione pela mão e as duas foram em direção ao salão comunal.
_Essas duas estão muito estranhas, você não acha? – Rony perguntou. – Aposto que vão falar sobre algum cara da escola! Será que a Hermione está ficando com o tal de Juan? – ele perguntou preocupado.
Voldemort dividia sua atenção às palavras vazias de Rony com o comportamento de Draco, que seguia as duas com os olhos: - Duvido... – falou simplesmente. – A Hermione gosta de mim, esqueceu? – ele se virou para Rony, cínico. – No mínimo está tentando envenenar a Gina contra mim...
_E você fala isso com toda essa naturalidade?! – Rony perguntou indignado.
_Eu me garanto, Rony! – ele respondeu. – Pode ter certeza que eu vou dar um jeito nisso...
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_Ele achou o livro! Disse que não deu para ver o nome, mas ele viu onde o livro ficava. Você precisa ir até lá, Mione! Precisa pegar o livro! – Gina dizia tudo de uma vez, muito ansiosa.
_Ok, ok, eu vou, mas... E você? O que você vai fazer com... ele?
_Não sei... Mas vou dar um jeito! Eu não vou agüentar muito tempo, Mione! Eu tenho nojo dele! Não consigo ficar no mesmo ambiente que ele por muito tempo! Sozinha então...
_Nós podíamos pedir ajuda para o Harry, sabe? O Malfoy de verdade tinha o dom de atrapalhar nas horas mais impróprias...
_Mas pode ser perigoso! E se ele estiver desconfiado? Voldemort é um bruxo inteligente e já deve ter notado nossa mudança de comportamento.
_Pode ser... Façamos o seguinte: você faz mais um sacrifício e o distrai. O Rony está mesmo bravo comigo e por isso nem vai notar a minha ausência. Eu vou hoje mesmo conseguir a autorização e entrar na sessão reservada. Ninguém vai achar estranho se eu estiver estudando em pleno sábado. Assim que eu conseguir alguma coisa corro até onde vocês estiverem. Dá um jeito de ficar com ele em um local aberto e bem visível!
_Pode deixar... Acho que o pátio vai ser um bom lugar. Ele não vai poder reclamar...
_Tomara que não! Eu vou lá então!
_Boa sorte...
_Para você também...
Hermione conhecia aquela biblioteca como a palma de sua mão, e a professora Minerva confiava nela cegamente, por isso não se negou a dar a autorização para ela pesquisar na sessão reservada. Hermione achou o livro sem dificuldades, apesar de se distrair, às vezes, com os feitiços que ele continha, e que ela achava muito interessantes. Por fim ela achou o que procurava, ou melhor, achou o que estava faltando no livro. Sem pensar duas vezes Hermione decidiu vasculhar o dormitório masculino. A página do livro que estava faltando só podia estar lá.
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_E então, Hermione? – Harry atravessou a passagem para a Sala Precisa e perguntou antes mesmo de cumprimentá-la.
_Mais ou menos...
_Não me diga que você não encontrou nada, Mione? Vai dizer que eu passei a manhã inteira ouvindo as baboseiras daquele asqueroso à toa.
_Pelo menos você teve apenas que ouvi-lo, não é? – ela comentou.
Harry as olhou, desconfiado, mas elas o ignoraram.
_Eu encontrei o livro e percebi que estava faltando uma página. Aproveitei que você já o estava distraindo e que todos os garotos do sétimo ano estavam fora para procurar lá no dormitório. Revirei tudo, mas não encontrei nada! A folha só pode estar com ele.
_Mas se está com ele... O que é que nós vamos fazer? – Gina perguntou.
_Você não tem nem idéia de qual feitiço era?
_Pelo índice do livro é o feitiço da alma presa, mas é magia negra avançada e a sessão reservada está lotada de livros desse tipo. Levaríamos dias para encontrar outra referencia e eu achei que seria mais fácil procurar direto nas coisas dele.
_Mas se está com ele... – Gina observou.
_Só você vai conseguir pegar, Gina...
_Oh céus...
_Tem que ter outro jeito, Mione! A Gina já está se expondo demais!
_Só se contarmos ao Rony! Ele pode procurar nas coisas dele quando ele for tomar banho ou coisa assim...
_É uma idéia, mas e se ele não acreditar?
_Hum... Ele anda bem bravo comigo... Capaz de achar que é loucura minha...
_Além disso, corremos o risco dele mudar também a maneira de tratá-lo e aí ele desconfiar de verdade.
_Eu acho que ele já está desconfiado... No dia em que nos encontramos a noite ele fez um comentário que...
_Se ele está desconfiado, Harry, ele virá atrás da horcruxe! Ele deve se lembrar como entrar na Sonserina! Acho que deveríamos tomar algumas providencias! – Hermione afirmou.
_Mas antes vamos pegar logo essa folha. De repente o feitiço nem requer horcruxe nem nada. Só vamos saber quando a encontrarmos! – Gina se levantou decidida. – Eu vou dar um jeito de pegar essa folha!
_Mas Gina...
_Não se preocupe, Harry! Vai dar tudo certo...
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_Oi... – Gina chegou silenciosa.
_Oi! – Voldemort dobrou rapidamente uma folha e a guardou no bolso da calça. – Onde você estava?
_Estava com a Hermione... Conversando... – ela fingiu não perceber o gesto dele, mas marcou o bolso em que ele havia guardado o papel. – Quer dar uma volta?
_Tem certeza? – ele perguntou desconfiado.
_Absoluta... – ela sorriu com toda a naturalidade que conseguiu.
_Então ta... – ele imediatamente se levantou e largou o livro de lado. Entrelaçou seus dedos aos dela e os dois saíram juntos do salão comunal.
Eles andaram por algum tempo em silêncio. Gina sentia os dedos do rapaz roçando a palma da mão dela e aquilo a incomodava profundamente, mas ela tinha que suportar. Para se desligar do gesto pensava em algo para dizer, mas não conseguia se lembrar de nenhum assunto que pudesse tratar com ele, não agora que sabia quem ele era.
_Acho que aqui está bom! – ele falou puxando-a para mais perto e encostando-a numa árvore. – Você tinha alguma coisa especial para falar comigo? – ele perguntou aproximando-se dos lábios dela.
_Não... – ela afastou o rosto por impulso, depois sorriu meigamente. – Eu só queria ficar um pouquinho com você... Você vive reclamando...
_E não é para menos... – ele a prendeu contra a árvore segurando-a pela cintura. – Ultimamente você só quer saber de andar com a Hermione...
_Hum... – ela tentava não pensar enquanto ele roçava os lábios no pescoço dela. – É que nós temos muitas coisas para conversar, sabe? – ela o afastou.
_Algum problema, princesa? Você parece pouco à vontade... – ele se afastou para olhá-la nos olhos.
_Não... Impressão sua... – ela sorriu.
_Sabe? – ele sondou. – Outro dia eu saí para dar uma volta pelo castelo e adivinha quem eu encontrei?
_Não faço a menor idéia...
_O Malfoy e a Parkinson... No maior amasso lá na biblioteca...
Gina teve que respirar fundo para fingir que a informação não a havia incomodado, mas por fim conseguiu disfarçar. – E daí?! Eles são namorados, não são?
_É... – ele a sondou por um tempo. – São mesmo... E você é minha namorada, não é?
_Sou! – ela respondeu perdendo totalmente a paciência.
_Então me dá um beijo... – ele pediu.
_Um beijo?
_Sim! Algum problema em beijar seu namorado? – ele perguntou num tom muito estranho.
_Claro que não... – ela tentou ser natural. – Problema nenhum... “Espero que o Harry não tenha decidido me vigiar...” – pensou aflita. – “Também se veio, bem feito!” - o rosto do namorado cada vez mais próximo.
Ela fechou os olhos e tentou se concentrar na sua missão. Tentou não se concentrar nos lábios que agora tocavam os seus, ou na língua que abria passagem à sua boca, ou mesmo nas mãos que começavam a acariciá-la. Pelo contrário, usando todo sangue frio que conseguiu reunir, começou a retribuir o beijo e também as carícias. Seria o melhor modo de distraí-lo para que pudesse roubar o papel.
_Essa é a Gina que eu gosto... – ele sussurrou interrompendo por alguns segundos o beijo.
Gina aproveitou o comentário para dominá-lo mais ainda. Com um sorriso falso, acariciou a nuca dele, puxando-o para mais perto e recomeçando o beijo. A outra mão ela desceu pelo peito dele, lentamente, até chegar à calça, muito perto de onde estaria o papel.
_Por que a gente não vai para outro lugar, pequena? – ele perguntou ofegante, mas tomando o cuidado de não assustá-la. Não ia querer perder a chance.
_Tá bom aqui... – Gina respondeu passando a mão pelo zíper da calça. Sentiu ele se animar.
Respirou fundo e intensificou a carícia, por cima da calça mesmo – não chegaria muito mais longe que isso. Viu ele afastar um pouco o corpo e fechar os olhos. Era o que ela precisava. Ele estava completamente distraído com o toque dela. Com a outra mão, muito cuidadosamente, ela conseguiu tirar o papel, usando de alguns beijos estratégicos ou uma carícia mais ousada. Guardou o papel nas vestes e percebeu a oportunidade de interromper tudo aquilo quando sentiu a mão dele subir por sua barriga e tocar seu seio.
_Harry espera... – ela pediu.
_O que foi agora? – ele perguntou impaciente.
_Acho que já fomos longe demais! – ela o afastou e saiu de perto da árvore.
_Mas foi você que começou! – ele reclamou.
_Eu sei... – ela começou a caminhar para longe dele.
_Mas você vai me deixar assim? Pelo menos termina o que começou! – ele pediu mostrando o “estado” em que se encontrava.
_Harry! Você prometeu! – ela fechou a cara e apressou o passo. – Você não tem jeito mesmo! – usando a desculpa de estar ofendida ela correu para longe dele o mais rápido que pode.
Gina correu desabalada sem pensar em nada. Não queria ter tempo de pensar sobre o que tinha feito, ou melhor, com quem tinha feito. Já que se fosse o Harry de verdade ela poderia até relevar. Foi nessa confusão de pensamentos que ela trombou com ele.
_Gina o que foi?! – ele a segurou para que ela não caísse.
_Harry! – ela olhou para trás imediatamente para ver se Voldemort não a seguira, embora soubesse, da época em que ainda achava que ele era realmente o Harry, que ele ficaria ocupado por mais alguns minutos. – Eu consegui! – ela enfiou a mão nas vestes e tirou o papel.
_Conseguiu como? – ele perguntou segurando a folha.
_Ah não me pergunte... – ela falou envergonhada. – O que quer que você vá fazer, faça logo. Ele vai perceber que perdeu a folha, e está desconfiado de mim. Tenho certeza que está! – ela falou meio desesperada.
_Fique calma, Gina! – ele a abraçou. – Eu prometo que isso vai acabar! Eu vou resolver isso logo!
_Tá bom... – ela respondeu tentando não chorar. – É melhor eu ir antes que alguém nos veja... – ela sorriu. – Ia ser bem estranho...
_Está bem... – ela se afastou. – Gina... – ela parou para olhá-lo. – Eu te amo... – ela sorriu e continuou seu caminho.
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