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11. Sonserina sim


Fic: Mensageiro das Trevas: Portal do Tempo - ATT 03-04, cap.13!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Raramente você tem uma segunda chance de causar uma boa impressão.


ROBERT WONG


 


10 SONSERINA SIM


 


Onde é que você estava?!


Foi a frase que recepcionou Harry assim que voltou da loja de Olivaras. Dessa vez, a ruiva não gritara: escolhera utilizar um tom baixo que destilava toda sua raiva e indignação. O rapaz, por sua vez, apenas fitou-a por alguns segundos e sorriu, desviando da garota e retirando sua capa. Pôde sentir seus punhos pequenos se fechando e seus dentes rangendo mesmo de costas para ela.


— Harry. — Ela chamou depois de se acalmar respirando fundo duas vezes. — Chega dessa merda. — Concluiu simples, tentando ser direta. O rapaz virou-se para ela com as sobrancelhas erguidas e sentou-se na cama como se esperasse pelo que ela tinha a dizer. Gina respirou fundo mais uma vez e se posicionou de frente para ele.


“É o seguinte, Harry, eu estou de saco cheio dessa merda. É como se você simplesmente me ignorasse, como se eu não tivesse porra de valor nenhum e não fosse nada mais do que sua marionete! Você some toda hora e não me fala para onde vai ou o que vai fazer, ou se eu devo ficar preocupada sobre você voltar vivo ou não. Você me exclui da missão a todo momento! E quando me deixa participar… me empurra sem falar nada, praticamente me empurra de um abismo!”


Gina gesticulava abertamente com as mãos e falava como se cada palavra lhe tirasse um peso das costas – parecia se libertar conforme expunha seu ponto de vista e se empolgava dentro de sua frustração, aumentando o tom de voz e andando de um lado para o outro. Harry a acompanhava com o olhar e um sorriso de canto, ainda com a expressão serena de quando chegara.


— E o seu ponto é…? — Provocou. Gina parou de andar e colocou as mãos na cabeça, arregalando os olhos.


É frustrante, porra! — Exclamou. — Eu sei que não me quer aqui, mas sou perfeitamente capaz de me defender, e agora que já vim com você e desconfio que você não tenha um plano pra voltar, lide com isso e me aceite na missão! Pare de me tratar como… como se eu fosse fraca! — Ela desabafou num misto de raiva e frustração.


Por alguns instantes em diversos momentos, ela tinha toda a intenção de perdoar Harry pelo sumiço de anos, mas ele sempre parecia irritá-la ainda mais ou provoca-la de alguma forma estúpida. A ruiva bufou e cruzou os braços, apoiando o rosto numa das mãos – tudo o que queria era que Harry se comunicasse com ela.


Ele, no entanto, parecia ter ideias opostas.


— Mas você é fraca. — Disse simplesmente, ainda com um sorriso dançando no canto dos lábios. — Não de corpo…e sim de mente. De espírito.


Gina estava lívida. A afirmação do rapaz acertou-lhe como um soco no estômago e o sangue subiu-lhe à cabeça: o rosto ficou vermelho, os punhos se fecharam, os dentes cerraram e ela pensou ter perdido a visão por alguns instantes. Tudo o que via era o tom quase jocoso do rapaz dizendo “você é fraca” em todas as letras e sílabas. Tentou respirar fundo mas não conseguiu; sua mão pareceu agir sozinha e ergueu-se para bater em seu rosto com toda a força que tinha, como se gritasse tentando provar sua força.


— Cuidado… vai machucar sua mão. — Harry a segurara pelo pulso a alguns centímetros de seu rosto. Ele rugiu.


Cala essa boca, seu imbecil! — Vociferou, tentando acertá-lo com a outra mão.


Ele a olhava nos olhos e não reagiu para se defender do segundo tapa: a mão da ruiva estalou sobre sua bochecha e ele continuou imóvel, seu sorriso de canto inabalável. Gina tentou, sem sucesso, esconder a dor que sentia em sua mão. Conseguiu segurá-la por no máximo três segundos antes de recolher a mão e pressionar o pulso com a outra, os olhos marejados com lágrimas de dor, ódio e uma pitada de humilhação.


— Está melhor agora? — Ele perguntou. Tudo o que a ruiva conseguia ver era aquele maldito canto direito de seu lábio contorcido para cima num sorriso que parecia zombar dela. A dor pareceu sumir e ela se firmou em seus pés.


Cala essa boca! — Dessa vez, ela gritou. Uma lágrima escorreu de seus olhos e ela abriu os lábios duas vezes antes de prosseguir, furiosa demais para se pronunciar. — Vocês me chamaram para vir! Aliás, Dumbledore me chamou para vir! E sabe do que mais? Eu estava começando a melhorar minha vida, começando a seguir em frente, mesmo depois de enterrar irmãos, parentes e amigos! Mesmo depois de todo esse tempo pensando que você estava morto!


“É, Harry, para mim você tinha morrido! E de repente você aparece assim, sem mais nem menos! O que quer que eu faça? Que te abraça e diga que senti sua falta? Você sabe muito bem o quanto eu senti sua falta! Sabe muito bem o quanto eu te amava e o quanto você significava para mim. E você foi embora sem dizer nada para ninguém. Simplesmente sumiu! Desapareceu! E nunca mais voltou. Deixou a gente sozinho, cheios de corpos para enterrar! Você tem total noção de como doeu. De como dói ser abandonado.”


“Então você volta como se não tivesse acontecido absolutamente nada, e me tira da minha vida que começava a se ajustar para uma missão provavelmente suicida na qual você nem se dá ao trabalho de falar comigo! Mesmo que Dumbledore tenha me colocado aqui porque sabe que você não consegue se controlar! Você precisa de mim e fica me jogando de lado e falando que sou fraca! Eu não sou inútil! É VOCÊ quem é incapaz de se controlar, ou sequer de falar que merda você está fazendo ou pensando! É VOCÊ quem não consegue sequer lidar com pessoas que te amam! O único fraco aqui é você! Me entendeu?!”


Gina gritava convicta, sua ira alimentando o restante de orgulho que ainda tinha em seu corpo. Explodira com Harry e não se arrependia sequer de uma palavra: ele merecera cada uma delas, em todas as letras. Mais lágrimas haviam escorrido por seu rosto, e todas elas de fúria. Seu corpo ainda tremia e suas pupilas estavam dilatadas. Ofegante, tentou por mais uma vez respirar fundo e finalmente teve sucesso.


O sorriso de canto de Harry havia sumido mas suas sobrancelhas estavam erguidas como se não se importasse, o que irritou a ruiva mais ainda. Ela pensou que seus olhos estavam fixos nos dela, contudo, ele mirava um ponto qualquer atrás da garota. As duras palavras que vociferara, embora não tivessem arrancado reações visíveis dele, foram suficientes para perfura-lo por dentro das mais diversas formas.


Não fora fácil deixar seus amigos, a única referência que tinha de uma família, para trilhar sua jornada sozinho. Por diversas vezes fraquejara, escrevendo cartas e imaginando encontros e abraços roubados. Observava-os de longe, contendo-se com o que lhe restava de força para não interferir. Para não voltar para os braços de todos, implorando por desculpas, dizendo que tivera uma ideia estúpida.


E ainda assim… ela tinha razão. Perdera por completo a habilidade de socializar e interagir com seus amigos; mais que isso, perdera a habilidade de confiar em quem quer que fosse. Fizera da solidão, sua casa; sua eterna companheira. Apenas nela se sentia seguro, imbatível. Vivia sozinho em seu próprio universo, e para que sua força não fosse abalada… espantava todos dali. Ele piscou algumas vezes e passou a fitar, de fato, os olhos castanhos da ruiva. Dos lábios, nasceu um sorriso melancólico.


Sem dizer nada, moveu-se até a janela do quarto e abriu os dois lados, apoiando as mãos nela. Gina descruzou os braços e observou confusa a reação do rapaz. Ela abriu os lábios mas escolheu não falar nada, esperando alguma colocação dele quando ele se virou para ela.


— Nos vemos no Expresso Hogwarts.


Ele disse, dando um impulso com as mãos e saltando da janela em seguida. A ruiva arregalou os olhos, correndo até onde Harry estava como se pudesse segurá-lo. Estavam no quarto andar e por mais que estivesse furiosa com ele, não podia perde-lo para a morte novamente. Olhou para baixo um tanto quanto desesperada, mas não o viu. Bufou impaciente e se atirou na cama, enfiando o rosto no travesseiro e deixando escapar um grito de frustração. Harry Potter realmente conseguia tirá-la do sério.


 


**


 


Se a palavra da semana anterior era “estranha”, então a mais apropriada para essa era hostilidade. Mais uma vez, não trocaram sequer uma palavra durante toda a semana. Desde que deixara o quarto com uma saída um tanto quanto dramática, pulando do quarto andar, o rapaz não apareceu novamente no local.


Gina não sabia para onde o rapaz tinha ido, e essa fora sua itenção: ele havia subido para o telhado, buscando um local onde não pudesse ser encontrado. Permanecera lá durante toda aquela noite – era desconcertante conviver com uma pessoa que queria seu bem. Pensava ser muito mais fácil lidar com aquelas que queriam simplesmente vê-lo morto.


            No dia seguinte, Gina se descobrira extremamente cansada e de péssimo humor devido à noite mal dormida. Conseguira camuflar seu humor pensando na importância da missão e tentando provar sua utilidade para ela mesma, seguindo com suas amizades pelo Beco Diagonal. Quando a noite caiu mais uma vez, entretanto, encontrou-se extremamente entediada daquela situação. Conversar com Tom não parecia tão útil quanto buscar uma Horcrux ou encontrar a base de Voldemort.


            O desânimo se transformou em hostilidade no início do terceiro dia. Sem saber o que faria naquele dia, deparou-se com uma pilha de livros ao lado de sua cama e um bilhete que dizia estude na letra que entendeu como sendo de Harry. Seus dentes trincaram e ela teve que respirar fundo algumas vezes para não atear fogo em todos aqueles livros. Ela seguiu na direção contrária com o nariz empinado e teve um dia tão monótono quanto o anterior, o orgulho a impedindo de fazer como o bilhete dizia.


            Contudo, se algo podia vencer o orgulho Weasley… esse algo era sua curiosidade. Deitada quando o relógio ainda apontava as oito da noite, os olhos abertos puderam enxergar o título Meditação: Harmonia entre o corpo e a alma iluminado pela luz da lua que entrava pela janela aberta, como se quisesse atiça-la. Ela bufou e virou para o outro lado, fechando os olhos com força para dormir.


            Não foram dois minutos para que se levantasse bruscamente e agarrasse a pilha de livros, espalhando-os pela cama e acendendo as luzes com um aceno de varinha. “Vou só ver o que é”, afirmou mentalmente. Não fazia ideia de que tais livros pudessem existir: alguns pareciam ser extremamente antigos e todos tratavam de seus respectivos temas com tanta informação e precisão que não pôde resistir em abri-los. Além do livro de meditação, encontrou também um livro de lendas antigas que mencionava e explicava sobre os herdeiros da luz e das trevas e até mesmo sobre divisão de almas. Haviam dois livros com feitiços e azarações extremamente complexas e poderosas que fizeram seus olhos brilharem, além de um livro de poções e outro que reconheceu como um livro trouxa que tratava sobre religiões e estudos sobre os espíritos e os mundos além do material.


            Seu interesse no conhecimento avançado que lhe fora oferecido, todavia, jamais seria suficiente para superar o clima de hostilidade instaurado desde o último dia que vira Harry. Lia, estudava e testava algumas das informações dos livros, mas sua maior motivação era provar sua força. Em sua cabeça, amaldiçoava Harry Potter e arquitetava uma maneira de fazê-lo engolir suas próprias palavras.


            E assim foi até o fim da semana, quando finalmente embarcaria no Expresso Hogwarts para voltar à escola uma última vez. A fúria que aumentava a cada dia que passava finalmente deu trégua, dando vez ao nervosismo. Ela respirou fundo em frente ao espelho e terminou de arrumar seus cabelos ruivos, pegando o malão com as iniciais G.W. gravadas em prata. Franziu o cenho para o de Harry, que continuava ali e bufou impaciente, decidindo sair de uma vez.


            Despediu-se de Tom com um abraço e uma promessa de juízo e cuidado com o garoto transferido, seguindo para a estação King’s Cross. Tinha marcado de encontrar-se com Lílian às 10 horas embaixo do relógio entre as plataformas 9 e 10 e escolheu locomover-se aparatando próximo ao local. Tentou não se preocupar com Harry, mas de tempos em tempos procurava pelos olhos dourados do rapaz em meio à multidão.


            — Gina! Aqui! — A procura por Harry terminou assim que ouviu a voz de Lílian chamando por ela. Correu animada até ela, cumprimentando-a. Não demorou muito para que Marlene se juntasse à elas, ambas acompanhadas pelos pais.


Marlene atravessou primeiro, dizendo que era só correr em direção à parede. Gina gargalhou quando Lílian disse que sua mãe não queria deixa-la ir em seu primeiro ano, dizendo que iria se bater o carrinho na parede e se estabacar no chão. Deixou que a “novata” fosse antes e a seguiu de perto.


            Gina fingiu surpresa ao encontrar o Expresso Hogwarts na plataforma 9¾, convencendo mais ainda com o olhar maravilhado que lançava sobre o local. O olhar, na realidade, era de nostalgia – observou os adolescentes reencontrando os amigos depois das férias de verão e sentiu saudade de seus tempos de escola e daquela mesma alegria e energia que tinha no início dos anos letivos. Sentiu-se ainda mais responsável por ter sucesso na missão: aquelas pessoas não mereciam ter as vidas arruinadas como ela mesma tivera.


            — Minha ruiva voltou! — Disse uma voz saltando sobre Gina.


 Ela riu enquanto Sirius a abraçava, dramatizando como sempre fazia. Lílian rolou os olhos e mandou que parasse com toda aquela infantilidade e deixando a garota em paz – ele mal a conhecia!


 — Você só está com ciúmes porque não é mais a única ruivinha por aqui. — Ele brincou, empinando o nariz. A nova ruiva gargalhou mais uma vez, imersa na alegria dos garotos; era incrível sentir toda aquela felicidade, aquela inocência mais uma vez.


— Está tudo bem, Sirius. — Ela disse séria, fitando seus olhos. Ele piscou algumas vezes, atordoado com o olhar profundo. — Ela não compreende nosso amor. Teremos que fugir! — Terminou com uma das mãos na testa. Até mesmo Lílian gargalhou dessa vez.


Eles perguntaram como fora a última semana da ruiva antes de finalmente embarcar para sua nova escola e ela pensou alguns instantes antes de responder que fora extremamente tediosa. Disse que leu alguns livros sobre a escola (Hogwarts: Uma História) e arrancou gemidos de reprovação de Sirius e Marlene: “Se soubesse, tinha falado para você vir para minha casa”.


Tiago e Remo saíram do trem para chama-los para o vagão de uma vez, dizendo que Pedro Pettigrew ficara lá para guarda-lo. Gina foi incapaz de evitar a expressão de repulsa, mas por sorte não fora notada. Lembrou-se que naquela época, rabicho ainda fazia parte do grupo e que os marotos confiavam plenamente no rapaz, embora o garoto não mantivesse muito contato com as meninas. Conviver com o traidor seria, sem dúvida alguma, uma parte difícil da missão.


O Expresso Hogwarts apitou anunciando os 10 minutos finais para o embarque e as meninas finalmente decidiram ir para o trem. Lílian, monitora chefe, assustou-se com a hora e tentou puxar suas malas do carrinho – Remo dissera ter passado pelo trem algum tempo antes para tranquiliza-la e ela agradeceu com um sorriso aliviado e um pedido de desculpas.


— Mas o que raios você colocou nessa mala, Lílian? — Perguntou Tiago tentando levantá-la do chão. Sirius riu, dizendo que o rapaz já não era o mesmo.


— Bom… talvez eu tenha exagerado um pouco nos livros. — Respondeu corada, lembrando-se do esforço de seu pai e da ajuda que tivera do vizinho para colocá-la no porta malas.


— Ah, pelo amor de Merlin, deixe que um homem resolva a situação aqui! — Exclamou Sirius de peito estufado, segurando a mala pela alça. Ele, contudo, também não tivera muito sucesso – mesmo com toda sua força, a mala se ergueu apenas alguns poucos centímetros do chão. — Puta merda, Lílian! Nós temos uma biblioteca em Hogwarts, sabia?!


A garota corou e Marlene passou gargalhando, erguendo seu malão com pouco esforço. Gina também passou suas coisas enquanto Sirius e Tiago tentavam puxar o malão para dentro sem muito sucesso. Esbarrou nos garotos sem querer e Sirius soltou da alça, deixando o malão cair num rapaz que entrava no trem.


— Cuidado!


O rapaz deixou que o pé parasse o malão e ergueu-o do chão sem muito esforço, erguendo-o com uma mão só ao lado do corpo. Tiago e Sirius se entreolharam um pouco assustados, fitando os olhos do rapaz. O arrepio na espinha foi igual para os dois ao encontrarem os olhos dourados pela primeira vez. Gina deixou que os lábios se abrissem em choque: era Harry, em todo seu mistério e imponência.


— Precisam de ajuda? — Ofereceu com um sorriso tímido e Gina contorceu o rosto num misto de choque e confusão mais uma vez. Os olhos dourados se voltaram para Lílian. — O malão é seu, não é mesmo? Onde fica seu vagão? — A ruiva piscou os olhos algumas vezes; sentira o mesmo arrepio que Tiago e Sirius quando encontrara os olhos dourados.


— Ela está com a gente! — Exclamou Tiago entrando na frente da ruiva. Não gostara nem um pouco do rapaz e a ideia de deixa-lo sozinho com Lílian não o agradava em nada. Engoliu em seco e teve que usar boa parte de sua coragem grifinória para continuar encarando o estranho – nunca o vira sequer andando pelo castelo. Ele sorriu.


— Ótimo! — Exclamou Harry. — Onde fica o vagão, então?


— É lá no fundo. — Disse Tiago, acenando para que Sirius mostrasse o caminho.


O amigo entendeu que queria ficar entre o rapaz misterioso e sua ruiva, e tratou de mostrar o caminho, que parecia ser muito maior do que realmente era. Por dentro da jaqueta que vestia, Tiago segurava sua varinha com pulso firme, pronto para ataca-lo se tentasse algo. Lílian seguia os garotos um pouco apreensiva – era impossível não notar o clima de tensão entre o rapaz misterioso e os dois amigos. Teve a impressão que não fora a única a sentir o arrepio na espinha com a presença dele, mas ao mesmo tempo imaginava se tudo aquilo era necessário: seu sorriso tímido ao oferecer ajuda fora, de certa forma, cativante. Talvez ele não fosse ruim como Tiago e Sirius imaginavam.


— É aqui. — Apontou Sirius, abrindo a porta para o rapaz. Assim que ele entrou, trocou um olhar com Tiago que confirmava a parceria no ataque caso o rapaz fizesse algo estranho.


Harry ergueu o malão com facilidade e colocou-o no bagageiro sem muito esforço, deixando-os impressionados mesmo que não confiassem nele. Virou-se para a porta e passou os olhos por todos no vagão, deixando outro sorriso tímido nascer em seus lábios.


— Bom… Se precisarem de algo… — Ele disse, tentando sair do vagão mas sendo barrado por Sirius e Tiago com os braços cruzados e expressões desconfiadas.


— Quem é você? — Perguntou Tiago com olhos semicerrados. — Nunca te vi por Hogwarts.


            — E olha que andamos muito por lá. — Completou Sirius. Atrás deles, Gina e Lílian trocaram olhares igualmente apreensivos, embora fossem por razões diferentes. Os olhos de Harry encontraram os de Gina e ela se meteu entre os rapazes.


            — O nome dele é Harry Granger. — Explicou tentando aliviar a tensão. Sabia que os meninos não confiariam nele, e se apressou em continuar assim que as sobrancelhas dos dois se ergueram para ela. — Ele é aquele menino transferido de Durmstrang que eu falei, lembra? — Terminou.


            Os dois amigos trocaram olhares mais uma vez, as bocas abertas em choque. Fitaram Harry e em seguida Gina, agora tendo certeza que o garoto de Durmstrang não era boa companhia. O arrepio na espinha não era à toa – tinham certeza que ele conhecia um pouco demais de magia das trevas.


            — Então você passou duas semanas inteiras no quarto com esse cara? — Perguntou Sirius, indignado. — Como é que Dumbledore deixou uma coisa dessas?!


            — Muito obrigada pela ajuda, Harry! — Exclamou Lílian também pulando entre os garotos. É claro que não se sentia muito confortável com o rapaz, mas se Dumbledore confiava nele… então isso era o suficiente para ela. — Eu não ia conseguir trazê-lo pra cá. Meu nome é Lílian Evans, por sinal. — Terminou, estendendo a mão para ele, que apertou com um sorriso.


            — É bom te conhecer, Lílian. — Ele afirmou e a ruiva teve mais um calafrio. Aquele tom de voz… era como se o garoto já soubesse quem era ela. Engoliu em seco e tentou deixar os pensamentos de lado, sorrindo mais uma vez para ele.


            — Seja bem-vindo à Hogwarts, então! — Ela desejou, tentando quebrar o gelo. O sorriso que ele deu era carregado de diversão e mistério e arrancou mais um calafrio da garota.


            — Pode apostar que sim. — Disse, o sorriso agora apenas no canto dos lábios. — Nos vemos lá, então! — Terminou, passando entre os dois amigos que barravam a porta. Olhou uma última vez para Gina e acenou, seguindo pelo trem com as mãos enfiadas nos bolsos.


            Sirius sacodiu a cabeça e lançou mais um olhar para seu melhor amigo. Aquele cara não era normal e não gostava nem um pouco dele. Tiago cruzou os braços mais uma vez e olhou para as meninas, falando num tom sério.


            — Tomem cuidado com esse cara.


            Gina engoliu em seco.  Será que aquilo tudo era parte do plano? Porque se a intenção era ser odiado por Tiago e Sirius, então estava fazendo um ótimo serviço. E para terminar… entraria na Sonserina. Ela se sentou, mais pálida que o normal e não prestou atenção quando os marotos começaram um discurso sobre protegê-la do estranho e Lílian tentou acalmá-la dizendo que se Dumbledore os deixara juntos, era porque não havia perigo.


            Ela suspirou e olhou a paisagem andar através da janela quando começaram a se mover. Seu estômago embrulhou e sua mente viajou mais uma vez até Harry, deixando-a ainda mais apreensiva sobre o que estava para acontecer. Estava finalmente começando.


 


**


 


— Gina! — Ouviu uma voz chamar. — Acorda! Nós estamos chegando, vai lá trocar suas roupas!


A voz vinha de Lílian. Gina acordou assustada, erguendo-se e olhando pela janela. Reconheceu a paisagem e respirou fundo algumas vezes, tentando se preparar para aquilo tudo. A outra ruiva riu, dizendo que não tinha com o que se preocupar – independente da casa em que caísse, seriam ótimas amigas. Ela deu um sorriso triste. Ah, ela tinha muito com o que se preocupar. Lançou um último olhar para a janela e se levantou pegando suas vestes. A realidade atingiu-a mais uma vez e a preocupação com Harry aumentou ainda mais, acabando com parte da raiva que sentia por ele.


Gina teve que fechar os olhos por alguns instantes quando o trem parou para que desembarcassem. Por entre a multidão, buscava pelos olhos dourados com os quais já estava acostumada. Suspirou frustrada, lembrando-se que Harry só podia ser achado quando essa era sua vontade.


— Acho que você vai com os alunos do primeiro ano. — Disse Remo pensativo, aparecendo novamente. Ela deu um pulo, assustando-se; Lílian dissera que Tiago e Sirius foram encontrar o time de quadribol e que ela e Remo haviam saído para a reunião de monitores que acontecia antes de desembarcarem.


— Os alunos do primeiro ano vão para o castelo em barquinhos com Hagrid, nosso guarda-caça, e lá eles encontram com McGonnagal, que explica como é feita a seleção. — Lílian explicou. — Hagrid é muito legal, você vai gostar dele! É bem fácil de reconhecer, é só procurar pela maior pessoa que você consegue ver.


Alunos do primeiro ano, por aqui! — Ouviram uma voz grave gritar e Lílian sorriu. — Alunos do primeiro ano!


Gina olhou na direção que vinha a voz e avistou o enorme corpo de Hagrid, a cabeça coberta pelo cabelo e barba cheios e deixou um sorriso nostálgico escapar. Lembrava-se muito bem de sua primeira vez em Hogwarts.


— Entendi tudo. — Disse rindo, arrancando gargalhadas de Lílian e Remo. — Bom… Acho que nos vemos na seleção, então?


Ela se despediu deles com um abraço, andando um pouco apreensiva até Hagrid. Sabia que era inútil procurar por Harry, mas ainda assim não podia evitar passear com os olhos por entre a multidão que passava por ali. Suspirou frustrada quando alcançou o guarda-caça meio-gigante e não teve sinal de Harry.


— Oi! Hagrid? — Ela chamou inocente, concentrando-se no que tinha que fazer. Ele olhou para ela com os olhos negros e deu um sorriso, perguntando quem era. — Não sei se Dumbledore disse algo… Eu sou transferida dos Estados Unidos, acabei de falar com a monitora Lílian e ela me disse para conversar com você.


— Ah, sim! Você é a nova garota Weasley, não é mesmo?! — Ele exclamou feliz. — Você conhece Arthur Weasley? Ele se formou aqui há alguns anos… Ele namorava com Molly Prewett, se não me engano.


Disse pensativo. Gina riu e começou a explicar sua situação para o meio-gigante. Ele acenou em compreensão e perguntou sobre o outro garoto transferido. Ela não mentiu quando disse não fazer ideia de onde ele estava, mas que sabia que ele viera no Expresso Hogwarts.


Ei, vocês! Parem com isso! — Ele gritou para alguns calouros que brincavam de empurrar perto dali. — Desculpe, Gina, vou ter que ir dar um jeito nessas crianças. É só me acompanhar, pegar um barco e ir para o castelo! — Terminou, indo até os garotos. Ela sorriu mais uma vez, acompanhando os alunos curiosos atrás de Hagrid.


— Pronta para Hogwarts?


Gina saltou assustada com a voz ao seu lado. Era Harry, que mais uma vez chegava de surpresa. Ela respirou fundo e cobriu o rosto com as mãos, tentando se acalmar.


— Por que é que você sempre faz isso? — Perguntou rangendo os dentes e foi respondida com uma gargalhada de sua parte.


— Eu gosto do elemento surpresa.


Ela girou os olhos e bufou, continuando a caminhada até a margem do lago. Sentiu Harry acompanhando-a ao lado e tentou ignorá-lo o quanto pôde, mas logo esqueceu a inimizade quando depois de alguns minutos nos barquinhos, o castelo entrou em seu campo de visão. Aquela era, com certeza, uma visão única da escola. Seus olhos brilharam e um sorriso iluminou seu rosto, feliz por ter a chance de passar por aquele momento mais uma vez.


— É lindo, não é mesmo? — Perguntou Harry com uma voz distante, também contemplando o castelo. Aquilo lhe trazia tantas memórias… ver aquele castelo pela primeira vez fora um dos momentos mais felizes e inesquecíveis de toda sua vida. Fora a primeira vez que tivera um local para chamar de lar.


Gina acenou igualmente maravilhada e os dois trocaram olhares cúmplices antes de descerem do barco para encontrarem com McGonnagal no hall de entrada. Uma bandeira de paz parecia ter se levantado entre os dois, pelo menos naquele momento tão nostálgico que estavam vivenciando. Parecia um desperdício deixar que rixas e mágoas atrapalhassem um dos poucos momentos felizes que teriam naquela missão.


Ouviram em silêncio e com um sorriso no rosto o discurso da professora sobre as casas e sobre a seleção que teriam. Ela continuava com o mesmo olhar severo atrás dos óculos de aro quadrado que assustavam os primeiranistas da mesma forma todos os anos. Eles deram risos baixos e trocaram mais um olhar quando um garoto trêmulo teve sua atenção chamada para as vestes que estavam do avesso. Com um olhar de reprovação e um suspiro de tédio, ela abriu as portas do salão principal e levou as crianças entre as mesas da Grifinória e da Lufa-Lufa até a frente do salão, onde um banquinho com o chapéu seletor os aguardava.


Harry e Gina eram os últimos da fila. Ela esquadrinhava o salão em busca de rostos conhecidos e ele andava com o rosto duro e olhar fixo logo a frente. Gina riu com a pose de bad boy do garoto e viu um sorriso de canto em seus lábios que ele lutava para esconder. Os alunos veteranos olhavam para eles, claramente mais velhos, com olhares curiosos. Ela acenou para Lílian e parou quando chegaram ao início do salão. A professora estendeu o pergaminho com a lista de alunos e, depois de explicar que sentariam no banco e colocariam o chapéu seletor para que fossem escolhidos para suas respectivas casas, passou a chamar os nomes um a um até que restassem apenas os dois mais velhos.


— Transferida da Grey School of Wizardry, nos Estados Unidos, — Começou McGonnagal e Gina endireitou-se no lugar. — Ginevra Weasley! — A garota contorceu o rosto com a menção do nome e andou até o banco sob olhares curiosos e um assobio que tinha certeza que vinha de Sirius. Girou os olhos antes da professora colocar o chapéu em sua cabeça.


— Ora, vejam só… você não é daqui, não é mesmo? — Disse o chapéu seletor. Ela riu e acenou com a cabeça. — Mas com certeza é uma Weasley, e uma das boas! Não tenho dúvidas para você… GRIFINÓRIA!


A mesa vermelha e dourada explodiu em palmas animadas, principalmente dos marotos e de Lílian. Sirius dançava cantando “ganhamos a ruiva, ganhamos a ruiva!” e a abraçou quando Gina se dirigiu até eles. Eu sabia que você vinha pra cá! Ele riu, recebendo confirmações de Tiago. Ela se sentou sorrindo e tentou mantê-lo no rosto quando fitou Harry, parado e de braços cruzados esperando ser chamado.


— Transferido do Instituto Durmstrang, no norte da Europa, — Ela chamou e Harry não se moveu. — Harry Granger! — Ele andou calmo até o banquinho, com olhares que se misturavam em medo, admiração e desconfiança. Sua visão foi cortada assim que o chapéu foi colocado em sua cabeça.


— Ah, sim… Outro transferido. — Disse o chapéu em tom jocoso. — Só se for de tempo, se me perguntarem!


— Não interessa de onde vim. Apenas me coloque na Sonserina. — Disse Harry com um tom duro.


— Sonserina, não é mesmo? Você está certo disso? — O chapéu perguntou baixo e ficou quieto por alguns instantes, como se pensasse. — Não adianta mentir, garoto, posso ler você e te conhecer mais do que você mesmo… E seu coração está dividido… ah, está sim.


— Eu já disse. Não interessa de onde vim, quem sou ou o que vim fazer. Apenas me coloque na Sonserina.


— Mas seu coração é Grifinório! — Exclamou o chapéu. — Sim, sonserina… Sonserina pode te ajudar a alcançar a grandeza! Fará coisas grandes nessa casa…


— Então me ponha lá! — Harry concluiu, como que ordenando.


— Mas seu coração não quer… você é um grifinório nato, e um herdeiro de quem Godrico se orgulharia! — O chapéu disse. — Você tem fibra, garoto… tem coragem, confiança… e acima de tudo, tem amor.… amor por seus amigos, por sua família e também pelo próximo! E isso é algo que a Sonserina não é capaz de compreender! Abdicar de tudo isso por sua missão? Hm… me parece tipicamente Grifinório!


— Não se atreva a interferir na minha missão. — Ordenou Harry, perigoso. — Se pode me entender, sabe porque estou aqui; e vou para a Sonserina!


— Hm… sim, é claro… Eu compreendo… — Disse o chapéu. Todo o salão olhava curioso para o garoto – ele estava lá por tempo demais. Nem mesmo os professores tinham visto alguém demorar tanto para ser selecionado. — Mas tome cuidado! Você ainda não se decidiu… a que lugar pertence. Onde ficará no final? Sonserina… ou Grifinória? Que esteja alertado: minha escolha é irrelevante, pois nem mesmo você decidiu qual lado vence! Por hora… creio que deva experimentar um pouco do que é oferecido pela… SONSERINA!


A mesa verde e prata aplaudiu de forma não tão empolgada. A desconfiança era grande: embora o rapaz fosse transferido da Durmstrang, escola pela qual muitos tinham admiração, ele tinha um sobrenome desconhecido e demorara muito para ser selecionado. Será que era, de fato, um sonserino? Seria ele confiável? Os olhares pesaram sobre Harry enquanto caminhava até a mesa de sua nova casa.


No centro do salão, os olhos de Sirius apertaram, encarando o novato com olhos mais que desconfiados. Tiago o fitava da mesma forma. Sonserina? Aquilo com certeza não era bom sinal.


— Eu sabia que ele ia para a Sonserina. — Disse Sirius para Gina. — Não dá pra confiar nesse cara.


— Eu não sei. — Respondeu a ruiva. — Às vezes… às vezes a bondade surge de onde a gente menos espera.


— Dali, ela com certeza não vem. — Afirmou Tiago, também o observando. — Quem é você, Harry Granger?




N/A: Olá, gente! Voltei! 


E estou muito feliz de estar conseguindo postar numa frequência legal! :D Isso é muito bom, não é mesmo?


Enfim, de qualquer forma! Espero que tenham gostado desse capítulo que, finalmente, encerra toda essa contextualização gigantesca de cenário. Mas fazer o quê, não é um cenário que você pode simplesmente jogar os personagens no meio - "opa, errei aqui no vira-tempo, bom dia, mãe!" hahahahahaha


Estou gostando bastante de escrever, tem tanta coisa pra trabalhar! Tomara que estejam gostando de ler também. Aliás, muito obrigada pelos comentários! É muito bom saber que tem leitores e saber o que estão achando de tudo :) Vou deixar aqui o obrigada ao Arthur lacerda, ao Matheus MD e ao Azarael pelos comentários. Muito feliz de saber que estão gostando! :D E vamos ver no que dá esse Harry aí, não é? hahaha


Bom, até o próximo capítulo!


Mas vou ter que avisá-los que estou fazendo estágio num lugar e trabalhando no outro, então eu tô tirando tempo do além pra escrever pra vocês kkkkk... até que estou conseguindo! Mas enfim.... até lá! Espero que gostem e continuem comentando, votando, marcando como lida, etc etc. 


Um beijo e até breve! 

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Comentários: 2

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Enviado por MatheusMD em 19/08/2015

Desculpe a demora, ótimo capítulo. Havia lido mas não tinha tido tempo de comentar.. 
bem estou no aguardo do próximo.
; ) 

Nota: 5

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Enviado por Arthur lacerda em 15/07/2015

Fantástico.

E como diz o dito popular: Nem tudo que parece, é.

Parabéns.

Nota: 1

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