Capitulo 30
Doce Revanche
A cadeira foi arrastada com força e Hermione saiu correndo pela sala do almoço. Todas as cabeças que acompanhavam a gritaria se voltaram para ela e a seguir para Rony que sentava quieto e vermelho novamente a sua cadeira de cabeça baixa. Um silêncio geral instalou-se no local, até que os burburinhos e fofocas explodiram pelas bocas aflitas por mais e mais especulações. Vermelho de vergonha Rony olhou para Harry e perguntou baixinho:
-Será que Malfoy comprou a briga?
-Não só ele. Todos os professores estão olhando pra você como se tivesse duas cabeças. Vocês não exageraram um pouco não? – ironizou.
-Bem...nos sempre fomos bons em brigar sem querer...e agora querendo...acho que nos excedemos... – sorriu tímido.
Em algum momento da vasta discussão os dois pareceram esquecer que tudo era encenação e literalmente lavaram a roupa suja. Nem Harry sabia que possuíam tantos assuntos pendentes. Desde a ida ao baile com Padma, e Krum, até uma suposta olhada para as pernas da trouxa Molly, que conheceram no verão passado. Nem mesmo quando Percy gesticulara desesperado para que abaixassem o tom da voz eles pararam. Bem, deveria fazer bem, por aquilo tudo para fora. Mesmo que fosse absurdamente constrangedor.
-Olhem. Malfoy está saindo! – Gina sussurrou.
Os três olharam para ele que escapulia sozinho para fora. Aproveitando que vários secundaristas saiam, Rony e Harry saíram também. Não precisava ser um gênio para saber onde ele iria.
Hermione limpou a face cheia de lágrimas com as costas das mãos e sentou-se embaixo da sua árvore preferida no jardim.
Não queria pensar nas coisas que disseram um para o outro. Mesmo de brincadeira era muita coisa para pensar de uma vez só. Ouviu passou e imaginou o que a aguardava. De pé ao lado da árvore, Malfoy cruzou os braços rindo irônico.
-O que você quer aqui, Malfoy? – perguntou irritada.
-Eu lhe disse, Granger. É mais fácil Wesley gostar de um trago do que de você. Viu como ele gritava com você? Patético!
-Por que não volta para dentro, heim? Ninguém pediu sua opinião! – levantou-se brava. Mesmo planejado, sua presença a tirava do sério.
-Porque está brava comigo? Não fui eu quem a humilhou lá dentro. Foi o seu queridinho!
-Rony não é meu queridinho! Nem vai ser! Não fale do que não sabe! – quis passar por ele. Talvez aquela não houvesse sido uma boa idéia afinal.
Malfoy segurou seu braço. Ela ficou tensa. Péssima idéia!
-Me solta!
-Calma, eu não vou te machucar! – seu olhar duro mudou para algo diferente. Uma parte sua gritou para sair correndo dali, um Draco Malfoy mau era mais aceitável que um Malfoy sedutor.
-Então me solta! – rosnou.
-Porque? – aproximou-se mais – Você viu o espelho não viu? É a única que sabe a resposta daquela escolha.
-Fala da Pat? – gaguejou.
-Não... falo de você.
Era tão seguro de si, que Hermione se perguntou quantas vezes ele já não deveria ter feito isso na vida. Encurralar uma garota, seduzi-la com seu olhar acinzentado e sedutor, segurando seu corpo com mãos quentes e promessas do proibido nos lábios. Realmente tentador, não fosse ele o canalha que era, obviamente.
-O que quer dizer?
-Você sabe! Não é a bruxa mais inteligente a toa!
-È um elogio? – sua surpresa a fez relaxar contra o aperto em seu abraço.
Provavelmente entendendo que ela cedia, ele afrouxou o toque e seus dedos acariciaram delicadamente sua pele. Dedos habilidosos também.
-Sim. – riu do seu choque – Surpresa, não? Eu também fiquei da primeira vez que me vi pensando isso.
Seu riso era bonito quando não tinha aquela maldade toda. Arrogantemente esnobe, mas mesmo assim bonito.
-Não entendo porque está me dizendo essas coisas. Não importa se gosta de mim. Não importa o que acha de mim.
-Você é bem difícil, não é? É assim com o Wesley e Potter também? Acho que não. Acho que você é caidinha pelo palerma do orelhas de tomate. E sem dúvidas tem uma tendência a mãe do Potterzinho-bebê-tenho-medo-de-Voldemort! – riu. – Mas vou abrir seus olhos, Granger: Potter está sendo bem consolado pela pobretona da Wesley fêmea. E seu Roniquinho...bem esse, nem sabe que você existe!
-Na verdade, você tem razão em uma coisa. – soltou –se dele e o olhou bem dentro dos olhos próxima o bastante para que ele sentisse seu perfume, bem mais acentuado naquela manhã do que nas outras. Estranho admitir que se preparara para conquista-lo. – Rony não gosta de mim, nem vai gostar. Mas isso não quer dizer que não posso encontrar alguém que goste de verdade. Então se me der licença, vou procurar um garoto de verdade.
Mal deu dois passou e Draco disse:
-Porque não eu?
-Você? – virou-se irônica.
-Sim. Você nunca ficou com um garoto de verdade. É sua oportunidade.
Hermione teve vontade de revirar os olhos. Será que esse tipo de coisa funcionava com as outras garotas???
-Não.
-Porque? É sua oportunidade de mostrar ao Wesley e a toda escola que não precisa dele. Que pode ter coisa melhor.
Hermione fingiu pensar. Ele devia estar se sentindo.
-Não sei se quero ficar com você, Malfoy.
-É claro que quer! Qualquer outra iria querer. Além do mais, eu sou muito bom nisso – molhou os lábios com a língua rosada, e Hermione por um segundo desejou saber se era verdade, afinal, uma garota tem o direito de sentir-se tentada pelo proibido uma vez na vida, não tem?
-Aqui não. Pode aparecer alguém – disse baixando o rosto, como se estivesse envergonhada.
-Onde então?
-Hoje a tarde, tem treino de quadribol, as quatro. Se chegarmos antes, lá pela uma, vai estar tudo vazio e entre as arquibancadas não corremos o risco de alguém nos ver. – sorriu sugestiva.
-Não é à toa que a chamam de sabe-tudo. –ele disse sorrindo – é uma idéia perfeita. Aproximou-se e ela se afastou.
-Até a uma então.
Saiu correndo pelo jardim e chegou arfante na sala comunal. Lá dentro caiu numa poltrona rindo.
Minutos depois Rony e Harry entraram. Eles estiveram observando-os, não perto o bastante para ouvirem a conversa, mas perto para verem tudo.
-Harry, você precisa desmarcar o treino das quatro para a uma. E tem que ser segredo!
-Certo... – disse começando a ficar empolgado – Posso dizer que a Sonserina tá de olhou nos nossos horários. Assim ninguém da com a língua nos dentes.
-Então rápido! Temos apenas uma hora! – disse Rony.
Os dois saíram de lá apressados e Hermione foi até Neville que estava do outro lado da sala com sua coruja.
-Neville você me empresta sua coruja?
-Pega.
Ele estava tão concentrado com seu dever que nem viu quando ela puxou três pedaços de pergaminho e escreveu, em cada um os seguintes nomes dos amigos de Malfoy e da fofoqueira da Pansy. Um curto texto: estejam na quadra de quadribol a uma. Não se arrependeram desde que mantenham segredo.
Com isso despachou a coruja com as mensagens e correu ao dormitório se preparar.
Há uma hora era possível ver uma cabeça praticamente branca se destacando encostada junto a uma das arquibancadas. Hermione andou até ele e ficou a sua frente, de pé. Ele sorriu, mas não abriu os olhos:
-Achei que não vinha mais, Granger.
Hermione olhou para trás e viu Harry e os outros Grifinorianos e Corvinais, o time ao qual iria treinar, parados, ouvindo. Eles estavam sobre o comando de Harry de “fiquem quietos”. Harry havia feito um feitiço para aumentar o volume das vozes de ambos, e assim todos poderiam ouvir, menos eles dois.
-Eu disse que vinha, não disse?
-Disse. Mas achei que houvesse desistido. Sabe, é incomum um bruxo como eu interessado em uma sangue ruim como você.
Hermione engoliu a resposta que ele merecia, e se aproximou mais dele, barrando a visão dele, quando ele abriu os olhos irônicos para fitá-la.
-Então porque está aqui se me despreza tanto?
-Eu a desprezo. Isso é um fato. Mas ao mesmo tempo... – afastou os olhos surpreso com as próprias palavras - ...não consigo parar de pensar em você.
-É verdade, Malfoy? Você gosta de mim e não da Pat? Quer ficar comigo?
-Quero. – estendeu a mão e ela deixou que ele segurasse a sua, prendendo a respiração – Ninguém pode saber disso, Granger. Se meu pai souber que estou...querendo alguém como você, ele me deserda.
-Tá, mas você quer só ficar comigo, Malfoy. Ele não precisa ficar bravo com isso, precisa? É só uma brincadeira, não é?
Seus olhos se encontraram e Hermione engoliu em seco diante da intensidade do olhar.
-Eu não sei...Acho que...é loucura, mas desde o baile do ano passado, quando estava com Krum, que eu venho tendo esses sentimentos...achei que iria passar logo, mas só tem aumentado.
-Você está dizendo que quer namorar comigo? Não apenas ficar? – perguntou realmente surpresa pela confissão.
-Sim...eu acho que estou apaixonado por você, Hermione Granger.
Hermione o olhou ali sentado a sua frente, com a mesma postura arrogante de sempre, embora houvesse um toque de submissão em sua face, como se implorasse para que ela tentasse entender como era difícil pra ele admitir isso a ela. Por uma fração de segundo Hermione desejou não ter armado aquela armadilha pra ele. Ninguém merecia ser tão humilhado. Mas tão de repente como esse pensamento, lhe veio a mente o pobre Bicuço, Hagrid e tantas e tantas outras pessoas a quem ele fez mal. Seus amigos tão adorados, Harry, Gina, Rony. Neville e sua triste vida sem os pais, alvo de constante brincadeiras de mau gosto.
Tantos rostos amigos e constantes alvos dele. Malfoy não era um santinho. Seus sentimentos eram frívolos. Porque poupa-lo?
Soltou sua mão da dele e sorriu má.
-Desculpe, Malfoy. Não posso ficar com você.
-Como???
-É, eu não gosto de você, sabe. Acho que nunca vou gostar. Não leve a mal, mas tem tantos outros garotos mais interessantes aqui na escola, que não posso me imaginar com alguém como você!
-O-O que está dizendo? Você veio aqui pra ficar comigo!
-Não vim não. Eu vim assistir o treino do Harry e do Rony.
Saiu da frente dele e não assistiu a cara dele ao dar-se conta dos dois times, mais os sonserinos idiotas que ela chamara ali, todos de cara no chão, alguns começaram a rir, outros chocados demais apenas olhavam para ele, Pansy tinha os olhos repletos de lágrimas e saiu correndo dali.
Gina, com um sorriso que não parecia caber em sua face, correu até Mione e aos cochichos e risos subiram as arquibancadas, enquanto os times se recompunham e voltavam ao objetivo anterior, que era jogar.
As duas sentaram numa arquibancada bem em cima. Foi inevitável não rir cruelmente quando Malfoy ergueu o nariz e saiu de lá quase correndo.
Seus fies amigos, junto a Pansy sequer o olharam.
-Uau! – disse Gina empolgada – Isso vai entrar para a historia de Hogwarts!
Hermione olhou para o campo, onde Harry subia na vassoura sorrindo como um idiota. Imaginava a alegria dele,sempre alvo da crueldade de Malfoy. Um garoto da Corvinal, ria tanto que não conseguia subir na sua vassoura.
-Bem...parece que o ano não está sendo tão ruim assim. – sussurrou para si mesma.
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